Amigos do Fingidor

domingo, 6 de março de 2016

Manaus, amor e memória CCLIV

Eduardo Ribeiro, com o Teatro Amazonas ao fundo.
Colaboração: Mauri Mrq.

sábado, 5 de março de 2016

Fantasy Art - Galeria


Luis Royo.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Discurso de posse no IGHA – 1/3



Zemaria Pinto[1]

Sr. Presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Dr. Antônio José Souto Loureiro – na pessoa de quem eu cumprimento os demais membros da mesa – senhoras e senhores associados do IGHA, família, amigos, crianças, minhas senhoras, meus senhores...

Na entrada, vocês receberam um livrinho intitulado Nunes Pereira, esboço em cinza e sombras. A finalidade desse livrinho era poupá-los desta fala, porém o ritual de posse manda que se faça uma alocução, especialmente porque a Cadeira de n° 59 será ocupada pela primeira vez. Então, considerando a hipótese de que a leitura integral do livrinho – onde falo da vida e da obra de Nunes Pereira – possa ser eventualmente substituída por atividades mais interessantes, vou lhes comunicar o que julgo essencial nesse trabalho – pelo menos o que for possível na passagem de 48 páginas para 6 laudas, dentro do limite de 12 minutos.
Os que conhecem Nunes Pereira já devem ter ouvido algumas das histórias que se contam sobre ele – e que ele mesmo ajudou a divulgar, alimentando um folclore em torno de sua figura emblemática. Histórias de rebeldia, de boemia, de bonomia e de sexo. Esse anedotário acaba supervalorizado em relação a uma obra que, ainda viçosa e original, é subestimada – pelo que levantei, apenas duas teses de doutorado têm como centro a obra de Nunes Pereira, ambas da PUC-SP: Labirintos do saber: Nunes Pereira e as culturas amazônicas, de Selda Vale da Costa (1997), e Mitopoética dos muiraquitãs, porandubas e moronguetás: ensaios de etnopoesia amazônica, de Harald Pinheiro (2013).
A proposta do livrinho é, ignorando o anedotário, dar uma visão panorâmica sobre a vasta obra de Nunes Pereira, procurando despertar, especialmente nos mais jovens, a curiosidade de conhecer o indispensável da obra do autor de Moronguetá – um Decameron indígena.

Uma vida a ser contada

O cinema nacional, que já sobreviveu à chanchada e à pornochanchada, vivendo agora uma fase de absurda mediocridade, com chanchadas de todas as escalas e matizes, precisaria descobrir esse personagem, que pautou sua vida pela aventura e pelo risco, mas também pelo humor e pela alegria, um herói a um só tempo épico e pícaro – eventualmente, priápico.
Manoel Nunes Pereira nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 26 de junho de 1893, filho de Manoel Nunes Pereira e Felicidade Nunes Pereira. Ele, de ascendência lusitana; ela, de ascendência africana. Durante algum tempo, perdurou um mal-entendido com relação ao ano exato de seu nascimento, desfeito em uma entrevista ao Pasquim, quando ele disse que teve necessidade de alterar o ano para 1891, “para entrar num curso”. Na mesma entrevista, conta que começou a se interessar pela temática indígena quando ouviu, em uma conversa de seu pai com amigos, a descrição de um massacre de franceses contra índios do Amapá. Tinha 3 ou 4 anos. “Os franceses pegavam as crianças pelas pernas e esborrachavam suas cabeças contra as árvores”. A imagem terrível acompanhou o menino por toda sua vida, dedicada, talvez, a entender, vigiar e punir, aquele ato primordial – covarde, selvagem e fora de qualquer padrão de humanidade.
Sobre a grafia correta de seu nome também pairam dúvidas. Manuel ou Manoel? Na maioria das vezes, escreve-se Manuel, que é a forma clássica, portuguesa. Porém, em três documentos reproduzidos do Arquivo Nunes Pereira, da Biblioteca Nacional, o nome grafado é Manoel – inclusive o seu Título de Eleitor amazonense, tirado aos 52 anos, na 2ª Zona Eleitoral de Manaus, constando como residência o Grande Hotel. Nesse mesmo documento, o ano de nascimento confirma-se em 1893.
Desde 1911, entretanto, aos 17, 18 anos, Nunes Pereira já andava por Manaus, como jornalista do Correio do Norte – aliás, onde seu nome aparece, várias vezes, grafado como Manoel. E produzindo sonetos, muitos sonetos, com uma pegada simbolista, mas sem descolar da forma parnasiana. É curioso notar que os jornais da época noticiam o aniversário de uma prima do poeta, Clara Nunes, neta de D. Auta Souza Nunes, bem como a chegada de D. Felicidade, para visitar o filho jornalista. Um ramo da família morava em Manaus?





[1] Discurso proferido na noite de 26 de fevereiro de 2016, por ocasião da posse na Cadeira n° 59 do IGHA, que tem por patrono Nunes Pereira.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Elas por elas



Paulo Sérgio Medeiros

Vem que estou te esperando. Assim que Bruna desligou o celular correu para tomar um banho, perfumou-se de sensualidade, vestiu um vestido azul marinho sem alça e sem-vergonha e despiu-se da mulher politicamente correta. Aquele encontro de bocas profanas dias atrás tinha mexido com as estruturas de sua personalidade.
Não demorou muito e Ícaro estava lá, na esquina do perigo com o ilícito, à espera daquela que exercia sobre ele um poder de fascinação inefável. Com os olhos pregados no retrovisor do carro não via a hora de ver Bruna surgir esplêndida com seus meneios lânguidos e convidativos a uma viagem ao lugar mais recôndito dos prazeres.
Após longos cinco minutos ela dobra a esquina e surge no espelho do retrovisor interno exalando de longe seu perfume de sensualidade. Ícaro se delicia ao vê-la, mas rapidamente se desespera, ela saiu do seu ângulo de visão, ele mais do que depressa a procura no retrovisor externo do lado direito do carro, e seus olhos voltam a sorrir com a boca. Lá vem ela voluptuosa ajeitando o vestido azul marinho.
Vamos, mas não vai acontecer nada. Adverte Bruna ao entrar no carro com um olhar que a desmentia. Ícaro ri cinicamente e a recebe com um beijo no canto direito dos lábios sutilmente maquiados.
Aquela tarde, brindada com um céu desprovido de nuvens, testemunha aquele encontro clandestino calorosamente como que bronzeando as peripécias de uma amizade colorida. O conversa dos corpos flui ao som de Nirvana. Entre uma marcha e outra a mão escapole e flutua pelas coxas de Bruna que banha o beiço com a língua em movimentos circulares e hipnóticos.

Ícaro tem pouco mais de uma hora e meia para comer a maçã e engolir o sétimo dos mandamentos. Ele ainda dirige a esmo quando Bruna enfim sugere o Haiti, o paraíso do amor.  Lá estaremos mais seguros.
– Como assim mais seguros no Haiti? Questiona Ícaro em tom jocoso.
– Vamos fazer aquele lugar tremer. Responde Bruna com todo seu humor negro.
Eles chegam ao paraíso do amor e encontram uma fila de três carros, era uma quinta-feira com cara de dia dos namorados. Um Logus rebaixado entra logo depois deles. Agora são cinco carros e talvez dez pessoas a espera da chave para o vilão prazer da carne em segundos tornar-se vítima.
 Ícaro, já com o peito nu e só de bermuda, vai espalhando calidamente suas digitais pela sinuosidade daquele Amazonas de pecado. Com uma maçã na boca e outra na mão esquerda, Ícaro é castigado pelo medo e flagranteado pelo arrependimento de Bruna que – como um vulcão em erupção – implora para sair daquele corredor povoado da oficina do diabo. O casamento de dois anos não merecia uma pista para pousos de aventuras extraconjugais.
Ícaro, o próprio trem de pouso de tais aventuras, ainda tenta argumentar, todavia Bruna sai do carro desesperada ajeitando o vestido azul marinho e mais desesperada fica quando percebe a placa do Logus rebaixado: SEX 0769. Barrabás, seu filho da puta! Grita Bruna, exasperada. Ícaro desce do carro para evitar o barraco e fica catatônico ao ver sua mulher no colo de Barrabás. O Haiti tremeu...   

Os comportamentos seriam genéticos como as cores dos olhos?



João Bosco Botelho

No pós-guerra dos anos cinquenta, quando explodiram os saberes da genética, o mundo estava cansado dos horrores e das matanças. Não era o tempo apropriado para discutir as influências atávicas nos comportamentos. O discurso genético não era politicamente correto, após os insuportáveis abusos do nazismo. Com justa razão, temia-se fomentar a ideia de que bastaria reeducar alguns indivíduos para produzir, na geração seguinte, as características pessoais e sociais desejáveis. Dessa forma, as cores dos olhos, reconhecidamente genéticas, os comportamentos não teriam marca nos genes.  
Os trabalhos do cientista Susumi Tenagawa assinalaram novo alento para a compreensão dessa complexa simbiose entre os corpos vivos e o meio. O autor demonstrou que as mudanças ocorridas nos linfócitos T, em consequência de infecções bacterianas e parasitárias, são transmitidas à geração seguinte e interferem no conjunto das respostas do sistema autoimune.
Essas pesquisas determinaram novas reconstruções frente às incontáveis dúvidas do evolucionismo, impondo outros caminhos para que pudéssemos pensar na forte interação sociogenética, expondo certos comportamentos tão genéticos quanto as cores dos olhos. De acordo com as teorias Tenagawa, ganhador do Nobel, é possível a transmissão aos descendentes imediatos das novas adaptações moleculares envolvendo formas celulares transitórias como as dos linfócitos T.
Não há por que duvidar da extensão dessa fantástica capacidade biológica para o processo ancestral presente em todas as espécies vivas, fundamental à sobrevivência: a recusa da dor e a busca do prazer-recompensa.
Nessa condição, a linguagem profunda que trata do prazer-recompensa e da dor concebida tanto no sagrado quanto no profano das relações sociais mantém assombrosa coerência: a fuga da dor, em todo o planeta, é imperativa!
A extraordinária adaptação dos humanos para fugir da dor, ao longo da ontogenia, estabeleceu complexa malha, na micro e na macro dimensão dos corpos, competente e duradoura, capaz de reger a base genética que molda e impulsiona o processo biológico e cultural da humanidade: infinitas ligações na forma (anatomia) e na função (fisiologia) dos corpos, marcadas na genética, criando incontáveis padrões identificadores das ameaças de dor e outros tantos que indicam os caminhos de fuga.
Pelo menos teoricamente, é possível pensar nos comportamentos como sendo tão genéticos quanto as cores dos olhos.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Fantasy Art - Galeria


Yannick Bouchard.

terça-feira, 1 de março de 2016

Curumim Jesus



Pedro Lucas Lindoso

É Natal na floresta das chuvas. Aqui não há neve, mas chove. E muito. Nessa época do ano o rio começa a encher. Até junho as chuvas serão abundantes, como sempre.
Carlos fez sua casa longe do rio. Num barranco. Assim evita problemas com a cheia. Sua esposa Joana é professora da comunidade. Carlos, além de pescar, produz açaí e castanha. O casal tem dois filhos. Um curuminzinho de dois anos e uma linda cunhantã de cinco.
Joana fez uma bela árvore de Natal para alegrar as crianças. Sabiamente, enfeitou sua árvore com coisas da floresta. Pintou caroços de tucumã para fazer bolas. Fez enfeites com palha de açaí e ouriços de castanha. Ficou uma maravilha.
Carlos veio a Manaus comercializar seus produtos e fazer compras. Perguntou a sua esposa se ela queria algo especial. Joana pediu um presépio, se não fosse muito caro.
O presépio chegou numa caixa “made in China”. Provavelmente os chinesinhos que produziram o presépio nunca ouviram falar de Jesus, Maria e José.
Joana adorou o presépio e decidiu montá-lo na escola. Queria compartilhar com seus alunos e a comunidade. Carlos, que também é marceneiro, caprichou na montagem. Areia do rio, palhas de açaizeiro e um lindo painel com lua, estrelas e o cometa que anunciava a chegada de Jesus, compunham, com singela beleza amazônica, o presépio vindo da China.
Quando ficou pronto Joana chamou os alunos e a comunidade para vê-lo. Um dos alunos pergunta:
– Quem é esse curumim?
Joana explica que o curumim é Jesus, que se faz curumim e nasce todo ano como Salvador do Mundo.
– E ele nasceu num tapiri?
Não há tapiri em Belém da Judéia. Ele nasceu numa gruta. Pobrezinho. Esses pastores o reconheceram como o Salvador. Esses reis vieram visitá-lo e trouxeram presentes, explicou a professora Joana.
– Pensei que Deus fosse gente grande! Exclamou uma cunhatã muito sabida.

Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, explica Joana. Esse curumim é Deus. É o curumim Jesus.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

sábado, 27 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

roteiro para depois da minha morte (iv/iv)


Zemaria Pinto

caminho por esta praça
como se em terra estrangeira
não reconheço ninguém
ninguém a mim reconhece

exceto os pombos
que se agitam a minha volta
as sombras que habitam a praça
são construções de silêncios
dissimuladas em falsos sorrisos

estanco no centro da praça:
se aperto o gatilho, espanto os pombos


Rodoviária



Paulo Sérgio Medeiros

Dois anos atrás estava na rodoviária de Curitiba, esperando para embarcar no ônibus 249 com destino a Florianópolis. Em meio a speeches de embarques e desembarques, a garota – de seis anos – inquieta com aqueles trinta minutos de ostracismo, se vira para o pai e estaciona uma pergunta na vaga de sua ociosidade:
– Pai, o que é uma rodoviária?
– O que é uma rodoviária? Ele Repete a pergunta enquanto mergulhava nos rincões dos seus pensamentos em busca de uma boa resposta para ela.
Minha filha, assim de supetão, eu diria que rodoviária é um lugar de partidas e chegadas, porém, há mais mistérios por trás dessas idas e vindas que até a nossa vã filosofia desconhece.
Alguns trazem ou levam na bagagem histórias de sucesso, outros, no entanto, desembarcam ou embarcam com o amargo do fracasso. Tá vendo aquele pai chorando ali? É de alegria. Tá vendo aquela mãe chorando mais pra lá? É de tristeza.  Rodoviária, minha filha, é lugar de encontros e desencontros. Aqui, em cada plataforma de embarque e desembarque fervilham sonhos, ansiedades, expectativas, saudades, medo do novo, medo do velho. Rodoviária é uma metáfora da vida, meu amor.
– Ah, tá.
“Atenção senhores passageiros do ônibus 249, com destino a São José, Blumenau, Balneário Camboriú e Florianópolis, embarque imediato, plataforma D. Boa viagem.”
– Pai, o que é metáfora?
– O que é metáfora? Vamos minha filha, te explico assim que a gente se acomodar lá dentro do nosso sonho.

Evolucionismo como escolha na Medicina



João Bosco Botelho

A genialidade da teoria de Darwin, na época da publicação, desvinculada dos saberes da genética, embutia o pressuposto de as mudanças impostas ao corpo, ditadas pela adaptação ao meio e à sobrevivência dos seres, serem repassadas à descendência.
De certa forma, as ideias de Darwin fomentaram a leitura evolucionista de Jean Baptiste Lamarck. Esse notável botânico francês negou a imobilidade dos seres vivos e os organizou como numa escada rolante, das formas menores e mais simples às maiores e mais complexas. Também acreditou que a mudança dos corpos era regida pelas necessidades de cada ser vivente, por meio do uso e do desuso das funções orgânicas e dos sentidos natos e que essas transformações seriam herdadas pelas novas gerações.
Contrariamente ao pensamento corrente, Darwin não descreveu a teoria evolucionista. O maior mérito desse cientista foi enfatizar um modelo particular de seleção natural, para explicar a transformação das espécies. Esse modelo, dito seletivo, compreende certo período de tempo, durante o qual podem ocorrer variações morfológicas, produzidas aleatoriamente entre os seres vivos.
Ao contrário, o modelo de Lamarck tem dois componentes: o primeiro, voltado ao organismo em si mesmo, no qual todos os organismos vivos possuem a tendência de evoluir do menos para o mais complexo; o segundo, relacionado ao meio ambiente, no qual todos os seres vivos sofrem a influência na natureza circundante e graças a essa interação ocorre a diversidade das espécies.
O exemplo da girafa pode, perfeitamente, contribuir para diferenciar os dois modelos: no de Darwin, seletivo, em todos os animais podem ocorrer variações em todos os sentidos, sem interferência da natureza circundante. Assim, somente as girafas com o pescoço mais longo poderão alimentar-se de forma mais adequada e, consequentemente, se reproduzir; no de Lamark, pressupõe a relação entre a necessidade da sobrevivência-reprodução e a mudança da forma do corpo.
Para a biologia molecular, os seres vivos são constituídos por dois tipos principais de moléculas: os ácidos nucléicos (AND e ARN) e as proteínas. Cada proteína é elaborada a partir de um gene. Esse gene é, inicialmente, recopiado em ARN (transcriptação), para, em seguida, a partir da cópia, estruturar a síntese da proteína (tradução). Dessa forma, a biologia molecular está estruturada sob esse dogma fundamental que sustenta como sendo unidirecional na elaboração das proteínas, isto é, só o gene determina a síntese das proteínas e nunca o contrário. Contudo, é possível que esse mecanismo não esteja engessado e, contrariamente, possua certa plasticidade. 
Considerando a infinita complexidade dos seres vivos, é possível que a relação entre gene e proteína seja regida pela plasticidade e não imobilizada pelo determinismo genético, isto é, os humanos seriam produtos das relações entre a natureza circundante x os copos x as moléculas.
É desnecessário repetir a resistência às novas idéias evolucionistas darwinianas, contudo, a ruptura com o imobilismo do Gênese bíblico estava claramente iniciada. Darwin trouxe à baila as variáveis da seleção natural frente à capacidade de sobrevivência do animal, ligadas às fontes de alimentos, em ambiente específico, como o ponto fundamental das transformações biológicas. Na dependência da comida disponível, os mais adaptados ao meio viverão e os outros, menos aptos, serão eliminados pela seleção natural.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

IGHA dá posse a três novos associados

(Release)


No próximo dia 26, às 19h30, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas estará dando posse a três novos associados: Aguinaldo Figueiredo, Júlio Antônio Lopes e Zemaria Pinto, nas cadeiras que têm por patrono, respectivamente, Gabriel de Souza, Frei José dos Inocentes e Nunes Pereira. Fundado em 1917, o IGHA é hoje a instituição cultural mais antiga do Amazonas, rivalizando, como bons irmãos, com a Academia Amazonense de Letras, um ano mais nova. Situado à rua Bernardo Ramos, no Centro Histórico de Manaus, o IGHA, além de promover seminários e palestras, possui um museu próprio, com valiosas peças históricas, além de uma coleção única de peças indígenas. Sua biblioteca e, principalmente, sua hemeroteca são pontos obrigatórios para os que se dedicam a pesquisar sobre a Amazônia. 19°

Na ocasião, será entregue aos presentes o livro Nunes Pereira, esboço em cinza e sombras, de Zemaria Pinto, um ensaio em homenagem àquele que foi um dos mais notáveis etnólogos brasileiros.

Os novos sócios

Aguinaldo Nascimento Figueiredo é amazonense de Manaus, nascido em 1958. Em 2000 graduou-se em História pela Universidade Federal do Amazonas. É professor efetivo da rede pública de ensino, há mais de 20 anos. Escreveu, em 2003, o livro História Geral do Amazonas, que alcançou três edições. Em 2011, publicou História do Amazonas, pela Editora Valer. Foi o ganhador do “Prêmio Mário Ypiranga Monteiro”, em 2008, promovido pela Prefeitura de Manaus, com o livro Santa Luzia: história e memória do povo do Emboca. Em 2010, ganhou o “Prêmio Literário Cidade de Manaus”, na categoria Ensaio Histórico Arthur Reis com o livro – Samurais das Selvas: a presença japonesa no Amazonas. É autor de mais de 500 artigos no jornal “O Estado do Amazonas”, nos cadernos de “História e Geografia do Amazonas” e “Museu do Conhecimento”, de 2004 a 2006, trabalhos que lhe valeram “Votos de Aplausos” no Senado Federal em 2015. Escreveu ainda para outros jornais e para a revista “Big Amazônia” e “Mais Manaus”. Recebeu “Menção Honrosa” no Prêmio Samuel Benchimol, em 2012, com o trabalho A Indústria no Amazonas: memorial histórico.

Júlio Antônio de Jorge Lopes, casado, pai de quatros filhos e advogado, é graduado pela Faculdade de Direito de Universidade Federal do Amazonas. É membro da Academia Amazonense de Letras, onde ocupa a cadeira de n. 23, cujo patrono é o poeta simbolista Cruz e Sousa; do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB); da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas (ABCMP), onde ocupa a cadeira de n. 1, cujo patrono é Machado Paupério; da Associação Nacional de Escritores (ANE); da Confraria Dom Quixote; e do Conselho Diretor da Associação PanAmazônia. No dia 18/03 próximo, no Rio de Janeiro, será empossado na cadeira de n.7 da Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado, cujo patrono é o ex-ministro do STF Alfredo Buzaid. É autor dos seguintes livros: Bernardo Cabral, um Estadista da Republica, A Crítica de Umberto Calderaro Filho, Fábio Lucena, grandes vultos que honraram o Senado, O STF e a Imprensa, temas atuais, O sigilo da fonte e Sejamos Luz. É coautor e coordenador da obra 25 anos de Constituição Cidadã – Estudos em homenagem ao Relator J. Bernardo Cabral. Tem atuação destacada na advocacia, em causas relacionadas à liberdade de imprensa, o que lhe valeu o convite para ingressar na Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Zemaria Pinto, 59 anos, é poeta, ensaísta, dramaturgo e ficcionista, além de compositor bissexto. Tem participação em mais de uma dezena de antologias, além de trabalhos publicados nos anais de diversos congressos literários. É professor de literatura, com especialização em Literatura Brasileira e mestrado em Estudos Literários. Tem 19 livros publicados, entre os quais destacam-se: Ensaios Ligeiros (artigos); A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos (ensaio); O urubu albino (infantil); A cidade perdida dos meninos-peixes (juvenil); O texto nu (teoria literária); Nós, Medéia (teatro); e Música para surdos (poesia). Além de Nós, Medéia, premiada, em 2002, como o melhor texto adulto em concurso da Secretaria Estadual de Cultura, é autor de mais cinco textos para teatro, todos encenados. Tem ainda duas peças de teatro e uma dezena de livros inéditos, entre ensaios, contos, infantis e poesia. Mantém os blogs Palavra do Fingidor, de contos e ensaios, e Poesia na Alcova, de poesia erótica e pornográfica. É membro da Academia Amazonense de Letras, desde setembro de 2004.

Nunes Pereira, esboço em cinza e sombras,
é o 
19° livro de Zemaria Pinto.
Os três novos associados do IGHA.
De cima para baixo: Júlio Lopes, Zemaria Pinto e Aguinaldo Figueiredo.

Caderno Estilo de Vida, do Jornal do Commercio,
de 24.02.2016.

Fantasy Art - Galeria


Justin Gibson.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O segredo do Dr. Maiêutica



Pedro Lucas Lindoso

Serei avô em breve. Já sabemos que será uma linda princesinha e se chama Maria Luísa. Hoje, com as sofisticadas ultrassonografias pode-se ver o sexo e até as feições do neném. Uma maravilha da tecnologia e da medicina moderna.
Nem sempre foi assim. Até a década de setenta do século passado só se sabia o sexo da criança quando do nascimento. A primeira pergunta era:
– Menino ou menina? Depois se perguntava se tinha sido normal ou cesariana.
Tia Idalina quase sempre acertava analisando a barriga da gestante. Se fosse redonda era menina. Se fosse pontuda menino na certa.
Havia um obstetra ginecologista aqui em Manaus que não errava nunca. Examinava a paciente e dizia o sexo. Geralmente na última consulta antes do nascimento.
Quase sempre acertava. Mas nem sempre. Há controvérsias, dizia tia Idalina. Uma de suas sobrinhas teve uma menina e ele havia dito que era menino. Quando se viu a ficha da paciente estava lá, datilografado. Sexo: FEMININO.
Muito estranho, pensou tia Idalina. Eu me lembro da mãe da criança dizer que ele afirmara ser menino.
– Acho que ouvi errado, comentou a mãe da neném.
Dentre as manias de tia Idalina a mais inusitada é quando ela resolve dar uma de Sherlock Holmes.
Foi assim que implementou uma amizade com a secretária do ginecologista, o qual chamaremos de Dr. Maiêutica.
Conversa vai, conversa vem, Idalina voltava ao assunto:
– Barriga redonda é menina na certa. Já quando a barriga é meio pontuda deve ser menino.
No que a moça rebateu:
– Isso é mito, dona Idalina.
Aproveitando a deixa ela perguntou como Dr. Maiêutica adivinhava o sexo dos bebês de suas pacientes. A moça pediu segredo de morte, sob pena de perder o emprego e confessou:

– Ele diz para a paciente um sexo e escreve o outro na ficha. Quando acerta, tudo bem. Quando erra mostra a ficha e diz que a mãe se confundiu. Esperto ele, não?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

As primeiras palavras




                                                                                     Tainá Vieira

O choro do bebê ao nascer é a primeira forma de incursão ao mundo da linguagem. A partir dos quatro ou cinco meses o bebê já começa a emitir alguns sons como “mama” e “papa” e outros. Daí por diante o vocabulário do bebê só aumenta, uma vez que, segundo pesquisadores, até alcançar os dois anos de idade o bebe já assimilou cerca de 200 palavras.  Aos dois anos de idade o bebê também já consegue formar frases, ainda que sejam curtas, mas falam.
Maria começou a falar nitidamente algumas palavras. E quase já consegue dizer perfeitamente algumas frases. A palavra “mamãe” soa como música aos meus ouvidos. Sai tão perfeito a palavra “mamãe” assim como “papai”. Já a frase “minha mãe, minha mô”, ainda precisa ser trabalhada, mas é claro, no tempo certo. Na verdade, conforme os pais forem falando, de uma maneira clara e objetiva e usando a norma padrão da Língua os bebês vão observando e assimilando as palavras para depois falarem também. É importante que o “tatibitate” não seja usado com muita frequência na presença dos bebês, por mais que seja fofo, devemos evitá-lo ao máximo que pudermos. Os pais são os maiores exemplos dos filhos, tudo o que fizerem ou falarem os filhos os observarão e irão imitá-los. Assim sendo, a partir do momento que nos tornamos mãe e pai, temos que ter cuidado com a nossa fala, do mesmo jeito que temos com a nossa alimentação.
Pois bem, Maria completou um ano e cinco meses, e já começou a falar “mamãe”, e fala também “au, au” para o cachorro, “car”, para o carro, “dia” ao acordar, que significa bom dia, fala a palavra “não” nitidamente, assim como “quer” quando pergunto a ela se quer algo, e também a frase “me dá.” É emocionante acompanhar o desabrochar de um ser humano em forma de filho, no caso aqui é a Maria, minha flor de amor. Outro dia falei sobre o hábito de ler que ela adquiriu, a linguagem da leitura ainda é a linguagem dos bebês. Ela folheia página por página do livro e lê “gog gog”, não sei o que significa isso. É claro que ela não ler corretamente porque ela ainda não sabe organizar as letras e formar as palavras, afinal ela é apenas um bebê. O importante que aos poucos ela vai aprendendo as coisas e vale frisar que, tudo o que ela aprende, ela aprende naturalmente, aprende ao observar, com a convivência e com os exemplos, nada é forçado.  Ela vive como um bebê da sua idade vive. É claro que todo bebê tem o desenvolvimento diferente um do outro, por isso que há bebês que só começam a falar quando completam o segundo ano de vida, e isso é normal. Mas é maravilhoso de se ver aquele bebê de fralda andando atrás da gente e falando “mamãe”.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Fantasy Art - Galeria


Arantza Sestayo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

roteiro para depois da minha morte (iii/iv)


Zemaria Pinto

lucidez – ideia e luz
farra do pensamento
clareza e percepção
transparência e consciência
tudo num só enleio
Baco e Febo abraçados
único sinal vital
que me desejo

Pequeno grande homem



Paulo Sérgio Medeiros

No pátio da escola, sentado ao pé de uma árvore, esperava pela minha filha Larissa. Outras crianças já se divertiam durante aquele momento mais aguardado da aula – a hora da saída.
Fiquei observando aqueles futuros arquitetos, engenheiros, médicos e advogados enquanto eles brincavam. Quanta leveza e pureza nos rostos e nos gestos. Todos desarmados de malícia. Deu até vontade de ser criança de novo, mas quando lembrei do Adail, esse pensamento logo se dissipou.
Já passava das cinco horas e o sol já se escondia quando apareceu o garoto, aproximadamente seis anos, um metro e vinte, pardo, voz macia. Aproximou-se e pediu, com a polidez de um gentleman, licença para sentar ao meu lado. Gentilmente permiti sua companhia. Ele carregava duas sementes nas mãos e me ofereceu uma. Aceitei o presente e desembrulhei um "valeu, garoto!" E em seguida perguntei o seu nome. Meu nome é Téo.
E depois disso veio o que me motivou a escrever estas poucas linhas. Téo continuou. Eu gosto de compartilhar. Eu coleciono sementes, mas gosto de dividir. A Larissa então chegou e tivemos que partir. Porém, não poderia deixar de parabenizá-lo. Apertei sua mão e compartilhei minha primeira impressão sobre ele: Téo, poucas pessoas conhecem a dona generosidade. Continue assim, garoto!
Foram necessários apenas cinco minutos para aquele pequeno me ensinar a ser grande.

P.S. Na hora de ir ele sorriu tão bonitinho que acho até que a Larissa deu bandeira pra ele.