Pedro Lucas Lindoso
Gonçalves
Dias, ao poetar “Minha terra tem palmeiras”, sabia das coisas. Mesmo porque
esteve nos visitando, em nome de Pedro II, de maio a junho de 1861. Estudou
línguas indígenas. Conheceu nossa flora e fauna. Subiu o Rio Negro até São
Gabriel da Cachoeira. Veio para nos conhecer e incentivar a educação formal do
povo do norte do Brasil.
Segundo
Kadu Lazarini, pesquisador da EMBRAPA, a Amazônia abriga cerca de 200 espécies
de palmeiras. De fato, nossa terra tem muitas, como deve ter observado
Gonçalves Dias, ainda no século 19. São fundamentais para a bioeconomia e
subsistência dos nossos caboclos valorosos.
Algumas
são ícones representativos de nossa cultura, como o açaí, buriti, pupunha,
tucumã e patauá. Além dos frutos, nos dão palmito, fibras e óleos. O açaí é
nativo das várzeas. Fruto famoso no mundo inteiro. Tem palmito e dele se faz um
vinho bem gostoso.
O
buriti cresce nas veredas. Nos fornece óleo, artesanato e fibra. Rico em
vitamina A. A gostosa pupunha é muito usada para palmito. E, claro, para comer
com um café, pela manhã, ou merenda da tarde. O tucumã é matéria-prima do nosso
xis-caboquinho. Também delicioso com café. O babaçu tem muito potencial. Produz
excelente óleo e é usado em artesanato.
Temos
ainda a jarina, conhecida como “palmeira marfim”, muito usada para biojóias e
artesanato. Quase esquecia a bacaba. Usa-se muito para fazer vinho. Essas
palmeiras são pilares na economia das comunidades ribeirinhas. E nelas não só
cantam os sabiás, mas também o uirapuru, o coró-coró, o japiim, araras e
tucanos, e tantos outros.
E a
surucucumira? Até Gonçalves Dias sabia que as palmeiras não são árvores. Elas
não crescem em espessura com anéis, como as árvores. Palmeiras crescem em
altura, sendo, na verdade, “ervas gigantes”, com um caule fibroso e sem
crescimento secundário de diâmetro.
A
surucucumira é árvore. Também não é cobra. Algumas morrem depois da primeira
frutificação. Coisa da natureza.