Amigos do Fingidor

domingo, 24 de junho de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXIV


Eduardo Ribeiro, em 1973.
Acervo: Frank Lima.

sábado, 23 de junho de 2018

Fantasy Art - Galeria


Geisha Faerie.
Sandra Chang.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

terça-feira, 19 de junho de 2018

Santo Antônio e o tripa do boi



Pedro Lucas Lindoso


No mês de junho há duas festas importantes e conhecidas no Estado do Amazonas. O Festival folclórico dos bumbás em Parintins e a Festa de Santo Antônio em Borba.
Os moradores de Manaus precisam se deslocar de barco, iate ou avião para esses festejos. Muitos o fazem, pois vale a pena. Ir tanto a Borba quanto a Parintins, apesar da distância. 
Na Manaus de antigamente havia o Mina de Ouro, o Caprichoso da Praça 14, o Garantido da Cachoeirinha e muitos outros. A lenda do boi retrata a história de Pai Francisco e Catirina. Para saciar o desejo de Catirina por uma língua de boi, Pai Francisco mata o animal do senhor da fazenda. O boi ressuscita no final com festa e muita alegria.
Não havia o “glamour” da festa de Parintins As famílias contratavam os bois para atuar em suas casas. Era um dia de Santo Antônio e eu um garoto de calças curtas quando veio um boi brincar em frente à nossa casa. Arminda cozinhava para a família e encantou-se com o espetáculo. Nascida em Borba e devota de Santo Antônio, tinha certeza que se casaria e constituiria família. Ao final da festa um rapaz tímido veio conversar com Arminda.
Começou dizendo que era do grupo do boi e que notou a sua alegria durante o espetáculo.
Mas como? Perguntou Arminda. Eu nem te vi! No que o moço respondeu:
– Eu sou o tripa do boi.
O tripa ou miolo é o rapaz que veste o boi. É responsável por todos os movimentos bovinos, mas não aparece durante o espetáculo.
Arminda e Manoel se casaram em 1968. Estão completando 50 anos de casados. Encontrei-os na Igrejinha de Santo Antônio conhecida como Igreja do Pobre Diabo. E, coincidência! Fica na Rua Borba no Bairro da Cachoeirinha em Manaus.
A capela em honra a Santo Antônio foi construída por um próspero e bondoso português, devoto do santo, para pagar uma promessa. O português, muito humilde, ao ser elogiado ou cumprimentado, dizia que “era um pobre diabo”, “sem eira nem beira”. Por ter construído a igrejinha, a mesma ficou conhecida como Igreja do Pobre Diabo, mas é de Santo Antônio.
Fica lotada no dia 13 de junho. E lá estava Arminda. Que, por obra e graça do santo casamenteiro, está casada há cinquenta anos com Manoel, o tripa do boi.

domingo, 17 de junho de 2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018

60 anos de "Aparição do Clown"


Será no sábado, 16/02, a partir de 10h, na praça
Heliodoro Balbi , ou da Polícia,
dentro do Projeto Jaraqui.

Influência do Século das Luzes na medicina



João Bosco Botelho


Reconhecido como o século das luzes, o século 18 brilhou sob esplendor das ideias de Kant, que reconheceu a supremacia da razão como instrumento para superar a ignorância.
Kant foi um, entre outros importantes filósofos setecentistas, preocupados em estabelecer nexos para entender a natureza humana, em especial, o esboço do Estado Laico e a generosidade explícita, como manifestação da virtude, sem ligação com a caridade, que alcançou fortemente a prática médica, como norma que os médicos deveriam adotar no trato com os doentes.
Nesse contexto, dois filósofos se destacaram:
– Denis Diderot (1713-1784), no livro “Carta sobre os cegos para uso por aqueles que veem”, onde descreve as mudanças no próprio pensamento, do deísmo ao ceticismo e ao materialismo ateu. A mais importante obra de Diderot, composta durante vinte anos, “Enciclopédia”, com 28 volumes, retratou todo o conhecimento até então publicado. Essencialmente atento à natureza humana, problemas morais e ao sentido do destino. Como ferrenho crítico do clero, declarou: “O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre”.
– Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que escreveu na “Enciclopédia” de Diderot, era adepto de uma religião natural, recusando os dogmas revelados e propondo que o encontro com Deus poderia ser no próprio coração. Em uma de suas mais importantes obras, “Do contrato social”, defende que a população deve tomar cuidado ao transformar o direito natural no direito civil e que a soberania do poder deve estar nas mãos do povo. Com especial atenção à natureza como “delicada amiga do homem” e ao princípio da verdade e da virtude.
Desse modo, o século 18 também refunda a generosidade virtuosa, fora dos dogmas da Igreja. Também é interessante assinalar que a ideia de progresso, central no século das luzes, não se desprendeu dessa generosidade, expressa com clareza na declaração dos Direitos do Homem.
Esse ideário de generosidade, direito e ética se transformou em mensagens de liberdades e acenderam os pavios das revoluções que forçariam, outra vez, a abordagem da ética, sob a ótica do genial Kant. Esse homem extraordinário, sem jamais sair de sua cidade natal Konigsberg, na antiga Prússia oriental, publicou dois livros que mudariam algumas abordagens da ética e da moral. Em 1788, “Crítica da razão prática” e, em 1790, “Crítica da faculdade de julgar”, essencialmente contra o autoritarismo que dominava o mundo político no qual vivia, sob o reinado de Frederico II, rei da Prússia, cujos julgamentos sumários lembravam os realizados pela inquisição católica, nos quais o réu já entrava no julgamento previamente condenado. O desfecho contra o vício nos julgamentos viria na introdução do não menos genial “Crítica da razão pura”, onde a categoria metafísica é utilizada para repudiar todos os dogmatismos despóticos, falsas genealogias, as indiferenças quanto as diferentes naturezas dos saberes humanos.
Por outro lado, a presença do pensamento micrológico, inaugurado por Marcelo Malpighi, no Renascimento, atingiu e ocupou a maior parte do ideário da Medicina na busca da materialidade da doença sob as lentes de aumento.
Por outro lado, chegaram os avanços em vários aspectos da Medicina, buscando a materialidade da doença, longe das crenças religiosas: a anatomia já não bastava à liberdade de fazer dissecções, as academias e sociedades médicas promoviam debates sobre o funcionamento dos órgãos, em especial, a anatomia patológica – as biopsias, exames microscópicos dos órgãos e a necropsia – explicando os mecanismos da morte causada pelas doenças.
Nessa nova Medicina ética e buscando a materialidade da doença, o mais importante era salvar vidas, os cirurgiões descrevem técnicas com o objetivo de diminuir as complicações pós-operatórias.
Pela primeira vez, claramente, a Medicina preocupada em participar nas melhorias da saúde pública, volta-se à identificação de circunstâncias sociais capazes de causar doença, na melhoria do saneamento básico, higiene hospitalar, inspeção de carne e higiene escolar.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

Bolacha de motor



Pedro Lucas Lindoso


Gosto muito de banhos de mar, de piscina e, principalmente, de banho de igarapé. Quando menino ansiava pelos fins de semana quando íamos aos banhos. Havia os banhos do Bosque clube, do Guanabara e os particulares.
 Dr. Moura Tapajós foi um conceituado médico amazonense. Grande amigo de meu pai.  Hoje nome de hospital em justa e merecida homenagem. Dr. Moura tinha um banho com igarapé de gostosas e refrescantes águas cristalinas.
Quando fui morar em Brasília sentia saudades dos banhos de igarapé. Lá há muitos clubes com piscinas. São os “banhos” de Brasília. Numa segunda-feira de calor seco na cidade, disse aos colegas de classe que havia comemorado meu aniversário no banho. Risada geral. Um deles perguntou:
– Tomando banho na banheira ou no chuveiro?
Eu que nunca permiti que me fizessem bullying, logo respondi:
– Na piscina. Teleso é? (Tu és leso?, em amazonês.)
Eu era o único amazonense da classe. Ao retornar de férias fiz uma redação na qual relatava um casamento ocorrido num município do interior. Hoje não se fala mais em redação e sim “produção de texto”. Meu texto terminava mais ou menos assim:
“Depois da festa e do almoço, uma farta tartarugada, os recém- casados partiram de motor, em lua de mel.”
A professora leu em voz alta e elogiou o texto. Queria só saber o que era o tal “motor”.
Expliquei que motor-de-linha são barcos regionais de madeira, dotados de motor a diesel. Os passageiros ficam sentados em bancos de madeira ou se acomodam em redes de dormir. Cada barco faz linha em rotas regulares entre comunidades do interior e Manaus. O motor faz paradas intermediárias. Em geral viajam lotados, carregando pessoas e mercadorias.
Na hora do recreio, a conversa girava sobre bolachas. Uns gostavam da bolacha Piraquê, outros da Aymoré ou Tostines. Eu disse que bolacha boa é “bolacha de motor”. São servidas aos viajantes de motor, geralmente com café. Todo amazonense conhece. E gosta. Pode-se levar bolacha de motor para os banhos também. A curuminzada agradece. As bolachas de motor são servidas também nas escolas e em ocasiões menos festivas. Mas são sempre bem aceitas.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

domingo, 10 de junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


82 – Acabou a greve dos donos de transportadoras. O Brasil voltou ao normal.

83 – Gilmardelama soltou mais um. Hoje. São mais de 20 nos últimos dois meses. Só gente boa: brancos, cristãos e podres de ricos.

84 – MP pediu a quebra de sigilo telefônico do presidente e de ministros próximos. O Gilmardelama não deixará passar.

85 – Braga, o brega, é citado – mais uma vez – na lava-jato. Gilmardelama a postos.

86 – Podre Parente caiu. Repete-se a velha história: é preciso mudar para continuar como está.

87 – E, com décadas de atraso, a sujeira chega em FHC.

88 – A ex-família imperial já está mexendo os pauzinhos para livrar as caras, ou a memória, dos Pedros.

89 – Apoiado pelo PT, pelo PCdoB e pelo PSB, David Almeida é o candidato das esquerdas no Amazonas. Como dizia o Joãozinho Lennon: a porra do sonho acabou, caralho; ninguém percebeu?

90 – Em Manaus, a greve dos rodoviários ferrou meio-mundo, mas o prefeito Kimono saiu ileso da refrega. Aliás, ele nem chegou a entrar.

91 – A diminuição de 20 para 4% nos incentivos fiscais dos concentrados – e a alardeada consequência disso – é uma evidência da debilidade de uma economia que sobrevive numa bolha de papel seda: qualquer fagulha, qualquer ventinho, qualquer chuvisco acaba com ela.

92 – Alguém aí reparou que a Marielle foi colocada de escanteio? Talvez depois da copa – isso se o Brasil não for hexa, claro –, o assunto volte às redes.



quarta-feira, 6 de junho de 2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

Cadê o queijo? Guardaram o queijo



Pedro Lucas Lindoso


Brincando com minha netinha Maria Luísa. Abro sua mãozinha e conto os dedinhos: dedo mindinho, seu vizinho, maior de todos, fura bolo e cata piolho. E pergunto:
– Cadê o queijo que estava aqui?
A resposta deve ser: O rato comeu.
Por falar em queijo, quando eu era menino aguardávamos ansiosos a chegada de caixinhas de queijo Catupiry. Não havia o tal queijo na Manaus tão mal abastecida antes da Zona Franca. Parentes em viagem ao Rio de Janeiro traziam a famosa caixinha de madeira de Catupiry, por encomenda.
Prima Erzila era prima de meu pai. Mas todos a chamavam de prima. Passava longas temporadas hospedada em nossa casa. Minha mãe não se importava. Era mais uma a reparar a meninada. Éramos sete filhos de idades diferentes.
Por algum motivo ela se arvorava guardiã do queijo. Ao final das refeições aparecia subitamente com a caixa do queijo e dizia:
– Quem quer queijo? Ninguém quer queijo. Guarda o queijo!
Não havia chances nem tempo de nos atrevermos a pedir o famoso queijo. Tínhamos que nos contentar com o queijo coalho vindo do Careiro. Até hoje aquele município é grande produtor de queijo coalho. Que é muito gostoso.
Estamos em época de Copa do Mundo. Uma conhecida loja de ”fast food” está lançando uma série de sanduíches especiais,  homenageando os países que já conquistaram o Mundial – Brasil, Alemanha, Espanha, Uruguai, Argentina, Inglaterra, Itália e França.
Cada dia um desses países é homenageado. Mas o nosso sanduíche tem todo dia. A propaganda do sanduíche Brasil fala em pão com dois hambúrgueres, queijo coalho, mix de folhas, bacon e maionese verde.
Pasmem! Por alguma razão, os sanduíches comercializados em Manaus não levam queijo coalho! Ninguém sabe dizer porquê.    
O gerente de uma das lojas disse que era uma questão de logística. Os sanduíches de Manaus não vão levar queijo coalho.
Mas que absurdo! Tanto queijo coalho feito aqui, no Careiro!
Só resta aos manauaras perguntar ao comprar o sanduíche Brasil: Cadê o queijo coalho? Guardaram o queijo? Ou o rato comeu?

domingo, 3 de junho de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXI


Panorâmica, a partir do Teatro Amazonas.
Ao fundo, o rio Negro. As torres à esquerda são da Catedral.

sábado, 2 de junho de 2018

Fantasy Art - Galeria


The queen of fruits.
Yulia Malakhova.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


70 – Intervenção militar, já.

71 – Fazia tempo que eu não via/ouvia tanta infâmia, tanta ignomínia juntas.

72 – O movimento dos caminhoneiros – incentivados pelos próprios patrões, o que é mais que um paradoxo: é um escracho, uma esculhambação só – é um movimento de Cabos Anselmo.

73 – Mas os imbecis que pedem intervenção militar jamais ouviram falar de Cabo Anselmo, o marinheiro que incendiava as massas, a serviço dos quartéis.

74 – Massa de manobra, que ignora as condições históricas que levaram à ditadura de 1964 e às ditaduras que a precederam e as que a sucederam – na América Latina, na Europa, na África.

75 – Temer é um Golem, a serviço da babaquice reinante.

76 – Vai que um general ou mesmo um coronelzinho qualquer leva a sério essa reivindicação estúpida e deslocada no tempo e na história.

77 – Se estamos 20 anos atrasados, como a voz oficial proclama, atrasaremos mais 50 anos, deixando no pórtico do inferno, de uma vez por todas, qualquer esperança.

78 – O que me lembra o canalha Pedro Aleixo, travestido de democrata, mas fodendo geral: as pessoas não devem ter medo do general ditador; elas devem temer o guarda da esquina – que mata sem precisar dar satisfação.

79 – Durante 21 anos, a ditadura militar – fruto de uma intervenção militar, já – matou, matou e matou.

80 – Do general ditador ao guarda de trânsito da esquina, ditadura militar é assassinato. Nada mais.

81 – Nada mais.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

terça-feira, 29 de maio de 2018

Amigos para sempre



Pedro Lucas Lindoso


Cesinha é um garoto baiano. Ou melhor, soteropolitano.  Seu pai foi transferido para cá e a família mudou-se de Salvador para Manaus.
O garoto tem 14 anos e gosta muito de futebol. É muito determinado. Se começa algo tem que terminar. Fica ansioso se não consegue ultrapassar determinada fase de vídeo game. O rapaz nem parece baiano. Dizem que os baianos são acomodados. Mas não é verdade.
Como muitos brasileiros, Cesinha está colecionando o álbum da copa do mundo. Além de baiano, Cesinha é torcedor fanático do Bahia.
Ficou muito triste com a notícia de que um dos seus ídolos, ex-jogador do Bahia, está fora da Copa. Trata-se de Daniel Alves da Silva, mais conhecido Dani Alves, jogador brasileiro que atua como lateral-direito. Atualmente defende o Paris Saint-Germain. Para tristeza de Cesinha, Dani Alves está fora da Copa do Mundo por conta de uma lesão no ligamento do joelho direito.
– Mas está no álbum da copa, alegra-se Cesinha.
O garoto há dias procura a figurinha 355. A figurinha do Dani Alves. Foi várias vezes aos shoppings, desde que Dani foi eliminado da lista de Tite.
Ninguém tinha para trocar. Conheceu algumas pessoas que já tinham a 355, mas coladas em seus álbuns.
Nessas idas e vindas aos locais de troca, inclusive entre colegas do colégio, ficou conhecido como o garoto que quer a 355 do Dani Alves.
– Será que os editores da Panini suspenderam as impressões da figurinha 355? Teriam já providenciado a sua substituição pela figurinha do Danilo, o que foi convocado no lugar de Dani Alves?
Danilo joga no Manchester City. A equipe que exibiu o futebol mais vistoso do mundo sob comando de Pepe Guardiola, explica Cesinha. E tem uma característica semelhante à de Dani Alves: a construção pelo meio.
Um colega de classe de Cesinha finalmente surpreendeu-o presenteando-o com a figurinha 355, do Dani Alves. Nem repetida a figurinha era. Foi um ato de desprendimento e amizade de um jovem manauara para com seu colega de Salvador. O presente fez com que o jovem baiano completasse seu álbum.
Cesinha, comovido, já convidou o colega para passar as férias em Salvador e curtir o carnaval da Bahia no próximo ano. Antes vão torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Os preparativos para os dias de jogo já começaram.
Com certeza, o amazonense e o baiano serão amigos para sempre.

domingo, 27 de maio de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXX


Ponte de Ferro, ligando a Cachoeirinha ao Centro.
Por Huebner, cerca de 1890.

sábado, 26 de maio de 2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


60 – Tem gente morrendo em decorrência da paralização dos caminhoneiros. E mais gente vai morrer.

61 – Mas nenhum sindicato, nenhuma associação de classe, nenhum caminhoneiro em particular poderá ser apontado como responsável por nenhuma morte.

62 – O único responsável é Michel Temer, o usurpador.

63 – O governo genocida – as moscas voejando em torno do pus que escapa dos buracos na cabeça de Michel Temer – o governo genocida está paralisado. Sem direção. Sem ação.

64 – E mesmo resolvida a situação atual – porque ela será resolvida: a copa vem aí – o governo genocida continuará paralisado, sem direção, sem ação.

65 – Os ratos abandonam o transatlântico genocida, fazendo discursos para o eleitor: hoje todos são contra o governo genocida, inclusive os próprios membros do governo genocida.

66 – O transatlântico faz água e Pedro Parente – o gênio que reinventou a Petrobrás e que nunca roubou um nadinha assim – Pedro Parente, o canalha, diz que a Petrobrás vai continuar trabalhando para os acionistas, especialmente, os acionistas americanos. E nos seus olhos apodrecidos atrás de lentes enevoadas está escrito: o povo que se foda.

67 – E o povo andava tão feliz. A copa do mundo vai começar daqui a três semanas e os caminhoneiros só irão parar para assistir aos jogos dos titeboys.

68 – O povo estava tão feliz. Sábado passado, acordou mais cedo para ver, morto de felicidade, o espetáculo deprimente e absolutamente incompreensível proporcionado pela realeza britânica.

69 – Colonialistas, escravocratas, genocidas, etnocidas – a monarquia, seja ela qual for, só se explica pela indigência mental do ser humano. Mas nem isso a justifica.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

Arabu e salame de cupuaçu



Pedro Lucas Lindoso


Conversava com um amigo parlamentar sobre as outorgas de títulos de cidadão amazonense. O assunto é controvertido. Sempre que alguém de quem não se gosta ou se admira recebe o título, há críticas. Outros não se conformam com a profusão de homenagens. Parece que falta assunto para os parlamentares colocarem em pauta.
O nobre deputado aproveitou para saber minha opinião sobre determinado senhor indicado para tornar-se cidadão amazonense. Marcamos um “chopp” no final da tarde de sexta-feira. Era preciso conhecer e conversar com o postulante a tão cobiçado título.
O candidato a nossa cidadania é oriundo de Santarém. Mais do que paraense, o pessoal de lá é tapajoense. Na verdade, desde a Independência do Brasil, a completar 200 anos ainda neste lustro, o povo das margens do Tapajós quer ficar independente politicamente do Pará.
Os habitantes da região do Tapajós são praticamente amazonenses. A cultura é a mesma dos caboclos do baixo Amazonas. Comem peixe, tartarugas e tacacá como nós.
Diferente de alguns dos migrantes do sudeste. Há sulistas que ganham muito dinheiro por aqui. Mas falam mal dos caboclos, reclamam do calor e vão empregar seu dinheiro em Miami ou no sul maravilha. E se dizem manauaras!
Conversando com o rapaz de Santarém e candidato a amazonense, descobri que veio para Manaus ainda bem jovem. Aqui se formou dentista. Faz trabalho junto às comunidades carentes. Toma tacacá com tucupi azedo como nós. E confessou:
– Adoro uma tartarugada! E ainda como arabu! Que é ovo de tartaruga batido e cru! Come-se com farinha e uma pitada de sal ou açúcar.
Perguntei-lhe se ele gostava de nossas frutas, no que ele nos disse:
– Gosto muito de tucumã e x-caboquinho. Como pupunha e aprecio muito o cupuaçu. De todo jeito. Do suco, do doce, do bombom e do salame.
Disse ao meu amigo deputado que o rapaz estava aprovado. É totalmente merecedor do título de cidadão amazonense. Poucos amazonenses das novas gerações ainda conhecem e comem arabu e salame de cupuaçu.

RECEITA DE SALAME DE CUPUAÇU

Coloque numa panela, a polpa de cupuaçu e o açúcar. Leve ao fogo, mexendo sempre, até soltar do fundo. Deixe esfriar e acrescente as castanhas-do-pará torradas e moídas. Enrole, dando o formato de um salame. Depois enrole em papel-alumínio e por cima, em papel celofane.

domingo, 20 de maio de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXIX



Rua Ruy Barbosa, em 1973.
Acervo: Frank Lima.

sábado, 19 de maio de 2018

Fantasy Art - Galeria


Valkyrie Under Construction.
Daniel Miller.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


53 – Os paradoxos do neoliberalismo.

54 – Quando Lula era candidato inconteste, liderava as pesquisas em qualquer cenário. O mercado estava uma merda, esperando pela prisão de Lula.

55 – Agora, as pesquisas ignoram Lula e quem toma a frente? O nazifascista bolsonagem, em primeiro, e a marineza, a candidata da incerteza. O mercado está uma merda ao quadrado.

56 – O que, afinal, quer o mercado? Que o The Supremes assuma de vez o controle?

57 – Enquanto isso, o desemprego atinge 27,7 milhões de brasileiros. Significa dizer que nos últimos dois anos (O Brasil voltou 20 anos em 2, eles alardeiam com espantosa estupidez) mais do que dobrou o número de desempregados.

58 – Enquanto isso, o IBGE brinca de fazer licença poética e diz que 4,6 milhões de brasileiros estão em “desalento” – ou seja, desistiram de procurar emprego.

59 – Eu usaria uma outra expressão: estão às portas do suicídio moral e ético. Quando um cidadão desiste de procurar emprego, só resta uma alternativa: (complete, leitor/a).

A medicina se ajustando à materialidade do século 17



João Bosco Botelho


O século 17, conhecido como o século da razão, trouxe o encontro da busca da maior liberdade com a ética médica. Esse complexo conjunto sócio-político foi firmemente tocado pelas ideias de Newton, Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz, Corneille, Racine, La Rochefoucauld e Molière.
– Isaac Newton (1643-1727), um dos principais precursores do Iluminismo, autor do “Principia”, físico e matemático, trabalhou com Leibniz na elaboração do cálculo infinitesimal, no período em que permaneceu na própria casa porque a Universidade de Cambridge fora fechada por causa do surto da peste negra. Descobriu a lei da gravitação universal e a natureza das cores, que mudariam para sempre os rumos da ciência. 
– René Descartes (1596-1650), advogado, formado na Universidade de Poitiers, nunca exerceu essa profissão, se notabilizou como filósofo e matemático, fundador da filosofia moderna. Na sua principal obra, “Discurso sobre o método”, se consagrou na defesa do método cartesiano, incluindo o célebre “penso, logo existo”.
– John Locke (1632-1704), considerado a base do empirismo e defensor do direito natural, liberal e de tolerância seletiva, explicando que não poderiam ser aplicados ao “homem primitivo”, os índios, comparando-os ao animal, servindo de base ideológica para a tomada das terras e extermínio de populações indígenas. Esse controvertido filósofo defendia atitudes rígidas e coercitivas aos pobres.
– Bento de Espinoza (1632-1677), racionalista da Filosofia moderna, fugiu da inquisição portuguesa. Em 1656, foi excomungado pela Sinagoga de Amsterdam, por defender Deus como mecanismo imanente da natureza e do universo e a Bíblia como obra metafórico-alegórica não expressando a verdade sobre Deus. Após a excomunhão adotou o nome Bento, tradução do original Baruch. Para Espinoza, Deus e natureza eram dois nomes para a mesma realidade. Ao propor o determinismo, também entendia que os acontecimentos ocorrem em razão das necessidades. Dois pontos importantes da filosofia desse extraordinário pensador: defesa de que a razão não poderia dominar a emoção; uma emoção só seria consumada por outra emoção anda maior e inovou a ética ao afirmar que ela não se opõe às emoções; todos deveriam buscar os instrumentos que constroem a felicidade e o bem-estar e recusar os que determinam dor e sofrimento: a ética da alegria, da bem-querença.
– Pierre Corneille (1606-1684), fundador da tragédia francesa, após desgaste amoroso, escreveu peças teatrais que inauguraram a exposição de sentimentos trágicos, em absoluto contraste com o teatro medieval, em especial, rompe com a ordem e critica os políticos que se acham acima das leis.
– Jean Racine (1639-1699), poeta trágico, matemático e historiador francês. As peças escritas por ele inovaram a dramaturgia francesa, longe das âncoras das autoridades da Igreja, que ainda tentavam manter as rédeas da produção literária.
– François de La Rochefoucauld (1613-1680), pessimista e socialmente desencantado, conspirador contra a autoridade real, apesar da herança aristocrata, explicitava que todas as qualidades da nobreza, as falsas virtudes, estão ligadas ao egoísmo e à hipocrisia. Essa crítica posição, com claro enfrentamento à autoridade real, já refletia os novos ares da maior liberdade política que se avizinhava.
– Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, o grande mestre da comédia satírica do teatro francês. Muito crítico à superficialidade do mundanismo, da segunda metade do século 17, na peça “O misantropo”, de consistente valor moral, retrata um personagem que recusa se integrar na sociedade, devido a exigência da sinceridade e absoluta aversão à hipocrisia.
Como nunca no passado, as práticas médicas associadas aos movimentos sociais que saíam das amarras dogmáticas da Igreja, aumentou o valor da materialização da doença. Centenas de descrições de estruturas e sistemas anatômicos, que receberam os nomes dos respectivos autores, foram acrescentadas aos saberes anatômicos.
Sob o impacto dessas profundas mudanças estruturais a ética médica iniciou o processo de afastamento da Igreja e, em alguns aspectos, se identificou com os conceitos de Spinoza, nos seus geniais livros “A ética” e o “Tratado da reforma do entendimento”, ambos valorizando a vida e rejeitando valores negativos da compreensão dos conflitos sociais.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

terça-feira, 15 de maio de 2018

Tudo pode mudar, menos amor de mãe



Pedro Lucas Lindoso


Zequinha bafo de onça é natural de Itapiroga. O inusitado nome da cidadezinha era motivo de gozação. Ita significa pedra e piroga é uma espécie de canoa. O nome era alusão a um barranco de pedra em forma de canoa.
Mas o que perturbava Zequinha era seu apelido de bafo de onça. O rapaz sofria de severo mau hálito. Halitose, como dizem os médicos e dentistas. Sua dedicada mãezinha, dona Raimundinha, insistia para que Zequinha escovasse os dentes e a língua. Devia manter a boca úmida com limão e comer muitas frutas. Sempre preocupada com o filho. O bullying estava deixando o rapaz triste e macambúzio. Ninguém ousava chamar Zequinha de bafo de onça perto de dona Raimundinha. Muito menos do Dr. Da Silva, o delegado da cidade.
Dona Raimundinha convenceu o marido a mandar o rapaz para a capital. Estudaria por lá e faria um tratamento eficaz. Um dentista especialista no assunto foi o responsável pela cura do Zequinha. Mas o rapaz se recusava a voltar para Itapiroga. Dona Raimundinha visitava sempre o jovem, insistindo para que ele voltasse para casa. Ninguém mais o chamaria de bafo de onça. Zequinha relutava,
Dona Raimundinha dizia que tudo estava diferente. A cidade agora se chamava Canoa de Pedra. O bairro onde moravam denominava-se Pôr do Sol e não mais Baixa do Sol.  A Rua Principal mudou para Dr. Fulano de tal. A Praça das Rosas foi rebatizada com o nome da mãe do prefeito. O Auditório que era José de Alencar recebeu o nome de Machado de Assis. Essa mudança foi a mais enigmática para Zequinha. Havia feito Letras e tornou-se professor de Português. 
Dona Raimundinha insistia para que o filho retornasse a sua cidade. Seu pai não era mais delegado. Havia galgado o cargo de Secretário de Segurança Pública de Canoa de Pedra, antiga Itapiroga.
Até dona Raimundinha mudou de nome. Como esposa do secretário, virou “socialite”. Agora era dona Ray. E Zequinha bafo de onça havia se tornado o Professor José Carlos da Silva.
Segundo domingo de maio. Dia das mães. O professor resolve fazer uma surpresa para sua mãezinha e volta a Canoa de Pedra. Constatou que tudo havia mudado. Foi recebido com todo carinho e desvelo por dona Ray. E concluiu: tudo pode mudar, menos amor de mãe.
Feliz dia das mães para dona Ray, para as mães de Canoa de Pedra, do Brasil e do mundo.