A TUA IMAGEM NUM CANTO DE SARJETA – nova obra do escritor amazonense Victor Hugo Neves
Márcia Antonelli
A TUA
IMAGEM NUM CANTO DE SARJETA é o segundo livro do escritor Victor Hugo Neves.
Trata-se de um livro de crônicas, e que a mim foi atribuída a tarefa de
prefaciar.
Neste
seu novo livro, Victor Hugo revela-se maduro. Conciso. Imponente. Consolida
definitivamente seu talento nato para a crônica. Um dos exercícios mais nobres
do gênero literário, segundo Graciliano Ramos. As crônicas de Victor Hugo são
de uma lucidez, fluidez e coloquialidade impressionantes. Nos faz pensar os
deleites imperceptíveis do dia a dia das pessoas: o viver, o sentir, o sonhar.
Seja da interioridade do ser, ou das questões da cidade mesmo. São crônicas do
olhar de si para si e também do outro para o outro. Numa sociedade que camufla
sua verdade frente a um espelho filtrado ela acaba tendo uma imagem narcisista
e distorcida de si e da realidade que o cerca porque tudo hoje é produzido de
forma falsa, ilusória. O que nos leva ao mito de Narciso, filho da Ninfa Liríope
e de Cefiso, deus dos lagos. Reza a lenda que Narciso caminhando a esmo por um
lindo bosque, parou frente a um lago e nele prostrou-se para admirar sua
própria beleza refletida. Ficou tão encantado por si mesmo que resolveu
mergulhar naquela fonte de água cristalina e desaparecer. O mito de Narciso
nada mais é que uma crítica ao egocentrismo e ao excesso de vaidade. O
personagem Narciso acabou se tornando um mero símbolo do individualismo e do
excesso de amor-próprio. Virtude ou defeito, sabe-se lá, mas que ainda se faz
presente nos tempos atuais e que o autor deste livro se arvora a refletir e nos
mostrar através de suas crônicas líricas, reflexivas. Por vezes, ácidas,
descontraídas, bem-humoradas, onde o autor brinca com as figuras de linguagem,
com as construções frasais, textuais e que também são formas de prender o
leitor. A transição de um texto para o outro se dá de maneira sutil, leve,
espontânea, musical, como a passagem de um Vivaldi para um Strauss.
O bom
cronista é de fato aquele que, com primazia e louvor pelo ofício, é capaz de
perceber no dia a dia de sua vida, impressões, ideias ou visões da realidade
que não são percebidas por todos. Victor Hugo tem este costume. E nada dele
escapa. O que o torna um cronista dos bons. Cada livro seu nos surpreende pela
temática corajosa, pela elegância da escrita e pela docilidade das palavras. A
TUA IMAGEM NUM CANTO DE SARJETA nos revela tudo isso. Além de ser um livro,
sobretudo, de valores nobres e humanos. Um livro que precisa ser lido, pensado,
valorizado.
Recomendo: A TUA IMAGEM NUM
CANTO DE SARJETA – VITOR HUGO NEVES.
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