Amigos do Fingidor

quarta-feira, 27 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Nem sob tortura



Pedro Lucas Lindoso

Era um sábado propício a ir à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Tia Idalina convalescia de mais uma cirurgia plástica. A quinta ou sexta, talvez. Fui visitá-la. Idalina fazia as unhas e arrumava o cabelo. Duas de suas sobrinhas estavam de visita e aproveitavam para também fazer as unhas. Gentileza de tia Idalina.
– Isso aqui vira um salão aos sábados. Disse ela. Essas meninas queridas vêm sempre me visitar. Nunca fico sozinha.
Tia Idalina é sábia. E magnânima. Também, pudera! Recebe seis contracheques, de fontes diversas. Professora aposentada do estado, Idalina foi ainda bibliotecária de uma autarquia federal.  Seu falecido marido era professor de uma universidade pública e engenheiro de uma estatal. E tem ainda a do Exército. Seu pai era general reformado e serviu na Itália. Cinco fontes generosas e ainda a “merreca do INSS”, a completar os maravilhosos rendimentos mensais de Idalina.
Frequenta todas as reuniões de associações de aposentados e sindicatos de onde é pensionista ou aposentada. Leva sempre uma pastinha com todos os documentos. Vez por outra recebe uma bolada extra. São indenizações trabalhistas. Há sempre parcelas de remuneração pagas a menor, planos econômicos, verbas não pagas corretamente a aposentados.
– Esse pessoal dos sindicatos e seus advogados são geniais, diz ela.
Assim tia Idalina ou faz plástica ou uma grande viagem ao exterior, sempre que ganha uma grana extra da Justiça.
Argumentei que a opção pela plástica era por causa da alta do dólar. Mas ela disse que não e me contou, desolada, porque resolveu fazer a sexta plástica. Estava no carro com Antonieta, sua “best friend”, quando um motorista irritado com o trânsito gritou:
– Suas velhas vadias.
No que ela me confessou:
– Juro que não me ofendi com o palavrão, “vadia”. Mas me chamar de velha?... Um absurdo! 
Concordei com titia. Uma falta de respeito e de educação. Idalina não confessa a sua verdadeira idade. Nem sob tortura.

domingo, 24 de julho de 2016

Manaus, amor e memória CCLXXIV


Pórtico das ruínas do Parque Amazonense, lembrando que, em priscas eras,
ali fora um hipódromo.

(Para o Hiram Lopes, que me lembrou o fato)


sábado, 23 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Portugal para principiantes 9


Construída no século XVIII, a Torre dos Clérigos, com cerca de 75 metros
metros de altura e 240 degraus, é um dos ícones do Porto. 
Depois do fiasco junto à torre de Belém, nem me passou pela cabeça 
a aventura de subi-la.  

Livraria Lello, quer dizer, a fila para comprar ingressos para entrar.
A livraria, outro ícone do Porto, é um monumento como outro qualquer,
só que, infelizmente, muito exíguo, onde turistas mal-educados, 
especialmente chineses convertidos ao capitalismo selvagem, 
tiram selfies como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte. 
Numa palavra: brochante! 

Lateral da Igreja das Carmelitas, na área central do Porto.

Altar da Igreja das Carmelitas.
Provocação que o viajante brasileiro ouve dezenas de vezes:
“Este ouro, vós não ignorais, veio de nossas colônias, especialmente, do vosso país.
Mas é claro que a corrupção atual é incomparavelmente maior que o nosso saque...”

Vista da Cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia, tendo ao fundo, sobre o 
rio Douro, a ponte de D. Luís I, a unir as duas cidades.

Localizado na rua de Santa Catarina, um verdadeiro shopping center, de luxo, a céu aberto, só se 
entra no Majestic Café depois de uma fila de dois a três quartos de hora.
Para tomar um cafezinho?
Se você não se importa de abdicar da aura mítica em torno do tal Café, 
não faltam concorrentes às moscas por perto.

Ainda na Santa Catarina, mas separada da algazarra comercial, a Capela das Almas.

Ruela típica do Porto. Típica ruela de Portugal.

“Nossas roupas comuns dependuradas...” 
Ribeira, a zona boêmia do Porto, e o Muro dos Bacalhoeiros.
(Zona, no sentido de área, por favor.) 

A Ribeira, no centro histórico do Porto, é Patrimônio da Humanidade.

Parte da Ribeira, vista do Douro.

A ponte de D. Luís I, vista do Douro.

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Deusas e deuses curadores no Egito antigo



João Bosco Botelho

É possível que as complexas relações abstratas que envolveram deuses e deusas curadoras nas curas de doenças e infortúnios estivessem presentes antes da linguagem escrita.
Após o sedentarismo, as primeiras linguagens-culturas, como a do Egito antigo, ampliaram essas ideias mantendo vivo ao longo de três mil anos o panteão de deusas e deuses curadores. Os nomes das divindades variaram nos períodos dinásticos, todavia as concepções teóricas da vida e da morte, da saúde e da doença, giravam em torno das teogonias e teofanias, provavelmente, oriundas de ideias e crenças religiosas dos tempos ágrafos.
As máscaras mortuárias, como a de Tutancâmon, de beleza artesanal incomparável, com o objetivo de conservar a fisionomia após a morte, relacionada com a crença no renascimento, reproduziu prática corrente em muitas culturas, em especial, na história do povo egípcio.
Os deuses e deusas eram, essencialmente, curadores e protetores contra o mal. Como intermediários do poder divino, os sacerdotes representavam o panteão e a eles cabia a arte de curar e adivinhar. Por essa razão, eram reverenciados e temidos.
Entre os principais deuses e deusas, destacaram-se:
– Thoth, um dos mais antigos do panteão, curou Horus da picada do escorpião e as feridas causadas pela luta entre Horus e Set;
– Imnhotep, filho de Ptah, representado por incontáveis estatuetas de bronze, achadas nas escavações arqueológicas de vários períodos políticos do Egito antigo;
– Isis, a curadora de Ra, possuía o poder de ressuscitar os mortos;
– Sechmet, a protetora das doenças das mulheres;
– Zoser, rei da terceira dinastia, utilizava nas correspondências a designação Sa ou aquele que cura, e, nas inscrições do templo, o título de médico divino.
Além dos deuses e deusas, os egípcios acreditavam que objetos tornados sagrados, tinham o poder de influenciar a vida e a morte, a doença e a saúde:
– Sol alado: símbolo da cosmogênese, situava-se no umbral dos pórticos dos templos, câmaras e palácios alertando a todos sobre o extraordinário significado da luz solar;
– Kepher ou Akhpner ou escaravelho sagrado: símbolo máximo dos ritos de iniciação, traduzindo a regeneração e paternidade do mundo e dos homens, a renovação da vida e a vida após a morte. Por essas razões, usado como amuletos. Até hoje, em pequenas regiões do sul do Egito e Sudão oriental, o inseto é secado ao sol, triturado, misturado com água e bebido pelas mulheres como tônico infalível para gerar uma grande família;
– Uaret: a serpente naja simbolizando o conhecimento e proteção, adornava o alto da coroa faraônica;
As práticas médicas atadas aos deuses e deusas curadores desfrutavam de lugar especial na sociedade egípcia antiga. Dessa forma, não é possível estabelecer, para todos os períodos, um único entendimento, contudo, a partir das fontes médicas, notadamente, nas da XVIII dinastia, isto é, entre 1.400 e 1.800 anos a. C., dominou a ideia de o homem (ser vivente) ser compreendido dividido em três partes: corpo, espírito (representado na forma de pássaro, associado à possibilidade de se descolar após a morte para visitar a múmia) e Ka (parte imutável, com personalidade própria que reside no homem, presença permanente durante a vida e após a morte).
Assim, sob essa relação, onde a vida e a morte estavam em ordenamento próximo, como etapas sucessivas, a Medicina era entendida como responsável pelos corpos saudáveis, empurrando temporariamente a morte inevitável.



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Fantasy Art - Galeria


Masmorra do Dragão.
Clyde Caldwell.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Chegadas – Welcome to Manaus!


Pedro Lucas Lindoso

As coisas geralmente demoram a chegar a Manaus. As coisas boas e as coisas ruins. Uma carta simples que leva dois dias para chegar, no sudeste, aqui leva cinco. As revistas semanais costumam também demorar. Nos anos sessenta a juventude esperava ansiosamente pela chegada dos discos dos Beatles.
Em fevereiro, pelo carnaval, chega a famosa boneca Kamélia. A chegada da Kamélia é um evento. Lembro-me da chegada da Kamélia no antigo Aeroporto de Ponta Pelada. Aliás, chegadas ao Ponta Pelada eram inesquecíveis. O avião pousava por volta de meio-dia. Quando as portas se abriam, o nosso conhecido mormaço, reforçado por um “bafo” quente de vento, nos dava as boas vindas a nossa querida Manaus.
Como sabemos, só se chega à cidade de avião ou de navio. Exceto quem vem da Venezuela ou Boa Vista. Há muitos anos fizeram uma estrada, com destino a Itacoatiara. Os topógrafos erraram o caminho na mata. A estrada voltou em direção à Manaus. A única cidade do mundo que tinha uma estrada assim: Manaus-Manaus.
Tia Idalina nos conta que quando menina não havia a chegada do Papai Noel. Mas jamais se esqueceu da chegada do elefante. Idalina relata que ninguém jamais havia visto um elefante na cidade. Um circo, vindo de Belém por navio, trazia aquele que seria o primeiro elefante a pisar em nossas plagas. A chegada do bicho foi de “fechar o comércio”. Dizem que o elefante teria recebido a chave da cidade do próprio prefeito. E subiu em cortejo pela Eduardo Ribeiro. Não havia muitos carros, mas os bondes pararam. Uma festa inesquecível.
E agora temos outra chegada importante. A chegada da tocha olímpica. A tocha percorreu Manaus em um percurso de 39 quilômetros. Alterou o trânsito e a circulação do transporte coletivo. Houve restrição de estacionamento de veículos em todas as ruas e avenidas do roteiro. Moradores e condutores estacionaram seus carros em ruas próximas, perpendiculares e paralelas. Assim como a chegada do elefante, a chegada da tocha foi uma festa memorável. Se a tocha causou esse reboliço todo, imagine-se um elefante!
Como Manaus tem um grande porto fluvial e aeroporto internacional estamos sempre à espera de novas chegadas. Todos benvindos: reis, presidentes, turistas, bonecas, elefantes, tochas!
Welcome to Manaus!


domingo, 17 de julho de 2016

sábado, 16 de julho de 2016

Sábato Magaldi (09/05/1927 – 14/07/2016)


Mais de mil e duzentas páginas, justificando o título. 


Magaldi, professor e crítico, no traço de Tema.

Hector Babenco (07/02/1946 – 13/07/2016)


Hector Babenco, cineasta.

Fantasy Art - Galeria


Razorback.
Dorian Cleavenger.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Portugal para principiantes 8


A Sé Catedral da Cidade do Porto, cuja construção original remonta ao século XII.  

O nome original da cidade de arquitetura peculiar era Portus Cale, de onde, reza a lenda, 
surgiu o condado Portocalense e o nome de Portugal. 
Os linguistas explicam o fenômeno. 
Ao fundo, a monumental Torre dos Clérigos.

Separadas pelo rio Douro, a Cidade do Porto une-se a Vila Nova de Gaia pela ponte de D. Luiz I (a sombra à esquerda). 
A simpática Vila é a verdadeira terra do Vinho do Porto, pois é lá que se situam as caves, 
proibidas por lei de se instalarem na cidade do Porto, desde o famigerado Marquês de Pombal, 
que deixou cá na Amazônia sua marca. 
As quintas estendem-se às margens do rio Douro, por centenas de quilômetros.
Enfim, todos trabalham e o Porto leva a fama pelo delicioso (e diferente, por isso, único) vinho. 

Outro aspecto da arquitetura do Porto.

Escultura? Instalação? 
Embelezando uma calçada no centro do Porto.

Mais da arquitetura ímpar do Porto.

Espetacular conjunto de azulejos no átrio da Estação Ferroviária de São Bento. 
No detalhe, cenas da história de Portugal.

Em São Bento, cenas da vida banal.

Ainda em São Bento, representação da religiosidade portuguesa.

Acredite! Um autêntico McDonald's, com tudo o que ele tem de pior, adaptado ao cenário milenar do Porto.

Na Praça da Liberdade, no centro do Porto, D. Pedro IV, I do Brasil, 
trava batalha cotidiana contra os pombos, desde 1886.

Igreja dos Clérigos, construída na primeira metade do século XVIII,
forma com a Torre dos Clérigos (que o fotógrafo escondeu para fazer suspense)
um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Porto.

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Os papiros médicos



João Bosco Botelho

As fontes históricas das práticas médicas no Egito antigo são compostas por documentos de diferentes naturezas, reveladores de como os egípcios, pelos menos os ricos e próximos do poder político, em determinados períodos, se relacionavam com a saúde e a doença, a vida e a morte.
Os papiros contendo registros médicos estão entre os mais importantes:
– Papiro Ebers: o nome corresponde ao primeiro comprador, George Ebers, que o adquiriu, em 1872, de um desconhecido egípcio. Os registros são possivelmente fruto de muitos autores, em torno de 1550 a.C., durante o reinado de Amenophis I. Alguns especialistas acreditam que é a cópia de outro papiro mais antigo, um conjunto de textos contendo 875 receitas, nem sempre inter-relacionados, com 20 metros de cumprimento, em perfeito estado de conservação, que se encontra na universidade de Leipzig, na Alemanha. É de incomensurável valor histórico, por conter importantes diagnósticos e prescrições específicas para as doenças do coração, como o quadro clínico do infarto do miocárdio: “Se examinares um homem que sofre do estômago, que se queixa de dores no braço e no peito, mais precisamente na parte lateral... Diz-se então que se trata da doença wid... Deves dizer: é a morte que se aproxima dele”. As outras receitas orientam sobre função intestinal, digestão, dores reumáticas, paralisia dos membros, estados gripais, doenças pulmonares, olhos, ouvido, estômago e fígado, obstruções intestinais, mordeduras de animais, queimaduras, cuidados com a pele e o cabelo, dentes e a língua.
– Papiro Smith: encontrado numa tumba em Tebes e comprado por Edwin Smith, em 1862, um jovem egiptólogo americano. Apesar de ter sido escrito, em torno de 1540 a 1600 a.C., na XVIII dinastia, do mesmo modo que o anterior parece ser compilação de documentos mais antigos, do Antigo Império. Trata-se de muito bem ordenado conjunto de informações de anatomia e doenças cirúrgicas, dedicada ao diagnóstico, tratamento e prognóstico dos traumatismos, que incluem os traumas faciais, pescoço, clavícula, úmero, esterno, tórax, costelas, ombro, coluna lombar.
Esse papiro contém trinta e cinco tratamentos com incrível atualidade, como o da fratura bilateral da clavícula: “Se você estiver examinando um homem com fratura hsb em ambas as clavículas, encontrando ambas as clavículas, uma mais curta e em posição que difere em relação à segunda, então você tem que dizer: trata-se de uma fratura em ambas as clavículas, uma enfermidade de que eu cuido. Você deve deitá-lo então de costas, dobrando algum objeto para colocá-lo entre suas omoplatas. Depois deverá afastar as omoplatas para que as duas clavículas se estiquem, de modo que aquela fratura hsb retorne ao lugar certo”
– Papiro Berlin: escrito em 1540 a.C., na XVIII dinastia, contém prescrições em forma de encantamentos para proteger as mães e seus filhos;
– Papiro Londres: descreve ritos mágicos para curar as doenças dos olhos e das mulheres;
         – Papiro Kahoun: é o mais antigo dos papiros. Escrito em torno de 2.000 a. C., abrangendo as doenças ginecológicas e obstétricas;
         – Papiro Cheaster Beatty: data da XIX dinastia, em torno de 1.300 a.C., descreve as doenças e os tratamentos das doenças do ânus.
O conjunto dos papiros médicos do Egito antigo demonstra o quanto a medicina estava presente e buscando solução para as doenças mais comuns. Realmente, é impressionante a precisão dos diagnósticos e existência de médicos que construíam saberes também como instrumento do aprendizado.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

E por falar em estrelas...



Pedro Lucas Lindoso

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
(Olavo Bilac)

As redes sociais estão plenas de comentários contra e a favor da nova logomarca do Governo. Não entendo do assunto. Na primeira versão faltavam estrelas representativas de unidades da federação. Espero que não  esqueçam o meu querido Amazonas, minha terra natal, e Brasília, cidade de meus filhos e de tantos amigos queridos.
Tia Idalina, que entre outras atividades, se diz também astróloga, ficou estarrecida com o esforço feito para que o novo governo tomasse posse no dia 12 de maio, na quinta-feira, e não na sexta-feira, 13.
Segundo titia, foi um engano. Idalina afirma que estão todos errados. A Astrologia tem imprecisões desde o seu início.
Idalina é adepta das teorias de um grupo de astrólogos de Minnesota nos Estados Unidos. O tal grupo afirma que por causa da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi empurrado por cerca de um mês. Como consequência disso, a Astrologia está equivocada porque falta um signo. São 13 os signos do zodíaco e não somente os 12 que se propagam.
– Como assim? Pergunto eu a tia Idalina.
Ela me disse que os colegas de Minnesota explicam que na antiga Babilônia apenas 12 das 13 constelações foram observadas e levadas em conta. O signo astrológico é determinado pela posição do sol no dia do fato (nascimento, por exemplo). Para Idalina e a turma de Minnesota, tudo que se sabia sobre horóscopo está errado.
– Então falta mesmo um signo? Qual seria,  pergunto eu. Idalina tem a resposta na ponta da língua:
– Falta o Serpentário, me diz ela. Que tem como símbolo a cobra.
Fiquei estarrecido. Convidei Idalina a voltarmos o assunto para Olavo Bilac. Ele, que nos convida a amar para entender tudo isso: “Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas”.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

sábado, 9 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Portugal para principiantes 7


Faculdade de Letras, na Universidade de Coimbra. 

Prédio da extraordinária Biblioteca Joanina, assim chamada em honra de D. João V, 
que a mandou construir no século XVIII.

Pórtico da Biblioteca Joanina.

Fundada em 1290, por D. Dinis I, a Universidade de Coimbra é a mais antiga de Portugal.

Sala dos Capelos, o local mais nobre da Universidade, onde se realizam as outorgas de títulos.
Foi aqui que vosso presidente Lula da Silva recebeu o título de Doutor Honoris Causa, disse-me o guia.
Não sei porque, senti uma ponta de ironia nas palavras do gajo...

Sala do Exame Privado. Hoje, exposição de retratos de ex-reitores.

Vista do plácido Mondego, a dividir Coimbra em duas.

Curioso local onde os estudantes perpetram seus poeminhas.

Salvo uma ou outra cópia de autor consagrado, poeminhas ruins de dar dó.

Fonte das Lágrimas, o lendário local onde Inês de Castro, a que se tornou rainha depois de morta, foi assassinada.
Esculpida na pedra, uma estrofe d'Os Lusíadas.
As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.

Detalhe da entrada da Fonte das Lágrimas. 

A Fonte das Lágrimas, originada, segundo a lenda, das lágrimas de Inês de Castro, enquanto era esfaqueada por seus algozes. 
O seu sangue tingiu de vermelho as pedras do fundo da Fonte. 

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Higiene e saúde na Índia antiga



        João Bosco Botelho

As normas de higiene pessoal e coletiva, especialmente entre as camadas mais abastadas e próximas do poder político, desempenhavam papel muito importante na construção das cidades da Índia antiga.
Esses cuidados com a higiene estão descritos nas Leis de Manu, entre os séculos 2 a.C. e o 2 d.C., para ordenar a organização geral, sob a forte motivação religiosa e política. Os especialistas entendem essas leias como oriundas de registros anteriores, isto é, podem ser consideradas como uma espécie de compilação das culturas mais antigas. Igualmente importante é assinalar que as leis de Manu, também conhecidas como Código de Manu, devem ter se mostrado tão eficientes que alcançaram a Assíria, Judeia e Grécia. Os registros também apontam para rígida fiscalização à obediência dessas leis impondo severos castigos aos transgressores. Mesmo com forte inserção religiosa, é justo assegurar que essas leis oferecem robusto amparo laico ditado pela administração. Dessa forma, sem dúvida, como outros, daquela época, contribuíram enormemente para impor a obrigação de seguir os regulamentos da higienização dos corpos e dos espaços urbanos.
Entre as recomendações, destacam-se: higiene das mãos e da boca após cada refeição; banhos completos do corpo após contatos com coisas sujas ou pessoas que apresentassem sinais de doença; excrementos e água servida deveriam ser removidos, imediatamente, para fora de casa; maior higiene das mulheres nos períodos menstruais e pós-parto; lavagem dos olhos com água limpa; dieta mais vegetariana; cremação dos mortos; punição severa do alcoolismo.
Como o Código de Hammurabi, escrito 1500 anos antes, as Leis de Manu também ordenaram os procedimentos médicos, punindo a má prática e obrigando o pagamento dos serviços profissionais.
O processo formador do médico consistia, em grande parte, em memorizar e receitar as recomendações prescritas nos textos védicos. Parece lógico pressupor que somente a parcela mais abastada da população, aquela que poderia aprender a ler, estaria apta a receber esse treinamento teórico. Os exercícios práticos consistiam nas visitas aos enfermos, reconhecimento das plantas medicinais, preparo dos medicamentos e a realização das técnicas cirúrgicas em animais mortos, frutas e bolsas de couro. Quando o mestre considerava que o discípulo estava apto, apresentava-o ao governante, para receber a anuência da administração, como requisito indispensável, sem o qual o aprendiz não poderia ser considerado médico.
O compromisso final do estudante junto à administração assemelhava-se muito ao juramento hipocrático grego: “Dedica-te por inteiro a ajudar ao enfermo, mesmo a custo de tua própria vida. Nunca agraves o enfermo, nem sequer com o pensamento. Esforça-te sempre em aperfeiçoar teus conhecimentos. Não trates as mulheres se não em presença de seus maridos. O médico observará todas as normas do bem trajar e da boa conduta... Fora da casa do paciente, não falará do que tenha ocorrido em seu interior. Não deve mencionar ao paciente sua possível morte, em fazendo isto, vai prejudicá-lo ou a qualquer outra pessoa. É desejo dos deuses isso que tu prometes. Caso sigas estas regras, os deuses poderão te ajudar. Caso não o faças, os deuses se voltarão contra ti.” 
Ainda nos dias atuais, o curador shivanista carregando consigo as milenares plantas medicinais e recitando os hinos em louvor a Shiva, continua sendo o mais importante representante dessa milenar prática medica.

quarta-feira, 6 de julho de 2016