Naquele remoto agora
Alexei Bueno
Naquele remoto agora
Há um vulto que, rente ao muro,
Consulta, abstraído, a hora,
De quando era o seu futuro?
Naquele agora remoto
A folha até hoje espera
A brisa que a atire ao esgoto,
Mas nada em torno se altera.
Remoto agora, naquele
Lapso eu era e sou eu.
Brilhava na minha pele
O sempre o mesmo outro céu.