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| Rainbow bride. Martina Arend. |
quarta-feira, 31 de maio de 2017
terça-feira, 30 de maio de 2017
Nome, CPF e código de barras
Pedro Lucas Lindoso
A primeira vez que eu vi um código de barras era adolescente
e fazia programa de intercâmbio nos Estados Unidos. Década de setenta. Ninguém
soube me explicar para que servia aquilo. Nem lá nem aqui. Com o tempo, como
todos nós, me acostumei com as barras. Inclusive sua utilidade para fazer
pagamentos “on-line”. Os códigos de barras são uma sequência de números. Esses
números atuam como o RG do produto ou do boleto. Sendo únicos em cada produto
ou serviço.
Sequência de números arábicos é verdade. Este sistema numeral
foi adotado por matemáticos árabes e repassado para outros povos ao longo do
tempo. Acredito que os números arábicos na sua forma atual foram desenvolvidos
a partir de letras árabes.
Os romanos também tinham seus números. Hoje são usados para
indicar os séculos, alguns relógios sofisticados e incisos da Constituição
Federal do Brasil e outras leis. Um estudante de Direito perguntou-me a origem
dessas letrinhas. Tive pena do rapaz. Primário mal feito.
Acredito que o código de barras foi uma das maiores invenções
do século XX. Permite que uma mala etiquetada em Dubai faça escala em Lisboa e
chegue a Manaus sem ser extraviada. Ou não!
O código de barras já evoluiu. Temos o QR (Quick Response). É
um código de barras bidimensional. Também pode ser escaneado pelos celulares
com câmeras. Pasmem: esse código pode ser convertido em texto. Informar um
endereço, um telefone, e-mail ou localização.
É sabido que nós brasileiros temos muitos números de
identificação. Em números arábicos, graças a Deus. Todos eles podem ser transformados em código
de barras ou mesmo em QR. Temos RG, PIS ou PASEP, que é o mesmo NIT usado pela
Previdência Social. Temos ainda o título de eleitor, a CTPS – Carteira de
Trabalho e Previdência Social, a CNH – Carteira Nacional de Habilitação. Alguns
têm passaporte e registros de classe profissional, entre outros.
O incrível é que todos esses registros estão vinculados a um
grande e poderosos registro: o conhecidíssimo e deveras utilizado super-registro,
poderosamente utilizado até por programas de fidelidade de companhias aéreas,
passando por controle de seguranças de prédios de luxo, bancos e cartões de
crédito. Sim, estou me referindo ao CPF (ou CNPJ, para pessoas jurídicas).
Esse sim é o que vale. Todos os sistemas vinculam-se ao CPF.
Sua origem é o Fisco. E como dizia meu saudoso pai, dos impostos e da morte
ninguém escapa. Desde o tempo da derrama, na Inconfidência Mineira. Já ouvi
muitas vezes. Basta o CPF. Mas o governo acaba de criar o RIC – trata-se do
novo documento de registro de identidade civil, que integra todos os estados
federados e o Distrito Federal. Para quê? Se todos vão continuar usando o CPF?
Em vez deste tal de RIC, o Ministério da Justiça deveria ter bolado um código
de barras ou QR informando o CPF do cidadão.
Bastava nome, CPF e código de barras ou QR. Eu me submeteria
até em fazer uma tatuagem. Em local decente e discreto, obviamente.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
No Shopping
Mauri
Mrq
Ele
envelheceu no shopping. Sempre o via serelepe, realizado, sem aparentemente
demonstrar qualquer dissabor em sua existência. A suposta felicidade vinha em
doses diárias circulando em cada canto do centro de compras Amazonas Shopping.
Sua bebida preferida eram todas, de acordo com o gosto da companhia que dividia
a mesa ou mesmo para aplacar sua solidão, sendo sempre explorado: até CD
patrocinou para um pseudocompositor bicho-grilo baré.
O
tempo foi passando e Liano firme e forte na sua perambulação diária no
Shopping. O nome Liano, dado por sua mãe, foi em razão de querer ter tido uma
filha, mas quando varou para o mundo, não contou conversa, a tão desejada Lia
foi transformada em Liano.
Ter
conhecido um juiz quando era ajudante de serviços gerais, lhe abriu algumas
portas. O juiz utilizava o Foro do Tribunal de Justiça para sua prática
boiolística na conquista de jovens besouros, e, numa oportunidade dessas, Liano
se tornou um.
Liano
conquistou a confiança do Juiz que lhe comprou Diploma de Curso Superior numa
dessas Faculdades particulares de Manaus, para em seguida entrar pela janela no
Tribunal com promessa de efetivação, que veio com promoção.
Sempre
que me via quando ia ao Shopping, acenava, nada mais que isso. Mas, naquele dia
ele acenou me chamando, convidando para tomarmos um trago. A bebida chegou,
brindamos, de repente ficou mudo, vermelho; em seguida, caiu, batendo com a
cabeça na mesa ao lado, sua dentadura voando, sua boca murchando, o corpo roxo
no chão: um infarto fulminante.
Deduzi que ele morreu desse jeito na minha frente para que concluísse este conto da
vida dele no Shopping.
domingo, 28 de maio de 2017
sábado, 27 de maio de 2017
sexta-feira, 26 de maio de 2017
exercício nº 11
Zemaria Pinto
As nuvens do fim de tarde
desenham
ícones no firmamento. Os
pombos
adejam sobre prédios e
automóveis.
O centro da cidade é uma
fratura,
uma explosão latente, uma
agonia,
prefiguradas na selvagem
selva
dos homens-árvores, dos
homens-pedras
amanhados em lavras de
betume.
Caminho errante pelas
ruas úmidas,
entre as ruínas do que um
dia fui,
catando sobras do que
tenho sido.
A noite faz-se em brilhos
e rangidos
furiosos, enquanto as
avenidas
escorrem lentamente de
meus olhos.
Marcadores:
A poesia é necessária?,
Zemaria Pinto
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Morte rejeitada: busca da vida
João Bosco Botelho
A necessidade incontrolável
de dar sentido à vida, diferente da dos outros animais, e minimizar a dor determinada
pela morte de entes queridos, está expressa com transparência em todas as
culturas, materializando como opostos a saúde e a doença. A primeira, sinônimo
de vida, ficou ligada ao bem, bom, belo; a segunda, compreendida como mal,
ruim, feio, antecipando o falecer temido.
A pulsão inata para
desvendar a forma visível, em especial a do corpo, sadio ou doente, dotado com
propriedades sensíveis de comunicar-se e locomover-se, para fugir da dor, pode
ser considerada como a arqueologia que materializa a vontade atávica para
viver! É verdadeira em si mesma, porque dá forma ao viver, num movimento
metafórico, composto pela presença da carnalidade da pele quente, pela
realidade dos sentidos, da respiração e do ritmo cardíaco.
Atinge e entrelaça o ser no
mundo por meio de reconstruções. O novo surge dessas reconstruções, em muitas
circunstâncias, oferecendo consistência ao pensamento que transforma e
consolida a consciência-de-si do corpo sadio ou do corpo doente.
O conjunto sociocultural,
presente na memória, adquirida e transmitida geração após geração, desempenhou
papel de extrema importância nas mentalidades. Os atuais saberes ocidentais, em
parte marcados pela influência cultural greco-romana amalgamaram esse
patrimônio, perdido nos confins enigmáticos do tempo indivisível.
A pólis, organizada à
semelhança do corpo saudável, passou a ser compreendida como organismo vivo. Ao
contrário, o caos social era sinônimo de doença. O político competente era
aquele que curava a sociedade doente. No mesmo patamar, o juízo de valor das
condutas fora estabelecido utilizando as emoções humanas como parâmetro.
No mundo das crenças
religiosas a passagem da saúde à doença, implicando risco à vida, funcionando
como opostos, tem sido comunicada às sociedades pelo sacerdote, o representante
da divindade. De modo geral, esses especialistas do sagrado confessam serem
incapazes de compreender a vontade divina, limitando-se a obedecer e implorar a
misericórdia, por meio dos ritos específicos para abrandar a ira
transcendente.
O poder de curar pessoas e
sociedades e adivinhar com antecedência os infortúnios, evitando as doenças,
para melhor organizar determinado grupo social, oferecendo a saúde e adiando a
morte, tem sido historicamente utilizado pelo poder político como mecanismo ora
de coesão, ora de dissolução social.
O sofrer e a morte da pessoa
amada determinam sofrimento e transtornos em diferentes níveis do corpo,
trazendo incontáveis sinais físicos de desconforto, variando em cada pessoa. Os
sistemas nervosos, central e periférico, liberam substâncias que alteram o
ritmo biológico e estabelecem a baixa global da defesa imunológica.
A ansiedade, entendida como
sensação de perigo iminente, interferindo na sociabilidade das pessoas, aciona
outras perturbações nos ciclos do sono, da fome, da sede, da libido e da
afeição, ainda pouco compreendidas.
O lento avançar da melhor
compreensão molecular identificou a substância GABA (ácido gama-aminobutírico),
como o principal neurotransmissor, inibitório do sistema nervoso central. É
possível afirmar, sem estar cometendo equívoco, que a maior parte das
incontáveis trocas químicas processadas em cada instante nos tecidos está
voltada para manter o ser vivo e atenuar, temporária ou perenemente, as
sensações desagradáveis e perturbadoras.
Desse modo, parece lógico
pressupor que as atitudes específicas usadas no enfrentar da adversidade
temida, minorando o sofrimento do homem e da mulher, tenham sido valorizadas e,
continuamente, aperfeiçoadas pela ordem social, por trazerem resposta de
bem-estar, para manter a vida, sempre!
Marcadores:
História da Medicina,
João Bosco Botelho
quarta-feira, 24 de maio de 2017
terça-feira, 23 de maio de 2017
Muita chuva. Isso é bom?
Pedro Lucas Lindoso
Chove
sempre na Amazônia. Às vezes chove muito. As pessoas estão preocupadas porque o
rio está transbordando. A cheia do Rio Negro para este ano, em Manaus, que
atinge o pico em junho, deverá alcançar mais de 29 metros, segundo avaliações
do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, recentemente publicadas nos
jornais.
Dizem
que muita chuva não é muito bom. Quando alguém diz: chega! Está bom! Deve-se
parar. Está o suficiente. O suficiente é bom? Está mesmo bom de chuva? Deve
mesmo se pedir para parar de chover?
Ouvi na
televisão que houve substancial aumento no volume das chuvas este ano.
Obviamente que isso influenciou a cheia dos rios amazônicos.
Comenta-se
também sobre um fenômeno meteorológico conhecido como “La Niña”. Esse fenômeno
seria o responsável pelo aumento da quantidade de chuvas na nossa região.
Chuvas que atingiram as Cordilheiras dos Andes e também a nossa Amazônia. Com
certeza então essa tal de "La Niña" é uma garota peruana, ou melhor,
quéchua!
Continuo
a minha meditação: Será que muita água é bom?
Gosto
do vocábulo bom quando ele significa algo útil para nós, seres humanos. Gosto
do sentido bíblico da palavra bom. Quando Deus criou o mundo e viu que tudo era
bom. Está lá no Gênesis. E penso mesmo que o mundo é bom porque tudo parece ter
sido feito e colocado com sabedoria. E grande arte. Sem querer repetir, e já
repetindo, a frase feita de que a natureza é perfeita.
Ouvi de
um sacerdote, citando São Basílio, que: "A água impregna de sua vitalidade
a planta, dando-lhe possibilidade de revestir-se de cores".
Mas até
a água em demasia pode não ser bom. Os rios da Amazônia estão transbordando.
Isso não é bom. Ou é?
Mas
“Deus viu que tudo era bom”. Sendo assim tudo nele é colocado com sabedoria e
arte. E se Deus existe e está vivo, dotado de livre vontade porque é vivente,
tem o poder de fazer o que escolhe para fazer. Deve, portanto, escolher o que é
bom.
Assim,
vamos nos alegrar com a abundância das águas que transbordam os rios de nossa
região. Se acontecem as cheias todos os anos é porque é bom.
domingo, 21 de maio de 2017
sábado, 20 de maio de 2017
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Nasce uma estrela: Polaris
Quando a
palavra dominante é crise, três
jovens, de 21 a 24 anos, desafiam a lógica do mercado, que já derrubou tantos
grandes – locais e nacionais – e lançam, hoje, uma nova editora, inicialmente,
apenas virtual: Polaris.
Polaris é a
estrela que guia os viajantes, ou que guia seus sonhos. E é exatamente isto que
a Editora Polaris quer ser: uma nova
referência para escritores e aficionados por leitura. Com o objetivo de
promover novos autores por meio da produção, publicação e venda de e-books, e
eventualmente livros impressos, a Polaris se lança no mercado editorial
disposta a ser a estrela do Norte que trará, ao grande público, as mais
diversas obras literárias.
A equipe
inicial é composta por Rebeca Barbosa, 21, Designer e Pós-Graduanda em
Marketing, Publicidade e Propaganda; Letícia Pinto Cardoso, 24, Licenciada em
Letras e Mestranda em Estudos Linguísticos; e Guilherme Mateus, 24, formado em
Análise de Sistemas.
Segundo
Rebeca Barbosa, CEO da nova empresa, “a ideia surgiu quando a vontade de
publicar um livro por uma editora local se tornou difícil. Eu vi muitos amigos
tentando publicar seus textos em editoras da região, mas recebendo apenas
respostas negativas, sempre quis poder ajudá-los, sempre fui apaixonada por Design
Editorial desde a universidade, porém, tinha medo de começar. O mercado no
Brasil exige muito dinheiro e preparação. Conheci o Guilherme, que botou o
maior gás no meu sonho, e disse: ‘Vamos fazer!’ Foi então que entrei em contato
com a Letícia para iniciarmos a busca por autores regionais e nacionais.
Ela
acrescenta ainda que “trabalhar no mercado editorial é um sonho desde muitos
anos atrás, é muito importante fazer parte disso. O livro, o jornal, a revista,
são materiais que deixaram de ser meras publicações e começaram a se tornar
objeto de desejo para muitos consumidores.”
Para a editora
Letícia Pinto Cardoso, “o mercado editorial é um agente importante na formação
de cultura, nas discussões que interessam à sociedade, ou até mesmo as que são
negligenciadas. Entendemos o livro não apenas pelo apreço que temos por seu
valor cultural, sentimental, mas ainda como um produto social. Aliás, estamos
produzindo romances com protagonistas lésbicas, porém que vão além deste rótulo
da orientação sexual, porque nós também queremos alcançar o público LGBT, mas sem
os apelos comuns, queremos apresentar material, histórias de qualidade, com que
possam se identificar, e nós faremos isso!”
Letícia
completa dizendo que o mercado “ainda está crescendo nessa área, mas o fator
acesso à Internet e as facilidades que um livro digital tem, desde os baixos
custos, acesso ao consumidor, até as opções de leitura, são fatores que nos
levaram a querer investir nisso.”
Questionados
sobre a pouca idade e experiência do grupo, Rebeca afirma que “apesar de
jovens, vamos entregar tudo em alta qualidade para todos os escritores que
fecharem conosco. Temos experiência em produção de livros, eu já fiz diversos
serviços de diagramação e algumas capas para a Valer, enquanto a Letícia trabalhou, e ainda trabalha, com revisão
de textos. E mesmo com a concorrência, e o espaço que ocupam, estaremos em
vertentes diferente das outras editoras.”
Perguntada
sobre como será esse início, Rebeca Barbosa responde com segurança:
– e-books
são nossa carta na manga. Estaremos recebendo materiais de escritores locais e
nacionais para serem analisados, oferecemos a publicação gratuita, com todos os
requisitos, como o registro na biblioteca nacional, lançamento, eventos online,
marketing do livro, acompanhamento editorial, tudo o que um livro tem direito,
sem tirar nem pôr. Estamos também preparando uma área exclusiva para nossos
escritores, como uma rede social, mas direcionada apenas para eles – é uma
forma de mantermos sempre contato e atualizações entre nós, autores e Editora. E
vamos trabalhar com livros impressos sim, esse é o nosso maior objetivo depois
dos e-books.
O analista
de sistemas e diretor de tecnologia Guilherme Mateus fala de outros planos:
– Também
queremos estrear em breve nossa biblioteca online, ela já tem nome, se chamará Labstore, na qual os leitores poderão
ter acesso aos nossos livros por uma pequena taxa por mês (a ser definida). A
inauguração ainda não tem data, mas está prevista para o segundo semestre deste
ano. Em nosso site também teremos loja on-line (onde estarão todos os títulos
de nossa editora, tanto e-books quanto impressos), Blog (com dicas de escrita,
artigos, resenhas, consultoria com revisores e mais).
A editora
Letícia adianta que escritores do sul e do sudeste do Brasil já estão em fase
de negociações com a Polaris, assim como alguns autores de Manaus. Ela ressalta
que qualquer um pode submeter o material diretamente no site: www.editorapolaris.com.br.
Sobre o
endereço físico da editora, o grupo tem planos para um futuro próximo, mas
antes quer conquistar novos autores e o coração dos leitores, para depois
pensarem numa base física da Editora. Isso é uma característica da estrela
Polaris que, de tempos em tempos, se contrai e depois se expande, variando seu
brilho nesse processo. Da mesma forma a Editora Polaris:
– Daremos
alguns passos que agora parecem pequenos, mas que são a base para um caminho
mais longo – e belo!
Para saber
tudo sobre a Polaris, além do site, acompanhe
nas redes sociais:
Contatos:
contato@editorapolaris.com.br
Rebeca
Barbosa – CEO e Diretora de Design – (92) 99212-8454
Letícia Cardoso
– Editora e Diretora de Conteúdo – (92) 98271-3152
Guilherme Mateus
– Diretor de Tecnologia – (92) 99252-6942
Marcadores:
Guilherme Mateus,
Lançamentos,
Letícia Cardoso,
Rebeca Barbosa
Harmonia de Hipócrates com deuses e deusas
João
Bosco Botelho
Mesmo com o grande avanço para entender a saúde e a
doença como partes do corpo, com textos claramente dirigidos para retirar dos
deuses e deusas a primazia da cura, não ocorreu ruptura violenta com as ideias
e crenças religiosas que conviviam com as mentalidades da época. É possível que
essa conciliação cautelosa de Hipócrates e de outros médicos da escola de Cós,
reconhecendo a importância da materialidade das doenças sem atacar o panteão taumaturgo,
em especial, o deus Asclépio, tenha contribuído para que Hipócrates evitasse o
mesmo destino de Sócrates.
Segundo a mitologia grega, Asclépio era filho de Apolo e
da ninfa Coronis. Apolo matou Coronis e entregou o filho aos cuidados do
centauro Quiron, famoso médico, que instruiu Asclépio na arte de curar e na
delicadeza dos movimentos das mãos do cirurgião. Finalmente, Asclépio
consolidou-se nas mentalidades como o principal deus protetor da Medicina e dos
médicos. Em sua homenagem foram construídos muitos templos. O mais famoso deles
é o de Epidauro, na ilha de Cós, cuja reconstrução arqueológica mostrou salões,
vestiários e alojamentos para médicos e doentes, salas de banho e teatro para a
recreação.
É certo que a figura do médico, como especialista social,
dependente das crenças e idéias religiosas tenha chegado aos gregos com poucas
mudanças, oriunda de tempos muito anteriores. Quando a Escola de Cós estava no
apogeu e Hipócrates reconhecido como autoridade médica, havia harmoniosa
convivência entre a Medicina de Hipócrates e as práticas de curas dos
sacerdotes do templo de Asclépio. Como comprovações destacam-se as estelas de mármores
encontradas no templo de Epidauro com inscrições de agradecimento a Asclépio
pela cura obtida.
É pertinente, mais uma vez, assinalar que o conjunto
teórico atribuído a Hipócrates e aos seus discípulos, mesmo obtendo importantes
avanços em comparação às práticas médicas das cidades-reinos do Egito e da
Mesopotâmia, não provocou explicitamente ruptura com as crenças e idéias
religiosas do panteão grego. Essa situação de convivência harmônica entre
médicos e os sacerdotes de Asclépio despertou interesse e recebeu críticas
ácidas, como as atribuídas a Aristófanes, que encenava ridicularizando o sacerdote
de pouco escrúpulo.
O juramento do Tratado
Ético de Hipócrates começa com a clara aliança com os deuses e deusas: “Eu juro por Apolo, médico, Asclépio, Hígia e
Panaceia, por todos os deuses e todas as deusas...”. Essa posição, de
modo espetacular, atravessou os séculos, sendo mantida em diferentes formas até
hoje.
A análise
do conteúdo ético do juramento de Hipócrates constitui claríssima conduta com o
objetivo de evitar a prática médica prejudicial aos doentes, semelhante ao
código de Hammurabi, porém sem a agressividade punitiva babilônica.
Marcadores:
História da Medicina,
João Bosco Botelho
quarta-feira, 17 de maio de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
Teatro Alienígena - leitura performática
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