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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Pais que amam

 Pedro Lucas Lindoso

 

Cucurella, lateral da campeã Espanha, usa o cabelo grande para que o filho autista o reconheça em campo. Nagatomo, ex-jogador da seleção do Japão, faz algo parecido. Coloca faixa branca na testa para que seus filhos o encontrem no gramado.

Há homens que exercem a paternidade de maneira eficaz, com pequenos gestos. Há um tipo de carinho que não aparece nos placares. Ele mora nos detalhes. Gestos pequenos, quase invisíveis, que viram ponte entre pais e filhos. E quando a bola começa a rolar no campo, há jogadores que são papais excepcionais. Eles transformam o jogo em reconhecimento, segurança e presença.

Cucurella entende que, para o seu filho autista, nem sempre o mundo chega do mesmo jeito. Então ele faz do próprio visual um recado. “Sou eu”. Usa o cabelo grande e desgrenhado. Um jeito que se torna assinatura no meio da multidão. Não é personagem de comercial, nem vaidade. É cuidado. É paciência. É a escolha de facilitar a vida de quem ama. Mesmo quando o céu está cheio de holofotes, as arquibancadas vibrando e o gramado parece desafiar os jogadores.

Nagatomo, do Japão, que já esteve em outras copas, mas ainda joga bola, também carrega a paternidade com atitudes simples, porém profundas. Ele coloca uma faixa branca na testa, como quem deixa um farol aceso. Nos jogos em dias intensos, a faixa vira encontro: “procure por aqui”. Para seus filhos, não é apenas um símbolo: é uma maneira de reconhecimento. É um pai traduzindo amor em forma, cor e firmeza.

Entre Cucurella e Nagatomo existe algo que não precisa de explicação. É a paternidade que é feita de presença constante. Às vezes, ela não vem com grandes discursos. Vem em improvisos com sentido, em adaptações com ternura, em coragem silenciosa para tornar o cotidiano mais possível.

E assim, neste Dia dos Pais, a gente celebra os que olham para o mundo e perguntam como podem ajudar. Celebra os que escolhem pequenos gestos para dizer, todos os dias: “Estou aqui”.

Celebra os que fazem dos campos de futebol, das fábricas, escritórios, escolas e fazendas, hospitais e tribunais, e da vida, um lugar onde o amor seja fácil de encontrar. Porque há homens que exercem a paternidade com eficiência.  Não pela força, mas pela delicadeza.

Neste dia dos pais nossas homenagens aos jogadores Cucurella e Nagatomo. E, claro, a todos os papais do mundo, inclusive o cronista, que é pai e avô.  Todos com uma certeza: Pai, quando ama, deixa marcas que não somem. Feliz dia dos pais.