Pedro Lucas Lindoso
O
professor Marco Neves é um estudioso da língua portuguesa, filologia,
curiosidades linguísticas e as particularidades do português. Sou seu seguidor na internet. Suas
intervenções ou aulas são de muito interesse para mim. Ele e eu gostamos das
palavras. As tratamos com amor, curiosidade e deleite. Marco e eu gostamos
tanto de palavras que as classificamos como bonitas e feias, engraçadas ou
monótonas, dentre outras características ou classificações que não se encontram
nas gramaticas tradicionais.
Marco
Neves pincelou algumas palavras em outros idiomas, sem uma equivalência precisa
em português. A Escócia e um dos países que fazem parte do Reino Unido. A
língua scots para muitos é um dialeto, pois se parece muito com o
Inglês. Foi no scots que o professor Marco Neves encontrou a palavra
SITOOTERIE. Significa um lugar feito ou escolhido por um casal para sentar, namorar,
conversar, estar juntos para aquela saborosa intimidade dos apaixonados.
Pode
ser uma praça, determinada parte de uma praia, um cantinho escondido numa
festa, uma sala com sofá e uma bela paisagem ou até no escurinho do cinema.
Realmente
não temos uma palavra que possa traduzir “sitooterie” ao pé da letra. Mas temos
uma expressão bem próxima: “ninho de amor”.
O nosso
caboclo ribeirinho constrói sua “sitooterie” numa rede, estendida no seu
tapiri, sob o frescor do luar da Amazônia.
Ou na beira de uma praia de rio. No chap-chap da canoa, numa clareira da
floresta.
Um
casal de colaboradores de certa base petrolífera localizada no seio da
floresta, resolveu construir sua “sitooterie” às escondidas. Distante uns 200
metros da base, já em plena selva. A clareira estava bem organizada e
acolhedora. Tinha até uma churrasqueira. A administração do polo descobriu a
audaciosa e perigosa “sitooterie”. O
casal foi punido. É muito perigoso. Há
onças e outros bichos selvagens na mata
Não só
na mata os animais buscam um lugar gostoso e adequado para namorar. Os
aquáticos também precisam de local apropriado para se reproduzir. Além dos
botos, outro mamífero aquático muito simpático é o peixe-boi. Eles normalmente
precisam que o rio esteja cheio. Um “sitooterie” adequado deve ser em local
mais fundo. É que eles precisam e gostam de se abraçar. Se for muito raso, não
conseguem. Como estão em extinção, os cientistas queriam reproduzi-los em
cativeiro. Mas não acontecia em piscinas rasas. Foram verificar in loco.
Notaram que eles conseguiam se abraçar no fundinho do lago ou do rio.
Tem
bicho que gosta do escurinho do cinema. Outros, como os manatis, preferem o
fundinho dos rios.