Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

A poesia é necessária?

 

O mago

Alexei Bueno
(26/4/1963 – 26/6/2026)

 

Eu amo os bosques e as ruínas e os conventos

E toda parte onde o mistério nos destrua,

Pois nada vale ir decifrar com gestos lentos

A mão sem causa que fez tudo e a tudo estua.

 

Era impossível que algo houvesse, e tais tormentos

Vêm de ainda assim este algo haver, enquanto a lua

Que por verdade não nascera assopra os ventos

Aos nossos olhos também falsos desta rua.

 

Oh! alamedas, catedrais, sombras pendentes,

Por ser sem fruto ainda buscar nos entregamos

De uma só vez a este mistério que encarnamos,

 

Numa volúpia de esquecer, da noite ausentes,

Como o mendigo que sem forças para a sorte

Se entrega inteiro à sua garrafa e à sua morte!

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A poesia é necessária?

 

Naquele remoto agora

Alexei Bueno

Naquele remoto agora

Há um vulto que, rente ao muro,

Consulta, abstraído, a hora,

De quando era o seu futuro?

 

Naquele agora remoto

A folha até hoje espera

A brisa que a atire ao esgoto,

Mas nada em torno se altera.

 

Remoto agora, naquele

Lapso eu era e sou eu.

Brilhava na minha pele

O sempre o mesmo outro céu.


sábado, 9 de agosto de 2025

Neste Remoto Agora - primeira antologia do século 21, em pré-venda


Antologia de poesia brasileira contemporânea 

organizada pelo crítico e escritor Henrique Duarte Neto.

GÊNERO: Poesia

FORMATO: 11X18 | ANO: 2025

PÁGINAS: 268 | Pólen natural, 80 gr

PREÇO: R$ 40,00

Poetas participantes:

ADEMIR DEMARCHI

ALEXEI BUENO

ANNA APOLINÁRIO

ANTONIO CARLOS SECCHIN

ANTÔNIO CUNHA

CLAUDIA ROQUETTE-PINTO

CLÁUDIO DANIEL

EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA

FERNANDO PAIXÃO

HENRIQUE MARQUES SAMYN

JULIANA ABDON

JUSSARA SALAZAR

LILIAN AQUINO

MARCELO SANDMANN

MARCO AURÉLIO DE SOUZA

MARIANA MARINO

MARÍLIA KUBOTA

PAULO HENRIQUES BRITTO   

PRISCA AGUSTONI

RODRIGO TADEU GONÇALVES 

RUY ESPINHEIRA FILHO

RUY PROENÇA

TARSO DE MELO

ZEMARIA PINTO 


Link de pré-venda:

https://lambrequim.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/pre-venda-henrique-duarte-neto-org-neste-remoto-agora/


quinta-feira, 31 de julho de 2025

A poesia é necessária?

 

Tudo, menos tu, Cronos, morrer pode

 

Alexei Bueno

 

Tudo, menos tu, Cronos, morrer pode.

Mesmo os deuses à morte estão sujeitos.

Mesmo o Fado, que até a eles subjuga,

Não se interpõe a ti. 

 

Só tu reinas, e findos ainda um dia

Os deuses, e os mortais, e os mundos todos,

E o olímpico monte em pó tornado,

Tu, eterno, seguirias. 

 

Pois, mais que os nossos olhos que te vissem,

Num vácuo até de ti, sem quem a olhasse,

Tua gota a cair continuaria,

Sem gota, ou queda, ou nada.

 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

A poesia é necessária?

 

História

Alexei Bueno

  

Não é minha esta casa, aí entrarei no entanto.

Quebrarei o portão, marcharei entre as flores,

Encherei meu pulmão com os estranhos odores

Do jardim adubado a sêmen, sangue e pranto.

 

Porei a porta abaixo, enfrentarei o espanto

Dos vultos me fitando; e apesar dos bolores

Envergarei sem medo os trajes de idas cores,

Nas suas mãos beberei, entoarei seu canto!

 

Com os corpos rolarei de milhões de mulheres

Sem corpo. Ei-los que já me saúdam e me aclamam,

Meus perdidos avós, desamparados seres.

 

Estendem-me suas mãos como a um filho que os salva.

Deles vim, mas é a mim que eles agora clamam

A vida, como a um pai, um sol sonhando na alva.