Amigos do Fingidor

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A poesia é necessária?

 

Soneto profético

Antonio Carlos Secchin

 

A bola de cristal é opaca e preta,

nela pouco se vê ou se pressente. 

O vidro estilhaçado de uma greta

libera a luz noturna do presente.  

Antevejo a raiz de uma semente

incapaz de dar paz a este planeta,

pois você, o jasmim e a violeta

florescem contra mim feito serpente.

Enxergo nada além desse horizonte,

onde ao escuro sucede o mais escuro.

O certo é não prever nenhum poente

que possa me levar para o futuro.

Na bola opaca eu leio, transtornado:

seremos bem felizes no passado.