Pedro Lucas Lindoso
Cucurella,
lateral da campeã Espanha, usa o cabelo grande para que o filho autista o
reconheça em campo. Nagatomo, ex-jogador da seleção do Japão, faz algo
parecido. Coloca faixa branca na testa para que seus filhos o encontrem no
gramado.
Há
homens que exercem a paternidade de maneira eficaz, com pequenos gestos. Há um
tipo de carinho que não aparece nos placares. Ele mora nos detalhes. Gestos
pequenos, quase invisíveis, que viram ponte entre pais e filhos. E quando a
bola começa a rolar no campo, há jogadores que são papais excepcionais. Eles
transformam o jogo em reconhecimento, segurança e presença.
Cucurella
entende que, para o seu filho autista, nem sempre o mundo chega do mesmo jeito.
Então ele faz do próprio visual um recado. “Sou eu”. Usa o cabelo grande e
desgrenhado. Um jeito que se torna assinatura no meio da multidão. Não é
personagem de comercial, nem vaidade. É cuidado. É paciência. É a escolha de
facilitar a vida de quem ama. Mesmo quando o céu está cheio de holofotes, as
arquibancadas vibrando e o gramado parece desafiar os jogadores.
Nagatomo,
do Japão, que já esteve em outras copas, mas ainda joga bola, também carrega a
paternidade com atitudes simples, porém profundas. Ele coloca uma faixa branca
na testa, como quem deixa um farol aceso. Nos jogos em dias intensos, a faixa
vira encontro: “procure por aqui”. Para seus filhos, não é apenas um símbolo: é
uma maneira de reconhecimento. É um pai traduzindo amor em forma, cor e
firmeza.
Entre
Cucurella e Nagatomo existe algo que não precisa de explicação. É a paternidade
que é feita de presença constante. Às vezes, ela não vem com grandes discursos.
Vem em improvisos com sentido, em adaptações com ternura, em coragem silenciosa
para tornar o cotidiano mais possível.
E
assim, neste Dia dos Pais, a gente celebra os que olham para o mundo e
perguntam como podem ajudar. Celebra os que escolhem pequenos gestos para dizer,
todos os dias: “Estou aqui”.
Celebra
os que fazem dos campos de futebol, das fábricas, escritórios, escolas e
fazendas, hospitais e tribunais, e da vida, um lugar onde o amor seja fácil de
encontrar. Porque há homens que exercem a paternidade com eficiência. Não pela força, mas pela delicadeza.
Neste
dia dos pais nossas homenagens aos jogadores Cucurella e Nagatomo. E, claro, a
todos os papais do mundo, inclusive o cronista, que é pai e avô. Todos com uma certeza: Pai, quando ama, deixa
marcas que não somem. Feliz dia dos pais.