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| Gabriel Moreno. |
quarta-feira, 5 de julho de 2017
terça-feira, 4 de julho de 2017
Não confunda
Pedro Lucas Lindoso
Minha querida tia Idalina vive dizendo: “não confunda catraca
de canhão com conhaque de alcatrão”.
Mas as pessoas confundem as coisas. É muito comum
confundir-se o Amazonas, nosso estado, com Amazônia, com seus vários conceitos:
o bioma, a região Norte, a Amazônia Legal, Internacional etc.
Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, na década de 80
do século passado, em périplo pela América Latina, confundiu o Brasil com a
Bolívia. Foi demais! Logo a Bolívia! O Piauí do mundo!
Rondônia, que o pessoal confunde muito com Roraima, já foi
Território do Guaporé. Porto Velho já pertenceu ao Amazonas, mas tornou-se
capital do então Território de Rondônia, cujo nome é homenagem ao Marechal
Rondon.
O Estado de Roraima já foi Território Federal de Rio Branco.
O rio que corta a cidade de Boa Vista é o rio Branco. Rio Branco é a capital do
Acre, nome do rio que corta a cidade. A cidade de Rio Branco foi homenagem ao
Barão do Rio Branco. Como se sabe, o Barão era o chanceler do Brasil quando foi
assinado o Tratado de Petrópolis, que anexou o Acre definitivamente ao Brasil.
Cartas e encomendas dirigidas à capital do Acre eram
equivocadamente enviadas a Boa Vista, capital do então Território do Rio
Branco. Provavelmente por esse motivo, mudaram o nome para Roraima. Homenagem
ao monte cujas rochas são tidas como uma das formações mais antigas do planeta.
A possível última vítima dessa confusão é meu amigo Parimé
Pinto. Nascido em Boa Vista, há mais de 80 anos, quando esta ainda era capital
do Território do Rio Branco. Na identidade de Parimé, expedida pela SSP-AM,
quando veio viver em Manaus, consta que ele é natural de Rio Branco-AC! Mas ele
se considera mesmo é amazonense, e não acreano.
A ex-presidente Dilma em visita a Boa Vista confundiu Roraima
com Rondônia. Informada da gafe pediu desculpas aos “roraimadas”. Agora
confundindo roraimenses com “roraimadas”. Pobre povo macuxi.
Muita gente confunde Suécia com a Suíça, como confundem
Roraima com Rondônia. Em viagem ao exterior, o presidente Michel Temer cometeu
uma enorme gafe. Ao discursar na Noruega, após encontro com a
primeira-ministra, Temer chamou de rei da Suécia o monarca da Noruega.
Chamar empresários russos de soviéticos ainda se perdoa.
Agora o Temer foi confundir logo o rei da Suécia, que é casado com uma
brasileira, a Rainha Sílvia. Imperdoável. Tia Idalina tem sempre razão. “Não
confunda”!
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Vermelho e Azul, as cores da nossa Bandeira
David Almeida
No mês de junho, os amazonenses
ficam divididos entre as bandeiras do Caprichoso e do Garantido, e, por incrível
que pareça, a bandeira do Amazonas tem as cores dos bumbas. Há quem diga que
a nossa bandeira parece com a dos Estados Unidos, alguns pensam até em
mudar, mas, no momento, essa não é a questão. Será que foi algum visionário,
que criou a bandeira do Amazonas, vislumbrando um futuro com os dois bois?
Bom, isso, também, não se sabe, o certo é que, o azul do Caprichoso está no
nosso pendão, cheio de estrelinhas, como um céu estrelado. Já o vermelho do
Garantido, não tem o coração visível, mas, só para não dar confusão, foi compensado
com uma esticadela a mais, e está no meio da bandeira. Por tanto, como um
grande coração.
Ufa!!! Agora, eu acho que está bem explicado, porque essa questão que envolve o universo folclórico dos nossos bumbás, se a gente pisar na bola numa explicação, a coisa fica preta. Não se pode tender, nem para um lado e nem para o outro.
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| A bandeira do Amazonas, entre as bandeiras do Garantido e do Caprichoso.
Foto: David Almeida.
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Gente, é só uma
hipótese. Se analisarmos bem, o idealizador do nosso pavilhão estava,
politicamente, correto, em relação aos bois, pois, estrelas são vistas,
claramente, no céu, principalmente, numa noite enluarada. O sol, estrela
de primeira grandeza da nossa galáxia, é bem visível no céu azul de num lindo
dia de verão. Um coração ninguém vê, ele fica dentro do peito pulsando as
emoções, comandando o sangue nas veias, num vai e vem ritmado, oxigenando,
energizando a vida.
Ufa!!! Agora, eu acho que está bem explicado, porque essa questão que envolve o universo folclórico dos nossos bumbás, se a gente pisar na bola numa explicação, a coisa fica preta. Não se pode tender, nem para um lado e nem para o outro.
Para você sentir como a coisa é levada aos extremos, tem torcedor que pinta a casa toda de vermelho ou azul. Existem bairros em Parintins onde a população – com raríssimas exceções –, é toda torcedora de um só boi. Como existem famílias, também, divididas entre o azul e o vermelho.
Contam de um caso acontecido em Parintins que, numa briga entre marido e mulher – ele Caprichoso e ela Garantido – a confusão só acalmou depois que ela o colocou numa rede e embalando cantou: “ninguém gosta mais desse boi do que eu/ ninguém gosta mais desse boi do que eu”... É por essas e outras que a nossa bandeira, como a própria arena onde acontecem os espetáculos, tem lugar para o vermelho e o azul, cada um no seu devido lugar; e na hora das apresentações, o respeito e a ética são de fundamental importância.
domingo, 2 de julho de 2017
sábado, 1 de julho de 2017
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Genética e teorias dos conhecimentos
João Bosco Botelho
Sem esquecer Nietzsche: “Não
há fatos, somente interpretações”, é possível pensar, sem receio dos exageros
da paixão, que o rápido aumento do desvendar da microestrutura nos níveis
moleculares, nos últimos vinte anos, está aproximando a ciência dos mistérios
da memória, fonte majestosa de todo o conhecimento. Sob essa perspectiva,
torna-se razoável rever as teorias de conhecimento e aproximá-las do genoma, a
origem da vida e da morte.
A abordagem para discutir
outras teorias do conhecimento obriga ligações diversas das concebidas, por
exemplo, a partir dos saberes de Locke, na ideia da “tabula rasa”, e dos de
Marx, maximizando o valor do coletivo sobre o pessoal.
Mesmo aceitando ser
impossível articular as teorias do conhecimento e os saberes em si mesmos, fora
do contexto onde são produzidos, não há dúvida quanto à fantástica repetição de
atitudes humanas de fuga à dor ou à simples ameaça de situação dolorosa, nos
quatro cantos do planeta.
Parece claro que esse
conjunto comportamental, evidente nas relações sociais, teve forte influência
na concepção do jusnaturalismo aristotélico, ajuizando valor ao equânime, mais
fortemente presente, até o século XVII, quando sofreu transformações sob a
influência do historicismo de Hobbes e Rousseau.
A proposta teórica das
memórias sociogenéticas admite certos instrumentos sociais, formados ao longo
da ontogênese, por meio dos quais, a ordem genética interage com o social em
contínuo processo de aperfeiçoamento com o objetivo de compor atitudes
corporais e sociais para fugir da dor e procurar o prazer.
Sob a égide desses novos
conhecimentos, as teorias do conhecimento serão atualizadas quando for
acrescentado o sociogenético aos pressupostos teórico-idealista (Hegel),
material (Feuerback), histórico-social (Karl Marx), biológico (Darwin) e
comportamental (Freud). Desta forma, as memórias sociogenéticas são as pontes
biológicas que articulam a herança genética ao social e vice-versa.
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História da Medicina,
João Bosco Botelho
quarta-feira, 28 de junho de 2017
terça-feira, 27 de junho de 2017
A rampa do planalto
Pedro Lucas Lindoso
Ao assumir a Presidência da República, Fernando Collor nomeou
o senador Bernardo Cabral para o Ministério da Justiça. Meu grande amigo de
Brasília Flavio Bittencourt, filho de Ulisses Bittencourt e primo de Araújo
Lima, que fora nomeado chefe da Secretaria Nacional de Justiça, nos levou para
compor a equipe do Dr. Bernardo. Foi convidado também o Francisco Vasconcelos,
membro da Academia Amazonense de Letras e recentemente falecido.
Vasconcelos era um oásis de sabedoria e moderação em meio a
um pessoal cheio de muita bazófia e desmesurado entusiasmo. Eram todos muito
sanguíneos e enfrentando responsabilidades nunca antes experimentadas.
Inclusive eu, nomeado ao importante cargo de Diretor de Assuntos da Cidadania
do Ministério da Justiça.
O Governo Collor tinha um avançado programa de marketing
político, responsável por eleger o primeiro presidente eleito pelo povo depois
da redemocratização.
Em frente ao Palácio do Planalto em Brasília há uma majestosa
rampa branca que dá acesso à entrada principal. Nas segundas feiras o
presidente subia a rampa. Às sextas eram dias de descida da rampa.
No anexo do Palácio, mais acima, onde funciona o Ministério
da Justiça, acompanhávamos semanalmente o movimento das subidas e descidas da
rampa. Vasconcelos e eu tínhamos um medo e um segredo compartilhado que
envolvia a tal cerimônia, que revelarei a seguir.
As descidas e subidas de rampa eram um evento semanal de
marketing e envolvia sempre algum segmento do governo. No Dia do Índio eram
convidados nossos irmãos indígenas e o pessoal da FUNAI. No dia das Mulheres, o
Conselho da Mulher e representantes das feministas. Efemérides relacionadas à
Educação, Saúde, Meio Ambiente ou Infraestrutura eram convocados os dirigentes
e comissionados dos respectivos órgãos. Todos chamados a subir, ou descer a
rampa com o presidente. Aquilo era televisionado. O que diriam meus amigos da
UnB ao me verem descendo a rampa, pensava eu. O que diria o pessoal do Banco do
Brasil, pensava o Vasconcelos. Esse era o nosso segredo. Pavor em ser convocado
para descer ou subir a rampa.
Na linguagem jocosa dos brasilienses da época havia os
rampistas, os rampeiros e os rampadores. Os primeiros eram os que faziam lobby
para ser convidados a subir a rampa com o Collor. Os rampeiros eram os
comissionados que, convidados compulsoriamente e para não colocarem seus cargos
em risco, compareciam à cerimônia. E os rampadores. Esses eram convidados e iam
com alegria e júbilo descer a rampa com o presidente. O rampador-mor era o
senhor Paulo Otávio, político e empresário brasiliense. Dileto amigo de
Fernando Collor desde os tempos de juventude. Podia ser dia dos índios ou da
mulher. O Paulo Otavio estava lá, pronto para descer ou subir a rampa.
Graças a Deus, Vasconcelos e eu escapamos de nosso dia de
rampeiro. Qual efeméride celebra a cega deusa da Justiça nesse nosso país de
tanta injustiça?!
Finalmente, Collor desceu a rampa definitivamente sob um processo
de impeachment. Não estávamos mais lá. O mesmo aconteceu com a presidente Dilma
recentemente. Esperamos que o próximo eleito pelo povo a subir a rampa o faça
com dignidade. E ao afinal do mandato possa descer aplaudido, sem acusações de
corrupção e malfeitos. O Brasil merece.
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Cronicas,
Francisco Vasconcelos,
Pedro Lindoso
segunda-feira, 26 de junho de 2017
domingo, 25 de junho de 2017
sábado, 24 de junho de 2017
sexta-feira, 23 de junho de 2017
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Curas divinas
João Bosco Botelho
As práticas médicas no Oriente Próximo, nas primeiras
cidades, se mantiveram ancoradas na complexa relação entre a adivinhação, o
mágico, as crenças e ideias religiosas e os saberes historicamente acumulados.
Desse modo, naquelas organizações sociais, o diagnóstico, o tratamento e o
prognóstico eram executados sem método, casual, exercidos de modo predominante
pelos especialistas no trato com a coisa sagrada. Sem receio de cometer
exagero, nos estratos sociais privilegiados, próximos do poder político e
econômico, os registros mesopotâmicos cuneiformes e egípcios hieroglíficos
atestam as prescrições médicas entendidas como receitas de bolo repetidas,
independentes das características individuais das doenças e de cada doente.
Como consequência, esses fatores representaram obstáculos
intransponíveis para compreender aqueles conhecimentos fora dos restritos
grupos dos eleitos. Esse pressuposto fica mais claro nas civilizações que se
desenvolveram nas margens dos rios Eufrates, Tigre e Nilo. Apesar do notável
senso empírico, a Medicina do segundo milênio permaneceu contida nas amarras da
adivinhação, do mágico.
Os livros sagrados da tradição judaico-cristã estão abarrotados
de passagens que enaltecem o poder de Deus sobre a vida e a morte, destacando a
dádiva divina e o médico como alguém especial: Eclo 38, 1-2: Rende ao médico as
honras que lhe são devidas, por causa de seus serviços, porque o Senhor o
criou. Pois é do Altíssimo que vem a cura, como um presente que se recebe do
rei. A ciência do médico o faz trazer a fronte erguida, ele é admirado pelos
grandes.
Desde o século 4 a.C., a prática divinatória médica continuou
forte no universo cultural grego e alcançou os territórios romanos, mantendo a
metamorfose heroica associada à cura: deuses se destacavam no atributo do dom
de curar as doenças e as feridas de guerra.
A Medicina e os médicos atados às ideias e crenças religiosas
transpuseram as fronteiras greco-romanas, cristianizados no Ocidente, marcados
no ministério de Jesus Cristo, onde as curas milagrosas se destacam em muitas
passagens bíblicas, estabelecendo novos conceitos na prática médica: a caridade
cristã como instrumento de cura.
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História da Medicina,
João Bosco Botelho
quarta-feira, 21 de junho de 2017
terça-feira, 20 de junho de 2017
ARMANDO DE MENEZES – com carinho
Pedro Lucas Lindoso
Armando de Menezes foi para a outra margem do rio. Com
certeza já encontrou dona Santa, sua amada mãezinha, e seus diletos irmãos. O
céu está em festa. Os Menezes são sempre alegres, festivos e principalmente
carinhosos.
A palavra carinho remete a afago, cuidado. Penso que é com
carinho que se deve cuidar das pessoas que nos são caras. Assim sempre agia
Armando de Menezes. Ele sabia dar carinho àqueles os quais queria bem. E tive o
privilégio de receber esse afago, esse carinho. Em gloriosas sextas-feiras
frequentando o Chá do Armando. Como já disse Jorge Tufic, “O chá do Armando é a
ceia dos poetas”.
Há várias razões para se frequentar o Chá do Armando, além de
poder usufruir desse carinho que emanava do nosso querido presidente Armando. O
papo gostoso de sempre. Ouvir e até cantar uma boa música. “A noite do meu bem” era a música favorita,
quando Armando homenageava a sua Ivete.
Ir ao Chá é importante, pois, como disse Antero de
Figueiredo, ilustre homem de Coimbra: “Quanto mais homens conheceres, mais
diferentes almas sentirás em ti. Folias com os alegres; sonhas com os poetas”.
Nas sociedades primitivas, os homens se reuniam ao redor da
fogueira. Hoje existem os clubes de serviços e os saraus. Reuniões festivas de
pessoas amantes das letras. O Chá tem um
pouco de tudo isso e muito mais.
Mas agora sentiremos com enorme saudade a ausência do nosso
samaúma. Ele que era a presença firme e sagrada em nossos encontros. E como o
vento, que bate nas sapopemas da samaúma, o Armando batia e vai bater sempre
forte nos nossos corações, com sua eterna generosidade, seus ensinamentos e seu
enorme savoir-vivre.
Tenho o privilégio de ser afilhado de crisma de Aderson de
Menezes, irmão do nosso saudoso Armando. Aderson de Menezes, primeiro reitor da
Universidade Federal do Amazonas. Um dos maiores juristas que nosso estado já
teve. Seu livro Teoria Geral do Estado
é um clássico.
Cresci ouvindo de meu pai que os irmãos Menezes eram gente da
melhor qualidade e sempre unidos. Foram unidos aqui nessa terra e com certeza
estarão juntos no céu, compartilhando afetos e muito carinho. E, como sempre,
um cuidando do outro. Porque ter carinho é cuidar.
Receba meu carinho, tio Armando. Descanse em paz.
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Armando de Menezes,
Cronicas,
Pedro Lindoso
segunda-feira, 19 de junho de 2017
domingo, 18 de junho de 2017
sábado, 17 de junho de 2017
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