Amigos do Fingidor

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

A poesia é necessária?

 

Enquanto a lua for calada e branca

Ernesto Penafort (1936-1992)

 

enquanto a lua for calada e branca

eu serei sempre o mesmo, este esquisito,

este invisível vulto, apenas visto

quando o vento, de leve açoita as folhas.

enquanto a lua for calada e branca

eu serei sempre o mesmo, apenas visto

quando um raio de sol morre na lágrima

que se despede de uma folha verde.

eu serei sempre assim, apenas sombra,

apenas visto quando a voz de um gesto

colhe no bosque alguma flor azul.

apenas visto quando em fundo azul

voar a garça (o meu adeus ao mundo?),

enquanto a lua for calada e branca.