segunda-feira, 8 de agosto de 2016
domingo, 7 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Portugal para principiantes 11
| Amarante, às margens do rio Tâmega, ainda com ares medievais. |
| A cidade e o rio, vistos da ponte de São Gonçalo. |
| Outra visada da mesma ponte. |
| Igreja dedicada ao mais ilustre morador da terra: São Gonçalo do Amarante (1187-1259). |
| Teto de uma das alas da igreja de São Gonçalo. |
| Outro ilustre filho do lugar: o escritor Teixeira Pascoaes (1877-1952). |
| Sombria mas simpática ruela de Amarante, com suas lojas de doces absolutamente engordativos. |
| Em Amarante o velho Cine-Teatro ainda funciona, cumprindo a dupla função. Saudades do Cine-Teatro Ipiranga... |
| O magnífico Vale do Douro e suas quintas, numa e noutra margem. |
| Mais do Douro e suas quintas. |
| Ainda o vale do Douro, onde se engenham os requintes do Vinho do Porto. |
| O futuro vinho a tomar sol às margens do Douro. |
Fotos e
texto: Zemaria Pinto.
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Zemaria Pinto
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
A queda do muro de Berlim, a grande roda e o pranto do médico albanês
João
Bosco Botelho
Durante
o pós-doutorado, em algum dia do inverno de 1992, entre janeiro e fevereiro, conheci
na salle de garde, da Universidade de
Paris VII, o médico albanês Halrian Plavcz. Pelo crachá de identificação atado
à bata branca se sabia os nomes e países de origem dos médicos e estudantes que
circulavam no hospital.
As
salles des gardes são as salas de
refeições somente dos médicos. A tradição de os médicos comerem em lugares
separados dos da administração hospitalar remonta à Revolução Francesa.
Durante
o almoço, o nosso diálogo começou em consequência de notícia, no jornal Le Monde, analisando a alta inflação
brasileira.
Não
me lembro como a conversa avançou na direção da ruína da ordem socialista-comunista,
no leste europeu. Nesse momento, o médico albanês, com certa emoção, disse que
estava, naquele momento e naquele lugar, porque o muro tinha sido derrubado. Em
seguida, explicou que a intolerância à liberdade, antes da queda do muro, seria
facilmente compreendida por meio da peça teatral “A grande roda”, do teatrólogo Vaclav Havel, na época, presidente da
Tchecoslováquia, que estava sendo encenada no Teatro de La Ville, um dos mais
de trezentos teatros parisienses em funcionamento.
A
peça é essencialmente voltada à forte crítica do modelo socialismo-comunismo
(ou comunismo-socialismo), que enclausurou a liberdade às ordens dos partidos
comunistas.
Aos
que estavam próximos, era visível o aumento da tensão emocional do Halrian, ao
dizer que nunca compreendeu como os membros dos partidos comunistas, uma porção
minoritária em relação à população, conseguiram se manter tanto tempo no poder.
Durante alguns instantes, fitando a fumaça do cigarro entre os dedos amarelados,
perguntou como as pessoas puderam ter se encantado com um partido político que,
essencialmente, baniu as mais elementares noções de liberdade.
Naquele
momento, relembrei para ele a viagem realizada ao leste europeu, no inverno de
1976, quando visitei vários países. É difícil esquecer o entardecer gelado do
domingo, em Sofia, na Bulgária, quando fotografei dois policiais na porta da
magnífica catedral, fiscalizando os papéis de autorização para as pessoas entrarem
e assistirem à missa.
O
médico albanês afastou o prato de comida e ajeitou os cabelos precocemente embranquecidos.
Acendendo outro cigarro, perguntou se eu era cristão. Sem esperar a resposta,
elevando o tom da voz, disse que o pai dele era pastor metodista e que, inconformado
com a miséria dos camponeses, acreditou nas propostas do socialismo-comunismo. Não
muito tempo depois, viu os amigos que contestavam a autoridade do partido
comunista serem julgados e condenados. Por ter discordado publicamente de um
desses “julgamentos”, foi preso e a família nunca mais teve notícia dele. Em
poucos dias, a igreja foi transformada em viveiro de galinhas e patos.
Nesse
instante, vi que o médico chorava sem ruído; as lágrimas escorriam pela face
muito branca. O refeitório estava em silêncio; todos ouviam e viam o pranto do
médico quando ele aumentou ainda mais o tom da voz para dizer que tivera mais
sorte. Seu irmão Glawcav morreu de frio e de fome antes de alcançar a fronteira
italiana. Halrian soluçava e alguns médicos perguntavam o que se passava.
Uma
médica búlgara, também refugiada, afagava-lha o braço. Halrian sentou-se e com
a cabeça baixa continuou o pranto de dor.
Não
lembro quanto tempo passou até retornarmos às salas de aulas.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Goodbye – Fiquem com Deus
Pedro Lucas Lindoso
O Reino Unido decide deixar
a União Europeia. Os ingleses são assim. Quando não mais interessa estar
presente, eles se despedem, solenemente. Em 43 anos de União Europeia jamais
abriram mão de sua própria moeda, a Libra Esterlina. Denominada orgulhosamente
de English Pound. Não chegaram sequer a aderir ao Euro. A moeda inglesa sempre
correu o mundo. Já foi corrente aqui em nossa Manaus, nos áureos tempos da
borracha. Os ingleses monopolizaram todos os serviços públicos de nossa cidade
entre o final do Império e início da República, até logo após a I Guerra
Mundial. Manaós Tramways and Light,
Manaós Harbour, a Booth Line e
ainda a Amazon Telegraph, dentre
outras, eram bastante lucrativas aos investidores ingleses.
Alguém disse que o sol nunca
se punha nos domínios do Império Britânico. É verdade. Enquanto é meia noite
aqui na vizinha antiga Guiana Inglesa é meio dia em Nova Zelândia, na Oceania.
O clima ameno neozelandês e a paisagem e o relevo de lá eram mais apropriados
ao gosto inglês, comparados com a hostilidade amazônica. Enquanto Nova Zelândia
se tornou um paraíso desenvolvido, a nossa vizinha Guiana permanece abandonada
e conflituosa. Com anos de violência
entre a maioria de origem africana e os indianos e outras minorias. Os ingleses
disseram goodbye em 1966. Há também
disputas de territórios com a Venezuela. Os ingleses não gostam disso. Disputas
étnicas, conflitos inter-raciais desagradam os súditos de sua majestade.
Outro dia, num evento no
Ideal Clube aqui em Manaus, símbolo de uma época em que se recebiam telegramas
com carimbo da Amazon Telegraph,
alguém disse: “vou sair à francesa”. O que seria isso, perguntei. “Sair à francesa” é uma locução
que significa ir embora de algum evento social sem se despedir de ninguém, furtivamente.
Diferentemente
dos franceses, os ingleses abandonam os seus domínios solenemente. Fazem
acordos, tratados e partem para Londres,
the City, sempre em pompas e circunstâncias altamente favoráveis.
A
palavra goodbye teria origem etimológica em God be with you. Ou seja, Deus
esteja com você. A saída do Reino Unido da União Europeia nos parece medo de
contaminação religiosa, racial e de refugiados. Mas não deve ser só isso. O
tempo certamente dirá que haverá muitas vantagens econômicas para a Inglaterra.
O Reino Unido disse adeus para a Guiana, para Manaus, para a Índia, Hong Kong e
agora para o continente Europeu. Um solene goodbye. Ou seja, fiquem com Deus.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Lábios que beijei 61
Zemaria Pinto
Kelly
Branca
de leite, volumosa de ancas e peitos, olhos amendoados moldados em breu sob a
basta cabeleira negra, Kelly trabalhava num restaurante próximo ao banco, onde
eu almoçava algumas vezes por semana. Observava de longe seu comportamento
expansivo, sorridente, brincalhão. Um dia, perguntei-lhe por que comigo se
fechava, séria. Disse que tinha medo de uma reação negativa, pois eu parecia
estar sempre com raiva. A resposta saiu num estalo – mas eu não mordo, a não
ser que você peça muito. Ela explodiu numa gargalhada, que ecoou estridente no
pequeno salão. Casada, mãe de dois pequeninos, os encontros com Kelly exigiam
uma logística complicada, antes do expediente – o marido a deixava e a buscava
no trabalho, de sorte que, uma vez por semana, ela chegava mais cedo, não sei
exatamente com qual desculpa, e dava uma escapulida a um hotel próximo, onde eu
a aguardava. Kelly queixava-se que o marido só fazia papai-e-mamãe, pois, de
resto, todo o repertório sensual era coisa de puta. Então, só para mim, Kelly
vestia a fantasia de puta e, a cada encontro, parecia querer recuperar todo o
tempo perdido.
(Continua no blog Poesia na Alcova)
domingo, 31 de julho de 2016
Manaus, amor e memória CCLXXV
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sábado, 30 de julho de 2016
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Portugal para principiantes 10
| O rio Douro serpenteia entre Vila Nova de Gaia e a cidade do Porto. |
| Constraste: em primeiro plano, o painel fotovoltaico de captação de energia solar; separados pelo Douro, a arquitetura imemorial do Porto. |
| Vistos do teleférico de Vila Nova de Gaia: à direita, a ponte de D. Luiz I; à frente, vista parcial da Ribeira, no Porto. |
| Detalhe do Porto, visto do teleférico. |
| Rua perpendicular de Vila Nova de Gaia, com suas lojinhas de artigos para turistas. |
| A ponte de D. Luiz I e – no alto, à direita – o Mosteiro da Serra do Pillar, em Vila Nova do Gaia. |
| Mais da cidade, vista do chão da Vila. |
| Em Vila Nova do Gaia você não se perde: em qualquer direção, haverá sempre uma cave de vinho do Porto. |
| No deserto de telhados, os oásis das caves. |
| Degustação de vinho do Porto, na Taylor’s: tawny, ruby e branco. |
| O teleférico que, numa viagem de pouco mais de 500 metros, leva da Serra do Pillar ao centro histórico de Vila Nova de Gaia – e vice-versa. |
| Gaia, o Douro, o Porto. |
Fotos e
texto: Zemaria Pinto.
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Zemaria Pinto
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Médicos no Egito dos faraós
João Bosco Botelho
No Egito antigo, os médicos constituíam
um grupo de especialistas reconhecidos com destaque social, hierarquizados,
pagos pelo faraó, inseridos nas estruturas do poder político e trabalhavam sob rigoroso
controle administrativo: sounou, o
médico generalista, o último da escala hierárquica, essa palavra também significa:
doente, homem que trata quem tem dor e se interessa por quem sofre. É
representada pelo hieróglifo unindo a flecha, o pote e um homem sentado; mer sounou, chefe dos médicos; our sounou, grande médico; senedj sounou, inspetor dos médicos.
Junto a essa hierarquização, de certo
modo, semelhante aos dias atuais, estão claramente descritos: per âa sounou, o médico da corte; sounou grergetl, o médico das colônias; hérishef Néknet, o médico das minas e
dos templos.
As doenças eram reconhecidas como
castigo de um ou mais deuses. Entre os mais temidos se destacava Sekhmet, com
cabeça de leão, sanguinário, causador de doenças e epidemias.
O acesso à formação de médicos, nos
templos mais importantes, era exclusivo aos ricos e poderosos. É esclarecedora
a carta de Uzahor-Resinet, médico-chefe do Egito ao rei persa Dario I:
Sua Majestade, o rei Dario I, senhor de
todos os países e do Egito, encontrava-se em Elam, ocasião em que me ordenou
que fosse a Saís, no Egito. Tinha ordens para restabelecer as casas de vida que
estavam em decadência. Fiz conforme me ordenara Sua Majestade... enchi as casas
de estudantes nascidos das famílias nobres, não havia filhos de pobres em seu
meio. Coloquei à sua frente homens sábios... Sua Majestade me ordenou que
providenciasse para eles tudo que houvesse de melhor, para que estivessem em
condições de aprender e de trabalhar. Provi tudo o que era necessário,
inclusive todos os instrumentos, de acordo com os registros de tempos idos. Sua
Majestade assim procedeu por reconhecer o proveito que se tirava desta arte,
conservando a vida a todos os aflitos... e por isso fez reconstruir seus
templos e restaurar suas receitas.
A profissão médica era administrada pela
administração do faraó que impunha severas punições à má prática.
Como o deus Sakhmet era o mais importante
no panteão relacionado às curas, os sacerdotes desses templos eram os mais
requisitados pelos ricos e poderosos.
De modo bastante claro existia forte
inter-relação entre as medicinas praticadas pelos médicos e as dos sacerdotes: wabu, atuavam sob a proteção de um ou
mais deuses; sunu, curadores que não
estavam vinculados aos templos e deuses; benzedores, sem instrução médica
oficial, agiam munidos de amuletos, rezas e encantamentos.
É possível que a presença dos médicos
especialistas, descrita por Heródoto, tenha sido resposta social às doenças
mais comuns: oftalmologistas ou sounou-irty;
abdome ou sounou-khe; ânus ou nerou pehout ou nerihou phout.
Como não há registro de sistema
monetário antes do Novo Império, é possível que a remuneração dos médicos fosse
feita por meio de alimentos como indica o papiro achado junto à necrópole de
Ramsés II: dois khars (unidade de medida)
de grãos aos dois escribas, três khars
ao comerciante e um khar ao médico.
A intricada relação entre os médicos e sacerdotes
está clara na certeza de que muitas escolas de medicina estavam situadas no
templos mais importantes como os de: Memphis, Abydos, El Amarna, Coptos, Esna,
Edfou e Saïs. O diretor da escola médica de Saïs e o líder sacerdotal da deusa
Neith, a principal divindade dessa cidade usavam a mesma titulação.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Moacir Andrade (17.03.1927 – 27.07.2016)
![]() |
| No melhor da forma: um naïf expressionista e anárquico, com total domínio do movimento e das cores. O Curupira. |
![]() |
| Aos 80 anos, ainda em plena atividade. |
Para saber mais do artista plástico e poeta Moacir Andrade, veja:
. Moacir Andrade no Palavra do Fingidor
. Moacir Andrade nO Fingidor
terça-feira, 26 de julho de 2016
Nem sob tortura
Pedro Lucas Lindoso
Era um sábado propício a ir
à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Tia Idalina convalescia de mais uma cirurgia
plástica. A quinta ou sexta, talvez. Fui visitá-la. Idalina fazia as unhas e
arrumava o cabelo. Duas de suas sobrinhas estavam de visita e aproveitavam para
também fazer as unhas. Gentileza de tia Idalina.
– Isso aqui vira um salão
aos sábados. Disse ela. Essas meninas queridas vêm sempre me visitar. Nunca
fico sozinha.
Tia Idalina é sábia. E magnânima.
Também, pudera! Recebe seis contracheques, de fontes diversas. Professora
aposentada do estado, Idalina foi ainda bibliotecária de uma autarquia
federal. Seu falecido marido era
professor de uma universidade pública e engenheiro de uma estatal. E tem ainda
a do Exército. Seu pai era general reformado e serviu na Itália. Cinco fontes
generosas e ainda a “merreca do INSS”, a completar os maravilhosos rendimentos
mensais de Idalina.
Frequenta todas as reuniões
de associações de aposentados e sindicatos de onde é pensionista ou aposentada.
Leva sempre uma pastinha com todos os documentos. Vez por outra recebe uma
bolada extra. São indenizações trabalhistas. Há sempre parcelas de remuneração
pagas a menor, planos econômicos, verbas não pagas corretamente a aposentados.
– Esse pessoal dos
sindicatos e seus advogados são geniais, diz ela.
Assim tia Idalina ou faz
plástica ou uma grande viagem ao exterior, sempre que ganha uma grana extra da
Justiça.
Argumentei que a opção pela
plástica era por causa da alta do dólar. Mas ela disse que não e me contou,
desolada, porque resolveu fazer a sexta plástica. Estava no carro com
Antonieta, sua “best friend”, quando um motorista irritado com o trânsito
gritou:
– Suas velhas vadias.
No que ela me confessou:
– Juro que não me ofendi com
o palavrão, “vadia”. Mas me chamar de velha?... Um absurdo!
Concordei com titia. Uma
falta de respeito e de educação. Idalina não confessa a sua verdadeira idade.
Nem sob tortura.
domingo, 24 de julho de 2016
Manaus, amor e memória CCLXXIV
sábado, 23 de julho de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Portugal para principiantes 9
| Lateral da Igreja das Carmelitas, na área central do Porto. |
| Vista da Cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia, tendo ao fundo, sobre o rio Douro, a ponte de D. Luís I, a unir as duas cidades. |
| Ainda na Santa Catarina, mas separada da algazarra comercial, a Capela das Almas. |
| Ruela típica do Porto. Típica ruela de Portugal. |
| “Nossas roupas comuns dependuradas...” Ribeira, a zona boêmia do Porto, e o Muro dos Bacalhoeiros. (Zona, no sentido de área, por favor.) |
| A Ribeira, no centro histórico do Porto, é Patrimônio da Humanidade. |
| Parte da Ribeira, vista do Douro. |
| A ponte de D. Luís I, vista do Douro. |
Fotos e texto: Zemaria Pinto.
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Zemaria Pinto
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Deusas e deuses curadores no Egito antigo
João Bosco Botelho
É possível que as complexas
relações abstratas que envolveram deuses e deusas curadoras nas curas de
doenças e infortúnios estivessem presentes antes da linguagem escrita.
Após o sedentarismo, as
primeiras linguagens-culturas, como a do Egito antigo, ampliaram essas ideias
mantendo vivo ao longo de três mil anos o panteão de deusas e deuses curadores.
Os nomes das divindades variaram nos períodos dinásticos, todavia as concepções
teóricas da vida e da morte, da saúde e da doença, giravam em torno das
teogonias e teofanias, provavelmente, oriundas de ideias e crenças religiosas
dos tempos ágrafos.
As máscaras mortuárias, como
a de Tutancâmon, de beleza artesanal incomparável, com o objetivo de conservar
a fisionomia após a morte, relacionada com a crença no renascimento, reproduziu
prática corrente em muitas culturas, em especial, na história do povo egípcio.
Os deuses e deusas eram,
essencialmente, curadores e protetores contra o mal. Como intermediários do
poder divino, os sacerdotes representavam o panteão e a eles cabia a arte de
curar e adivinhar. Por essa razão, eram reverenciados e temidos.
Entre os principais deuses e
deusas, destacaram-se:
– Thoth, um dos mais antigos
do panteão, curou Horus da picada do escorpião e as feridas causadas pela luta
entre Horus e Set;
– Imnhotep, filho de Ptah,
representado por incontáveis estatuetas de bronze, achadas nas escavações
arqueológicas de vários períodos políticos do Egito antigo;
– Isis, a curadora de Ra,
possuía o poder de ressuscitar os mortos;
– Sechmet, a protetora das
doenças das mulheres;
– Zoser, rei da terceira
dinastia, utilizava nas correspondências a designação Sa ou aquele que cura, e,
nas inscrições do templo, o título de médico divino.
Além dos deuses e deusas, os
egípcios acreditavam que objetos tornados sagrados, tinham o poder de
influenciar a vida e a morte, a doença e a saúde:
– Sol alado: símbolo da
cosmogênese, situava-se no umbral dos pórticos dos templos, câmaras e palácios
alertando a todos sobre o extraordinário significado da luz solar;
– Kepher ou Akhpner ou
escaravelho sagrado: símbolo máximo dos ritos de iniciação, traduzindo a
regeneração e paternidade do mundo e dos homens, a renovação da vida e a vida
após a morte. Por essas razões, usado como amuletos. Até hoje, em pequenas
regiões do sul do Egito e Sudão oriental, o inseto é secado ao sol, triturado,
misturado com água e bebido pelas mulheres como tônico infalível para gerar uma
grande família;
– Uaret: a serpente naja
simbolizando o conhecimento e proteção, adornava o alto da coroa faraônica;
As práticas médicas atadas
aos deuses e deusas curadores desfrutavam de lugar especial na sociedade
egípcia antiga. Dessa forma, não é possível estabelecer, para todos os
períodos, um único entendimento, contudo, a partir das fontes médicas,
notadamente, nas da XVIII dinastia, isto é, entre 1.400 e 1.800 anos a. C.,
dominou a ideia de o homem (ser vivente) ser compreendido dividido em três
partes: corpo, espírito (representado na forma de pássaro, associado à
possibilidade de se descolar após a morte para visitar a múmia) e Ka (parte
imutável, com personalidade própria que reside no homem, presença permanente
durante a vida e após a morte).
Assim, sob essa relação,
onde a vida e a morte estavam em ordenamento próximo, como etapas sucessivas, a
Medicina era entendida como responsável pelos corpos saudáveis, empurrando
temporariamente a morte inevitável.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
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