Zemaria Pinto
Destruição
é um espetáculo
de teatro. Bastava essa informação para descrevê-lo de forma positiva. Mas ele,
o espetáculo, tem outras camadas: memória de Manaus; valorização da
ancestralidade, duas atrizes que se superam; paisagem sonora com personalidade;
valoração do espaço cênico. Isso e mais...
Uma
viúva, que perdera todos do seu entorno, se vê sozinha, com uma planta. Uma
entidade planta. Por fim, ela perde a casa, transformada em estacionamento.
Nada mais cruel. As duas personagens se fundem numa só e o
estacionamento-espaço cênico é tomado pelo povo-plateia.
Francisco
Rider, diretor e dramaturgo, não se escondeu nas coxias, olhando nos olhos do
público.
Vivian
di Oliveira, na paisagem sonora, entrega potência com elegância.
O
trabalho de corpo, criado por Rider e Bruna, torna a dramaturgia em balé, pois
é assim que Koia Refkalefsky, 78 anos, e Bruna Pollari, 24 anos, sustentam o
espetáculo pela maior parte do tempo: um balé de corpos onde as duas atrizes
vivem suas sofridas personagens com incontida alegria.
Espetáculo
independente, Destruição merece uma temporada mais longa. De qualquer
forma, nos dias 03 e 10 de outubro, a trupe estará a postos para novos fins de
tarde de beleza.

