Amigos do Fingidor

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


234 – Os ratos abandonaram o barco? Não, os ratos foram para a Europa, de avião. A ratazana Ciro, a catita gulosa Marina, a mucura FHC. Maresia, para eles, só em sentido figurado, esfumaçado.

235 – O barco de Haddad e Manu – o barco da democracia, do crescimento econômico, da educação para todos – segue de vento em popa e quilha empinada.

236 – Para quem ainda duvida da manipulação das pesquisas: lembra que, no primeiro turno, se divulgava a pesquisa cheia, incluindo nulos e em branco?

237 – Agora, para o segundo turno, só estão divulgando os válidos, o que dá, entre Haddad e o fascista onanista, uma diferença de 18 pontos. Uma farsa.

238 – Na pesquisa estimulada, nulos, brancos e sem resposta representam 11%, o que significa mais de 16 milhões de votos.

239 – O mais importante, entretanto, é que Haddad não precisa crescer 18 pontos, para tirar a diferença, mas apenas 10 pontos, o que o colocaria com 51%.

240 – Bastaria um debate, para desmascarar o canalha.

241 – E depois, vamos ouvir a velha cantilena: “o país está dividido...” O país sempre esteve dividido – repetindo Lula: “é nós contra eles”.

242 – E quem são eles? Os que sempre viveram em berço esplêndido; que dividem o país em castas (brancos e cristãos, de um lado; pardos, mulatos e negros de qualquer religião, de outro) e raças (sulistas e nordestinos, o que inclui o norte, claro).

243 – Eles ainda não assimilaram o fim da escravidão – e se autoproclamam cristãos, sem respeitar os mais elementares princípios cristãos.  

244 – E quem somos nós? Os que acreditamos que o país só pode crescer estimulado pelo trabalho pago em salário digno. Lembram que Lula se elegeu em 2002 com a promessa de elevar o mínimo a 100 dólares? Os idiotas de plantão, os Sardemberg da vida, diziam ser absurdo, o país iria quebrar. O salário chegou, nos governos do PT, a mais de 200 dólares. E, com Haddad e Manu, vai crescer mais ainda.

245 – Quem somos nós? Os que acreditamos que justiça social se faz com políticas sociais de médio e longo prazo, e não com esmolas natalinas. Os que acreditamos que os crimes históricos, como os cometidos contra os índios e os afrobrasileiros, devem ser reparados, sim, com políticas adequadas.

246 – Nós acreditamos que a educação e o emprego são as maiores armas para o combate ao crime, no longo prazo. E que o combate ao crime, no curto prazo, se faz com inteligência e não com violência; se faz com repressão, não com assassinato em massa.

247 – Eles acreditam que podem ganhar a eleição espalhando o terror das notícias falsas e fantasiosas; nós acreditamos que só o debate público pode esclarecer o eleitor desinformado.

248 – A suprema Rosa Weber parece uma barata tonta no meio do tiroteio: convoca representes das partes para promover a paz; só o lado da paz comparece. D. Rosa sorri amarelo e diz que não pode fazer nada. Ora, merda.

249 – Para o meu folclore particular. Ontem uma amiga me contou sobre uma conhecida velha, velha conhecida. Transcrevo o que ouvi de segunda mão: “aquela Marisa não morreu; tá na Europa curtindo a vida em euros”; “Lula não está preso, coisa nenhuma; tá na Europa com a Marisa, gastando o que roubou”. Entre outras sandices. Detalhe: a fulana é professora universitária, da UFAM, a universidade que o Lula salvou da sanha destruidora de FHC. Meu amigo Bacellar, se por cá estivesse, diria, entredentes: “professora universiotária...”

250 – A mentira é o alimento do ódio. A calúnia e a violência são dejetos do mesmo esgoto.

251 – Haddad presidente; Manu vice; e Lula livre.

Academia de Portas Abertas - último dia



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Vivam os encaracolados!



Pedro Lucas Lindoso


Houve um tempo em que os homens podiam paquerar as moças sem medo de ser acusados criminalmente por assédio. Observavam-se os seios, as pernas, o bumbum e os cabelos.
As moças amazonenses geralmente têm lindos cabelos lisos e fartos. Mas há aquelas que brigam eternamente com seus cabelos. Quanta tolice.
Roberto Carlos tem uma canção linda em que diz: “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos / uma história pra contar de um mundo tão distante”.
Nada mais charmoso do que cabelos encaracolados. Pleonasticamente, em forma de lindos caracóis. Os gringos definem assim: “natural curly hair”. Cabelos naturalmente ondulados.
Minha prima Teresa Daou, quando garotinha, usava encantadores e misteriosos cachinhos.
A atriz Sonia Braga, quando jovem, tinha magníficos cabelos assim: levemente encaracolados. No papel de Gabriela, cravo e canela, chamou a atenção pela sua beleza escultural. Os seus lindos cabelos em caracóis encantaram o país e o mundo.
Porém, moça nenhuma jamais superou os longos castanhos escuros cabelos de Hermengarda Fonseca. Os cabelos de Menga Junqueira, como é carinhosamente conhecida em Manaus, eram não só longos, mas principalmente fartos e sedosos. Hoje, Menga é respeitável jornalista e formadora de opinião.
Hermengarda é dotada de inteligência e sofisticação ímpar. Mas seus cabelos encantaram o Amazonas e o Brasil. Menga foi nossa Miss Amazonas. Sem querer ser indelicado, devo dizer que era bem garoto. Jamais esquecerei aquela linda moça de cabelos longos, naturalmente ondulados. Menga, com toda dignidade e elegância, representava nosso estado no Maracanãzinho, esbanjando a beleza da mulher amazonense.
Naquela época, as moças não usavam essas escalafobéticas chapinhas. O máximo que faziam eram usar rolinhos chamados de “bobs”. Ou então faziam toucas nos cabelos, enrolando-os em grampos. Cobriam os cabelos com meias de nylon improvisadas.  Para depois soltá-los ao vento com graça e leveza.
Vejo com alegria que muitas mulheres estão abandonando as abomináveis chapinhas e aderindo aos cabelos ondulados.
Abaixo as chapinhas. Vivam os encaracolados!

domingo, 14 de outubro de 2018

sábado, 13 de outubro de 2018

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Zona de Guerrilha Franca


Zemaria Pinto


223 – O estado de bem-estar social se opõe ao estado opressor. O governo socialdemocrata se opõe ao estado totalitário-fascista.

224 – Inútil jurar fidelidade à Constituição quem, até outro dia, defendia a tortura e o assassinato de “comunistas”; quem afirma aos quatro ventos que “bandido bom é bandido morto”.

225 – “Bolsonaro sempre teve discurso autoritário. O PT nasceu e cresceu na democracia”. Estas aspas são da Sra. Miriam Leitão, a jovem guerrilheira comunista que virou uma velha neoliberal. Mas não perdeu a razão.

226 – O vendaval de votos no misógino-homofóbico-onanista – onde ele não ganhou houve fraude, claro – só se explica pela complexo de manada do lúmpem-eleitor.

227 – Pior que o eleitor-gado é aquele que se diz desiludido com a política, cujos votos – nulos ou brancos – diminuem a base de cálculo, favorecendo o fascista. São covardes, porque, não tomando uma posição, estimulam o voto, indireto, no fascismo.

228 – Mas muito pior que o eleitor covarde é o pseudo-intelectual, que se diz anarquista – ignorando o significado histórico dessa palavra – e sequer comparece para votar. Esses intelectuais de fachada, revoltados de mesa de bar, não passam de entreguistas de primeira hora, vassalos do que eles dizem odiar.

229 – E agora, Marina? Se o Bozo ganhar, ele não vai te chamar pra ser ministra do meio ambiente. Vai chamar a Kátia Abreu ou qualquer outro representante do agronegócio – que pode ser pop e top, mas é tóxico, como diz o Boulos.

230 – E o Ciro, bêbado, disse “ele não”. Agora, está com frescura. Eu explico: o PDT, que já teve Brizola e Darcy Ribeiro entre suas glórias, é um partideco de aluguel. Taí o Amazonino, dono da sigla no Amazonas, que, desde o primeiro turno, apoiou descaradamente o Bozonauro – que o rejeita porque o conhece.

231 – Por falar em glórias, o PPS, quem diria – e que vergonha, Sr. Roberto Freire. O PPS, que já foi PCB – de Prestes, de Marighella e de Gregório Bezerra, entre tantos – diz que vai ficar neutro. É outro partideco, de aluguel. Lembram qual era o partido do Braga, em 2002? Hoje está sob o chicote de Amazonino. Também.

232 – Bozonauro vai continuar se escondendo atrás da fina lâmina do Bispo. Hoje deveria ter debate tête-à-tête. Seria um massacre. Muito conveniente aquela facada. Muito conveniente.

233 – E enquanto isso, Marielle – mulher, negra, homossexual, ativista, tudo o que o Bozonauro mais odeia – continua assassinada. Há sete meses.  

Academia de Portas Abertas - programação deste domingo



quarta-feira, 10 de outubro de 2018

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sir Bernardo Cabral



Pedro Lucas Lindoso


A nossa Carta Magna está completando 30 anos neste outubro. Houve avanços importantes nas questões de cidadania, liberdades públicas e direitos individuais e coletivos. A Constituição deu ao Brasil um norte em alguns temas fundamentais, como o Meio Ambiente e o Direito do Consumidor. Para nós, amazônidas, o advento do Direito Ambiental foi crucial. Vivemos na maior floresta tropical do planeta e ela precisa ser preservada. Para o povo brasileiro, o Código de Defesa do Consumidor é um marco histórico e civilizatório, advindo da vontade dos constituintes de 1988.
As crianças e os adolescentes são tratados com absoluta prioridade num país em que “menores” não tinham direitos. Hoje, nossos jovens são sujeitos de direitos e os idosos protegidos e salvaguardados em legislação própria e moderna. Outras minorias como indígenas, quilombolas e deficientes mereceram a necessária atenção dos valorosos constituintes.
O fortalecimento do Ministério Público e a criação da Advocacia Geral da União possibilitou a alavancagem de ações envolvendo direitos coletivos e difusos. Uma necessidade para o novo milênio.
A Constituinte foi uma vitória do povo capitaneada pelo grande e inesquecível Ulisses Guimarães. Mas jamais poderemos deixar de lembrar e homenagear o senador Bernardo Cabral. O amazonense ilustre que tão habilmente e com total eficiência e eficácia conduziu a relatoria da Constituição Federal de 1988.
Um verdadeiro trabalho de titã. Os titãs na Mitologia Grega foram os antepassados dos deuses do Olimpo. Cronos era um deles. O trabalho do Senador Bernardo Cabral envolvia Cronos, o tempo. E muita paciência e “savoir-faire” para administrar interesses e aleivosias entre gregos e troianos!
Dr. Bernardo carregou o piano da constituinte. Não qualquer piano. Mas um tão caro quanto o Steinway Model Z onde John Lennon compôs e gravou "Imagine".
Tive a honra de participar de sua equipe no Ministério da Justiça. Hoje faço parte da ACLJA – Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas. Casa de Bernardo Cabral.
Há um acervo no Museu da Rede Amazônica onde se pode ver parte das homenagens e títulos concedidos ao Dr. Bernardo Cabral. Uma ideia de Phelippe Daou, seu dileto amigo e nosso primo. Se o Senador Bernardo Cabral fosse súdito de sua Majestade a Rainha da Inglaterra, certamente teria o título de SIR – Cavaleiro Comandante do Império Britânico.
Possivelmente esta é uma das poucas honrarias que lhe falta. Aquele que não for cidadão do Reino Unido, mas que recebe o título, não pode usá-lo, ficando apenas como “Cavaleiro Honorário”. Mas nada obsta de que nós, povos da floresta, possamos lhe conceder tal honraria sem ser de forma honorária, mas definitiva. Ele merece.
Longa vida ao Sir Bernardo Cabral!

domingo, 7 de outubro de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXXIX


S. Sebastião, vista do adro do Teatro Amazonas.
À direita, o monumento à Abertura dos Portos.

sábado, 6 de outubro de 2018

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Óscar Rmaos no ICBEU - Coletâneas da Memória



Academia de Portas Abertas




Em vista das eleições gerais, não haverá, neste domingo, o projeto Academia de Portas Abertas, que voltará, no próximo dia 14, encerrando no dia 21 de outubro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


202 – O jogo sujo sujou de vez.

203 – Escondido por trás do suposto atentado, o candidato fascista mesmeriza o eleitorado antipetista e produz verdadeiros milagres estatísticos na reta final da campanha para o primeiro turno.

204 – Repetem-se as mesmas manipulações de sempre, procurando iludir o lúmpen-eleitor, levando-o a votar no “já ganhou”.  

205 – O agora eleitorado fascista não está preocupado com a saúde da “frágil democracia brasileira” (como não se cansam de repetir os iluminados globais). Ligaram o botão do foda-se, e foda-se.

206 – O presidente Lula tinha razão: “é nós contra eles”.

207 – De um lado o candidato da esperança, de quem acredita que este país pode ser um país de oportunidades iguais para todos – e não apenas para uma elite branca e cristã. Boulos? Vera Lúcia? Não seria a primeira vez que o PSOL e o PSTU virariam as costas para o PT.

208 – Quase que eu escrevo Cavaleiro da Esperança – os mais velhos saberão porquê.

209 – De outro lado, sob a falsa liderança do fascista homofóbico e misógino – logo, onanista –, os falsos brizolistas do Ciro; os falsos sociais-democratas do Alckmin; os falsos preservacionistas da Marina; somados aos imbecis que acreditam no Amoedo e no Meirelles – que ficaram ricos vendendo cartões de crédito e extorquindo pequenos empresários desesperados.

210 – O que são os milagres estatísticos acima referidos? Alguém acredita que depois de todo o barulho do #EleNão o fascista onanista cresceria exponencialmente entre as mulheres?

211 – Nelson Rodrigues, de pura farra (ele dizia que polêmica “sempre dá um dinheirinho extra”), afirmava que “nem toda mulher gosta de apanhar – só as normais”. Parece que a normalidade é muito maior do que poderíamos supor nas hostes do fascista onanista.

212 – Mas a sujeira maior veio do Sr. Limpeza, ou Mr. Clean, como ele, um anglófilo, deve preferir: a divulgação da delação de Palocci, feita em abril e até hoje não divulgada “por insuficiência de provas”.

213 – Moro mostrou que é apenas um boneco de engonço a serviço da mais deslavada putaria política. Ele, que posava de vestal, mostrou que não passa de uma reles puta de tribunal – com todo o respeito às trabalhadoras prostitutas.

214 – Enquanto isso, na Sala de Justiça, os senhores supremos continuam batendo cabeça, como carneiros cegos e gordos que são. Levandóvisque manda; Fuckyou desmanda; Levandóvisque remanda; Tífode desmancha tudo.

215 – Pra quem apostava que Tífode era o PT no supremo, taí: o the supreme, que não foi aprovado nem pra juiz de comarca dos grotões, está cortejando o alto escalão militar, pronto para babar ovo e lamber bota, caso venha o golpe. Supremo golpe.  

216 – Um comentarista econômico tendo orgasmos múltiplos ao vivo e em cores: “a subida do Bozonauro nas pesquisas fez a bolsa subir e o dólar cair”.

217 – É mais um mito que tentam enfiar goela abaixo dos mal informados. A bolsa e o dólar são mercados especulativos, sensíveis a notícias fora do padrão. Para uma ação na bolsa se manter em alta, valorizada, entretanto, é preciso que a empresa esteja estável no mercado – e isso só acontece com consumo alto e crescimento econômico, itens que não constam da cartilha do Posto Ipiranga do onanista, que só vê o ilusionismo do neoliberalismo. Aliás, o liberalismo dele nem é neo, é velho mesmo.

218 – O básico do Posto Ipiranga do onanista é: privatizar o que resta; arrochar a política trabalhista (diminuindo seus “custos”) e arrochar a previdência. O que, aliás, o generalíssimo Jumento de Carga vive a repetir. Ou seja, facilitar a vida dos empresários, num primeiro momento, fodendo de vez a classe trabalhadora – que é a massa consumidora. Em outras palavras, os empresários vão viver de vender para os empresários, pois o povo consumidor está alijado dessa política velholiberal.

219 – Logo mais, à noite, tem debate. Bozonauro vai continuar se escondendo atrás da faca do Bispo. Ciro, Alckmin e Marina vão continuar batendo em Haddad, fazendo o jogo do onanista. Tomara que o Cabo vá (sei do cacófato), pelo menos ele é engraçado – mais do que o Meirelles, o Amoedo e o Coringa (como é mesmo o nome dele?) juntos.

220 – Haddad só tem que ser ele mesmo, jogando limpo com seus eleitores, mas sem recuar diante de prováveis agressões, mantendo a guarda alta e jabeando sem cessar.

221 – Lembrando o Comandante: “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

222 – Eu nunca li essa frase em nada do que o Che escreveu ou que escreveram sobre ele – e eu o leio há quase 50 anos. Mas, quando a poesia é melhor que a história, não há dúvida: ficamos com a poesia.


Excessos tecnológicos nas práticas médicas


João Bosco Botelho


As práticas médicas nos países do Terceiro Mundo, inclusive nos emergentes, desde os anos sessenta, ficou impregnada pelas teorizações de Engels, Flexner e Parsons. Os trabalhos acadêmicos ora primam para qualificar a dor como fruto da injustiça social, ora oferecem a máquina como solução para prolongar a morte temida.
Apesar de a maior questão dos saberes médicos não estar resolvida – em qual dimensão da matéria viva a doença começa a substituir a forma preexistente para transformar o normal em doença? –, os médicos oriundos da sedução marxista ou do tecnicismo exacerbado acreditam, perigosamente, na infalibilidade da medicina oficial, produzida nas universidades, e distanciam-se do doente. As intolerâncias dos dois segmentos forçaram o abandono da milenar tradição médica que valoriza a relação médico-paciente, explícita nos escritos da ilha de Cós, no século 4 a.C., como ponto de partida da boa prática para alcançar a cura.
As ordens médicas da doutrina flexneriana e do socialismo desmoronado, como ventos polares, aderiram ferozmente na maior parte dos médicos, entre os anos 1960 e 1980. Se, por um lado, os Relatórios Flexner concorreram para consolidar o ensino da medicina tecnológica, ligada às máquinas hospitalares, nos Estados Unidos e na Europa, e a publicação de Engels, que estudou as condições de vidas dos trabalhadores ingleses, remeteu à crítica dos abusos do capitalismo, ambos podem ser responsáveis pelo descrédito com que a ciência lidou, a partir de então, com o conhecimento historicamente acumulado valorizando práticas milenares de cuidados à saúde.
Entre as piores resultantes da tecnocracia médica se refletiu no abuso dos medicamentos e da hospitalização. O médico não precisaria conhecer o paciente, bastaria estabelecer o diagnóstico e prescrever o tratamento. Os testes laboratoriais, as imagens da tomografia computadorizada e ressonância magnética seriam confiáveis para garantir que as doenças, e não os doentes, responderiam de acordo com o esperado.
Na contracorrente da intolerância que afastou o médico do doente, algumas faculdades de medicina, especialmente, no Canadá, iniciaram os estudos para entender como as pessoas se relacionavam com as doenças e práticas de curas fora dos muros das universidades.
O trabalho desses críticos da exclusiva tecnocracia médica trouxe às academias os conflitos resultantes das relações profissionais com os dois sistemas de saberes: o mítico e o cientifico.
Ao contrário das afirmações de Flexner e Parsons, o controle das doenças sempre esteve além do social, magistralmente descrito pelos historiadores franceses Jacques Le Goff e Jean-Charles Sournia: “A doença não pertence somente à história superficial do progresso científico e tecnológico, mas à história profunda dos saberes e práticas ligados às estruturas sociais, às instituições, às representações, às mentalidades”.
É insuficiente entender a doença exclusivamente como consequência das agruras sociais. As evidências que apontam para a doença são dependentes do social e do genético para que os indivíduos possam fugir da dor e procurar o prazer. Cada pessoa possui incontáveis padrões específicos para identificar qualquer ameaça de dor.
Muitas dúvidas quanto à possibilidade de o social causar alterações genéticas ficaram melhor compreendidas após os estudos do cientista Susumi Tonegawa, Nobel de 1987, esclarecendo como se dá a variação na ordem dos aminoácidos dos anticorpos produzidos nos linfócitos B.
Como efeito imediato dessas pesquisas, é possível afirmar que pelo menos parte da estrutura genética do homem é móvel, competente de desenvolver, durante a vida, infinidade de combinações gênicas adaptadas às necessidades vividas. Com essa certeza, é possível articular o elo entre a herança genética e a vida social.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Marrada e badalada



Pedro Lucas Lindoso


Houve um tempo em que não havia Faculdade de Medicina em Manaus. Os que queriam ser médicos iam estudar na Bahia ou no Rio de Janeiro. Alguns hoje dão nome a hospitais e ruas da cidade.
No final de 1965, o Conselho Universitário da então Universidade do Amazonas houve por bem instalar a Faculdade de Medicina. Nos seus primórdios, a Faculdade funcionou no antigo Grupo Escolar Plácido Serrano, ao lado do Hospital Getúlio Vargas. Hoje é uma instituição respeitada. Mas muitos duvidaram que pudesse vir a firmar-se como uma boa Escola de Medicina.
Nas décadas de 1960 e 1970 não havia muitas instituições privadas de ensino superior no Brasil, como hoje em dia. O vestibular era uma guerra. No sudeste muitos jovens conseguiam ser aprovados no vestibular, mas não entravam no curso porque todas as vagas haviam sido preenchidas. Ficavam numa lista de espera. Eram os excedentes. Alguns deles foram admitidos na então recém-criada Faculdade de Medicina da Universidade do Amazonas.
Conheci Dr. Hipócrates em Brasília. Goiano de nascimento, Hipócrates Resende tinha mesmo que ser médico. Com esse nome! Ao saber que era de Manaus, contou-me que estudou Medicina aqui. Veio como excedente. Depois de formado, foi trabalhar numa comunidade do interior, na região do Baixo Amazonas.
Lembrou-se de que por lá não se fala alô. É “alu”. O pessoal troca a letra “o” pelo “u”. Canoa é “canua”. E também se fala “tombém”. Foi quando conheceu Rosa. Ou melhor, dona Rusa, técnica de enfermagem do ambulatório em que foi trabalhar.
Durante muito tempo Rusa foi a “médica da comunidade”. Hipócrates sabiamente fez dela uma aliada. Permitiu que fizesse triagem dos pacientes. Dona Rusa chamava-o, carinhosamente de “duturzinho”.
Certo dia, chegou uma jovem, também chamada Rosa, acompanhada de uma mãe visivelmente preocupada. Dona Rusa examinou-a. Eis o relato:
– Duturzinho, ulha já! Examinei a “muça”. Manchas “arruncheadas” pelo corpo. Deve ter sido marrada ou badalada. O que o senhor acha?
Com medo de errar, Hipócrates fez um diagnóstico cumulativo:
– Foi marrada e badalada, Rusa. Diagnóstico final. Estamos conversados!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Esperando bodó e o Messias



David Almeida


A partir da nossa existência nesse terceiro planeta do sistema solar, chamado Terra, vivemos sempre esperando alguma coisa. A vida é uma corrida, vivida na realidade, sobre a autopista de uma longa espera.
Era o início do mês de junho e nos preparávamos – como todo amazonense que gosta do boi-bumbá – para ir ao Festival de Parintins; esquecer um pouco as cores, tão desbotadas do pendão do nosso País e esperar chegar o dia, para levantar as bandeiras coloridas, altivas, impolutas, retumbantes e tão amadas dos dois bois, que fazem o Festival de Parintins ser reconhecido no mundo inteiro.
Com as ondas cerebrais já surfando no balanço ritmado do “dois pra lá, dois pra cá”, esperávamos o dia de entrar no barco e sentir a brisa leve acariciar o corpo, deixando essa alegria colorida bater na alma, nos impulsionar a singrar os caminhos dos rebojos e dos remansos, balançando, “banzeirando” de “bubuia” por sobre as águas desse majestoso rio, ao encontro da ilha dos grandes rituais; sob as batutas de lendárias criaturas; seres encantados da selva, que em três dia aparecem, saem de seus mundos, mostrando um espetáculo sobrenatural do místico universo de sua natureza. 
A ansiedade e a expectativa se misturavam no tempo dessa espera e a conversa se mostrava o tempo inteiro no âmbito do folclore bovino: nas ruas, nas esquinas, nos bares de Manaus, por onde passávamos a pauta era a festa na ilha dos tupinambás e a pergunta logo era feita: quem vai ao Festival de Parintins? Alguns respondiam afirmativamente outros tiravam sarro dizendo que esse negócio de boi é pra quem tem chifre.  
Nessa espera pela chegada do dia da partida, encontramos visitando Manaus um amigo nosso de Parintins, o ex-vereador Messias de Medeiros Cursino, que nos cumprimentou, nos abraçou, e depois de um bate papo bacana comentamos a nossa ida ao Festival de Parintins. Messias ficou eufórico, alegre e logo nos convidou para assim que chegássemos à cidade, ir direto para sua casa, pois iria preparar, de todas as maneiras possíveis, nada mais nada menos que o nosso saboroso e pré-histórico BODÓ.
Pois bem, a espera terminou, o dia tão esperado da nossa partida chegou; era verdade, o barco estava ali, ancorado na Manaus Moderna, também a nossa espera: colorido, bonito, majestoso, sorridente e com o som bem alto no ritmo das toadas, dando assim o tom e o toque de como o coração deveria pulsar. 
Já com a “baladeira” espichada no convés do barco, a corrida era rumo ao bar na área de lazer e degustar uma cerveja bem gelada, refrescando o calor com a brisa batendo no corpo massageando a alma e deixando pra trás, cada vez mais, a nossa querida Manaus. Seguimos viagem, numa alegria contagiante com as músicas de Caprichoso e Garantido avermelhando e azulando nossas almas.
Chegamos a ilha, mais ou menos, às 13 horas do outro dia, fomos logo subindo a ribanceira para no primeiro boteco dar continuidade ao que tínhamos começado ontem. Lá pelas tantas (digo, 2 da tarde), de chegança na área, o compositor parintinense Tote Navegante, que depois dos cumprimentos básicos nos fala do almoço na casa do Messias... haaaaa, aí a barriga já roncando, olhamos um pro outro e vamos nessa! Caminhando, cantando e tendo como cicerone o Tote, seguimos em frente, mas, aqui e ali, o Simão Pessoa se empolgava e dançava reggae. Eu e minha mulher – agarradinhos – dançávamos forró, o poeta e escritor Zemaria Pinto dançava axé music, fazendo gesto, como se estivesse dançando na boquinha da garrafa, e sua parceira, só no carimbó – todos ao som e ritmo das toadas. Se os compassos eram iguais, não sei, mas tinha gente que olhava meio esquisito pra turma, esboçando um sorriso antes de seguir em frente.
Com meia hora de dança, e um calor de fazer inveja a qualquer “capeta”, suando mais que tampa de chaleira, perguntávamos ao Tote: - tá perto? E ele respondia: – é bem ali, e apontava com o canto da boca. Bem, pra encurtar a conversa, depois de dobra pra cá, dobra pra lá, enfim, chegamos na casa do Messias, ah que maravilha – só que não tinha ninguém, e ficamos que nem aqueles fieis evangélicos, esperando o Messias chegar, não para julgar os vivos e os mortos no dia do juízo final, mas para nos ofertar um almoço de boas-vindas, regado a bodó. Atravessamos a rua e com o calor que fazia, a gente molhado de suor, o jeito era aportar em outro boteco e enxugar um gelo esperando bodó, mas o Messias precisava chegar. E haja esperar. E tome cerveja! E eu, vislumbrava aquela mesa posta, até o tucupi de bodó, parecia que estava ali na minha frente: caldeirada de bodó; bodó no espeto; bodó à parmegiana; kikão de bodó; lasca de bodó ao vinho do porto; bodó ao molho madeira (que é o nosso bodó na lama); farofa de bodó com ovo frito; bodó lombrado (feito com cachaça corote); bodó recheado com arroz de lula (em homenagem ao bolsa-família); quibe de bodó com ki-suco de groselha e garapa de cana;  paella de bodó; charuto de bodó à moda iugoslava (prato predileto do nosso poeta Aníbal Beça); xis-caboquinho de bodó (bodó recheado com tucumã e pupunha), ...Bem, estávamos com água na boca, vendo miragem, esperando bodó, mas a fome era tanta que resolvemos dar aquele jeitinho nela – afinal, esperar é um verbo que o povo Brasileiro sabe conjugar direitinho – e pedimos ao Sr. que nos atendia, para improvisar um “rango” pra gente... deu nove horas da noite e continuávamos esperando bodó, todos naquele estado etílico de deixar qualquer bafômetro em pane. Pedimos a conta: – Mestre, quanto é? Falou, o Simão Pessoa. Aí ele disse, que tinha dado pouco, era só uma grade de cerveja, cinco latas de sardinhas, quatro de conservas (boi ralado) e dez ovos fritos, o militos era cortesia da casa, portanto, tudo ficou por conta de 250 reais. Pagamos! Mas fiquei imaginando... já pensou? A gente veio pra comer bodó oferecido pelo Messias e sai com o bucho cheio dessa mistura: sardinha em lata, conserva, ovos e cerveja? Ave Maria! Mas, também, nem precisava o Messias chegar cheio de anjinhos tocando corneta numa nuvem bem branquinha. Uma, que não era esse o momento, bastava um triciclo colorido com um “cabra” pedalando e pronto. 
Bom, já era tarde da noite... bateu o cansaço e fomos para o barco dormir, sonhei com aquela mesa posta de bodó e eu, literalmente, dentro de uma caldeirada, e os bodós me beliscando querendo me comer e de repente veio um bodozão pra cima de mim, com a boca aberta, dei um grito e acordei: cansado, suado, espantado, com um odor horrível no ar, já era manhã do outro dia e estranhei! Não tinha ninguém perto da gente. O por que, eu não sei. Só sei que estávamos esperando o bodó que não veio, e muito menos o Messias.

domingo, 30 de setembro de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXXVIII


Rua Pedro Botelho, no Centro, próxima à Escadaria.

sábado, 29 de setembro de 2018

Fantasy Art - Galeria


Girl with tattoo. 
Yann Dalon.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


177 – Escolha o seu lado. Civilização ou barbárie?

178 – Civilização é justiça social, emprego e crescimento econômico; é o controle dos lucros bancários e a taxação às grandes fortunas; mas é também programas sociais, como o Bolsa-Família, por exemplo, que promove justiça social, por meio da distribuição de renda.

179 – Barbárie é esterilizar a população de baixa renda, “para diminuir o número de pobres”.

180 – Barbárie é condenar o Bolsa-Família, sob o argumento de que “os miseráveis agora vivem só de renda”, ignorando as regras rígidas para a concessão do benefício.

181 – Barbárie é cortar gastos de investimentos públicos, sob a alegação de que “o estado já é grande demais”.

183 – Barbárie é diminuir os impostos da classe média, para aumentar dos que ganham menos, pois é isso a “alíquota única do Imposto de Renda”.

184 – Barbárie é afirmar que “as grandes fortunas já dão sua parcela de colaboração na economia do país”, por isso devem ser isentas de mais impostos.

185 – Civilização é a universalização do sistema educacional – do fundamental à pós-graduação.

186 – Barbárie é a industrialização e a privatização do sistema educacional.

187 – Civilização é o sistema de cotas para índios e negros, visando reparar erros históricos.

187 – Barbárie é afirmar que “os índios são preguiçosos e os negros são malandros”.

188 – Civilização é o respeito e o estímulo ao papel da mulher independente, como força motriz da economia e da nação.

189 – Barbárie é afirmar que “crianças criadas por mães e avós terminam como soldados do narcotráfico”.

190 – Civilização é o respeito à diferença  de sexo, gênero, crença, religião, cor, etnia, raça.

191 – Barbárie é o ódio e a violência contra o diferente – inclusive, dentro da própria casa. 

192 – Civilização é o respeito à democracia e à justiça, mesmo quando vítimas de injustiça.

193 – Barbárie é chantagear afirmando, com duas semanas de antecipação, que se não ganharem “é porque houve fraude”.

194 – Civilização é o respeito à democracia e o exercício do diálogo com os adversários, visando o bem do país.

195 – Barbárie é pregar o “voto de partido”, independente da vontade do parlamentar.

196 – Barbárie é pregar o autogolpe ou o golpe, que não é apenas retórica, mas uma possibilidade que se desenha.

197 – Civilização é pregar a concórdia e a harmonia, mesmo porque ninguém governa sozinho, quando todos o acusam de extremismo.

198 – Barbárie é o extremismo que prega a violência, a tortura, o assassinato.

199 – Civilização é acreditar que o país só mudará com educação, cultura e pleno emprego.

200 – Barbárie é o ódio à cultura, à educação e aos trabalhadores.  

201 – Escolha o seu lado. Civilização ou barbárie?



Práticas médicas entre os confrontos ideológicos 2/2



João Bosco Botelho


As propostas oitocentistas incentivadas pela fisiologia experimental de Claude Bernard aprumaram a ciência na tarefa de explicar como funcionava o corpo, quase sempre o associando aos avanços da técnica. O pleno exagero do mecanismo coube às palavras do pensador La Mettrie, em 1748, que conduziu a mecanização dos corpos ao limite máximo: “Em todo o universo não há senão uma única substância diversamente modificada, portanto o homem é uma máquina”.
As sementes dessa estranha concepção linear da dor e do prazer, se reconstruíram no século 20, trazendo a máquina como o modelo ideal para ser comparado ao corpo humano. Nesse caso, os corpos, como num passe de mágica, passaram a ser comparados às máquinas, e as doenças, aos desajustes na engrenagem.
A industrialização impondo as linhas de montagem e a necessidade rápida de mão de obra, os corpos tornaram-se complementos das máquinas. O mecanicismo trouxe um impressionante conjunto metafórico às linguagens-culturas: o coração passou a ser a bomba; o pulmão, o fole; o rim, o filtro; e, finalmente, o cérebro, o computador.
 Os reflexos dessas mudanças na formação do médico não tardariam. Em 1910, o relatório Flexner, que analisou a competência de 150 faculdades de medicina existentes naquela época, nos Estados Unidos, seguido, dois anos depois, do segundo relatório, descrevendo os cursos médicos da França, Inglaterra, Alemanha e Áustria, selaram o destino da nova metodologia do ensino da Medicina:  o maior produtor de saúde estava fincado nas relações científicas vindas dos laboratórios de pesquisa.
Como consequência, o conjunto formador competente do médico só poderia existir na certeza o uso de aparelhos, para intermediar as práticas médicas responsáveis pela melhoria das condições de saúde das populações.
A estrutura teórica que ajuizou a indissociável ligação da medicina à tecnologia também se apoiou em Talcott Parsons, em 1951, ao entender que a saúde só poderia ser alcançada sob a estreita supervisão do médico. Essa abordagem, marcada pelo etnocentrismo americano, da década de cinquenta, legitimou os relatórios Flexner: “O paciente tem a obrigação de buscar ajuda técnica competente (fundamentalmente um médico) e cooperar no processo de recuperação”.
É evidente que o estudo de Parsons só poderia ser aplicado nos poucos segmentos sociais, nos países industrializados, com grandes recursos disponíveis para pagar os serviços de saúde. A imensa maioria das pessoas, nos quatro cantos do mundo, continua sendo tratada pelos curadores populares de todos os matizes.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Otelo Solo na UFAM



Amazonas, o que é?



Pedro Lucas Lindoso


Era domingo. Fico triste em ler nos jornais mais um ataque ao Amazonas, seu povo e a Zona Franca de Manaus. Nosso parque industrial é chamado de obsoleto por um jornal de São Paulo.
Vou à Academia Amazonense de Letras, presidida pelo dinâmico mecenas Robério Braga. Naquele domingo o sodalício estava de portas abertas. O projeto Academia de Portas Abertas é simpático e eficaz. Como tudo tocado pelo Robério. A plateia no salão Álvaro Maia encontrava-se cheia de manauaras, ávidos por literatura e boa música.
Por que o sudeste nos trata com desinformação e zombaria? Aqui produzimos de celular a lâmina de barbear. E vários outros produtos, inclusive os refrigerantes que matam a sede venenosa daqueles que atacam um projeto que promove o desenvolvimento da Amazônia e preserva a nossa floresta.
Zezinho Corrêa, o artista que levou a música amazonense para o Brasil e o mundo, entra no salão. Seu repertório que iniciou com o sucesso do “Tic tic tac’, hoje é bem eclético. E canta Caetano Veloso: ”Isso aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil iaiá. Desse Brasil que canta e é feliz, feliz, feliz”.
O Amazonas não é só um “pouquinho” de Brasil. Temos a maior floresta tropical do mundo. Sim. Cantamos e somos felizes. Temos dança que o boi balança e o povo de fora vêm para brincar, como também canta o Zezinho Corrêa no “Tic tic tac”.
O que o jornal paulista não explica é que os incentivos concedidos Às empesas do PIM – Polo Industrial de Manaus, não são financiamentos públicos. São benefícios fiscais vinculados à produção. Só usufruído quando ela é comercializada.
E Zezinho continua cantando a música do Caetano, que, na verdade, é do grande Ary Barroso: “É também um pouco de uma raça. Que não tem medo de fumaça ai, ai. E não se entrega não”.
Não nos entregamos. Nosso Hino do Amazonas sempre nos lembra: somos bravos. Bravos que sonham seu canto de lenda. Aos que lutam, mais vida e riqueza.
O projeto “Academia de Portas Abertas” da Academia Amazonense de letras seguirá até 21 de outubro com música, exposições, palestras e encontros com imortais e intelectuais manauaras.

domingo, 23 de setembro de 2018

sábado, 22 de setembro de 2018

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Academia de Portas Abertas


A programação começa às 17h, com visita guiada e recital da
cantora lírica Marinete Negrão.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


164 – Crescer, oscilar, derreter. Entenda o que significa cada um destes verbos, na patética linguagem da mídia canalha.

165 – O ato falho “Haddad oscilou 11 pontos”, vem sempre acompanhado de um sorriso amarelo: “oscilou, não: cresceu”.

166 – Quem oscila é o CapCu, que só cresce dentro da margem de erro: soluços.

167 – Mas o barato mesmo é Marina: ela derrete. Marina é apenas o que é: uma carola individualista, com um discurso oscilando (opa) entre o falsamente progressista e a mocinha pobre que venceu na vida.

168 – Vence na vida quem diz sim, tia, como diz a profecia.

169 – Seus votos migram (ou se tornam sólidos?) para o CapCu, pelo ódio que ela devota ao PT, e para o Haddad – dos que declaravam apoio a ela, iludidos pelo seu discurso falso, e só agora, com o ódio escancarado, se dão conta de quem é ela, realmente.

170 – Candidata de si mesma, Marina deve contentar-se, a partir de 2022, a compor a bancada evangélica. Isto se os evangélicos do Acre a aceitarem.

171 – E a vaca fardada, também conhecido como jumento de carga?

172 – Constituição sem Constituinte? Caralho. Sem comentários. Imbecil.

173 – E o CapCu quer a volta da cédula de papel, porque na urna eletrônica ele será fraudado. Ora, em 20 anos, ele nunca foi vítima de fraude. Cuspindo no prato que lambeu. Babaca.

174 – O que está em jogo, afinal, não é um embate estéril e extemporâneo entre esquerda e direita, que é sempre resolvido com a entrada em cena da canalha do Centrão.

175 – O embate é mais embaixo. Entre civilização e barbárie.

176 – Escolha o seu lado.