
Li essa historinha
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*Zemaria
ensaios, contos & outras prosas

Li essa historinha
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*Zemaria
Traduttore, traditore. Traduzir poesia só pode ter duas finalidades: ganhar uma grana ou recriar o original, no sentido poundiano de “crítica via tradução”, que pode se originar de algo do tipo “li uma tradução, mas não gostei; faço melhor” – o que não deixa de ser uma forma de crítica, muito criativa. Mas o ditado italiano – “tradutor, traidor” – sempre corre o risco de se concretizar, qualquer que seja o caso. Aliás, alguém (quem, mesmo?) já disse que, numa tradução, a poesia é exatamente aquilo que se perde.Botando o pingo nos ii
Conhecida jornalista baré propôs em artigo recente o fim da crase. Confessou, humildemente (coisa rara num jornalista; tanto quanto num médico, advogado, analista de sistemas... tá bom, a lista é longa), que a maldita farpa era uma pedra no seu caminho. Cá entre nós, mais é o mourão, como diria aquela ciganinha do Lorca (informe-se).
Devagar com a louça, moça. Roma não se fez num dia. E o mundo, feito em apenas seis – sem análise de impacto, sem comissões ambientais, sem sequer a menor tabela de caminhos críticos – deu nessa meroda (nem adianta informar-se: abstraia) que está aí.
Assim como, um dia, tiraram a farpa do sete (havia uma farpinha cortando o 7 horizontalmente, para difençá-lo do 1...) e, para os informáticos pré-billgates, tiraram o farpão do zero (Ø, achavam que confundia com a letra O), proponho, como o início da reforma da reforma, a RETIRADA IMEDIATA DOS PINGOS DOS II, QUER DIZER DOS ii.
PS: o título não está errado: para tirar o pingo dos ii é necessário botá-los. Isso é pura metafísica (informe-se).



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No próximo sábado, 31 de janeiro, é o aniversário de 50 anos de publicação do livro Aparição do Clown, de L. Ruas. Para comemorar essa data, a Livraria Valer realizará a partir das 10h da manhã um encontro com estudiosos e pessoas interessadas na obra do escritor.Hoje, mal a noite começava, eu e o compositor Mauri Marques fomos tomar um tacacá no ateliê de Moacir Andrade, que nos recebeu com a alegria que sempre o caracterizou.
Aos 82 anos, a completar em março, Moacir tem saúde e disposição para trabalhar diariamente nos seus quadros e escritos. Contou-nos muitas histórias, fez-nos várias confidências (algumas bem cabeludas) e mostrou-nos um acervo de livros e fotografias raras, além de desenhos seus, elaborados entre os 6 e os 12 anos.
Esses desenhos já deixavam antever o pintor que encantaria o mundo com suas paisagens e suas interpretações dos mitos amazônicos: são pequenos flagrantes do cotidiano, que, reunidos, compõem um ensaio visual-antropológico sobre os costumes urbanos da Manaus de 1935 a 1941.
Pena que, nesta cidade desprovida de memória, se não se tomar providências urgentes, todo esse material vai se perder. Atenção senhores donos da cultura, muita atenção!
Auto-retrato.