Amigos do Fingidor

quarta-feira, 18 de março de 2026

Caminhando com os mortos


Márcia Antonelli

 

Terminei por estes dias a leitura do livro Os que andam com os mortos, do poeta, escritor, ensaísta e também dramaturgo Zemaria Pinto. Fiz desta obra meu companheiro de caminhadas. É que todo mês elejo um livro para caminhar comigo. “Os que andam com os mortos” foi o eleito deste mês e caminhar com ele foi de um agradável deleite.

“Os que andam com os mortos” é o primeiro livro de contos publicado pelo autor de Folia no Seringal: ensaios sobre a literatura do Amazonas, embora o mesmo já tenha experienciado o gênero prosa antes, com os títulos Lábios que beijei, Drops de pimenta e Bolero’s Bar, todos reunidos em forma de minicontos, microcontos e nanocontos, editados em seu blog chamado “Palavra do Fingidor” e que vale a pena conferir. 

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Os que andam com os mortos é hilário. Sarcástico. Provocador. Zé nos conduz pelos meandros de uma narrativa que vai do conto convencional ao absurdo; do fantástico às fábulas, recortes de teatro a roteiros de cinema; escritos viventes e memoriais, somado a uma dosezinha de erotismo, que também não podia faltar. Os contos reunidos aqui neste seu livro são seduzentes e nos prendem da primeira à última página de cada conto. São narrativas bem construídas e alinhadas, difícil até de escolher as melhores histórias, pois todas são muito bem tecidas e bem contadas. Algumas delas nos arrancando sonoras gargalhadas de tão lúdicas e desconcertantes que são. Zé é um estrategista tático. Nato. Escreve muito à vontade e nos deixa muito à vontade. Os que andam com mortos é um livro gostoso de ler. Ele é intrigante. Engraçado. Debochado, pois que o autor descreve em alguns momentos situações bem peculiares do dia a dia, sem cair no trivialismo da linguagem ou no banalismo imagético. Zé aborda com maestria situações usuais e incomuns do dia a dia, de maneira excêntrica e bem-humorada, garantindo ao leitor uma prazerosa e singular leitura em graus diversos de loucura, causticidade, suicídios, desamor, através de seus alinhavados e alindados contos. Um caminhar interessante com os mortos.

Recomendo. 

Nota: Márcia Antonelli é uma transcritora ficcionista, 

com dezenas de livros publicados, que ela vende de mão em mão. 

Obras adaptadas para o cinema: 

O desentupidor de fossas; Zico, o Jabuti; e Das ruas à sobrevivência.