Pedro Lucas Lindoso
Na
escola aprendemos que no Brasil não temos castas, como na Índia. O sistema de
castas divide a sociedade em grupos e subgrupos. Define ocupações, regras
sociais e acesso a direitos assim como obedecem a restrições.
Embora
seja ilegal na Índia de hoje, em muitos lugares por lá ainda há discriminação.
E observância de regras e valores. Em
algumas regiões da Índia há predominância de subgrupos, para os quais não
existe um número único e oficial. Há quatro grandes grupos tradicionais. Os Brâmanes,
que são os sacerdotes, os mestres e filósofos. Os Xátrias, governantes,
militares, funcionários. Os Vaixás, que são os comerciantes e agricultores. Por
fim, os Sudras que constituem os trabalhadores
em geral.
Mas há
os subgrupos. No Brasil não temos castas. Será mesmo? Não as quatros principais,
como na Índia. Mas vejo que temos aqui alguns grupos, ou melhor, subgrupos, que
poderiam se enquadrar nesse sistema. Ou não.
No
Exército temos oficiais e suboficiais. É quase impossível um suboficial
ascender à condição de oficial. Nas universidades temos doutores, mestres e
professores de um lado e servidores e alunos de outro. Aqui a ascensão é
frequente e pode ser estimulada. Exceto o pessoal de serviços gerais.
Nos
tribunais há juízes, servidores e desembargadores. Nos hospitais há os serviços
gerais, técnicos em enfermagem, os enfermeiros e os médicos. Há técnicos que se
formam em enfermeiros. Poucos conseguem ser médicos, mas é possível.
Na
Igreja há cardeais, bispos, padres e diáconos.
No
Itamaraty há os oficiais de chancelaria, os diplomatas secretários, os
conselheiros e os ministros embaixadores. É difícil um servidor ser admitido no
Instituto Rio Branco.
Em
alguns desses grupos, como se viu, a mobilidade e a ascensão é quase
inexistente. Outros nem tanto. Quando ocorre a ascensão, o sujeito começa a
andar diferente, vestir-se diferente. Falar e comportar-se de acordo com sua
nova casta.
O jovem
Rodrigo veio do interior. Tornou-se Técnico em Enfermagem. Recentemente
graduou-se como enfermeiro. Reconheceu que está diferente. E, na sua contumaz
irreverência, diz que “até a inhaca do sujeito muda”.