Amigos do Fingidor

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

A poesia é necessária?

 

Presságio

Rojefferson Moraes

 


Passamos a vida toda construindo coisas

Para morrermos sozinhos dentro dos nossos castelos

Abandonados e fiéis ao nosso orgulho tolo

Firmes à melancolia profunda da nossa alma

Feito uma chaga incurável

Criamos nossos filhos como anjos

Na esperança de que não se tornarão monstros

Na esperança de que não cometerão atrocidades

Nem com os outros, nem com nós mesmos

 

Passamos a vida preocupados com os pilares do mundo

Enquanto nossos ossos enfraquecem

A tal ponto de ser impossível permanecermos de pé

Incapazes de prosseguir na caminhada

No compromisso com a causa, com as paixões e com o amor

Uma vida encoberta pela casca da força

Mas recheada de dor, incerteza e luto

 

Tantos projetos e planos para amanhecer um dia

Sozinho, no chão, aos prantos, fraco e sem fé

Tantos planos para ver desmoronar cada um deles

Uma vida inteira de tradição para findar jogado

Como uma folha descartada pela árvore

Tentando rir, tentando demonstrar força para manter o mínimo de dignidade

 

Passamos uma vida inteira limpando quintais

Para morrermos entre os capins e os escombros da velha casa onde ninguém mais quer morar.