Pedro Lucas Lindoso
A moça
do tempo do Jornal Nacional fala de rios voadores. Epa! Pelo que sei nossos
rios na Amazônia não voam.
A
repórter do tempo explica que os rios voadores têm origem no Oceano Atlântico.
Voam pela Amazônia e descem para o Sudeste. Pelo que eu entendi, os tais rios
voadores vão desaguar lá pelo Sudeste. Quer parecer que alagações frequentes no
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espirito Santo acontecem nesta época do ano
devido aos rios voadores. Pouco entendo de Meteorologia, mas se eu estiver
errado, por favor me corrijam.
Graças
a Deus, nossos rios aqui na Amazônia não voam. E os tais rios voadores passam
aqui voando bem alto.
Se a
moça do tempo afirma que os rios voadores existem. Deve ser verdade mesmo.
Nossos rios, com certeza, não voam. E eu concordo. São muito caudalosos. Já
pensou o Amazonas, o Negro, o Madeira, o Juruá e o Purus voando? Seria o fim do
mundo. Ainda bem. Eles apenas namoram com o céu, com o sol e com a lua. Mas
nunca voaram.
O amor
do Rio Negro com o pôr do sol já deu casamento. Como o luar no Madeira e o céu
do Juruá.
Eu olho
para o rio Negro, que banha Manaus. Será que ele está comprando passagem para
uma viagem ao Sudeste? Mas ele não voa. Na verdade, está apenas tomando tacacá
com a Praia da Ponta Negra.
A moça
do tempo jura que os rios voadores nasceram lá no Oceano Atlântico e que, de
vez em quando, se enfiam pela Amazônia como turistas mal-educados. Mas aqui na
Amazônia, os rios são mais reservados. Eles não voam; eles flertam. Voam só nos
livros de Geografia. Nesses livros o Rio Amazonas é um dragão alado que guarda
segredos de peixe-boi, boto, cobra grande, piranhas e pirarucus.
E
quando a chuva cai, como sinfonia de tambores, os rios parecem pedir “calma,
pessoal”. “A pororoca é só lá embaixo no Pará.”
A cheia
vai ser a de sempre. Com fartura. E nas vazantes temos belas praias. As cidades
têm até maré de rios e de alegria.
Enquanto
isso, a moça da TV insiste nos rumores sobre rios voadores.
Os
curumins ribeirinhos brincam de explorar. Não, não é exploração de floresta. É
pura imaginação. Brincam com as areias das praias e preenchem garrafas com água
de rio. E fingem que estão apanhando o próprio céu em potes. “É o rio que
voa?”, perguntam curiosos. Um curumim observa o céu e diz que um rio está
passando acima das copas das árvores.
Um
grupo de pescadores aponta para pontos onde o céu parece espelhar o rio que não
voa. E pensa que se ele não voa, pelo menos nos traz alegria com a chuva que
cai sem pressa.
E a
moça do tempo voltou a falar nos rios voadores!