Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 8 de maio de 2025

A poesia é necessária?

 

Emissário do ridículo

Diego Mendes Sousa

 

Todas as cartas de amor são ridículas.

Fernando Pessoa

 

A poesia é a máxima expressão do ridículo

e o poeta é um ser

excêntrico e risível.

 

O ridículo torna-se íntimo das palavras

e o poema

é a peça orgânica

que viabiliza

o estranhamento da linguagem.

 

É no poema que o poeta expõe

as suas dores

e as suas mazelas,

a operar a desprezível história pessoal,

a revelar

a sua exótica humanidade.

 

A poesia é assim,

a insanidade a rir de si mesma.

 

Prefiro ser ridículo

a ter que perder as paredes testemunhais

dos meus sentimentos

e sofrimentos.

 

Reencontro a minha infância,

porque é na inocência

(ou ainda no amor ausente ou na urgência da paixão)

que reside toda alma

devota ao ridículo.

 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

quinta-feira, 28 de abril de 2022

A poesia é necessária?


Cinza

Diego Mendes Sousa

Para Jorge Tufic (1930-2018)

 

Terminei esta manhã

de quarta-feira de cinzas

como a natureza do tempo

apresenta-se agora.

 

O vento espalha-se frio

é chuva que vem

dizer

que a saudade é

um murmurar melancólico.

 

Deus começa a chorar, Tufic!

 

Depois do reinado festivo

do momo

gota a gota, fico a relembrar

os seus versos a uísque

doze anos.

 

Guardanapos, pássaros, retratos,

noites, varandas, fraturas do Líbano...

Seu ócio secreto!

Os espantos amazônicos!

Vou lendo a tarde extrema

da sua floresta interior

e o coração hermético

dos seus mistérios,

a memória não espera.

 

A vida ainda é dor,

onde deuses abrigam

lágrimas e lembranças.

 

Velho amigo boêmio,

Jorge Tufic – derradeiro

Poeta de antanho –

na ressaca deste

e de outros milhentos

silêncios.


Parnaíba, costa do Piauí, 

14 de fevereiro de 2018.



quarta-feira, 14 de julho de 2021

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Leituras compartilhadas de "A cidade perdida dos meninos-peixes"

 


A cidade perdida dos meninos-peixes, de Zemaria Pinto.

 

Estudo crítico de Dílson Lages Monteiro, com leituras de encantamento de Carol Figueiredo, Diego Mendes Sousa e Jairo Nunes Leocádio.

 

Dia 26 de junho de 2021, às 16h (BSB), via Zoom. Após, ficará disponível no YouTube. 

 

Realização de Portal Entretextos.


quinta-feira, 30 de julho de 2020

A poesia é necessária?



Toada dos touros
Diego Mendes Sousa


Ao galope da fêmea
sob os espinhos da roseira

– Os touros em pecaminosa tourada

Subterrânea é a convergência
das águas em remanso

Pelas estâncias do Amor
os sexos se refazem
contemplativos

ao caminho do imaginário
no horário de tempo algum



sábado, 4 de julho de 2020

Leituras compartilhadas: a poesia de L. Ruas


Leituras compartilhadas: a poesia de L. Ruas

Data: 04/07/2020, às 16h00 (Brasília)
Sala: 780 9305 7166
Senha: 0bs7YJ