Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 1 de maio de 2025

A poesia é necessária?

 

desvãos

Marta Cortezão

 

Quem ri quando goza / é poesia/ até quando é prosa

(Alice Ruiz)

 

meu silêncio lambe tua orelha

e se arvora feito cobra

para infiltrar-te o veneno

 

meu silêncio se espicha

pelas frestas feito lagartixa

para roubar-te a fala

 

meu silêncio aflora

e ri que goza

quando lambe

quando cobra

quando se larga e atiça

para confundir-te as horas

e de olhos nos olhos

alimentar-te a prosa

com íntima poesia

 

quinta-feira, 18 de abril de 2024

A poesia é necessária?

 

distopias

Marta Cortezão

 

Pueden dispararle a mi cuerpo,

pero no pueden disparales a mis sueños.

(Malala Yousafzai)

 

já não me serve

a desmedida do olhar

 

não me serve a crueza

que dilacera verdades

e mentiras tão óbvias

em minhas trêmulas carnes

 

não me serve a mão

manchada de sangue

que mutila sonhos imensos

 

não me serve a demagogia

que devora humanidades

 

o que me serve

é o que me sente

 

a dor que me (des)veste

é este elo benévolo

perdido no tempo

este coração humano

raquítico e doente

gritando no peito

a dor insana

de ser gente

 


quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Marta Cortezão e um poema de Zemaria Pinto


Marta Cortezão e um poema de Zemaria Pinto.


 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

A poesia é necessária?

 

Debilidades

Marta Cortezão

 

Sempre haverá

um sorriso guardado

no rosto sofrido.

Um beijo idealizado

na boca que ultraja.

Um abraço esquecido

nos lânguidos braços.

Um grito contido

no peito que escarra.

Um prazeroso gemido

na profunda garganta.

Um doce toque

nas mãos calejadas.

E nos ríspidos passos,

sutis pegadas.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Literaencontro: escritoras do Amazonas no Casarão de Ideias


Nesta quinta-feira, 24 de agosto, a partir das 18h, acontecerá um grande encontro de escritoras amazonenses, no Casarão de Ideias. Além de lançarem suas obras, as autoras conversarão sobre o fazer literário contemporâneo no Amazonas. Entrada franca. 



segunda-feira, 17 de abril de 2023

Novo livro de Marta Cortezão: uma poética cartografia de silêncios e seus diálogos


Marta Cortezão lança meu silêncio lambe tua orelha.


Marta Cortezão está com o seu terceiro livro de poemas, meu silêncio lambe tua orelha (Editora Toma Aí Um Poema/PR) em pré-venda pelo site de financiamento coletivo Benfeitoria e pode ser acessado pelo endereço https://benfeitoria.com/projeto/lambe. A campanha vai até o próximo 1º de maio.

meu silêncio lambe tua orelha revela uma poética cartografia de silêncios que suscita infindos diálogos entre as inúmeras vozes que se desviam, mas que, ao mesmo tempo, se encontram no corpo nu, flexível e dinâmico da linguagem.  Diálogos que fogem à lógica e transcendem sua corporalidade semântica bem como a essência das coisas e seus ruidosos silêncios, mas que não se esgotam, pedem mais e mais interação. Do ponto de vista literário, o livro traz uma abordagem poético-contemporânea sobre a escrita de autoria feminina e seu devir criativo, mas não somente.



A escritora Vania Clares (SP), que assina a orelha do livro, opina que meu silêncio lambe tua orelha “nitidamente nos remete ao universo feminino numa dimensão diversificada e vasta. A poeta parte das citações de outras escritoras e embrenha-se com maestria em cada palavra para escrever o poema, não só acatando o sentido na sua interpretação, mas criando um corpo que complementa as premissas. (...) Muito mais que isso, a elasticidade dos silêncios devora o corpo desde as entranhas até a alma, quando escancara a sua compreensão de mundo, vivência esta que exercita freneticamente.” 

Uma amostra da poesia de Marta Cortezão:

 

Eu não nasci rodeada de livros, e sim rodeada de palavras.

{Conceição Evaristo}

 

geossintaxe

 

com passos indecisos

percorro as sentenças

da língua que me devora

 

reviro os escaninhos

dos verbos obtusos

cuja geometria

adensa os advérbios

que florescem das pedras

 

meus sapatos sujos de pausas

deixam todas as pegadas

órfãs de sintaxe-delírio

 

onde guardei a palavra exata

com gosto de chuva? 

 

onde minha língua

se entrelaçará na tua

para cópula ardente

de neologismos?

 

quando o sexo verbal

gozará metonímias

em teu corpo metáfora

afro afrodisíaco

Afrodite de palavras?

 

A poeta, escritora e professora Lucila Bonina, ao ler o poema “geossintaxe” que compõe o terceiro poemário de Marta Cortezão, afirma o seguinte: “‘geossintaxe’ é um poema sussurrado por voz afrodisíaca: interroga, induzindo a resposta; oculta, sugerindo onde encontrar; provoca a memória silenciada a vislumbrar um futuro sonoro. Cai na alma como escudo e inspiração. É assim que me toca o poema de Marta. A força que emerge da voz poética feminina que sabe de si e de outras, da língua e do mundo, da luta e do amor.”

Nas palavras de Marta Cortezão, o livro surge “de um silêncio ancestral, social, histórico e político (...). É um compêndio de sonhos repleto de um silêncio eloquente que pede revoada, exige o movimento, o grito, a voz, o canto, a alma, o corpo com todos os seus sentidos, a dança, a liberdade para conjugar o verbo existir em toda sua amplitude, essência e intensidade (...), porque a linguagem que se (re)move em “distraído silêncio” é pássaro indomável, flana livre, foge e se desata mundo afora em busca do “fero desejo de pássaros” a esticar infinitos.” A proposta da autora é de que o livro possa ampliar o diálogo com outros olhos leitores, dedilhando outras silentes notas que, por sua vez, romperão a barragem de outros desconhecidos silêncios, “deixando seu rastro / azul de céu / no mar das coisas / inomináveis”, porque a poesia é correnteza de águas fluindo linguagens.

Os silêncios são o adubo para escrita da autora e ganham, dentro de sua textura volátil e paradoxal, liquidez e profundidade linguístico-poéticas. Para Cortezão, há silêncios que gritam, outros que sugerem, outros que cantam, outros que libertam, outros que aprisionam... Há tanta vida nos silêncios que se solidificam em nós, também nas memórias não vividas que herdamos pela linguagem... Há uma solidão sonora, fria muitas vezes, que brota das pedras, do vento, das águas, de lugares impensáveis para não dizer, mas sempre dizendo do inominável... É preciso afinar os sentidos! Há sempre tanto para essa condição real e humana de sermos tão pouco ou nada no mundo! Eis aqui o que há: silêncios, aqueles no quais nos converteremos quando tudo chegar a ser nada.

 

Sobre a autora

Marta Cortezão (@martacortezaopoeta) nasceu em Tefé, no Amazonas. É escritora e poeta. Possui publicações em antologias nacionais e internacionais. Livros de poesia publicados: Banzeiro manso (Porto de Lenha Editora, 2017), Amazonidades: gesta das águas (Penalux, 2021), Zine Aljavas para Cupido (2022). meu silêncio lambe tua orelha (TAUP, 2023) é seu terceiro livro de poesia. Colunista da Revista Literária Voo Livre. É idealizadora das Tertúlias Virtuais (Prêmio APPERJ/2021) e do blog Feminário Conexões (https://feminarioconexoes.blogspot.com/).

 

Serviço

meu silêncio lambe tua orelha (poesia, 87 p.; editora Toma Aí Um Poema/TAUP). R$ 40,00.

Pré-venda: https://benfeitoria.com/projeto/lambe

  

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A poesia é necessária?

 

Dos encantados (fragmentos)

Marta Cortezão

 

Iara, se ouvisse Orfeu

doce e ledo canto teu,

a lira te brindaria,

de ti vassalo seria.

*

Japu, gatuno do fogo!

Ave, Prometeu tapuio!

Fez-se pássaro e seu logro

grande façanha do mundo!

*

Mulheres Icamiabas

vencedoras de Orellana;

ancestrais e matriarcas

das caboclas Amazonas.

*

Olhos vastos de Caipora

percorrem meus labirintos

e na cólera das horas

perco-me em loucos instintos.

*

Senhora do rio profundo,

teu véu ardente Jaci

incendeia fêmeo mundo:

meu corpo sangra de ti.


quarta-feira, 6 de abril de 2022

domingo, 3 de abril de 2022

Estilhaços Literários faz conexão Norte-Nordeste

 


Chegamos ao "Estilhaços Literários - Escritorxs Indigestxs XI" fazendo uma conexão Norte Nordeste lindíssima! Serão quatro poetas convidados, Marta Cortezão (AM), Mailson Furtado (CE), Antonio Miranda (CE) e Rojefferson Moraes (AM), com mediação do poeta Zemaria Pinto, em um bate papo sobre suas obras, e a correria que é ser poeta em um país dominado por pessoas que comemoram o golpe militar. E marcando o retorno do sarau ao Centro de Manaus, no Vibrânia – Estúdio de Arte, em plena segunda-feira. Chega junto!

 

#EstilhaçosLiterários

#Vibrânia

#NaToraProduções


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Amazonidades - Gesta das Águas: lançamento


Link para acesso: https://youtu.be/wvBqBo6V-5E
(é preciso estar inscrito no canal Banzeiro Conexões)

 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Amazonidades: gesta das águas, de Marta Cortezão

  

  

Amazonidades: gesta das águas passa por um livro de poesia, mas é muito mais que isso: é um compêndio de Amazônia, uma súmula do imaginário dessa região que se espraia por nove países e, no Brasil, por nove estados, e agora, em domínios de Castela e Leão, funda um virtual território independente, representado pela poesia de Marta Cortezão.

Ler as trovas de Marta é como remexer uma biblioteca de sonhos, o imaginário amazônico, onde todo o conhecimento do “povo das doces águas” está reunido: os acesumes, as comilanças, as leseiras, as caboquices, os encantados – nossos mitos ancestrais. Marta inventa palavras e, como Drummond, torna outras mais belas: “Apeixono-me de escama / em noite de virar bicho”; “canoei todo um rio-mar”; “O que assaranha uma vida?”; “Sevava palavras cruas”; “e na cólera das horas”; “pois janeirava à tardinha”. São apenas amostras. O leitor poderá “caniçar” outras dezenas de exemplos brilhantes. 

Duas linhas de pensamento são recorrentes: a sensualidade e a metalinguagem. Às vezes, elas vêm juntas: “A traquinagem do verso / faz vaginar pensamentos; / então me entrego, de certo, / ao falo afoito do vento.”  As metáforas são sempre construídas com elementos do imaginário: “Pensamentos escamei, / aparei todas as abas, / as cicatrizes limpei / e salmourei as palavras.” E observem o domínio da métrica e das rimas – toantes, inclusive.

Senhora de seus elementos, Marta Cortezão revela-se, sobretudo, senhora de seu ofício.

Zemaria Pinto

 

(Orelha de Amazonidades: gesta das águas, de Marta Cortezão)

 Disponível para compra  na loja da Editora Penalux.


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

quinta-feira, 9 de julho de 2020

A poesia é necessária?



Súplica a Iara
Marta Cortezão


Iara, leva-me contigo!
Não sou feliz aqui.
Encanta-me com teu canto
pois sei que lá não há pranto...
Não, não sou daqui.

Leva- me contigo, Iara!
Cansei deste mundo raso.
Prefiro teu mundo de águas,
rio profundo, sem as mágoas
que desafinam, amiúde, meu trovar.

Escuta, Mãe-d’água, meu lamento
e manda a resposta pelo vento
onde me possa alcançar teu canto.
Vem, não te demores a chegar
porque posso enlouquecer, definhar.

Sei de tuas oníricas artimanhas,
sereia da tribo guerreira Amazonas!
Só a ti narrarei as patranhas
que esta vida de cá me faz contar!
Iara, cuida, não te entretenhas!

O sol já se põe, aproveita a hora
que corre no remanso da boca do rio
e enche meus olhos de pororoca.
Não tardes, Iara, tenho vazios
carentes de tua suave e rouca voz...

Espero-te, doce Iara, loucamente!
Necessito beber de tua fonte,
lançar-me num salto demente,
tocar-te e beijar-te meiga fronte
no afã de fugir deste mundo doente.


sábado, 4 de julho de 2020

Leituras compartilhadas: a poesia de L. Ruas


Leituras compartilhadas: a poesia de L. Ruas

Data: 04/07/2020, às 16h00 (Brasília)
Sala: 780 9305 7166
Senha: 0bs7YJ