Amigos do Fingidor

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Manaus, amor e memória DCCLXII


Carnaval de 1913.

 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Literatura: tradição e modernidade

 

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A poesia é necessária?

 

Soneto profético

Antonio Carlos Secchin

 

A bola de cristal é opaca e preta,

nela pouco se vê ou se pressente. 

O vidro estilhaçado de uma greta

libera a luz noturna do presente.  

Antevejo a raiz de uma semente

incapaz de dar paz a este planeta,

pois você, o jasmim e a violeta

florescem contra mim feito serpente.

Enxergo nada além desse horizonte,

onde ao escuro sucede o mais escuro.

O certo é não prever nenhum poente

que possa me levar para o futuro.

Na bola opaca eu leio, transtornado:

seremos bem felizes no passado.

 

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O incrível homem sem sombra

 Pedro Lucas Lindoso

 

Um homem subia o rio remando sua canoa. De repente, um bordejar. A sombra do caboclo, refletida nas águas do rio, desaparece.

Inacreditavelmente, uma enorme sucuri comeu a sombra do homem. Desse dia em diante o caboclo ficou conhecido como o homem sem sombra. Essa história está contada no livro de meu amigo Hélito de SouzaGuajará. Causos em prosa e verso.

Verdade ou não, fiquei matutando como teria sido o acontecido. A canoa balançando como quem dança uma toada de boi. E a sucuri atrás. E a sombra, que antes era companhia inseparável do ribeirinho, projetada no rio, vira história de pescador. Mas como seria para um homem da floresta viver sem sua sombra? Como acender o fogo sem o auxílio da sombra?   O fósforo deve tremer. A fumaça possivelmente escreveria ruidosas figuras mitológicas que apavoram os povos da floresta. E o vento, curioso, passaria a sussurrar no ouvido do homem coisas surrealistas.

Estar sem sombra modificaria totalmente o cotidiano do caboclo. Sem sombra, o tempo parece tropeçar na rotina da floresta.  O sol sobe, desce, sobe de novo, como se estivesse perdido. Entre o Passado, o Presente e o Perder-se-sombra. Ainda assim, o caboclo encontra maneiras de contornar a falta da sombra.  Aprende a andar de cabeça erguida.  Usa o peso da carga nas costas para lembrar que o corpo ainda tem presença, mesmo sem a sombra.

Pede aos espíritos da floresta, à mãe d’água, aos botos. Ao curupira, às onças e até aos macacos que lhe emprestem seus contornos de luz. Chega a noite e a falta da sombra, que foi comida pela sucuri, é motivo para o caboclo meditar. Cochichando para a lua, pergunta: Se eu não tiver sombra, serei sombra do que fui? Ora, minha sombra pode ter ido, mas o meu jeito de caminhar ficou. Eu já aprendi a ouvir os passos do chão e   sentir o chão sem a sombra.

E os macacos riem da situação. O vento também sorri e aplaude com folhas. A sucuri, quem sabe, mastiga a sombra discretamente no fundo do rio. O Curupira, guardião da floresta, convoca os animais para uma reunião de emergência.  O macaco prego avisa que vai fazer um show de stand-up. E grita: Bem-vindo ao show O Homem Sem Sombra. Mas não dá certo. A bicharada toda querendo tirar fotos. Montaram um grupo de whatsapp.  Amigos Antes, Depois e Sem Sombra”.

Todos da floresta dão risada da situação. Os macacos batucam em troncos como se fosse o Festival de Parintins. Enquanto isso, a sucuri lá no fundo do rio, continua mastigando a sombra do caboclo. Em doses homeopáticas. Num antropofágico e total silêncio.

O caboclo, sem sombra, parece estar conformado com sua sina. E termina por se ver um homem, mesmo sem sombra, mas um homem das águas, um homem de fogo, um homem inteiro, um homem da floresta. Só que sem sua sombra.

E a floresta, os bichos, o curupira e os botos, cúmplices da sucuri, lembram ao caboclo que a vida continua. Mesmo sem sombra, com mais risadas, menos reflexos e muita coragem de se adaptar às surpresas e revezes que só acontecem na nossa fantástica, densa, pitoresca e perigosa floresta das chuvas.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Adrino Aragão (6/10/1936 – 7/2/2026)


Para saber mais sobre Adrino aragão, clique aqui.

 

Manaus, amor e memória DCCLXI

 

Rua Urucará, no bairro de Cachoeirinha, anos 1970.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A poesia é necessária?

 

Naquele remoto agora

Alexei Bueno

Naquele remoto agora

Há um vulto que, rente ao muro,

Consulta, abstraído, a hora,

De quando era o seu futuro?

 

Naquele agora remoto

A folha até hoje espera

A brisa que a atire ao esgoto,

Mas nada em torno se altera.

 

Remoto agora, naquele

Lapso eu era e sou eu.

Brilhava na minha pele

O sempre o mesmo outro céu.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Entre Tristão e Tritão

Pedro Lucas Lindoso

 

O drama de Tristão e Isolda, por alguma razão que desconheço, era uma das referências constantes de vários mestres do Departamento de Letras da UnB. Isso no final dos anos de 1970, quando cursei Letras.

Não só pelos professores de Literatura Medieval Inglesa e Shakespeare. Mas também os que lecionavam outras literaturas. Era comum os mestres se referirem a trágica história de amor proibido entre o cavaleiro Tristão e a princesa irlandesa Isolda. Minha filha Marina, que esteve por lá vinte anos depois, parece concordar comigo.

Na história, Tristão é mandado a Irlanda para buscar Isolda, prometida ao Rei Marcos, seu tio. Na viagem de volta, Tristão e Isolda bebem uma poção mágica.  A bebida era destinada à Isolda e ao Rei Marcos. Tristão e a princesa bebem a poção por engano e se apaixonam.

Mesmo casada com o Rei Marcos, Isolda e Tristão, apaixonados, iniciam um romance secreto.  Há várias situações de separação, encontros e desencontros secretos, com uso de disfarces e simulação. O romance, porém, é descoberto.

Tristão é expulso do reino e casa-se com outra mulher, também chamada Isolda. Ferido de morte, Tristão manda chamar a primeira Isolda, a da Irlanda, para curá-lo.

A outra Isolda, sua esposa, mente ao dizer que ela não virá. Há outro engano envolvendo a cor das velas do navio. Enganado, ao ver o barco voltar sem a amada, Tristão morre.

Ao vê-lo morto, Isolda morre de tristeza. Os dois corpos são encontrados abraçados e entrelaçados.

A história veio à tona porque Catarina e Isadora, filhas de Marina, vestidas de Ariel, a pequena Sereia, querem que eu seja o Tritão. No conto da Disney, baseado em outro de Andersen, Tritão aparece de barbas brancas. Na mitologia, entretanto, Tritão é filho de Poseidon, sendo um jovem e guapo ser das águas.

A princesa Ariel tem mais sorte que Isolda e que a original, de Andersen. No mundo mágico de Walt Disney, Ariel se casa com o príncipe Eric e vivem felizes para sempre.

E eu, o vovô da história, fiquei matutando entre Tristão e Tritão. Mesmo porque um não tem nada relacionado ao outro. Acabei por escrever essa crônica.

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Manaus, amor e memória DCCLX

 

Cine Popular, depois Cine Pop, ficava na esquina da Silva Ramos com Barcelos.