Amigos do Fingidor

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Castas

Pedro Lucas Lindoso

 

Na escola aprendemos que no Brasil não temos castas, como na Índia. O sistema de castas divide a sociedade em grupos e subgrupos. Define ocupações, regras sociais e acesso a direitos assim como obedecem a restrições.

Embora seja ilegal na Índia de hoje, em muitos lugares por lá ainda há discriminação. E observância de regras e valores.  Em algumas regiões da Índia há predominância de subgrupos, para os quais não existe um número único e oficial. Há quatro grandes grupos tradicionais. Os Brâmanes, que são os sacerdotes, os mestres e filósofos. Os Xátrias, governantes, militares, funcionários. Os Vaixás, que são os comerciantes e agricultores. Por fim, os   Sudras que constituem os trabalhadores em geral.

Mas há os subgrupos. No Brasil não temos castas. Será mesmo? Não as quatros principais, como na Índia. Mas vejo que temos aqui alguns grupos, ou melhor, subgrupos, que poderiam se enquadrar nesse sistema. Ou não.

No Exército temos oficiais e suboficiais. É quase impossível um suboficial ascender à condição de oficial. Nas universidades temos doutores, mestres e professores de um lado e servidores e alunos de outro. Aqui a ascensão é frequente e pode ser estimulada. Exceto o pessoal de serviços gerais.

Nos tribunais há juízes, servidores e desembargadores. Nos hospitais há os serviços gerais, técnicos em enfermagem, os enfermeiros e os médicos. Há técnicos que se formam em enfermeiros. Poucos conseguem ser médicos, mas é possível.

Na Igreja há cardeais, bispos, padres e diáconos.

No Itamaraty há os oficiais de chancelaria, os diplomatas secretários, os conselheiros e os ministros embaixadores. É difícil um servidor ser admitido no Instituto Rio Branco.

Em alguns desses grupos, como se viu, a mobilidade e a ascensão é quase inexistente. Outros nem tanto. Quando ocorre a ascensão, o sujeito começa a andar diferente, vestir-se diferente. Falar e comportar-se de acordo com sua nova casta.

O jovem Rodrigo veio do interior. Tornou-se Técnico em Enfermagem. Recentemente graduou-se como enfermeiro. Reconheceu que está diferente. E, na sua contumaz irreverência, diz que “até a inhaca do sujeito muda”.