Amigos do Fingidor

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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Zona de Guerrilha Franca


Zemaria Pinto


223 – O estado de bem-estar social se opõe ao estado opressor. O governo socialdemocrata se opõe ao estado totalitário-fascista.

224 – Inútil jurar fidelidade à Constituição quem, até outro dia, defendia a tortura e o assassinato de “comunistas”; quem afirma aos quatro ventos que “bandido bom é bandido morto”.

225 – “Bolsonaro sempre teve discurso autoritário. O PT nasceu e cresceu na democracia”. Estas aspas são da Sra. Miriam Leitão, a jovem guerrilheira comunista que virou uma velha neoliberal. Mas não perdeu a razão.

226 – O vendaval de votos no misógino-homofóbico-onanista – onde ele não ganhou houve fraude, claro – só se explica pela complexo de manada do lúmpem-eleitor.

227 – Pior que o eleitor-gado é aquele que se diz desiludido com a política, cujos votos – nulos ou brancos – diminuem a base de cálculo, favorecendo o fascista. São covardes, porque, não tomando uma posição, estimulam o voto, indireto, no fascismo.

228 – Mas muito pior que o eleitor covarde é o pseudo-intelectual, que se diz anarquista – ignorando o significado histórico dessa palavra – e sequer comparece para votar. Esses intelectuais de fachada, revoltados de mesa de bar, não passam de entreguistas de primeira hora, vassalos do que eles dizem odiar.

229 – E agora, Marina? Se o Bozo ganhar, ele não vai te chamar pra ser ministra do meio ambiente. Vai chamar a Kátia Abreu ou qualquer outro representante do agronegócio – que pode ser pop e top, mas é tóxico, como diz o Boulos.

230 – E o Ciro, bêbado, disse “ele não”. Agora, está com frescura. Eu explico: o PDT, que já teve Brizola e Darcy Ribeiro entre suas glórias, é um partideco de aluguel. Taí o Amazonino, dono da sigla no Amazonas, que, desde o primeiro turno, apoiou descaradamente o Bozonauro – que o rejeita porque o conhece.

231 – Por falar em glórias, o PPS, quem diria – e que vergonha, Sr. Roberto Freire. O PPS, que já foi PCB – de Prestes, de Marighella e de Gregório Bezerra, entre tantos – diz que vai ficar neutro. É outro partideco, de aluguel. Lembram qual era o partido do Braga, em 2002? Hoje está sob o chicote de Amazonino. Também.

232 – Bozonauro vai continuar se escondendo atrás da fina lâmina do Bispo. Hoje deveria ter debate tête-à-tête. Seria um massacre. Muito conveniente aquela facada. Muito conveniente.

233 – E enquanto isso, Marielle – mulher, negra, homossexual, ativista, tudo o que o Bozonauro mais odeia – continua assassinada. Há sete meses.  

domingo, 2 de setembro de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


128 – Setembro não tem sentido.

129 – O Museu Nacional arderá por toda a eternidade, metáfora do inferno dos que – por inépcia, inércia e canalhice – iniciaram o fogo que destruiu 200 anos de história e mais de 20 milhões de itens.

130 – O espectro de Luzia, cujo crânio fossilizado virou cinzas, assombrará a canalha pelos próximos 11 mil anos.

131 – Luzia era ancestral de Marielle, assassinada pelos mesmos facínoras que atearam fogo ao Museu Nacional.

132 – Setembro não sentido.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


111 – Pesquisas. Têm seu lado bom, quando feitas com honestidade e isenção. Manipuladas, são uma merda. Mas, mesmo isentas e honestas, podem ser manipuladas na leitura.

112 – Quando o Merval Pereira diz que se o Lula tem 38% das intenções de voto é porque 62% o rejeitam, ele não está apenas fazendo um exercício de ilusionismo: está cometendo um crime, manipulando a opinião pública a mando de seus patrões.

113 – E quando, no cenário sem Lula, o Capitão Cueca sai de 18 para 20 pontos, ele dá aquele sorriso de Tavares (o bêbado explorador da Biscoito, lembram?) e diz que 2% do eleitorado de Lula migra para o Capitão Cueca.

114 – Porra. É muita imbecilidade ou apenas cara de pau?

115 – Lula não vai transferir 38% de votos para o Haddad, pois serão divididos com o Boulos e o Ciro – porque a Marina, quando o eleitor for lembrado de sua traição, em 2014, vai é perder votos.

116 – E sabem pra quem? Pro Picolé de Chuchu, o líder máximo da horda de bárbaros do Centrão.

117 – Não subestime o poder da televisão. Chuchu vai se expor e prometer o que não pode e não vai cumprir. E vai crescer nas pesquisas, roubando votos do Capitão Cueca, que não vai ter tempo nem de lembrar o Enéas.

118 – O eleitor da Marina – que odeia o Lula e tudo o que diga respeito ao PT – vai acabar achando o Chuchu simpático.

119 – E o canalha Meirelles, o candidato do canalha Temer? Conseguiu passar um debate aí falando de suas proezas à frente do Banco Central, de 2003 a 2010, sem citar o nome do santo que produziu o milagre. O castigo veio em forma de traço. Meirelles, o candidato 1%, não vai perder votos. Nem ganhar.

120 – Mas, e o Haddad, onde entra na história? Vai receber a maior parte dos votos que seriam de Lula e vai para o segundo turno com o Picolé de Chuchu – com apoio de Boulos e Ciro. Marina e o resto da canalha apoiará o tucano, claro.

121 – Como dizia o maestro soberano Jobim, “o Brasil não é para principiantes”.

122 – E cá, na taba? O PT está fechado com o mais reacionários dos candidatos, que alugou o outrora glorioso PSB.

123 – Espera-se que os eleitores de Lula, ignorando os néscios do PT local, façam justiça à senadora Vanessa, do PCdoB, que se manteve íntegra e coerente no episódio do golpe, e a conservem no senado.

124 – O Tucuxi errou feio quando, em 1982, disse que seu “grupo político” (eufemismo para quadrilha), ficaria no poder por 20 anos. Em 2022, esse tempo terá dobrado – e eles continuarão no poder, não importa quem ganhe: são todos sacos da mesma farinha.

125 – Falo do governo do estado e da prefeitura da capital: sempre os mesmos, embora, às vezes, coloquem um disfarce vagabundo, tentando nos enganar.

126 – O Amazonas, definitivamente, não é para principiantes.

127 - E pra não dizer que não falei de flores:


Marielle Franco, por Aroeira.


segunda-feira, 19 de março de 2018

A favor de Marielle Franco: reflexões sobre a canalhice



Zemaria Pinto


As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.
(Umberto Eco – entrevista – 2015)

E as notas dissonantes se integraram
ao som dos imbecis
(Caetano Veloso – Saudosismo – 1968)

Eu sou a favor do aborto. Da descriminalização da maconha. Do reconhecimento dos gêneros (falar em ideologia, no caso, é ignorar o que é ideologia). E sou ateu – só não completo com um “graças a deus”, porque é piada velha. E mais que ateu, sou anticristão – qualquer que seja a vertente do cristianismo: do papa Francisco ao padre João, do mala Malafaia ao pregador Raimundo.

Espero que não me matem por tão pouco.

No mais, o lixo que circula na Internet é usado para caluniar os que pensam de forma dissonante. Repito aqui o velho Marx: a única função do filósofo é duvidar. Marx, que jamais foi marxista, apenas repetia o que Sócrates – via Platão – já afirmara há mais de dois mil anos. Mas como não sou filósofo, me valho do poeta Torquato: vai, bicho, desafinar o coro dos contentes!

Marielle Franco era uma nota dissonante no coro dos contentes. Por isso foi assassinada, covardemente. Tira essa última palavra, porque todo assassinato é covarde. Os sujeitos que escreveram a Bíblia acertaram em cheio ao alegorizar o assassinato de Abel pelo covarde Caim. E olha que eles eram judeus – como poderiam ser negros, homossexuais, maconheiros; mulheres, talvez.

Os que acham que a defesa dos Direitos Humanos é coisa de vagabundo e defendem a pena de morte – ou a simples execução para quem pensa diferente, seja pelos esquadrões da morte, pelas milícias militares e paramilitares ou pela intervenção institucionalizada; os que pensam assim, esquecem que os Direitos, numa sociedade democrática, são de todos – e não apenas dos que pensam como eles, que formam o coro dos contentes imbecis, que não questionam nada e, principalmente, não se questionam.

Um último toque: um artista, e aqui incluo os escritores, não precisa ser de esquerda para ser artista. Esse é um mito estúpido, que precisa ser combatido. Estão aí o ariano Wagner; o catolicão Elliot; os fascistas Pound e Borges; o nazista Heidegger; o machoman John Wayne; o topetudo Elvis; o patropi Benjor; o reaçamor Nelson Rodrigues. Declaro de público que os amo, a despeito da ideologia. Mas um artista não pode ser canalha. Não pode injuriar, caluniar, difamar, mentir.

Ei, no parágrafo anterior, onde se lê artista, leia a sua profissão. Substitua os exemplos, por exemplos dessa profissão.

Entendeu?


Marielle, por Amarildo - com poema de Eduardo Alves da Costa.