Amigos do Fingidor

sábado, 20 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dabacuri – da arte de amar 2/7



Zemaria Pinto

sangrando, o morango
desfaz-se em cor e volúpia
submisso ao marfim


úmidas de orvalho
na floração matinal
– pétalas de rosa


pássaros pousados
sobre o limo do caminho
buscando o verão

Arte, Rock & Putaria - 6a. edição



Medicina e Direito valorizando a vida na Grécia homérica



João Bosco Botelho

É possível que as práticas de curas na Grécia homérica descritas nos livros “Ilíada” e “Odisseia” representem os saberes historicamente acumulados em torno das complexas ligações entre a medicina e as crenças e ideias religiosas, para os tratamentos de feridas secundárias às guerras. Como nas culturas do Egito, da Mesopotâmia e da Índia as doenças e a saúde eram desígnios dos deuses e deusas. Em outras palavras, não existia processo teórico laico para explicar saúde e a doença fora dos poderes divinos! É exatamente no magnífico, no extraordinário “Ilíada”, com narrativa em forma de versos, durante o nono ano da guerra de Tróia, que se tornou possível entender essas práticas médicas gregas.

Nas construções do Direito, naquela época, com maior avanço em relação à Medicina, a função do julgador esteve intimamente ligada à estrutura administrativa laica reforçando de modo marcante, em relação às culturas anteriores, o sentimento pessoal e coletivo na aplicação do justo, do belo, do harmônico, também valorizando a vida e desprezando o vício. Nessa fase, os registros já evidenciavam os elos entre o ser e a sociedade, sem ser possível entendê-los dissociados (Homero, Ilíada, IX, 63).

Na mesma época, diferente do Direito, apesar de existir agentes da Medicina gerida na polis, com médicos amplamente reconhecidos socialmente, eram muito fortes as relações das práticas médicas com deuses e deusas curadores ou provocadores de doenças.

Não é demais repetir que semelhante às culturas na Mesopotâmia, Índia e Egito, na Grécia homérica também não havia um processo teórico para compreender a Medicina fora das crenças e ideias religiosa: as doenças eram consideradas como mal, castigo pelos pecados cometidos e causadas pela vontade dos deuses e deusas.

Entre as culturas assírias e babilônica, em torno do século 18 a.C., o pecador era entendido como alguém doente, privado da liberdade, débil, possesso dos demônios; em alguns textos, a palavra doença também significava pecado!

Mesmo com essa forte ligação que também chegou à Grécia homérica, os agentes da cura, tanto os laicos quanto os sacerdotes, também pensaram e praticaram tratamentos para curar as feridas da guerra de Tróia, com claros registros nos livros de Homero, para controlar a dor e ampliar os limites da vida.

Esse genial escritor e historiador grego, mesmo assinalando a forte presença dos deuses e deusas do panteão grego amparando as práticas médicas, descreveu detalhes de condutas cirúrgicas e curativas, indicadas nos ferimentos de guerra, como os bons resultados dos médicos e exímios cirurgiões Macaon e Podalírio.

Os registros de Homero que enalteceram os resultados dos tratamentos dos médicos e distinguiam a perícia do cirurgião ao sarar a ferida aberta pela espada do inimigo, avizinhou a prática médica grega dos séculos 7 a.C. a do século 4 a.C., quando ocorreria o início do processo de conflito entre a Medicina e as crenças e ideias religiosas,  para explicar a saúde e a doença fora das crenças e ideias religiosas, estabelecendo os alicerces da nova e fundamental etapa da Medicina e do Direito na construção dos procedimentos atados à busca da materialidade da doença e do delito.


Na Escola de Hipócrates, essa nova construção está inserida no “Corpo Hipocrático”, conjunto de textos produzidos na ilha de Cós. Esse conjunto filosófico-médico iniciou o processo da separação da Medicina das ideias e crenças religiosas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Zero em Geografia


Pedro Lucas Lindoso


Rocharleston Wylson nasceu no rio Juruá. Aos dezesseis anos veio para Manaus estudar. Foi morar na casa de uma tia, em Petrópolis. Fez um curso técnico e conseguiu empregar-se numa fábrica do Distrito Industrial.

 Depois do casamento com Katyanne, Rocharleston foi morar numa invasão na Zona Norte de Manaus. Conseguiu fazer uma casinha bem chibata, como diz o caboclo, na Rua da Penetração, que depois virou Rua Número Um. Então, um líder comunitário resolveu inovar, e trocou os nomes das ruas por letras. A Rua Número Um ficou Rua A, para não confundir com os números das casas.

 O tal líder, suplente de vereador, esteve por um ano na Câmara Municipal. Seu feito mais importante foi mudar, pela quarta vez, o nome da rua onde mora Rocharleston e Katyanne. Agora a rua tinha o pomposo nome de sua genitora, Dona fulana de tal.

É comum trocar-se nomes de ruas em Manaus. O hábito é antigo. A Rua Marechal Deodoro já foi Rua das Flores, em priscas eras. Tornou-se Rua do Imperador. Com o advento da República, Marechal Deodoro. Getulio foi homenageado trocando-se a Rua 13 de maio por Avenida Getúlio Vargas.  O problema é que nem sempre avisam aos carteiros e a população teima em continuar chamando pelo nome antigo. Há muita carta extraviada.

Depois de ser promovido a chefe de setor, Rocharleston pôde comprar, em 60 meses, um carro popular. O carnê do banco, inevitavelmente, extraviou-se. Tentou comunicar-se com a financeira, mas não obteve sucesso. Iria à agência, assim que tivesse uma folga.

Feriado em Manaus. Dia do aniversário da Cidade. Rocharleston dormia o sono dos justos quando foi acordado, às 06:05 horas da manhã. Tomou um susto. Lembrou-se de sua mãe, já idosa, que mora em Benjamim Constant, um dos municípios mais distantes de Manaus.

Mas era o “call Center” do banco. Rocharleston, educadamente, reclamou com a operadora, dizendo-lhe que o fuso de Manaus, no horário de verão, era de duas horas em relação ao sudeste.

 A moça parecia não entender. E repetia:

– São oito horas aqui em São Paulo, senhor.

E Rocharleston respondia:

– Eu sei, mas aqui em Manaus são seis da manhã.

E a moça continuava a insistir que eram oito em são Paulo. Rocharleston então perguntou se ela sabia o que é fuso horário. A operadora simplesmente disse que não sabia. Rocharleston retrucou:

 – Ora, a senhora não é obrigada a saber que hoje é feriado em Manaus, mas é uma temeridade fazer-se uma cobrança, aliás injusta, às seis horas da manhã. Vou explicar mais uma vez: No horário de Verão, Manaus tem uma diferença, para menos, de duas horas. A senhora entendeu?

- A operadora então perguntou. E Manaus fica no Brasil?

Rocharleston ficou irado e respondeu-lhe:.

- Ninguém tem o direito de fazer cobrança às seis horas da manhã, assustando as pessoas. Isso é constrangimento. Vou processar o banco por danos morais. O fato é que a senhora faltou muito às aulas de Geografia. A senhora é zero em Geografia.

– ...

– Tenha um bom dia.

E desligou.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lábios que beijei 36


Zemaria Pinto
Doroteia

Evangélica, a tímida Doroteia foi se achegando aos poucos, descobrindo – ou fazendo com que eu descobrisse – interesses comuns, como livros e discos, que trocávamos por empréstimo. Ficamos amigos, dentro do ambiente de trabalho, mantendo a distância necessária entre superior e subordinada. Em um serão, o que não era incomum, ficamos apenas os dois, finalizando um relatório a ser enviado à matriz, quando Doroteia começou um longo discurso, que, pelo tom, eu já adivinhava como acabaria.


(Para continuar a leitura, vá até o blog Poesia na alcova.)

domingo, 14 de dezembro de 2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

Fantasy Art - Galeria


Angel in blue - No. 2.
Jeffrey K. Bedrick.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dabacuri - da arte de amar 1/7



Zemaria Pinto

à noite passada
sonhei com Miss Primavera
– ah, a solidão...


reflexo do sol
no vermelho das espigas
– tempo de colher


florais do desejo
inauguram a manhã
na febre do beijo

Renato Augusto Farias de Carvalho lança novo livro



Medicina e Direito no Código de Hammurabi



João Bosco Botelho

As construções sociopolíticas, no processo histórico, sugerem as leis, também surgem a partir das necessidades sociais. Sob esse pressuposto teórico, o Código de Hammurabi coibiu os maus resultados das práticas médicas que geravam conflito social.

Dessa forma, o Direito e a Medicina, nesse ponto, inauguraram níveis de convivência que continuam se reconstruindo até os dias atuais, isto é, o julgador se interpõe favorecendo os interesses pessoais e coletivos frente às práticas médicas consideradas desajustadas dos bons resultados. 

As principais fontes históricas que fornecem informações das práticas médicas e da presença dos julgadores, na Mesopotâmia, são as tábuas de escrita cuneiforme da biblioteca de Assurpanibal e Hammurabi. Esses registros também apontam que a Medicina babilônica, sob a atenção do Direito, iniciou processo consistente fora da dominância das ideias e crenças religiosas:
– Entender e dominar as formas e funções do corpo;
– Estabelecer parâmetros do normal e da doença;
– Vencer as limitações impostas pelo determinismo da dor e da morte fora de controle.

Um dos fortes indícios da presença da Medicina e do Direito em convivência fiscalizadora, gerando respostas que beneficiaram os doentes, reconhecidos pelas estruturas de poderes, é exatamente o Código de Hammurabi, do fim do século 16 a.C.

Na realidade, esse código de leis constitui a primeira estrutura estabelecendo os limites dos direitos e deveres dos médicos, pagamento pelos bons serviços e severas punições pela má prática, associando a boa Medicina ao bom resultado. Também é interessante assinalar que os preços e castigos variavam de acordo com o estamento do doente. Os maiores preços pelos serviços prestados e castigos mais severos pelos maus resultados estavam ajustados aos doentes mais ricos e socialmente importantes.

Dos 282 artigos do Código de Hammurabi, doze regulavam os trabalhos dos médicos, contidos no conjunto de outros tratando dos veterinários, barbeiros, pedreiros e barqueiros. No trabalho dos médicos, as leis identificavam as boas e más práticas médicas voltadas exclusivamente aos resultados de cirurgias. É possível que os conflitos entre médicos e doentes fossem mais significativos nos procedimentos invasivos, os cirúrgicos, isso é, onde o tratamento incisava a pele ou a mucosa.

Os direitos e deveres dos médicos que executavam procedimentos invasivos e os dos doentes submetidos às cirurgias estavam vinculados, estritamente, à ordem escravista numa sociedade rigidamente hierarquizada. Nesse sentido, o pagamento pela boa prática, bem como o castigo e a indenização da má prática, eram proporcionais à importância social do doente: quanto maior a posição social do doente, mais dispendioso o pagamento e os castigos mais severos.

É importante ressaltar que o Código de Hammurabi, legislando de modo explícito somente as cirurgias, sugere que os conflitos sociais determinados pelos maus resultados alcançaram níveis de conflitos suficientes para gerar respostas administrativas por meio do julgador credenciado pelo poder dominante.

A presença do Direito, no convívio controlador da prática médica, valorizando os bons resultados, está inserida na fundamentação maior de manter a vida, refletindo aspiração humana que se perde no tempo. Dessa forma, na Mesopotâmia, no período Hammurabi, apesar de as doenças serem consideradas como mal, associado ao pecado, ocorreu o início do processo laico, para o controle das atividades profissionais, em especial, a da Medicina. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Valer promove oficina para formação de escritores




Jovens escritores, estudantes, professores e interessados em literatura terão uma oportunidade de aperfeiçoar suas habilidades por meio da 1ª Oficina de Formação de Escritores, que começa no próximo dia 13 e segue até o dia 18 dezembro. O objetivo da oficina é oferecer instrumentos de leitura, análise e técnicas para a produção de escrita criativa.
Com a organização da Editora Valer e coordenação dos editores Tenório Telles e Neiza Teixeira, a oficina será dividida em quatro módulos: “Poesia”, que será ministrado pelo poeta Zemaria Pinto; “Conto”, sob o comando do professor Marcos Frederico Krüger; “Crônica”, aplicado pelo poeta e cronista Tenório Telles; “Cinema e literatura”, ministrado pela filósofa Neiza Teixeira. No encerramento, o poeta Elson Farias e o escritor Wilson Nogueira falarão sobre “O escritor e seu ofício”.
O projeto terá a carga de 30 horas, sendo cinco horas diárias: no sábado (13), de 8 às 13h e nos demais dias (15 a 18), de 17 às 22h. Na programação haverá palestras, leituras orientadas, exposição de vídeos, exercícios de leitura, produção de textos, exibição de filmes, roteiros e análises orientadas e comparativas. As horas complementares serão preenchidas com atividades extraclasse.
SERVIÇO
O QUE É: 1ª Oficina de Formação de Escritores 
ONDE: Espaço Cultural Valer – Avenida Ramos Ferreira, 1195 – Centro
QUANDO: De 13 a 18 de dezembro
INVESTIMENTO: R$ 100,00 (público em geral), R$ 80,00 (professores) e R$ 50,00 (estudantes)
INSCRIÇÕES: Até o dia 12 de dezembro, na Livraria Valer
INFORMAÇÕES: 3635-1324


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

20 anos sem Tom Jobim


Tom Jobim (25/01/1927-08/12/1994), por Aroeira.

Para se dar bem com as mulheres

Cary Grant (1904-1986), por Scott.






Para se dar bem com as mulheres, diga que é impotente. Elas ficarão loucas para desmenti-lo.

(Cary Grant)

domingo, 7 de dezembro de 2014

Manaus, amor e memória CLXXXIX


Teatro Amazonas, visto do palco.
Em primeiro plano, a caixa do "ponto".

sábado, 6 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

a leminski à leminski


Zemaria Pinto


o cara por trás do bigode
é um bandido
um desvairado
um desvalido
é um profeta

o cara por trás do bigode
é menos que um monge
menos que um samurai
menosmenos que a besta dos pinheirais
é um poeta

náufrago verbo verso bicho
erma palavra lavra incompleta
um relaxo no capricho

o cara
é uma experiência estética

Paulo Leminski (1944-1989), por J. Bosco.

Deontologias das boas práticas de curar e julgar



João Bosco Botelho

A palavra deontologia, em torno do conjunto ético-moral, alcançou a maior parte das especialidades sociais. Na Medicina, apareceu pela primeira vez, em 1845, no Congresso Médico de Paris, no trabalho do médico M. Simon, intitulado “Deontologia médica ou dever e direitos dos médicos no estado atual da civilização”. No Direito, em época equidistante, por meio dos escritos do filósofo inglês Jeremy Benthan, considerado fundador do Utilitarismo.

De modo interessante, os códigos de ética do médico e do julgador comportam fundamentos estruturantes deontológicos semelhantes:

– O médico e o julgador devem estar sempre a serviço do indivíduo, respeitando a vida e sua dignidade;

– O médico e o julgador devem exercer a profissão com liberdade de decidir.

Existe clara aproximação entre as construções das éticas da Medicina e do Direito ajustadas à busca da materialidade, respectivamente, da doença e do delito, nas primeiras cidades. Nas culturas que se desenvolveram mais intensamente no segundo milênio a. C., no Oriente, as práticas médicas também estavam dependentes das ideias e crenças religiosas por meio de deusas e deuses taumaturgos.

O rei Hammurabi (1728-1686 a.C), da Babilônia, autor do código de Hammurabi, atribuiu deveres e direitos aos médicos e julgadores, além de estabelecer o valor do pagamento pelos serviços e penalidades pela má prática.

Em 1531 a.C., o rei Hitita Mursuli I saqueou e incendiou a capital babilônica. O último descendente de Hammurabi, Sansuditana (1561-1531 a.C.) parece ter morrido nessa batalha. Acredita-se que os elamitas, sob o comando do rei Shutruknahhum, invadiram a Babilônia no ano 1155 a.C. e levaram como presa de guerra para Susa a pedra de diorito negro, onde está gravado na escrita cuneiforme o código de Hammurabi.

Os membros da expedição arqueológica francesa de Morgan, nas escavações da acrópole da capital elamita de Susa, encontraram o diorito negro com dois metros de altura, contendo o código de Hammurabi, hoje, conservado no Museu do Louvre, em Paris.

Apesar de o código de Hammurabi não ter sido a primeira tentativa de legislar os conflitos envolvendo médicos e julgadores, fora das crenças e idéias religiosas, reconheceu a importância de os conflitos gerados nos trabalhos médicos serem julgados, certamente, como instrumento capaz de provocar resposta disciplinadora da autoridade dominante.

Antes de Hammurabi, outros dirigentes legislaram no Oriente Antigo as relações sociais conflituosas. Os mais conhecidos: o código do rei Ur-Nammu (2050-2030 a.C.), a coleção de leis de Urukagima, de Lagas; da mesma época, o código do rei Bilalama, de Eshnuma, (1825-1787 a.C.) e o de Lipit-istar, de Isin, (1875-1865 a.C).


O Código de Hammurabi permite entender certos critérios, sempre em torno dos bons resultados, das leis que regiam a ação médica, na Babilônia, governada pelo rei Hammurabi. Se pensarmos que as leis também exercem função de evitar conflitos, os artigos penalizando ou premiando o médico, por estarem na mesma coluna daquela regulamentando as profissões dos barbeiros, pedreiros e barqueiros, é possível pressupor um elo comum: se tratavam de categorias envolvidas em conflitos inquietantes à administração. Dessa forma, somente a ação do julgador, ligado ao poder dominador, estaria organizada para mediar os conflitos capazes de gerar instabilidade social.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Lábios que beijei 35


Zemaria Pinto
Joyce


Joyce tinha um bordão, usado sempre que nos despedíamos: – quando quiser me comer me liga. A impostação afetada de musa noir e o olhar chispando zombaria. Nos encontrávamos pelos bares da cidade, depois do expediente. Ela trabalhava em uma loja do Centro, próxima ao banco. Acho que era sócia. Nos anos 1970, mulher que trabalhava fora e entrava sozinha em um bar era puta. Joyce não era puta, era uma senhora de muito respeito. Uns 10 anos mais nova que eu, branquíssima e de formas adequadas mas sem relevâncias, Joyce reinava nas rodas masculinas. Durante um tempo, medido em anos, eu tive a preferência. Aos poucos nos afastamos, até que um dia ela me apresentou seu novo “namorado”, engenheiro conhecido na cidade, casado, como eu, bon vivant. Naquela noite de muita alegria, ela até ensaiou uns passos da habanera de Carmen sobre uma mesa do bar, para delírio geral. O amor é um pássaro rebelde. E o desejo também. Ao nos despedirmos, Joyce me beijou no rosto e sussurrou, dengosa: – quando quiser me comer me liga.

domingo, 30 de novembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pensar é um ato de humor



Zemaria Pinto

O professor José Dantas Cyrino Junior, que se revelou poeta em plena maturidade – contrariando a regra de que todos cometemos poesia apenas enquanto não temos a autocrítica firmada –, surpreende-nos de novo com um livro que, à parte a poesia latente, vai do trocadilho com intenção meramente humorística até a reflexão mais profunda.
Apesar do subtítulo – frases que não pretendem chegar a máximas –, Cyrino brinca com as palavras, ou melhor, com os fonemas, descobrindo novos sons e revelando novos sentidos, a partir mesmo dos títulos de cada uma das quatro partes em que o livro se divide. A referência a Millôr Fernandes no texto de abertura não é gratuita, mas cabe aqui lembrar outros frasistas notáveis, como Nelson Rodrigues e os irlandeses Oscar Wilde e Bernard Shaw, este o preferido de Millôr. Na filosofia, os pensamentos de Pascal e a filosofia a marteladas de Nietzsche destacam-se. Há uma tradição, portanto; e como em toda tradição, há também um cânone.
Aliterações, assonâncias, rimas internas – Cyrino lança mão de recursos típicos do arcabouço poético para moldar suas frases, dando-lhes um ritmo natural, que torna a leitura ainda mais prazerosa. Vejamos alguns exemplos ao léu:
O poeta é uma pessoa que destoa.
Férias são ócios do ofício.
O ovo é o anúncio do novo.
A primeira lembra-me um verso de Jorge Tufic – Poeta não se define: é um ser à parte. A pessoa que destoa não seria outra senão Pessoa. A segunda brinca com a negatividade da expressão popular “ossos do ofício”, tornando-a positiva, a partir da proximidade fônica ossos/ócios, bem como da relação ócio/ofício. A terceira é um achado de linguagem e de imagem: além das aliterações e assonâncias, constata-se que, de fato, um ovo, em si mesmo, é uma coisa que anuncia outra. Ou, como diria McLuhan, é a um só tempo meio e mensagem...    
Mas há também as frases que dispensam a técnica rítmico-musical, bastando-se em si mesmas, como nesta que resume o espírito do livro:
Banal é tudo aquilo que não me faz pensar.
O leitor mais atento terá muito a pensar lendo este livro, escrito por alguém que não tem pudor em despir-se das máscaras cotidianas, revelando-se por inteiro:
Eu tenho sido a maior criança que um adulto pode ser.
Tenha uma alegre e prazerosa leitura.

Apresentação do livro Mínimas  frases que não pretendem chegar a máximas (Manaus: Valer, 2014).


   

Medicina e o direito aderidos ao bem, ao bom, ao melhor



João Bosco Botelho

Teorizando em torno da associação entre o ético-moral gerando o bem, o bom, o melhor, antepondo-se ao vício ligado ao mal, mau, pior, é interessante assinalar que historicamente parece existir elos entre as éticas da Medicina-boa prática e a do Direito-absolvição, ambas entendidas pelo senso comum como aquelas que ofereciam bons resultados e trazem melhorias à vida pessoal e coletiva.

Os registros mais antigos apontam que tanto o médico quanto o julgador, entendidos personagens sociais, concorreram para ajustes políticos e administrativos na maior inclusão dos curadores e dos julgadores, como agentes do bem, do bom, do melhor. Os curadores e julgadores que não conseguiram firmar capacidade na solução dos problemas expostos pelos postulantes, curando os doentes e absolvendo os acusados, não recebiam o reconhecimento coletivo.

As práticas médicas edificadas nas academias, nas universidades são as que construíram, desconstruíram e reconstroem teorias para desvendar as origens das doenças, nas dimensões cada vez menores da matéria, a priori mais competentes para empurrar os limites da dor, da morte, gerando aceite coletivo. Desse modo, as teorias para entender as doenças têm vencido as barreiras para diminuir a abstração e aumentar a materialidade das enfermidades, aumentando a longevidade e a cura de doenças consideradas mortais até poucos anos atrás.  

O Direito de igual modo também construiu, ao longo dos séculos, a estrutura sustentadora da credibilidade coletiva para nortear o bom, o certo, o belo, separando-se das ideias e crenças religiosas e laicizando o ideário de justiça.

Dessa forma, esse desejo coletivo de administrar os conflitos nascidos no pressuposto Medicina-boa prática e Direito-absolvição, presentes tanto na ancestralidade quanto nos mais próximos, moldaram linguagens-culturas igualmente inseridas no anseio coletivo de prevalecer o bem, bom, justo, contra o mal, injusto. O conhecimento historicamente acumulado, desde os primeiros registros do médico e do julgador como personagens sociais, se ajustou na maior inclusão dos curadores e dos julgadores, como agentes para evitar a doença e a injustiça.

Entre esses dois grupos de médicos e julgadores — os dos bons resultados e os que não satisfizeram as demandas pessoais e coletivas —, as organizações sociais, em diferentes instâncias, ao mesmo tempo em que reconheciam e nominavam o médico e o julgador, procuraram refletir, identificar, coibir e punir as más práticas, estabelecendo fortes critérios na edificação da historicidade das éticas do médico e do julgador.

De modo geral, as más práticas na Medicina e no Direito continuam entrelaçadas ao resultado desfavorável: o fracasso da cura e a sentença considerada injusta. Nenhum procedimento na Medicina e no Direito, no passado e no presente, tem sido aceito se provoca, respectivamente, piora de qualquer natureza no enfermo ou a suspeição de a sentença não ter sido justa.


Esse esboço normativo ético-moral voltado aos bons resultados, no movimento de secularização das práticas da Medicina e do Direito, claramente exposto no Código de Hammurabi, no século 16 a.C., culminou com o aparecimento na Grécia, no século 4 a.C., do conceito de deontologia (do gr. déontos, “o que é obrigatório, necessário” + logia), que evoluiu para “o estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral”, em torno das ideias do filósofo inglês Jeremy Benthan, o fundador do Utilitarismo.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dabacuri – urbana 3/3



Zemaria Pinto

relógios na mente –
o executivo passeia
sua pressa infinita

riscos incertos –
voando em torno da lâmpada
insetos noturnos

festa de luzes
na praia da Ponta Negra
– lua de verão


lendo à luz de velas,
dou a mão a Zaratustra
– senda luminosa

Construções da ética pré-social



João Bosco Botelho

O fato de que na atualidade ainda não existem mecanismos na engenharia genética capazes de identificar os genes e as respectivas proteínas que ativam as MGSs não invalida a construção teórica da existência da ética pré-social.

É difícil atribuir a milenar busca da virtude somente às relações sociais!

Em incontáveis ações humanas pessoais ou coletivas, nos grupos sociais das muitas etnias, nos quatro cantos do planeta, existem fortes indicativos de que esse encanto coletivo pela virtude, ético-moral voltado ao bem comum, ligando práticas de cura e anseios de justiça, seja motivado por impulsos que transcendem o exclusivamente social.

Sob essa perspectiva, os significantes da ética ligada à moral, oriundos da escrita grega, com o “e” longo, o eta, ou com o “e” curto, o épsilon, reproduzem importantes e indispensáveis mecanismos sócio-genéticos da sobrevivência da espécie humana, materializados nos códigos de ética de muitas atividades, nas quais as éticas da Medicina e do Direito são duas entre outras construções, ao longo da ontogenia, que valorizaram o bem, o bom, o certo, como antagonistas do mau, do ruim, do errado.

Ainda em torno da associação entre o ético-moral gerando o bem, o bom, o certo, antepondo-se ao vicio ligado ao mal, ao mau, ao pior, é interessante assinalar um ensaio teórico para apreender a ética médica integrada à virtude. Na tese de doutorado, defendida em Paris, em 1955, intitulada “A ética médica”, o professor Derrien firmou relações conceituais da ética médica voltada ao benefício do paciente, isto é, aos bons resultados das práticas médicas.   
 
No entendimento desse conceituado professor, é possível entender a virtude kantiana nas práticas médicas, obrigatoriamente, ligada ao “bem”, ao “bom”, no qual o médico controla a dor e adia os limites da vida, sempre festejado pelo doente. Dessa forma, seria inadmissível pensar a Medicina como uma especialidade social para provocar a dor ou a morte. Essa vertente ligando a ética médica aos bons resultados entendidos como “boas práticas”, gerando bem-estar ao doente, está presente na historicidade e na maior parte das atuais abordagens teóricas referenciais.

Nesse sentido, é possível resgatar relações do conhecimento historicamente acumulado atando a ética médica à boa prática, entendida pelo senso comum como aquela que oferecia bons resultados às demandas da clientela por meio de ações que deveriam, obrigatoriamente, trazer melhorias à vida pessoal e coletiva.

A historicidade dos códigos das éticas das práticas de curas se construiu entendendo os respectivos curadores como especialistas sociais que devem saber controlar a dor e aumentar os limites da vida.  

Historicamente, é possível distinguir três vertentes das práticas de curas:

– Medicina-divina: fortificada nos templos dedicados às muitas divindades, cujos agentes, sacerdotes e sacerdotisas, reconhecidos como intermediários das deusas e deuses curadores, oferecem curas mágicas, sob a vontade das divindades.

– Medicina-empírica: com forte partilha com as ideias e crenças religiosas, os agentes que compreendem parteiras, erveiros, encantadores e benzedores, homens e mulheres sem escolaridade, exercem as práticas fora dos templos. Até hoje, em muitas linguagens-culturas, são respeitados e festejados.


 – Medicina-oficial: muitíssimo mais recente em relações às anteriores, oferece curas por meio de processos de aprendizados amparados pelos poderes dominantes. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sábado na Academia: a poesia no Clube da Madrugada





Celebrando os 60 anos do Clube da Madrugada, o escritor Zemaria Pinto e o compositor Mauri Mrq se uniram para criar o CD-livro Lira da Madrugada, que deveria ser lançado na Academia Amazonense de Letras na manhã do próximo dia 22 de novembro. Infelizmente, entretanto, a obra, confeccionada em São Paulo, não ficará pronta a tempo. Mas esse contratempo não modificará a programação do Sábado na Academia, dentro da série 60 anos do Clube da Madrugada.

Fundado nas primeiras horas do dia 22 de novembro de 1954, o Clube da Madrugada estabeleceu-se, com o passar do tempo, como o mais importante movimento artístico do Amazonas. Num momento de estagnação econômica, jovens intelectuais, com interesses os mais diversos, resolveram chacoalhar o marasmo, questionando não apenas a literatura, encastelada na sisuda Academia Amazonense de Letras, mas também as artes plásticas, a filosofia, a economia e a sociologia – de onde se depreende a abrangência dos interesses, convergindo para um movimento político.

Foi, entretanto, na literatura e nas artes plásticas que o Clube da Madrugada deixou as marcas mais profundas – existe, nesses segmentos criativos, um antes e um depois do Clube da Madrugada.

O trabalho de Zemaria Pinto e Mari Mrq foca especialmente “A poesia no Clube da Madrugada” e a apresentação deste sábado será uma aula-show, nos moldes do saudoso Ariano Suassuna: Zemaria Pinto comentará os poemas dos madrugadenses musicados por Mauri Mrq, que mostrará o seu trabalho usando a consagrada estrutura bossanovista: “um banquinho, um violão”. A dupla contará ainda com a presença da poeta Astrid Cabral, que dará um testemunho da sua vivência no Clube da Madrugada.

Projeto: Sábado na Academia
Série: 60 anos do Clube da Madrugada
Quando: 22.11, sábado, às 10h
Participantes: escritores Zemaria Pinto e Astrid Cabral e compositor Mauri Mrq

Endereço: sede da Academia Amazonense de Letras – Casa de Adriano Jorge, Rua Ramos Ferreira, 1009 – Centro

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lábios que beijei 34


Zemaria Pinto

Ana


Minhas veleidades literárias nunca produziram mais que meia dúzia de sonetos, um deles dedicado a Ana, esposa do gerente do banco onde eu trabalhava e era o responsável pelas operações internacionais, que só existiam na fantasia de um organograma elaborado no Rio de Janeiro. Mas eu frequentava as mesmas rodas, os mesmos bares que os jovens poetas da cidade, todos regulando mais ou menos a minha idade: Jorge, um turco inquieto; Neto, romântico até no falar; Antísthenes, sempre apressado, elétrico; Luiz, um aristocrata arredio; Carlos, histriônico, sempre aprontando – todos eles tocados pela centelha do gênio poético, além de uns tantos que a memória tratou de esquecer junto à má poesia que perpetravam. Ana era uma deusa grega – de mármore: não sorria nunca e tinha os olhos opacos. Parecia estar sempre insatisfeita – saudades da capital federal, de onde fora arrancada para viver em um aglomerado urbano no meio da selva amazônica. O soneto funcionou: pela primeira vez a vi esboçar um leve sorriso, que logo se esvaneceu por trás do nariz empinado e do olhar perdido, longe. Publicado em um jornal local, edição de domingo, dedicado a A, o meu soneto foi o sucesso do dia, valendo-me de Ana um novo meio-sorriso, num encontro casual, na hora do almoço, além de elogios e tapinhas nas costas dos amigos poetas, com exceção do rabugento Luiz, que apenas murmurou algo incompreensível. Disseram que eu tinha futuro e me convidaram para fazer parte de um grupo que eles declarariam fundado, com pompa e circunstância, naquela mesma noite, na praça da Polícia. Foi um fim de semana atípico: o gerente viajara às pressas para resolver uma pendência em Belém e me deixara em seu lugar, para qualquer eventualidade. À noite, já me arrumava para encontrar os amigos, quando recebi um bilhete, assinado apenas A. Vivi naquela noite a mais bela noite que um mortal pode viver ao lado de uma deusa. E vi o seu sorriso escancarado, a gargalhada solta – e o brilho de seus olhos negros faiscando à meia luz do clandestino quarto. Lá fora, chovia uma chuva enjoadinha. Um vespertino do dia seguinte noticiou com riqueza de detalhes que ao amanhecer daquele dia 22 de novembro, plena segunda-feira, fora fundado o Clube da Madrugada. Mas o meu nome não estava lá...

domingo, 16 de novembro de 2014

sábado, 15 de novembro de 2014

Fantasy Art - Galeria


The bird seller.
Tony Kew.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dabacuri – urbana 2/3



Zemaria Pinto
Dia do Trabalho –
a cabeleireira sorri
da fila de espera

restaurante lotado,
garçons em ziguezague
– Dia do Trabalho

almoço findo,
trabalhadores descansam
à sombra da mangueira

Manoel de Barros (19/12/1916 – 13/11/2014)


Manoel de Barros, por Baptistão.



O poema é antes de tudo um inutensílio.


(Manoel de Barros, Arranjos para assobio, 1982)

UEA e UFAM debatem 60 anos do Clube da Madrugada




A UEA (cartaz acima) e a UFAM estarão promovendo na próxima semana debates sobre os 60 anos do Clube da Madrugada, o que a Academia Amazonense de Letras vem fazendo desde o dia 01/11, aos sábados. Clique aqui para saber sobre o Sábado na Academia.

Mais informações nos sites das instituições e redes sociais.

Historicidade da ética como herança genética



João Bosco Botelho
          
É razoável pensar a Medicina e o Direito como partes da organização social da ontogenia, voltados à valorização da vida em torno da ética e da moral, estruturando os bons resultados: os agentes da Medicina controlando a dor e empurrando os limites da vida e os operadores do Direto construindo mecanismos nas linguagens para impor a legalidade, a licitude.  

Nessa longa construção, é importante relembrar que o alfabeto grego possui duas letras “e”, a longa = eta e a curta = épsilon. Dessa forma, êthos com eta significa: característica, modo habitual de se comportar; éthos com épsilon, corriqueiro, costume, usual. O processo histórico linguístico impôs semelhança etimológica entre os dois termos: ambos estão vinculados à virtude. Talvez também por essa razão, no cotidiano, a ética oriunda da tradição grega tem caminhado ao lado da moral.

A etimologia da palavra “moral” parece ser de origem latina: “mores” significa “costume”, mas não qualquer costume, mas o estritamente aderido à virtude. Assim, Kant caracterizou a ação moral, em caráter universal, plena de virtude e realizada, exclusivamente, por dever legalista, em respeito às leis.

Em muitas circunstâncias, essa característica universal da ação moral, citada por Kant, isto é, a busca incessante para que o comportamento humano estivesse sempre ao lado da virtude, independente do processo fiscalizador, ultrapassa as relações sociais em si mesmas.

Não é impertinência pensar que esse desejo humano, a partir de passado impossível de precisar, de concretizar a ética, valorizar a virtude, como antagonismo ao vicio, à desordem, seja processo sócio-genético gerado ao longo da ontogenia, ligado à sobrevivência desde os ancestrais mais distantes, já que não seria possível manter a vida coletiva sem regras e mecanismos para cumpri-las.

Incontáveis culturas, nos quatro cantos do mundo, pelo menos desde os primeiros registros de natureza religiosa e laica, continuam lutando para instrumentalizar as regras valorizando a ética junto à moral, atadas como características insubstituíveis e universais da condição humana, como genialmente Kant descreveu.

Dessa forma, é possível articular um processo teórico entendendo esse conjunto como pré-social, isto é, inserido na herança genética, ao longo da ontogenia, resultando na existência de memórias-sócio-genéticas (MSGs) ligadas à valorização do bem, da virtude, moral e ética como instrumentos para adequar a sobrevivência coletiva e superar a desordem, o mal, imoral, que dissolvem sem reconstruir. Simultaneamente, essas MSGs também interfeririam na manifestação pessoal e coletiva do desprezo ao vício que corrompe e compromete a sobrevivência pessoal e coletiva.

Esse conjunto organizador social presente nas MSGs da espécie humana, vinculado à sobrevivência, ajustado ao ético-moral, amparando a vida pessoal e coletiva, claramente desprezando o vício (aqui compreendido como oposição ao ético-moral, à virtude), está em curso, amparando a sobrevivência, por meio da Medicina e do Direito.


Nesse momento, cabe a pergunta: porque esse mecanismo genético de busca da ética, da virtude ainda não conseguiu controlar a agressividade da espécie Homo sapiens sapiens: capaz de matar e trucidar pessoas inocentes; crenças religiosas que geram ódios e matanças? Se comparado ao passado distante, é possível argumentar que o processo genético de mudança está em curso. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014