Amigos do Fingidor

domingo, 31 de dezembro de 2017

sábado, 30 de dezembro de 2017

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Paisagens mortas 4/10


O apuizeiro tortura até a morte.
A seringueira sangra pelo homem.
As folhas mortas alimentam o velho tronco,
prolongam-no,
revitalizam-no.
Os restos das águas criam formas.
Até onde as águas vão?
Onde passam levam a vida.
Onde passam deixam a morte.













Texto e fotos: Zemaria Pinto

Práticas de curas ancestrais 1/2


João Bosco Botelho
   

Os registros arqueológicos mostram-se suficientes para estabelecer algumas relações concretas da ação curadora na pré-história.
É provável que grande parte da atenção das comunidades pré-históricas permanecesse na busca da sobrevivência cotidiana e na explicação dos fenômenos naturais. As relações vida-morte e saúde-doença deveriam estar entre elas, já que interferiam na segurança pessoal e coletiva. Esses fatos poderiam ter provocado a especialização de alguns membros.
As ações para curar a dor e impedir a morte imediata, na pré-história, compreendem as ações dos ancestrais para aumentar os limites da vida e empurrar a inexorabilidade da morte, muitos milhares de anos antes da escrita.
Alguns fósseis neandertalenses, em torno de 30.000 anos, no Pleistoceno superior, evidenciam traços de amputações dos membros.
As análises desses registros fornecem indícios à compreensão de algumas ações curadoras do homem pré-histórico. Sem dúvida, os ancestrais sofreram de algumas doenças semelhantes às da atualidade. A tuberculose óssea na coluna vertebral, encontrada hoje no Brasil, está documentada no esqueleto do período Neolítico, em torno de 10.000.
Ainda mais fascinante, o fêmur de Homo Erectus, com mais de 200.000 anos, com tumor ósseo medindo quatro centímetros de diâmetro.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Fantasy Art - Galeria


Luxúria- esboço.
Marta Dahlig.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Papai Noel é santa


Pedro Lucas Lindoso


Meu amigo Chaguinhas ficou impressionado com a quantidade de Papai Noel encontrados em Nova Iorque. Vive indo por lá, mas adora criticar os gringos.
Eles são muito esquisitos, chamam o Papai Noel de “santa”, disse-me indignado.
Expliquei-lhe que Santa é corruptela de “Saint”. Seria Saint Claus, na verdade Saint Nicholas, ou São Nicolau. Há locais nos Estados Unidos em que o Papai Noel é chamado de Kris Kringle ou ainda Father Christmas. Mas o popular mesmo é “Santa”.
Argumentei com Chaguinhas que cultura é cultura. A gente acha esquisito. Eles também morrem de rir quando sabem que “santa” em Português é Papai Noel. O som “papai” é o mesmo que Popeye, o marinheiro. Se Santa é “engraçado” para nós, Popeye Noel é tão engraçado quanto.
“Donna” é um nome dado às meninas americanas. Lembram-se da cantora Donna Summer? Um gringo turista ficou admirado com a quantidade de mulheres chamadas “Donna”, aqui no Brasil. Dona Maria, Dona Ana.
Miranda no Brasil geralmente é sobrenome. Muitas americanas são batizadas de Miranda. É nome relativamente comum de mulheres americanas. E nora? Em português é a designação da esposa de seu filho. Nora é também nome de meninas americanas.
 A falecida Ella Fitzgerald foi uma das mais famosas cantoras negras americanas do século passado. É muito conhecida no Brasil por quem curte jazz.  Mas qual brasileiro daria o nome de Ella a sua filha?
Muitos americanos pensam que o sobrenome mais comum no Brasil é Filho e Neto. Eles usam John Smith I, II, III e IV. Acho que no Brasil não é possível esse tipo de registro. Lembro-me que houve uma polêmica grande, há muitos anos, quando o rei Roberto Carlos quis batizar seu filho de Roberto Carlos II. Se bem me lembro o escrivão recusou o registro.  O menino ficou conhecido como Segundinho. Vaidades. Quimeras.
Agora, que é estranho chamar o bom velhinho, o Papai Noel, de santa... Isso é.
Esses gringos!


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

domingo, 24 de dezembro de 2017

sábado, 23 de dezembro de 2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Livro de Marco Gomes será lançado no Canto do Fuxico


Neste sábado, 23, às 15h, no 
Canto do Fuxico (Borba com Parintins ou vice-versa),
na Cachoeirinha.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Paisagens Mortas 3/10


Variações em torno de um mesmo tema: morte-vida: arte.










Texto e fotos: Zemaria Pinto.

Aborto como método anticoncepcional: tragédia social dos pobres 3/3



João Bosco Botelho

As dúvidas sobre a data correta para o início da humanização do feto ou o recebimento da alma atravessaram os séculos e chegaram a São Tomás (1225 1274). Esse magistral teólogo sustentou claramente que a animação não ocorria na concepção e que só o aborto de um feto animado era homicídio. A influência aristotélica no tomismo é também sentida na tese da pureza do sêmen, que ao sair do homem tem a intenção natural de formar outro ser igualmente perfeito, isto é, um homem. As circunstâncias desfavoráveis seriam responsáveis pelo nascimento das mulheres, por exemplo, como o vento sul úmido, que origina pessoas com mais líquidos, como as mulheres. A completa renúncia sexual é aceita por São Tomás como a única forma de alcançar a devoção perfeita.
O resultado dessa nova abordagem eclesiástica culminou com a atitude do papa Gregório XIV, apoiado no argumento de teólogos, revogando a Bula de Xisto V (1588), que punia civil e canonicamente todos os que praticassem o aborto em qualquer fase do feto.
A partir dos primeiros anos do século 20, parece não haver dúvidas quanto ao endurecimento da Igreja em relação ao aborto provocado como método anticoncepcional.  A intolerância retornou aos rigores do cristianismo primitivo contido no Didaqué e as consequências seguiram.
O papa Pio XI acabou com a distinção multissecular de feto animado e não-animado, de certa forma retomando a posição de Aristóteles. Por outro lado, pode ter tido importância a industrialização crescente, no Ocidente, e a necessidade de inserir a mulher no mercado de trabalho, já que o aborto provocado em condições precárias e as trágicas consequências alcançavam as mulheres pobres.
O Papa Pio XI, no famoso discurso dirigido aos obstetras, em 1951, enfatizou: “Não há nenhum homem, nenhuma autoridade humana, nenhuma ciência, nenhuma indicação médica, econômica, social e moral, que possa exibir título jurídico válido para dispor direta e deliberadamente de uma vida humana inocente..., visando sua destruição. "
O documento conciliar Gaudium et Spes, considerado progressista em muitos aspectos da ação social da Igreja, manteve a interdição incondicional: "A vida, uma vez concebida, deve ser tutelada com o máximo de cuidado e o aborto, como o infanticídio, são delitos abomináveis".
O mapa do aborto provocado como método anticoncepcional, no mundo, evidencia a tragédia, verdadeiro genocídio selecionado, matando e mutilando mulheres pobres:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_283054.shtml 
Considerando a impressionante mortalidade e morbidade de mulheres pobres, que sob desespero, optam pelo aborto como método anticoncepcional, no Brasil, é necessário intensificar as campanhas de informação e trazer esse assunto à discussão no Parlamento.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ódio ao Papai Noel


Pedro Lucas Lindoso


Maués não gosta do Natal. No seu registro de nascimento consta que seu nome é Jesus. Como nasceu dia 25 de dezembro, convenceram seu pai a registrá-lo homenageando o Nosso Salvador. O grande aniversariante do dia. Mas Maués acha que não merece esse nome. Além disso, seu pai queria batizá-lo como Maués, Município onde se localizava a tribo indígena onde seu pai nasceu. E pede que o chamem de Maués.
A tribo não mais existe. Alguns dos parentes de seu pai se tornaram índios urbanos e moram em Manaus. Outros, como Maués, estão totalmente engajados na cultura dos “brancos” e se espalharam pelo mundo.
Quando Jesus, digo Maués, tinha oito anos de idade, conversou com um “Papai Noel” desses de lojas e pediu-lhe uma bicicleta. Afinal, era Natal e seu aniversário. Achava que mereceria o presente.
O pai de Maués era faxineiro de uma grande mansão. Não ganhava o suficiente para atender aquele pedido de seu curumim, feito ao “Papai Noel”.
O filho do patrão ganhou uma bicicleta novinha em folha. Abandonou sua antiga “bike” na garagem. O pai de Maués achou que poderia pegá-la e dar ao seu curumim o presente tão sonhado.
A alegria de Maués foi imensa. Mas durou pouco. No dia seguinte, seu pai pediu de volta a bicicleta. Constrangido, foi obrigado a devolvê-la ao mesmo lugar na garagem de onde a tinha retirado. E foi acusado de ladrão. Pior. Foi demitido. Sem direito a seus direitos básicos de rescisão.
Escapou de ser preso por muito pouco. O patrão sentenciou:
– Perdi a confiança. Caboclo abusado e ladrão. Mas não vou dar queixa. As cadeias estão superlotadas. Espero que se emende.
Na lógica do pai de Maués, ele não teria cometido nenhum furto. Não se considerava ladrão. Era trabalhador.  Até sua adolescência morou numa tribo. Tudo vinha de graça da floresta. Os membros de sua aldeia tinham tudo em comum. Se alguém não precisa mais de algo, não é errado que outro a pegue. A noção de propriedade é diferente das dos ditos “brancos” da cidade.
Sem poder sustentar sua esposa e filho, o índio velho adoeceu. Pegou uma gripe forte que virou pneumonia. Mas morreu mesmo de tristeza.
Maués tem um ódio imenso de “Papai Noel”.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Academia Amazonense de Letras elege diretoria do centenário



No último sábado, 16 de dezembro, reunida em Assembleia Geral, a AAL escolheu a diretoria que comandará a entidade pelos próximos dois anos.

Fundada em janeiro de 1918 – oficialmente, no dia 1º –, como Sociedade Amazonense de Homens de Letras, teve seu nome mudado para Academia Amazonense de Letras em 1920, adotando o modelo da Academia Brasileira de Letras, mas com apenas 30 membros. Somente no cinquentenário, esse número foi expandido para 40, como no modelo.

Está assim constituída a nova diretoria:

Presidente: Robério Braga
Vice-presidente: Marcus Barros
Secretário: Euler Ribeiro
Secretária adjunta: Carmen Nóvoa
Tesoureiro: Abrahim Baze
Tesoureiro adjunto: Francisco Gomes
Diretora de Patrimônio: Mazé Mourão
Diretora de Eventos: Marilene Correa
Diretor de Edições: José Braga
 


Concerto de Canto Lírico



domingo, 17 de dezembro de 2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Paisagens Mortas 2/10


É preciso desatar os nós dos olhos para sentir a metamorfose: a terra que se dobra ao invisível, dividindo-se ao infinito, na teia do espaço-tempo.





















Texto e fotos: Zemaria Pinto.

Poesia: a linguagem como construção e evocação da vida



Aborto como método anticoncepcional: tragédia social dos pobres 2/3


João Bosco Botelho


A Bíblia, mesmo contendo inúmeras referências específicas sobre a organização familiar, não cita uma só vez a prática abortiva. É como se o fato, que incontestavelmente deveria ocorrer, não tivesse importância social.
A mais antiga e clara referência cristã antiabortiva está no Didaqué, manual ético moral, escrito nos anos 100: "Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida". Essas regras influenciaram o filósofo cristão Tertuliano (190 197). Nos seus escritos abandonou a antiga abertura aristotélica, aceita em muitas comunidades do mundo greco-romano, e adotou a posição antiabortiva absoluta: "É homicídio antecipar ou impedir alguém de nascer. Pouco importa que se arranque a alma já nascida ou que se faça desaparecer aquela que está ainda por nascer. É já um homem aquele que virá".
Apesar de o Concílio de Elvira (305) ter ameaçado de excomunhão todas as mulheres que abortassem após adultério, essa questão apaixonou muitos intelectuais do século 4. Como não existem registros refutando ou punindo o aborto, é provável que mesmo com o freio conciliar, predominou a tradição permissiva do aborto.
São Jerônimo (331-420), um dos quatro grandes doutores da Igreja, em correspondência endereçada à Algasia, argumentou que “... não se pode falar de homicídio antes que os elementos esparsos recebam a sua aparência e seus membros".  Em outra carta, o monge de Belém considerou as mulheres que escondiam a infidelidade conjugal com o aborto como culpadas de triplo crime: adultério, suicídio, assassinato dos filhos.
Grande parte da proposta teológica da Igreja em torno do aborto provocado está contida nas publicações de Santo Agostinho, escritas no final do século 4. Santo Agostinho, o genial teórico do cristianismo, argumenta que todos os seres humanos nascem em pecado por serem concebidos em pecado, porque o primeiro homem, Adão, pecou. Essa fantástica articulação teórica – a doutrina do pecado original – foi consagrada como doutrina oficial da Igreja Católica. É muito sugestivo que a doutrina agostiniana está, intimamente, associada à sexualidade proibida. Esse notável intelectual dos primeiros anos do cristianismo foi bastante competente para convencer outros fiscais da sexualidade, no milênio seguinte: “Estou convencido de que nada afasta mais o espírito do homem das alturas do que os carinhos da mulher e aqueles movimentos do corpo sem os quais um homem não pode possuir sua esposa.”
Nesse conjunto de cristianização, surgiram as festas saudando a vida concebida pela vontade de Deus. A da Natividade do Senhor foi uma das primeiras, fixada no fim do século 4, iniciando os atributos de sacralidade das concepções. Sem que possamos precisar a temporalidade, foi seguida da natividade da Imaculada Conceição de Maria, celebrada no dia 8 de dezembro, no século 6, e da Anunciação, ou "festa da concepção de Cristo", no século 7. Essas celebrações cristãs iniciaram o sólido processo substitutivo das festas com significados semelhantes, oriundas da tradição politeísta, impondo a simbologia sagrada à gestação.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Caminhos


Pedro Lucas Lindoso


Minha mãe me repreendia quando eu, menino de calças curtas, dizia que iria a um lugar e depois rumava para outro. Ela chamava isso de “emendar caminho”.
A geração que viveu os anos 60 e 70 jamais esquecerá a emblemática música de Geraldo Vandré – Pra não dizer que não falei das flores. Sempre que falo ou penso em caminhos, me vem à mente:
Caminhando e cantando e seguindo a canção.
Somos todos iguais braços dados ou não...
Há uma outra dessa época:
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou…
Grande Caetano...
Uma das expressões favoritas de meu amigo Chaguinhas, quando fica indignado: É o fim da picada! Contou-me que uma vez, aborrecido com um taxista em Nova Iorque, exclamou:
– It’s the end of the picaede! Claro que ninguém entendeu. Esse Chaguinhas!
Por falar em Inglês, um dos poemas mais bonitos de Robert Frost é “A Road not taken”.  “A estrada não viajada”. Ou, como prefiro, "O caminho que não tomei". Vejam os dois primeiros e os dois últimos versos, no original:
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Há muitas traduções por aí. Nenhuma perfeita. Incluindo esta minha:
Duas estradas bifurcavam-se no bosque outonal
E lamentando não poder seguir viajando em ambas
Eu escolhi a menos viajada
E esta escolha fez toda a diferença.
Mas ninguém supera Carlos Drummond de Andrade na profundidade e singeleza destes versos, no festejado poema “No meio do caminho”:
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

Enfrentando o trânsito infernal das grandes cidades, temos que ir “cortando caminhos”, muitas vezes por lugares sem muita segurança. Vivemos montados em carros, mas caminhando como “coelhos automotivos”, por aqui e por ali, na pressa urbana diária. E ainda nos valendo de aplicativos como o “waze”, que nos indica  a “coelhar” por onde há menos trânsito.
Felizes os que ainda fazem o “caminho da roça”, na tranquilidade das pequenas vilas do interior...



domingo, 10 de dezembro de 2017

Manaus, amor e memória CCCXLVI


A Catedral vista do porto, quando ainda não havia porto.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Fantasy Art - Galeria


Isis, the Goddess.
Tony Hough.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Paisagens Mortas 1/10


Estação da vazante.

Pelo Maçarico, Mamori e Juma, as águas baixas deixam os rastros de sua passagem – a paisagem fala por si.

Fotos: Zemaria Pinto, novembro/17.