quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
FLIFLORESTA – Festival Literário Internacional da Floresta
I Simpósio de Leitura e Formação de Leitores
CAREIRO DA VÁRZEA – AMAZONAS
Autor homenageado: Almir Diniz
Locais:
Escola Estadual Coronel Fiúza
Praça da Liberdade
Dias: 15, 16 e 17 de outubro de 2009
I Simpósio de Leitura e Formação de Leitores
CAREIRO DA VÁRZEA – AMAZONAS
Autor homenageado: Almir Diniz
Locais:
Escola Estadual Coronel Fiúza
Praça da Liberdade
Dias: 15, 16 e 17 de outubro de 2009
FLIFLORESTA - ABERTURA
Dia 15 de outubro de 2009 (quinta-feira)
Tarde
Programação na Escola Estadual Coronel Fiúza
15h30
Recepção – Escola Estadual Coronel Fiúza
Credenciamento (Comissão organizadora)
16h00
Cerimônia de abertura – José Farias
Composição da mesa – Hino Nacional e de Careiro da Várzea
16h10
Palavra do Secretário Municipal de Educação – Valdenir Fábio de Moraes Moreira
Palavra do Representante do Flifloresta – Tenório Telles
Palavra do Prefeito Municipal – Nato Leite
Homenagem ao escritor Almir Diniz
16h45
Palestra de Abertura – Thiago de Mello
“A leitura e a formação da juventude”
17h45
Cerimônia de Abertura da Biblioteca Municipal Profa. Luzia Izabel Monteiro Sales Veiga – Participação Ana Peixoto
18h30
Apresentação musical – Candinho e Inês
Simpósio de Leitura e Formação de Leitores
Dia 16 de outubro de 2009 (sexta-feira)
Manhã
Programação na Escola Estadual Coronel Fiúza
7h30
Recepção – Comissão Organizadora
7h45
Apresentação 1: Alunos da Escola Municipal Balbina Mestrinho
8h00
Mesa Temática 1
Tema: A escola como espaço de formação de leitores
Mediador: Raimundo Sávio Nonato Pereira (Professor e Gestor)
Debatedora 1: Antônia Lima (Dra. em Linguística)
Debatedora 2: Socorro Gomes (Presidente da Amaler)
Debate com a platéia
9h15
Intervalo
9h30
Apresentação 2: Alunos da Escola Municipal Francisca Góes
9h45
Palestra 2
Tema: A internet e a leitura: conexão e virtualidade
Mediador: Rayder Coelho (Poeta)
Palestrante: Sérgio Freire (Doutor em Linguística)
Debatedora 1: Michelle Portela (Jornalista)
Debatedor 2: Luciano Freitas dos Santos
Debate com a platéia
11h30
Encerramento
Dia 16 de outubro de 2009 (sexta-feira)
Tarde
Programação na Escola Estadual Coronel Fiúza
13h30
Apresentação 3: Alunos da Escola Municipal Francisca Góes
14h00
Palestra 3
Tema: O professor como agente promotor da leitura
Mediadora: Elisângela Maria Lira Santos (Professora)
Palestrante: José Almerindo (Professor)
Debatedor 1: Nelson Castro (Escritor)
Debatedor 2: Roberto Migueis (Geógrafo e escritor)
Debate com a platéia
15h15
Apresentação 4: Alunos da Escola Estadual Coronel Fiúza
15h30
Intervalo
15h45
Apresentação 4: Grupo Música e Vida
16h00
Mesa Temática 2
Tema: A Leitura e o letramento
Mediador: Antônio Menezes (Professor)
Debatedora 1: Janilce Negreiros (Mestranda em Educação)
Debatedora 2: Euzeni Araújo Trajano (Mestra em Educação)
Debate com a platéia
17h15
Encerramento
Dia 17 de outubro de 2009 (sábado)
Manhã
Programação na Escola Estadual Coronel Fiúza
8h00
Credenciamento: Comissão Organizadora
Apresentação musical: Grupo Música e Vida
9 às 12h
As oficinas terão duração de 3 (três horas) ou conforme programação do ministrante
Oficina 1
Francisca Hermógenes Pinheiro (Professora)
Leitura e narração de histórias
Sala 1
Oficina 2
Jeane Tenório (Especialista em Língua Portuguesa)
Mediação de leitura nos anos iniciais do Ensino Fundamental (manhã)
Sala 2
Oficina 3
Suely Barros (MsC em Educação)
Desenvolvimento e competência leitora (manhã)
Sala 3
Oficina 4
Jorge Bandeira (Educador, ator e dramaturgo)
O teatro na escola
Sala 4
Oficina 5
Dori Carvalho (Ator e Poeta)
A palavra falada
Sala 5
Café Literário – Praça da Liberdade
Dia 17 de outubro de 2009 (sábado)
Noite
19h00
Abertura – Dori Carvalho
Palavra do Secretário Municipal de Educação – Valdenir Fábio de Moraes Moreira
Palavra do Representante do Flifloresta – Tenório Telles
Palavra do Prefeito Municipal – Nato Leite
19h30
Mesa Temática 1: A leitura e a construção da consciência
Mediador: Abrahim Baze (Historiador e Escritor)
Palestrante: Tenório Telles (Escritor)
Debatedor 1: Jorge Bandeira (Dramaturgo)
Debatedora 2: Mazé Mourão
20h20
Apresentação: Grupo Música e Vida / Clube Literário do Amazonas – Clam
20h30
Mesa Temática 2: A leitura e a escrita – A formação do escritor
Mediador: Marcos Frederico Krüger (Professor e Escritor)
Palestrante: Zemaria Pinto (Poeta e Dramaturgo)
Debatedor 1: Wilson Nogueira (Escritor e Jornalista)
Debatedora 2: Ivânia Vieira
21h30
Apresentação: Show Musical – Celdo Braga e o Grupo Imbaúba
Delírio Coletivo – II
Quem estiver desperto, pode perceber, nos auditórios do mundo, um espetáculo de egos fantástico. Pode ver alunos e professores a se posicionarem para os seus discursos absurdos. Pode ver, ainda, um, dois, três e quatro seres, prontos ao exercício do verbo de uma forma bem pessoal. Platéias do efêmero jogo da vida, que criam toda uma expectativa em torno de variados assuntos-ilusão. Estão na expectativa de mudanças. Mas, quando verdadeiramente acordam, é sempre tarde, e há o breu e o vazio da noite.
Quem estiver desperto, pode perceber, nos auditórios do mundo, um espetáculo de egos fantástico. Pode ver alunos e professores a se posicionarem para os seus discursos absurdos. Pode ver, ainda, um, dois, três e quatro seres, prontos ao exercício do verbo de uma forma bem pessoal. Platéias do efêmero jogo da vida, que criam toda uma expectativa em torno de variados assuntos-ilusão. Estão na expectativa de mudanças. Mas, quando verdadeiramente acordam, é sempre tarde, e há o breu e o vazio da noite.
(Marco Adolfs)
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Thiago de Mello em São Paulo
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O poeta Thiago de Mello estará em São Paulo no próximo fim de semana, participando do Corredor Cultural, na Casa das Rosas, um local cult, em plena Avenida Paulista. No dia 17 ocorrerá o lançamento do livro de Thiago, Coleção Melhores Poemas, da Global, seleção e estudo de Marcos Frederico Krüger. Em seguida, dentro do Sarau Chama Poética, que terá como tema "O coração latino-americano", Thiago de Mello e Pollyanna Furtado farão uma homenagem ao poeta Anibal Beça, recém falecido.
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Clique sobre a imagem, para ampliá-la.No dia 18 de outubro, Thiago participa de uma mesa redonda com o professor Antônio Lázaro de Almeida Prado - poeta, ensaísta e tradutor -, sobre o tema "Livros que marcaram a minha vida". Na sequência, participará do já tradicional Sarau Chama Poética, que terá como tema "Alegria de ser". Tudo isso sob a direção de Fernanda de Almeida Prado, que Thiago define como uma "padroeira da poesia".
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O poeta Thiago de Mello estará em São Paulo no próximo fim de semana, participando do Corredor Cultural, na Casa das Rosas, um local cult, em plena Avenida Paulista. No dia 17 ocorrerá o lançamento do livro de Thiago, Coleção Melhores Poemas, da Global, seleção e estudo de Marcos Frederico Krüger. Em seguida, dentro do Sarau Chama Poética, que terá como tema "O coração latino-americano", Thiago de Mello e Pollyanna Furtado farão uma homenagem ao poeta Anibal Beça, recém falecido.
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Clique sobre a imagem, para ampliá-la.
Epicuro e a felicidade
O que é a felicidade? Perguntou-me um jovem recentemente. Como o tema não me é estranho, de imediato lembrei-me de Epicuro e suas considerações sobre o assunto. Expus o meu ponto de vista, ilustrando-o com algumas ideias do pensador grego. Segundo ele, o objetivo da Filosofia é proporcionar ao ser humano o entendimento necessário para que possa alcançar a felicidade: estado em que as pessoas atingiriam a “aponia” (ausência de dor física) e a “ataraxia” (imperturbabilidade da alma).
Epicuro nasceu na ilha de Samos, em 241 a. C., e, ainda muito jovem, iniciou-se nos estudos de Filosofia com Pânfilo. Sem entusiasmo com o mestre, foi para Téos, onde estudou com Nausífanes, discípulo de Demócrito, de quem assimilou a teoria atomista, reformulando-lhe diversos pontos. Dedicou-se ao ensino em diversas cidades gregas até fundar, em Atenas, sua escola filosófica, que ficou conhecida como “O Jardim”, onde viveu com seus amigos e discípulos até sua morte. Teve uma existência simples, vivida de forma serena, despojada e bondosa.
Acreditava que os átomos eram eternos e todas as coisas eram formadas por eles. A morte física ocorreria pela desintegração dos átomos, que passariam a compor outros corpos. Epicuro imaginava com essa teoria explicar a natureza da vida e, assim, ajudar os homens a superar seus medos, especialmente o medo da morte e o medo dos deuses. Defendia uma outra visão em relação às divindades, que não atormentar os homens. Os deuses deveriam servir de modelos, pois eram vistos como representação da bem-aventurança e da harmonia, e não como seres vingadores.
Para Epicuro, a felicidade era uma conquista e estava associada à luta pela superação dos medos e das fragilidades. Entendia essa busca como um caminho marcado por desafios e percalços: entre eles, as dores e os prazeres. As dores físicas são inevitáveis, mas superáveis, especialmente pelas lembranças dos momentos felizes. As dores da alma são difíceis de ser vencidas. São inquietantes e podem durar indefinidamente. O remédio para esse tipo de infortúnio, segundo o filósofo, é a reflexão: “Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas, nem a obtenção de cargos ou o poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-na a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito que se mantenha nos limites impostos pela natureza”. Afirmava que as causas dos sofrimentos interiores eram as frustrações, os desejos insatisfeitos.
Um dos filósofos mais generosos e preocupados com a condição humana, Epicuro é um pensador que, ainda hoje, tem muito a nos dizer. Especialmente porque vivemos numa época em que as pessoas atribuem a felicidade à posse de bens materiais e à conquista de status e poder. Isso talvez explique o fato de vivermos numa sociedade em que reina a infelicidade e a insatisfação. Busca-se de forma irrefletida bens, posição, dinheiro, esquecendo-se de cultivar o “jardim” interior. O sábio de Samos considerava que para ser feliz, o ser humano deveria buscar três coisas: ter amigos; exercitar a sua liberdade e ser capaz de pensar por si mesmo, sem a tutela de outrem (pessoas, instituições, igrejas e poderes). Epicuro considerava que “de todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade”.
Tenório Telles
O que é a felicidade? Perguntou-me um jovem recentemente. Como o tema não me é estranho, de imediato lembrei-me de Epicuro e suas considerações sobre o assunto. Expus o meu ponto de vista, ilustrando-o com algumas ideias do pensador grego. Segundo ele, o objetivo da Filosofia é proporcionar ao ser humano o entendimento necessário para que possa alcançar a felicidade: estado em que as pessoas atingiriam a “aponia” (ausência de dor física) e a “ataraxia” (imperturbabilidade da alma).
Epicuro nasceu na ilha de Samos, em 241 a. C., e, ainda muito jovem, iniciou-se nos estudos de Filosofia com Pânfilo. Sem entusiasmo com o mestre, foi para Téos, onde estudou com Nausífanes, discípulo de Demócrito, de quem assimilou a teoria atomista, reformulando-lhe diversos pontos. Dedicou-se ao ensino em diversas cidades gregas até fundar, em Atenas, sua escola filosófica, que ficou conhecida como “O Jardim”, onde viveu com seus amigos e discípulos até sua morte. Teve uma existência simples, vivida de forma serena, despojada e bondosa.
Acreditava que os átomos eram eternos e todas as coisas eram formadas por eles. A morte física ocorreria pela desintegração dos átomos, que passariam a compor outros corpos. Epicuro imaginava com essa teoria explicar a natureza da vida e, assim, ajudar os homens a superar seus medos, especialmente o medo da morte e o medo dos deuses. Defendia uma outra visão em relação às divindades, que não atormentar os homens. Os deuses deveriam servir de modelos, pois eram vistos como representação da bem-aventurança e da harmonia, e não como seres vingadores.
Para Epicuro, a felicidade era uma conquista e estava associada à luta pela superação dos medos e das fragilidades. Entendia essa busca como um caminho marcado por desafios e percalços: entre eles, as dores e os prazeres. As dores físicas são inevitáveis, mas superáveis, especialmente pelas lembranças dos momentos felizes. As dores da alma são difíceis de ser vencidas. São inquietantes e podem durar indefinidamente. O remédio para esse tipo de infortúnio, segundo o filósofo, é a reflexão: “Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas, nem a obtenção de cargos ou o poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-na a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito que se mantenha nos limites impostos pela natureza”. Afirmava que as causas dos sofrimentos interiores eram as frustrações, os desejos insatisfeitos.
Um dos filósofos mais generosos e preocupados com a condição humana, Epicuro é um pensador que, ainda hoje, tem muito a nos dizer. Especialmente porque vivemos numa época em que as pessoas atribuem a felicidade à posse de bens materiais e à conquista de status e poder. Isso talvez explique o fato de vivermos numa sociedade em que reina a infelicidade e a insatisfação. Busca-se de forma irrefletida bens, posição, dinheiro, esquecendo-se de cultivar o “jardim” interior. O sábio de Samos considerava que para ser feliz, o ser humano deveria buscar três coisas: ter amigos; exercitar a sua liberdade e ser capaz de pensar por si mesmo, sem a tutela de outrem (pessoas, instituições, igrejas e poderes). Epicuro considerava que “de todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade”.
domingo, 11 de outubro de 2009
O Poeta de Orpheu
Em memória aos 75 anos da morte de Fernando Pessoa e Lançamento da Revista Identidade
De 19 a 21 de outubro, no Auditório Solimões, no ICHL UFAM
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935) é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa. O crítico literário Harold Bloom, considerou-o o mais representativo poeta do século XX.
A figura enigmática em que se tornou, movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o centro irradiador da heteronímia.
Morreu de cólica hepática aos 47 anos na mesma cidade onde nasceu, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa: “I know not watch tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).
A Revista Identidade elaborou este evento que marca o início das homenagens na UFAM em memória aos 75 anos da morte do poeta, que será completado em 2010.

Programação:
Dia 19 de outubro de 2009:
17h – Credenciamento;
18h – Abertura oficial, Lançamento da Revista e composição da mesa – José Farias (Coordenador de Eventos da Livraria e Editora Valer);
18h e 30min – Palestra com Professor Msc. Otávio Rios (UEA) - “Que farei quando tudo arde?” (Re)ler Florbela.
20h – Palestra com a Professora Prof. Msc. Nícia Zucolo – “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.
21h e 30min – Encerramento e Coquetel.
Dia 20 de outubro de 2009:
18h - Apresentação – José Farias;
18h e 10min – Leitura Interpretativa – Dori Carvalho
18h e 30min – Palestra com Prof.Dr. Gabriel Albuquerque (UFAM) – Pessanha, Pessoa - A poesia e o mar.
19h e 30min – Sorteio de livros.
20h – Encerramento.
Dia 21 de outubro de 2009:
18h e 30min – Palestra com o Prof. Dr. Maurício Matos (UFRJ) – Investigação sobre a morte de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa entre Si e seu Oposto.
20h e 30min – Sorteio de livros.
20h e 40min - Entrega dos Certificados
21h - Encerramento Oficial do Evento.
Em memória aos 75 anos da morte de Fernando Pessoa e Lançamento da Revista IdentidadeDe 19 a 21 de outubro, no Auditório Solimões, no ICHL UFAM
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935) é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa. O crítico literário Harold Bloom, considerou-o o mais representativo poeta do século XX.
A figura enigmática em que se tornou, movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o centro irradiador da heteronímia.
Morreu de cólica hepática aos 47 anos na mesma cidade onde nasceu, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa: “I know not watch tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).
A Revista Identidade elaborou este evento que marca o início das homenagens na UFAM em memória aos 75 anos da morte do poeta, que será completado em 2010.

Programação:
Dia 19 de outubro de 2009:
17h – Credenciamento;
18h – Abertura oficial, Lançamento da Revista e composição da mesa – José Farias (Coordenador de Eventos da Livraria e Editora Valer);
18h e 30min – Palestra com Professor Msc. Otávio Rios (UEA) - “Que farei quando tudo arde?” (Re)ler Florbela.
20h – Palestra com a Professora Prof. Msc. Nícia Zucolo – “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.
21h e 30min – Encerramento e Coquetel.
Dia 20 de outubro de 2009:
18h - Apresentação – José Farias;
18h e 10min – Leitura Interpretativa – Dori Carvalho
18h e 30min – Palestra com Prof.Dr. Gabriel Albuquerque (UFAM) – Pessanha, Pessoa - A poesia e o mar.
19h e 30min – Sorteio de livros.
20h – Encerramento.
Dia 21 de outubro de 2009:
18h e 30min – Palestra com o Prof. Dr. Maurício Matos (UFRJ) – Investigação sobre a morte de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa entre Si e seu Oposto.
20h e 30min – Sorteio de livros.
20h e 40min - Entrega dos Certificados
21h - Encerramento Oficial do Evento.
Veja o cartaz do evento.
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Otavio Rios
Querido Zé,
Só leia este e-mail quando estiver com muita paciência, pois hoje eu vim para enchê-lo!
Escrevo–te de uma tarde chuvosa de domingo. Estava tentando escrever, mas definitivamente nada sai. Por isso tirei algumas horas para pensar e percebi finalmente que estou cansada de tentar observar a vida dos outros e narrar suas vidas cotidianas. Eu enxergo as coisas por uma ótica diferente... Tenho vontade de ter estado em vários lugares, em vários momentos da vida.
Sinto vontade de escrever sobre como tudo na vida mudou. Vontade de me misturar às passagens das coisas e contar minuciosamente como acontece o desvendar dos dias, a passagens das horas...
Eu quero narrar os sentimentos e pensamentos que incomodam a humanidade. Quero entrar nos medos e contar cada minuto de agonia que um homem vive ao perder aquilo que lhe é caro. Ou sentir os tormentos do que lhe é inacessível. O mesmo medo que senti quando li o Horla de Maupassant. Passei uns dois dias desconfiada que tivesse um alguém invisível perto de mim, e ainda hoje, às vezes, quando olho para o meu copo vazio da água que deixei, me pergunto se fui eu mesma ou se foi o Horla...
Não quero falar de amor... Quero falar de entrega... Como se tudo o que eu narrasse acontecesse comigo... Por isso tenho andado tão inquieta e infeliz. Todos os dias uma voz maluca me convida a largar meu emprego e me entregar aos livros, sabe? Gostaria de viver para ler, viajar, conhecer e escrever. Um dia desses fui para um interior e nada valeu tão a pena quanto a travessia do rio. Na ida, fui à noite, e por mais de meia hora me perdi vendo um festival de estrelas sobre minha cabeça, olhando para o negro do rio e tentando imaginar quantos mistérios havia bem embaixo de mim. Mas, mais absurdo e encantador era o contraste da lua cheia com o azul marinho castigante do céu. Tudo tão belo e perfeito (e ainda há quem, como você, duvide da existência de Deus, pode?). Na volta de minha aventura, peguei a balsa de dia e fiquei igualmente maravilhada com a harmonia das árvores, com a mistura de cores, com o céu azul clarinho e as nuvens brincando de formar desenhos diversos, sem que ninguém os percebesse. Sem falar no rio – brilhando – parecia não ter fim... E então olhei para as pessoas ao meu redor: ninguém apreciava a beleza de todo aquele espetáculo ao nosso redor. Algumas pessoas dormiam em seus carros, nos ônibus, mas a grande maioria se divertia escutando um decadente forró e bebendo cerveja. Então tive dois pensamentos bem diferentes, mas que têm sido a causa do meu martírio – estou muito melosa?
Primeiro – em uma visão isolada de tudo.
Estar naquele lugar me fez querer desesperadamente conhecer mais do mundo. Ir para muitos lugares e me perder por horas somente admirando. Seria tão bom se o ser humano pudesse ser livre para simplesmente viver, colocar uma mochila nas costas e simplesmente ir. Gostaria muito de conhecer tudo o que é ligado à História, às pirâmides, ao trabalho dos Maias, Grécia, Roma... Enfim, quero muito um dia poder viver para isso, sabe? Pois acredito que eu só vou chegar onde eu quero no dia que muitas das minhas perguntas forem respondidas e eu sinto que seria mesmo necessária uma vida inteira entregue somente à cultura, aos livros, ao conhecimento (à busca dele), para que eu pudesse escrever com a precisão que eu busco...
O segundo pensamento foi com relação a mim e a todas as pessoas ali presentes.
Gostaria de poder ser como um profeta, um poeta ou um louco e subir em um lugar e começar a lhes chamar a atenção para tudo ao nosso redor. Me deu vontade, Zé, de começar a declamar em voz alta poemas e frases que fizessem com que aquelas pessoas saíssem daquele estado de cegueira e apreciassem toda a riqueza que temos de graça, e mais uma vez senti que meu livro tem que ser assim – como um grito no ouvido das pessoas. Como uma ordem de admiração à vida, como um apelo de resgate do ser humano.
Ai ai ai... eu sei que eu sou só mais uma a querer aquilo que não pode ter... E me dá uma frustração quando olho para minha vida e vejo que o tempo que tenho não é meu.
É da minha família, do meu trabalho, da minha faculdade, amigos e outros... O tempo que eu tenho para o que quero é mínimo e muitas vezes mal aproveitado, em razão do sono ou do cansaço . Mas eu sei que nada vem de graça e mesmo com tudo isso tenho que ir em busca do que quero...
Nessa mesma tarde de domingo em que te escrevo, estou jogando fora muitos dos rabiscos que fiz durante esses anos. E me entristeço em ver que os poemas da menininha de 14 anos, enfezada com a vida e acreditando no bem sobre todas as coisas, não se afastam muito do pensamento de uma mulher de 23 anos! E eu me pergunto... tipo, o que foi que eu fiz com meus últimos 10 anos? Já era tempo de ter crescido, amadurecido e de estar escrevendo bem melhor... E ao mesmo tempo em que me dá uma vontade de jogar tudo para o alto e esquecer esses delírios de ser escritora, sinto que não posso me abster disso, pois seria me afastar de mim mesmo. Racionalmente, não quero escrever, acho que não tenho talento para a coisa. Mas, emocional e apaixonadamente, sinto que a única coisa que me faz feliz é sentar na frente do meu laptop e fazer o que estou fazendo agora... Transmitir o que sinto em letrinhas miúdas... Risos.
Há uns dois meses comecei a estudar filosofia, por conta própria. Tenho lido pensamentos dos grandes filósofos e isso me tem feito mudar toda a concepção de vida e do que eu carregava desde os meus distantes cinco aninhos. Aí eu penso assim: em que a humanidade era tão diferente antes, a ponto de fazerem surgir idéias extremamente belas e inteligentes?
Nunca, em momento algum, vivemos um tempo de tantas informações e de tanto alcance a tudo; e então, por que nunca mais tivemos Einsteins, Descartes, Platões e tantos outros com pensamentos que até hoje impressionam. Antes, eles não tinham a metade do que temos hoje. Não tinham a nossa diversidade de livros, nem a nossa internet tão vasta; e por que eles e não nós? Por que agora, mesmo os homens mais inteligentes, não se comparam a eles?
Estou confusa e estressada com algumas das minhas escolhas. Por exemplo: larguei a faculdade de jornalismo para fazer administração. Escolhi administração por que o mercado é amplo e rico, mas minha vontade mesmo é de fazer letras, só que o mercado é muito estreito e não tem um retorno financeiro muito bom. Se eu trocar agora administração por letras, meu pai me mata. E se eu continuar estudando cálculos malucos e tão sem graça na faculdade, eu me mato! Enfim, estou à beira de um colapso nervoso! Acho que preciso de chocolate...
Creio que estudar vai me deixar maluca e quem sabe, quando louca, eu consiga enfim transmitir a você e à humanidade o que há represado em mim.
Queria escrever mais, querido, mas meu tempo acabou. Hora de voltar ao mundo real.
Eu avisei que ia te encher hoje. Perdão por ter te roubado teus minutos sem ao menos dizer de verdade por que comecei a te escrever... Até!
Nina
Só leia este e-mail quando estiver com muita paciência, pois hoje eu vim para enchê-lo!
Escrevo–te de uma tarde chuvosa de domingo. Estava tentando escrever, mas definitivamente nada sai. Por isso tirei algumas horas para pensar e percebi finalmente que estou cansada de tentar observar a vida dos outros e narrar suas vidas cotidianas. Eu enxergo as coisas por uma ótica diferente... Tenho vontade de ter estado em vários lugares, em vários momentos da vida.
Sinto vontade de escrever sobre como tudo na vida mudou. Vontade de me misturar às passagens das coisas e contar minuciosamente como acontece o desvendar dos dias, a passagens das horas...
Eu quero narrar os sentimentos e pensamentos que incomodam a humanidade. Quero entrar nos medos e contar cada minuto de agonia que um homem vive ao perder aquilo que lhe é caro. Ou sentir os tormentos do que lhe é inacessível. O mesmo medo que senti quando li o Horla de Maupassant. Passei uns dois dias desconfiada que tivesse um alguém invisível perto de mim, e ainda hoje, às vezes, quando olho para o meu copo vazio da água que deixei, me pergunto se fui eu mesma ou se foi o Horla...
Não quero falar de amor... Quero falar de entrega... Como se tudo o que eu narrasse acontecesse comigo... Por isso tenho andado tão inquieta e infeliz. Todos os dias uma voz maluca me convida a largar meu emprego e me entregar aos livros, sabe? Gostaria de viver para ler, viajar, conhecer e escrever. Um dia desses fui para um interior e nada valeu tão a pena quanto a travessia do rio. Na ida, fui à noite, e por mais de meia hora me perdi vendo um festival de estrelas sobre minha cabeça, olhando para o negro do rio e tentando imaginar quantos mistérios havia bem embaixo de mim. Mas, mais absurdo e encantador era o contraste da lua cheia com o azul marinho castigante do céu. Tudo tão belo e perfeito (e ainda há quem, como você, duvide da existência de Deus, pode?). Na volta de minha aventura, peguei a balsa de dia e fiquei igualmente maravilhada com a harmonia das árvores, com a mistura de cores, com o céu azul clarinho e as nuvens brincando de formar desenhos diversos, sem que ninguém os percebesse. Sem falar no rio – brilhando – parecia não ter fim... E então olhei para as pessoas ao meu redor: ninguém apreciava a beleza de todo aquele espetáculo ao nosso redor. Algumas pessoas dormiam em seus carros, nos ônibus, mas a grande maioria se divertia escutando um decadente forró e bebendo cerveja. Então tive dois pensamentos bem diferentes, mas que têm sido a causa do meu martírio – estou muito melosa?
Primeiro – em uma visão isolada de tudo.
Estar naquele lugar me fez querer desesperadamente conhecer mais do mundo. Ir para muitos lugares e me perder por horas somente admirando. Seria tão bom se o ser humano pudesse ser livre para simplesmente viver, colocar uma mochila nas costas e simplesmente ir. Gostaria muito de conhecer tudo o que é ligado à História, às pirâmides, ao trabalho dos Maias, Grécia, Roma... Enfim, quero muito um dia poder viver para isso, sabe? Pois acredito que eu só vou chegar onde eu quero no dia que muitas das minhas perguntas forem respondidas e eu sinto que seria mesmo necessária uma vida inteira entregue somente à cultura, aos livros, ao conhecimento (à busca dele), para que eu pudesse escrever com a precisão que eu busco...
O segundo pensamento foi com relação a mim e a todas as pessoas ali presentes.
Gostaria de poder ser como um profeta, um poeta ou um louco e subir em um lugar e começar a lhes chamar a atenção para tudo ao nosso redor. Me deu vontade, Zé, de começar a declamar em voz alta poemas e frases que fizessem com que aquelas pessoas saíssem daquele estado de cegueira e apreciassem toda a riqueza que temos de graça, e mais uma vez senti que meu livro tem que ser assim – como um grito no ouvido das pessoas. Como uma ordem de admiração à vida, como um apelo de resgate do ser humano.
Ai ai ai... eu sei que eu sou só mais uma a querer aquilo que não pode ter... E me dá uma frustração quando olho para minha vida e vejo que o tempo que tenho não é meu.
É da minha família, do meu trabalho, da minha faculdade, amigos e outros... O tempo que eu tenho para o que quero é mínimo e muitas vezes mal aproveitado, em razão do sono ou do cansaço . Mas eu sei que nada vem de graça e mesmo com tudo isso tenho que ir em busca do que quero...
Nessa mesma tarde de domingo em que te escrevo, estou jogando fora muitos dos rabiscos que fiz durante esses anos. E me entristeço em ver que os poemas da menininha de 14 anos, enfezada com a vida e acreditando no bem sobre todas as coisas, não se afastam muito do pensamento de uma mulher de 23 anos! E eu me pergunto... tipo, o que foi que eu fiz com meus últimos 10 anos? Já era tempo de ter crescido, amadurecido e de estar escrevendo bem melhor... E ao mesmo tempo em que me dá uma vontade de jogar tudo para o alto e esquecer esses delírios de ser escritora, sinto que não posso me abster disso, pois seria me afastar de mim mesmo. Racionalmente, não quero escrever, acho que não tenho talento para a coisa. Mas, emocional e apaixonadamente, sinto que a única coisa que me faz feliz é sentar na frente do meu laptop e fazer o que estou fazendo agora... Transmitir o que sinto em letrinhas miúdas... Risos.
Há uns dois meses comecei a estudar filosofia, por conta própria. Tenho lido pensamentos dos grandes filósofos e isso me tem feito mudar toda a concepção de vida e do que eu carregava desde os meus distantes cinco aninhos. Aí eu penso assim: em que a humanidade era tão diferente antes, a ponto de fazerem surgir idéias extremamente belas e inteligentes?
Nunca, em momento algum, vivemos um tempo de tantas informações e de tanto alcance a tudo; e então, por que nunca mais tivemos Einsteins, Descartes, Platões e tantos outros com pensamentos que até hoje impressionam. Antes, eles não tinham a metade do que temos hoje. Não tinham a nossa diversidade de livros, nem a nossa internet tão vasta; e por que eles e não nós? Por que agora, mesmo os homens mais inteligentes, não se comparam a eles?
Estou confusa e estressada com algumas das minhas escolhas. Por exemplo: larguei a faculdade de jornalismo para fazer administração. Escolhi administração por que o mercado é amplo e rico, mas minha vontade mesmo é de fazer letras, só que o mercado é muito estreito e não tem um retorno financeiro muito bom. Se eu trocar agora administração por letras, meu pai me mata. E se eu continuar estudando cálculos malucos e tão sem graça na faculdade, eu me mato! Enfim, estou à beira de um colapso nervoso! Acho que preciso de chocolate...
Creio que estudar vai me deixar maluca e quem sabe, quando louca, eu consiga enfim transmitir a você e à humanidade o que há represado em mim.
Queria escrever mais, querido, mas meu tempo acabou. Hora de voltar ao mundo real.
Eu avisei que ia te encher hoje. Perdão por ter te roubado teus minutos sem ao menos dizer de verdade por que comecei a te escrever... Até!
Nina
sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Careiro da Várzea recebe o Flifloresta

Os espaços que receberão o Festival no Careiro da Várzea são a Praça da Liberdade e o Espaço Cultural da Escola Estadual Coronel Fiúza. Dentre as atividades estão: Simpósio de Leitura e Formação de Leitores, Café Literário, Oficinas de Leitura e Criação Literária, Exposição de Livros, Sessões de Autógrafos com Autores Convidados, Inauguração das atividades da Biblioteca Municipal Professora Luzia Izabel Monteiro Sales Veiga e atrações culturais. Como forma de incentivar a leitura, entre a população serão distribuídos centenas de obras durante a programação.
O Flifloresta é um Festival Literário concebido para ser um momento de celebração do livro, promovendo o encontro dos autores com os leitores. Tem como meta ser um ponto de convergência e diálogo entre os artistas da palavra da Amazônia, enriquecido com a presença de escritores da Amazônia. O que fundamenta a sua existência é, portanto, a defesa do livro, a promoção da leitura e a luta pela construção de uma nova consciência social, fundamentada no conhecimento, nos valores estéticos e defesa da liberdade como condição para construção de um mundo mais justo e solidário.
Escritores e personalidades ligados à literatura são convidados para participar de mesas temáticas, palestras, debates, lançar e autografar suas obras durante o Flifloresta.
Programação
Evento: Flifloresta/Careiro da Várzea– 2009
Data: 15, 16 e 17 de outubro
Sede do Evento: Careiro da Várzea
Contatos: Careiro da Várzea
Valdenir Fábio de Moraes 3369-2149
Francisco Junior 8135-1227 fjpfreitas@hotmail.com
Denison Santos 8176-6959 careirodavarzea@bol.com.br

Dando continuidade ao projeto de expansão do Flifloresta para os municípios amazonenses, nos dias 15, 16 e 17 de outubro, realizar-se-á o FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL DA FLORESTA de CAREIRO DA VÁRZEA, com a participação de vários escritores, intelectuais e artistas que tomarão parte no evento. O autor homenageado é o poeta Almir Diniz, filho ilustre do município. O evento está sendo organizado pela Prefeitura de Careiro da Várzea, Secretaria Municipal de Educação, Seduc – Coordenação Municipal, com o apoio da Câmara Amazonense do Livro e Leitura, Livraria e Editora Valer e Coordenação Regional do Flifloresta Amazonas.
Nos dias 15, 16 e 17 de outubro, escritores e artistas se dividem em palestras, debates, exposições e apresentações musicais que acontecerão no município de Careiro da Várzea. Esta edição do Flifloresta leva ao interior do Amazonas o contato com obras e autores importantes da literatura regional e brasileira. Ao mesmo tempo em que terá como referência a literatura, o Flifloresta patrocinará discussões e debates sobre questões relativas à leitura e à formação de leitores. Faz parte da programação o SIMPÓSIO DE LEITURA E FORMAÇÃO DE LEITORES e o CAFÉ LITERÁRIO, momento em que os autores falarão de suas experiências, com a leitura e a criação literária.
O evento contará com a participação de escritores como Thiago de Mello, que fará a palestra de abertura, Tenório Telles, Zemaria Pinto, Jorge Bandeira, Abrahim Baze, Marcos Frederico Krüger, Ivânia Vieira, Mazé Mourão, Ana Peixoto, Dori Carvalho, Nelson Castro, Rayder Coelho e dos poetas do Clube Literário do Amazonas – CLAM, dentre outros. Além de artistas do próprio município, haverá os shows de Candinho & Inês e do poeta Celdo Braga, com o grupo Imbaúba. O grande homenageado desta edição será o escritor Almir Diniz de Carvalho, nascido no município, e que está completando 80 anos.
Nos dias 15, 16 e 17 de outubro, escritores e artistas se dividem em palestras, debates, exposições e apresentações musicais que acontecerão no município de Careiro da Várzea. Esta edição do Flifloresta leva ao interior do Amazonas o contato com obras e autores importantes da literatura regional e brasileira. Ao mesmo tempo em que terá como referência a literatura, o Flifloresta patrocinará discussões e debates sobre questões relativas à leitura e à formação de leitores. Faz parte da programação o SIMPÓSIO DE LEITURA E FORMAÇÃO DE LEITORES e o CAFÉ LITERÁRIO, momento em que os autores falarão de suas experiências, com a leitura e a criação literária.
O evento contará com a participação de escritores como Thiago de Mello, que fará a palestra de abertura, Tenório Telles, Zemaria Pinto, Jorge Bandeira, Abrahim Baze, Marcos Frederico Krüger, Ivânia Vieira, Mazé Mourão, Ana Peixoto, Dori Carvalho, Nelson Castro, Rayder Coelho e dos poetas do Clube Literário do Amazonas – CLAM, dentre outros. Além de artistas do próprio município, haverá os shows de Candinho & Inês e do poeta Celdo Braga, com o grupo Imbaúba. O grande homenageado desta edição será o escritor Almir Diniz de Carvalho, nascido no município, e que está completando 80 anos.
Os espaços que receberão o Festival no Careiro da Várzea são a Praça da Liberdade e o Espaço Cultural da Escola Estadual Coronel Fiúza. Dentre as atividades estão: Simpósio de Leitura e Formação de Leitores, Café Literário, Oficinas de Leitura e Criação Literária, Exposição de Livros, Sessões de Autógrafos com Autores Convidados, Inauguração das atividades da Biblioteca Municipal Professora Luzia Izabel Monteiro Sales Veiga e atrações culturais. Como forma de incentivar a leitura, entre a população serão distribuídos centenas de obras durante a programação.
O Flifloresta é um Festival Literário concebido para ser um momento de celebração do livro, promovendo o encontro dos autores com os leitores. Tem como meta ser um ponto de convergência e diálogo entre os artistas da palavra da Amazônia, enriquecido com a presença de escritores da Amazônia. O que fundamenta a sua existência é, portanto, a defesa do livro, a promoção da leitura e a luta pela construção de uma nova consciência social, fundamentada no conhecimento, nos valores estéticos e defesa da liberdade como condição para construção de um mundo mais justo e solidário.
Escritores e personalidades ligados à literatura são convidados para participar de mesas temáticas, palestras, debates, lançar e autografar suas obras durante o Flifloresta.
Programação
Evento: Flifloresta/Careiro da Várzea– 2009
Data: 15, 16 e 17 de outubro
Sede do Evento: Careiro da Várzea
Contatos: Careiro da Várzea
Valdenir Fábio de Moraes 3369-2149
Francisco Junior 8135-1227 fjpfreitas@hotmail.com
Denison Santos 8176-6959 careirodavarzea@bol.com.br
Contatos Manaus:
Carlos Lodi – 8159-3928 carloslodia@terra.com.br
Tenório Telles – 8124-6478 tenoriotelles@hotmail.com
José Farias – 9131-3004 fariasmanaus@gmail.com
Isaac Maciel – 8416-0687
Carlos Lodi – 8159-3928 carloslodia@terra.com.br
Tenório Telles – 8124-6478 tenoriotelles@hotmail.com
José Farias – 9131-3004 fariasmanaus@gmail.com
Isaac Maciel – 8416-0687
Sonhos com o Bruxo
Inácio Oliveira
Sabe, doutor, eu ando sonhando com o Machado de Assis; não é estranho que eu ande sonhando com o Machado de Assis?
No sonho percebo que nós moramos no mesmo bairro, uma paisagem antiga. É uma rua cheia de árvores, sombreada e tranquila; está entardecendo, eu vou andando pela rua, ele está lá, sentado numa cadeira em frente à um sobrado velho, então ele me chama de Dico.
Só os íntimos me chamam de Dico, doutor, para os outros eu sou sempre o Vadico. Não sei porque o Machado me chama de Dico, acho que é por que com o tempo um escritor que a gente gosta muito acaba ficando íntimo da gente ou a gente dele, vai saber...
Olha, doutor, o bom escritor é aquele que quando a gente acaba de ler dá vontade de ser amigo dele, de morar na mesma rua, ir na casa dele, receber ele na casa da gente, falar das coisas que a gente pensa sabendo que ele vai nos entender, ser amigo mesmo, sabe?
O único escritor que eu teria vontade de ser amigo é o Machado de Assis. O Machado é o meu herói: mulato, pobre, órfão, gago e epilético no Brasil do século XIX; e veja só, ainda hoje ele continua aí, essa sombra indomável.
E há esses otários todos escrevendo e se exibindo, achando que estão vivendo o auge da História. Eles têm mesmo é a obrigação de serem melhores que o Machado de Assis, mas eles não o são, é por isso que eu só leio o Machado.
Em casa tenho todos os livros dele, só não tenho os livros que escreveram sobre ele, são todos uns otários também, não sabem nada do Machado. Eu é que sei, doutor, sonho com ele e conversamos muito, mas não é o Machado irônico-sarcástico dos críticos; é um Machado amigo, humano, chato às vezes, e é por isso que ele é só meu.
Olha, doutor, eu já quis ser todos os personagens machadianos; na verdade eu já fui todos os personagens machadianos, principalmente o Quincas Borba; acho que todo mundo é um pouco Quincas Borba.
O que eu não gosto, doutor, é do Bentinho, um corno indeciso que não tem nem certeza se é corno, o que eu gosto mesmo é o Machado atrás de tudo tocando fogo na alma dele e na nossa também quando a gente lê; é como se o suposto chifre do Bentinho também fosse nosso e cada um de nós também amasse uma Capitu, mas o Bentinho não amava a Capitu, talvez amasse o Escobar, mas não amava a Capitu.
Ser traído, doutor, é uma coisa muito forte, eu já fui traído e se a gente pensa muito nisso acaba ficando muito casmurro mesmo com o tempo. A Elza foi a minha Capitu, o senhor sabe, aquele grande safada, a prostituta sagrada da minha vida. Todo homem tem direito à sua Capitu, doutor, uma mulher que seja mais que uma simples mulher, que seja um acontecimento, que seja aquele preciso instante na vida de um homem em que tudo se explica e ao mesmo tempo nada mais faça sentido. A Elza foi assim na minha vida. Uma mulher é sempre capaz de levar um homem à loucura ou à santidade.
Uma coisa eu sei, doutor, só quem pode nos ferir de verdade são aqueles a quem amamos. Foi assim com a Elza, fizemos tão mal um ao outro, sempre na mesma proporção em que nos amávamos.
Eu esperava que tudo ficasse bem, doutor, sabia que era preciso fazer alguma coisa, mas eu não sabia o que fazer. A gente espera que o amor nos salve, a gente está sempre esperando que alguma coisa nos salve e o amor, às vezes, nos salva mesmo, mas no nosso caso isso não aconteceu.
Ela morreu sozinha num canto esquecido, acho que morrer foi sua vingança contra mim, porque depois que ela morreu tudo ficou assim mal resolvido, pela metade e pela metade, doutor, nada presta e o pior é que a gente se acostuma a fazer as coisas pela metade. A gente trabalha pela metade, a gente tira férias pela metade, a gente faz amor pela metade, a gente se diverte pela metade (às vezes nem isso), a gente vive pela metade, sempre pela metade, doutor.
É por isso que eu amo o Machado, tudo que ele fez foi perfeito, completo, inteiro, nunca bajulou ninguém, ele era o senhor do seu próprio mundo. Não sei porque, doutor, mas eu tenho essa obsessão pelo Machado de Assis e eu não estou sozinho, tenho comigo os livros dele. O senhor acha que eu sou louco?
5 haicais franceses – II
Cet petite tortue
de jade vert simbolise
ma passion pour toi.
Le petit trou
Des haiku ne sert
Qui a parler de bêtises.
“Le Carrefour des Lepreux”:
un point de reférence
de la ville de Manaus.
Et faisant des haiku
parfois je pense qui fait
un rôle de idiot.
A quoi sert le haiku?
ça vá: pour dire
plusieurs de bêtises.
Luiz Bacellar
Cet petite tortue
de jade vert simbolise
ma passion pour toi.
Le petit trou
Des haiku ne sert
Qui a parler de bêtises.
“Le Carrefour des Lepreux”:
un point de reférence
de la ville de Manaus.
Et faisant des haiku
parfois je pense qui fait
un rôle de idiot.
A quoi sert le haiku?
ça vá: pour dire
plusieurs de bêtises.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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Práticas de curas na pré-história
De modo geral, quando se pensa a Medicina como uma especialidade social relacionada ao tratamento de doenças, existe a tendência de associá-la aos médicos e hospitais como partes indispensáveis ao exercício da cura das moléstias. Ao contrário desse pressuposto, hipervalorizado nos últimos cem anos, historicamente, as práticas de curas também envolveram outros agentes sociais também reconhecidos como curadores.
O certo é que as ações manuais humanas, usando ou não instrumentos, sobre outros homens e mulheres, para interromper as ameaças à vida, se perdem no tempo. Mesmo com escassos registros, as análises arqueológicas e paleopatológicas são competentes para estabelecer evidências de algumas práticas de curas na pré-história, em torno de 10.000 a.C.
É razoável pressupor que os grupos de Homo sapiens caçadores e coletores, presentes na Europa central, nesse período, em permanente enfrentamento das condições climáticas gélidas, na metade do ano, nas disputas pessoais ou com outros animais, priorizassem a sobrevivência em torno da segurança pessoal e coletiva.
A possibilidade de alguém ferir-se, determinando imobilidade, ou morrer, causando mudança no equilíbrio do grupo, podem ter provocado a especialização de alguns membros, que se voltaram à busca de soluções, estruturando os primeiros passos da arqueologia do curador.
Viver era o mais importante!
Nesta fase, quando o homem primitivo começou a tentar modificar o processo da vida para evitar a morte temida – fez-se médico.
Assim, as primeiras práticas de cura concretizaram-se na pré-história em comunidade ágrafas. A ação intencional do homem sobre o homem com intenção de mudar o curso da morte data de 25.000 anos, com o achado do osso do braço de um neanderthal que foi submetido à amputação. A cirurgia foi bem sucedida e o homem viveu muito tempo após a intervenção cirúrgica.
Sem dúvida, muitas doenças que existem até hoje estavam presentes muito antes do aparecimento do Homo sapiens. A questão maior é procurar entender como os nossos ancestrais se relacionavam com certas doenças, na luta cotidiana pela sobrevivência.
O estudo dos fósseis mostra que o homem pré-histórico estava sujeito a muitas doenças semelhantes as que nós, homens modernos, continuamos enfrentando. A fratura traumática representou uma das mais frequentes. Em algumas, confirmou-se sinais evidentes de infecção do osso, a osteomielite, igual a que se encontra nos hospitais de hoje. Também, evidência de doenças sistêmicas, não traumáticas, como a gota das cavernas, uma espécie de reumatismo do homem pré-histórico.
Infelizmente, as pesquisas arqueológicas jamais encontraram corpos ou órgãos anteriores a 7.000 anos. Por outro lado, foram identificadas várias bactérias pré-históricas fossilizadas. O pólen de Nenúfar, designação de diversas plantas da família das ninfeáceas, capazes de determinar reação alérgica no homem atual, existe desde o pleistoceno médio, isto é, em torno de 100.000 anos.
A tuberculose óssea na coluna vertebral, problema médico frequente nos países subdesenvolvidos, inclusive no Brasil, foi documentada por achado de esqueleto de homem do período Neolítico, em torno de 7.000 anos a.C., constituindo-se, sem dúvida, no primeiro exemplar médico de tuberculose óssea.
O achado das doenças na pré-história é indiscutível. Porém, interessa conhecer como os homens primitivos iniciaram a luta para conservar a saúde e evitar a morte. Nesse sentido, é possível teorizar comparando os comportamentos dos neandertalenses e outros ancestrais com os de certos animais quando estão feridos ou doentes: lambem os ferimentos, fazem limpeza mútua e comem plantas eméticas.
É provável que os homens pré-históricos tivessem se comportado de modo semelhante, fazendo a sucção da área ferida sangrante e pressionando o local para parar a hemorragia, construindo as primeiras medidas terapêuticas utilizadas pelos nossos antepassados.
Perdura a questão da existência de ritual mítico-religioso ligado à busca das causas e das soluções das doenças. Na gruta de Trois Frères, no Sul da França, é extraordinariamente significativa a pintura rupestre de um personagem em movimento de dança, datando de 10.000 anos a.C., travestido de cervo, em atitude que sugere ritual médico-mítico. De certo modo, é semelhante ao ritual da dança dos bisões, praticado pelo pajé, no Norte dos Estados Unidos, durante cerimônia simbolizando o poder animal na cura das doenças.
Durante o Neolitico, entre 10.000 a 7.000 anos a.C., o homem passou a incorporar procedimentos empíricos no tratamento das doenças. Algumas vezes, extremamente agressivos, como a trepanação do crânio, isto é a abertura da cavidade craniana com o auxilio de instrumentos suficientemente fortes para cortar os ossos que protegem o cérebro.
É facilmente comprovado que alguns dos homens pré-históricos que sofreram essa “cirurgia” sobreviveram muito tempo após a realização, o suficiente para favorecer novo crescimento do osso cortado.
Foram encontradas dezenas de outros crânios, com marcas semelhantes e com datações muito mais recentes, comprovadas pelo carbono 14, no altiplano boliviano e em algumas ilhas do Pacífico, em culturas que não tiveram contato interétnico sugerindo que o conteúdo do crânio tem sido entendido com maior importância, relacionado às doenças, se comparado com outras áreas do corpo.
João Bosco Botelho
De modo geral, quando se pensa a Medicina como uma especialidade social relacionada ao tratamento de doenças, existe a tendência de associá-la aos médicos e hospitais como partes indispensáveis ao exercício da cura das moléstias. Ao contrário desse pressuposto, hipervalorizado nos últimos cem anos, historicamente, as práticas de curas também envolveram outros agentes sociais também reconhecidos como curadores.
O certo é que as ações manuais humanas, usando ou não instrumentos, sobre outros homens e mulheres, para interromper as ameaças à vida, se perdem no tempo. Mesmo com escassos registros, as análises arqueológicas e paleopatológicas são competentes para estabelecer evidências de algumas práticas de curas na pré-história, em torno de 10.000 a.C.
É razoável pressupor que os grupos de Homo sapiens caçadores e coletores, presentes na Europa central, nesse período, em permanente enfrentamento das condições climáticas gélidas, na metade do ano, nas disputas pessoais ou com outros animais, priorizassem a sobrevivência em torno da segurança pessoal e coletiva.
A possibilidade de alguém ferir-se, determinando imobilidade, ou morrer, causando mudança no equilíbrio do grupo, podem ter provocado a especialização de alguns membros, que se voltaram à busca de soluções, estruturando os primeiros passos da arqueologia do curador.
Viver era o mais importante!
Nesta fase, quando o homem primitivo começou a tentar modificar o processo da vida para evitar a morte temida – fez-se médico.
Assim, as primeiras práticas de cura concretizaram-se na pré-história em comunidade ágrafas. A ação intencional do homem sobre o homem com intenção de mudar o curso da morte data de 25.000 anos, com o achado do osso do braço de um neanderthal que foi submetido à amputação. A cirurgia foi bem sucedida e o homem viveu muito tempo após a intervenção cirúrgica.
Sem dúvida, muitas doenças que existem até hoje estavam presentes muito antes do aparecimento do Homo sapiens. A questão maior é procurar entender como os nossos ancestrais se relacionavam com certas doenças, na luta cotidiana pela sobrevivência.
O estudo dos fósseis mostra que o homem pré-histórico estava sujeito a muitas doenças semelhantes as que nós, homens modernos, continuamos enfrentando. A fratura traumática representou uma das mais frequentes. Em algumas, confirmou-se sinais evidentes de infecção do osso, a osteomielite, igual a que se encontra nos hospitais de hoje. Também, evidência de doenças sistêmicas, não traumáticas, como a gota das cavernas, uma espécie de reumatismo do homem pré-histórico.
Infelizmente, as pesquisas arqueológicas jamais encontraram corpos ou órgãos anteriores a 7.000 anos. Por outro lado, foram identificadas várias bactérias pré-históricas fossilizadas. O pólen de Nenúfar, designação de diversas plantas da família das ninfeáceas, capazes de determinar reação alérgica no homem atual, existe desde o pleistoceno médio, isto é, em torno de 100.000 anos.
A tuberculose óssea na coluna vertebral, problema médico frequente nos países subdesenvolvidos, inclusive no Brasil, foi documentada por achado de esqueleto de homem do período Neolítico, em torno de 7.000 anos a.C., constituindo-se, sem dúvida, no primeiro exemplar médico de tuberculose óssea.
O achado das doenças na pré-história é indiscutível. Porém, interessa conhecer como os homens primitivos iniciaram a luta para conservar a saúde e evitar a morte. Nesse sentido, é possível teorizar comparando os comportamentos dos neandertalenses e outros ancestrais com os de certos animais quando estão feridos ou doentes: lambem os ferimentos, fazem limpeza mútua e comem plantas eméticas.
É provável que os homens pré-históricos tivessem se comportado de modo semelhante, fazendo a sucção da área ferida sangrante e pressionando o local para parar a hemorragia, construindo as primeiras medidas terapêuticas utilizadas pelos nossos antepassados.
Perdura a questão da existência de ritual mítico-religioso ligado à busca das causas e das soluções das doenças. Na gruta de Trois Frères, no Sul da França, é extraordinariamente significativa a pintura rupestre de um personagem em movimento de dança, datando de 10.000 anos a.C., travestido de cervo, em atitude que sugere ritual médico-mítico. De certo modo, é semelhante ao ritual da dança dos bisões, praticado pelo pajé, no Norte dos Estados Unidos, durante cerimônia simbolizando o poder animal na cura das doenças.
Durante o Neolitico, entre 10.000 a 7.000 anos a.C., o homem passou a incorporar procedimentos empíricos no tratamento das doenças. Algumas vezes, extremamente agressivos, como a trepanação do crânio, isto é a abertura da cavidade craniana com o auxilio de instrumentos suficientemente fortes para cortar os ossos que protegem o cérebro.
É facilmente comprovado que alguns dos homens pré-históricos que sofreram essa “cirurgia” sobreviveram muito tempo após a realização, o suficiente para favorecer novo crescimento do osso cortado.
Foram encontradas dezenas de outros crânios, com marcas semelhantes e com datações muito mais recentes, comprovadas pelo carbono 14, no altiplano boliviano e em algumas ilhas do Pacífico, em culturas que não tiveram contato interétnico sugerindo que o conteúdo do crânio tem sido entendido com maior importância, relacionado às doenças, se comparado com outras áreas do corpo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Delírio coletivo – I
Há nos campos verdejantes da vida certos delírios coletivos. Nesses campos ditos, o escritor percebe os lobos. Vê a maneira como eles se olham e se cheiram. E de como abrem suas bocas e mostram os dentes caninos. Precisam fazer isso. Na verdade sentem muito medo de serem mordidos e enxotados. Por isso, precisam mostrar a força e a determinação dos seus dentes. Afinal, são todos uns lobos famintos.
.
(Marco Adolfs)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Juventude transviada
Viver nestes dias é mais que um desafio, é um exercício de perseverança, confiança e fé. Diante do absurdo, violência e falta de sentido que marcam o cotidiano, é imperativo manter-se esperançoso e confiante, sob pena de sucumbirmos, de sermos tragados pelo desânimo e pela indiferença. Todos os dias somos postos à prova: enfrentar incompreensões, maldades e a hipocrisia de uma sociedade que virou as costas para o cultivo dos valores e esvaziou de sentido o espaço do sagrado.
Essa situação explica o triunfo do individualismo, do sucesso a qualquer custo e da cultura de resultado que determinam as relações e práticas sociais. Para os que vivem sob as imposições dessa lógica perversa, não importa se os comportamentos e os meios são ilícitos ou reprováveis, o que importa para esses seres, despojados de qualquer fundamento moral, ético ou religioso, é o triunfo, o resultado... ter sucesso, dinheiro, visibilidade. Ser admirado, mesmo que essa admiração seja fruto de ações espúrias. O fim justifica tudo.
Essas reflexões nasceram a partir de duas situações que testemunhei nos últimos dias: a primeira, foi uma conversa, entre autoridades, que ouvi e fiquei inquieto. Uma senhora influente dizia que não entendia o porquê “desses jovens, filhos de famílias ricas, só quererem saber de cheirar cocaína e de farras...” Complementou sua observação lamentando o fato de eles não aproveitarem as condições que têm para estudar, “ser gente”. Fiquei imaginando a situação desses jovens, ponderando os motivos que os levam a seguir esse caminho tenebroso, para muitos, sem volta. É uma situação muito grave não só para as famílias envolvidas, mas para o País. São rapazes e moças, com potencialidades, que poderiam crescer intelectual e profissionalmente e ajudar positivamente a sociedade.
Algo grave está acontecendo com as famílias. Por vivermos numa sociedade permissiva e consumista, perdeu-se o sentido da própria vida e os valores se inverteram: o ter triunfou sobre a bondade e a nobreza. Neste mundo de virtualidades, ser feliz é ter dinheiro, poder e, principalmente, ostentar. Ser inteligente é coisa de gente antiquada, como dizem: de cdf. O que importa é ser esperto. As crianças, desde tenra idade, são estimuladas a consumir e são criadas sem limites, impondo às suas famílias a sua tirania e vontades. E, assim, crescem cheias de si e arrogantes, transformando os pais em reféns de seus desejos de consumo e imposições. A pressão exercida pelos meios de comunicação agravam essa situação: impõem modas, comportamentos, a compra, a cerveja, o cigarro, a música de péssimo gosto, a sedução, a banalização de tudo. Esses estímulos são assimilados de forma acrítica, sem o questionamento e orientação dos familiares.
A segunda situação é uma confirmação desse caos familiar e social em que vivemos: os jornais noticiaram esta semana a prisão de uma quadrilha de jovens de famílias ricas. Estavam envolvidos com o tráfico, distribuindo drogas em festas e universidades. Oito jovens com todas as possibilidades para construir uma vida plena de realizações, mas que fizeram a escolha errada. O secretário de segurança pública do Rio de Janeiro se diz “assustado com a juventude que a sociedade está produzindo”. Todos se perguntam: o que está acontecendo? Enquanto tantos jovens são impulsionados para o crime por falta de condições, outros trilham esse caminho pela falta de sentido e de razão para viver. Não foram ensinados a sonhar, ter esperança e, por isso, se desviaram. Um desafio se impõe aos cidadãos e homens de boa vontade: urge salvar nossos jovens.
Tenório Telles
Viver nestes dias é mais que um desafio, é um exercício de perseverança, confiança e fé. Diante do absurdo, violência e falta de sentido que marcam o cotidiano, é imperativo manter-se esperançoso e confiante, sob pena de sucumbirmos, de sermos tragados pelo desânimo e pela indiferença. Todos os dias somos postos à prova: enfrentar incompreensões, maldades e a hipocrisia de uma sociedade que virou as costas para o cultivo dos valores e esvaziou de sentido o espaço do sagrado.
Essa situação explica o triunfo do individualismo, do sucesso a qualquer custo e da cultura de resultado que determinam as relações e práticas sociais. Para os que vivem sob as imposições dessa lógica perversa, não importa se os comportamentos e os meios são ilícitos ou reprováveis, o que importa para esses seres, despojados de qualquer fundamento moral, ético ou religioso, é o triunfo, o resultado... ter sucesso, dinheiro, visibilidade. Ser admirado, mesmo que essa admiração seja fruto de ações espúrias. O fim justifica tudo.
Essas reflexões nasceram a partir de duas situações que testemunhei nos últimos dias: a primeira, foi uma conversa, entre autoridades, que ouvi e fiquei inquieto. Uma senhora influente dizia que não entendia o porquê “desses jovens, filhos de famílias ricas, só quererem saber de cheirar cocaína e de farras...” Complementou sua observação lamentando o fato de eles não aproveitarem as condições que têm para estudar, “ser gente”. Fiquei imaginando a situação desses jovens, ponderando os motivos que os levam a seguir esse caminho tenebroso, para muitos, sem volta. É uma situação muito grave não só para as famílias envolvidas, mas para o País. São rapazes e moças, com potencialidades, que poderiam crescer intelectual e profissionalmente e ajudar positivamente a sociedade.
Algo grave está acontecendo com as famílias. Por vivermos numa sociedade permissiva e consumista, perdeu-se o sentido da própria vida e os valores se inverteram: o ter triunfou sobre a bondade e a nobreza. Neste mundo de virtualidades, ser feliz é ter dinheiro, poder e, principalmente, ostentar. Ser inteligente é coisa de gente antiquada, como dizem: de cdf. O que importa é ser esperto. As crianças, desde tenra idade, são estimuladas a consumir e são criadas sem limites, impondo às suas famílias a sua tirania e vontades. E, assim, crescem cheias de si e arrogantes, transformando os pais em reféns de seus desejos de consumo e imposições. A pressão exercida pelos meios de comunicação agravam essa situação: impõem modas, comportamentos, a compra, a cerveja, o cigarro, a música de péssimo gosto, a sedução, a banalização de tudo. Esses estímulos são assimilados de forma acrítica, sem o questionamento e orientação dos familiares.
A segunda situação é uma confirmação desse caos familiar e social em que vivemos: os jornais noticiaram esta semana a prisão de uma quadrilha de jovens de famílias ricas. Estavam envolvidos com o tráfico, distribuindo drogas em festas e universidades. Oito jovens com todas as possibilidades para construir uma vida plena de realizações, mas que fizeram a escolha errada. O secretário de segurança pública do Rio de Janeiro se diz “assustado com a juventude que a sociedade está produzindo”. Todos se perguntam: o que está acontecendo? Enquanto tantos jovens são impulsionados para o crime por falta de condições, outros trilham esse caminho pela falta de sentido e de razão para viver. Não foram ensinados a sonhar, ter esperança e, por isso, se desviaram. Um desafio se impõe aos cidadãos e homens de boa vontade: urge salvar nossos jovens.
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