Amigos do Fingidor

terça-feira, 7 de abril de 2026

“Sitooterie”: no fundinho dos rios

 Pedro Lucas Lindoso

 

O professor Marco Neves é um estudioso da língua portuguesa, filologia, curiosidades linguísticas e as particularidades do português.  Sou seu seguidor na internet. Suas intervenções ou aulas são de muito interesse para mim. Ele e eu gostamos das palavras. As tratamos com amor, curiosidade e deleite. Marco e eu gostamos tanto de palavras que as classificamos como bonitas e feias, engraçadas ou monótonas, dentre outras características ou classificações que não se encontram nas gramaticas tradicionais.

Marco Neves pincelou algumas palavras em outros idiomas, sem uma equivalência precisa em português. A Escócia e um dos países que fazem parte do Reino Unido. A língua scots para muitos é um dialeto, pois se parece muito com o Inglês. Foi no scots que o professor Marco Neves encontrou a palavra SITOOTERIE. Significa um lugar feito ou escolhido por um casal para sentar, namorar, conversar, estar juntos para aquela saborosa intimidade dos apaixonados.

Pode ser uma praça, determinada parte de uma praia, um cantinho escondido numa festa, uma sala com sofá e uma bela paisagem ou até no escurinho do cinema.

Realmente não temos uma palavra que possa traduzir “sitooterie” ao pé da letra. Mas temos uma expressão bem próxima: “ninho de amor”. 

O nosso caboclo ribeirinho constrói sua “sitooterie” numa rede, estendida no seu tapiri, sob o frescor do luar da Amazônia.  Ou na beira de uma praia de rio. No chap-chap da canoa, numa clareira da floresta.

Um casal de colaboradores de certa base petrolífera localizada no seio da floresta, resolveu construir sua “sitooterie” às escondidas. Distante uns 200 metros da base, já em plena selva. A clareira estava bem organizada e acolhedora. Tinha até uma churrasqueira. A administração do polo descobriu a audaciosa e perigosa “sitooterie”.  O casal foi punido. É muito perigoso.  Há onças e outros bichos selvagens na mata 

Não só na mata os animais buscam um lugar gostoso e adequado para namorar. Os aquáticos também precisam de local apropriado para se reproduzir. Além dos botos, outro mamífero aquático muito simpático é o peixe-boi. Eles normalmente precisam que o rio esteja cheio. Um “sitooterie” adequado deve ser em local mais fundo. É que eles precisam e gostam de se abraçar. Se for muito raso, não conseguem. Como estão em extinção, os cientistas queriam reproduzi-los em cativeiro. Mas não acontecia em piscinas rasas. Foram verificar in loco. Notaram que eles conseguiam se abraçar no fundinho do lago ou do rio.

Tem bicho que gosta do escurinho do cinema. Outros, como os manatis, preferem o fundinho dos rios.