O eu coxo ou o homem-linguado
Antônio Cunha
Tenho a face torta
Por desdenhar da vida
Tenho as pernas tortas
Por desandar na vida
Tenho a visão torta
Por desvendar a vida
Tenho a alma torta
Para que caiba em mim
Deus escreveu-me torto
Por linhas incertas