Pedro
Lucas Lindoso
O drama
de Tristão e Isolda, por alguma razão que desconheço, era uma das referências
constantes de vários mestres do Departamento de Letras da UnB. Isso no final
dos anos de 1970, quando cursei Letras.
Não só
pelos professores de Literatura Medieval Inglesa e Shakespeare. Mas também os
que lecionavam outras literaturas. Era comum os mestres se referirem a trágica história
de amor proibido entre o cavaleiro Tristão e a princesa irlandesa Isolda. Minha
filha Marina, que esteve por lá vinte anos depois, parece concordar comigo.
Na
história, Tristão é mandado a Irlanda para buscar Isolda, prometida ao Rei
Marcos, seu tio. Na viagem de volta, Tristão e Isolda bebem uma poção
mágica. A bebida era destinada à Isolda
e ao Rei Marcos. Tristão e a princesa bebem a poção por engano e se apaixonam.
Mesmo
casada com o Rei Marcos, Isolda e Tristão, apaixonados, iniciam um romance
secreto. Há várias situações de
separação, encontros e desencontros secretos, com uso de disfarces e simulação.
O romance, porém, é descoberto.
Tristão
é expulso do reino e casa-se com outra mulher, também chamada Isolda. Ferido de
morte, Tristão manda chamar a primeira Isolda, a da Irlanda, para curá-lo.
A outra
Isolda, sua esposa, mente ao dizer que ela não virá. Há outro engano envolvendo
a cor das velas do navio. Enganado, ao ver o barco voltar sem a amada, Tristão
morre.
Ao
vê-lo morto, Isolda morre de tristeza. Os dois corpos são encontrados abraçados
e entrelaçados.
A
história veio à tona porque Catarina e Isadora, filhas de Marina, vestidas de
Ariel, a pequena Sereia, querem que eu seja o Tritão. No conto da Disney,
baseado em outro de Andersen, Tritão aparece de barbas brancas. Na mitologia,
entretanto, Tritão é filho de Poseidon, sendo um jovem e guapo ser das águas.
A
princesa Ariel tem mais sorte que Isolda e que a original, de Andersen. No
mundo mágico de Walt Disney, Ariel se casa com o príncipe Eric e vivem felizes
para sempre.
E eu, o
vovô da história, fiquei matutando entre Tristão e Tritão. Mesmo porque um não
tem nada relacionado ao outro. Acabei por escrever essa crônica.