Amigos do Fingidor

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A poesia é necessária?

 

Naquele remoto agora

Alexei Bueno

Naquele remoto agora

Há um vulto que, rente ao muro,

Consulta, abstraído, a hora,

De quando era o seu futuro?

 

Naquele agora remoto

A folha até hoje espera

A brisa que a atire ao esgoto,

Mas nada em torno se altera.

 

Remoto agora, naquele

Lapso eu era e sou eu.

Brilhava na minha pele

O sempre o mesmo outro céu.