Amigos do Fingidor

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

A poesia é necessária?


Socorro
Alice Ruiz


Socorro, eu não estou sentindo nada.
nem medo, nem calor, nem fogo,
não vai dar mais pra chorar
nem pra rir.

Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
me empreste suas penas.
já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena,
qualquer coisa que se sinta,
tem tantos sentimentos,
deve ter algum que sirva.

Socorro, alguma rua que me dê sentido,
em qualquer cruzamento,
acostamento, encruzilhada,
socorro, eu já não sinto nada.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fantasy Art - Galeria


Loud and Clear.
Tim Okamura.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Desculpe aí, patroa!



Pedro Lucas Lindoso


A Polícia Civil do Amazonas montou um esquadrão antigatos. Não é para exterminar os gatos de rua da cidade. Aliás, são muitos. Trata-se de combater preventivamente o furto de energia elétrica em Manaus. Há furtos principalmente porque aqui a energia elétrica é muito cara.
O fato é que a concessionária de energia perdeu mais de 300 milhões de reais com furtos de energia, os famosos “gatos”. Resolveu reforçar a fiscalização, com ajuda da Polícia. Grande parte da população de alguns bairros vai responder criminalmente por furto de energia elétrica. Será?
Há alguns anos, quando a concessionária era pública, houve programa de doação de geladeiras novas para parte da população que usa “gatos”. Geladeiras velhas consumiam o triplo de energia. A concessionária fez grande economia. Todos sabem quem usa “gatos”: o governo, a concessionária e a polícia.
Quando Elizabeth II visitou o Brasil em 1968, a segurança descobriu um “gato” na Embaixada Britânica no Rio de Janeiro. Malandro carioca furtava energia de sua majestade.
No tribunal, Dr. Chaguinhas, colega advogado, lamentava-se porque perdeu um bom partido. O seu melhor partido. Advocacia de partido consiste em prestar assessoria, geralmente à pessoa jurídica, mediante o pagamento de um valor fixo mensal. Teve rescindido o contrato com um banco. Alertou a família da necessidade de apertar o cinto.
Vamos diminuir a conta de energia da casa, decretou. Sendo um sujeito ético e honesto, não pensou em fazer “gato’”. Pediu aos familiares que não usassem ar-condicionado durante o dia. Banhos rápidos e de água fria se possível, bem como outras medidas que promovessem a economia de energia.
A diarista também foi solicitada a evitar ligar o ar. Ao chegar a casa, a mulher de Chaguinhas notou que as janelas e portas estavam fechadas, bem como as cortinas. E o ar ligado em todos os compartimentos. A casa parecia o polo norte. A diarista, sozinha, limpava a casa e cantarolava alegremente.
A mulher de Chaguinhas conversou com a moça, explicando-lhe novamente que era preciso economizar energia, até mesmo para preservar o seu emprego.
A moça alegou que na casa dela usa o ar-condicionado o tempo todo. Porque lá é “gato”. De repente, “caiu a ficha”. E comentou:
– Nossa! Esqueci que a senhora paga energia! Desculpe aí, patroa!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Cia Vitória Régia lê “Eles não usam black-tie”




A Cia de Teatro Vitória Régia segue apresentando, sempre às quintas-feiras, em janeiro e fevereiro, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.

A mostra visa colocar em discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas tão caras aos círculos poderosos de hoje.

Escolhemos a ARTE, para resistir e denunciar.

Para isso, o grupo selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.

Nesta quinta-feira, 31 de janeiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, um testemunho da vida do operário e do movimento sindical brasileiro.

Escrita em 1958, quando o autor tinha apenas 25 anos, Eles não usam black-tie tornou-se um clássico da dramaturgia brasileira, tendo sido, nos últimos 60 anos, montada dezenas de vezes, com uma excelente adaptação para o cinema, em 1981, sob a direção de Leon Hirszman, que, entre inúmeros prêmios internacionais, ganhou o Leão de Ouro de Veneza, de melhor filme.

Sem maniqueísmos nem julgamentos de qualquer espécie, o texto de Guarnieri explora o impasse do ser humano diante de decisões importantes para si, como indivíduo, mas também para a coletividade – a família, os amigos, os vizinhos, os companheiros de trabalho. Destaque para as personagens femininas, Maria e Romana, que antecipam em uma década a discussão sobre o feminismo – discussão, aliás, que já deveria estar superada, mas ainda perdura em certos meios...

Serviço:
Evento: Teatro e Resistência – leitura dramática de Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri
Finalidade: mostra de peças de autores censurados, como Dias Gomes, Augusto Boal, Chico Buarque, Oduvaldo Vianna Filho e outros
Quanto: dia 31 de janeiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores de 16 anos.
Entrada franca.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Manaus, amor e memória CDV


Panorâmica, com Teatro, praça, igreja, Tribunal, Ideal, IEA e Benjamin.
Em primeiro plano, a avenida Getúlio Vargas.

sábado, 26 de janeiro de 2019

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A poesia é necessária?



Descobrimento
Mário de Andrade


Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus! muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Patética ou Herzog foi suicidado





A Cia de Teatro Vitória Régia segue apresentando, sempre às quintas-feiras, em janeiro e fevereiro, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.

A mostra visa colocar em discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, quando a repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas” perseguiam autores e atores, num paralelo com o retrocesso que se instala hoje no país, disfarçado sob o falso argumento da proteção à família e aos bons costumes.

Para isso, o grupo selecionou textos representativos, que expõem as entranhas da ditadura instalada em 1964: a repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.

Nesta quinta-feira, 24 de janeiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Patética, de João Ribeiro Chaves Neto, vencedor de concurso promovido pelo Serviço Nacional de Teatro, em 1977, cujas cópias foram confiscadas pela polícia, com o claro e estúpido intuito de fazer a peça desaparecer definitivamente.

O texto, uma metáfora do teatro brasileiro, é uma alegoria da morte do jornalista Vladimir Herzog, “suicidado” pela polícia. Complexo, sem ser obscuro, construído em quatro níveis diferentes, o texto mostra uma trupe de circo representando a vida de Herzog, desde a chegada de seus pais, judeus, no Brasil, fugindo da Iugoslávia – inicialmente, dominada pelos nazistas de Hitler; depois, pelos comunistas de Tito. Para o crítico Fernando Peixoto, “Patética é um texto que se fundamenta na verdade e sobretudo na necessidade de não permanecer em silêncio diante da injustiça e da violência”.

Serviço:
Evento: Teatro e Resistência – leituras dramáticas
Finalidade: mostra de peças de autores censurados, como João Ribeiro Chaves Neto, Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Dias Gomes e outros
Quanto: dia 24 de janeiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores de 16 anos.
Entrada franca.

Fantasy Art - Galeria


Victoria Stoyanova.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A diferença é o vatapá



Pedro Lucas Lindoso


O jovem advogado Rodrigo Pinheiro foi escalado para uma reunião de trabalho em Salvador. Foi sua primeira viagem à Bahia. Teria sido uma viagem maravilhosa se não fossem alguns percalços.
A Bahia fica no oriente do Brasil enquanto o Amazonas na parte bem ocidental do país. Deve ser aí a origem da expressão “se oriente”. De fato o Brasil importante fica no leste, no sudeste. O Amazonas só fica perto da Bahia na ordem alfabética: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas e depois Bahia!
Dr. Rodrigo estava sendo esperado para a tal reunião marcada de última hora para o dia 20 de dezembro. Logo na semana do Natal. Sair de Manaus nessa época é um problema. Sabe-se que a saída única, pelo menos a mais viável, é o aeroporto.
Passagem comprada e confirmada para as 14h50min do dia 19 de dezembro, véspera da reunião. Hotel reservado e também confirmado. Tudo parecia perfeito. Dr. Rodrigo estava bastante animado ante a perspectiva de conhecer a boa terra. Finalmente saber o que é que a baiana tem. Afinal a baiana Kamélia, que aparece por aqui no Carnaval, é só uma boneca, literalmente.
Infelizmente, Rodrigo enfrentou um severo engarrafamento na conhecida Av. Torquato Tapajós, que dá acesso ao aeroporto de Manaus. Atrasou-se. Perdeu a viagem. A opção de voo dada ao jovem causídico foi: saída de Manaus a partir das 03h25min, já na madrugada do dia 20. Temos aí um atraso de mais de 12 horas. Com escalas e conexões em Belém, São Luís, Fortaleza e Recife. Rodrigo só chegou à Bahia no final da manhã daquele dia. A reunião estava a pleno vapor. Foi aplaudido de pé. O grupo de WhatsApp acompanhava o périplo de Rodrigo. Entre espanto e admiração só restou aos colegas advogados o aplauso e a necessária empatia.
César Augusto, advogado baiano que mora em Manaus, em férias em Salvador, convidou Rodrigo para comer um peixe. Amazonense é acostumado com cadeirada, peixe frito, assado ou à escabeche. A moqueca era algo a ser testado.
Tudo parecia novidade para Rodrigo. A farofa de farinha fininha, a moqueca em si. Mas havia vatapá. Comida muito popular para o amazonense. Rodrigo esbaldou-se. Quente na Bahia significa apimentado. E foi assim que ele provou o vatapá baiano. Bem quente.
Na volta para Manaus precisou tomar um sal de frutas. O famoso Eno.  É porque o vatapá da Bahia é diferente do nosso, concluiu. Leva amendoim, castanha e gengibre. É verdade. A diferença entre o Amazonas e a Bahia é o vatapá. E viva a Bahia. Axé.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

domingo, 20 de janeiro de 2019

Manaus, amor e memória CDIV


Vista aérea, com Teatro Amazonas e Praça de São Sebastião ao centro.
Ao fundo, bem atrás da igreja, o Benjamin Constant. O IEA ainda não existia.

sábado, 19 de janeiro de 2019

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

As ruínas das ruínas de Paricatuba





A 35 quilômetros de Manaus, já no município de Iranduba, a vila de Paricatuba seria apenas mais um amontoado de casebres às margens do rio Negro, a conviver com o monótono ciclo anual de enchentes e vazantes, tendo por companhia a crônica pobreza.

Mas a vila é predestinada, a mais de um século, a ser um símbolo. Inicialmente, da ventura; depois, do descaso; hoje, da esculhambação que é este estado.

O prédio, há mais de 100 anos.

Projetada para abrigar imigrantes italianos – sim, os italianos, na virada do século XIX para o XX fugiam da miséria na Europa –, tornou-se liceu, quando a economia da borracha definhou; casa de detenção, quando as de Manaus já não tinham como abrigar aqueles que a miséria tornara criminosos; e, finalmente, asilo de leprosos, para mantê-los longe das vistas sensíveis de Manaus, o que aconteceu até meados dos anos 1980.

Recebendo imigrantes italianos.

De lá pra cá, sem função, o prédio se deteriora a olhos vistos.

Seria ótimo saber, se não fosse um tanto ridículo, que, todos os dias, dezenas de pessoas se dirigem àquele sítio, para tirar fotos e passar alguns minutos naquele mundo estranho. Do ponto de vista antropológico, as ruínas históricas fazem parte da identidade cultural de uma comunidade, e, por extensão, de um povo. Será isso que nos mantêm atavicamente ligados às ruínas de Paricatuba?

Visão interna do complexo, quando em funcionamento.

Recuperar as ruínas de Paricatuba é dar início a um processo permanente de conservação... das ruínas. O entorno será valorizado e poderá ser explorado pelos próprios locais – restaurantes, bares, parques, áreas para espetáculos de teatro, dança, música e projeção de filmes. Na vazante, as praias seriam um atrativo adicional. Turistas chegariam lá de barco, muito mais interessante que atravessar aquele minhocão de concreto, que custou mais de um bilhão de reais e enriqueceu meia dúzia de canalhas.

Ou é isso ou, em breve tempo, do que hoje são as ruínas das ruínas, restará apenas um indecifrável pó.   

Detalhes do frontispício.

A beleza da arquitetura ainda é visível.


Visão interna, com Madona ao fundo.

Esta bela Madona foi pintada no muro errado.

Um dos salões.





Parece que alguém saiu às pressas.

Assinaturas de alguns vândalos.


Texto e fotos atuais: Zemaria Pinto


A poesia é necessária?


Vozes-Mulheres
Conceição Evaristo


A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.

A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.

A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
        e fome.

 A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Teatro e Resistência – leituras dramáticas




A Cia de Teatro Vitória Régia apresenta, sempre às quintas-feiras, em janeiro e fevereiro, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.

A mostra tem a finalidade de colocar em discussão o retrocesso que se instala no país com a censura a eventos artísticos, disfarçada sob o argumento falacioso da proteção à moral e aos bons costumes.

Para isso, o grupo selecionou textos representativos dos anos 1960 e 1970, que expõem as entranhas da ditadura instalada em 1964: a repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.

A primeira peça, a ser apresentada, nesta quinta-feira, 17 de janeiro, sob a direção de Nonato Tavares, é O abajur lilás, de Plínio Marcos, que ficou onze anos sem poder sem ser encenada, de 1969 a 1980.

O texto é uma alegoria do Brasil da época, mas permanece muito atual. Nas palavras do crítico Sábato Magaldi, “De todas as peças que analisaram a situação brasileira pós-1964, O abajur lilás se distingue certamente como a mais incisiva, dura e violenta. Plínio Marcos fundiu nela, mais do que em outras obras-primas suas, talento e ira. A estrutura do poder ilegítimo está desmontada, para revelar, com meridiana clareza, seu ríctus sinistro.”

Serviço:
Evento: Teatro e Resistência – leituras dramáticas

Finalidade: mostra de peças de autores censurados, como Plínio Marcos, 
Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Millôr Fernandes e outros

Onde: SINTTEL – Alexandre Amorim, 392, Aparecida

Recomendado para maiores de 16 anos.

Entrada franca.


Claudinha na constelação da saudade



Pedro Lucas Lindoso


No início deste mês a família perdeu Claudinha, aos 63 anos de idade. Ela era especial. Em todos os sentidos. Dizem que os portadores da síndrome de Down geralmente não têm uma vida muito longa. Claudinha sempre foi jovem. Era extremamente alegre e gostava de dançar. Muito querida pelos irmãos, tios e primos.
Nasceu numa época em que as pessoas especiais como ela eram chamadas de... É difícil falar. E mais ainda escrever. Não se trata de ser politicamente correto. A palavra é inadequada, pejorativa e agressiva. Remete a um país da Ásia em que as pessoas naturalmente têm os olhinhos puxados.
A síndrome de Down é a ocorrência genética mais comum que existe. Independentemente de raça, país, religião ou condição econômica da família. As pessoas com a síndrome têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população.
Quando Claudinha nasceu, em meados da década de 1950, pouco se sabia sobre a síndrome. Em 1959 quando foi descoberta a causa genética da doença, ela já era uma garotinha de quatro anos.
Sabemos que os Down são capazes de sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar. Claudinha fez tudo isso. Só não precisou trabalhar.
Desde novinha mereceu a atenção e os cuidados que necessitava. Foi levada aos melhores especialistas no Rio de Janeiro. Era a mais velha dos irmãos. Todos sempre muito carinhosos e atenciosos com ela. Francisquinha, sua dedicada mãezinha, contou com ajuda de uma tia, dona Isolina. Espírito raro de altruísmo, Isó devotou-se integralmente a ensinar, amar e cuidar dessa garotinha tão alegre e feliz.
Lembro-me de Claudinha sempre rindo e dançando. A palavra Down não combina com ela. Era uma pessoa sempre “up”, para cima. Meu filho Fernando casou-se com Bruna em Búzios. Devido à logística complicada, alguns familiares de Brasília e Manaus não compareceram. Mas Claudinha foi ao casamento. Dançou bastante. Alguém me perguntou:
– Quem é aquela senhorinha tão alegre e tão simpática?
Eu, pai do noivo, disse que era minha prima Claudinha. Filha de um tio muito querido chamado Antônio Lindoso. Claudinha se foi na semana em que seu pai já falecido aniversariava. Mais uma estrelinha nessa constelação que carregamos chamada saudade.



domingo, 13 de janeiro de 2019

Manaus, amor e memória CDIII


Penitenciária Vidal Pessoa.
Ao fundo, à direita, a Ponte de Ferro, continuação da 7 de Setembro.

sábado, 12 de janeiro de 2019