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| Maxine Gadd. |
quarta-feira, 20 de março de 2019
terça-feira, 19 de março de 2019
Ao lado de um grande homem
Pedro Lucas Lindoso
Neste mês dedicado às mulheres muito se tem dito a elas.
Flores e presentes em abundância jamais serão suficientes para que nós, homens,
possamos quitar o quanto devemos às mulheres. Não só como esposas, mas também
como mães, irmãs, filhas, sobrinhas e primas.
A dívida dos homens para com as mulheres é exponencial. A
influência que elas exercem na nossa formação fica geralmente no anonimato.
Mesmo porque elas nos moldam na intimidade. No aconchego do lar. Elas nos
influenciam da maneira mais discreta e do modo mais tranquilo e por isso tão
eficaz.
Quando os homens são homenageados e biografados raramente se
ressalta o papel que suas mães e esposas desempenharam na formação de sua
personalidade. Na construção de seu patrimônio não só monetário, mas também o
patrimônio moral e intelectual.
Muitos homens em seus escritos e depoimentos falam de suas
mulheres, incluindo mães, avós e filhas, com um amor imensurável. Falam delas
com respeito profundo e imensa ternura. Humildemente me incluo nessa categoria.
Outro assunto do momento é a questão da isonomia entre homens
e mulheres. Principalmente no que concerne a salários, condições e
oportunidades de trabalho. Inclusive ascensão funcional e exercício de cargos
de poder e gestão. O outro lado dessa moeda está no fato de que nós homens
precisamos ser também responsáveis pelas tarefas domésticas.
Ora, a sociedade do século 21 proclama que homens e mulheres
podem e devem exercer funções em todas as áreas. E isso é ótimo. Mas também os
homens têm que ter consciência na busca do necessário equilíbrio. Assim, a
colaboração entre os casais é fundamental. Só através do esforço conjunto,
ambos poderão se aperfeiçoar sem descuidar de fortalecer a família e bem educar
os filhos.
Quero terminar essa homenagem às mulheres, fazendo uma
confissão: as grandes lições de vida que recebi foram de minha mãe e de minha
esposa. Não sei se foram perfeitas em suas influências. Mas uma coisa é certa.
Se me afastei ou quando me afasto do que elas me disseram e me ensinaram a
culpa é toda minha.
São as mães, muito mais que os pais, que influenciam os
filhos e suas condutas. A sorte de ter uma boa mãe e esposa dedicada é tudo
para um homem. Ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
segunda-feira, 18 de março de 2019
domingo, 17 de março de 2019
sábado, 16 de março de 2019
quinta-feira, 14 de março de 2019
A poesia é necessária?
Sítio
Claudia Roquette-Pinto
O morro está pegando
fogo.
O ar incômodo, grosso,
faz do menor movimento um
esforço,
como andar sob outra
atmosfera,
entre panos úmidos,
mudos,
num caldo sujo de claras
em neve.
Os carros, no viaduto,
engatam sua centopeia:
olhos acesos, suor de
diesel,
ruído motor, desespero
surdo.
O sol devia estar se
pondo, agora
– mas como confirmar sua
trajetória
debaixo desta cúpula de
pó,
este céu invertido?
Olhar o mar não traz
nenhum consolo
(se ele é um cachorro
imenso, trêmulo,
vomitando uma espuma de
bile,
e vem acabar de morrer na
nossa porta).
Uma penugem antagonista
deitou nas folhas dos
crisântemos
e vai escurecendo, dia a
dia,
os olhos das margaridas,
o coração das rosas.
De madrugada,
muda na caixa
refrigerada,
a carga de agulhas cai
queimando
tímpanos, pálpebras:
O menino brincando na varanda.
Dizem que ele não percebeu.
De que outro modo poderia ainda
ter virado o rosto: – Pai!
acho que um bicho me
mordeu! assim
que a bala varou sua cabeça?
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Claudia Roquette-Pinto
quarta-feira, 13 de março de 2019
Academia Amazonense de Letras reinicia suas atividades culturais com lançamento de livros
Evento faz
parte da programação de comemoração ao centenário da casa e é aberto ao público
No próximo sábado, dia 16 de março, às 9h30, a Academia
Amazonense de Letras dará início às suas atividades de 2019, com o lançamentos
de 4 novos títulos de acadêmicos.
Amazônia: Fragmentos da História, de Abrahim Baze; Álvaro Maia: canção de fé e esperança,
de Carmen Novoa; Envelhecer é um
Privilégio (parte 1), de Euler Ribeiro e Cotidiano Pitoresco, de Mazé Mourão, serão apresentados à população
pelos próprios autores, por meio de breves palestras.
Além disso, o acadêmico José Braga, diretor de Edições da
Academia, fará uso da palavra, para apresentar e pontuar detalhes do projeto e
seus próximos lançamentos.
Para o presidente do biênio 2018-2019, Robério Braga, o
evento é uma reaproximação com o público, que já sentia falta dos eventos realizados
na Casa de Adriano Jorge: “O público busca conhecer mais sobre a produção
literária amazonense. As pessoas perguntam pelas redes sociais quando
retornaremos e isso é gratificante. Perceber que a população aprova este
trabalho e até o cobra é de uma felicidade imensa, só podemos ficar gratos”,
afirma Robério.
Ao todo, cerca de 40 títulos inéditos serão lançados na
Coleção Especial do Centenário, que conta com apoio do Governo do Estado do
Amazonas e Prefeitura de Manaus.
Entre os autores que poderão ser apreciados com os
lançamentos estão nomes como Newton Sabbá Guimarães, Marilene Corrêa da Silva
Freitas, Luiz de Miranda Corrêa, Abrahim Baze, Mário Ypiranga, Elson Farias,
Zemaria Pinto, Robério Braga, Almir Diniz, Márcio Souza, Euler Ribeiro, Carmen
Novoa e Dom Luiz Soares Vieira.
Além das palestras e roda de conversa, o evento conta com
distribuição gratuita dos livros, autografados pelos imortais.
Todos os títulos lançados durante a programação especial em
comemoração ao centenário do Silogeu poderão ser consultados no Memorial
Genesino Braga, que conta agora com uma nova decoração e estrutura mais
adequada para visitação.
A Academia Amazonense de Letras fica localizada na Rua Ramos
Ferreira, n°1009 – Centro. Para mais informações sobre a Academia e suas
atividades, visite o site www.academiaamazonensedeletras.com.br
e acompanhe as páginas nas redes sociais.
terça-feira, 12 de março de 2019
Excelente companheira
Pedro Lucas Lindoso
Viajar é sempre uma oportunidade para aumentar conhecimentos.
Além de conhecer novos lugares e alargar os horizontes. Não é sem razão que se
inventou a lua de mel. A tão sonhada viagem de núpcias. É quando o novo casal
tem a efetiva oportunidade de se conhecer.
Viajar para mim é sempre uma grande alegria e quase uma
prioridade. É importante até como fonte de inspiração para crônicas ou, quiçá,
um novo romance.
Quando se viaja em família e os filhos são pequenos, a viagem
é sempre uma oportunidade de crescimento em afetos e conhecimentos. E
fundamental. Principalmente nos dias atuais, em que os pais trabalham e a
rotina interfere na quantidade e qualidade de horas de convivência entre os
membros do núcleo familiar. Viajando, a família fica 24 horas em total convivência.
Compartilhando experiências únicas. Diferente do dia a dia, quando filhos estão
nas escolas e pais tralhando.
Fiz uma viagem com meus filhos casados e minha netinha Maria
Luísa. Três casais. Ou seja, seis pessoas e meia. Meia não, porque Maria Luísa
tem muita personalidade. E a viagem, compartilhada com seus pais, avós paternos
e tios tinha como objetivo levá-la ao Magic Kingdom, no Disney World, para
comemorar seu aniversário de três anos.
Apesar de alguns amigos argumentarem que ela seria muito
pequena para aproveitar, não foi o que aconteceu. Maria Luísa enfrenta as
viagens de avião sem chorar, sem fazer tolice e passa quase todo o tempo
dormindo e sentadinha na cadeira. Reivindica seu “gagau” na hora certa e
comporta-se como uma pequena lady, apesar de ser, na verdade, uma princesinha.
E de princesa comemorou seu aniversário de três anos.
Naquele 8 de fevereiro, Vera e eu éramos os avós da mais
linda das garotinhas princesas do Magic Kingdom. Vestiu-se de Cinderela.
Maria Luísa visita as lojas Disney e comporta-se muito bem. É
muita educada e atenciosa. No dia seguinte, fomos aos indefectíveis outlets.
Ela me toma pela mão e me mostra uma banca onde há várias bonecas LOL. Compro
uma e presenteio à Maria Luísa. E ela pergunta:
– Já pagou vovô? Posso abrir? Já sim, respondi. Muito bem.
Primeiro paga-se. Depois é que podemos usar.
Certamente Maria Luísa voltará aos parques de Orlando em
outras oportunidades. Maria Luísa é excelente companheira de viagem.
segunda-feira, 11 de março de 2019
Vestido Queimado - no Casarão de Ideias
Narrativa fantasiosa sobre a amizade entre duas pessoas, este
espetáculo é resultado de um projeto de pesquisa cênica realizada pela Soufflé de Bodó Company. O Teatro de Papel
é uma forma estética e prática de contar histórias que interessou bastante aos
integrantes da companhia, por seu relativo ineditismo na região Norte.
Gênero: teatro; Classificação: livre; Duração: 45 minutos.
domingo, 10 de março de 2019
sábado, 9 de março de 2019
quinta-feira, 7 de março de 2019
A poesia é necessária?
Estudo IX
Alcides Werk
Fez-se uma curta pausa. E
a noite baça
estendeu seus lençóis
sobre as cidades.
Ventos frios de morte
andavam soltos,
e formas embuçadas
destruíam
restos vagos de luz.
Alguns senhores
guardaram pressurosos
seus haveres
para a estranha vigília
dos sonâmbulos.
Nas sombrias e extensas
avenidas
as multidões dos homens
deserdados
prosseguiram seus ritos
no silêncio
de uma noite sem tempo. E
os anciãos
das várias tribos foram
convocados
para o mister pacífico
das aras
e a glorificação das
horas mortas.
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Alcides Werk
quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 5 de março de 2019
Você fala a língua do P?
Pedro Lucas Lindoso
Sempre que tia Idalina me telefona, agora somente por WhatsApp,
temos novidade ou algo de pitoresco.
Estranhei o horário. Fiquei assustado. Noveleira como ela só,
telefonar-me enquanto passa a novela das oito é algo inusitado. Ela me disse
que agora aprendeu a usar o globo play. Tia Idalina entrou na era do streaming.
Pergunta-me se quando menino falava a língua do P. Disse à
titia que era fluente na língua do P. Ela morreu de rir. Comenta que minha
geração é que sabia brincar. Interagia-se com os companheiros de rua, com
primos e irmãos em brincadeiras saudáveis.
Contou-me que foi ao playground de seu edifício. Cariocas
chamam a área de lazer dos prédios de play. Foi pesquisar como a meninada
brinca nos dias de hoje.
– A garotada toda portando celulares. Agora é cabeça, tronco,
membros e celulares. Perguntei se sabiam a língua do P. Ninguém sabia. Uns estudavam
inglês e francês. Outros, alemão. Havia um rapazinho que além de Inglês
estudava mandarim. Ninguém sabia falar a língua do P.
Comentei com tia Idalina que essa brincadeira de criança foi
objeto de estudo em Linguística aplicada, quando fiz letras na UnB. Em Portugal
se chama Língua dos pês.
A verdade é que o uso lúdico da linguagem é comum em várias
culturas. Quando criança, eu usava a língua do P. Quanpandopo criprianpançapa,
eupeu upusapavapa apa linpinguapa dopo Pêpê.
Nos países vizinhos onde se fala o espanhol, as crianças
brincam de falar o jeringonzo. Lembro-me
de uma colega que morou na Argentina explicá-lo. Recordo-me que pode ser usado
em diferentes formas dialetais.
O Inglês não é uma Língua latina e não tem a sonoridade e a
nossa fonética. A técnica da língua do P é inaplicável. Vejam que “no”, “know”
e “now”, não tem a lógica fonética que os falantes de Português estão
acostumados.
Entretanto, nos países de Língua Inglesa também se brinca com
a linguagem. Sei que existe a Pig Latin e a Backslang, mas não sei bem como
funcionam.
E você, caro leitor, fala a língua do P?
domingo, 3 de março de 2019
sábado, 2 de março de 2019
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
Antropologia
Simão Pessoa
tembé oiampii assurini
parakanã
xikrin gorotiré apalaí
kaxuyana
tiryo arara
parakatagé karipuna
galibi palikur makuxi
wapixana
fora dos livros de
história
estes nomes não dizem
nada
só trazem talvez remorso
pela memória apagada
txikuna miranha kulina
kaxinawá
tapirapé paresi iranixe
karajá
xavante bacairi javaé
nambikuara
krinati guajajara krahó
apinagé
fora dos livros de
história
estes nomes nada nos
dizem
só trazem talvez espanto
pela miséria visível
guajá xerente pataxó
atroari
pankararé tupiniquim krenak
tuxã
waimiri kaimbé potiguara
xoko
kiriri ianomâmi apurinã
kadiwé
fora dos livros de
história
estes nomes nos mostram
tudo:
o homem lobo do homem
na apoteose do jugo
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A poesia é necessária?,
Simão Pessoa
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Jacaré-tinga ou do rabo cotó?
Pedro Lucas Lindoso
Quem entra para a vida pública há que se acostumar com
críticas e notícias desagradáveis. Além das armadilhas e artimanhas dos
partidos de oposição ao seu governo. É inerente à democracia.
Eleito deputado e posteriormente senador pelo Amazonas, meu
saudoso pai José Lindoso levou a família toda para Brasília. Cresci e casei-me
por lá. Quando José Lindoso tomou posse como governador, não morava por aqui e
poucos me conheciam.
Era o dia da posse. Fui cortar o cabelo numa barbearia do
centro. Cabeleira devidamente aparada. O barbeiro, que não me conhecia, fazia o
acabamento usando com incomum destreza uma afiadíssima navalha. De repetente,
alguém comenta.
– Hoje é posse do novo governador José Lindoso. E o barbeiro,
ainda com a navalha na mão, terminando o corte no meu cabelo, disse:
– Mais um para roubar.
Eu calado estava, calado fiquei. Terminado o serviço, paguei
o homem e saí sorrateiramente da barbearia, evitando constrangimentos.
Os amazonenses têm o hábito de criticar nossos irmãos
paraenses usando como mote a gatunice, ou chamando-os de jacaré. É deselegante
e injusto. Mesmo porque a maioria dos paraenses que vem para Manaus não é da
região de Belém. São na verdade tapajoenses. Óbidos, Oriximiná, Juruti e
Santarém são cidades bem mais próximas de Manaus do que de Belém.
Isso explica a forte migração para Manaus e a grande
quantidade de paraenses do Tapajós por aqui. Não se justifica a implicância
porque a cultura, o sotaque e os costumes são os mesmos dos amazonenses da
região do Baixo Amazonas. Já próximo ao Tapajós, lindo rio com belas praias,
temos as importantes cidades de Parintins, Maués e Barreirinha.
A marchinha de carnaval da Banda da Bica, que sempre faz
críticas aos políticos, chamou o novo governante de jacaré-tinga. Ele é
paraense oriundo do Tapajós que é um lindo rio com belas praias. Dizem que sua
excelência não gostou do apelido.
Vá se acostumando governador. Faz parte do jogo político.
Graças a Deus vivemos numa democracia. É melhor ser chamado de jacaré-tinga do que
jacaré do rabo cotó. O jacaré-tinga é também conhecido como jacaré-de-óculos.
Olho vivo na democracia.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
“Papa Highirte”, de Vianinha, encerra ciclo de leituras dramáticas Teatro e Resistência
O ciclo
Teatro e Resistência – leituras
dramáticas, promovido pela Cia Vitória Régia, chega à sua edição final
nesta quinta-feira, com a leitura da peça de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha,
Papa Highirte.
Com
excelente repercussão junto ao público, foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética, de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não usam black-tie, de
Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do
mundo, de Dias Gomes; Vejo um vulto
na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah Assumpção; e Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no pirarucu, de Márcio
Souza. Seis peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita
propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.
A
mostra teve como objetivo colocar em discussão a situação do teatro e do
Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas pela repressão imposta pela
ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”, muito parecidas com as
milícias assassinas em ação hoje, com o apoio de gente acima de qualquer
suspeita.
A Cia
Vitória Régia escolheu a ARTE e o TEATRO para esclarecer o passado e denunciar
as semelhanças com o presente, resistindo.
Os
textos escolhidos botam o dedo em diversas feridas: a repressão aos movimentos
populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.
A peça
desta quinta-feira, 28 de fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares – Papa Highirte, de Vianinha – mostra um
típico ditador sul-americano, que, no exílio, amarga o abandono de todos.
Escrita em 1968, só pôde ser encenada quando os ventos da “abertura” sopraram,
11 anos depois.
Highirte
é um ser desprezível, cercado de seres desprezíveis. Vianinha opta pelo
simbolismo, construindo personagens que representam parcelas do continente (e
do Brasil) nos anos 30 a 60, mas que se mantêm ainda muito atuais: generais
golpistas, torturadores não-oficiais, um delator arrependido, um representante
do “big brother” do norte, oferecendo “ajuda humanitária”...
Ator e
diretor, Vianinha escreveu “Chapetuba Futebol Clube”, “Allegro desbum” e “A mão
na luva”, além ter sido o criador, juntamente com Armando Costa, do humorístico
“A grande família”, em 1972. Morreu em 1974, aos 38 anos, logo após concluir
sua obra-prima “Rasga Coração”.
Serviço:
Evento: Teatro e
Resistência – leitura dramática de Papa
Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados
Quando: dia 28 de fevereiro,
às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos
Entrada franca
Marcadores:
Nonato Tavares,
Oduvaldo Vianna Filho,
Teatro e Resistência
domingo, 24 de fevereiro de 2019
sábado, 23 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
Ponto de vista
Leila Miccolis
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.
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A poesia é necessária?,
Leila Míccolis
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
Lembranças ao Mickey Mouse
Pedro Lucas Lindoso
Ao chegar de férias, encontrei-me com meu colega e amigo
Chaguinhas. Estive nos Estados Unidos. Meu amigo é meio antiamericano. Sempre
estudou francês. Quando viaja, vai preferencialmente para a Europa. Não toma
Coca-Cola. Não porque faz mal à saúde. Mas, segundo Chaguinhas, a Coca-Cola é o
símbolo máximo do imperialismo. Bobagens do Chaguinhas. Eu fiz intercâmbio na
juventude e sinto-me em casa na terra do Tio Sam.
Em entrevista que rola na rede, Ariano Suassuna ressalta a
quase “obrigatoriedade” da classe média brasileira em visitar o Disney World.
Um rico anfitrião e sua família ficaram abismados pelo fato de Suassuna não
conhecer o Disney World. O inesquecível escritor questiona o fato do mundo ser
divido entre as pessoas que foram à Disney e as que ainda não foram.
Chaguinhas comentou que seus filhos, quando crianças,
perguntavam-lhe:
– Quando vamos à Disney? Ele sempre dizia:
– Um dia, todos vamos para lá!
Imagine que quase todos os colegas da sala foram à Disney. E
a pergunta persistia:
– Quando vamos à Disney? Invariavelmente, Chaguinhas
respondia:
– Um dia, todos vamos para lá!
Quando seu pai faleceu, o seu filho mais novo, de cinco anos,
questionou:
– Para onde o vovô foi? E Chaguinhas respondeu:
– Um dia, todos vamos para lá!
– O vovô foi para a Disney? Perguntou o garotinho. Risada
geral, relatou-me o meu amigo e colega.
Disse ao Chaguinhas que tinha ido à Disney levar a minha
netinha Maria Luísa. Comentei que nos Estados Unidos as ruas não têm buracos,
as calçadas são largas, planas e bem feitas.
– Não acredito. Isso existe? Pergunta Chaguinhas. Encantado
com a possibilidade de andar em ruas largas, planas, sem nenhum buraco e com
calçadas bem pavimentadas, Chaguinhas me disse que levaria os filhos e netos à
Disney no carnaval.
Dê lembranças ao Mickey Mouse, meu amigo Chaguinhas. Afinal,
este ano Mickey Mouse completa 90 anos de idade.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Zona Franca, meu amor - leitura dramárica
A Cia de Teatro Vitória
Régia segue apresentando, sempre às quintas-feiras, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.
Com excelente repercussão
junto ao público, já foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética,
de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não
usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do mundo, de Dias Gomes; e Vejo um vulto na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah
Assumpção. Peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita
propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.
A mostra visa colocar em
discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970,
dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias
“anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas em ação hoje, com
o apoio de gente acima de qualquer suspeita.
Escolhemos a ARTE e, mais
especificamente, o TEATRO para resistir, esclarecer e denunciar.
Para isso, o grupo
selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a
repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a
tortura, o assassinato.
Nesta quinta-feira, 21 de
fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no Pirarucu, de Márcio
Souza, um painel risonho e franco da Manaus pós-moderna; ou seja, pós-borracha.
Encenada em 1978, trata-se de uma revista alegórica, que zomba
do modelo econômico
legado pela
ditadura instaurada em
1964, para concluir ,
melancolicamente: “Porto de Lenha ,
tu nunca
serás Liverpool...”.
Dono de um humor corrosivo
e anárquico, há 40 anos Márcio Souza já antecipava a falência do modelo
econômico imposto a fórceps pelos militares, cujo primoroso lema era “integrar
para não entregar”. Nunca se entregou tanto...
Autor de Folias do látex, A resistível ascensão do Boto Tucuxi e A paixão de Ajuricaba, entre outros títulos, o consagrado
romancista de Galvez, o imperador do Acre
e Mad Maria é o nome de maior
destaque do teatro feito no Amazonas.
Serviço:
Evento: Teatro e Resistência
– leitura dramática de Zona Franca, meu
amor ou Tem piranha no pirarucu,
de Márcio Souza
Finalidade: mostra de
peças de autores censurados, como Oduvaldo Vianna Filho, Plínio Marcos,
Gianfrancesco Guarnieri e outros
Quando: dia 21 de
fevereiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre
Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores
de 16 anos.
Entrada franca.
Marcadores:
Marcio Souza,
Teatro e Resistência
domingo, 17 de fevereiro de 2019
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
A poesia é necessária?
...Salpicavam nosso chão
Cláudio Fonseca
A porta do barraco
era sem trinco.
Dentro, os meninos
metralhados!
Trapos coloridos
do Brasil, florão da
América,
ao sol do Novo Mundo
iluminados.
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A poesia é necessária?,
Claudio Fonseca
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
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