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| José Maciel, Moacir Andrade, L. Ruas e (na extrema direita) Elson Farias ladeiam jovens componentes do Clube da Madrugada. |
ensaios, contos & outras prosas
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| José Maciel, Moacir Andrade, L. Ruas e (na extrema direita) Elson Farias ladeiam jovens componentes do Clube da Madrugada. |
Hoje, a tarde está muito azul
L. Ruas (1931-2000)
Hoje, a tarde está muito azul.
Não há ódio no olhar dos homens
E os olhos das mulheres são bondade.
Levemente o sol derrama uma camada
De ouro muito velho sobre as águas.
Os motoristas dirigem com cuidado
E os pedestres caminham descuidados.
Não houve nenhum desastre borrando
De vermelho o azul da tarde.
Não houve nenhuma tragédia:
Nenhum marido abandonou a mulher;
Nenhum operário caiu do andaime;
Não houve nenhum incêndio na cidade;
Nenhum anjo se revoltou contra Deus.
Os sexos estão repousados:
Virgem alguma foi, hoje, deflorada;
Não houve incestos nem adultérios;
Não houve casos de inversão sexual;
Não houve nenhum crime passional
Registrado na crônica policial.
Hoje, a tarde está muito azul...
Não houve prisões nem fuzilamentos políticos
Em qualquer parte do mundo.
Não houve jovens partindo para a guerra
Em qualquer parte do mundo.
Não houve sequestros nem lutas raciais
Em qualquer parte do mundo.
Não foram feitas experiências com bombas nucleares
Em qualquer parte do mundo.
As crianças soltam balões na praça
Sem medo de morrer bombardeadas
E os namorados esperam a noite, em paz.
E, enquanto as crianças brincam na praça,
Em paz,
Passa o enterro alegre de um menino
Levado, por meninos, num caixão azul.
Hoje, a tarde está muito azul...
Zemaria Pinto
Autor: L. Ruas
Nome completo: Luiz Augusto de Lima Ruas
Naturalidade: Manaus – AM
Nascimento: 28 de novembro de 1931
Falecimento: 1.° de abril de 2000
Obra poética:
· Aparição do clown (1958)
· Poemeu (1985)
· Poesia reunida
(2013 – póstumo)
DIDÁTICA
Palavra por palavra
compõe-se a arquitetura.
O canto é limpo timbre.
É rosa a rosa. Rosa.
Desnuda geometria
espaço libertado:
no campo indevassado
na página tranquila
desenho desprovido
de inúteis arabescos
os pontos se projetam
em linhas e figuras
os semitons banidos
só restam sombra e luz.
Palavra é só palavra:
Indício fruto ou véu.
Por fim se ordenam símbolos
em lúdica harmonia
Fundindo o lucicanto
ou coisadedizer.
ORÁCULO
Tenho pena, disse-me o meu Deus,
Daquele que é amado por mim.
Tenho muita pena.
Tenho pena, disse-me o meu Deus,
Porque aquele que eu amar
Jamais
Terá um só momento de paz.
Aquele que eu mais amar
Jamais terá dias tranquilos
Nem mesmo aos domingos
Ele poderá se divertir.
Por exemplo, não terá
Aquela paz necessária que é preciso
ter
Para passar um dia inteiro, de
calção,
Num balneário. E se sentir feliz.
E, à noite, não frequentará boates
Nem “dancings”, nem “night clubs”,
Porque já não terá mais em si
A tranquilidade inócua dos felizes.
Não digo que ele não vá. Isso não.
Ele vai, mas, não como os outros vão.
Porque o que ele busca nessas coisas
Não é mais felicidade. Nem prazer.
O que ele quer mesmo é me encontrar
em tudo isso.
Porque eu o amo de tal modo
Que ele quer me encontrar em toda
parte.
Aquele que eu amo, disse-me o meu
Deus,
Fica besta que nem poeta enamorado:
Me julga ver em toda parte e em todo
mundo.
E não se cansa nunca de me procurar.
Por ele, nunca mais me largaria
Nunca mais estaria longe de mim.
E este desejo de estar perto de mim,
Sempre,
É que o fere e o maltrata.
Um dos que eu mais amei, foi Paulo,
Aquele judeu nascido em Tarso.
Outro que também muito amei foi Francisco.
Aquele nascido em Assis, na Úmbria –
Itália.
E vocês bem sabem as tolices que
fizeram.
Se a causa de tudo aquilo não fosse
meu amor
Eu vos digo que não aprovaria o que
fizeram:
Não aprovaria ter Francisco brigado
com seu pai
Nem Paulo ter apelado, tolamente,
para César.
Isso não são coisas que um homem de
bem deva fazer...
Mas, enfim, o culpado fui eu que
muito amei.
É por isso, disse-me o meu Deus,
Que eu não amo todos os homens
igualmente.
Porque eu não sei amar de outro modo
Só sei amar assim, desmedidamente.
Não sei amar como amam os homens
“comportados”:
Com elegância, com medida, com “finesse”.
Porque eles são feitos com medida e
com limites.
Mas eu sou o “sem limites” e o “sem
medidas”.
Por isso não amo todos igualmente:
Escolho entre muitos os que podem
Suportar as minhas exigências. Os
mais fortes.
Porque depois de algum tempo ficam
fracos
E consumidos pelo meu amor que os
devora.
Eu sei, disse-me o meu Deus, que
muitos gostariam
Que eu os amasse como amei Francisco
e Paulo.
Mas eles não sabem muito bem o que
desejam.
Eu sei que eles não resistiriam ao
muito amor
Porque são limitados e muito fracos.
Por isso não amarei todos igualmente
Porque mesmo os mais fortes quase não
resistem.
Ainda hoje acho graça dos doutores,
disse Deus,
Que querem explicar as cantigas de João
da Cruz
E as visões da minha Tereza D’Ávila
Como um simples caso de
psicopatologia.
E, depois, disse Deus, eu mesmo quis
que houvesse
Entre os homens e, mesmo, em minha
Igreja,
Um certo clima de paz e de sossego
Para que as coisas fossem feitas
devagar
Como convém que se faça entre os
humanos.
Porque só eu sei fazer, com rapidez,
Coisas bem feitas, bem perfeitas.
Mas os homens não sabem e é preciso,
Por isso, dar-lhes tempo e alguma
paz.
Mas, aqueles que eu amo perdem a paz
E querem fazer tudo logo de uma vez.
E não deixam mais ninguém ficar em
paz.
Atrapalham mesmo os meus Pontífices
No governo da Igreja se eu não chego
A tempo de impedir que assim o façam.
Porque os meus Pontífices são os meus
Pontífices.
E eu os quero assim. Mas, nem sempre
Meus Pontífices são meus amados
também.
Tenho muita pena, disse Deus,
Daquele que é amado por mim.
Porque é muito triste ver um homem
Pequeno, limitado, circunscrito,
Querendo satisfazer o meu amor
Ilimitado.
Tenho muita pena, disse Deus,
E, muitas vezes, também choro
Quando, a sós, ele chora,
Me suplica e implora
Para que me afaste dele.
Tenho muita pena, mas, não posso
Fazer nada por ele senão mesmo
Mais amá-lo, mesmo que não queira.
A obra poética do padre
Luiz Ruas reduz-se a dois títulos: Aparição
do clown e Poemeu. O primeiro é
dos mais belos exemplos de poesia religiosa em língua portuguesa. Eu disse
religiosa? É pouco, pois quando falamos em “poesia religiosa” estamos nos
referindo a um tipo de poesia atrelada a uma determinada religião. A poesia de
L. Ruas é bem mais complexa. Voltada para o espírito e o questionamento das
relações entre o humano e o sagrado, é mais apropriado classificá-la como
poesia metafísica. Poemeu, a despeito
de conservar, em alguns textos, essa transcendência, é um livro profano,
voltado para as coisas do mundo, as inquietações cotidianas – seja do poeta,
enquanto agente da criação estética, seja do homem, dividido entre os prazeres
mundanos e as obrigações com o divino.
Os poemas escolhidos para
análise pertencem ao segundo livro. “Didática” é um exemplo de metalinguagem, a
partir do próprio título: o poeta discorre sobre o seu fazer poético,
procedimento que tem uma tradição milenar inesgotável como representação
individualizada da linguagem do poeta que se dispõe a revelar-se. Comecemos por
examinar a própria sintaxe do poema. As regras de pontuação são desrespeitadas
já a partir da segunda estrofe. O uso de maiúscula após o ponto é uma convenção
também desconsiderada. O poeta busca transmitir a ideia de seu poder sobre a
página em branco, manipulando palavras e símbolos, a tal ponto que o fecho do
poema é um inusitado substantivo, um neologismo de grafia estranha:
“coisadedizer”. Vamos por partes, ou melhor, por estrofes.
A primeira estrofe joga
luz sobre a palavra e sua importância para a composição: a armação do poema se
dá “palavra por palavra”. Mas a palavra “timbre” esconde uma cilada, muito
própria da boa poesia: a possibilidade de múltiplas leituras. Podemos entender
o poema com uma tonalidade límpida, o que seria uma redundância, mas podemos
também inferir o poema como uma inscrição, ou um selo, que, sendo único,
identifica seu autor. Para enfatizar essa ideia, Ruas relembra o conhecido
verso de Gertrude Stein: Rose is a rose is a rose is a rose. Nada mais
rosa que uma rosa.
Nas estrofes dois e três,
o poema é comparado a um desenho seco, sem ornatos, compondo linhas e figuras a
partir de pontos, a unidade mínima de um desenho. Trata-se de uma lei natural
da poesia: a condensação. Ruas repete-a e usa a quarta estrofe para enfatizá-la,
tirando do seu desenho o que estava em demasia, restando unicamente “sombra e
luz”, como nas lições sublimes de Vermeer e Rembrandt. No poema, “palavra é só
palavra”, mas não só, do contrário não seria poesia. A palavra é indício
(pista, vestígio, rastro); é fruto (ela, em si mesma); é véu (antipista,
antivestígio, antirrastro). No bom poema, como no bom poeta, a palavra pode ter
várias funções, sendo ela mesma ou não. E não sendo, assumindo o papel de
sugestão ou de negação. Cabe ao leitor descobrir.
A quinta estrofe fecha a
ideia que Ruas faz do poema: “por fim se ordenam os símbolos / em lúdica
harmonia”. Três palavras carregadas de significados: símbolos, lúdica,
harmonia. O poema é nada mais que isso: símbolos que se ordenam numa harmonia
lúdica. Isso é anti-hermético, porque o lúdico indica que há leituras
possíveis. A conclusão propõe que o jogo funda a reflexão (“coisadedizer”) com
a técnica poética, o canto de luz (“lucicanto”). Cabe ao leitor saber jogar. É
o que veremos na análise do poema “Oráculo”.
Nos seus mais de cem
versos, é um poema que concentra uma ideia bastante simples: a relação de amor
e de entrega daqueles que recebem o dom da iluminação divina. Ruas, não o
sacerdote, mas o homem, procura mostrar que essa é uma relação sobretudo de
sofrimento. É interessante que o eu lírico – que, de forma simplificada,
identificamos com o poeta – fale em nome de Deus, como se o tivesse ouvido:
“disse-me o meu Deus”. Na verdade, o poeta-oráculo fala para si mesmo, como a
justificar o seu sacrifício, o sacrifício dos votos sacerdotais: para ser amado
por Deus é preciso merecer o seu amor.
Sem negar-lhe quaisquer
direitos, é facultado, mesmo ao escolhido de Deus, frequentar os prazeres do
mundo:
Não digo que ele não vá. Isso não.
Ele vai, mas, não como os outros vão.
Porque o que ele busca nessas coisas
Não é mais felicidade. Nem prazer.
O que ele quer mesmo é me encontrar em tudo isso.
O sacerdote, assim como o
artista, está sempre antenado: um à procura de Deus, o outro em busca de motivo
para sua arte.
É interessante observar a
crítica que o poeta-sacerdote faz a sua Igreja, desfazendo a mística da
infalibilidade papal:
Porque os meus
Pontífices são os meus Pontífices.
E eu os quero
assim. Mas, nem sempre
Meus Pontífices
são meus amados também.
Deus é humanizado a tal ponto que chega ao cúmulo do egoísmo.
Tenho muita pena, disse Deus,
Daquele que é amado por mim.
Porque é muito triste ver um homem
Pequeno, limitado, circunscrito,
Querendo satisfazer o meu amor
Ilimitado.
Essa humanização faz
parte de uma “lúdica harmonia”: o homem é “imagem e semelhança” de seu criador,
logo, este é imagem e semelhança do homem. Um jogo de espelhos. Paulo de Tarso
e Francisco de Assis, assim como o poeta João da Cruz e a visionária Tereza D’Ávila,
todos eles santos da Igreja Católica, são citados por Ruas como paradigmas dos
que mereceram o amor de Deus porque souberam amá-Lo. É curiosa a raiz
etimológica desse amor desmedido, representado na palavra “fanatismo”, hoje
pejorativa, carregada de sentido negativo, ligado à intolerância e à violência
de fundo religioso: inspirado pelos deuses, entusiasmado. Aliás, a palavra
entusiasmo também foi corrompida, vulgarizada; o seu significado hoje está
muito distante de sua acepção original, que, válida a poetas e a profetas,
procura explicar a própria condição de oráculo que ambos carregam.
A poesia de L. Ruas
encerra um duplo sentido, cumprindo dupla função: transitando entre o sagrado e
o profano, nos faz pensar sobre o transcendente ao mesmo tempo em que pensamos
também sobre essa atividade tão terrena e tão pouco valorizada que é o fazer
poético.
Soneto autobiográfico III
L. Ruas (1931-2000)
A égua caminhava a passos largos
Por entre a lama espessa, mal cheirosa,
A égua que nasceu de barro e sopro,
Pesada e, ao mesmo tempo, vaporosa.
A égua percorreu todo o passado:
É lenda, é mito, é sombra luminosa;
Galopa semeando vida e morte,
É frágil como a flor e belicosa.
Tem alma muito embora no seu ventre
Aninhe fauna imunda e tenebrosa
De serpes e batráquios peçonhentos.
A égua chega sempre. Chora, às vezes.
Às vezes, come fezes. Eu a vi
Comendo, em céu de estrelas, uma rosa.
L. Ruas
A peste
grassara na cidade. Era uma pequena cidade de mais de oito mil habitantes, no
máximo.
Em
primeiro lugar foram tomadas todas as medidas profiláticas. A cidade foi
isolada e ninguém podia sair nem entrar a não ser os organismos oficiais
encarregados do abastecimento e da assistência médico-hospitalar.
Sem
qualquer outro informe mais preciso, cumpre dizer que a peste se caracterizava
por uma inflamação cerebral, que provocava nos doentes uma série de
alucinações, tendo como consequência final e orgânica um debilitamento que
levava fatalmente à morte. O mais interessante é que nas primeiras semanas os
vitimados não apresentavam qualquer anormalidade, daí o primeiro caso ter sido
aceito por muitos como coisa verdadeira. Tratava-se de um cidadão que se dizia
uma espécie de salvador da pátria, esta espécie, que, aliás, é muito difundida.
Devemos
acrescentar, também, que todos os habitantes daquela cidade estavam
irremediavelmente condenados e, mais cedo ou mais tarde, todos contrairiam o
vírus, embora, segundo os médicos, não se pudesse calcular quando isso poderia
suceder. O contágio em muitos casos se dava lentamente.
Diante
desse estado de coisas as autoridades oficiais decidiram exterminar aquela
cidade. Segundo os moralistas oficiais isto seria permitido em razão do bem comum,
pois o vírus poderia ser transmitido a outras cidades vizinhas. E o mal
terminaria invadindo toda a nação. Discussão pra lá, discussão pra cá, o
Departamento de Defesa apresentou uma sugestão que foi por todos aceita. O
Departamento se encontrava em fase de experiências com um novo tipo de bomba e
segundo os técnicos faltaria um último teste, a saber, a respeito do raio de
ação. O Departamento de Saúde por sua vez chegou à conclusão de que as
irradiações provocadas pela explosão poderiam, talvez, purificar a atmosfera e
assim debelar a peste para sempre.
E assim
as circunvizinhanças da cidade foram escolhidas para servir de área de
experiência do Departamento de Saúde.
O plano
de experiência estava dividido em duas etapas. O primeiro consistia numa preparação
psicológica do povo, para impedir qualquer movimento de pânico. E a segunda
consistiria na execução técnica ou propriamente na explosão.
Imediatamente
começou a realização da primeira etapa. Os dois jornais da cidade e a estação
difusora iniciaram uma campanha de esclarecimento público. O povo não deveria
dar atenção àqueles que desejavam espalhar o pânico. A situação era normal.
Tudo estava em ordem e não se apresentava qualquer ameaça à segurança do povo.
Tratava-se, apenas, de uma experiência científica que traria benefícios enormes
à nação. O povo deveria, pelo bem da pátria suportar, com paciência patriótica
alguns sacrifícios que seriam exigidos para o bom êxito da experiência. Não é
necessário dizer que muitos não acreditaram na campanha psicológica, mas, a bem
da verdade, é preciso dizer que a maioria dos habitantes a aceitaram com
tranquilidade. Não mudaram seus hábitos. Todos continuaram a ir ao barbeiro,
tomar sua cervejinha, bater um papo na esquina ou sentados em suas cadeiras de
embalo, à noite, nas calçadas. Havia, também, os conformados. “Que adianta,
diziam, que adianta perder cabeça se ninguém sabe o dia da explosão?”
E
ninguém sabia mesmo. O dia da explosão foi guardado dentro do máximo segredo.
Mas a
bomba explodiu, um dia. E da cidadezinha resta, apenas, esta notícia
insignificante que trago, hoje, aos meus possíveis e reduzidos leitores.
(A Gazeta, 2 setembro 1963)
Pesquisa: Roberto Mendonça
Apocalipse
L. Ruas (1931-2000)
Os meteoros ameaçam nossos jardins.
É hora de decolarmos
Para a infinitude do silêncio dilatado
Com nossas asas de sonho
Antes que a terra exploda
E se escancare como a fauce
De uma desmedida flor carnívora
Faminta de nossos corpos.
Não mais teremos tempo
De colher o fruto do nosso canto
Os meteoros ameaçam nossos campos.
Os mares cobrirão nossas faces;
Os vulcões ressecarão nossos ossos;
As mãos, os ventres, os sexos
Murcharão sob o fogo das estrelas
Que cairão sobre vales e colinas.
Os meteoros ameaçam nossos rios.
É tempo de partirmos para o espanto desmedido.
Do que fomos, fizemos ou cantamos,
Ficará, apenas, o invisível traço
Do voo da ave indivisível
Que se consumiu no espaço.
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Leituras compartilhadas: a
poesia de L. Ruas
Data: 04/07/2020, às
16h00 (Brasília)
Sala: 780 9305 7166
Senha: 0bs7YJ
|
| Texto de L. Ruas, garimpado pelo "catador de papeis" Roberto Mendonça. |