Amigos do Fingidor

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Fantasy Art - Galeria


Heart of the West.
Kirsi Salonen.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mangará



Pedro Lucas Lindoso


Tia Idalina mora em Copacabana, no Rio de Janeiro, há décadas, mas não se desliga das coisas daqui de Manaus. Telefonou-me quase de madrugada para falar de bananas. Disse-me que comprou uma dúzia de bananas-prata no supermercado e estavam horríveis. Banana de laboratório, resultante de enxerto e possivelmente transgênica. Um horror, segundo ela.
Idalina não come banana-maçã. É coisa para criança e velho. Explicou-me que também não come banana-d’água ou nanica porque é sem graça e laxante. E claro, abomina a tal da banana-ouro porque, considera a mais calórica das bananas.
Ainda existe a feira da banana aí em Manaus? Perguntou.
Tia Idalina ficou horrorizada com a feira da banana, da última vez que esteve em Manaus. A feira surgiu do nada. Uma desorganização. São frutas vindas do interior do estado. Compra-se por atacado. Além das bananas, que é o carro chefe, vendem-se cebolas, tomates e batatas, frutas regionais diversas e até queijo que vem do interior.
Eu disse a ela que estava bem mais organizada agora. Mas os problemas ainda são muitos naquele lugar. A sujeira ainda é visível e existe a questão da segurança. Quando tia Idalina visitou a feira tudo era ainda improvisado. O Mercado havia ficado pequeno para a comercialização das bananas e frutas. Criou-se o espaço quase que espontaneamente.
No final da conversa veio o pedido. Não sei como ela soube que eu estava indo ao Rio de Janeiro.  Os pedidos de titia são ordens. Mandou ir ao mercado ou à feira da banana. As encomendas dessa vez eram um cacho de banana-prata regional e um cacho de pacovã. (Imaginem transportar essas bananas para o Rio de Janeiro). Traga com mangará.
Mangará é a ponta terminal da bananeira, formada pelas folhas que cobrem as pencas. Também conhecido como coração da bananeira.
Lembrei-me que um mangará fora usado para seviciar o estudante Delmo. O rapaz foi vítima de um crime bárbaro que chocou Manaus dos anos 50. Delmo foi morto por dezenas de taxistas, aqui em Manaus. Vingança pela morte estúpida de um deles, cometida por Delmo. Os crimes, tanto o cometido por Delmo quanto o seu assassinato, chocaram a cidade.
O que tia Idalina quer com um mangará? Vai saber!

domingo, 12 de agosto de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXXI


Grupo Escolar Saldanha Marinho.

sábado, 11 de agosto de 2018

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Desencontro das Águas



A arte rupestre formando consciência 2/2



 João Bosco Botelho


A localização da arte rupestre em locais de difícil acesso é demonstrativa de que se tratava de sítios incomuns para o uso habitual. Em um deles, a caverna Le Tue d’Audoubert, na França, foram encontrados dois bisões esculpidos em argila, cada um deles com quase um metro de comprimento, numa espécie de altar, cercado por incontáveis impressões de pés de adultos e de crianças. Mesmo hoje, com todas as facilidades para o deslocamento no interior desses esconderijos naturais, com balsas infláveis para percorrer as nascentes dos rios subterrâneos e da luz elétrica, o caminho para se chegar a esse santuário não é fácil de ser alcançado.
Certos homens se especializaram e se adiantaram na interpretação do espaço simbólico por meio do conhecimento historicamente acumulado. Podem ter sido esses especialistas do sagrado os autores dos intrigantes desenhos parietais do mamute da gruta El Pindal, na Espanha, mostrando o coração na sua forma correta e da mulher grávida com a criança na barriga, encaixada na pelve, em posição cefálica, pronta para o início do trabalho de parto.
As representações só poderiam ter sido feitas por alguém que já tivesse observado uma barriga aberta com o útero ocupado pelo feto, para algum fim que jamais saberemos. A possibilidade da existência, na pré-história, de algumas pessoas que poderiam ver o que se escondia atrás da pele, constituiu um marco importante na relação de poder que foi erguido entre os curadores e os não especialistas.
É possível correlacionar esses saberes com personagens da atualidade. O curador popular, graças à visão sobrenatural, seria capaz de ver através da pele, enquanto a visão clínica do médico moderno poderia chegar ao diagnóstico com o simples olhar. Essa visão continua sendo valorizada como símbolo de competência profissional.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fantasy Art - Galeria


Waterfall Nude.
Natalie Holland. 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Juruti – waku sese



Pedro Lucas Lindoso


Quando a Amazônia se chamava Grão-Pará, havia três cidades importantes na enorme região: Belém, situada no litoral, era a grande capital.  Santarém, na região do rio Tapajós, e nossa Manaus, capitaneando o majestoso rio Negro.
Fomos elevados à categoria de província e hoje Manaus é a grande capital do Amazonas. Infelizmente, nossos irmãos do Tapajós até hoje não conseguiram ficar independentes do Pará. Jamais faltou vontade e houve várias tentativas.
Santarém tornou-se muito conhecida ultimamente por conta de Alter do Chão. Mas o que muita gente não sabe é que na região do Tapajós tem uma cidade que se prepara para ficar tão ou mais famosa que Parintins. Não faltam por lá guerreiros valentes e belas cunhãs porangas. Falo da mimosa Juruti.
Se você curte um sambódromo e um bumbódromo, com certeza vai curtir o tribódromo de Juruti.
É no tribódromo de Juruti que acontece o TRIBAL – Festival de tribos de Juruti. É sempre no final do mês de julho, para não atrapalhar o festival de Parintins que é em junho. Esse ano, comemorou-se o bicentenário da cidade e o grande campeão foi a tribo dos Mundurukus. Em sua apresentação, os Mundurukus convidaram os povos da Amazônia, do Brasil e do mundo a reverenciar e retomar o ponto onde tudo começou. Uma época em que os caciques indígenas mandavam no mundo e o mundo era só a floresta.
Já os Muirapinima, que perderam por dois pontos (uma provável injustiça), reverenciaram a essência da vida dos povos sataré-mawé. Os sateré-mawé jamais se afeiçoaram aos portugueses. Davam ordens às suas mulheres que não aprendessem a nossa língua. Participaram ativamente da Cabanagem. Foram eles que transformaram o guaraná em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos.
Praticam o ritual da tucandeira.  É o conhecido e assustador ritual de iniciação para a vida adulta. Ao enfiar as mãos em uma luva cheia de formigas durante aproximadamente vinte minutos, o menino não apenas demonstra estar apto para vida, mas também ganha respeito e admiração.
Há quem diga que esses povos guerreiros de grande resignação e audácia tem alguma ascendência dos incas e vieram do Altiplano andino até a Região do Tapajós, hoje também conhecida como Baixo Amazonas.
Já me considero torcedor da tribo dos Muirapinima, que parece ser a tribo do povão. Ano que vem vou ao festival de Juruti. Deve ser mesmo waku sese, que significa muito bom, em sateré-mawé.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

domingo, 5 de agosto de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXX


Colagem, formando um panorama do Centro de Manaus, provavelmente, a partir da igreja de São Sebastião. 
Ao fundo, a baía do rio Negro.

sábado, 4 de agosto de 2018

Fantasy Art - Galeria

Nature of Beauty 1.
Rupchand Kundu.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Performance e Polipoesia



A arte rupestre formando consciência 1/2



 João Bosco Botelho


Os nossos ancestrais distantes, desde o final do paleolítico, em torno de 20.000 anos, ao aperfeiçoarem a organização social, mantiveram a busca da explicação do significado da vida e da morte. Parece que a crença no renascimento esteve contida nessa construção porque a presença dos utensílios enterrados junto com o morto, em diferentes sociedades, traduz a esperança comum de que ele continuará a atividade na nova vida após a morte. Esses corpos, em sua maioria, foram sepultados voltados para o leste, definindo a clara intencionalidade com o curso do nascimento do sol.
Por outro lado, Leroi Gourhan, o historiador da pré-história, afirma que a partir desse período foram encontrados, em cavernas, crânios de vários animais, colocados em lugares de destaque, sugerindo tratar-se de altares primitivos. A partir do estudo comparativo entre esses achados e o mundo mágico de alguns grupos sobreviventes de caçadores coletores, foi possível compreender melhor o significado sociológico do senhor do animal, um dos mais antigos mitos conhecidos.
Sob diferentes formas, o ser mítico teria força para controlar quem representasse ameaça. A fé no poder sobrenatural do animal, capaz de dominar bestas hostis, está intrinsecamente atada à necessidade de acreditar que estas mesmas feras possuem qualidades maiores que as dos humanos. Com a possibilidade de transferi-las ao homem, daria a oportunidade do enfrentamento em condições mais favoráveis.
O historiador da medicina Lyons, publicou a intrigante escultura no osso de uma mulher grávida, no final da gestação e com edema vulvar, sob uma rena que acabara de parir, indicada pelas mamas túrgidas. É possível teorizar que a representação do acontecimento pode estar relacionada à busca da passagem da força do animal à mulher prenha, para ajudar o nascimento da criança, durante um parto que se mostrava difícil.
Igual raciocínio pode amparar a interpretação do simbolismo das pinturas neolíticas do bruxo dançarino de Afvalingskop, na Ásia Central, e a do médico feiticeiro, da gruta de Trois Frères, nos Pirineus franceses, ambos travestidos de animal em movimento de dança, fazendo supor a participação em algum tipo de ritual. Existe uma incrível semelhança entre esses trajes com o usado pelo pajé, envolto com a pele do bisão, para encarnar o senhor do animal, nas celebrações da abundância entre os indígenas do norte dos Estados Unidos. A festa, orientada nas sequências rituais, comemora desde a localização até o abate do bicho, para obtenção do alimento e do agasalho daqueles povos que mantêm a tradição de caçadores.
Os três personagens, dois pintados em lugares diferentes há mais de 10.000 anos e um que ainda pode ser visto, ficam quase completamente encobertos pela pele dos animais que respondem pela sobrevivência do grupo.
Esse aspecto das primitivas expressões de religiosidade é de fundamental importância porque continua sendo através da linguagem simbólica que o ser mortal se aproxima do imortal, fazendo com que o primeiro alcance o divino, enquanto a divindade se humaniza nos momentos em que se estabelece a comunicação entre eles.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

terça-feira, 31 de julho de 2018

Saudável é jaraqui



Pedro Lucas Lindoso


A conversa girava em torno de comida saudável. Tia Idalina repete sempre que “você é o que você come”. Titia conta que nos anos setenta foi “macrobiótica”. E explica:
– Era moda aqui em Copacabana. Havia um restaurante macrobiótico aqui perto de casa. Resolvi testar a macrobiótica para emagrecer. Comia-se principalmente o arroz integral assim como outros cereais, legumes e leguminosas. Tomava-se muito chá. Coisa de oriental. Dizia o tal mestre dono do restaurante que a macrobiótica valoriza o poder energético dos alimentos. A dieta busca um equilíbrio entre as propriedades “yin” e “yang” que são duas forças opostas.
Depois de seis meses tia Idalina desistiu da macrobiótica. Emagreceu. Ficou saudável, porém muito triste. Não conseguiu balancear o “yang” e o “yin”. Segundo Idalina, de comedora de carne “yang”, virou comedora de arroz e leguminosas “yin”. Hoje titia é adepta da “low carb” e faz jejum intermitente.
No momento tia Idalina está interessadíssima no kefir.  Disse-me que é alimento natural que pode ser usado de diversas formas na culinária. Cuida do seu corpo de dentro para fora, explica.
Conheci um restaurante macrobiótico em Brasília. A comida pode ser até saudável, mas não é nada gostosa.
Há um antigo e prestigiado escritório de advocacia trabalhista em Brasília – Riedel de Figueiredo e Advogados Associados.  Ulisses Riedel é o chefe do clã que já soma seis gerações de vegetarianos. O escritório existe há vários anos e sempre teve apoio de uma excelente cozinha vegetariana. Hoje se dizem veganos. Eles agora fundaram um dos melhores restaurantes saudáveis e veganos de Brasília, o Supren Verda. Dr. Ulisses Riedel explica que, em esperanto, supren significa ascensão e verda, verde.
Diferente dos macrobióticos, a comida lá é bem palatável. E claro, saudável.
Meu colega Sidnei não se considera vegetariano nem vegano. Mas preocupa-se em comer alimentos orgânicos. Li no Jornal do Commercio que o setor de orgânicos deve crescer 20% este ano e movimentar acima de R$ 4 milhões. Sidnei evita carne vermelha e dá preferência para carnes brancas e peixes, desde que certificadas e orgânicas. Abomina alimentos com glúten e lactose. Não come açúcar. Também é adepto do “low carb”.
Em minha opinião, saudável e muito gostoso mesmo são nossos peixes amazônicos. Principalmente o tambaqui e o jaraqui.
E como diz o caboclo: “quem come jaraqui não sai mais daqui”.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

domingo, 29 de julho de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXIX


Colégio Estadual, na Sete de Setembro.

sábado, 28 de julho de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Cérebro: elo entre evolução e consciência 2/2



João Bosco Botelho


É impossível saber exatamente a razão determinante da escolha do fígado como o órgão mais importante ou porque não foi outro órgão, como o pulmão e o coração. Os indícios da preferência poderiam estar assentados na alta prevalência de doenças hepáticas e febres com icterícias mortais, nas margens alagadiças dos rios Tigre e Eufrates.
Adotando esse raciocínio é lógico pressupor que se alguém pudesse interpretar as variações anatômicas do fígado seria capaz de prever o futuro pessoas. A adivinhação por meio da hepatoscopia (visão do fígado) para saber a vontade dos deuses era prática corriqueira em todos os estratos sociais.
O judaísmo resistiu à tradição politeísta e colocou o centro do corpo no coração. A escolha poderia estar sedimentada no conhecimento histórico apontando para as mudanças do ritmo e da força das batidas cardíacas durante as emoções mais fortes. No Antigo Testamento (AT) existem citações do coração como sede da vida física (Ge 18, 5; At 14, 17), da tristeza (Dt 15, 10), da alegria (Dt 28, 47) e do medo (Dt 20, 3).
O cristianismo manteve a mesma certeza de que Deus se comunica com os homens através do coração (Mc 2, 6 8; Lc 3, 15; 2Co 2, 4).
O islamismo foi mais longe. Estabeleceu uma relação com a presença do Espírito sob o duplo aspecto de Conhecimento e Ser. O coração passou a representar o órgão da intuição ("al kashf" = revelação, ato de levantar o véu) e o ponto de identificação (wajd) com o Ser (al wujud).
A força cultural do monoteísmo dominante fez com que, pouco a pouco, o fígado deixasse de ter importância e a consciência volitiva fosse acoplada às batidas cardíacas. A literatura medieval está repleta de aforismos associando o coração à felicidade e aos dissabores do amor.
É também interessante lembrar que a força do espaço sagrado articulado pelo cristianismo conseguiu suprimir o valor de uma das máximas hipocráticas (século 4 a. C.) de ser o cérebro o centro das emoções: “Algumas pessoas dizem que o coração é o órgão com o qual pensamos, e que ele sente dor e ansiedade. Porém não é bem assim: os homens precisam saber que é do cérebro e somente do cérebro que se originam os nossos prazeres, alegrias, risos e lágrimas. Por meio dele, fazemos quase tudo: pensamos, vemos, ouvimos e distinguimos o belo do feio, o bem do mal, o agradável do desagradável... O cérebro é o mensageiro da consciência... O cérebro é o intérprete da consciência...”
O desvendar profano do corpo chegou com a anatomia e a fisiologia dos séculos 16 e 17, resgatando a maravilhosa percepção de Hipócrates e trouxe para o primeiro plano um novo centro corpóreo como elo final entre a evolução e consciência: o cérebro.
A suprema beleza da “Criação do Homem”, pintada por Michelangelo (1475-1564) no teto da Capela Sistina, no Vaticano, é a sublime manifestação na arte do deslocamento do coração, como o centro do corpo, para o cérebro. O afresco que retrata o momento em que o homem recebeu de Deus a inteligência tem a perfeita forma do sistema nervoso central.  

quarta-feira, 25 de julho de 2018

terça-feira, 24 de julho de 2018

Tranquilo que nem um grilo



Pedro Lucas Lindoso


Convivo com jovens. Melhor, com aqueles que se tornaram adultos há pouco tempo. A minha geração é aquela dos que nasceram pós-segunda guerra. Não havia roupa de marcas e “herdava-se” um casaco, algumas roupas, livros e material escolar dos irmãos mais velhos. As famílias eram de muitos filhos. Hoje quem tem mais de um casal de filhos é excêntrico.
“De boa na lagoa”, me diz um jovem profissional, que se recusa a casar numa idade em que já tinha meus dois filhos. Hoje muitos não precisam se apressar para casar. Namorar hoje em dia é como, dizem, “suave na nave”.
No tempo em que se dizia: “É uma brasa, mora”. Namorava-se. Mas o namoro com meninas de família tinha limites. Namorava-se, como diz meu amigo advogado, o Dr. Chaguinhas, “lato senso”. Para se namorar “estrito senso”, segundo o Chaguinhas, tinha que casar, ou pelo menos ficar noivo.
Essa nova geração parece bem mais preparada. Do ponto de vista das habilidades é capaz de usar “high tech” com facilidade. Encontraram desde jovenzinhos acessos facilitados à cultura e bons colégios. Aprendem línguas em cursos multimídia.  Conhecem lugares do mundo em viagens de intercâmbio e em férias, que outras gerações morreram sonhando em ir por lá.
Mas parece que estão sempre com pressa. Antigamente esperávamos uma semana para ter fotos reveladas. Mas agora tudo é mais fácil. Talvez alguns achem que a vida é mesmo muito fácil.
Mas não é. Ninguém nasce herdando toda a felicidade do mundo. Os problemas do cotidiano fazem parte da vida. Não precisa acreditar que a vida é “um vale de lágrimas”, mas não se pode auto enganar-se de que estamos longe de sofrimentos e dor.
Todos nós temos que conquistar as coisas com muito trabalho e muita coragem. Sem esquecer de que as conquistas devem e precisam ser pautadas em princípios éticos, em exercícios diários de cidadania. De preferência buscando sempre o caminho da honestidade.
É ótimo estar “de boa na lagoa”. Quem não gosta?! “Suave na nave”, então, é maravilhoso. Mas infelizmente não se vive o tempo todo “tranquilo que nem um grilo”. Infelizmente. 

domingo, 22 de julho de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXVIII


Por trás da Booth Line, o famigerado IAPETEC, o primeiro “arranha-céu” de Manaus.

sábado, 21 de julho de 2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


93 – Preso político e improvável candidato, esta é a primeira eleição direta para presidente, em 58 anos, sem Lula.

94 – Os que não entenderam a afirmação (não é piada), paciência: vão estudar história.

95 – Jânio Quadros, um louco despudorado, foi o último presidente eleito pelo povo – eu disse povo? –, sem precisar enfrentar Lula.

96 – Depois dele, vieram os assassinos de 64.

97 – E depois dos assassinos verde-oliva, o supremo corrupto Sir Ney.

98 – Sobre quem Glauber, o Rocha, com sua cabeça populista latino-americana, fez um belíssimo documentário – Maranhão 66: está no iutube.

99 – Ah, não sobre o presidente corrupto – Glauber já estava morto – mas sobre o governador corrupto de quem Glauber esperava a redenção do miserável Maranhão, que continua tão ou mais miserável que há 52 anos.

100 – Glauber também fez um curta sobre o Amazonas, Amazonas governado pelo biônico Arthur Reis. Tá lá no iutube, mas não perca seu tempo: não é um Glauber autêntico – está mais pra globo repórter.

101 – De Castelo a Sir Ney, todos, sem contar com um mísero voto do povo – povo?

102 – Quando a globo elegeu Collor, as cinzas do velho Marx reacenderam-se. Afinal, Ele já avisara que a história acontece como tragédia e repete-se, sempre e sempre, como farsa.

103 – o collorido glloball era apenas uma pífia imitação do idiota Jânio – e tanto um quanto o outro serão apenas notas de rodapé nos livros de história do Brasil, quando o Brasil tiver uma história para contar.

104 – Aí veio o professor, o intelectual que afirmou em alto e bom som: esqueçam o que escrevi – na prática, a teoria é a mais conveniente no momento.

105 – Para desespero da imprensa dependente, da direita envergonhada e do capital apátrida, o povo elege Lula em 2002 e 2006, além do poste de 2010 e 2014.

106 – Como estamos falando de eleições diretas, o golpe de 2016, futura nota de pé de página, será ignorado.

107 – 2018, a dois meses das eleições, como será a participação de Lula?

108 – O Jânio da vez, identificado como capitão cueca, segundo lugar nas pesquisas dirigidas (o primeiro, apesar das manipulações, é Lula, pois não há como negar) não tem mais que 8 segundos de televisão (menos que o palhaço Enéas, de triste memória) – e não consegue, pagando em ouro, a porcaria de um vice, porque mesmo os mais os sórdidos não querem se associar a ele.

109 – Nem mesmo o malta, cujo nome já o identifica – um magno bandido.

110 – Marielle assassinada, em quem ela votaria?

Graúna festeja 15 anos e debate Naturismo




Cérebro: elo entre evolução e consciência 1/2



João Bosco Botelho


Ao longo do processo de transformação, caminhando em diferentes trilhas, o homem e a mulher têm procurado a natureza das próprias consciências.
Existe farta evidência de que desde os primeiros registros escritos, em torno de 4.000 anos, a busca foi articulada em duas dimensões: sagrada, sagrando a todos e a tudo; profana, entendendo a ressonância das ideias na realidade mensurável.
No espaço sagrado, a divindade passou a ser a força motriz de todos os sentimentos. A vontade divina exercendo o papel de dominadora das emoções, restando aos homens e às mulheres cumprir fielmente o determinismo inexorável, vindo do céu, obedecendo às ordens dos representantes na terra do poder transcendente, e agradecer, com oferendas e ritos de louvor, a vida vivida.
Na dimensão profana, situada à margem do sagrado, procurando entender o visível mensurável, as pessoas iniciaram a longa busca para conhecer o próprio corpo escondido atrás da pele como primeiro momento para saber porque chorava, ria, amava e odiava.
O esforço coletivo e milenar tem se mostrado árduo, pleno de avanços e recuos, indicando o conflito de competência entre os dois espaços, para desfazer as dúvidas e seduzir pelo convencimento.
Desse modo, são claras as sucessivas tentativas, quase sempre no sentido do sagrado ao profano, de utilizar o naturalmente observável para legitimar o imaginado. Uma das estratégias tem sido a sagração de uma parte do corpo, transformando-a no centro, para facilitar a comunicação com a divindade.
As recentes interpretações dos registros arqueológicos mesopotâmicos mostram com bastante clareza que o fígado foi escolhido por aqueles povos como a porção mais importante do homem. Para os babilônios antigos, os sentimentos que dirigiam a vida estavam localizados na estrutura hepática.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

Mick Jeta



Pedro Lucas Lindoso


Tia Idalina não se conforma com a desclassificação prematura da seleção na copa da Rússia. Para ela estava tudo planejado para ser uma copa da Europa. Desclassificaram todos os times da África, do Oriente e das Américas. Na final só ficou time europeu. Uma copa na Europa e para a Europa. Um absurdo!
Titia havia decorado sua varanda com as cores do Brasil. Chamou os sobrinhos como faz em toda copa do mundo. Se autointitula “torcedora bissexta”. Só torce para futebol de quatro em quatro anos.
A varanda ficou esplendorosa. Provavelmente, a mais bacana em toda Copacabana.  Um pouco “over” é verdade. Os vizinhos pediam para ver a decoração. Merecia um prêmio! Comentava-se no prédio.
Os sobrinhos só aceitavam o convite ao saber que tia Jeta não estaria presente. Tremendo pé frio. Tia Idalina explicava que ela estava em Friburgo. Garantia que Jeta não viria assistir aos jogos em sua casa.
Jeta visitou Nova Iorque às vésperas do atentado ao World Trade Center. Na semana seguinte em que esteve no Chile houve um grande terremoto. Joca que é flamenguista doente, veste a camisa do Vasco na tia Jeta antes de Flamengo e Vasco. O Vasco sempre perde. É tiro e queda.
Na copa passada aqui no Brasil convenceram tia Jeta a visitar uma sobrinha em Belo Horizonte. No fatídico jogo em que o Brasil perdeu de 7x1 para a Alemanha, por total desconhecimento do pé frio da dona Jeta, levaram-na para assistir ao jogo no Mineirão. Para completar, tia Jeta compra na loja exclusiva da FIFA, uma camiseta de cor preta. Na tal camiseta, preta, repita-se, havia a figura da taça e escrito: FIFA – Brasil World Cup. Deu no que deu.
Neste ano de 2018, nos três primeiros jogos da copa, dona Jeta ficou quietinha em Friburgo. Curtindo a baixa temperatura que faz por lá nessa época do ano. Mas Jeta estava sentindo muito frio, principalmente nos pés. Assim, resolveu de surpresa, descer para o Rio. Justamente no dia do jogo Brasil x Bélgica.
Chegou atrasada à casa de Idalina. No exato momento em que a Bélgica fez o primeiro gol. Abriu a porta e vestindo a tal camiseta preta da copa passada. Gritou:
– Bonjour! Em alto e bom Francês!
 O pessoal se arrepiou.  Mas como todos achavam que o Brasil iria passar pela Bélgica sem problemas, deixaram tia Jeta quieta no seu canto.
De repente alguém pergunta:
– Que idioma falam esses galalaus belgas?
Tia Jeta responde de imediato:
– Então vocês não sabem que na Bélgica se fala francês? Français, bien sur!
Nesse momento a Bélgica faz o segundo gol. Joca não perdoa. E implora:
– Tia Idalina, por favor, leva a tia Jeta para o quarto.
Foi uma confusão. Jeta não admitia que a chamassem de pé frio. Aquilo era um desrespeito a sua pessoa. Não seria bode expiatório. E foi embora! Gol do Brasil!
Final de jogo. Bélgica 2 Brasil 1.  Todos colocaram a culpa da derrota na tia Jeta. Idalina protestou:
– Gente, não façam a pobre da Jeta de bode expiatório! Mas que foi culpa dela foi! Eita pé frio! Pior que ela só o Mick Jagger! É a própria Mick Jeta.

domingo, 15 de julho de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXXVII


Av. Castelo Branco, antiga Valpés, cruzada pela Ramos Ferreira.

sábado, 14 de julho de 2018