Pedro Lucas Lindoso
Meu
amigo Rômulo Sena me pede para escrever algo especial ou alguma experiência
sobre a BR-319.
Como
cronista inveterado. Há tempos não uso essa palavra – inveterado. Mas é que já
escrevo crônicas faz muito tempo mesmo. Pois bem, como qualquer cronista, fico
matutando temas para minhas crônicas. Eureka! O pedido do Rômulo pode dar uma
boa crônica. Vamos lá.
Eu era
um jovem adulto, amazonense, morador em Brasília, quando foi inaugurada, toda
asfaltadinha, a BR-319. Essa mesma que tanto falam que vai ligar Manaus ao
resto do Brasil. Era o ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1976. Os
jornais anunciavam a abertura da rodovia de 885 km conectando Manaus a Porto
Velho. Com todos os trechos asfaltados e
tempo de viagem estimado em doze horas.
Recebíamos
jornais de Manaus em nossa casa em Brasília. Além das festividades de
inauguração, os jornais noticiavam a travessia de bicicleta de dois ciclistas
amazonenses que percorreram o trajeto ida e volta, até Porto Velho, para
celebrar a inauguração da tão esperada rodovia.
Pronto,
pensei. Vou para Manaus no meu fusquinha. A maioria das pessoas da minha
geração tiveram um fusca como primeiro e inesquecível carro.
Dias
depois, estava comendo uma pizza na Dom Bosco. Um boteco tradicional que vende
uma pizza caseira e diferenciada em Brasília. Uma das poucas pizzarias do mundo
que se come pizza em pedaços, na mão e em pé. E até na calçada. Existe até
hoje. Todo brasiliense raiz conhece. Fica na famosa 107/108 Sul, conhecida como
Rua da Igrejinha.
Eu
estava comendo uma pizza quando estaciona, na minha frente, um carro com placa
de Manaus! Aquilo foi uma alegria.
Fui,
claro, conversar com o ilustre conterrâneo. Chamava-se Carlos, morava no
Japiim. Era contador. Trabalhava com o pai. Veio com um amigo para Brasília
atrás de um emprego público Federal. O amigo não gostou da cidade e tinha
voltado para Manaus
Carlos
ficou. Estava empregado num escritório de contabilidade e estudando para
concurso. Já tinha até namorada. Uma bela e simpática goiana. Nunca mais os vi.
Fiquei
com a estranha mania de ficar vendo placas de carro. Depois disso vi no
trânsito umas duas ou três de Manaus.
Acabei
não fazendo a viagem. Quando decidi fazê-la já era impossível. Estava intransitável. Há cinquenta anos tenho
o sonho de chegar aqui por estrada. Ou ir daqui a Brasília. Será um sonho
realizável?