Amigos do Fingidor

domingo, 27 de setembro de 2026

Breve notícia de Destruição

Zemaria Pinto

 

Destruição é um espetáculo de teatro. Bastava essa informação para descrevê-lo de forma positiva. Mas ele, o espetáculo, tem outras camadas: memória de Manaus; valorização da ancestralidade, duas atrizes que se superam; paisagem sonora com personalidade; valoração do espaço cênico. Isso e mais...

Uma viúva, que perdera todos do seu entorno, se vê sozinha, com uma planta. Uma entidade planta. Por fim, ela perde a casa, transformada em estacionamento. Nada mais cruel. As duas personagens se fundem numa só e o estacionamento-espaço cênico é tomado pelo povo-plateia. 

Francisco Rider, diretor e dramaturgo, não se escondeu nas coxias, olhando nos olhos do público.



Vivian di Oliveira, na paisagem sonora, entrega potência com elegância.

O trabalho de corpo, criado por Rider e Bruna, torna a dramaturgia em balé, pois é assim que Koia Refkalefsky, 78 anos, e Bruna Pollari, 24 anos, sustentam o espetáculo pela maior parte do tempo: um balé de corpos onde as duas atrizes vivem suas sofridas personagens com incontida alegria.





Espetáculo independente, Destruição merece uma temporada mais longa. De qualquer forma, nos dias 03 e 10 de outubro, a trupe estará a postos para novos fins de tarde de beleza.