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sábado, 31 de janeiro de 2026

quarta-feira, 2 de abril de 2025

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

LABORATÓRIO DE CRIAÇÃO LITERÁRIA – inscrições abertas


Chamada para 1ª turma



A coordenação do projeto de extensão A literatura na oficina convida os interessados em participar da primeira turma do Laboratório de Criação Literária a submeterem suas propostas de inscrição.
O curso de extensão terá duração de 30 horas presencias e 60 não presenciais, com encontros a cada duas semanas, sempre nas manhãs de terça-feira, indo de agosto ao início de dezembro. Para esta turma, o foco recairá sobre a prosa de ficção.
Há 20 vagas disponíveis, sendo 10 para estudantes da UEA e 10 para quaisquer outras pessoas, desde que maiores de 18 anos. O curso dará direito a certificado e participação em coletânea editada pela Segunda Oficina, selo da Editora UEA.
A seleção se dará por avaliação de textos. Para tanto, os candidatos devem encaminhar por e-mail um texto literário de autoria própria de até uma lauda em A4, intitulado “O rinoceronte”.
Os textos devem conter nome completo do(a) autor(a), contato telefônico e de e-mail, além de cópia de documento de identificação. Também deve constar a informação sobre a procedência (se UEA ou comunidade externa).
As propostas devem ser enviadas para 2ofic.lab.editorial@gmail.com
Assunto do e-mail: Seleção Turma 1.
As propostas serão recebidas até as 23h59 do dia 23 de agosto de 2019.
O resultado será divulgado na página de Facebook da Segunda Oficina Laboratório Editorial – https://www.facebook.com/2oficinalabeditorial/ – no dia 26 de agosto de 2019. O curso terá início no dia 27 de agosto de 2019, às 9h, na sala Ilsa Honório da Escola Normal Superior da UEA (Av. Djalma Batista, 2470, ao lado do Amazonas Shopping).

Manaus, 16 de agosto de 2019


Prof. Allison Leão – Coordenador do projeto

quinta-feira, 5 de março de 2015

Miniconto, microconto, nanoconto, contos são? 6/7



Zemaria Pinto

6. NANOCONTO
A denominação nanoconto me foi sugerida pelo professor Allison Leão. Postamos vários nanocontos, dele e meus, no blog Palavra do Fingidor, e até umas “Notas para uma teoria do nanoconto”, que não reproduzo aqui porque tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo, crescendo... E aqui estou eu, tentando explicar o que é, afinal, o nanoconto. Os exemplos extraídos de Kafka, Esopo, Trevisan e Aragão, citados anteriormente, adequam-se perfeitamente à ideia que temos do nanoconto. Vejamos dois exemplos do que criamos lá atrás, sem fazer relações históricas, de pura farra:
terminada a festa, o filho pródigo avisa:
pai, isto não é uma visita.
(pedra mística 8)

Joca, eu estou partida. Ao meio. Rachada. Ainda não acredito que você fez isso comigo. Depois de 10 anos, Joca? Como você pode ser tão filho da puta?
(Drops de pimenta 55)

   O primeiro nanoconto é de Allison Leão. O intertexto claro é a parábola bíblica do filho pródigo. O inusitado, no texto de Allison, é que o pai não percebera o sentido do retorno do filho, que precisa avisá-lo de que “aquilo” não é uma simples visita. Uma ironia que subverte o sentido do texto-fonte.
O segundo nanoconto é de minha autoria, faz parte de um livro de contos, ou melhor, de nanocontos, chamado Drops de pimenta, inédito em papel, apesar de premiado em 2003 no projeto “Valores da terra”, da Prefeitura de Manaus, que jamais cumpriu o prometido, a edição do livro. Mas essa é uma outra história. De terror.
A informação que temos, pelo que se depreende do texto: a expressão é de uma mulher, desesperada pela ação de um sujeito chamado Joca. Sua fala fragmentada reflete seu espírito despedaçado. Um caso passional, sem dúvida, embora não saibamos nada de concreto; uma traição, talvez. As palavras são significativas: “estou partida” separada de “ao meio”, para enfatizar o vocábulo seguinte – “rachada”; manifestação de descrença; ênfase no tempo – de convivência?; e finalmente a pergunta fatal, fazendo um juízo de valor.   
Em ambos os casos, a intensidade do que não foi dito, circunscrito nas elipses, enseja uma outra leitura ou leituras do meramente textual.
Adrino Aragão sintetiza essa nossa dúvida em um microconto:
– matou por amor! eis aí um conto em apenas três palavras.
– poderia também ser “viveu por amor”, não poderia?
– talvez até pudesse; mas aí o conto não seria conto, por lhe faltar algo mais, que eu não saberia explicar.
– ué!? (2006, p. 121)

Este conto, “apenas três palavras”, problematiza toda a nossa discussão: “matou por amor” traz em seu cerne a carga da tragédia, a intensidade transformadora; “viveu por amor” não tem pathos, não tem a energia necessária para transformar o textual em algo além das aparências.
O nanoconto, que já dissemos mordaz e ferino, pode ser também uma caricatura – uma imagem distorcida, como este, de Allison Leão:
vinte quilos depois, acabou com o casamento. o diabo é a aliança emperrada no dedo gordinho.
(romance possível romance xi)
Ou visionário, como este, do mesmo autor, que leva a reflexões muito atuais sobre sustentabilidade, armas nucleares, guerras:
na planície radioativa, uma barata sai pelo olho do último crânio humano. limpa uma antena na outra. e segue.
(skabrática 8)

O nanoconto pode encerrar uma carga poética, tensionando o textual – mais uma vez, peço vênia para mostrar um texto meu:
João não gostava de domingos. Criança, o dia se estendia até após o almoço, quando todos se recolhiam, esperando, morbidamente, pela segunda-feira. Mais tarde, adolescente, o domingo começava e terminava junto com o Fantástico. Só fora diferente enquanto Maria estivera por perto: domingo era dia de festa, acordar com a madrugada e dormir bem tarde. Agora, que Maria foi embora, João contempla o infinito, ouvindo o barulho do sol deslocando-se no céu da tarde de domingo.
(Domingo à tarde)

Observe-se que o texto é montado sobre elipses, com o tempo mostrado em quadros de um filme que é avançado numa velocidade superior à de uma exibição ordinária, até o desfecho poético, ilustrando o absurdo tédio dos domingos, na perspectiva do narrador.
Por fim, o nanoconto pode ser encontrado na rua, pintado em um muro, anônimo:

Mãe, me desculpe por não ser o filho que a senhora sonhou, mas lhe garanto, se ele fosse como a senhora sonhou, o sonho dele era ser como eu sou.  

Há alguns meses, substituíram essa beleza de pichação por uma idiota propaganda de fatfood  comida gordurosa para gente mal-educada.

Este texto, de autoria desconhecida, que eu achei pichado em um muro do bairro onde moro, ilustra o que é o nanoconto: um texto paradoxal, elíptico, poético, denso, intenso. Há uma história que caberia por certo em um romance, atrás dessas 30 palavras. Mas o que temos aqui é um garoto cheio de si, reconhecendo que falhou, na perspectiva de sua mãe, mas que ele, irônico, seguirá em frente, sem culpas ou desculpas. 
Sem outra alternativa, concluo que a diferença entre o microconto e o nanoconto está na carga de tensão que este tem a mais que aquele, seja do ponto de vista dramático, cômico-caricatural ou poético. Mas se não temos como medir a intensidade, confiemos no discernimento do leitor. Será que ele tem interesse em ser o vetor dessa discussão? 

Para ler outros nanocontos de Allison Leão, clique em skabrática, romance, possível romance ou pedra mística.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Medalha do Mérito Cultural Péricles Moraes 2007 – 6/7



Zemaria Pinto

O professor Marcos Frederico Krüger Aleixo, referindo-se a Dois irmãos, metaforiza a narrativa de Nael e concebe uma estrutura em afluência: o rio Nael recebe a matéria de vários narradores-afluentes, como Domingas, Halim, Adamor, Rânia e Zana e alguns destes recebem informações de outros subafluentes. Marcos Frederico identifica ainda o tempo, a Amazônia e a cidade de Manaus como narradores que influem diretamente no trabalho de Nael.[1]
Allison Leão, referindo-se também a Dois irmãos, diz que Nael manipula arquivos diversos para montar sua narrativa.[2] O mesmo pode ser dito da Moça Sem Nome, do Relato, e de Lavo, em Cinzas do Norte. O narrador hatouniano monta seu puzzle narrativo a partir de arquivos bastante diversificados. A Moça Sem Nome trabalha com sua própria memória e com as memórias gravadas de Hakim, Dorner, Hindié Conceição, e do marido de Emilie, que Dorner registrara em um caderno, montando a narrativa em forma de mosaico, para usar uma expressão de Marcos Frederico. Lavo constrói sua narrativa a partir de cartas, cartões-postais e um diário de Mundo, utilizando também o relato de Ranulfo, mas seu principal arquivo é sua memória, onde ele recupera o contato com outros personagens da trama, como Jano, Alícia e a tia Ramira. Neste caso, a narrativa funde as duas técnicas: mosaico e afluência.  
Em plena temporada de ópera, não é impróprio afirmar que os narradores hatounianos orquestram a polifonia de vozes dos subnarradores que se espraiam pelas narrativas.
O próprio Milton Hatoum traça um paralelo entre Euclides da Cunha e Walter Benjamin: enquanto o filósofo alemão identifica dois tipos de narradores muito comuns – o do viajante, que vem de longe, e o do camponês, fixado à terra, – Euclides, em À margem da História, fala do “observador errante que percorre a bacia amazônica” e do “homem sedentário”, postado à margem do rio.[3] De muito longe vêm boa parte dos personagens de Hatoum, e são os que têm mais histórias a contar. O próprio Milton, em entrevista, afirmou que nos primeiros anos de sua infância, ele escutava os mais velhos conversarem em árabe, “a ponto de pensar que essa língua era falada pelos adultos e o português pelas crianças”.[4] Mas os enraizados também têm muito a contar, estabelecendo uma conexão permanente entre a tradição e as suas histórias pessoais. Em certo ponto, os papéis se invertem: os viajantes se fixam na terra e os nativos erram a esmo.
Equacionando: os três romances representam a construção (via linguagem) das ruínas (da memória, da linguagem), que se organizam a partir de arquivos diversos, dispersos.
A Moça Sem Nome, Nael e Lavo escrevem a história da fundação, apogeu e destruição de três famílias. Quase escrevo o lugar-comumsagaem vez do genérico história. Mas nãonada de heróico nas três narrativas. Trata-se de pessoas comuns, que andam pelas ruas de uma Manaus que ainda arranca suspiros saudosos de uns poucos sobreviventes. Mas são vidas absurdamente verossímeis, que evocam paisagens varridas pelo tempo, como a fantástica cidade-flutuante, que eu-menino olhava de longe, com um misto de encanto e de medo.




[1] ALEIXO, Marcos Frederico Krüger. O mito de origem em Dois irmãos. In: Intertextos nº 3, Manaus: EDUA/Valer, 2002, p. 203-214.
[2] LEÃO, Allison. A narrativa poética em Dois irmãos: lugar de intercâmbio entre suportes arquivísticos. In: Somanlu: revista de estudos amazônicos. Ano 5, n° 1. Manaus: Edua; Fapeam, 2006, p. 21-34.
[3] HATOUM, Milton. Escrever à margem da História. 1993. Publicado no site www.hottopos.com/collat6
[4] Entrevista a Aida Ramezá Hanania. 1993.  Publicada no site  www.hottopos.com/collat6

Galvez e Petit Santôs no Sábado na Academia


Para saber mais, clique aqui.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Deuses, heróis, bufões – uma dramaturgia amazônica 1/10


Zemaria Pinto
 
1. Premissas
 
Embora ociosa para alguns, a discussão a respeito da especificidade do texto de teatro atravessa milênios e oscila ao sabor das teorias em voga. Antes de falar, então, sobre os textos dramáticos de Márcio Souza, permito-me estabelecer alguns parâmetros essenciais para delimitar a abrangência desta análise:
1 – O texto dramático é literatura, sim. Sem renegar o bom Aristóteles e seus prosélitos, antes, complementando-os, afirmo que os gêneros literários, hoje, podem ser arquivados sob os títulos Poesia, Prosa de Ficção e Drama; a este último filia-se o texto teatral;
2 – O texto de teatro, entretanto, é literatura quando aprisionado nas páginas de um livro. Sobre o palco, ele adquire outra dimensão, passando a ser um componenteem alguns casos, o mais importante; em outros, nem tanto – do espetáculo;
3 – No geral, o texto dramático guarda total homologia com os outros gêneros, podendo ser apresentado em prosa ou em verso, e mantendo uma estrutura básica, formada por enredo, fábula, personagens, ambiente e tempo;
4 – O texto dramático alicerça-se na fala das personagens. Sem fala nãotexto dramático. Masteatro. De outra forma: um texto dramático formado de didascálias, sem falas, não é literatura. Mas pode ser teatro;
5 – Em síntese, texto de teatro é literatura, mas teatro é espetáculo. Com falas ou sem falas. 
Então, esclareça-se que as tentativas de análise aqui perpetradas levam em conta unicamente os textos impressos, esquecendo-se o autor, temporariamente, dos muitos espetáculos a que assistiu nos últimos trinta e muitos anos, em que esses textos foram encenados. Aliás, as peças de Márcio Souza, mesmo as que têm suporte musical, dão ênfase ao texto, na melhor tradição ocidental.
O leitor mais atento perceberá, na divisão das peças em blocos, a influência de Sábato Magaldi. Não se trata de emular simplesmente o grande crítico, mas de, tomando emprestada sua ideia, quando da organização do Teatro Completo de Nelson Rodrigues, identificar os caminhos comuns das onze peças publicadas de Márcio Souza. Assim, sem abdicar do sagrado direito ao arbítrio, mas apontando a ênfase onde ela se mostra mais densa, e sem preocupações cronológicas quanto à escritura ou encenação, mas buscando um nexo temporal no cerne dos textos, dividi a obra dramática de Márcio Souza em quatro blocos: peças míticas, tragédias amazônicas, chanchadas amazônicas e peças cariocas.
As peças míticas reúnem os textos que tratam da mitologia índia do rio Negro, em cuja foz foi plantada a cidade de Manaus. Dessana, Dessana representa o mito da criação do mundo, como o povo Dessana conseguiu preservá-lo. Jurupari, a guerra dos sexos baseia-se na visão Tariana do mito desse herói-civilizador, uma personagem de importância messiânica para os povos do rio Negro. A maravilhosa história do sapo Tarô-Bequê é uma comédia que trata de lendas do povo Tucano, envolvendo bichos e gente comum. Longe da condição de mito, mas não da mitologia.  
A Paixão de Ajuricaba, a primeira peça de Márcio Souza levada à cena, abre o capítulo das tragédias amazônicas, com a história ficcional do herói. A rigor, aliás, é a única tragédia do grupo. Pequeno teatro da felicidade, ambientada durante a guerra entre cabanos e legais, trata da tragédia coletiva, da mesma forma que Contatos amazônicos de terceiro grau, uma alegoria do poder destruidor da colonização.
Homenageando as origens cinéfilas do autor, agrupei entre as chanchadas amazônicas a cota da sua obra que seria, talvez, mais apropriado chamar de farsas históricas. Mas soaria muito helênico. As Folias do Látex é uma alegre análise sobre nossas origens e nosso caráter. A resistível ascensão do boto Tucuxi, baseada em fatos cruelmente reais, mostra a arte menor da política amazonense nos anos pós-Vargas/Maia. Tem piranha no pirarucu é um painel risonho e franco da Manaus pós-moderna.  
Finalmente, o bloco das peças cariocas traz os dois textos de Márcio Souza ambientados fora do Amazonas e com uma temática menos endógena: O elogio da preguiça, comédia, e Ação entre amigos, drama. O pano de fundo é o Brasil brasileiro dos anos 60, 70 – do século passado!
Tanto quanto possível, procurarei fugir das relações muito comuns que se faz entre o texto e a época em que foram escritos. Dizer, por exemplo, que Ajuricaba é uma alegoria da luta de parte do povo brasileiro contra a repressão da ditadura militar seria minimizar a importância estética do texto e admiti-lo datado. Por outro lado, histórias relacionadas à censura às peças, o próprio Márcio Souza contou-as em O palco verde; seria supérfluo repeti-las.
Deuses, heróis, bufões – e também gente comum: é nesse universo que o teatro de Márcio Souza se consubstancia. Utilizando-se de uma linguagem de grande carga poética, especialmente nas peças míticas e na tragédia de Ajuricaba, com expressões e palavras muitas vezes desconhecidas mesmo dos nativos urbanos, o texto impõe-se naturalmente, pela sua própria coerência interna. Entretanto, ao contrário do que o leitor apressado pode estar presumindo, não se trata de umteatro regionalista”.
 
Partes deste texto foram apresentadas como comunicações no II e no III Colóquio Internacional Poéticas do Imaginário, em 2010 e 2012, respectivamente: O teatro mítico de Márcio Souza e Tragédia e chanchada no teatro de Márcio Souza.
 
Os 10 posts que apresentamos agora, sempre nas noites de quinta-feira, são a íntegra do ensaio Deuses, heróis, bufões – uma dramaturgia amazônica, publicado no livro O mostrador da derrota (Manaus, UEA Edições: 2013), organizado pelos professores escritores Allison Leão e Marcos Frederico Krüger.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Projeto “A vida de uma obra” começa nesta quarta-feira


 
O primeiro encontro do projeto esteve previsto para o dia 11/09, porém em virtude da forte chuva que atingiu Manaus naquela data o evento teve de ser adiado. A nova data de realização será na próxima quarta-feira, 09/10, às 18h30min na Academia Amazonense de Letras, e contará com a presença do poeta Elson Farias, do professor e escritor Allison Leão e convidados.
 
A obra abordada neste encontro inaugural é Frauta de barro, de Luiz Bacellar.
 
O projeto está sendo divulgado através do endereço: 
https://www.facebook.com/avidadeumaobra. Na página, estão disponíveis todas as atualizações sobre o evento do dia 09/10, dados sobre a obra do mês e sobre o projeto.
 
O projeto é uma parceria entre o grupo de pesquisa MemoCult e a Academia Amazonense de Letras.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MemoCult/UEA promove ciclo de encontros culturais na Academia Amazonense de Letras



Juliana Sá

 
Você já parou pra pensar como algumas obras, de tão originais, adquirem vida própria? Nessas “obras” há algo essencial que as diferenciam de outras do gênero, trilhando um caminho de sucesso muitas vezes inesperado pelo(s) autor(es) que as conceberam. Obras como La Gioconda, D. Quixote, o boi-Bumbá de Parintins e mesmo obras “acidentais” como o popular restauro do “Ecce Homo” da Igreja de São Borja, na Espanha, (por que não?) atravessam meses, anos, séculos e se fixam no imaginário de diferentes públicos e gerações. O que haverá de tão especial nestas obras? O que as torna emblemáticas de uma cultura, de uma civilização, de um público específico?

Buscando respostas a algumas dessas questões, o grupo de pesquisa Investigações sobre Memória Cultural em Artes e Literatura (MemoCult/UEA), que vem estudando as mais diversas formas e fontes de arquivo artístico e cultural, em parceria com a Academia Amazonense de Letras (AAL), realizará a cada mês um encontro para debater as trajetórias de vida de nove obras (literárias, artísticas, culturais) de abrangência local ou global.

Intitulado “A vida de uma obra:”, o projeto busca contribuir para a discussão sobre arte e cultura na cidade e reforçar os laços entre o conhecimento acadêmico – sobretudo aquele produzido no âmbito do Programa de Pós-graduação em Letras e Artes da UEA – e o conhecimento da sociedade em geral.

O projeto será desenvolvido na forma de um ciclo de nove encontros, previstos para ocorrer sempre na segunda quarta-feira de cada mês na sede da ALL, em Manaus, no decorrer de 2013-2014. A ideia de cada encontro será discutir um tópico da produção histórica e cultural da sociedade local e/ou global que possa ser entendido como “obra” – seja de produção individual, seja coletiva. As obras selecionadas privilegiarão diversas fontes artísticas e culturais, tais como cinema, literatura, dança, teatro, música, festas populares, espaços urbanos, etc.

O elenco prévio das obras de cada mês está assim distribuído: Frauta de Barro (setembro), Guernica (outubro), Cidadão Kane (novembro), Cultura Maku (dezembro), D. Quixote (março), Bíblia (abril), ópera Jara (maio), Boi-bumbá de Parintins (junho) e Candomblé (julho). Cada encontro será dirigido por dois palestrantes, que abordarão uma obra específica, dando duas visões diferentes sobre esta, centrando-se na história dessa obra, sua trajetória pública, sua recepção, sua vida enfim.

Além de estudiosos de cada obra específica, o público de cada edição também será convidado a dar suas contribuições ao debate. Como obras abertas que são, todo tipo de conhecimento que se tem sobre elas – mesmo que modesto – será indispensável para que se compreenda, o mais amplamente possível, quão variados são os olhares de público e crítica e quão múltiplas as fontes de saber sobre um mesmo produto.

A obra eleita para o primeiro encontro do projeto é “Frauta de Barro”. Publicada em 1963, a obra inaugural do poeta amazonense Luiz Bacellar já conta com sete edições. Em 50 anos de existência, não faltam causos curiosos a contar sobre a vida de “Frauta”, de seu lançamento às controvérsias envolvendo suas últimas edições. Para debater sobre uma das principais obras poéticas produzidas nos últimos 50 anos no Brasil, nesta edição contaremos com a presença do poeta Elson Farias e do coordenador do projeto, Prof. Allison Leão, na direção do debate.

O encontro será realizado no próximo dia 11/09, às 18h30min, na sede da Academia Amazonense de Letras, em Manaus. A entrada será gratuita e a participação aberta a todos os públicos. A ALL fica localizada na Av. Ramos Ferreira, 1009 – Centro. Saiba mais no endereço: https://www.facebook.com/avidadeumaobra.

Contatos:

Prof. Allison Leão: (92) 8116-6447 – coordenador do projeto

Juliana Sá: (92) 8206-1084 – mestranda, integrante do projeto

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Os 64 anos de Marcos Frederico Krüger

O restaurante Zagaia teve, no último sábado, uma tarde de El Perikiton, com uma edição especial da Panelinha.
Escritores e artistas se reuniram em torno do mestre Marcos Frederico Krüger, para comemorar seus 64 anos.
Da esquerda para a direita: Koia Refkalefsky, Marcos Frederico, Zemaria Pinto, Allison Leão, Nicia Zucolo, Juciane Cavalheiro, a pequena Luiza, Mauricio Matos, José Max (tentando se esconder do flash), Tenório Telles e Mauri Marques.
Cliq por conta da casa. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos

O novo livro de Zemaria Pinto é a sua dissertação de mestrado em Estudos Literários, defendida em abril/2012, na UFAM.
A orientação foi do professor Allison Leão, da UEA, autor dos livros de contos Jardins de silêncios e O amor está noir.
O livro traz uma antologia dos poemas expressionistas de Augusto dos Anjos.
A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos tem apresentação do escritor e crítico literário Hildeberto Barbosa Filho, professor da UFPB, e orelha do professor Marcos Frederico Krüger, autor de Amazônia: mito e literatura, entre outros títulos. 

A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos, com 310 páginas, encontra-se à venda na Livraria Valer, por R$ 35,00.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amazônia: literatura e cultura

Zemaria Pinto




Derivado do III Colóquio Internacional Poéticas do Imaginário, este livro vem reafirmar o sucesso de um evento de grande magnitude que não se deixa cair no erro da repetição de velhas fórmulas. Antes, o primado aqui é a originalidade. O desafio começa logo no título – Amazônia: literatura e cultura. Qual Amazônia? Todas. Porque a Amazônia só pode ser pensada a partir de sua diversidade: continental.


Como afluentes do grande rio que a navega ao meio, os assuntos se expandem e se multiplicam nas mais diversas cores e direções: da literatura à história, a produção cultural amazônida está aqui repensada desde as manifestações orais – ancestrais – até a contribuição/contaminação imigrante, passando pela viagem que essa cultura faz para fora de si mesma.


Não citarei nomes para não explicitar preferências por um ou outro texto, pois no final eles se completam, formando um grande painel desse caldeirão cultural amazônico.  Mas é preciso registrar a presença luminosa de Astrid Cabral – a professora falando da poeta. Discorrendo sobre seu processo de criação, ela nos dá uma lição de simplicidade: “Parto rumo à aventura do desconhecido, em busca do que só existe misteriosamente dentro de mim, de modo vago e amorfo, porém, em luta para emergir.” Aula magna.

Obs: orelha do livro Amazônia: literatura e cultura, organizado por Allison Leão, reunindo as conferências apresentadas no III Colóquio internacional de Literatura, realizado pela UEA, nos dias 16 a 18 de maio passado.