Amigos do Fingidor

Mostrando postagens com marcador Francisco Vasconcelos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Francisco Vasconcelos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de maio de 2021

Cheia – ensinem os regimes

Pedro Lucas Lindoso

 

Quando menino fiz o Curso Primário no Grupo Escolar Saldanha Marinho. Lá me foi ensinado que o ano tinha quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. A primavera é a estação das flores, o verão do calor, no outono as folhas caem e no inverno faz frio e neva.

Isso tudo parecia muito abstrato e estranho. Não só para mim, mas penso que para toda a curuminzada. A verdade é que, na nossa região, na primeira metade do ano chove mais. É menos quente. E no segundo semestre chove um pouco menos. Faz mais calor.

Os livros das escolas dos anos sessenta eram escolhidos pelos professores do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Compulsoriamente, adotados para todos os alunos Brasil afora.

     Os tempos mudaram e hoje existe a tal BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Fui pesquisar e descobri que as estações do ano devem ser ensinadas no primeiro ano do Fundamental. Segundo a BNCC o objetivo da aprendizagem é identificar o ritmo natural das estações. Os alunos devem desenvolver habilidades de comparar sua realidade com outras.

Isso é muito bom. Os professores devem ensinar aos alunos que de dezembro a junho os rios ficam cheios. E de julho até o final do ano é a vazante. O ensino das estações do ano está vinculado à influência do hemisfério norte em nossa cultura. Lá tem neve no inverno. E no Brasil? As quatro estações do ano são bem definidas somente na região sul. É importante que as crianças sejam ensinadas na sua realidade.

Por aqui não temos estações do ano visíveis como na Europa, nos Estados Unidos e no sul do Brasil. Temos o regime das águas. Francisco Vasconcelos, saudoso membro do clube da Madrugada, em seu clássico romance descreve esse regime com maestria. Aborda a nossa condição humana e como nossos caboclos são obedientes às ordens da natureza. Os rios enchem e depois há a vazante. Como é esplêndida a nossa capacidade de adaptação e de escolhas.

O regime das águas está vinculado ao regime das chuvas. Neste ano o regime das chuvas está sob o efeito do fenômeno La Niña. Tem chovido muito e os rios estão excepcionalmente cheios. Uma cheia já considerada histórica.

Ao falar sobre estações do ano, os professores de Geografia do Fundamental não podem esquecer de ensinar a seus alunos os regimes. É importante saber que aqui há o regime das águas dos rios. E o regime das chuvas. Não esqueçam de falar da cheia e desses regimes.


Cena típica, na Amazônia, nesta época do ano.

 

domingo, 30 de julho de 2017

Manaus, amor e memória CCCXXVII


Lançamento de livro de Elson Farias (foto 2/2), anos 1960.
Da esquerda para a direita: Luiz Maximino (de paletó), Luiz Ruas (de óculos escuros), Francisco Vasconcelos (de paletó claro), Alencar e Silva (de óculos, paletó escuro), Marcos Frederico Krüger (ao fundo, de camisa clara), Aurélio Michiles (o penúltimo, de cabelo na testa) e Elson Farias (em primeiro plano, discursando).

terça-feira, 27 de junho de 2017

A rampa do planalto


Pedro Lucas Lindoso


Ao assumir a Presidência da República, Fernando Collor nomeou o senador Bernardo Cabral para o Ministério da Justiça. Meu grande amigo de Brasília Flavio Bittencourt, filho de Ulisses Bittencourt e primo de Araújo Lima, que fora nomeado chefe da Secretaria Nacional de Justiça, nos levou para compor a equipe do Dr. Bernardo. Foi convidado também o Francisco Vasconcelos, membro da Academia Amazonense de Letras e recentemente falecido.
Vasconcelos era um oásis de sabedoria e moderação em meio a um pessoal cheio de muita bazófia e desmesurado entusiasmo. Eram todos muito sanguíneos e enfrentando responsabilidades nunca antes experimentadas. Inclusive eu, nomeado ao importante cargo de Diretor de Assuntos da Cidadania do Ministério da Justiça.
O Governo Collor tinha um avançado programa de marketing político, responsável por eleger o primeiro presidente eleito pelo povo depois da redemocratização.
Em frente ao Palácio do Planalto em Brasília há uma majestosa rampa branca que dá acesso à entrada principal. Nas segundas feiras o presidente subia a rampa. Às sextas eram dias de descida da rampa.
No anexo do Palácio, mais acima, onde funciona o Ministério da Justiça, acompanhávamos semanalmente o movimento das subidas e descidas da rampa. Vasconcelos e eu tínhamos um medo e um segredo compartilhado que envolvia a tal cerimônia, que revelarei a seguir.
As descidas e subidas de rampa eram um evento semanal de marketing e envolvia sempre algum segmento do governo. No Dia do Índio eram convidados nossos irmãos indígenas e o pessoal da FUNAI. No dia das Mulheres, o Conselho da Mulher e representantes das feministas. Efemérides relacionadas à Educação, Saúde, Meio Ambiente ou Infraestrutura eram convocados os dirigentes e comissionados dos respectivos órgãos. Todos chamados a subir, ou descer a rampa com o presidente. Aquilo era televisionado. O que diriam meus amigos da UnB ao me verem descendo a rampa, pensava eu. O que diria o pessoal do Banco do Brasil, pensava o Vasconcelos. Esse era o nosso segredo. Pavor em ser convocado para descer ou subir a rampa.
Na linguagem jocosa dos brasilienses da época havia os rampistas, os rampeiros e os rampadores. Os primeiros eram os que faziam lobby para ser convidados a subir a rampa com o Collor. Os rampeiros eram os comissionados que, convidados compulsoriamente e para não colocarem seus cargos em risco, compareciam à cerimônia. E os rampadores. Esses eram convidados e iam com alegria e júbilo descer a rampa com o presidente. O rampador-mor era o senhor Paulo Otávio, político e empresário brasiliense. Dileto amigo de Fernando Collor desde os tempos de juventude. Podia ser dia dos índios ou da mulher. O Paulo Otavio estava lá, pronto para descer ou subir a rampa.
Graças a Deus, Vasconcelos e eu escapamos de nosso dia de rampeiro. Qual efeméride celebra a cega deusa da Justiça nesse nosso país de tanta injustiça?!
Finalmente, Collor desceu a rampa definitivamente sob um processo de impeachment. Não estávamos mais lá. O mesmo aconteceu com a presidente Dilma recentemente. Esperamos que o próximo eleito pelo povo a subir a rampa o faça com dignidade. E ao afinal do mandato possa descer aplaudido, sem acusações de corrupção e malfeitos. O Brasil merece.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sérgio Cardoso é eleito para Academia Amazonense de Letras



O dramaturgo, pintor e cineasta Sérgio Cardoso foi eleito, no último sábado, para a cadeira n° 2, de Euclides da Cunha, anteriormente ocupada pelo pintor, poeta e folclorista Moacir Andrade.


A AAL ainda tem uma cadeira vaga, a de n° 40, de Paulino de Brito, ocupada até recentemente pelo contista e cronista Francisco Vasconcelos. O edital de inscrição para essa vaga ainda não foi lançado.  


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Editora Valer terá programação especial na Feira do Livro de Manaus


(Divulgação)


A Editora Valer preparou uma programação especial para a segunda edição da Feira do Livro de Manaus. Durante o evento, que acontecerá de 8 a 12 de outubro no Studio 5, a editora realizará vários lançamentos. 


Para começar, no dia 8, às 18h, tem a apresentação do livro Regime das Águas, de Francisco Vasconcelos, que chega à quarta edição. A obra dá expressão ao pensamento caboclo.  O autor faz um registro do homem amazônico e de sua vida, do seu dia a dia cheio de esperanças e de desenganos; mas as inquietudes, preocupações e condicionamentos do caboclo são próprios de qualquer homem, de qualquer lugar. 

No dia 9, quinta-feira, às 18h, Zemaria Pinto lançará o infantojuvenil Viagens na casa do meu avô. Na obra, o autor conta as aventuras de Luna pelos cômodos da casa do avô: a gaveta embutida que se transforma num barquinho, o sofá que vira escorregador e a escalada a montanha de livros que existe na biblioteca. De acordo com o escritor Tenório Telles, a obra é “uma história sobre o processo de compreensão do mundo”.  

Soldados da borracha – Das vivências do passado às lutas contemporâneas, de Frederico Alexandre de Oliveira Lima, é o lançamento do dia 10, também às 18h. O livro recusa os marcos tradicionais que insistiram em ver a saga dos soldados da borracha encerrada no passado. O autor reivindica a atenção dos poderes públicos e o direito de reinserção na história.   


No sábado, dia 11, acontecerão dois lançamentos. Às 16h30, Wilson Nogueira apresentará Boi-Bumbá – Imaginário e espetáculo na Amazônia.  O livro nos ajuda a entender melhor o caldeirão cultural que é o Festival de Parintins. O autor mostra os vários aspectos do evento e situa o Boi-bumbá como manifestação cultural da Amazônia que é o desaguadouro do imaginário amazônico para o espetáculo midiático.  

Às 17h30, Cleber Sanches lançará Amazônia Mitos e Lendas – Seres encantados da floresta. A obra mostra como os seres mitológicos que habitam a selva amazônica defendem seu bem mais precioso, a vida selvagem. É uma bandeira de preservação da natureza, denotando a luta pelo equilíbrio natural do meio ambiente, contida no imaginário popular. Após os autógrafos, o autor participará de um bate-papo com o público.


Para finalizar, no domingo (12), Dia das Crianças, às 16h, Ana Celia Ossame lançará O planeta azul. A obra é uma narrativa sensível e humana em que as personagens Lelê e Carol se divertem com suas descobertas sobre a vida e o planeta em que vivemos.


domingo, 20 de outubro de 2013

Manaus, amor e memória CXXX



O poeta Jorge Tufic, entrevistado pelos então candidatos a escritores Francisco Vasconcelos, João Bosco Araújo e Antônio Cruz Neto, em 1956.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lembrando Luiz Bacellar


                                                        Francisco Vasconcelos

 

A heráldica lembrança do Poeta
se  eterniza nos poemas que deixou.

Nos poemas
e na sempre presença de seus gestos,

de seu  estranho jeito de ser,
exigente na  postura

e no inimitável modo de olhar e sentir o mundo.
Quão diferente foi ele na ortodoxia de seus quereres,

na curiosa excentricidade de seus costumes
e, sobretudo, na indiscutível perfeição de seu fazer poético.

Cauteloso artesão das letras,
os versos que prodigamente nos deixou

têm sabor de luas dadivosas,
dessas que nos inundam a alma

de uma inarredável vontade de querer mais e mais.


Exímio alquimista do belo,

era do mais íntimo  de seu sensível ser
que lograva  transformar em poesia,

até mesmo o insólito e desprezível,
como fez ao lamentar a sorte dos indesejáveis moradores

dos esconderijos feitos ao pé das velhas e românticas mangueiras
da Rua da Conceição.

(onde irão morar os ratos, de ventre gordo e pelado?)
De tais mangueiras,

chegou, até mesmo a ouvir a saudosa conversa,
nos seus lamentos e nas ternas reminiscências casimirianas .

(Oh que saudades que tenho...)
E era tal a lembrança que tinha da Rua da Conceição,

que fico a imaginar ter sido  também ali por perto que,

cauteloso e cismarento,
escondia seus ardentes desejos do solitário

e consciente eremita que fora a vida inteira.

 
Na abrangente alquimia de seus versos,

com um simples giro do polegar nas pedras de seu isqueiro
despertava miríades de estrelas,

logo surgindo (só para vê-las) a bailarina chama
na qual, compulsiva e inevitavelmente

se comprazia em atender aos nicóticos caprichos 
do seu mais frequente e traiçoeiro amigo,

precursor da agonia.

 

E as recordações que tinha ele das treze casas da rua,
numa das quais morou por muito tempo!

Como esquecer a terna e doce balada que dedicou
à Senhora Dona Donana, ex-dona do quarteirão?

 

Ah, Poeta, quanta saudade plantaste com teus versos.
Agora, velho amigo,

livre das amarras que te continham,
é com a certeza do eterno que segues o teu caminhar.

E vais vestido exatamente como gostarias de ir:
paletó feito de brumas,

camisa de neblina,
cachecol à moda russa

e,  na lapela,

um breve floco de nuvens.

Vai, poeta!
Os que ficamos,

por muito tempo

ouviremos  embevecidos

os maviosos sons de tua frauta de barro...

Brasília/outubro/2012


Tarde de sábado, julho, 2006, no El Perikiton.
Da esquerda para a direita: Zemaria Pinto, Luiz Bacellar, Tenório Telles e Mauri Marques.

domingo, 18 de março de 2012

Manaus, amor e memória L

Manhã de sol tropical, possível reunião do Clube da Madrugada.
Da esquerda para a direita: o compositor Arnaldo Rebelo, os escritores Jorge Tufic, Thiago de Mello, Francisco Vasconcelos e Elson Farias, e o artista plástico Moacir Andrade.

domingo, 24 de julho de 2011

Marilene Corrêa e Francisco Vasconcelos são eleitos para a AAL

.

Com a expressiva participação de 32 acadêmicos – apenas 3 ausências –, foram eleitos, na manhã de ontem, para as cadeiras 24 e 40 da Academia Amazonense de Letras, os escritores Marilene Corrêa e Francisco Vasconcelos.



A socióloga Marilene Corrêa, ex-reitora da UEA, nascida em Carauari-AM, é autora de O Paiz do Amazonas (1996) e Metamorfoses da Amazônia (2001), entre outros títulos.

Francisco Vasconcelos, nascido em Coari-AM, militou no Clube da Madrugada, tendo sido seu presidente no biênio 1964-65. Atualmente, reside em Brasília. Vasconcelos publicou, entre outros: O palhaço e a rosa (1963), Regime das águas (1985) e O menino e o velho (2008).



O presidente da entidade, desembargador José Braga, anunciou que até o final deste mês de julho serão abertas as inscrições para as últimas três cadeiras, vagas com o falecimento dos acadêmicos Demóstenes Carminé, Anisio Mello e Ruy Lins.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Academia Amazonense de Letras tem duas cadeiras em disputa

.


Encerraram-se na semana passada as inscrições para as cadeiras 24 e 40 da Academia Amazonense de Letras, dos patronos Joaquim Nabuco e Paulino de Brito.

Pela cadeira 24, que foi ocupada pelo jurista e ex-reitor da UFAM Áderson Dutra, concorrem:

– Marilene Correa: ex-reitora da UEA, socióloga e ensaísta, autora de O Paiz do Amazonas;

– Rogel Samuel: professor aposentado da UFRJ, poeta, romancista e ensaísta, autor do Novo Manual de Teoria Literária.

Pela cadeira 40, que foi ocupada pelo cronista e agrônomo Waldemar Baptista de Salles, concorrem:

– Francisco Vasconcelos: contista e cronista, ex-presidente do Clube da Madrugada e um de seus membros mais eminentes, autor de O palhaço e a rosa;

– Isaac Sabbá Guimarães: promotor de justiça em Santa Catarina, com vasta obra de cunho jurídico, é também tradutor; é autor do livro de viagem Pelos caminhos de Israel;

– João da Silva: padre, autor de Cadernos Salesianos.

Curiosidade: todos os candidatos são amazonenses. Citei apenas um livro de cada, mas todos têm obra volumosa.

domingo, 7 de junho de 2009

Francisco Vasconcelos lança novo livro

Em noite de autógrafos muito concorrida, Francisco Vasconcelos, autor do já clássico O Palhaço e a Rosa, lançou na última sexta-feira O Menino e o Velho. Adrino Aragão, na orelha do livro, diz que “Francisco Vasconcelos tece, com as mãos hábeis e o sentimento da paixão de autêntico artesão da palavra, as crônicas do livro. Ora é o confronto e a perplexidade do menino com a áspera realidade (...) ora são as relembranças do velho trançador de paneiros e peneiras, também contador de histórias, sempre com os pés descalços, gastos pelos passos diários de tantos anos.”