Amigos do Fingidor

quarta-feira, 16 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sobre versejadoras histéricas e medíocres



Não intento aludir, é claro, à farândola desconcertante das versejadoras histéricas e medíocres que, à sombra dos dislates de um falso modernismo, e numa linguagem referta de cacologias, no mesmo passo corrompem e desmoralizam a arte e o idioma.

Péricles Moraes (1882-1956),

no ensaio “Exaltações da poesia tropical”, onde ele analisa a poesia de Violeta Branca, tirando o corpo e a pena fora da poesia rola-bosta.

Quanta atualidade!

domingo, 13 de abril de 2014

Manaus, amor e memória CLV


Chegada de um navio no porto de Manaus, antes da construção do Roadway.
O desembarque era feito em pequenos barcos, pois os navios de grande calado não podiam atracar.
Ao fundo, a matriz da Conceição.

sábado, 12 de abril de 2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Otelo Solo na Aparecida


Otelo Solo - de Zemaria Pinto, dirigido por Nereide Santiago, com o ator Arnoldo Chaves -
será apresentado sábado, dia 12 de abril, às 19h,
no Teatro Comandante Ventura - Centro de Convivência do Idoso,
no bairro de Aparecida.  

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Caravana Literária – gênese e apocalipse



Zemaria Pinto

No princípio era a palavra. E a palavra vestiu-se de música. E a palavra se fez canção. No princípio era a canção.  E a canção fez-se poema. E do poema brotou a poesia. No princípio era a poesia. Assim nasceu a poesia. Porque o poema e a canção nasceram da mesma semente e mesclaram-se e fundiram-se e viraram-se pelo avesso, feito dois amantes enlouquecidos, confundindo pernas e braços e peitos e línguas – os olhos fechados fitando o infinito.

O que é poesia?, pergunta a menininha, com um brilho estranho nos olhos: ela sabe que essa pergunta não tem resposta. Poesia não se define, garota. Poesia é emoção? Não, a gente faz poesia pra não sofrer do coração. Poesia é confissão? Não, poesia é ficção e fricção. Poesia é comunhão? Não! Poesia é fratura exposta. Poesia é rompimento, fragmentação. Poesia é (revire os olhinhos) “exercício de linguagem”? Não! Poesia é imaginação. “Um boi e um homem são levados ao matadouro. O primeiro a berrar é o homem. Mesmo que seja o boi.”

O que é poesia, então?, pergunta o garotinho, com um sorriso igualzinho ao do Chuck. Poesia não se define, menino, não enche. Poesia é luz? É escuridão! Poesia é sonho? É a realidade da vida banal! Poesia é sentimento? Não, poesia é alegria, alegoria, fantasia. Poesia é carnaval!

Antes mambembes, agora somos profissionais. Mas não tente tirar a máscara da nossa face. Nãomáscara, somos assim mesmos... A Caravana Literária, de fevereiro a fevereiro, saúda o distinto público e pede passagem. Evoé!

Manaus, Fevereiro de 2006

__________________________________________

A Caravana Literária começou a atuar nas escolas públicas em 2004, como uma forma de divulgar a produção poética dos participantes e incentivar alunos e professores a apreciar a literatura que se faz no Amazonas. A partir de meados do ano seguinte, o grupo estruturou-se em torno dos poetas Aldisio Filgueiras, Davi Ranciaro, Dori Carvalho e Zemaria Pinto, com a participação do grupo Jiquitaia, que, tendo à frente o compositor Mauri Marques, tem um trabalho voltado para, por meio da música, divulgar a poesia amazonense.

Sábado na Academia, Abrahim Baze e Estelita Tapajós

 

Deuses gregos curadores: Apolo e Asclépio



João Bosco Botelho

         O contínuo movimento dos homens e mulheres é uma das principais diferenças da cultura grega das anteriores que se desenvolveram nas margens dos rios Indo e Nilo. Ao contrário das pinturas e esculturas, estáticas frontais ou laterais, egípcias e mesopotâmicas, a grega mostrava os corpos em movimentos.
         De maneira semelhante, talvez mantendo laços na construção cultural, a teogonia (nascimento dos deuses e deusas relacionados à formação do mundo) e a cosmogonia gregas (narrativa, doutrina ou teoria que explica a origem do mundo e do Universo) se assentaram na grande mobilidade de deuses e deusas descritos com qualidades e defeitos equiparados aos dos humanos.
         Na complexa construção do panteão (conjunto de deuses e deusas de determinada religião politeísta) grego reproduzindo o nascimento das divindades, como se atavam às agruras humanas e os caminhos míticos das soluções, sem dúvida, receberam destaque os deuses mais competentes para curar doenças temidas.
         Apolo, filho de Zeus e Leto (uma das amantes prediletas de Zeus), adorado na Grécia e nas cidades do Mediterrâneo oriental, como deus da luz do sol, vencia a obscuridade; da purificação, trazia a benção da pureza do belo; da harmonia, vencia os conflitos; e da adivinhação, mostrava aos homens e às mulheres o caminho da cura. Ao mesmo tempo, o povo grego também reconhecia e temia Apolo como cruel vingador quando se sentia contrariado, matava os inimigos com as flechas de ouro certeiras, presentes de Zeus, logo após seu nascimento.    
         Na Grécia, o mito da carruagem trazendo o sol luminoso se ligou a Hélios e seu filho Faetonte.  Após a conquista romana, nas representações artísticas que incluem moedas, pinturas e esculturas de mármore e bronze, Apolo se confunde com Hélios, o deus-sol grego. As imagens metamórficas desse poderoso deus curador penetraram no território romano, sempre ligadas às proteções das doenças, talvez por essa razão, indissoluvelmente atado ao controle do sol radiante.
         Com as qualidades e defeitos humanos, Apolo foi infeliz em algumas paixões, rejeitado e traído em outras. Contudo, gerou descendências de natureza divina, de heróis e de semideuses. Entre as onze mulheres amadas por ele que geraram onze filhos, se destacou a paixão avassaladora com Coronis, filha de Flégia, rei da Tessália. Dessa união plena de dramas e artimanhas nasceu Asclépio, que se tornaria o mais importante deus curador grego, a partir do século 4 a.C., vivamente festejado no dia 12 de outubro em grandes procissões nas ruas.
         Após a conquista da Grécia pelas legiões romanas, Asclépio absorvido na cultura mítica do conquistador, recebeu o nome de Esculápio. As grandes festas públicas que comemoravam Asclépio e Esculápio continuaram com grandeza crescente. O cristianismo em franca ascensão não conseguia conter o culto desses deuses curadores. O sincretismo não tardou, as autoridades eclesiásticas determinaram que 12 de outubro fosse o dia do nascimento de Lucas, o apóstolo médico. Desse modo, na atualidade, muitos médicos continuam comemorando o “Dia do Médico” sem saberem que se trata do “Dia de Asclépio”.

Como no mito de Gilgamesh, do panteão mesopotâmico, no qual o herói presenciou a planta da vida eterna ser comida pela cobra, que imediatamente após, renasceu perdendo a pele, a condição mortal humana está expressa na morte de Asclépio, determinada por Zeus por meio dos raios dos Ciclopes, temendo que a ordem natural do mundo fosse alterada pela ressuscitação os mortos.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Edifício Marquês de Sade


No livro Edifício Marquês de Sade, o escritor amazonense Tenório Telles estreia no universo dos contos eróticos. Ele é organizador da obra, junto com os paulistas Roberto Fabra e Daniel Vas, e também assina dois textos: “A sétima lua cheia” e “Os peitos de mamãe”. 

A obra é resultado de uma oficina de criação literária que Tenório participou em São Paulo. “O livro é fruto de um trabalho que participei sob orientação do escritor Marcelino Freire que promove anualmente uma oficina de criação literária com ênfase no conto. Uma das atividades práticas foi criar contos com temática erótica. Ao final, nós fizemos uma seleção com os melhores textos e dessa seleção resultou o livro”, comenta.

Conhecido por seu trabalho com a poesia, Tenório conta como foi a experiência nesse novo gênero: “Eu já havia escrito alguns contos como exercício mesmo, mas a minha relação de criação literária é com a poesia. Não tinha pretensão de escrever ficção e, sim, meus ensaios e textos para o teatro. Mas com essa experiência me senti estimulado. Foi  um bom exercício até de sutileza porque ao escrever um conto erótico, você corre o risco, se não souber dosar, de descambar para a vulgaridade, para a pornografia. É um exercício de contenção”, pontua.

O escritor adianta que está escrevendo novos textos do gênero para, em breve, publicar.

“Já penso em publicar um livro só com textos eróticos. Já estou escrevendo. É uma experiência libertadora. As pessoas têm muitos pudores, ficam constrangidas de falar sobre sexualidade. Isso é uma grande bobagem porque a sexualidade é inerente à vida”.

Sobre a obra

Edifício Marquês de Sade (o título já acende a nossa curiosidade) traz, na sua apresentação, o seguinte parágrafo: “Pode entrar. No Edifício Marquês de Sade, são bem-vindos todos os gêneros, credos, medos, arroubos. Venha você de onde for. E parta para onde quiser. Quem chega aqui só não consegue sair igual ao que entrou”

A porta do Edifício encontra-se aberta, aliás, escancarada. O anunciante do convite diz que todos são convidados, mas, pergunto-me: Todos mesmo? Ou somente os de “passos mansos”, os “sem pudor”, os “poucos com maldade”, os “todos sem saciedade”?

A resposta às questões só poderá ser encontrada se entrarmos no Edifício Marquês de Sade; quando nos ambientamos nos seus quartos ou olhamos para além das suas janelas; quando, na imaginação, construímos a sala, com um piano, diante dele um pianista sem rosto, num restaurante vazio. A ideia do Edifício começa, então, a ser nítida.

No Edifício, vivem-se sentimentos, insinuam-se queixas, lamentos e situações doces e, ao mesmo tempo, caóticas, por serem esperas desesperançadas, por serem, apenas, memórias, coisas do inconsciente, aparentemente sem nexo ou importância. Mas também dores e sentimentos reais: abandono, sofreguidão, esperança e amor.

O Edifício alardeia um fogaréu. É Cecília, a esposa dedicada de um grande investidor, num dos seus atendimentos em horário comercial. E... por aí vai... até os contos finais, que se fecham em “A sétima lua cheia”, que tem Morgana (a fantasia, o júbilo, a artimanha e o ardil) como protagonista. Não seria o Edifício Marquês de Sade se não entrelaçasse a loucura, a fantasia, a virgindade, a prostituição, a beleza e o torpor espelhados pela Sétima Lua Cheia sobre finos lençóis de linho.

 

Evento: Lançamento de livro

Título: Edifício Marquês de Sade

Organizadores: Tenório Telles, Roberto Fabra e Daniel Vas

Data: 12 de abril de 2014 (sábado)

Horário: 10h

Local: Livraria Valer - Avenida Ramos Ferreira, 1195 ─ Centro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lábios que beijei 17



Zemaria Pinto
Monga


Nunca lhe soube o nome verdadeiro, mas as duas semanas em que Monga, a mulher-gorila, esteve na cidadezinha à margem do verde rio foram de absoluto êxtase. O espetáculo era tosco. A maquiagem, pré-King Kong – filme que assistíramos no ano anterior, no poeira da cidade, em rolos insuportavelmente picotados. Mas Monga, a atriz – por que não? –, era de uma beleza angelical. Como faziam aquela monstruosidade de mau gosto a uma moça tão bela? Magra, alta (pelo menos, para os meus 12 anos), os cabelos crespos, negros, derramados sobre a pele rosacobreada, o nariz afilado, os olhos negros e a boca – a boca sutilmente desenhada, num matiz carmim. Por trás da tenda onde se dava a metamorfose em duas sessões noturnas, havia um trailer, que funcionava como camarim. Por uma fenda na parede, amei Monga noturnamente, por duas semanas – antes e depois dos espetáculos. O seu corpo, despido do leve vestido cotidiano, cobria-se inteiro com a negra roupa de cena, botas e luvas negras – somente o rosto à mostra.  Passados mais de setenta anos, ainda sonho com Monga, o seu rosto, apenas – os olhos semicerrados –, flutuando assimétrico na escuridão, onde não distingo mais nada, nem mesmo as minhas criminosas mãos.

domingo, 6 de abril de 2014

Manaus, amor e memória CLIV

Vista da Matriz da Conceição, tendo como coadjuvantes,
à direita, o Relógio Municipal, e, ao fundo, o Teatro Amazonas e a igreja de São Sebastião.

sábado, 5 de abril de 2014

Fantasy Art - Galeria


 
I miss you.
Linda Bergkvist.
 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Entrevista ao Jornal do Comércio


Entrevista concedida por Zemaria Pinto ao jornalista  Evaldo Ferreira, publicada no dia 28 de março de 1014, lembrando os 50 anos do poema "Estatutos do Homem", de Thiago de Mello.


1. O que significou o poema Estatutos do Homem para a poesia do Amazonas, do Brasil e até do mundo?
R: O poema “Estatutos do Homem” é um canto de liberdade e um chamado à libertação. Ainda hoje, funciona como uma autêntica lição de cidadania, em qualquer língua, em qualquer parte do mundo. Seja sob Putin ou Maduro. 

2. Que outros poetas fizeram poesias tão contundentes como “Estatutos do Homem” durante aquele período negro acontecido no Brasil?
R: Houve toda uma vertente de poemas de cunho político nos 25 anos de ditadura. João Cabral de Melo Neto, Affonso Romano de Sant'Anna, Alex Polari, Paulo Leminski e o pessoal da chamada “geração mimeógrafo”... Entre tantos, são muito expressivos os poemas de Ferreira Gullar, de quem eu destaco “Dentro da noite veloz” e “Poema sujo”. 

3. “Estatutos do Homem” teria sido o ápice da criatividade de Thiago de Mello?
R: Não. Embora isso não o diminua, é interessante notar que “Estatutos...” é um poema de circunstância, escrito no calor da hora: um contraponto ao Ato Institucional No. 1, repleto de ironia e humor. Hoje, nós vemos isso. Naquela época, era uma reação indignada contra o golpe militar. Na minha opinião, os poemas mais expressivos de Thiago de Mello estão no livro De uma vez por todas, de 1996, onde ele faz uma súmula de tudo o que fizera até então – é o livro da maturidade, uma espécie de testamento poético.

4. Como esse tipo de poema funciona contra um ditador já que eles são pessoas tão duras e desprovidas de sentimentos humanos?
R: Não funcionam. A poesia é feita para o povo, não para os ditadores. A poesia é um reflexo do pensamento popular, uma manifestação do anseio popular. O ditador de plantão trabalha para sufocar esse anseio e calar os poetas.

5. Hoje, sem ditadura, que poesia está precisando ser feita, ainda que não seja por Thiago de Mello?
R: A poesia brasileira vive um vazio criativo. O que se vê é muito formalismo tolo e uma dor de cotovelo banalíssima. Reflexo, com certeza, da falta de mobilização popular. Aquele movimento do ano passado arrefeceu. As pessoas preferem ficar em casa, vendo a porcaria do big brother... A poesia política ainda tem vez, entretanto, não contra o ditador, pois vivemos, bem ou mal, numa democracia – mas uma poesia que questione o estar-no-mundo. Nos anos 60/70/80 não havia, como hoje, a consciência ecológica, por exemplo, e as questões de gênero e de preconceito continuam atuais. As minorias continuam minorias. Isso precisa ser questionado, em alto e bom som.   


Barbosa Rodrigues por Almir Diniz, neste Sábado na Academia

Para saber mais sobre o Sábado na Academia, clique aqui.

Cidade organizada e saúde pública



João Bosco Botelho

           

Na sociedade grega, especialmente na do século 4 a.C., políticos compreendiam a necessidade de organizar as cidades à semelhança dos corpos saudáveis, como se fossem organismos vivos. Ao contrário, a desorganização, causando tensões na maior parte da população, gerando ou se aproximando do caos, era considerada sinônimo de doença.

Aos gregos daquele tempo não seria possível administrar a cidade com competência satisfazendo as aspirações coletivas de bem-estar se as doenças de qualquer tipo fossem prevalentes. O administrador, o político competente, estava identificado, de modo obrigatório, naquele que poderia curar os sinais de qualquer desordem no ritmo urbano, capaz de determinar prejuízo às pessoas, impedir o sossego coletivo, as trocas comerciais e as relações com as ideias e crenças religiosas.

Tanto na administração laica do político quanto na dos sacerdotes e sacerdotisas, no mundo mágico da adivinhação oracular, a passagem da ordem (saúde) à desordem (doença), envolvendo mudanças nas coisas e nos acontecimentos, implicando riscos à saúde e à vida, estava claramente em polos opostos.

O poder de curar pessoas e sociedades, evitando a enfermidade e adiando a morte, tem sido historicamente utilizado pelo poder político, como mecanismo de coesão e controle social. Nessa esteira, sem dúvida, exigida pelos cidadãos nos quatro do mundo, obrigam que os administradores e políticos tanto nos macros quanto nos microssistemas, continuamente, como primeira obrigação, ofereçam à cidade médicos, hospitais, ambulatórios resolutivos e de fácil acesso, que são sempre mostrados à população como provas da competência gerencial. Desse modo, como na Grécia do século 4 a.C., hoje, respeitando as devidas proporções, construir hospitais, ambulatórios e contratar médicos continua sendo mostrado aos eleitores como indicativo de que podem confiar nesse ou naquele político.

É possível teorizar que esse elo motivador para a consolidação dessa extraordinária associação entre competentes sistemas de saúde e boa administração pública também esteja relacionado com as compreensões da morte. O sofrer e a morte da pessoa amada determinam transtornos complexos, em diferentes níveis do corpo, trazendo incontáveis sinais físicos de desconforto, variando em cada pessoa. O sistema nervoso central libera substâncias que alteram o ritmo biológico e interferem para amenizar a baixa da defesa imunológica inata. Esse terrível padecer, também entendido como sensação de perigo iminente, provoca mudanças nos ciclos do sono, da fome, da sede, da libido e da afeição. Logo, o político que consegue transmitir a mensagem pública de que consegue amenizar esse sofrimento, por meio da oferta de hospitais, ambulatórios e médicos, invariavelmente, é identificado como confiável.

Continuando a teorização, parece lógico pressupor que as atitudes específicas, usadas no enfrentamento da dor temida, minorando o sofrimento do homem e da mulher, tenham sido valorizadas e, continuamente, aperfeiçoadas pela ordem social. As ações humanas transformando a natureza para atenuar o desconforto, são imperativas! Estão ligadas diretamente aos mecanismos neuroquímicos que modelam e controlam todos os corpos dos seres vivos, em especial, os humanos.  

Na atualidade, a compreensão da sociedade organizada sem as dores da miséria dos deserdados que clamam por água e comida, como na Grécia antiga, está ligada aos políticos que zelam pelo bem público e buscam solução para curar os sofrimentos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Da admiração pelos sábios – Thiago de Melo


                                                                                                                    Tainá Vieira

Admirar, respeitar uma pessoa, seja ela mais velha ou mais nova do que você, é naturalmente normal. Acredito que todo ser humano tem como exemplo muitos ídolos ou espelhos, como preferirem, leitores, para guiar-se, para seguir. Já ouvi muitas pessoas dizerem “quando crescer quero ser como fulano de tal”. Eu muitas vezes já disse isso. Se fosse homem eu queria ser como Luiz Bacellar, como sou mulher, quero ser como Vânia Pimentel. No entanto, é tão difícil ser igual ou parecido como uma outra pessoa, o que nos resta fazer é assimilar os exemplos de cada pessoa querida e tentar formular a nossa própria personalidade, pois é fato que não sobrevivemos sozinhos e quanto mais aprendermos, mais andarmos nas boas companhias, muitos mais ganharemos. Conheço inúmeras pessoas, que os denomino como sábios, com essas pessoas eu sempre aprendo alguma coisa: nada, nem um aperto de mão é em vão.

Imagina se seria em vão uma conversa com Thiago de Melo. Só um louco para dizer isso. Eu já o presenciei falando, declamando, várias vezes, e, até já conversei com ele algumas vezes, e confesso que toda vez que falo com ele, eu me perco, pois não sei como agir, a admiração e o respeito que ele merece é maior do que qualquer palavra. Não é medo que sinto, é uma mistura de coisas, é como se ele fosse inalcançável para uma conversa com um leitor seu. Ele tem o hábito de olhar nos olhos da pessoa com quem está conversando, como se estivesse lendo o pensamento e vendo se essa pessoa está realmente lhe ouvindo, prestando atenção nas suas palavras.

E isso é algo bom, o autor não olha para o seu leitor com inferioridade, não o diminui, ele faz com que a pessoa se sinta maior, mesmo sabendo que ela não é. E eu acredito que o olhar nos olhos das pessoas, do Thiago, seja algo natural. Sim pois, vejamos. Olhar é o que marca, é o que diz tudo sobre uma pessoa, ou tudo sobre o que essa pessoa faz. Ninguém acredita num médico que receita remédios ou exames a um paciente sem examiná-lo. E há muitos desses médicos por aí, basta chegarmos a eles e apenas falarmos o que estamos sentindo e nem sequer nos olha, vai logo fazendo a receita ou prescrevendo o exame.  Isso é fato do cotidiano, isso é uma atrocidade e desrespeito com a vida.

Mas eu falava do poeta Thiago de Melo, que escreveu o Estatutos do Homem e muitos outros poemas que marcaram a vida e a história de milhares de pessoas. Eu falava do poeta de um país chamado Amazônia, que fez dos rios, da fauna, da flora e da vida, inspiração para seus versos mais belos.  Artigo 3, fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Imaginem, esses versos foram escritos há cinquenta anos. Daqui a cem anos eles permanecerão tão atuais como hoje. Porque sempre haverá girassóis para abrir-se; sempre haverá janelas para abrir-se e por toda a eternidade a esperança insistirá em crescer nos corações de muitas e muitas gerações. Thiago é um homem que conhece o coração do homem, que tem um coração de 88 anos de idade, mas que bate com a força de um menino de 8 anos, que tem nos sonhos a vontade de mudar o mundo, que tem na alma a sensibilidade e a ternura que a humanidade perdeu há muito tempo. Ele é como se fosse um menino, daquele que não se diz herói, daquele que não precisa fantasiar-se com roupas de super-heróis, e sim aquele menino que aprendeu desde cedo que o amor ao próximo, ao seu irmão, é mais importante do que qualquer coisa, se ele não tivesse aprendido isso, não cantaria em seus versos para muitas pessoas. É um homem que faz da palavra uma arma contra os dissabores do mundo, pode-se comprovar isso no poema Canção para os fonemas da alegria, é uma prece sobre o ato de ensinar e aprender.  Thiago é um poeta que faz do seu oficio de escrever a maior de todas as artes.

É por isso, que o admiro, que o reverencio como poeta, como homem, como se fosse irmão, pois ele, ao olhar nos olhos das pessoas, permite que nos tornemos seres humanos capazes de lutar não só pela nossa vida, mas pela vida de outras pessoas. E como podemos fazer isso? Perguntam vocês, leitores. E eu lhes digo, certa vez, quando Thiago de Melo foi convidado a falar para alunos de um curso preparatório para o vestibular, e eu era uma dessas alunas, ele disse-nos o que já tinha dito a tantos outros alunos, ele falava de transformar o mundo com poesia, com a palavra.  E sempre os alunos perguntavam como era possível mudar o mundo com isso, e ele sempre respondia que a poesia muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo.  E isso é fato. Tanto é que estou aqui, falando sobre um dos mais brilhantes poetas do universo, e tenho, assim como milhares de pessoas, sua poesia como oração nossa de cada dia.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Lábios que beijei 16



Zemaria Pinto
Amarílis

Óculos fundo de garrafa, cabelos curtos em desalinho, ombros largos, Amarílis estava longe de ser considerada bonita, mas exercia sobre mim um fascínio que ainda hoje me acende a libido: os lábios largos, associados às coxas fartas que os shorts costumeiros não procuravam esconder, e uma bunda que eu adivinhava sob a roupa a mais gostosa das meninas da rua.
(Para continuar a leitura, acesse o blog Poesia na Alcova)

domingo, 30 de março de 2014

Manaus, amor e memória CLIII

Avenida Eduardo Ribeiro, vista sob a perspectiva de uma imensa cratera,
aberta em frente à praça da Matriz.


sábado, 29 de março de 2014

Fantasy Art - Galeria

 
Race to palace.
Raul Cruz.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Academia Amazonense de Letras promove painel sobre os 50 anos do Golpe Militar





Com o fornecimento de energia elétrica restabelecido, A Academia de Letras segue com sua programação previamente divulgada.
 
Sábado, 29.03, Arlindo Porto faz conferência sobre D. Frederico Costa, antropólogo que divulgava suas ideias científicas através de boletins paroquiais, que ele chamava de Pastorais. Paraense, D. Frederico foi o primeiro bispo do Amazonas.
 
Na segunda, dia 31.03, haverá uma painel sobre o golpe militar de 1964. A seguir, um release, que a imprensa irá ignorar, claro. 

No dia 31 de março de 1964 o presidente João Goulart era deposto por um golpe militar. As forças ironicamente autointituladas “revolucionárias”, comandadas por oficiais das três armas, tomaram o país, contando unicamente com a resistência apaixonada de Leonel Brizola, no Rio Grande Sul, o que não se sustentou por muito tempo. 

O Congresso, submisso e covarde, acatou o golpe e deu posse ao Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que assumiu a presidência da República prometendo que o período de exceção seria o mais breve possível.  

Somente 25 anos depois, entretanto, o Brasil voltaria a ter eleições livres para presidente. Para eleger um canalha. Mas essa é uma outra história... 

Nesse intervalo de um quarto de século, o país passou por um dos períodos mais sombrios desde a Independência e a mais longa interrupção dos direitos civis de sua história.
 
Censura, tortura, assassinatos – os mais terríveis crimes foram cometidos em nome da ordem democrática. De outro lado, guerrilheiros, em sua maioria jovens que ainda nem haviam passado pelo primeiro emprego, lutavam em uma guerra desigual, derrotados antes do primeiro disparo. 

A Academia Amazonense de Letras, como espaço de debates e de exercício da cidadania, em parceria com a ManausCult, promoverá no próximo dia 31 de março, segunda-feira, às 19h, no seu Salão do Pensamento Amazônico, um painel com a participação de acadêmicos que, de uma forma ou de outra, tiveram suas vidas marcadas por esse acontecimento histórico. 

Sob a coordenação da socióloga Marilene Corrêa, estarão presentes, dando o seu depoimento, os seguintes acadêmicos: 

- Bernardo Cabral: deputado federal cassado;

- Arlindo Porto: deputado estadual cassado;

- Aldisio Filgueiras: jornalista e escritor censurado;

- Elson Farias: secretário de Estado no governo José Lindoso.  
 

O poetator Dori Carvalho fará um recital com poemas marcantes do período, inclusive Estatutos do Homem, do acadêmico Thiago de Mello, que foi mandado ao exílio pela ditadura. 

O evento será aberto à sociedade amazonense, e aos estudantes será concedido um certificado de participação, de duas horas, que poderão ser usadas como horas complementares em suas faculdades. 

 
A Academia Amazonense de Letras fica na rua Ramos Ferreira, 1009, esquina com a rua Tapajós, no centro histórico de Manaus.

 


quinta-feira, 27 de março de 2014

onde um dia portho city








Quadros de Sergio Cardoso (fotografias de um pintor - photoplastyas), em exposição na Livraria Saraiva.

Sábado na Academia acontece, mesmo sem energia elétrica


Arlindo Porto fará conferência sobre o antropólogo e ex-bispo do Amazonas D. Frederico Costa.


Ontem foi um dia para ser esquecido na Academia Amazonense de Letras.

Por falta de pagamento - neste ano, nem estado nem município repassaram as verbas de manutenção da AAL -, a Manaus Energia, cujos dirigentes e gerentes não devem ter a mínima noção do que seja a Casa de Adriano Jorge, cortou o fornecimento de energia elétrica.

O bravo presidente Armando de Menezes está fazendo o impossível para reverter a situação.

Mas, se até a hora da palestra de Arlindo Porto, ex-presidente da Casa, a situação não estiver normalizada, a palestra acontecerá mesmo assim: com as janelas abertas e o vozeirão de Arlindo a ecoar no salão do Pensamento Amazônico.

Para saber mais sobre o Sábado na Academia, clique aqui.

A fome, a medicina dos ricos e a medicina dos pobres




João Bosco Botelho

 

Há muito tempo existe o reconhecimento das diferenças entre a Medicina dos ricos e a Medicina dos pobres e, entre as duas, a fome como marco divisório. Onde há fome, seja a qualitativa ou a quantitativa, predomina a ausência ou a pouca escolaridade, as doenças infecciosas mais frequentes, maior violência e a vida mais curta. Na mesma esteira, tem sido assinalado que o tratamento médico dispensado ao rico é sempre melhor  que aquele recebido pelo pobre.

Algumas semanas atrás, ouvimos o Dr. Antonio de Pádua, Conselheiro do CRM-AM, explicar que se comparados aos ricos, os pobres gastam muito mais dinheiro para iniciar o tratamento ambulatorial ou hospitalar. Proporcionalmente ao salário do rico, para comprar os remédios prescritos em uma receita, o doente pobre gasta mais da metade do ganho mensal; se hospitalizado, desfalca a renda familiar. Essa conclusão impactante está contida na "lei da inversão dos cuidados de saúde", de Julian Tudor Hart, publicada na prestigiada revista The Lancet, em fevereiro de 1971.

A questão não é nova! De modo contundente e jocoso Platão, em duas referências, (Leis, 857 c-d e Leis, 720 c-d), denunciou a diferença entre os atendimentos médicos entre ricos e pobres: enquan­to para os doentes ricos, os médicos dispunham de tempo e gentileza para explicar, vagarosamente, o tipo de doença e as prescrições; para os pobres, as consultas eram rápidas, sem qualquer esclarecimento.

         É possível teorizar que o marco divisório entre a Medicina dos pobres e a Medicina dos ricos seja a fome! Como nos tempos de Platão, os famintos de comida são os mesmos que estão longe da justiça social; também sem escolaridade, penalizados. A fome permanece como a mais trágica fábrica dos deficientes físicos e mentais, das violências urbanas e injustiças sociais.  

         No Brasil, mesmo com os esforços institucionais, despontando entre as primeiras economias do mundo, em muitas áreas do território, tanto nos centros urbanos quanto nos interiores, as crianças têm expectativa de vida semelhante às da Etiópia e Uganda.

Essa triste realidade é conhecida dos médicos e dos estudantes de Medicina. No cotidiano convivem com as doenças da fome e sabem que a miséria retratada na face disforme da criança faminta não tem solução nos medica­mentos. Na maioria das ve­zes, os pequenos doentes conseguem sair vivos da diarreia amebiana para retornarem, poucos meses depois, com pneumonia mortal.  

A fome que distancia a medicina dos ricos e a medicina dos pobres, no Brasil, será atenuada na mesma proporção da fiscalização do dinheiro público e das decisões políticas capazes de aumentar ainda mais o acesso ao alimento de boa qualidade, à educação, moradia, águia potável e esgoto sanitário.

Nas últimas semanas, a mídia nacional noticiou o médico que faltou ao plantão no hospital público no Rio de Janeiro. Como consequência, uma criança pobre, que brincava na porta da casa, vítima de bala perdida, na periferia urbana, em coma, esperou oito horas pela cirurgia, seguida da morte três dias após. Não importa se os ferimentos fossem graves para determinar o óbito com ou sem a cirurgia!  A vítima da estúpida agressão, retrato das áreas urbanas onde a fome predomina, deveria ter sido submetida a cirurgia no menor tempo possível. As ausências não justificadas dos profissionais de saúde, nos hospitais e ambulatórios públicos e privados, causando ou não prejuízos à saúde dos doentes, obrigatoriamente, precisam ser apuradas ética e administrativamente. Não há dúvida desse fato!

Também é importante assinalar que a esmagadora maioria dos médicos, no Brasil, cumprem árduas jornadas de trabalho com ética e competência, nos hospitais e ambulatórios públicos e privados, executando diariamente dezenas de milhares de consultas e cirurgias (os dados estão acessíveis no SUS), possibilitando a reconstrução da saúde de ricos e pobres.

Os médicos como agentes sociais, não são responsáveis pela fome que mantém a distância entre a medicina dos ricos e a medicina dos pobres, referidas desde os tempos platônicos. Por outro lado, esse pressuposto, sob nenhuma hipótese, desobriga os médicos de manterem a qualquer custo a essência da medicina: a generosidade, o mais importante instrumento capaz de aproximar a medicina dos ricos da medicina dos pobres.

quarta-feira, 26 de março de 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

Armando e Almir, dois meninos



Tainá Vieira


Durante todo esse tempo em que eu comecei a conviver com o meio literário, tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis. Só que não são apenas pessoas comuns como outras quaisquer, são nomes da literatura que fazem valer a pena todos os eventos culturais que frequentamos como espectadores e admiradores. Parece brincadeira, mas existem pessoas que acreditam que todos os escritores e poetas estão mortos. Tem gente que até se assusta quando se depara com um escritor em um momento descontraído ou num lugar comum, para essas pessoas que pensam assim, os escritores devem ficar somente nos escritórios ou bibliotecas, lendo e escrevendo. E se fosse assim, a vida dos pobres mortais seria um tédio. A minha pelos menos seria. Pois onde buscaríamos conhecimento na fonte pura? Os livros escritos pelos escritores são excelentes, conhecemos a fundo a vida de um escritor apenas lendo a sua biografia, mas é muito melhor quando temos a oportunidade de tocar no escritor, para ver se ele é de verdade mesmo, melhor ainda é quando nos sentimos bem e rimos muito das conversas que ouvimos deles, e mais ainda quando podemos chamar um escritor, de amigo, isso é coisa rara.
Armando de Menezes e Almir Diniz, ambos pertencem a Academia Amazonense de Letras, são escritores e dos bons, eu diria. São também pessoas encantadoras. Eu, não sei se somente eu, mas já consegui, ao meu simples olhar, formar duplas inseparáveis como Thiago de Mello e Luiz Bacellar e Armando de Menezes e Almir Diniz. Os dois últimos são dois meninos, daqueles que as mães têm o orgulho de chamar “meu filho”. São bem criados, educados e gentis, e, quando estão juntos, aliás, vivem grudados, são as criaturas mais simpáticas que queremos por perto. Imaginemos a cena, os dois sentadinhos um ao lado do outro, conversando e rindo. E, como irmãos, um brigando com o outro, o mais velho puxando a orelha do mais novo. O mais novo enchendo o saco do mais velho. Na vida real, são amigos, mas para nós, que estamos de fora, são mais que irmãos.  Irmãos mesmo, daqueles bem apegados, em que um cuida do outro, assim são os dois, Armando e Almir, até aparece coisa do destino os nomes dos dois começar com a letra A, a primeira letra do alfabeto. Tenho certeza que isso não foi por acaso. Teve algum propósito aí, coisas que os deuses da literatura fizeram.

Sorte de quem tem a oportunidade de conhecer e conviver com esses sábios senhores. Sêneca fala sobre as boas companhias, sobre os amigos, “a eles em qualquer lugar, em qualquer século que tenham existido, dirijo o meu espirito.” Quão bom seria se todos os jovens soubessem aproveitar a oportunidade de conversar, trocar uma palavra apenas com esses senhores que muito têm a nos ensinar. E eles sabem de tudo, desde a História até uma simples piada.  E tudo vale a pena ouvir e assimilar. Hoje em dia os jovens não querem estar juntos de um velho, preferem outras companhias, nem sabe esse jovem o quanto ele perde com tal escolha. Nem imagina esse jovem o conhecimento que está recusando e que mais tarde lhe fará falta. Armando e Almir, têm muito a ensinar e muito sorriso para colocar na face das pessoas. Basta que nós saibamos lidar com eles. É preciso aproveitar as boas companhias, a vida é breve, o tempo urgentíssimo e a sabedoria infinita e os sábios também são passageiros neste lugar, mas o conhecimento que eles trazem, se quisermos, permanecerão por muitas e muitas gerações. Vida longa ao Armando de Menezes e ao Armir Diniz, meus amigos, dois lindos meninos. 

domingo, 23 de março de 2014

sábado, 22 de março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Entrevista para "Ideias editadas"




Entrevista concedida a Jorge Bandeira, para a revista Ideias editadas, onde foi publicada, editada, no 
nº 10, de out/nov/dez de 2013.
 

 
1 – Quais são as suas influências como dramaturgo?
R: Ainda adolescente, ou quase, caiu-me às mãos a coleção Teatro Vivo, da editora Abril, uns 30 volumes. Foi um novo mundo que se descortinou. Mas nada me deixou mais em transe que a leitura das obras completas de Nelson Rodrigues e, depois, de Brecht.

2 –
Quantas peças escritas, até agora?
R: Até hoje, concluí oito peças. Quatro foram encenadas (Nós, Medeia, Diante da Justiça, Papai cumpriu sua missão e O beija-flor e o gavião); duas estão em fase produção (Otelo solo e Onde comem 3 comem 6); Duas aguardarão inéditas (Cenas da vida banal e A cidade perdida dos meninos-peixes).

3 – Quais das suas obras você destaca?
R: É difícil falar de filhos; mas gosto muito de Nós, Medeia e dos dois juvenis: O beija-flor e o gavião e A cidade perdida dos meninos-peixes. Estas duas foram reescritas para sair em livro, como novelas juvenis. 

4 – O que tem feito hoje nas artes?
R: Depois de 3 anos envolvido com A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos, livro lançado em março passado, escrevi Onde comem 3 comem 6, um espetáculo para ser levado na rua, que o Grupo Vitória Régia está produzindo. Além disso, tenho palestras diversas, minicursos e participação em congressos de Literatura.

5 – O que acha da arte produzida hoje em Manaus?
R: Fazer arte é um processo; no meu caso, como escritor, o trabalho é individual, só depende de mim mesmo; quando um grupo resolve encenar alguma coisa minha – trabalho coletivo – é que me dou conta de como tudo é muito difícil; mas nunca foi fácil fazer arte: nem aqui nem em lugar nenhum. Detesto dizer que já foi melhor: é uma perspectiva falsa. Talvez daqui a 20 anos a gente ache hoje um tempo muito bom. Quer dizer: sempre pode piorar...

6 – Seus blogs?
R: O Fingidor, poesia e artes plásticas, está parado há dois anos, mas até hoje ainda recebe mais de 2.000 visitas/mês. O Palavra do Fingidor, uma revista de arte, resiste. E tem o Poesia na Alcova, do qual, aliás, quero extrair uma peça – com os meus poemas e de mais 4 jovens autores.

7 – O que acha da política cultural do Amazonas?
R: Acho graça!!!

8 – O que tem acompanhado nas artes em Manaus, no Brasil, no mundo,
enfim?

R: Não fico um ano sem ir a São Paulo, que não tem culpa de ser o centro da colônia, ver o que há de novo, especialmente no teatro. Porque, apesar de tudo, como diria Galileu, ela se move...