Amigos do Fingidor

domingo, 22 de janeiro de 2017

Manaus, amor e memória CCC


Cervejaria Miranda Correa.
Um brinde ao post 300 desta série.

sábado, 21 de janeiro de 2017

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

cenas da vida banal 2


Zemaria Pinto


depois de afogar as mágoas
em alcaloides diversos
dispostos em vário grau
exorcizo a depressão
tomando guaranamel
com hóstias de sonrisal


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Magistral presença de Hipócrates



João Bosco Botelho


Hipócrates, segundo Sorano de Éfeso, nasceu na ilha de Cós, em 460 a.C. Filho do médico Heráclides, aprendeu os segredos da prática médica com o pai e nas viagens à Tessária, Trácia, Líbia e ao Egito.
Esse período admirável da Medicina grega, do qual Hipócrates foi o mais importante representante, compreendeu cinco centros de cultura médica que receberam os respectivos nomes da cidade onde funcionaram: Cós, fundada por Hipócrates, em 440 a.C., Rhodes, Cnido, Crotona e Agrigento.
Devido à importância fundamental na história da Medicina, a Escola de Cós acabou absorvendo a denominação de Medicina hipocrática em menção honrosa a Hipócrates. 
O sucesso da Escola Médica de Cós, onde Hipócrates e seus seguidores estruturaram as bases da Medicina oficial grega, responsável pela primeira teoria para explicar a saúde e a doença – a teoria dos Quatro Humores – representa o primeiro corte epistemológico da Medicina, tendo sido cristianizada no medievo e traduzida para o francês no século 19.
A medicina hipocrática pode ser compreendida por meio das obras publicadas pelos médicos da Escola de Cós, em suma, responsáveis pelo primeiro corte epistemológico na história da Medicina, quando as práticas médicas iniciaram o processo de separação das crenças e idéias religiosas. A cura deixou de ser um atributo exclusivo dos deuses protetores ou vingadores para ser explicada pela Medicina, onde era possível e preferível que o homem agisse sobre o outro homem doente, para alcançar a melhoria da saúde.
A estrutura teórica da Medicina hipocrática está contida no pensamento filosófico grego pré-socrático, notadamente, na teoria dos Quatro Elementos de Empédocles (água, terra, ar e fogo). Posteriormente, foi incluído no mundo das idéias platônico-aristotélico.
Se for considerado o fato de que, até o século III a.C., na Grécia, qualquer pessoa poderia exercer a Medicina, o notável avanço proporcionado pelos escritos da Escola de Cós, sistematizando os saberes historicamente acumulados e iniciando o processo de ruptura com as ideias e crenças religiosas, inclusive, é fundamental conhecer algumas idéias centrais que moldaram a Medicina, no Ocidente, durante vinte séculos.
Dessa forma, é possível estabelecer quatro conceitos fundamentais na Medicina hipocrática:
– É fundamental conhecer o corpo humano e o ambiente: só é possível entender a saúde e a doença se o homem for estudado em conjunto com o ambiente onde vive;
– A doença é consequência de agressão ao equilíbrio do corpo: as causas e as consequências das doenças devem ser entendidas em conjunto com as reações naturais do corpo frente à agressão;
– A saúde é obtida por meio do equilíbrio entre os Quatro Humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra), que correspondem aos Quatro Elementos de Empédocles (água, terra, ar e fogo):
A doença é o resultado do desequilíbrio dos Quatro Humores que poderia ocorrer seja por causas internas, próprias do doente, seja por vetores externos ao ambiente ou modo de vida do paciente, seja pela conjunção dos dois fatores. Sob esse pressuposto teórico, praticar a sangria era uma das formas de obter o equilíbrio dos humores.
Os escritos hipocráticos consideravam a idade como o principal fator interno que poderiam determinar a saúde e a doença. Como fatores externos, as estações do ano, águas, o ar respirado e os ventos.
Assim, a doença era entendida, na Escola de Cós, como um processo resultante de três fases sucessivas e inter-relacionadas: incubação, crítica e resolução.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Picolé de groselha



Pedro Lucas Lindoso

O Rio de Janeiro no verão faz mais calor que em Manaus. Tia Idalina me liga de Copacabana esbaforida. Foi à farmácia da esquina. O termômetro da rua indicava 38 graus. Comprou cinco potes de sorvete Häagen-Dazs e voltou para casa.
Mas por que Häagen-Dazs? Sempre consumiu sorvete da Kibon. Quando menino e íamos à praia, havia os picolés premiados da Kibon. Era uma alegria quando achávamos um picolé premiado. Dava direito a outro de graça. Bons tempos. Explicou-se:
– Meu parâmetro agora é Michel e Marcela. Eles adoram Häagen-Dazs. E eu provei e amei. Tem um toque europeu. Os ingleses não imitam os gostos da família real britânica? Por que não imitar os Temer?
Disse a Idalina que informações do Google dão conta que Häagen-Dazs é uma marca de sorvete americana fundada por Reuben e Rose Mattus, no Bronx, em Nova Iorque, em 1961. Posteriormente, em 1983, foi vendida e tornou-se uma multinacional. Não tem nada de europeu. E dizem que a licitação foi superfaturada.
Mas Idalina não arrefeceu. Disse-me que era implicância com Michel e Marcela. Os sorvetes Häagen-Dazs foram licitados para abastecer o avião presidencial durante um ano. Ademais a licitação incluía comida além de sorvete. Para não discutir e nem desagradar Idalina concordei que o sorvete de baunilha com macadâmia crocante deles era delicioso e encerramos o telefonema.
Havia uma sorveteria aqui em Manaus, a TÔ-KI-TÔ, na Rua Emílio Moreira canto com a Ramos Ferreira. No início dos anos de 1980 vendia sorvete SANSUÊ. Depois começou a fabricar seu próprio sorvete. Pertencia a um tio chamado Batuel Lindoso. O sorvete era tão gostoso quanto o Häagen-Dazs. Mas meu tio não teve a mesma sorte que Reuben e Rose Mattus do Bronx. E faliu.
Hoje aqui em Manaus faz sucesso o picolé da massa. Já faz parte da cultura amazonense. Há vários sabores, predominando os regionais, como buriti, tucumã e açaí. E o de tapioca.
Muita gente não consome porque tem a história de que o picolé da massa é um produto que não tem higiene e que é preciso tomar cuidados redobrados.
Existem os produtores honestos, é verdade. A família pioneira guarda o segredo da tal massa a sete chaves. Uns dizem ser massa de macaxeira. Outros, de formulados à base de leite. Há controvérsias.
Há muitas fábricas nos fundos dos quintais. A vigilância fechou uma arapuca administrada por uma cabocla procurada pela polícia que se juntou a um imigrante haitiano para produzir e vender sorvete da massa. Um descalabro em termos de higiene. 
Nem Kibon, nem Häagen-Dazs, nem da massa. Sinto saudades do picolé de groselha de minha infância. Era vendido pelo seu Malaquias, no canto da Henrique Martins com a Rui Barbosa. Aquilo sim era picolé!

domingo, 15 de janeiro de 2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

cenas da vida banal 1



Zemaria Pinto


rito da simples manhã:
entre o mijo e o dentifrício
a noite evola-se amarga
na overdose de hortelã


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

18 de outubro – dia do médico


João Bosco Botelho  


Os registros pré-históricos evidenciam que a humanidade sempre conviveu com a certeza da doença e da morte. A epopeia edificada na busca da saúde empurrando os limites da morte sedimentou o aparecimento dos agentes da cura, da benzedeira ao médico, e a materialização da Medicina como especialidade social.
A inteligência humana elaborou no espaço sagrado as construções teóricas para justificar a doença e a morte, em especial, de modo espetacular, a ambicionada felicidade na imaginável vida depois da morte.      
Curar é uma palavra mágica porque interliga o sagrado com o profano. O ato de curar incorpora na essência o poder ou a sensação de vencer o maior de todos os obstáculos da vida: a morte. 
Esse é o alicerce primordial da resistência humana: vencer a morte inevitável! 
 O fato está claro na mitologia grega. A data atual de comemoração do dia do médico – 18 de outubro – corresponde à época em que era celebrada a festa do filho de Apolo, Asclépio, o deus da Medicina grega. 
O estudo da representação social de Asclépio no panteão grego é capaz de identificar um ponto comum na relação entre os mundos sagrado e profano: a insubordinação à ordem divina. 
Asclépio conquistou uma fama inimaginável. Tinha a delicadeza do tocador de harpa e a fina habilidade agressiva do cirurgião. Todos os doentes que não obtinham cura em outros oráculos procuravam os serviços médicos de Asclépio. Mais cirurgião do que médico, ele criou as tiras, as ligaduras e as tentas para drenar as feridas. Chegou a ressuscitar os mortos e por essa razão foi fulminado por Zeus com os raios dos Ciclopes. Zeus matou o filho de Apolo porque temia que a ordem natural das coisas fosse subvertida pelas curas e pela ressurreição dos mortos. 
O deus da Medicina grega deixou duas filhas – Hígia e Panaceia – e dois filhos – Machaon e Podalírio. As duas mulheres se tornaram famosas pelos conhecimentos empíricos ligados à higiene e às plantas medicinais. Os dois homens foram reconhecidos como médicos guerreiros, praticando a cirurgia na guerra de Tróia, e foram citados nominalmente por Homero (Ilíada, 830). 
Muitas esculturas e afrescos retratando Asclépio e a sua filha Panaceia, feitos entre os anos 400 e 100 a. C., contêm a serpente enrolada em um bastão, como símbolo do renascimento.  O poder da divindade mantendo a primazia da vida sobre a morte, foi revigorado pela gradativa consolidação do cristianismo como religião dominante. O calendário cristão manteve o dia 18 de outubro como o registro festivo para marcar o nascimento de Lucas, o evangelista médico.
A serpente de Asclépio se enrolou na cruz cristã e formou um dos mais belos sincretismos religiosos da história.

Não é sem razão nem simples coincidência que os médicos comemoram, muitos sem saberem porquê, o dia 18 de outubro como marco da resistência à morte inevitável.  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Enquanto se construía Brasília


Pedro Lucas Lindoso


Há sessenta anos, em 3 de janeiro de 1957, Juscelino Kubitschek visitava Manaus para inaugurar a Refinaria de Petróleo da COPAM – Hoje denominada de REMAN - Refinaria de Manaus Isaac Sabbá, pertencente ao sistema Petrobras.
O atual nome da REMAN é homenagem mais do que merecida à capacidade empreendedora de Isaac Benayon Sabbá, o grande responsável pela criação da COPAM – Companhia de Petróleo da Amazônia. Isaac Sabbá acreditava no progresso do estado e apostou na existência de petróleo na região.
JK havia visitado o Amazonas em abril de 1956 e pela segunda vez em seu mandato, iniciado havia um ano, prestigiava o Amazonas e seu povo. Naquela primeira visita a Manaus foi ainda ao município de Nova Olinda – onde a Petrobras havia encontrado petróleo. A presença do presidente celebrava esse achado, bem como viria para conferir o jorro do poço NO-1-AZ, de Nova Olinda do Norte.
Ao fazer escala em Anápolis, em seu voo para Manaus, em abril de 1956, Juscelino assinou Mensagem ao Congresso encaminhando projeto de lei que dispunha sobre a mudança da capital para o planalto goiano. Coube ao amazonense Deputado Federal pelo Amazonas, Dr. Francisco Pereira da Silva, Presidente da Comissão Parlamentar da Mudança da Capital, da Câmara dos Deputados, membro de sua comitiva, a caminho de Manaus, a lavratura da ata.
Nessa segunda visita, já em 1957, o governo do estado conclamou a todos os amazonenses a comparecer ao Aeroporto de Ponta Pelada “a fim de receber com a manifestação de que é merecedor o Excelentíssimo Presidente da República, doutor Juscelino Kubitschek, grande amigo do Amazonas”.
O governo estadual pedia ao comércio e à indústria que fechassem as portas no horário da tarde para que os trabalhadores pudessem aderir a manifestação de apreço ao presidente visitante. As escolas estaduais e particulares foram incentivadas a participar com os alunos devidamente uniformizados e fazer alas entre o aeroporto e a Praça General Carneiro, na Cachoeirinha. Lá seria inaugurado o Conjunto KUBITSCHEK, conjunto residencial construído pelo governo.
Meu saudoso pai, José Lindoso, era membro da Executiva Estadual do PSD – Partido Social Democrático, partido político de JK, e participou de todas as solenidades.
Eu nasci em maio daquele ano de 1957. Enquanto JK visitava Manaus, tratores cuidavam de desbravar o cerrado e se construía a nova capital – Brasília, a capital de todos os brasileiros.



sábado, 7 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

exercício nº 17


Zemaria Pinto


de cinco mil sementes repartidas
em outras cinco mil repetições
transforma-se a parede num festim
de gritos e sussurros sem sentido

miríades de sonhos e de sons
de um outro inferno ainda refletidas
são fugas recorrentes de mim mesmo
na sordidez do tempo aprisionadas

da câmara sombria um som se eleva
em timbres modulados na memória
buscando a quintessência do silêncio
na velha luta vã contra as palavras

pois o poema é nada mais que isso
música para surdos – nada mais

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Eutanásia e ortotanásia: a morte com dignidade


João Bosco Botelho


Em março de 2005, milhões de pessoas viram na TV o drama familiar da doente norte-americana, em coma durante quinze anos. Expedida a autorização judicial, morreu treze dias após serem interrompidos os cuidados médicos.
O fato trouxe à tona novas discussões em torno do direito de morrer com menos sofrimento, por meio da eutanásia e da ortotanásia.
A eutanásia ativa objetiva a interrupção da vida por meio de autorização consentida entre o doente e o médico executante. A eutanásia passiva não provoca a morte imediata, mas interrompe todos os cuidados médicos que mantêm a vida.
A ortotanásia pode ser entendida como a chegada da morte no processo natural. Nessa circunstância, a assistência médica não contribui para prolongar artificial e desnecessariamente o processo de morte.
O drama da doente norte-americana provocou três questionamentos:
– O poder das instituições hospitalares e do médico para manter a vida artificialmente dos doentes sem qualquer possibilidade de recuperação;
– O direito de pedir a própria morte quando o doente lúcido, sem possibilidade de cura, com sofrimento incomensurável, não quer mais dor;
– Na impossibilidade de o doente decidir, nas mesmas condições acima citadas, se alguém da família poderia decidir a hora da morte.
De modo geral, as discussões de ordem jurídica e ética, alcançaram diferentes espaços das relações laicas e religiosas. Sem unanimidade frente às várias correntes, a discussão acabou restrita aos abusos da tecnologia médico-hospitalar, que transformou o doente terminal em mercadoria de valor, seja científico ou monetário.
É importante ressaltar os órgãos fiscalizadores públicos e privados, inclusive os da Igreja, por meio da bula Evangelium Vitae, de 1995, do papa João Paulo II, valorizam a ortotanásia, opondo-se aos excessos terapêuticos, sustentando que as renúncias aos meios desproporcionais para prolongar a vida, não correspondem ao suicídio ou a eutanásia. 
As publicações em muitas línguas reforçam o desejo coletivo de poder morrer com dignidade, próximo da família e sofrendo o menos possível.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Fantasy Art - Galeria


The second sin.
Adrian Bordan.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ácido sulfúrico ou anilina?



Pedro Lucas Lindoso

Fim de ano. Leio nos jornais que neste 2016 que ora termina a famosa tabela periódica de elementos aumentou.  Quatro novos foram batizados como nihônio, moscóvio, tennessino e oganessono.
A notícia fez lembrar-me de um Natal de minha infância, quando o Papai Noel deixou perto de minha cama um presente inesquecível. Tratava-se de uma caixa que continha um microscópio pequeno, tubos de ensaio de verdade, feitos de vidro. Além de tubos de ensaios, a caixa O PEQUENO QUÍMICO vinha com mini béquer e pipeta. E continha também reagentes. Claro que em doses pequenas. Até ácido sulfúrico.
 Fui alertado de que havia substâncias perigosas e que eu deveria brincar somente com a ajuda de meus irmãos mais velhos. Ao brinquedo que vinha sob a aura de algo mágico, era imposto uma tutela desagradabilíssima. A necessária vigilância de irmãos mais velhos foi por demais frustrante. Terminou por confiscarem o meu presente em definitivo. Foi-me permitido, eventualmente, ver as coisas estranhas no microscópio. E só.
Ao protestar e dizer que o presente era meu, levou-se o assunto ao papai Noel. Meu velho pai ficou impressionado com a explicação de meu irmão mais velho sobre os perigos do ácido sulfúrico, que vinha no brinquedo. Foi informado de que o ácido possui alto poder de corrosão e causa grandes problemas ao ser humano, tanto quando ingerido acidentalmente como quando inalado ou derramado sobre a pele.
Ante tal fato, meu pai decidiu que a tutela era definitiva e que eu deveria obedecer aos mais velhos sem reclamar. Era para o meu próprio bem e para minha própria segurança.
Via a alegria de meus irmãos em lidar com ácido sulfúrico e outros reagentes. Apesar de só poder observar.  As experiências evoluíam para outras coisas e logo os verdadeiros donos do brinquedo começaram a experimentar diversos líquidos tais como material de limpeza encontrado na despensa. Soda cáustica, suco de limão e outros produtos serviram de teste. Até que todos os tubos de ensaiam se quebraram, os reagentes acabaram e a brincadeira foi esquecida.
Se fosse nos dias de hoje, provavelmente meu brinquedo não seria confiscado. Vi uma dessas caixas numa loja de brinquedos – O PEQUENO QUÍMICO e achei uma bela porcaria. Os tubos de ensaio foram substituídos por plástico. Os reagentes por anilina. Tudo hoje é perigoso e proibido. Não sei como a minha geração sobreviveu a tantos perigos.
Fico pensando na infância dos químicos que descobriram os novos elementos.  Li no jornal que os novos inquilinos da tabela periódica, produzidos artificialmente, são altamente radioativos.

Será que o estojo do PEQUENO QUÍMICO desses cientistas ainda tinha ácido sulfúrico ou já era anilina?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Lábios que beijei 66


Zemaria Pinto
Janaína e o centauro



Os anos de relacionamento com a índia Janaína mudaram seu conceito sobre mim. Mania de falar coisas sem nexo, uma noite, eu quase adormecido, a ouvi dizer meu centauro. Por quê? Centauros são brutos, insensatos e estúpidos. Nada têm de humano, a não ser a falsa metade, mera aparência. Centauros não se deixam dominar, sua natureza é assassina e suicida. Não medem, não pesam, não ponderam. Agem por puro instinto. Eu sou um centauro? O pior de todos que já passaram por este mundinho besta. Perdido o sono, montei sobre Janaína e a possuí com um vigor próximo à violência. Fato raro, Janaína não gozou. Acendi a luz da cabeceira, para ir ao banheiro, e pude ver de relance o brilho de seus olhos úmidos.

domingo, 1 de janeiro de 2017

sábado, 31 de dezembro de 2016

Carrie Fisher (21/10/1956 – 27/12/2016)


Aliás, Princesa Leia, líder das forças rebeldes contra o Império Galáctico.


Autor desconhecido.

Angelina Benedetti.

Julie Bell e Boris Vallejo.

Mark Brooks.

Michael Angove.

Milton Nakata.

Autor desconhecido.

Randy Martinez.

Tsuneo Sanda.

Karten Hallion.

Julie Bell e Boris Vallejo.


Jessica Strachan.

Enrique Torres.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Autor desconhecido.

Dave Daring.

Dave Daring.

Dave Daring.

Autor desconhecido.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Retrato



Zemaria Pinto

Meu velho espelho noturno
meu companheiro de insônia
inda vês a mesma face
de outros tantos anos findos
nesta que se te apresenta
com as estrelas da manhã?

– Não mais há luz, posso ver
na noite que se derrama
dos girassóis de teus olhos
e a revolta cabeleira
ressonha revoluções
nos arredores da calva.

– No canto esquerdo da boca
uma rubra flor de herpes
afina inda mais teus lábios.
Dentes a menos há muitos
em tua boca emoldurada
por essa pífia papada.

O silêncio da parede
reflete apenas a ausência
daquele que eu nunca fui.
Na madrugada vazia
ouço rasgar meu soluço
ressonando a solidão.

Em qual Cecília, meu rosto,
ficou  meu espelho perdido?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Crítica platônica à medicina do pobre



João Bosco Botelho

Possivelmente, a passagem de Platão pelo Egito foi a responsável pelo resgate da lenda do deus egípcio Thot, protetor dos escribas, inventor dos números e dos cálculos, para criticar a substituição da memória oral já em curso naquele tempo na Grécia.
A divinização da memória, na Grécia, fez-se por meio da deusa Mnemosine, que lembrava aos homens os seus heróis e feitos, além de presidir a poesia lírica.  A memória estava distribuída em funções especificas pelo poeta, resgatando o passado com os cantores, e pelo adivinho, prevendo o futuro. Estava intimamente associada com a vida e colocava-se como o contrário do esquecimento, aqui entendido como o sinônimo da morte desmemoriada. Desse modo, a memória também apareceu como um dom aos iniciados nas doutrinas órficas e pitagóricas, ligadas à crença da metempsicose, na qual a lembrança das vidas anteriores, um dos pontos angulares do orfismo, vencia o esquecimento decorrente da morte e fazia renascer (reencarnar) com o conhecimento acumulado da vida anterior, com o objetivo de buscar a perfeição.
O médico, até hoje, edifica a sua relação com o paciente sobre a anamnese ou reminiscência, buscando, nas informações prestadas pela memória do doente, os fatos que podem ajudar a esclarecer o diagnóstico.
Não há mais dúvida que uma parte dos saberes médicos presentes na cultura grega, representa o produto sincrético do conhecimento dos povos, de regiões próximas, que antecederam a formação da Grécia.
De acordo com a mitologia grega, a Medicina começou com Apolo, filho de Zeus com Leto. Apolo é reconhecido na literatura com dezenas de qualificações, além de deus curador. Foi também identificado como Aplous, aquele que fala a verdade. O seu poder era transmitido à água dos banhos que purificava a alma, e, por isso, era considerado o deus que lavava e libertava o mal. De modo geral, o herói grego estava quase sempre associado à arte de curar. Grande número de deuses e personagens da mitologia grega tinham, entre seus atributos, o dom de curar doenças e feridas de guerra.
Platão descreveu a necessidade da nova postura do médico no livro Político:
“Estrangeiro: É interessante. Dizem, com efeito, que se alguém conhece leis melhores que as existentes não tem o direito de dá-las à sua própria cidade senão com o consentimento de cada cidadão; de outro modo não.
Sócrates, o Jovem: Muito bem! Não estarão eles certos?
Estrangeiro: Talvez. Em todo caso se alguém dispensa esse consentimento e impõe a reforma pela força, que nome se dará a esse golpe? Mas, espera. Voltemos primeiro aos exemplos procedentes.
Sócrates, o Jovem: Que queres dizer?
Estrangeiro: Suponhamos um médico que não procura persuadir seu doente, senhor de sua arte, impõe a uma criança, a um homem ou a uma mulher o que julga melhor, não importando os preceitos escritos. Que nome se dará a essa violência? Seria por acaso o de violação da arte e erro pernicioso? E a vítima dessa coerção não teria o direito de dizer tudo, menos que foi objeto de manobras perniciosas ineptas por parte de médicos que as puseram.
Sócrates, o Jovem: Dizes a pura verdade.
Estrangeiro: Ora, como chamaríamos aquele que peca contra a arte política? Não o qualificaríamos de odioso, mau e injusto?”
Nunca é demais repetir esse diálogo porque refletiu uma explosão coletiva de consciência, como as que seguem as rupturas com o conhecimento acumulado, a ponto de refletir precisamente a nova posição social assumida pelo médico, capaz de poder interferir politicamente para modificar o conjunto social.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Bôn Pasku!



Pedro Lucas Lindoso

Visitamos Curaçao. A ilha faz parte das antigas Antilhas Holandesas. O passeio valeu a pena. A arquitetura colonial restaurada é de um colorido vibrante e charmoso. Faz inveja aos amazonenses como eu, que sonham com um restauro efetivo de nosso centro histórico. Bem que poderíamos resgatar a Manaus da Belle Époque, tempos em que a libra esterlina era moeda corrente na cidade.
Há ainda as praias paradisíacas e inabitadas como Klein Curaçao. Visitá-la implica em enfrentar por quase duas horas as ondas do Mar do Caribe. O retorno a Curaçao é suave, com a corrente favorável e a sensação agradável de ter conhecido um mar do mais profundo e enigmático azul.
A língua oficial em Curaçao é o Holandês, mas todos falam Inglês. Entretanto, a língua que se ouve nas ruas, no meio do povo, nos mercados e entre a população local é o Papiamento. Uma mistura de Português com Espanhol e com traços de Inglês, Holandês e Francês.
Papiamento era um dialeto. Hoje tem status de idioma e juntamente com o holandês é também língua oficial. As crianças são ensinadas em ambas com a introdução do Papiamento nas escolas públicas. Alguns são contra outros favoráveis. O ensino do inglês e do espanhol também é obrigatório.
A ilha é uma mini Babel. Ouve-se de tudo nas ruas. Inclusive mandarim. Mas a sonoridade do Papiamento me encantava e comecei a fazer anotações: “bôn dia”; “bôn tarde” bôn nochi” nos é familiar. E danki? Nem tanto, mas e a resposta “Di nada!
“Dushi” significa querido e amor. É palavra popular em Curaçao. Significa também tudo de bom, legal e gostoso.
– “Kon ta bai?”  A resposta é fácil. – “Mi ta bon “. – “Kon ta bo nomber?” – “Mi nomber ta Pedro.”
Penso que bastaria um mês por lá para dominar o Papiamento. Sem falsa modéstia, tenho certa facilidade para línguas. Sou fluente em inglês, francês e italiano.  Não falo holandês nem alemão. Mas entendo e leio um pouquinho. Os outdoors e placas da ilha são ora em holandês e Papiamento, ora em Inglês ou em ambas. Uma deliciosa miscelânea linguística!
E claro há restaurante de toda parte e para todo gosto. Entramos numa simpática trattoria – Il Barile Da Mario. Comida deliciosa. Na mesa ao lado sentou-se um simpático casal de italianos, Santo e Simonetta, moradores da vizinha Ilha de Bonaire. Disseram-me que os italianos eram raríssimos no caribe holandês. Um agradável e informativo papo com o casal e a dona do “ristorante”, Mirty Rossi, esposa do chef Mario que depois se juntou a nós na conversa.
Jamais havia sido exposto à tanta diversidade linguística em tão pouco tempo. Para mim foi uma experiência fantástica.
Ah! Antes que eu esqueça: FELIZ NATAL! em Papiamento se diz: BÔN PASKU !  Y BÔN ANJA NOBO!


domingo, 25 de dezembro de 2016

Manaus, amor e memória CCXCVI

Festa no porto de Manaus.
Ao fundo, no Centro, a Matriz.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Fantasy Art - Galeria


Manco Capac e Mama Ocuo.
Boris Vallejo.