Amigos do Fingidor

domingo, 16 de dezembro de 2018

sábado, 15 de dezembro de 2018

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

AI-5, 50 anos



A poesia é necessária?



O menino e os poetas

Dori Carvalho
     
(a Thiago de Mello)


quando menino ganhei não presentes caros
mas cheios de sabedoria, delicados e raros

quatro livros de poesia, pura poesia
meu Deus, que descoberta, que alegria
Carlos Drummond de Andrade
ensinou-me a sentir a alma das cidades
Manuel Bandeira, mil bandeiras,
desde aí, caminhei sem eira nem beira
Pablo, isla negra, Neruda
mostrou-me a ternura e a vida desnuda
Thiago, amazônico Thiago de Mello
cantou-me que o mundo ainda pode ser belo

um livro de muitas batalhas
El Che, Ernesto Guevara
sangrou-me o quanto a vida é cara

e uma pataca de prata de quatrocentos réis
presente de aniversário do meu padrinho

por isso, ando com esse sentimento do mundo
que tanto me faz sofrer e faz sonhar
por isso, o silêncio e a palavra
por isso, essa dureza e essa ternura
por isso, a sede de liberdade e as canções desesperadas
por isso, levo em meu coração um pouco de poesia
por isso, trago em minha boca um copo de pasárgada
que tanto me faz amar e viver
por isso, carrego na lembrança
o fuzil, que, in-felizmente, nunca usei
e a pataca de prata que perdi
e nunca soube multiplicar.



quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

No meio do pitiú



Pedro Lucas Lindoso


Um dos problemas de segurança da aviação aérea na Amazônia são os urubus.
Uma grande empresa mineradora contrata parte de sua força de trabalho numa cidade do interior do Amazonas. Há necessidade de transportá-los para a área de extração, no meio da floresta. O aeroporto da cidade fica próximo de um lixão. Portanto, uma grande quantidade de urubus na área.
Houve necessidade de se fechar temporariamente o aeroporto. Tal fato prejudicou o transporte e a efetiva contratação dos empregados daquela cidade.
Com o fechamento do aeroporto e a consequente dispensa de vários trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho foi acionado.
A polêmica foi instaurada. De um lado os interessados queriam exterminar os urubus para garantir os empregos e a integridade dos trabalhadores. De outra banda, os ambientalistas ressaltavam a importância dos urubus na natureza.
O pessoal dos órgãos ambientais alega que os urubus contribuem para a manutenção e limpeza do meio-ambiente. Eles ajudam na prevenção da propagação de doenças, evitando putrefações. Consequentemente, se evitam doenças aos seres vivos.
Aqui em Manaus, o Cindacta contrata um fogueteiro para espantar os urubus nas proximidades do Aeroporto Eduardo Gomes. Não há lixão por lá. Acontece que na encruzilhada da estrada do aeroporto com a Avenida do Turismo, frequentemente são feitas oferendas religiosas envolvendo animais. Daí a concentração deles!
Os paraenses foram mais práticos e inteligentes. A grande concentração de urubus em Belém é na região do mercado Ver-o-Peso. Que fica muito distante do aeroporto.
Os urubus fazem a festa e o local é muito disputado. Um urubuzinho novo estava com dificuldade de se alimentar quando um urubu tiozão velho e sábio o interceptou. Deu o seguinte conselho ao urubuzinho:
– Vamos para a Ilha do Marajó. Lá é mais tranquilo. Não há tanta disputa como aqui no Ver-o-Peso.
O urubuzinho seguiu o mais velho até o Marajó. Mas voltou para o Ver-o-Peso no dia seguinte. Ao ser questionado pelo urubu tiozão, respondeu:
– Gosto mais daqui. É mais divertido aqui nessa mixórdia. Eu gosto de ficar por aqui. No meio do pitiú!

domingo, 9 de dezembro de 2018

sábado, 8 de dezembro de 2018

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A poesia é necessária?



Sou negro
Solano Trindade
                A Dione Silva


Sou Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh’alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gonguês e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malés
ela se destacou

Na minh’alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Troca imperdoável



Pedro Lucas Lindoso


É considerado uma gafe grave trocar o nome das pessoas. O ex-governador e senador por São Paulo, Franco Montoro, era conhecido por trocar o nome das pessoas. Há muitas histórias envolvendo essa espécie de dislogia. No Senado chamava constantemente um funcionário de Piraquê, quando o nome do sujeito era Aimoré.
Já meu pai às vezes trocava o nome dos filhos. Somos sete. Eventualmente me chamava pelo nome de um dos meus irmãos. Mas se corrigia sempre. Perfeitamente perdoável.
Fernando Henrique Cardoso, um dos mais intelectualizados ex-presidentes, confundiu Gustave Flaubert com Honoré de Balzac. Teria creditado o famoso romance “Madame Bovary” a Balzac. Não considero o “flop” de maior gravidade. O mesmo não se pode dizer de Ronald Reagan. Em périplo pela América do Sul trocou o Brasil pela Bolívia. Logo a Bolívia!
Já a presidente Dilma foi bastante infeliz em visita ao Estado de Roraima. Não só trocou Roraima por Rondônia, como chamou os roraimenses de roraimadas. Lamentável. Parece uma sina. Roraima já se chamou Rio Branco. Há um lindo rio com esse nome margeando a cidade de Boa Vista. Mas era muita a confusão com a capital do Acre que é também Rio Branco. Nome dado em homenagem ao Barão que resolveu a questão do Acre junto à Bolívia. Aquela que Reagan confundiu com o Brasil. De Rio Branco o então território se tornou Roraima. Agora confundido com Rondônia.
Não se pode confundir as coisas. Não confunda Barra Funda com barafunda. A primeira é um distrito tradicional da região oeste do município de São Paulo. Já barafunda é mistura desordenada de pessoas ou coisas. Confusão, balbúrdia ou baderna.
Tenho um amigo cujo sobrenome é Malagueta e já foi chamado de pimenta. Mas sempre por brincadeira.
Triste e lamentável foi o acontecido com um conhecido professor da UnB. Não escondia a história de ninguém. Em pleno ato sexual chamou a ex-esposa pelo nome de uma namorada. Já havia sido perdoado por outras escapulidas. Mas essa foi demais. Acabou divorciando-se.
Realmente, de todas as trocas de que falamos essa é uma troca imperdoável.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Manaus, amor e memória CCCXCVII


Rua Barão de São Domingos, no Centro, em 1973.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Fantasy Art - Galeria


Imagen cautiva.
Alex Alemany

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A poesia é necessária?



                                      Carolina Maria de Jesus


Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

No “parpite”



Pedro Lucas Lindoso


Houve uma época em que não havia o IBAMA e desconhecia-se o Direito Ambiental. Vendiam-se tartarugas, papagaios e periquitos livremente no Mercado Adolpho Lisboa, aqui em Manaus, o nosso Mercadão. Tinha até uma ala só para a venda das tartarugas.
Menino de calças curtas, ganhei de presente de aniversário da Darinha um periquito verde, que fora licitamente comprado nos arredores do Mercadão. Daria Nascimento, a nossa querida Darinha, foi lá para nossa casa antes de eu nascer. Era analfabeta funcional, mas seu Português oral era impecável. Flexionava os verbos e usava os pronomes de forma escorreita. Tinha certa autoridade sobre nós, delegada por nossa mãe. Era carinhosa e cuidadosa com minhas irmãs.
Menino curioso, perguntei a ela se aquele periquito verde era macho ou fêmea. Darinha me explicou que ele era muito novinho para saber. Se ficasse com o narizinho de cor azul, seria macho; se ficasse com narinas de cor marrom rosado, seria fêmea.
De fato, depois de algum tempo, o nariz do periquito ficou amarronzado e Darinha veio me dizer que o periquito era na verdade uma periquitinha. Recebeu o nome de Manduquinha.
No sábado seguinte, acompanhei minha mãe em compras no Mercadão. Tinha o objetivo de comprar um companheiro periquito para morar com a Manduquinha, que estava muito solitária.
Para minha surpresa, logo na entrada do mercadão, tinha um caboclo forte, com um enorme cesto de vime, o que chamamos de paneiro, cheio de periquito verde.
E as pessoas pediam ora periquito macho, ora periquita fêmea. E o caboco vendendo na forma dos pedidos.
Menino esperto, verifiquei que os periquitos eram muito novinhos.  Não dava para ver se o narizinho era azul de macho ou marrom róseo de fêmea. Com toda a minha coragem, perguntei do vendedor como ele sabia se os periquitos eram macho ou fêmea.
Na maior cara de pau, o caboclo me responde:
– No “parpite”.
– Então, me vende um periquito macho.
Foi um palpite feliz. “Parpite” certo.  Dei o nome do bichinho de Parpite.



domingo, 25 de novembro de 2018

Manaus, amor e memória CCCXCVI


Prédio do DERAM, na Cachoeirinha.
Hoje, Faculdade de Medicina da UEA.

sábado, 24 de novembro de 2018

Fantasy Art - Galeria


Portrait of an african woman.
Viktoria Lapteva.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Academia Amazonense de Letras lança 4 títulos inéditos


A AAL foi fundada em janeiro de 1918.
Estes lançamentos fazem parte das comemorações pelo centenário.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A poesia é necessária?


Poema obsceno

Ferreira Gullar


Façam a festa
cantem dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira
Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)

Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
– e espreitam.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Fantasy Art - Galeria


Femme Himba-Hass.
Stephanie Ledoux.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Além da ecografia



Pedro Lucas Lindoso


Depois do outubro rosa temos o novembro azul. A campanha é pertinente. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens. Atrás somente do câncer de pele não melanoma. É um câncer da terceira-idade, pois atinge principalmente os maiores de 55 anos. 
Sabe-se que os fatores de risco são principalmente o genético, alimentação errada, álcool em excesso, fumo e obesidade.
A prevenção é aquela que temos que fazer para se ter saúde em geral: não fumar e beber moderadamente; dieta saudável e fazer exercícios físicos com regularidade.
O diagnóstico é feito por exame de sangue, o já conhecido PSA.  Deve ser menor que 2,5 mg/m2. Temos também a ecografia e o temido e constrangedor toque retal. No país da piada pronta, não falta anedota e gozação com relação a este último. Há inclusive piadas de papagaio. Ave símbolo da nossa cultura e de nossa indefectível brasilidade. Eis a última.
Uma garotinha perdeu um valioso anel no quintal da casa. Havia muitas galinhas e possivelmente alguma poderia ter ingerido o anelzinho. Iniciou-se uma ousada caçada ao anel da garotinha com sucessivos toques nas frangas. Uma confusão total no galinheiro.
De repente avistaram o papagaio. O bicho foi logo advertindo o pessoal:
– Comigo só na ecografia!
As empresas submetem os seus empregados a exames periódicos. Mesmo porque o Ministério do Trabalho regulamenta e estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores.
Mas além do periódico devemos fazer um “check-up” anual. O check-up médico corresponde à realização de vários exames clínicos, de imagem e laboratoriais, com o objetivo de avaliar o estado geral de saúde e diagnosticar precocemente alguma doença que ainda não tenha manifestado sintomas.
Assim, o periódico que se faz na empresa não é “check-up’”. Sendo esse último bem mais abrangente. É preciso enfrentar. São necessários os exames de sangue e, claro, fazer o toque retal. Não sejamos como o papagaio. É importante ir além da ecografia!



segunda-feira, 19 de novembro de 2018

IGHA: palestra de Foot Hardman é cancelada





A presidente do IGHA, Professora Dra. Marilene Corrêa, informa o cancelamento, por motivo de força maior, da palestra do professor Foot Hardman, da Unicamp, marcada para a tarde do dia 20 de novembro.   

domingo, 18 de novembro de 2018

Manaus, amor e memória CCCXCV


Esquina da 7 de Setembro com Eduardo Ribeiro, em agosto de 1973.
Acervo Frank Lima.

sábado, 17 de novembro de 2018

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A poesia é necessária?



Mulher proletária
Jorge de Lima


Mulher proletária  única fábrica
que o operário tem, (fábrica de filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar teu proprietário.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

terça-feira, 13 de novembro de 2018

As lágrimas de Matilda



                                                                        Guilherme Carvalho


Passei todo o domingo numa grande ressaca, corpo cansado, sono e uma vontade danada de ficar esparramado no sofá da sala, assistindo aos filmes da Matilda. Não, não era uma ressaca etílica, mas uma tristeza que rondava nossos corações.
Depois de um belo almoço com as mulheres mais lindas da minha vida, tomei um bom banho e fui dormir. Dormi boa parte da tarde. Queria que aquele dia passasse logo, ou o que estava por ser anunciado fosse parte apenas de um grande e duro pesadelo. Diante do conforto dessa possibilidade, joguei-me nos braços de Morfeu e afundei na cama, abraçando um travesseiro, como se quisesse testemunha para aquele momento de fuga.
Ao acordar, todos haviam saído. Dei um jeito na pia que estava repleta de pratos e panelas sujas do almoço. Geralmente faço essa tarefa ouvindo música, mas preferi, naquele momento, o silêncio que era quebrado apenas pelo enxaguar dos talheres, pratos, panelas e copos. Tudo lavado, fui direto para o sofá, onde comecei a assistir a um programa sobre a arte da pintura do artista brasileiro Almeida Junior.
Com a chegada das meninas que trouxeram pães, tive que levantar para passar um belo café. Mesa posta, cheiro de café tomando a casa, voltei para o sofá para chamar Matilda, quando ouvi um fungar permeado com soluços vindo do quarto. Maria já estava com ela, acalmando-a, consolando-a. Eu a tomei nos braços, abracei-a bem forte e disse a ela que esse era o momento para ficarmos bem juntos, unidos e fortes para resistirmos a tudo que possa vir desse ex-capitão do Exército brasileiro que pautou toda sua campanha pela truculência e pelo franco desrespeito aos direitos humanos básicos de uma sociedade que se quer democrática. Lembrei a ela do “Resist!”, proferido por Roger Waters durante suas apresentações aqui no Brasil.
Foram uns dias terríveis esses que antecederam ao pleito. Desrespeito a mulheres, ameaças a índios, negros, nordestinos, gays, divulgações de matérias falsas pelos meios sociais contra seu oponente, violência sendo vista e fomentada nos quatro cantos do Brasil e tudo isso mexeu muito com todos os brasileiros, alcançando até uma adolescente, nossa filha Matilda, um poço de sensibilidade. Esse poço transbordou e percebeu tudo o que a sociedade pode perder – aquela parte mais vulnerável da sociedade, principalmente – com a eleição daquele candidato. Percebi naquele choro um misto de tudo o que ela ouvia em casa sobre liberdade, leveza, alegria, tolerância, arte, Deus, amor com aquilo que se sabia e se sentia que poderá vir a ser a rotina de um povo já amplamente desrespeitado pelo estado brasileiro: mais injustiça e dor com a destruição do estado de bem-estar social.
O Jornal Metrópoles anuncia as precauções que a administração da UnB está tomando para conter um provável ataque à Universidade, prometida por partidários do candidato eleito, quando das comemorações por sua eleição.
Essas lágrimas de Matilda serão semeadas aos ventos que as levarão ao encontro das tantas lágrimas de todos os que defendem um Brasil livre de preconceitos, livre de quaisquer amarras contra quaisquer gritos de injustiça, contra quem quer que seja, onde quer que seja. As lágrimas da Matilda vão para o povo que vive da terra lá no longínquo sertão nordestino; vão para as várias Marielles que são diariamente desrespeitadas e oprimidas; vão para os milhares de trabalhadores que colocam suas vidas em risco, quando tomam um transporte de péssima qualidade para defender um trabalho, muitas das vezes, sem direito algum, pois escravos que são; vão para seu professor de biologia, meu irmão e meu sobrinho, representando a comunidade gay; vão para todos os negros e pardos do Brasil que são maioria nos presídios nacionais; vão para os índios que tiveram sua cultura aviltada, suas terras invadidas por banqueiros e latifundiários, ávidos por lucros cada vez maiores. Enfim, essas lágrimas que brotaram do fundo deste coração adolescente, carregam um desejo visceral por um mundo repleto de sonhos e flores, cachoeiras e praias, aventuras e alegrias, borboletas e arco-íris, animais e crianças, brigadeiros e feijão tropeiro... Nesse mundo sonhado pela Matilda, as crianças brincam mais, os adolescentes aventuram-se muito mais e os adultos tem mais tempo para deleitar-se lendo mais livros, ouvindo mais músicas, abraçando-se mais e ficando mais tempo descalços ao lado dos filhos e amigos para ouvir e contar mais histórias.
O mundo semeado com as lágrimas de Matilda ouvirá mais a dor do outro para, assim, ter mais tempo para estender a mão ao próximo, praticando a solidariedade, a caridade. Neste mundo de Matilda não há espaço para opressores e oprimidos. Há uma brisa soprando no rosto, embaraçando cabelos e um sorriso leve, profundo, vigoroso, celebrando a nova aurora que não tardará a surgir.
 Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível.