Pedro Lucas Lindoso
Na
semana passada, escrevi sobre a enorme variedade de palmeiras que temos por
aqui. E ao falar de palmeiras mencionei Gonçalves Dias. Isso encantou uma jovem
leitora que me passou o seguinte e-mail:
“Caro
cronista. Li sua crônica ‘Surucucumira’, que trata sobre a diversidade de
palmeiras na Amazônia. Confesso que fiquei surpresa em saber que o poeta
romântico Gonçalves Dias havia visitado o Norte do Brasil. Pensei que fosse
ficção. Mas é verdade. Fui pesquisar e descobri nos Anais da Biblioteca
Nacional, vol. 84, 1964, p. 2, notícia de que Antônio Gonçalves Dias, em 12 de
outubro de 1857, fora designado, para a expedição, pelo IHGB, Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro, na presidência do Marquês de Sapucaí.
Naturalmente,
o Governo Imperial de Pedro II aprovou. Assim, Gonçalves Dias foi convocado
para a Comissão Científica e Cultural exploradora no interior de algumas das
Províncias menos conhecidas do Brasil. Incluindo, a região do Rio Negro, já
então elevada à categoria de Província do Amazonas.
Há
informação de que o poeta se encontrava na Alemanha e ficara feliz com a
designação.”
Interessante
é que o e-mail, de certa forma anônimo, pertence a “curiouslibrarian” e o
provedor é americano.
De fato
a “curiosa bibliotecária” tem razão. O saudoso Márcio Souza, último ocupante da
cadeira 25 da Academia Amazonense de Letras, a ser ocupada, com muita honra e
alegria, por esse cronista, no próximo mês da abril, já nos dizia em 1977, no
livro A Expressão Amazonense, que a
expedição financiada por Pedro II retrata a visão imperial de nossa região,
naquela época. A Amazônia era um local a ser civilizado. Márcio Souza destaca o
choque cultural de Gonçalves Dias diante da realidade amazônica. Evidenciando o
abismo entre o Brasil do litoral e o Brasil do interior. E, claro, da nossa
vasta região amazônica.
Há notícias
de que a visita do poeta a Manaus, entre maio e junho de 1861, foi um período
crucial e complicado do festejado poeta do Romantismo brasileiro, em termos de
produção literária.
Márcio
Souza ressalta a importância dos diários de Gonçalves Dias. Na minha opinião
devem merecer mais atenção e mais pesquisas por parte de historiadores e
cientistas sociais em geral.
Fui
conversar com tia Idalina sobre isso. Ela me disse que tudo são coisas do tempo
de Dom João Charuto.
Discordo,
titia. A visita do poeta é bem posterior. Os charutos Dom João vinham em caixas
com a foto de Dom Joao VI. O que trouxe a família real para o Brasil, em 1808.
Era avô de Pedro II. Nascido em 1825, Pedro II teria feito 200 anos em dezembro
do ano passado. Tia Idalina tem razão. Tratamos de coisas e pessoas do tempo de
Dom João Charuto. Que muito fez pelo Brasil quando reinou aqui. Mas ao retornar
para Portugal queria nos fazer colônia novamente. Esse Dom João VI bem que
merece ser chamado de Dom João Charuto. Governou o Brasil antes de nossa
Independência!