Amigos do Fingidor

quinta-feira, 21 de março de 2019

A poesia é necessária?



Romance XIX ou Dos maus presságios
Cecília Meireles (1901-1964)


Acabou-se aquele tempo
do Contratador Fernandes.
Onde estais, Chica da Silva,
cravejada de brilhantes?
Não tinha, Santa Ifigênia,
pedras tão bem lapidadas,
por lapidários de Flandres…

Sobre o tempo vem mais tempo.
Mandam sempre os que são grandes:
e é grandeza de ministros
roubar hoje como dantes.
Vão-se as minas nos navios…
Pela terra despojada,
ficam lágrimas e sangue.

Ai, quem se opusera ao tempo,
se houvesse força bastante
para impedir a desgraça
que aumenta de instante a instante!
Tristes donzelas sem dote
choram noivos impossíveis,
em sonhos fora do alcance.

Mas é direção do tempo…
E a vida, em severos lances,
empobrece a quem trabalha
e enriquece os arrogantes
fidalgos e flibusteiros
que reinam mais que a Rainha
por estas minas distantes!

(Do Romanceiro da Inconfidência)


quarta-feira, 20 de março de 2019

terça-feira, 19 de março de 2019

Ao lado de um grande homem



Pedro Lucas Lindoso


Neste mês dedicado às mulheres muito se tem dito a elas. Flores e presentes em abundância jamais serão suficientes para que nós, homens, possamos quitar o quanto devemos às mulheres. Não só como esposas, mas também como mães, irmãs, filhas, sobrinhas e primas.
A dívida dos homens para com as mulheres é exponencial. A influência que elas exercem na nossa formação fica geralmente no anonimato. Mesmo porque elas nos moldam na intimidade. No aconchego do lar. Elas nos influenciam da maneira mais discreta e do modo mais tranquilo e por isso tão eficaz.
Quando os homens são homenageados e biografados raramente se ressalta o papel que suas mães e esposas desempenharam na formação de sua personalidade. Na construção de seu patrimônio não só monetário, mas também o patrimônio moral e intelectual.
Muitos homens em seus escritos e depoimentos falam de suas mulheres, incluindo mães, avós e filhas, com um amor imensurável. Falam delas com respeito profundo e imensa ternura. Humildemente me incluo nessa categoria.
Outro assunto do momento é a questão da isonomia entre homens e mulheres. Principalmente no que concerne a salários, condições e oportunidades de trabalho. Inclusive ascensão funcional e exercício de cargos de poder e gestão. O outro lado dessa moeda está no fato de que nós homens precisamos ser também responsáveis pelas tarefas domésticas.
Ora, a sociedade do século 21 proclama que homens e mulheres podem e devem exercer funções em todas as áreas. E isso é ótimo. Mas também os homens têm que ter consciência na busca do necessário equilíbrio. Assim, a colaboração entre os casais é fundamental. Só através do esforço conjunto, ambos poderão se aperfeiçoar sem descuidar de fortalecer a família e bem educar os filhos.
Quero terminar essa homenagem às mulheres, fazendo uma confissão: as grandes lições de vida que recebi foram de minha mãe e de minha esposa. Não sei se foram perfeitas em suas influências. Mas uma coisa é certa. Se me afastei ou quando me afasto do que elas me disseram e me ensinaram a culpa é toda minha.
São as mães, muito mais que os pais, que influenciam os filhos e suas condutas. A sorte de ter uma boa mãe e esposa dedicada é tudo para um homem. Ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher.

segunda-feira, 18 de março de 2019

domingo, 17 de março de 2019

sábado, 16 de março de 2019

quinta-feira, 14 de março de 2019

A poesia é necessária?



Sítio
Claudia Roquette-Pinto


O morro está pegando fogo.
O ar incômodo, grosso,
faz do menor movimento um esforço,
como andar sob outra atmosfera,
entre panos úmidos, mudos,
num caldo sujo de claras em neve.
Os carros, no viaduto,
engatam sua centopeia:
olhos acesos, suor de diesel,
ruído motor, desespero surdo.
O sol devia estar se pondo, agora
– mas como confirmar sua trajetória
debaixo desta cúpula de pó,
este céu invertido?
Olhar o mar não traz nenhum consolo
(se ele é um cachorro imenso, trêmulo,
vomitando uma espuma de bile,
e vem acabar de morrer na nossa porta).
Uma penugem antagonista
deitou nas folhas dos crisântemos
e vai escurecendo, dia a dia,
os olhos das margaridas,
o coração das rosas.
De madrugada,
muda na caixa refrigerada,
a carga de agulhas cai queimando
tímpanos, pálpebras:
O menino brincando na varanda.
Dizem que ele não percebeu.
De que outro modo poderia ainda
ter virado o rosto: – Pai!
acho que um bicho me mordeu! assim
que a bala varou sua cabeça?


quarta-feira, 13 de março de 2019

Academia Amazonense de Letras reinicia suas atividades culturais com lançamento de livros




Evento faz parte da programação de comemoração ao centenário da casa e é aberto ao público



No próximo sábado, dia 16 de março, às 9h30, a Academia Amazonense de Letras dará início às suas atividades de 2019, com o lançamentos de 4 novos títulos de acadêmicos.
Amazônia: Fragmentos da História, de Abrahim Baze; Álvaro Maia: canção de fé e esperança, de Carmen Novoa; Envelhecer é um Privilégio (parte 1), de Euler Ribeiro e Cotidiano Pitoresco, de Mazé Mourão, serão apresentados à população pelos próprios autores, por meio de breves palestras.
Além disso, o acadêmico José Braga, diretor de Edições da Academia, fará uso da palavra, para apresentar e pontuar detalhes do projeto e seus próximos lançamentos.
Para o presidente do biênio 2018-2019, Robério Braga, o evento é uma reaproximação com o público, que já sentia falta dos eventos realizados na Casa de Adriano Jorge: “O público busca conhecer mais sobre a produção literária amazonense. As pessoas perguntam pelas redes sociais quando retornaremos e isso é gratificante. Perceber que a população aprova este trabalho e até o cobra é de uma felicidade imensa, só podemos ficar gratos”, afirma Robério.
Ao todo, cerca de 40 títulos inéditos serão lançados na Coleção Especial do Centenário, que conta com apoio do Governo do Estado do Amazonas e Prefeitura de Manaus.
Entre os autores que poderão ser apreciados com os lançamentos estão nomes como Newton Sabbá Guimarães, Marilene Corrêa da Silva Freitas, Luiz de Miranda Corrêa, Abrahim Baze, Mário Ypiranga, Elson Farias, Zemaria Pinto, Robério Braga, Almir Diniz, Márcio Souza, Euler Ribeiro, Carmen Novoa e Dom Luiz Soares Vieira.
Além das palestras e roda de conversa, o evento conta com distribuição gratuita dos livros, autografados pelos imortais.
Todos os títulos lançados durante a programação especial em comemoração ao centenário do Silogeu poderão ser consultados no Memorial Genesino Braga, que conta agora com uma nova decoração e estrutura mais adequada para visitação.
A Academia Amazonense de Letras fica localizada na Rua Ramos Ferreira, n°1009 – Centro. Para mais informações sobre a Academia e suas atividades, visite o site www.academiaamazonensedeletras.com.br e acompanhe as páginas nas redes sociais.

Fantasy Art - Galeria


René Zwaga.

terça-feira, 12 de março de 2019

Excelente companheira



Pedro Lucas Lindoso
           

Viajar é sempre uma oportunidade para aumentar conhecimentos. Além de conhecer novos lugares e alargar os horizontes. Não é sem razão que se inventou a lua de mel. A tão sonhada viagem de núpcias. É quando o novo casal tem a efetiva oportunidade de se conhecer.
Viajar para mim é sempre uma grande alegria e quase uma prioridade. É importante até como fonte de inspiração para crônicas ou, quiçá, um novo romance.
Quando se viaja em família e os filhos são pequenos, a viagem é sempre uma oportunidade de crescimento em afetos e conhecimentos. E fundamental. Principalmente nos dias atuais, em que os pais trabalham e a rotina interfere na quantidade e qualidade de horas de convivência entre os membros do núcleo familiar. Viajando, a família fica 24 horas em total convivência. Compartilhando experiências únicas. Diferente do dia a dia, quando filhos estão nas escolas e pais tralhando.
Fiz uma viagem com meus filhos casados e minha netinha Maria Luísa. Três casais. Ou seja, seis pessoas e meia. Meia não, porque Maria Luísa tem muita personalidade. E a viagem, compartilhada com seus pais, avós paternos e tios tinha como objetivo levá-la ao Magic Kingdom, no Disney World, para comemorar seu aniversário de três anos.
Apesar de alguns amigos argumentarem que ela seria muito pequena para aproveitar, não foi o que aconteceu. Maria Luísa enfrenta as viagens de avião sem chorar, sem fazer tolice e passa quase todo o tempo dormindo e sentadinha na cadeira. Reivindica seu “gagau” na hora certa e comporta-se como uma pequena lady, apesar de ser, na verdade, uma princesinha. E de princesa comemorou seu aniversário de três anos.
Naquele 8 de fevereiro, Vera e eu éramos os avós da mais linda das garotinhas princesas do Magic Kingdom. Vestiu-se de Cinderela.
Maria Luísa visita as lojas Disney e comporta-se muito bem. É muita educada e atenciosa. No dia seguinte, fomos aos indefectíveis outlets. Ela me toma pela mão e me mostra uma banca onde há várias bonecas LOL. Compro uma e presenteio à Maria Luísa. E ela pergunta:
– Já pagou vovô? Posso abrir? Já sim, respondi. Muito bem. Primeiro paga-se. Depois é que podemos usar.
Certamente Maria Luísa voltará aos parques de Orlando em outras oportunidades. Maria Luísa é excelente companheira de viagem.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Vestido Queimado - no Casarão de Ideias




Narrativa fantasiosa sobre a amizade entre duas pessoas, este espetáculo é resultado de um projeto de pesquisa cênica realizada pela Soufflé de Bodó Company. O Teatro de Papel é uma forma estética e prática de contar histórias que interessou bastante aos integrantes da companhia, por seu relativo ineditismo na região Norte. 
Gênero: teatro; Classificação: livre; Duração: 45 minutos.

domingo, 10 de março de 2019

Manaus, amor e memória CDXI

Ideal Clube, altos da avenida Eduardo Ribeiro.

sábado, 9 de março de 2019

quinta-feira, 7 de março de 2019

A poesia é necessária?



Estudo IX
Alcides Werk


Fez-se uma curta pausa. E a noite baça
estendeu seus lençóis sobre as cidades.
Ventos frios de morte andavam soltos,
e formas embuçadas destruíam

restos vagos de luz. Alguns senhores
guardaram pressurosos seus haveres
para a estranha vigília dos sonâmbulos.
Nas sombrias e extensas avenidas

as multidões dos homens deserdados
prosseguiram seus ritos no silêncio
de uma noite sem tempo. E os anciãos

das várias tribos foram convocados
para o mister pacífico das aras
e a glorificação das horas mortas.

quarta-feira, 6 de março de 2019

terça-feira, 5 de março de 2019

Você fala a língua do P?



Pedro Lucas Lindoso


Sempre que tia Idalina me telefona, agora somente por WhatsApp, temos novidade ou algo de pitoresco.
Estranhei o horário. Fiquei assustado. Noveleira como ela só, telefonar-me enquanto passa a novela das oito é algo inusitado. Ela me disse que agora aprendeu a usar o globo play. Tia Idalina entrou na era do streaming.
Pergunta-me se quando menino falava a língua do P. Disse à titia que era fluente na língua do P. Ela morreu de rir. Comenta que minha geração é que sabia brincar. Interagia-se com os companheiros de rua, com primos e irmãos em brincadeiras saudáveis.
Contou-me que foi ao playground de seu edifício. Cariocas chamam a área de lazer dos prédios de play. Foi pesquisar como a meninada brinca nos dias de hoje.
– A garotada toda portando celulares. Agora é cabeça, tronco, membros e celulares. Perguntei se sabiam a língua do P. Ninguém sabia. Uns estudavam inglês e francês. Outros, alemão. Havia um rapazinho que além de Inglês estudava mandarim. Ninguém sabia falar a língua do P.
Comentei com tia Idalina que essa brincadeira de criança foi objeto de estudo em Linguística aplicada, quando fiz letras na UnB. Em Portugal se chama Língua dos pês.
A verdade é que o uso lúdico da linguagem é comum em várias culturas. Quando criança, eu usava a língua do P. Quanpandopo criprianpançapa, eupeu upusapavapa apa linpinguapa dopo Pêpê.
Nos países vizinhos onde se fala o espanhol, as crianças brincam de falar o jeringonzo.  Lembro-me de uma colega que morou na Argentina explicá-lo. Recordo-me que pode ser usado em diferentes formas dialetais.
O Inglês não é uma Língua latina e não tem a sonoridade e a nossa fonética. A técnica da língua do P é inaplicável. Vejam que “no”, “know” e “now”, não tem a lógica fonética que os falantes de Português estão acostumados.
Entretanto, nos países de Língua Inglesa também se brinca com a linguagem. Sei que existe a Pig Latin e a Backslang, mas não sei bem como funcionam.
E você, caro leitor, fala a língua do P?

domingo, 3 de março de 2019

sábado, 2 de março de 2019

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A poesia é necessária?



Antropologia
Simão Pessoa


tembé oiampii assurini parakanã
xikrin gorotiré apalaí kaxuyana
tiryo arara parakatagé  karipuna
galibi palikur makuxi wapixana
fora dos livros de história
estes nomes não dizem nada
só trazem talvez remorso
pela memória apagada
txikuna miranha kulina kaxinawá
tapirapé paresi iranixe karajá
xavante bacairi javaé nambikuara
krinati guajajara krahó apinagé
fora dos livros de história
estes nomes nada nos dizem
só trazem talvez espanto
pela miséria visível
guajá xerente pataxó atroari
pankararé tupiniquim krenak tuxã
waimiri kaimbé potiguara xoko
kiriri ianomâmi apurinã kadiwé
fora dos livros de história
estes nomes nos mostram tudo:
o homem lobo do homem
na apoteose do jugo



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Jacaré-tinga ou do rabo cotó?



Pedro Lucas Lindoso


Quem entra para a vida pública há que se acostumar com críticas e notícias desagradáveis. Além das armadilhas e artimanhas dos partidos de oposição ao seu governo. É inerente à democracia.
Eleito deputado e posteriormente senador pelo Amazonas, meu saudoso pai José Lindoso levou a família toda para Brasília. Cresci e casei-me por lá. Quando José Lindoso tomou posse como governador, não morava por aqui e poucos me conheciam.
Era o dia da posse. Fui cortar o cabelo numa barbearia do centro. Cabeleira devidamente aparada. O barbeiro, que não me conhecia, fazia o acabamento usando com incomum destreza uma afiadíssima navalha. De repetente, alguém comenta.
– Hoje é posse do novo governador José Lindoso. E o barbeiro, ainda com a navalha na mão, terminando o corte no meu cabelo, disse:
– Mais um para roubar.
Eu calado estava, calado fiquei. Terminado o serviço, paguei o homem e saí sorrateiramente da barbearia, evitando constrangimentos.
Os amazonenses têm o hábito de criticar nossos irmãos paraenses usando como mote a gatunice, ou chamando-os de jacaré. É deselegante e injusto. Mesmo porque a maioria dos paraenses que vem para Manaus não é da região de Belém. São na verdade tapajoenses. Óbidos, Oriximiná, Juruti e Santarém são cidades bem mais próximas de Manaus do que de Belém.
Isso explica a forte migração para Manaus e a grande quantidade de paraenses do Tapajós por aqui. Não se justifica a implicância porque a cultura, o sotaque e os costumes são os mesmos dos amazonenses da região do Baixo Amazonas. Já próximo ao Tapajós, lindo rio com belas praias, temos as importantes cidades de Parintins, Maués e Barreirinha.
A marchinha de carnaval da Banda da Bica, que sempre faz críticas aos políticos, chamou o novo governante de jacaré-tinga. Ele é paraense oriundo do Tapajós que é um lindo rio com belas praias. Dizem que sua excelência não gostou do apelido.
Vá se acostumando governador. Faz parte do jogo político. Graças a Deus vivemos numa democracia. É melhor ser chamado de jacaré-tinga do que jacaré do rabo cotó. O jacaré-tinga é também conhecido como jacaré-de-óculos. Olho vivo na democracia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

“Papa Highirte”, de Vianinha, encerra ciclo de leituras dramáticas Teatro e Resistência




O ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas, promovido pela Cia Vitória Régia, chega à sua edição final nesta quinta-feira, com a leitura da peça de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, Papa Highirte.

Com excelente repercussão junto ao público, foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética, de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do mundo, de Dias Gomes; Vejo um vulto na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah Assumpção; e Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no pirarucu, de Márcio Souza. Seis peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.

A mostra teve como objetivo colocar em discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas em ação hoje, com o apoio de gente acima de qualquer suspeita.

A Cia Vitória Régia escolheu a ARTE e o TEATRO para esclarecer o passado e denunciar as semelhanças com o presente, resistindo.

Os textos escolhidos botam o dedo em diversas feridas: a repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.

A peça desta quinta-feira, 28 de fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares – Papa Highirte, de Vianinha – mostra um típico ditador sul-americano, que, no exílio, amarga o abandono de todos. Escrita em 1968, só pôde ser encenada quando os ventos da “abertura” sopraram, 11 anos depois.

Highirte é um ser desprezível, cercado de seres desprezíveis. Vianinha opta pelo simbolismo, construindo personagens que representam parcelas do continente (e do Brasil) nos anos 30 a 60, mas que se mantêm ainda muito atuais: generais golpistas, torturadores não-oficiais, um delator arrependido, um representante do “big brother” do norte, oferecendo “ajuda humanitária”... 

Ator e diretor, Vianinha escreveu “Chapetuba Futebol Clube”, “Allegro desbum” e “A mão na luva”, além ter sido o criador, juntamente com Armando Costa, do humorístico “A grande família”, em 1972. Morreu em 1974, aos 38 anos, logo após concluir sua obra-prima “Rasga Coração”.

Serviço:
Evento: Teatro e Resistência – leitura dramática de Papa Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho
Finalidade: mostra de peças de autores censurados
Quando: dia 28 de fevereiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores de 16 anos
Entrada franca



domingo, 24 de fevereiro de 2019

sábado, 23 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A poesia é necessária?



Ponto de vista
Leila Miccolis


Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Lembranças ao Mickey Mouse



Pedro Lucas Lindoso


Ao chegar de férias, encontrei-me com meu colega e amigo Chaguinhas. Estive nos Estados Unidos. Meu amigo é meio antiamericano. Sempre estudou francês. Quando viaja, vai preferencialmente para a Europa. Não toma Coca-Cola. Não porque faz mal à saúde. Mas, segundo Chaguinhas, a Coca-Cola é o símbolo máximo do imperialismo. Bobagens do Chaguinhas. Eu fiz intercâmbio na juventude e sinto-me em casa na terra do Tio Sam.
Em entrevista que rola na rede, Ariano Suassuna ressalta a quase “obrigatoriedade” da classe média brasileira em visitar o Disney World. Um rico anfitrião e sua família ficaram abismados pelo fato de Suassuna não conhecer o Disney World. O inesquecível escritor questiona o fato do mundo ser divido entre as pessoas que foram à Disney e as que ainda não foram.
Chaguinhas comentou que seus filhos, quando crianças, perguntavam-lhe:
– Quando vamos à Disney? Ele sempre dizia:
– Um dia, todos vamos para lá!
Imagine que quase todos os colegas da sala foram à Disney. E a pergunta persistia:
– Quando vamos à Disney? Invariavelmente, Chaguinhas respondia:
– Um dia, todos vamos para lá!

Quando seu pai faleceu, o seu filho mais novo, de cinco anos, questionou:
– Para onde o vovô foi? E Chaguinhas respondeu:
– Um dia, todos vamos para lá!
– O vovô foi para a Disney? Perguntou o garotinho. Risada geral, relatou-me o meu amigo e colega.
Disse ao Chaguinhas que tinha ido à Disney levar a minha netinha Maria Luísa. Comentei que nos Estados Unidos as ruas não têm buracos, as calçadas são largas, planas e bem feitas.
– Não acredito. Isso existe? Pergunta Chaguinhas. Encantado com a possibilidade de andar em ruas largas, planas, sem nenhum buraco e com calçadas bem pavimentadas, Chaguinhas me disse que levaria os filhos e netos à Disney no carnaval.
Dê lembranças ao Mickey Mouse, meu amigo Chaguinhas. Afinal, este ano Mickey Mouse completa 90 anos de idade.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Zona Franca, meu amor - leitura dramárica





A Cia de Teatro Vitória Régia segue apresentando, sempre às quintas-feiras, o ciclo Teatro e Resistência – leituras dramáticas.

Com excelente repercussão junto ao público, já foram feitas as leituras de Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Patética, de João Ribeiro Chaves Neto; Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Campeões do mundo, de Dias Gomes; e Vejo um vulto na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah Assumpção. Peças que, sem perder a condição de arte, retratam com muita propriedade a vida brasileira nos (mal)ditos anos de chumbo.

A mostra visa colocar em discussão a situação do teatro e do Brasil, nas décadas de 1960 e 1970, dominadas pela repressão imposta pela ditadura militar e pelas milícias “anticomunistas”, muito parecidas com as milícias assassinas em ação hoje, com o apoio de gente acima de qualquer suspeita.

Escolhemos a ARTE e, mais especificamente, o TEATRO para resistir, esclarecer e denunciar.

Para isso, o grupo selecionou textos representativos, que expõem as entranhas do fascismo: a repressão aos movimentos populares, a censura, a prisão arbitrária, o exílio, a tortura, o assassinato.

Nesta quinta-feira, 21 de fevereiro, sob a direção de Nonato Tavares, será feita a leitura de Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no Pirarucu, de Márcio Souza, um painel risonho e franco da Manaus pós-moderna; ou seja, pós-borracha.

Encenada em 1978, trata-se de uma revista alegórica, que zomba do modelo econômico legado pela ditadura instaurada em 1964, para concluir, melancolicamente: “Porto de Lenha, tu nunca serás Liverpool...”.

Dono de um humor corrosivo e anárquico, há 40 anos Márcio Souza já antecipava a falência do modelo econômico imposto a fórceps pelos militares, cujo primoroso lema era “integrar para não entregar”. Nunca se entregou tanto...

Autor de Folias do látex, A resistível ascensão do Boto Tucuxi e A paixão de Ajuricaba, entre outros títulos, o consagrado romancista de Galvez, o imperador do Acre e Mad Maria é o nome de maior destaque do teatro feito no Amazonas.     

Serviço:
Evento: Teatro e Resistência – leitura dramática de Zona Franca, meu amor ou Tem piranha no pirarucu, de Márcio Souza
Finalidade: mostra de peças de autores censurados, como Oduvaldo Vianna Filho, Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri e outros
Quando: dia 21 de fevereiro, às 19h
Onde: SINTTEL – Alexandre Amorim, 392, Aparecida
Recomendado para maiores de 16 anos.
Entrada franca.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Manaus, amor e memória CDVIII


Roadway.
Porto flutuante de Manaus.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A poesia é necessária?



...Salpicavam nosso chão
Cláudio Fonseca


A porta do barraco
era sem trinco.
Dentro, os meninos metralhados!
Trapos coloridos
do Brasil, florão da América,
ao sol do Novo Mundo
iluminados.