Amigos do Fingidor

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domingo, 27 de setembro de 2026

Breve notícia de Destruição

Zemaria Pinto

 

Destruição é um espetáculo de teatro. Bastava essa informação para descrevê-lo de forma positiva. Mas ele, o espetáculo, tem outras camadas: memória de Manaus; valorização da ancestralidade, duas atrizes que se superam; paisagem sonora com personalidade; valoração do espaço cênico. Isso e mais...

Uma viúva, que perdera todos do seu entorno, se vê sozinha, com uma planta. Uma entidade planta. Por fim, ela perde a casa, transformada em estacionamento. Nada mais cruel. As duas personagens se fundem numa só e o estacionamento-espaço cênico é tomado pelo povo-plateia. 

Francisco Rider, diretor e dramaturgo, não se escondeu nas coxias, olhando nos olhos do público.



Vivian di Oliveira, na paisagem sonora, entrega potência com elegância.

O trabalho de corpo, criado por Rider e Bruna, torna a dramaturgia em balé, pois é assim que Koia Refkalefsky, 78 anos, e Bruna Pollari, 24 anos, sustentam o espetáculo pela maior parte do tempo: um balé de corpos onde as duas atrizes vivem suas sofridas personagens com incontida alegria.





Espetáculo independente, Destruição merece uma temporada mais longa. De qualquer forma, nos dias 03 e 10 de outubro, a trupe estará a postos para novos fins de tarde de beleza.    

  

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

I Mostra de Poesia - da Praça para a Academia (fotos)


A Academia Amazonense de Letras regozija-se em apresentar esta I Mostra de Poesia – da Praça para a Academia, trazendo para a Casa de Adriano Jorge os novos talentos da poesia amazonense. É “mostra” porque não se trata de competição; e “primeira” porque pretendemos que haja muitas outras. A praça é um lugar onde as pessoas se encontram, mas é também um lugar de passagem. E foi numa praça que, em 1954, o Clube da Madrugada – marcante movimento cultural liderado por jovens intelectuais do Amazonas – foi fundado. Mais de 60 anos passados, a Academia abre suas portas para receber os jovens de todas as praças.

Rosa Mendonça de Brito
Presidente da AAL


Presidente Rosa Brito abre os trabalhos.
Ovacionado pelo público, o decano da Academia, poeta Thiago de Mello.
A atriz Koia Refkalefsky, em participação especial, leu poemas de Anne Lucy e de Sálvia Haddad.
Everaldo Nascimento.
Grace Cordeiro.
Gracinete Felinto.
Inácio Oliveira.
José t. Gonzaga.
Miguel de Souza.
Pollyanna Furtado.
Rojefferson Moraes.
João Feijão (Vibe Positiva).
Anne Jezini.
Fotos: Anny Lucy.

Participaram ainda: Anne Lucy, Sálvia Haddad, Saturnino Valladares e Celestino Neto.

Curadoria/Organização: Zemaria Pinto

domingo, 22 de novembro de 2015

Manaus, amor e memória CCXXXIX


Em segundo plano: Tenório Cavalcante, Andrea e Jorge Bandeira.
Em primeiro plano: Rebelo Jr, Koia Refkalefsky e Théo Correa.
O teatro amazonense em movimento: equipe da peça Essa tal de natureza, de Leyla Leong.
Jornal A Crítica. Caderno Criação. 02.03.1993.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Os 64 anos de Marcos Frederico Krüger

O restaurante Zagaia teve, no último sábado, uma tarde de El Perikiton, com uma edição especial da Panelinha.
Escritores e artistas se reuniram em torno do mestre Marcos Frederico Krüger, para comemorar seus 64 anos.
Da esquerda para a direita: Koia Refkalefsky, Marcos Frederico, Zemaria Pinto, Allison Leão, Nicia Zucolo, Juciane Cavalheiro, a pequena Luiza, Mauricio Matos, José Max (tentando se esconder do flash), Tenório Telles e Mauri Marques.
Cliq por conta da casa. 

domingo, 26 de dezembro de 2010

O rei não está nu, está de fralda! Valei-me Qorpo Santo!

Jorge Bandeira


O Rei geriátrico é posto em cena na peça Hoje sou um: e amanhã outro, pela Cia Vitória Régia, regida por Nonato Tavares, na sequência de uma trilogia programada para este singular e inclassificável autor do teatro brasileiro: Qorpo Santo. O ciclo fecha-se, segundo nos indicam, com As Relações Naturais. Vamos à peça: O regime político aos frangalhos, um reinado louco que está perdido nas próprias burocracias que engendrou, mas trata-se de uma farsa barroca, onde o encenador prioriza o que de melhor encontra-se em Qorpo Santo, o brincar na cena, a liberdade sem limites no criar as mais prosaícas circunstâncias que fazem da trama uma delícia de se acompanhar, feito súditos da insanidade. E a brincadeira não nos deixou nestes 40 minutos em que pontificou este rei, da mesma linhagem que fez surgir, tempos depois, obviamente por pura coincidência, o Ubu Rei de um certo Alfred Jarry.

A inserção dos elementos “regionais”: o boi, a toada, os políticos locais, nada escapou dos éditos e decretos lunáticos do barroco rei, que ostenta como forma ultrapassada, a linguagem quinhentista. Isso nos meados do século XIX,, quando o romantismo que envolvia a realeza no Brasil já estava sucumbindo às trapaças republicanas, ou seja, o Rei já está velho, caduco e as fraldas devem ser colocadas nele para que a merda real não escorra pelo palácio, para que o poder republicano não entre com sua higienização e peça a cabeça do Rei, como aconteceu na Revolução Francesa. Coisas do poder, uns estão equilibrados nele, enquanto outros tentam entrar e se locupletar dele, de qualquer forma ou meio. Maquiavélico rei, mas que trama apenas em sua incapacidade de ser são, lúcido.

A montagem de Nonato Tavares é de uma elegância em detalhes, como é de praxe em suas obras. A roupa como estética do barroco acompanha o zeloso trabalho de Koia Refkalefsky (que também é a Rainha), sendo importante destacar que esse barroco funciona com poucas variações cromáticas, onde o vermelho e o negro são as mais evidentes no palco, o que facilita a iluminação, com precisas alternâncias de focos e de refletores e suas tonalidades.

O quinhentismo linguístico foi uma opção de garantir o registro da época de Qorpo Santo, e a cavalaria galopa de forma absurda, e lembra os cavaleiros medievais do Monty Python no “em busca do cálice sagrado”. As referências a Alfred Jarry e ao clássico personagem do Ubu Rei são notórias, e que coroa de Rei é aquela, de efeito cênico deslumbrante, não dá para imaginar mais aquele Rei sem a sua estonteante coroa. A pomposidade do figurino, a maquiagem, tudo foi calculado com zelo máximo pela produção e pelo encenador.

A loucura pelo poder atravessa etapas históricas e prossegue por toda civilização, antiga e futura, e entre a tênue linha entre sanidade e loucura, encontra-se o poder, os mandatários, semiloucos num mundo que teima a se tornar curado, uma tarefa vã, de terrível constatação. Qorpo Santo já alertava em seus textos sobre essas questões paradoxais, existenciais e políticas. Vivemos a insanidade de nossos refluxos de lucidez. A música na medida certa, sem arroubos desnecessários, faz da sonoplastia ao vivo desta obra de 40 minutos um espetáculo meticuloso, não barulhento, que chega aos ouvidos de forma suave, mas contundente.

As damas que acompanham a Rainha são invólucros de uma desfaçatez, dançarinas provocantes de um boi-bumbá de “Paristins”, por isso que o Rei passeia em seu boulevard de Versailles. Para relaxar, para se esquecer... Os Soldados, com seus figurinos à sadomasoquismo, lembram os centuriões na versão moderna das dominatrix. Os decretos absurdos pululam de um palácio feito colônia de loucos, onde o ministro tenta, em vão, subverter uma ordem; claro que não consegue, pois o caos domina sempre o ambiente, mesmo nos momentos de aparente controle físico e emocional do Rei, mesmo nos seus destemperos de personalidade e na sua senilidade.

Um dado curioso e que remete aos aparatos da nobreza no Brasil: nos tempos do império realmente havia uma equipe que tratava da higiene do Rei, e alguns tronos tinham um fundo falso, espécie de vaso sanitário, para quando o Rei participasse de uma longa reunião não precisasse interrompê-la, evacuando ali mesmo no “trono-vaso”. Um escravo, então, recolhia a merda real e a levava no penico real para a rua real. Era dessa forma mesmo. A Atualidade em Qorpo Santo é incontestável, e por mais que seja uma precipitação e até mesmo preciosismo patriótico vinculá-lo às vanguardas teatrais que o sucederam, é notória sua capacidade de inovar nas letras e na dramaturgia feitas naquele momento histórico, nos meados do século XIX.

Um teatro límpido e objetivo, de uma trupe que funciona perfeitamente bem no que se propõe a colocar em cena, e mesmo que algumas falas tenham se “atropelado” ou que engasgaram na voz da Rainha, tudo isso é irrelevante, pois a perda de voz da Rainha também representa, no meu ensejo de observador não implacável, a própria fraqueza do poder real. A cenografia econômica de Nonato Tavares, um bobo musical e um trovador que são este duo da sala real, tudo se encaixa na proposta de cena. Uma cena, aliás, que de tão simples levou o público a aplaudir o “voo da cavalaria”, num movimento tão simples, mas que transmitia uma maneira de brincar e de sonhar, tal qual uma Cavalgada das Valquírias num palco onde esse mesmo público fez esforços pendulares com a cabeça e pescoço, este, o único problema a ser resolvido, evitar este incômodo ao espectador, pois o mesmo plano de cadeira no palco do Teatro Amazonas impossibilita visão total das cenas. Mas isso não chega nem a coçar, pois o riso aparece e depois a gente trata do torcicolo. E viva o Rei!

Manaus, 10 de outubro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Os 82 anos de Luiz Bacellar e a juventude de Koya Refkalefsky

Fazendo cara de assustados, os aniversariantes Koya (02/09) e Bacellar (04/09). Na sequência, no sentido horário, Mauri Marques, Zemaria Pinto e Roberto Mendonça. Aconteceu na última sexta, 03 de setembro, no Pina, em torno a uma dieta rigorosa de bacalhau, vinhos e muito azeite. 


Os aniversariantes ladeando Paloma Figueiredo, que também estava em festa: formara-se em Direito, pela UEA, na noite anterior, 02/09.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

El Perikiton cerra las puertas

Depois de mais de 20 anos de atividade, o restaurante El Perikiton encerrou suas atividades no último sábado, 14 de agosto. Dona Dulce e Seu Pedro resolveram se aposentar. Ponto de encontro de artistas e intelectuais, o El Perikiton vai deixar um vazio na vida boêmia da cidade.
Abaixo, alguns flagrantes da festa que deixou um travo amargo em cada um. 

D. Dulce com a mascote do El Perikiton.

A atriz Koya Refkalefski e a quase-advogada Paloma Figueiredo.

Professores Doutores Allison Leão e Marcos Frederico Krüger.


(Foto censurada.)


Célio Cruz, cantor e compositor, e Edunira Assef, arquiteta.

Escritores Zemaria Pinto e Luiz Bacellar.

O ator Nonato Tavares e a mascote.


Lydia Lucia, produtora de TV.

Fotos e vídeo: Lydia Lucia.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A Panelinha reunida
A Panelinha é uma sociedade lítero-gastronômica que se reúne ordianariamente aos sábados, no restaurante El Perikiton, e extraordinariamente sempre que um fato relevante (aniversário de um dos membros, por exemplo) justififique. A foto acima, tirada dia 20/12 pelo misto de garçom e matemático Juliano, mostra, no sentido horário, alguns dos membros do grupo: Cláudio Fonseca, Zemaria Pinto, Luiz Bacellar, Raquel Brasil, Koia Refkalefsky, Allison Leão e Marcos Frederico.