Pedro Lucas Lindoso
Citando
Olavo Bilac, “ama com fé e orgulho a terra em que nasceste”. É preciso amar o
Brasil. Lutar pela nossa soberania e nossa democracia. Isto não nos impede de,
neste 4 de julho, desejar aos Estados Unidos paz e prosperidade. Pelos 250 anos
de independência e por sediar a Copa do Mundo.
Nesta
manhã de julho, com copa do mundo aqui e lá, as bandeiras de cada país tremulam
por razões diversas. Nós, brasileiros, como quem respira fundo antes de cantar
nosso hino. Não só do próprio peito, mas também uma vontade aguerrida de ganhar
a copa. Eles, os americanos, comemoram sua data cívica, junto dos que vêm de
longe para torcer e festejar o esporte que a todos une. Esporte que sempre será
caminho de amizade e paz.
Assim,
é preciso lembrar de Olavo Bilac. Poeta que tratava a pátria brasileira com o
cuidado de quem cuida de uma flor rara. Não é exagero dizer que amar a terra em
que se nasceu é um ato de fé. É questão de reconhecer o valor do solo que nos
acolhe. O sorriso dos vizinhos, as histórias que se cruzaram nas esquinas. E a
responsabilidade de cuidar do que é seu. Da sua cultura e valores. De seu
território. Para que cada nação
permaneça livre e democrática.
Enquanto
o mundo gira, entre copas, tratados internacionais e acordos multilaterais, o
Brasil sabe que a soberania não se mede apenas em números de produção ou em
bravatas diplomáticas. Os brasileiros têm a capacidade de observar o próprio
orgulho sem fechar as portas para o outro. Porque o verdadeiro respeito pela
democracia não se celebra apenas em proclamações, tratados, acordos. Olimpíadas
ou copas. Se pratica no gesto cotidiano de ouvir, de dialogar, de buscar
caminhos que favoreçam o bem comum. Mesmo quando há divergências.
Neste 4
de julho, espera-se que os cidadãos americanos possam olhar o mapa do mundo com
a curiosidade de quem sabe que a prosperidade não é dádiva reservada a poucos.
Mas fruto de cooperação entre nações. Não podemos esquecer que intercâmbios
comerciais, esportivos e culturais são como pontes erguidas com trabalho e
paciência de pessoas e governos. Cada fluxo de gente, cada ideia trocada, cada
arte ou esporte que atravessa fronteiras, é uma semente plantada no terreno da
convivência. Sem ingerências indevidas, claro, mas com a convicção de que a
diversidade é riqueza quando é tratada com elegância e responsabilidade.
E assim
também se constroem vínculos com a China, a Rússia, a Índia, a Europa e tantos
outros cantos do mundo. Não para apagar as singularidades, mas para aprender
com elas. Que o desejo de aprender uns
com os outros seja maior que qualquer mal-entendido. Que possamos manter o
intercâmbio como um diálogo aberto. Onde cada país se reconheça na sua própria
cadência e, ainda assim, encontre razões para caminhar lado a lado.
Que os
Estados Unidos continuem, como exemplo de democracia e civilidade. Buscando
unir firmeza de princípios com compaixão pelo próximo. E que, ao comemorarmos a
história que nos une, não nos esqueçamos de que o maior hino não é de vitória
isolada, mas de cooperação. Que se possa seguir juntos. Com fé na terra que nos
abriga e com orgulho de saber que a amizade entre nações é, muitas vezes, o
remédio mais eficaz para as dores do mundo. Que a convivência seja leve, o
respeito mútuo, a curiosidade permanente, e a esperança de que, ao olharmos
para o mapa, possamos enxergar não apenas linhas que definem territórios, mas
caminhos que aproximam corações.
E que,
nestes dias de celebração e copa, reste a certeza de que a paz é um projeto
comum. Que começa no quintal de cada um e se expande até o horizonte inteiro.





