Márcia Antonelli
Terminei
por estes dias a leitura do livro Os que andam com os mortos, do poeta,
escritor, ensaísta e também dramaturgo Zemaria Pinto. Fiz desta obra meu
companheiro de caminhadas. É que todo mês elejo um livro para caminhar comigo.
“Os que andam com os mortos” foi o eleito deste mês e caminhar com ele foi de
um agradável deleite.
“Os que andam com os mortos” é o primeiro livro de contos publicado pelo autor de Folia no Seringal: ensaios sobre a literatura do Amazonas, embora o mesmo já tenha experienciado o gênero prosa antes, com os títulos Lábios que beijei, Drops de pimenta e Bolero’s Bar, todos reunidos em forma de minicontos, microcontos e nanocontos, editados em seu blog chamado “Palavra do Fingidor” e que vale a pena conferir.
Os
que andam com os mortos é hilário. Sarcástico. Provocador. Zé nos conduz pelos meandros de uma
narrativa que vai do conto convencional ao absurdo; do fantástico às fábulas,
recortes de teatro a roteiros de cinema; escritos viventes e memoriais, somado
a uma dosezinha de erotismo, que também não podia faltar. Os contos reunidos
aqui neste seu livro são seduzentes e nos prendem da primeira à última página
de cada conto. São narrativas bem construídas e alinhadas, difícil até de
escolher as melhores histórias, pois todas são muito bem tecidas e bem
contadas. Algumas delas nos arrancando sonoras gargalhadas de tão lúdicas e
desconcertantes que são. Zé é um estrategista tático. Nato. Escreve muito à
vontade e nos deixa muito à vontade. Os que andam com mortos é um livro
gostoso de ler. Ele é intrigante. Engraçado. Debochado, pois que o autor
descreve em alguns momentos situações bem peculiares do dia a dia, sem cair no
trivialismo da linguagem ou no banalismo imagético. Zé aborda com maestria
situações usuais e incomuns do dia a dia, de maneira excêntrica e bem-humorada,
garantindo ao leitor uma prazerosa e singular leitura em graus diversos de
loucura, causticidade, suicídios, desamor, através de seus alinhavados e
alindados contos. Um caminhar interessante com os mortos.
Recomendo.
Nota: Márcia Antonelli é uma transcritora ficcionista,
com dezenas de livros publicados, que ela vende de mão em mão.
Obras adaptadas para o cinema:
O desentupidor de fossas; Zico, o Jabuti; e Das ruas à sobrevivência.
