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| René Zwaga. |
quarta-feira, 13 de março de 2019
terça-feira, 12 de março de 2019
Excelente companheira
Pedro Lucas Lindoso
Viajar é sempre uma oportunidade para aumentar conhecimentos.
Além de conhecer novos lugares e alargar os horizontes. Não é sem razão que se
inventou a lua de mel. A tão sonhada viagem de núpcias. É quando o novo casal
tem a efetiva oportunidade de se conhecer.
Viajar para mim é sempre uma grande alegria e quase uma
prioridade. É importante até como fonte de inspiração para crônicas ou, quiçá,
um novo romance.
Quando se viaja em família e os filhos são pequenos, a viagem
é sempre uma oportunidade de crescimento em afetos e conhecimentos. E
fundamental. Principalmente nos dias atuais, em que os pais trabalham e a
rotina interfere na quantidade e qualidade de horas de convivência entre os
membros do núcleo familiar. Viajando, a família fica 24 horas em total convivência.
Compartilhando experiências únicas. Diferente do dia a dia, quando filhos estão
nas escolas e pais tralhando.
Fiz uma viagem com meus filhos casados e minha netinha Maria
Luísa. Três casais. Ou seja, seis pessoas e meia. Meia não, porque Maria Luísa
tem muita personalidade. E a viagem, compartilhada com seus pais, avós paternos
e tios tinha como objetivo levá-la ao Magic Kingdom, no Disney World, para
comemorar seu aniversário de três anos.
Apesar de alguns amigos argumentarem que ela seria muito
pequena para aproveitar, não foi o que aconteceu. Maria Luísa enfrenta as
viagens de avião sem chorar, sem fazer tolice e passa quase todo o tempo
dormindo e sentadinha na cadeira. Reivindica seu “gagau” na hora certa e
comporta-se como uma pequena lady, apesar de ser, na verdade, uma princesinha.
E de princesa comemorou seu aniversário de três anos.
Naquele 8 de fevereiro, Vera e eu éramos os avós da mais
linda das garotinhas princesas do Magic Kingdom. Vestiu-se de Cinderela.
Maria Luísa visita as lojas Disney e comporta-se muito bem. É
muita educada e atenciosa. No dia seguinte, fomos aos indefectíveis outlets.
Ela me toma pela mão e me mostra uma banca onde há várias bonecas LOL. Compro
uma e presenteio à Maria Luísa. E ela pergunta:
– Já pagou vovô? Posso abrir? Já sim, respondi. Muito bem.
Primeiro paga-se. Depois é que podemos usar.
Certamente Maria Luísa voltará aos parques de Orlando em
outras oportunidades. Maria Luísa é excelente companheira de viagem.
segunda-feira, 11 de março de 2019
Vestido Queimado - no Casarão de Ideias
Narrativa fantasiosa sobre a amizade entre duas pessoas, este
espetáculo é resultado de um projeto de pesquisa cênica realizada pela Soufflé de Bodó Company. O Teatro de Papel
é uma forma estética e prática de contar histórias que interessou bastante aos
integrantes da companhia, por seu relativo ineditismo na região Norte.
Gênero: teatro; Classificação: livre; Duração: 45 minutos.
domingo, 10 de março de 2019
sábado, 9 de março de 2019
quinta-feira, 7 de março de 2019
A poesia é necessária?
Estudo IX
Alcides Werk
Fez-se uma curta pausa. E
a noite baça
estendeu seus lençóis
sobre as cidades.
Ventos frios de morte
andavam soltos,
e formas embuçadas
destruíam
restos vagos de luz.
Alguns senhores
guardaram pressurosos
seus haveres
para a estranha vigília
dos sonâmbulos.
Nas sombrias e extensas
avenidas
as multidões dos homens
deserdados
prosseguiram seus ritos
no silêncio
de uma noite sem tempo. E
os anciãos
das várias tribos foram
convocados
para o mister pacífico
das aras
e a glorificação das
horas mortas.
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Alcides Werk
quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 5 de março de 2019
Você fala a língua do P?
Pedro Lucas Lindoso
Sempre que tia Idalina me telefona, agora somente por WhatsApp,
temos novidade ou algo de pitoresco.
Estranhei o horário. Fiquei assustado. Noveleira como ela só,
telefonar-me enquanto passa a novela das oito é algo inusitado. Ela me disse
que agora aprendeu a usar o globo play. Tia Idalina entrou na era do streaming.
Pergunta-me se quando menino falava a língua do P. Disse à
titia que era fluente na língua do P. Ela morreu de rir. Comenta que minha
geração é que sabia brincar. Interagia-se com os companheiros de rua, com
primos e irmãos em brincadeiras saudáveis.
Contou-me que foi ao playground de seu edifício. Cariocas
chamam a área de lazer dos prédios de play. Foi pesquisar como a meninada
brinca nos dias de hoje.
– A garotada toda portando celulares. Agora é cabeça, tronco,
membros e celulares. Perguntei se sabiam a língua do P. Ninguém sabia. Uns estudavam
inglês e francês. Outros, alemão. Havia um rapazinho que além de Inglês
estudava mandarim. Ninguém sabia falar a língua do P.
Comentei com tia Idalina que essa brincadeira de criança foi
objeto de estudo em Linguística aplicada, quando fiz letras na UnB. Em Portugal
se chama Língua dos pês.
A verdade é que o uso lúdico da linguagem é comum em várias
culturas. Quando criança, eu usava a língua do P. Quanpandopo criprianpançapa,
eupeu upusapavapa apa linpinguapa dopo Pêpê.
Nos países vizinhos onde se fala o espanhol, as crianças
brincam de falar o jeringonzo. Lembro-me
de uma colega que morou na Argentina explicá-lo. Recordo-me que pode ser usado
em diferentes formas dialetais.
O Inglês não é uma Língua latina e não tem a sonoridade e a
nossa fonética. A técnica da língua do P é inaplicável. Vejam que “no”, “know”
e “now”, não tem a lógica fonética que os falantes de Português estão
acostumados.
Entretanto, nos países de Língua Inglesa também se brinca com
a linguagem. Sei que existe a Pig Latin e a Backslang, mas não sei bem como
funcionam.
E você, caro leitor, fala a língua do P?
domingo, 3 de março de 2019
sábado, 2 de março de 2019
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
Antropologia
Simão Pessoa
tembé oiampii assurini
parakanã
xikrin gorotiré apalaí
kaxuyana
tiryo arara
parakatagé karipuna
galibi palikur makuxi
wapixana
fora dos livros de
história
estes nomes não dizem
nada
só trazem talvez remorso
pela memória apagada
txikuna miranha kulina
kaxinawá
tapirapé paresi iranixe
karajá
xavante bacairi javaé
nambikuara
krinati guajajara krahó
apinagé
fora dos livros de
história
estes nomes nada nos
dizem
só trazem talvez espanto
pela miséria visível
guajá xerente pataxó
atroari
pankararé tupiniquim krenak
tuxã
waimiri kaimbé potiguara
xoko
kiriri ianomâmi apurinã
kadiwé
fora dos livros de
história
estes nomes nos mostram
tudo:
o homem lobo do homem
na apoteose do jugo
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A poesia é necessária?,
Simão Pessoa
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Jacaré-tinga ou do rabo cotó?
Pedro Lucas Lindoso
Quem entra para a vida pública há que se acostumar com
críticas e notícias desagradáveis. Além das armadilhas e artimanhas dos
partidos de oposição ao seu governo. É inerente à democracia.
Eleito deputado e posteriormente senador pelo Amazonas, meu
saudoso pai José Lindoso levou a família toda para Brasília. Cresci e casei-me
por lá. Quando José Lindoso tomou posse como governador, não morava por aqui e
poucos me conheciam.
Era o dia da posse. Fui cortar o cabelo numa barbearia do
centro. Cabeleira devidamente aparada. O barbeiro, que não me conhecia, fazia o
acabamento usando com incomum destreza uma afiadíssima navalha. De repetente,
alguém comenta.
– Hoje é posse do novo governador José Lindoso. E o barbeiro,
ainda com a navalha na mão, terminando o corte no meu cabelo, disse:
– Mais um para roubar.
Eu calado estava, calado fiquei. Terminado o serviço, paguei
o homem e saí sorrateiramente da barbearia, evitando constrangimentos.
Os amazonenses têm o hábito de criticar nossos irmãos
paraenses usando como mote a gatunice, ou chamando-os de jacaré. É deselegante
e injusto. Mesmo porque a maioria dos paraenses que vem para Manaus não é da
região de Belém. São na verdade tapajoenses. Óbidos, Oriximiná, Juruti e
Santarém são cidades bem mais próximas de Manaus do que de Belém.
Isso explica a forte migração para Manaus e a grande
quantidade de paraenses do Tapajós por aqui. Não se justifica a implicância
porque a cultura, o sotaque e os costumes são os mesmos dos amazonenses da
região do Baixo Amazonas. Já próximo ao Tapajós, lindo rio com belas praias,
temos as importantes cidades de Parintins, Maués e Barreirinha.
A marchinha de carnaval da Banda da Bica, que sempre faz
críticas aos políticos, chamou o novo governante de jacaré-tinga. Ele é
paraense oriundo do Tapajós que é um lindo rio com belas praias. Dizem que sua
excelência não gostou do apelido.
Vá se acostumando governador. Faz parte do jogo político.
Graças a Deus vivemos numa democracia. É melhor ser chamado de jacaré-tinga do que
jacaré do rabo cotó. O jacaré-tinga é também conhecido como jacaré-de-óculos.
Olho vivo na democracia.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
“Papa Highirte”, de Vianinha, encerra ciclo de leituras dramáticas Teatro e Resistência
O ciclo
Teatro e Resistência – leituras
dramáticas, promovido pela Cia Vitória Régia, chega à sua edição final
nesta quinta-feira, com a leitura da peça de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha,
Papa Highirte.
Com
excelente repercussão junto ao público, foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética, de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não usam black-tie, de
Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do
mundo, de Dias Gomes; Vejo um vulto
na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah Assumpção; e Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no pirarucu, de Márcio
Souza. Seis peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita
propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.
A
mostra teve como objetivo colocar em discussão a situação do teatro e do
Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas pela repressão imposta pela
ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”, muito parecidas com as
milícias assassinas em ação hoje, com o apoio de gente acima de qualquer
suspeita.
A Cia
Vitória Régia escolheu a ARTE e o TEATRO para esclarecer o passado e denunciar
as semelhanças com o presente, resistindo.
Os
textos escolhidos botam o dedo em diversas feridas: a repressão aos movimentos
populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.
A peça
desta quinta-feira, 28 de fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares – Papa Highirte, de Vianinha – mostra um
típico ditador sul-americano, que, no exílio, amarga o abandono de todos.
Escrita em 1968, só pôde ser encenada quando os ventos da “abertura” sopraram,
11 anos depois.
Highirte
é um ser desprezível, cercado de seres desprezíveis. Vianinha opta pelo
simbolismo, construindo personagens que representam parcelas do continente (e
do Brasil) nos anos 30 a 60, mas que se mantêm ainda muito atuais: generais
golpistas, torturadores não-oficiais, um delator arrependido, um representante
do “big brother” do norte, oferecendo “ajuda humanitária”...
Ator e
diretor, Vianinha escreveu “Chapetuba Futebol Clube”, “Allegro desbum” e “A mão
na luva”, além ter sido o criador, juntamente com Armando Costa, do humorístico
“A grande família”, em 1972. Morreu em 1974, aos 38 anos, logo após concluir
sua obra-prima “Rasga Coração”.
Serviço:
Evento: Teatro e
Resistência – leitura dramática de Papa
Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados
Quando: dia 28 de fevereiro,
às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos
Entrada franca
Marcadores:
Nonato Tavares,
Oduvaldo Vianna Filho,
Teatro e Resistência
domingo, 24 de fevereiro de 2019
sábado, 23 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
Ponto de vista
Leila Miccolis
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.
Marcadores:
A poesia é necessária?,
Leila Míccolis
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
Lembranças ao Mickey Mouse
Pedro Lucas Lindoso
Ao chegar de férias, encontrei-me com meu colega e amigo
Chaguinhas. Estive nos Estados Unidos. Meu amigo é meio antiamericano. Sempre
estudou francês. Quando viaja, vai preferencialmente para a Europa. Não toma
Coca-Cola. Não porque faz mal à saúde. Mas, segundo Chaguinhas, a Coca-Cola é o
símbolo máximo do imperialismo. Bobagens do Chaguinhas. Eu fiz intercâmbio na
juventude e sinto-me em casa na terra do Tio Sam.
Em entrevista que rola na rede, Ariano Suassuna ressalta a
quase “obrigatoriedade” da classe média brasileira em visitar o Disney World.
Um rico anfitrião e sua família ficaram abismados pelo fato de Suassuna não
conhecer o Disney World. O inesquecível escritor questiona o fato do mundo ser
divido entre as pessoas que foram à Disney e as que ainda não foram.
Chaguinhas comentou que seus filhos, quando crianças,
perguntavam-lhe:
– Quando vamos à Disney? Ele sempre dizia:
– Um dia, todos vamos para lá!
Imagine que quase todos os colegas da sala foram à Disney. E
a pergunta persistia:
– Quando vamos à Disney? Invariavelmente, Chaguinhas
respondia:
– Um dia, todos vamos para lá!
Quando seu pai faleceu, o seu filho mais novo, de cinco anos,
questionou:
– Para onde o vovô foi? E Chaguinhas respondeu:
– Um dia, todos vamos para lá!
– O vovô foi para a Disney? Perguntou o garotinho. Risada
geral, relatou-me o meu amigo e colega.
Disse ao Chaguinhas que tinha ido à Disney levar a minha
netinha Maria Luísa. Comentei que nos Estados Unidos as ruas não têm buracos,
as calçadas são largas, planas e bem feitas.
– Não acredito. Isso existe? Pergunta Chaguinhas. Encantado
com a possibilidade de andar em ruas largas, planas, sem nenhum buraco e com
calçadas bem pavimentadas, Chaguinhas me disse que levaria os filhos e netos à
Disney no carnaval.
Dê lembranças ao Mickey Mouse, meu amigo Chaguinhas. Afinal,
este ano Mickey Mouse completa 90 anos de idade.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Zona Franca, meu amor - leitura dramárica
A Cia de Teatro Vitória
Régia segue apresentando, sempre às quintas-feiras, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.
Com excelente repercussão
junto ao público, já foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética,
de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não
usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do mundo, de Dias Gomes; e Vejo um vulto na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah
Assumpção. Peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita
propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.
A mostra visa colocar em
discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970,
dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias
“anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas em ação hoje, com
o apoio de gente acima de qualquer suspeita.
Escolhemos a ARTE e, mais
especificamente, o TEATRO para resistir, esclarecer e denunciar.
Para isso, o grupo
selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a
repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a
tortura, o assassinato.
Nesta quinta-feira, 21 de
fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no Pirarucu, de Márcio
Souza, um painel risonho e franco da Manaus pós-moderna; ou seja, pós-borracha.
Encenada em 1978, trata-se de uma revista alegórica, que zomba
do modelo econômico
legado pela
ditadura instaurada em
1964, para concluir ,
melancolicamente: “Porto de Lenha ,
tu nunca
serás Liverpool...”.
Dono de um humor corrosivo
e anárquico, há 40 anos Márcio Souza já antecipava a falência do modelo
econômico imposto a fórceps pelos militares, cujo primoroso lema era “integrar
para não entregar”. Nunca se entregou tanto...
Autor de Folias do látex, A resistível ascensão do Boto Tucuxi e A paixão de Ajuricaba, entre outros títulos, o consagrado
romancista de Galvez, o imperador do Acre
e Mad Maria é o nome de maior
destaque do teatro feito no Amazonas.
Serviço:
Evento: Teatro e Resistência
– leitura dramática de Zona Franca, meu
amor ou Tem piranha no pirarucu,
de Márcio Souza
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados, como Oduvaldo Vianna Filho, Plínio Marcos,
Gianfrancesco Guarnieri e outros
Quando: dia 21 de
fevereiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos.
Entrada franca.
Marcadores:
Marcio Souza,
Teatro e Resistência
domingo, 17 de fevereiro de 2019
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
...Salpicavam nosso chão
Cláudio Fonseca
A porta do barraco
era sem trinco.
Dentro, os meninos
metralhados!
Trapos coloridos
do Brasil, florão da
América,
ao sol do Novo Mundo
iluminados.
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A poesia é necessária?,
Claudio Fonseca
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Não se furtam mais gravadores
Pedro Lucas Lindoso
Alguns jovens de hoje não sabem o que é uma fita cassete. O
cassete era constituído de dois carretéis e uma fita magnética alojados em uma
caixinha de plástico. De fácil manuseio, o que permitia que a fita fosse
colocada ou retirada em qualquer ponto da gravação sem a necessidade de ser
rebobinada.
A fita cassete possibilitou a gravação e reprodução de
músicas por gravadores de áudio portáteis. Os jovens da época produziam as suas
fitas, gravando músicas selecionadas especialmente para os amigos e principalmente
para as namoradas.
Hoje existe o Spotify, que é o serviço de streaming de música mais popular e usado
no mundo. Saudosismos a parte, não é a mesma coisa. Legal mesmo era gravar
fitas cassete. Uma coisa é baixar músicas pelo Spotify e assim ter suas playlists favoritas. Outra coisa é ter o
trabalho de fazer e gravar sua própria playlist,
como nos anos setenta. Grava-se música por música. Escolhendo-as
cuidadosamente. Regravando-as. Pedindo discos emprestados, comprando outros,
quando a grana dava. Usar o Spotify,
definitivamente, não é a mesma curtição que gravar uma fita cassete.
Colocar um fone de ouvido no celular e sair por aí curtindo
músicas no Spotify jamais será a mesma curtição de quem usou e sabe o que é um walkman.
A invenção do walkman,
no final dos anos setenta foi uma revolução. O walkman era um reprodutor de cassete supercompacto e de bolso, com
possantes fones de ouvido. Foi inventado pela Sony e tornou-se objeto de desejo
de toda uma geração.
O meu primeiro e único walkman
foi comprado numa viagem aos Estados Unidos. Curti muito a geringonça. Foi
furtado dentro de uma sala de aula da UnB. Mas como já tinha meu carrinho,
curtia minhas fitas cassetes no gravador instalado no meu fusca. Era preciso
retirar o gravador toda vez que se estacionava. Senão roubavam.
Os tempos mudam, a tecnologia avança. Mas sempre tem os
amigos do alheio, que furtam as coisas dos outros sem dó nem piedade.
Gravadores de carro e walkmans
eram furtados como se furta celular hoje em dia.
Mas como diz o poeta, meu tempo é hoje. Vou ali curtir minha
nova playlist no Spotify, com cuidado
para não levarem meu novo celular.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Leitura dramática: Vejo um vulto na janela, me acudam que sou donzela
A Cia de Teatro Vitória
Régia vem apresentando, sempre às quintas-feiras, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.
Com excelente repercussão
junto ao público, já foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética,
de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não
usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; e Campeões do mundo, de Dias Gomes. Peças que, sem perder a condição
de arte, retratam com muita propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos
de chumbo.
A mostra visa colocar em
discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970,
dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias
“anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas em ação hoje, com
o apoio de gente insuspeita.
Escolhemos a ARTE e, mais
especificamente, o TEATRO para resistir, esclarecer e denunciar.
Para isso, o grupo
selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a
repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a
tortura, o assassinato.
Nesta quinta-feira, 14 de
fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Vejo um vulto na janela, me acudam que sou
donzela, de Leilah Assumpção.
Sob a máscara enganosa da
comédia de costumes, Leilah descreve a vida da mulher urbana brasileira, nos dias
que antecederam o golpe de 1964: num pensionato de moças em plena avenida
Paulista, oito mulheres de idade, formação e condição social diferentes – de quatrocentonas
a migrantes nordestinas – vivem suas tragédias pessoais, refletindo as tensões que
o país experimentava.
Escrita em 1964, quando a
autora contava apenas 21 anos, foi imediatamente proibida pela censura, sendo
liberada apenas 14 anos depois, quando Leilah Assumpção já era uma das mais
festejadas dramaturgas brasileiras.
Para a crítica de teatro
Carmelinda Guimarães, aquela primeira peça “já traz dentro de si o germe de
todas outras que viriam depois”.
Leilah Assumpção é autora
de Fala baixo, senão eu grito, Jorginho, o machão, Adorável desgraçada e Intimidade
indecente, entre dezenas de outros títulos que colocam sempre a condição
feminina no centro das discussões, o que lhe rende a condição de autor brasileiro
mais encenado no exterior.
Serviço:
Evento: Teatro e
Resistência – leitura dramática de Vejo
um vulto na janela, me acudam que sou donzela, de Leilah Assumpção
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados, como Márcio Souza, Oduvaldo Vianna Filho e outros
Quando: dia 14 de
fevereiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos.
Entrada franca.
Marcadores:
Leilah Assumpção,
Teatro e Resistência
domingo, 10 de fevereiro de 2019
sábado, 9 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
Jogos florais
Cacaso
I
Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.
II
Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.
(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)
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A poesia é necessária?,
Cacaso
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
Entregadores de pizza, cuidado!
Pedro Lucas Lindoso
Revogou-se o Estatuto do Desarmamento. Se certo ou errado não
sei. Não sou especialista em Direito Penal. Pouco entendo de Sociologia do
Crime. Não tenho armas. Não critico quem as têm. Cada um sabe de si. Todos têm
medo. Há muita violência no país, onde ainda há muita fome e desigualdades.
Liberou-se a posse de armas. Nos Estados Unidos, a posse de
armas em casa ou no carro é totalmente liberada. Em alguns estados americanos
há restrições. Mas a posse está garantida constitucionalmente. E lá não se toca na constituição facilmente.
A Segunda Emenda, ainda no ano de 1791, da Constituição Americana, diz: “sendo
necessária para a segurança de um Estado livre uma milícia bem regulada, o
direito de as pessoas manterem e portarem armas não deve ser violado”.
Todavia, no outono de minha vida estou mais afeito à
Literatura do que ao Direito. O maior poeta brasileiro do século 20, Carlos
Drummond de Andrade, escreveu um significativo poema chamado “A morte do
leiteiro”. Tomei a ousadia de resumir a obra de Drummond, cortando algumas
partes, juntando as estrofes assim:
“Então o moço que é leiteiro de madrugada com sua lata sai
correndo e distribuindo leite bom para gente ruim. (...) E há sempre um senhor
que acorda, resmunga e torna a dormir. Mas este entrou em pânico (ladrões
infestam o bairro), não quis saber de mais nada. (...) O revólver da gaveta
saltou para sua mão. Ladrão? se pega com tiro. Os tiros na madrugada liquidaram
meu leiteiro. Se era noivo, se era virgem, se era alegre, se era bom, não sei,
é tarde para saber. (...) Mas o homem perdeu o sono de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente. (...) Da garrafa estilhaçada, no ladrilho já
sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei. (...) Formando
um terceiro tom a que chamamos aurora.”
Não há leiteiros distribuindo garrafas de leite puro e cru
nas madrugadas no século 21. Compra-se leite em pó. Ou industrializados e
pasteurizados vendidos em recipientes com conservantes para durar semanas.
Leiteiros estão fora de perigo. Então o poema de Drummond estaria totalmente
anacrônico?
Acho que não. Preocupam-me os entregadores de pizza.
Devido à facilidade e comodidade, muitos brasileiros preferem
pedir pizza em casa. Inclusive de madrugada. Os serviços de entrega de pizzas
cresceram nos últimos anos. Faturando bilhões.
Há moços correndo, distribuindo pizza boa para gente ruim. E há sempre
um senhor que acorda, resmunga e torna a dormir.
Os tiros na madrugada que liquidaram o leiteiro de Carlos
Drummond podem acertar no entregador de pizza. Entregadores de pizza, cuidado!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Campeões do mundo: leitura dramática
![]() |
| A caminho de Argel, os 40 presos políticos trocados pelo embaixador da Alemanha: inspiração para Dias Gomes. |
A Cia de Teatro Vitória Régia apresentará por todo o mês de fevereiro, sempre às quintas-feiras, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.
Com grande participação
de público, já foram feitas as leituras de Abajur
Lilás, de Plínio Marcos; Patética,
de João Ribeiro Chaves Neto; e Eles não
usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri.
A mostra visa colocar em
discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas
pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”,
muito parecidas com as milícias assassinas tão caras aos círculos poderosos de
hoje.
Escolhemos a ARTE, para
resistir e denunciar.
Para isso, o grupo
selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a
repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a
tortura, o assassinato.
Nesta quinta-feira, 7 de fevereiro,
sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Campeões do mundo, de Dias Gomes, uma verdadeira aula de história,
se não fosse pura ficção.
A trama, que cobre o
período de 1963 a 1979, conta o sequestro do embaixador americano, em plena
copa do mundo de 1970, abordando temas como o feminismo, a guerrilha urbana, a
tortura, o exílio. Ficção, sim, porém, montada “em cima de fatos acontecidos e
hoje amplamente divulgados”, como afirmou o autor no programa da peça.
Encenada pela primeira
vez em 1980, em plena “distensão”, Campeões
do mundo já não usa subterfúgios retóricos ou simbólicos para mostrar os
acontecimentos como se passaram na realidade. Pelo contrário, sem fazer
julgamentos ou tomar partido, lança mão de um realismo visceral e, infelizmente,
verdadeiro.
Autor de clássicos da
dramaturgia brasileiro, como O pagador de
promessas e O santo inquérito,
Dias Gomes (1922-1999) consagrou-se como autor de telenovelas, com destaque
para Bandeira 2, O bem-amado, Saramandaia
e a censurada Roque Santeiro. Com
Dias Gomes, o folhetim televisivo, antes desprezado, foi elevado à categoria de
cult.
Serviço:
Evento: Teatro e
Resistência – leitura dramática de Campeões
do mundo, de Dias Gomes
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados, como Leilah Assumpção, Márcio Souza, Millôr
Fernandes e outros
Quando: dia 7 de fevereiro,
às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos.
Entrada franca.
Marcadores:
Dias Gomes,
Nonato Tavares,
Teatro e Resistência
domingo, 3 de fevereiro de 2019
sábado, 2 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
ASSEAM, 24 anos: palestra e lançamento
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