Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

a leminski à leminski


Zemaria Pinto


o cara por trás do bigode
é um bandido
um desvairado
um desvalido
é um profeta

o cara por trás do bigode
é menos que um monge
menos que um samurai
menosmenos que a besta dos pinheirais
é um poeta

náufrago verbo verso bicho
erma palavra lavra incompleta
um relaxo no capricho

o cara
é uma experiência estética

Paulo Leminski (1944-1989), por J. Bosco.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Escrever é fácil


Pablo Neruda (1904-1973), por J. Bosco.








Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.


(Pablo Neruda)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A busca da verdade


Darcy Ribeiro, por J. Bosco.
Anísio Teixeira me ensinou a duvidar e a pensar. Ele dizia de si mesmo que não tinha compromisso com suas ideias, o que me escandalizava, tão cheio eu estava de certezas. Custei a compreender que a lealdade que devemos é à busca da verdade, sem nos apegarmos a nenhuma delas.

(Darcy Ribeiro, em Confissões)


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A universidade por Millôr


Millôr por J. Bosco.

A universidade é o local onde a ignorância é levada a suas últimas consequências.

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A grande tragédia do teatro é depender do público


 
A grande tragédia do teatro é depender do público. O dramaturgo, no entanto, só realiza sua obra na medida em que se liberta do público.

O autor teatral só deve e só pode respeitar o teatro vazio.

(Nelson Rodrigues – 1912-1980)

In: Nelson Rodrigues por ele mesmo. Org. Sonia Rodrigues, Nova Fronteira, 2012.
Nelson Rodrigues, por J. Bosco.

sábado, 29 de outubro de 2011

100 anos de Nelson Cavaquinho

Nelson Cavaquinho (29/10/1911  18/02/1986), no traço de J. Bosco.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bruno de Menezes, mais que uma simples lembrança

Jorge Tufic


Bento Bruno de Menezes nasceu em Belém do Pará a 21 de março de 1893. Faleceu em Manaus, Amazonas, a 2 de julho de 1963, quando participava do VII Festival de Folclore de Manaus, tendo sido transladado para sua cidade natal.

Além de convidado oficial, o poeta de “Maria Dagmar” e “Candunga” conviveu com seus amigos do Clube da Madrugada, recebendo o título de Cavaleiro de Todas as Madrugadas do Universo, em ato solene debaixo da árvore do mulateiro, na praça Heliodoro Balbi, centro da capital.

Esteve hospedado no Lord Hotel, rua Quintino Bocaiúva com Guilherme Moreira, onde veio a falecer, bem cedinho, após ter lido os jornais do dia, contendo, um deles, artigo de Mário Ypiranga Monteiro, também folclorista, sobre o evento que movimentava a cidade.

Lembra-me a Izabel, minha mulher, que no dia anterior ao seu trespasse, Bruno passou o dia em nossa casa, onde bebeu, cantou letras folclóricas e dançou ao ritmo dos poemas de “Batuque”.

Em 1968, por iniciativa da Prefeitura Municipal de Manaus e do Clube da Madrugada, e em nome do povo amazonense, foi-lhe erguido um busto na mesma praça Heliodoro Balbi, em frente à Policia Militar do Estado do Amazonas.

A memória que se tem de Bruno de Menezes em Manaus dá-nos apenas a idéia de um semideus que tivesse descido das alturas para visitar a taba de Ajuricaba. Ele fora constantemente louvado e aplaudido onde quer que estivesse.

Ilustração: Batuque de Bruno de Menezes, por J. Bosco.
Hoje, 21/03, comemoram-se os 117 anos de nascimento de  Bruno de Menezes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Max Martins (Belém, 26/06/1926 – Belém, 09/02/2009)

O poeta Max Martins, por J. Bosco.
Max Martins nasceu em Belém do Pará, em 1926. Exerceu cargos públicos até o momento de sua aposentadoria, a qual o Inamps incorporou outra: a de escritor, obtida há alguns anos e transformada, de imediato, no primeiro caso de escritor que se aposenta e recebe benefícios por ter exercido, por mais de trinta anos, a poesia. Hoje é diretor de um núcleo de cursos na área de linguagem verbal, aberto a estudantes de nível médio, universitários e interessados na literatura de um modo geral, conhecido como Casa da Linguagem.

Lançou seu primeiro livro, O Estranho, em 1952 (edição do autor). Dessa edição muitos exemplares se perderam, pois o resultado da impressão, muito precária, àquela época, não tendo agradado ao poeta, deveria ter sido jogada fora, a seu pedido. Porém, o garoto encarregado da tarefa, penalizado, deixou alguns exemplares nas soleiras dos casarões por onde passara a caminho do incinerador público, contrariando assim a ordem expressa do poeta. Graças a esse fato, O Estranho conheceu uma repercussão a posteriori, por ocasião das doações de acervo das grandes famílias de Belém a bibliotecas de universidades e instituições.

O Estranho refletia a percepção, mesmo que tardia, do modernismo, principalmente da musicalidade de Cecília Meireles, e do coloquialismo estilizado de Carlos Drummond de Andrade em Alguma Poesia, bem como do livro O Homem e sua Hora, de Mário Faustino ("O pão dos sábados/E as aventuras de Mário e Juvenal/Já não te comoverão/Na tristíssima volta ao lar paterno").

Em Anti-retrato (1960), nota-se a evolução para o trato com temas que se tornariam recorrentes em seus poemas – evolução impulsionada, de resto, pela aproximação entre as formas de construção da prosa e da poesia postulada por Faustino em seus estudos sobre poética. ("Já é tudo pedra/os dias, os desenganos./Rios secaram neste rosto, casca/de barro, areia causticante").

Esse projeto de escrita vai se aperfeiçoar uma década depois em H'Era (1971) com, entre outros fatos, a declaração expressa em seus poemas da preferência por autores nacionais como Drummond, Jorge de Lima e Guimarães Rosa, e por estrangeiros como Dylan Thomas, William Alden e Henry Miller. ("Palavras famintas pedem bis, e o X/de Hamlet e Henry Miller me visava;/velhas rezavam, se revezavam/em cantos, panos, palinódias").

Em O Risco Subscrito (1976), os poemas de Max Martins ganham um tom mais universalizante, ¡á anunciado no livro anterior. Aqui, a preocupação com a linguagem se torna o próprio assunto do poema; o ritmo bem marcado delimita agora uma nova relação formal com o espaço em branco da página. 0 que Benedito Nunes, na apresentação da obra, chama de "ensaio de espacialismo", principalmente em O Ovo filosófico:

o olho
do ovo
----------
o ovo
do olho.

Em Caminho de Marahu (1983), a opção pelos temas eróticos transforma-se em um objeto de pesquisa e crítica para o poeta. A influência de João Cabral e dos movimentos de vanguarda, como a poesia concreta e o poemaprocesso, redunda em um certo estranhamento da linguagem dos textos, que associam a natureza da pesquisa de linguagem à natureza do desejo sexual: "O branco apaga tudo – as cores deste gozo/E o próprio gozo/neste poço/ cala/o som da água".
Para Edilberto Coutinho (O Globo, 9/fev/1984), "Max Martins se revela, neste Caminho de Marahu além de poeta, um pesquisador e crítico, na linguagem de Décio Pignatari e dos irmãos Campos, (...) com seus parâmetros mais remotos (dentro da modernidade) em Mallarmé – por exemplo – ou, mais recentemente e de forma mais ostensiva, em Ezra Pound".

Um livro-folder, ou um livro-pôster, assim era 60/35 em sua primeira edição, em 1986. Os dezoito poemas que o compõem parecem confirmar as imagens utilizadas em seus livros anteriores. Como diz o verso de Edmond Jabès, que serve de mote para o autor, "tu és aquele que escreve e que é escrito". Nesses poemas percebem-se decisões quase sólidas na construção dos versos ("Escrevo duro/escrevo escuro"). Característica que constitui sua diferença quando comparados a Marahu, onde, ao mesmo tempo que retorna a temas e imagens anteriores, parece cair em um pessimismo absoluto da linguagem ("Ponho na tua boca as cinzas/da minha insígnia"). Marahu encerra, cronologicamente, a lista dos livros reunidos em Não Para Consolar (1992).

Denyse Cantuária
Mestre em Comunicação e Semiótica.
Professora da Universidade Estadual do Pará, UEPA.