Amigos do Fingidor

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

A mulher



David Almeida


O que seria da vida se não existisse a mulher? É difícil de responder, porque não existiria vida; então, não existiria nem essa pergunta. Mas eu insisto, afinal de contas vivemos num planeta em que existe vida, né? Alguém pode afirmar isso? Será que a mulher está com essa bola toda? Ou a bola toda desse planeta é a mulher? Será que a mulher é uma espécie de sol onde tudo gira ao seu redor e ninguém percebe, ou faz de conta que não percebe? A mulher é a mãe dos filhos da terra?
Já sei, vocês não querem responder, porque não admitem que a mulher é, realmente, a vida nesse Planeta ainda Azul. Que tudo seria sem graça, sem cor, sem cheiro, sem alma, sem amor, sem luz, ..., sem o toque e a leveza da alma feminina. Admitem ou não? Já pensaram num jardim sem flores, rosas? Não passaria de um matagal, devoluto, sem graça, pronto pra invasão de extraterrestres. Vocês não acham que a mulher é a flor mais bela, esplendorosa, que inspira o beijo ao toque da multiplicação do jardim da vida? Aí, algum engraçadinho pode falar: “e quem vai arar a terra para fazer o jardim?” O próprio engraçadinho, né? Tudo na vida é uma consequência de atos; se querem viver, respeitem a vida; respeitem e cuidem da mulher, porque só ela é capaz e tem o poder de gerar vidas.
Será que Ela é uma necessidade sem limite? Não, o limite da necessidade é Ela, depois vem um abismo, o vazio onde tudo se perde, onde o nada não é nada; é só uma cabeça oca que pensou ser tudo, sem perceber que o seu tudo era o nada sem ela. 
As estações do ano sem a primavera seriam: verão, outono e inverno, aí, iria faltar a estação mais feminina de todas; a mais perfumada; a mais florida; a mais mulher... a minha Mãe, e de todos, claro! Ela: a Primavera! Não que todas não tenham importância fundamental na vida desse planeta ainda azul, mas a Primavera é que dá um toque de elegância é a que floresce e de suas flores vem a multiplicação da vida que se completa em todas estações da existência.
A mulher floresce a cada dia, se rega a cada momento, se constrói a cada passo, caminha sobre suas regras regando caminhos e como uma bandeira desfraldada acima de qualquer muralha, levanta a sua voz proclamando sua libertação, desprendendo-se do rótulo que lhe prendia há tanto tempo, desvinculando-se daquela “fêmea” – “que era a mulher de verdade” – pra ser a mulher de hoje, uma heroína sim, com todo o poder de salvar a humanidade, pelo amor de cada gesto seu.
O que seria da vida se não existisse a Mulher?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Esperando bodó e o Messias



David Almeida


A partir da nossa existência nesse terceiro planeta do sistema solar, chamado Terra, vivemos sempre esperando alguma coisa. A vida é uma corrida, vivida na realidade, sobre a autopista de uma longa espera.
Era o início do mês de junho e nos preparávamos – como todo amazonense que gosta do boi-bumbá – para ir ao Festival de Parintins; esquecer um pouco as cores, tão desbotadas do pendão do nosso País e esperar chegar o dia, para levantar as bandeiras coloridas, altivas, impolutas, retumbantes e tão amadas dos dois bois, que fazem o Festival de Parintins ser reconhecido no mundo inteiro.
Com as ondas cerebrais já surfando no balanço ritmado do “dois pra lá, dois pra cá”, esperávamos o dia de entrar no barco e sentir a brisa leve acariciar o corpo, deixando essa alegria colorida bater na alma, nos impulsionar a singrar os caminhos dos rebojos e dos remansos, balançando, “banzeirando” de “bubuia” por sobre as águas desse majestoso rio, ao encontro da ilha dos grandes rituais; sob as batutas de lendárias criaturas; seres encantados da selva, que em três dia aparecem, saem de seus mundos, mostrando um espetáculo sobrenatural do místico universo de sua natureza. 
A ansiedade e a expectativa se misturavam no tempo dessa espera e a conversa se mostrava o tempo inteiro no âmbito do folclore bovino: nas ruas, nas esquinas, nos bares de Manaus, por onde passávamos a pauta era a festa na ilha dos tupinambás e a pergunta logo era feita: quem vai ao Festival de Parintins? Alguns respondiam afirmativamente outros tiravam sarro dizendo que esse negócio de boi é pra quem tem chifre.  
Nessa espera pela chegada do dia da partida, encontramos visitando Manaus um amigo nosso de Parintins, o ex-vereador Messias de Medeiros Cursino, que nos cumprimentou, nos abraçou, e depois de um bate papo bacana comentamos a nossa ida ao Festival de Parintins. Messias ficou eufórico, alegre e logo nos convidou para assim que chegássemos à cidade, ir direto para sua casa, pois iria preparar, de todas as maneiras possíveis, nada mais nada menos que o nosso saboroso e pré-histórico BODÓ.
Pois bem, a espera terminou, o dia tão esperado da nossa partida chegou; era verdade, o barco estava ali, ancorado na Manaus Moderna, também a nossa espera: colorido, bonito, majestoso, sorridente e com o som bem alto no ritmo das toadas, dando assim o tom e o toque de como o coração deveria pulsar. 
Já com a “baladeira” espichada no convés do barco, a corrida era rumo ao bar na área de lazer e degustar uma cerveja bem gelada, refrescando o calor com a brisa batendo no corpo massageando a alma e deixando pra trás, cada vez mais, a nossa querida Manaus. Seguimos viagem, numa alegria contagiante com as músicas de Caprichoso e Garantido avermelhando e azulando nossas almas.
Chegamos a ilha, mais ou menos, às 13 horas do outro dia, fomos logo subindo a ribanceira para no primeiro boteco dar continuidade ao que tínhamos começado ontem. Lá pelas tantas (digo, 2 da tarde), de chegança na área, o compositor parintinense Tote Navegante, que depois dos cumprimentos básicos nos fala do almoço na casa do Messias... haaaaa, aí a barriga já roncando, olhamos um pro outro e vamos nessa! Caminhando, cantando e tendo como cicerone o Tote, seguimos em frente, mas, aqui e ali, o Simão Pessoa se empolgava e dançava reggae. Eu e minha mulher – agarradinhos – dançávamos forró, o poeta e escritor Zemaria Pinto dançava axé music, fazendo gesto, como se estivesse dançando na boquinha da garrafa, e sua parceira, só no carimbó – todos ao som e ritmo das toadas. Se os compassos eram iguais, não sei, mas tinha gente que olhava meio esquisito pra turma, esboçando um sorriso antes de seguir em frente.
Com meia hora de dança, e um calor de fazer inveja a qualquer “capeta”, suando mais que tampa de chaleira, perguntávamos ao Tote: - tá perto? E ele respondia: – é bem ali, e apontava com o canto da boca. Bem, pra encurtar a conversa, depois de dobra pra cá, dobra pra lá, enfim, chegamos na casa do Messias, ah que maravilha – só que não tinha ninguém, e ficamos que nem aqueles fieis evangélicos, esperando o Messias chegar, não para julgar os vivos e os mortos no dia do juízo final, mas para nos ofertar um almoço de boas-vindas, regado a bodó. Atravessamos a rua e com o calor que fazia, a gente molhado de suor, o jeito era aportar em outro boteco e enxugar um gelo esperando bodó, mas o Messias precisava chegar. E haja esperar. E tome cerveja! E eu, vislumbrava aquela mesa posta, até o tucupi de bodó, parecia que estava ali na minha frente: caldeirada de bodó; bodó no espeto; bodó à parmegiana; kikão de bodó; lasca de bodó ao vinho do porto; bodó ao molho madeira (que é o nosso bodó na lama); farofa de bodó com ovo frito; bodó lombrado (feito com cachaça corote); bodó recheado com arroz de lula (em homenagem ao bolsa-família); quibe de bodó com ki-suco de groselha e garapa de cana;  paella de bodó; charuto de bodó à moda iugoslava (prato predileto do nosso poeta Aníbal Beça); xis-caboquinho de bodó (bodó recheado com tucumã e pupunha), ...Bem, estávamos com água na boca, vendo miragem, esperando bodó, mas a fome era tanta que resolvemos dar aquele jeitinho nela – afinal, esperar é um verbo que o povo Brasileiro sabe conjugar direitinho – e pedimos ao Sr. que nos atendia, para improvisar um “rango” pra gente... deu nove horas da noite e continuávamos esperando bodó, todos naquele estado etílico de deixar qualquer bafômetro em pane. Pedimos a conta: – Mestre, quanto é? Falou, o Simão Pessoa. Aí ele disse, que tinha dado pouco, era só uma grade de cerveja, cinco latas de sardinhas, quatro de conservas (boi ralado) e dez ovos fritos, o militos era cortesia da casa, portanto, tudo ficou por conta de 250 reais. Pagamos! Mas fiquei imaginando... já pensou? A gente veio pra comer bodó oferecido pelo Messias e sai com o bucho cheio dessa mistura: sardinha em lata, conserva, ovos e cerveja? Ave Maria! Mas, também, nem precisava o Messias chegar cheio de anjinhos tocando corneta numa nuvem bem branquinha. Uma, que não era esse o momento, bastava um triciclo colorido com um “cabra” pedalando e pronto. 
Bom, já era tarde da noite... bateu o cansaço e fomos para o barco dormir, sonhei com aquela mesa posta de bodó e eu, literalmente, dentro de uma caldeirada, e os bodós me beliscando querendo me comer e de repente veio um bodozão pra cima de mim, com a boca aberta, dei um grito e acordei: cansado, suado, espantado, com um odor horrível no ar, já era manhã do outro dia e estranhei! Não tinha ninguém perto da gente. O por que, eu não sei. Só sei que estávamos esperando o bodó que não veio, e muito menos o Messias.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

“Pátria amada, Brasil” acabou na República da Propina



David Almeida

Oh, Mãe gentil, como estás distante do povo heroico o brado retumbante, de quem tanto te ama e te tem como Pátria amada, Brasil. Mesmo com as mãos calejadas pela construção das tuas riquezas, mesmo com as mãos atadas pelo sol da tua liberdade, mesmo assim; por ti maltratados, desprezados, marginalizados, desvalorizados, ainda se emocionam aos primeiros acordes do teu hino, fechando os olhos, colocando a mão no peito, cantando, vibrando por puro respeito ao amor verdadeiro, mas na realidade, a “Pátria amada, Brasil” acabou na “República da Propina”.
Aí, dizem que essa “pavulagem” toda começou carregada, até o “tucupi” de emoção e muita coragem, num cenário lindo, demostrado num quadro de Pedro Américo, no seguinte endereço: às margens plácidas do Rio Ipiranga, s/n, e sem bairro – na beirada de um rio mesmo. E, lá estavam todos aqueles, que são, realmente, uns filhos... dessa mãe gentil; e, que, de lá pra cá, usufruem de tudo, e pouco ou quase nada fizeram; somente, aguardavam o momento para lançar pra valer, a pedra fundamental da construção da “RP” (República da Propina). Daí veio o brado com a tão famosa frase: “Independência ou morte” – hoje, “seriozinho manuzinho”, eu gostaria de gritar “pega ladrão”, e foi aquele alarido.
O grito ecoou nas matas, encrespou as águas do rio, os pássaros saíram em revoada querendo “sair fora da parada”, mas a “cabocada”, quando viu aquelas espadas todas levantadas brilhando ao sol, “tremeu nas bases”, e ficou ali, seguindo, sempre dependendo, morrendo, subtraído da ponta dos pés, até o último fio de cabelo. Contudo, independente de morrer ou viver, a “RP” – por cima da carne seca – foi crescendo, crescendo, e de mão em mão foi passando, até tomar conta do penhor dessa igualdade. E, é muita “propina” pra pouco dono! Essa “República” continuou crescendo, passando de mão em mão, se repartindo, se multiplicando. Cada fatia da “propina”, “democraticamente” tem seu dono, seu lugar, mas, porém, todavia, contudo, não obstante, a vida dos donos da propina passa incólume, sobre os filhos deste solo, como um gigante pela própria natureza.  
Essa onda de Pátria amada, idolatrada, salve, salve, até agora, não salvou bulhufas nenhuma, a não ser muita propina para os bolsos de poucos, e tudo continua sobre as mãos dos que sempre surrupiaram o que o povo produz – pra ser mais real – é o Reinado da Propina, onde eles têm livre acesso à riqueza produzida por essa gente, que, realmente, nunca “fugiram do trampo”; onde os que trabalham e buscam a honra, a honestidade, para viver e interagir, livre, no relacionamento com o seu semelhante, não tem o direito de pensar, de se vestir como cidadão,  para, pelo menos, admirar a imagem do real resplandecer da vida, né?
O sol da liberdade em raios fúlgidos deixa, literalmente, na escuridão um povo despido, desamparado, sob o bafo de um mormaço angustiante, à espera de fiapos de luz, que poderão vazar, ou não, pelas frestas, das festas iluminadas pelos “propineiros”, e os olhos gulosos da ganância no domínio desse pedaço de chão que bem poderia ser de todos.
Ah, minha Pátria amada, salve, salve os pobres que a duras mãos te constroem, te sustentam, te cobrem de fartura e vivem à espera do milagre do pão, que se petrificou de tanto esperar a mão que continuaria o milagre, deixando outras mãos fazerem milagres em prol de suas mochilas e malas pretas.
Levanta-te, sua “cuirona”, desse berço esplêndido; espia ainda, “manazinha”, sente o amor do teu povo, conduzido feito gado, nos caminhos risonhos dos teus lindos campos floridos. Enquanto cochilas eternamente, o mundo festeja o teu sono, ao som do mar e à luz do céu profundo, e gostam de te ver assim: inerte, passiva, emotiva, sob os olhos ávidos da águia, que cheia de “amor e de esperança à terra desce.”
O futuro não espelha mais a tua grandeza, porque a essa altura do campeonato, de tanto tirar, roubar; de tanto matar, ferir, vais ficar “gitinha”, pálida, desbotada.
O céu e o sol soluçam sobre um lençol cinza cobrindo o que era verde-louro da tua flâmula. Só a propina brilha no céu da Pátria nesse instante, e um aviãozinho, cheio de “pavulagem”, que passa pra lá e pra cá, levando, para lavar a jato, o lábaro, que um dia poderemos ostentar, estrelado, sob a curva da ordem e do progresso.  

É hora de acordar sob o signo da verdade e da justiça, sentir claridade e transparência neste país – quiçá, um dia, iluminado ao sol do novo mundo. Aí, sim, poderemos estufar o peito, e ir de supersônico, pra um futuro digno, e, orgulhosamente, dizer: “Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria Amada, Brasil”!          

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Vermelho e Azul, as cores da nossa Bandeira



David Almeida

No mês de junho, os amazonenses ficam di­vi­didos entre as ban­deiras do Capri­choso e do Garan­tido, e, por in­crível que pareça, a ban­deira do Ama­zonas tem as cores dos bumbas. Há quem diga que a nossa ban­deira parece com a dos Es­tados Unidos, al­guns pensam até em mudar, mas, no mo­mento, essa não é a questão. Será que foi algum vi­sionário, que criou a ban­deira do Ama­zonas, vis­lum­brando um fu­turo com os dois bois? Bom, isso, também, não se sabe, o certo é que, o azul do Capri­choso está no nosso pendão, cheio de estre­linhas, como um céu estre­lado. Já o ver­melho do Garan­tido, não tem o co­ração visível, mas, só para não dar con­fusão, foi com­pen­sado com uma es­ti­cadela a mais, e está no meio da ban­deira. Por tanto, como um grande co­ração.


A bandeira do Amazonas, entre as bandeiras do Garantido e do Caprichoso.
Foto: David Almeida.


Gente, é só uma hipótese. Se anal­is­armos bem, o ide­al­izador do nosso pavilhão es­tava, po­liti­ca­mente, cor­reto, em re­lação aos bois, pois, estrelas são vistas, clara­mente, no céu, prin­ci­pal­mente, numa noite en­lu­arada. O sol, estrela de primeira grandeza da nossa galáxia, é bem visível no céu azul de num lindo dia de verão. Um co­ração ninguém vê, ele fica dentro do peito pul­sando as emoções, co­man­dando o sangue nas veias, num vai e vem rit­mado, ox­i­ge­nando, en­er­gizando a vida.

           Ufa!!! Agora, eu acho que está bem ex­pli­cado, porque essa questão que en­volve o uni­verso fol­clórico dos nossos bumbás, se a gente pisar na bola numa ex­pli­cação, a coisa fica preta. Não se pode tender, nem para um lado e nem para o outro.

         Para você sentir como a coisa é le­vada aos ex­tremos, tem torcedor que pinta a casa toda de ver­melho ou azul. Ex­istem bairros em Par­intins onde a pop­u­lação – com rarís­simas ex­ceções –, é toda torce­dora de um só boi. Como ex­istem famílias, também, di­vi­didas entre o azul e o ver­melho.

       Contam de um caso acon­te­cido em Par­intins que, numa briga entre marido e mulher – ele Capri­choso e ela Garan­tido – a con­fusão só acalmou de­pois que ela o colocou numa rede e em­ba­lando cantou: “ninguém gosta mais desse boi do que eu/ ninguém gosta mais desse boi do que eu”... É por essas e outras que a nossa ban­deira, como a própria arena onde acon­tecem os espetáculos, tem lugar para o ver­melho e o azul, cada um no seu de­vido lugar; e na hora das ap­re­sen­tações, o respeito e a ética são de fun­da­men­tal im­portân­cia.


quarta-feira, 8 de março de 2017

A mulher tem a força



David Almeida

 Na atual realidade social, política e econômica do nosso planeta ainda azul, os degraus que a mulher galgou – como dizem “os bambas” no assunto – o foram por pura raça e determinação dela mesma. Pelo menos é assim que eu penso. A mulher que sofreu discriminação, repressão e outros substantivos, durante muito tempo, dentro de uma sociedade por excelência, extremamente machista, conseguiu superar quase todos os paradigmas a ela impostos, mudando o rumo da história.
A luta foi contra tudo e todos, para chegar ao lugar onde se encontra hoje. Se formos analisar ou fazer uma comparação com o passado, a mulher dos dias atuais é quase um paradoxo da outra dos anos idos. Não deixou de ser doméstica, mas deixou de ser submissa, coitadinha, que fazia tudo o que seu mestre homem mandava.
A Amélia, hoje, não seria mais a mulher de verdade, talvez, a Maria, com a lata d’água na cabeça, que sobe o morro e não se cansa, e pela mão leva a criança, teria o seu lugar nestes tempos, pela sua garra de vencer na vida, pela sua superação.     
A mulher, além de tomar conta da casa e da família, assume nos dias de hoje, uma postura profissional, importantíssima, no mercado de trabalho, concorrendo com o homem. E, muitas das vezes, bem mais sucedida. Porque muitos não perceberam essa mudança de comportamento, não evoluíram, e, envoltos nas suas molduras machistas, estão inertes em seus patamares, cheios de arrogâncias, ouvindo o som de uma banda que já passou. 
Existe ainda discriminação, claro, mas o comportamento da mulher vem se impondo de uma forma profundamente salutar dentro da nossa sociedade. A mulher, sem fazer alarde, conseguiu seu espaço de uma forma extremamente sutil e fecunda, dando forma e sentido ao que o ser humano mais precisa para exigir seus direitos e ter suas conquistas pela essência da cidadania.
É interagindo e se integrando de uma maneira inteligente, eficaz e ética que a mulher de hoje envolve toda uma comunidade, e serve de exemplo para quem quer progredir, devido à sua busca, à sua luta pela sobrevivência dentro de um mundo onde só o homem tinha vez.  
Viver em um lugar, fazer parte de um grupo sem deixar de pensar, sem perder o seu individualismo, mas sem deixar, acima de tudo, de ser um todo, faz com que a mulher se diferencie, e tenha credibilidade bastante para assumir, hoje, postos que outrora eram só preenchidos por homens.  
Em certas rodadas machistas comenta-se que as mulheres não são capazes de pegar em um cabo de uma enxada ou uma boca-de-lobo, e que isso é serviço para homem macho. É claro, lógico, evidente, óbvio, se é assim que eles pensam. Mas, se precisar, ela se adapta a qualquer condição, e está provado!
“Quem sabe o Super-Homem venha nos restituir a glória, mudando como um Deus o curso da história, por causa da Mulher,” é assim que diz na música de Gilberto Gil, mas a “Mulher Maravilha” desses dias achou suspeito esse super-herói, e começou há pouco tempo a restituir a glória, mudando como uma Deusa o curso da sua história. 
Agora, por tudo o que a mulher representa, pela sua condição de gerar uma outra vida, e cuidar dessa vida até aonde sua vida a levar, o homem tem que pegar a enxada, a picareta, a boca-de-lobo e o que mais tiver. Ser macho mesmo, para limpar todos os caminhos por onde a mulher quiser passar. A mulher TEM A FORÇA!      


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Milagrezão



David Almeida


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Valei-me Nossa Senhora. Epa rei, Iansã! Nossa! Gente, como é difícil ser santo nessa terra. Ó, foi muito dinheiro, muita ralação para elevar a categoria dos santos o frei Galvão. Muita reza; fé, peregrinação dos fiéis e muitos anos de batalha, para finalmente chegar à canonização do frei. Agora, a batalha vai ser travada para conseguir que a beatíssima Irmã Dulce da Bahia também seja mais uma santa verde-amarela, a compor o santuário espiritual celeste, mas, quem sabe, o nosso bondoso Papa Francisco possa baratear o negócio e abreviar a tramitação das papeladas, cunhando o diploma dessa, que viveu para dar guarida aos necessitados: a Santa Irmã Dulce da Bahia. Axé! Dizem que milagre ela tem de sobra.
Bom, mas o negócio é serio, meu povo; lucrativo – lucrativo para o Vaticano – e demorado. Veja bem: pro sujeito ser santo tem que provar que os seus milagres aconteceram mesmo, e não tem “mutreta”, porque a bronca do Vaticano é com o homem lá de cima. Aí, depois, com os milagres em mãos é que a parada vai começar. Tipo assim: pega todos os milagres, bota dentro de um saco ou mala, malote, onde der pra colocar – menos na cueca, porque aí já é pecado, e a coisa endurece, pega mal, para quem quer ser santo, mas, dependendo do tamanho, você embala bem a mercadoria e com as bênçãos do futuro santo, manda seguir caminho. E se for um “milagrezinho”? Ah, se for um “milagrezinho”, nem mande. Não chega lá. Tem que ser um “milagrezão”, algo de muito impacto – tipo aquelas obras de fachadas que os governos fazem para impressionar eleitores – ou, por exemplo, ressuscitar a Petrobras, acabar com a corrupção no Brasil; tirar da Presidência da Câmara Federal o Eduardo Cunha, acabar com a microcefalia dos brasileiros na hora de votar, enfim, uma coisa sobrenatural.
Em seu tempo, segundo as escrituras sagradas, Jesus cristo – esse sim fez um grande milagre, e ficou bacana com sua galera – ressuscitou um homem do leito da morte dizendo “levanta-te Lázaro”, e se duvidar o lazarento tá vivo até hoje.
Depois de embalar todos os “milagrezões” – hermeticamente fechados, para não escaparem, mandar via SEDEX. Caso aconteça algum extravio, aquele recebedor de propina dos correios, Marinho, quem sabe, ainda possa fazer um milagre e pagar o pato.
Quando chega ao Vaticano é que a coisa complica, meus caros leitores: os milagres vão ser examinados, vistoriados, comprovados e verificados, certificados tintim por tintim. A procedência, também é importante, não pode ser “made in Paraguai” – no caso, se o “milagrezão” tiver uma passagem pela Zona Franca de Manaus.
 Depois de lavados e enxaguados, com água benta “Perrier” vão para uma balança especial, digital, da marca “Fillizola”, para ver o peso da mercadoria. Isso leva tempo e dinheiro. Gente, é muita “grana” para ser santo. Você gasta o que não tem.
Com toda a certeza, segundo o homem lá de cima, pobre pode ter o reino dos céus, mas aqui embaixo, não tem condições de ser promovido a santo, apesar da sua milagrosa existência. Já o corrupto, principalmente se for político (não são todos, claro) é santo em qualquer lugar deste País, abençoado por Deus e bonito por natureza. Não precisa de canonização, pois tem poder e faz milagre e tem uma fonte inesgotável de força, que é o erário publico: é o “são corrupto”. Por outro lado, nós só tínhamos o tão falado “jeitinho brasileiro”; agora, temos um santo totalmente verde e amarelo e outro na agulha. As coisas vão melhorar “manuzinho”! Já pensou? “O jeitinho brasileiro + um santo é = a?”
Creio que só falta um anjinho pra gente estar próximo ao paraíso. Quem sabe esse anjo pode sair de um “milagrezão” de uma CPI, lá em Brasília? “Vamo ter fé, né, Zé”? A fé remove montanhas.

Em questão das multinacionais da fé, o que vale é fé de mais, e não fé de menos, ou então, fé de tudo. Amém! 

sábado, 9 de maio de 2015

Sem o chinelo na mão e o avental sujo de ovo



David Almeida

Com a chegada do dia das mães – 10 de maio – as mensagens na rede mundial de computadores têm “bombado.” Os e-mails vão chegando com os mais diversos tipos de cartões virtuais, cheios de arranjos, flores, decorações das mais inusitadas, acompanhadas de musicas tristes, melancólicas, bucólicas, te arremetendo a um clima de funeral. Dá vontade de chorar. E se você lê dois cartões virtuais desses com certeza vai entrar em “deprê.” E pra reverter esse quadro, vai ter que gastar um dinheirinho no consultório do Dr. Rogélio Casado.
Qual o porquê das músicas, poemas e textos que falam de Mãe – não são todas, claro, mas a maioria – trazerem esse tom cinza, quase preto de emoldurar tristeza? Mãe é o amor que rega a essência da vida. Mãe é o sol que clareia os primeiros passos das manhãs. Mãe é a lua abraçando a escuridão da noite clareando as estrelas.
Mãe nunca foi símbolo de fraqueza, nem tão pouco sexo frágil. Mãe nos abre a porta do mundo. Mãe também não é tudo, mas de tudo pode fazer por nós.
A mulher evoluiu, passou por cima do machismo histórico que lhe colocava num plano inferior ao do homem; o casulo da opressão e submissão em que se encontrava abriu-se, e ela saiu voando bem alto; não é mais a rainha do lar. É a rainha do mundo. O chinelo na mão estava em lugar errado, o avental todo sujo de ovo deve estar fossilizado, perdido, em alguma cozinha do passado, pendurado no pescoço de uma mãe, que não se encaixa mais nos padrões da vida atual.
Apesar de gostar da música “Ai, que saudade da Amélia”, do ator e compositor Mário Lago e Ataulfo Alves, a Amélia que era a mulher de verdade daquele tempo, que achava bonito não ter o que comer, na verdade, morreu de fome, não conseguiu chegar até aqui. O que se encaixa mais aos tempos de hoje é a Maria subindo o morro com a lata d’água na cabeça, portanto, tá mais próxima da fibra de muitas Marias, que, no peito e na raça, sobrevivem firmes, sobre o terreno íngreme, escorregadio de uma sociedade injusta.
A mãe do século XXI não morre de fome, muito pelo contrário, acumula serviços, pois cuida dos filhos, da casa e está profissionalmente preparada na disputa por um lugar ao sol no mercado de trabalho com o homem.
A mãe, que acreditava em Chapeuzinho Vermelho, se perdeu no tempo, pelos caminhos, em busca da casa da vovozinha, e o Lobo Mau, esquecido, não passa de um vira-lata “pirento” e desempregado, vagando pelas sarjetas e calçadas gélidas de um machismo que ainda agoniza, tentando ser um lobo do bem.    
Essa mãe que chega descrita nos cartões virtuais, na rapidez dessa convergência de mídias, analisada friamente, é um produto sem conteúdo, embalado simplesmente, com o intuito de causar muita emoção, amolecer os corações e gerar lucro para um sistema extremamente egoísta, que nos faz ter um sentimento de pena pelas nossas mamães.
Estamos vivendo o tempo em que Mães são chefes de estado de vários países do mundo. Maria que apanhava, virou Maria da Penha, e tantas outras que lutaram e lutam pela moral, pela ética e respeito feminino.  

Mãe é motivo de alegria todos os dias. Mas, o que fazer? O segundo domingo de maio é a festa maior delas. É o dia dedicado às mamães. São homenagens, o reconhecimento de quem dá a vida pela vida, de quem tem a força, energia, inteligência, amor e paz para transformar o mundo. Que bom te ver assim Mãe: sem o chinelo na mão e o avental todo sujo de ovo.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cachorros marinheiros


David Almeida

Um dia desses, estava eu andando com minha câmera fotográfica, à procura de algo; uma cena; uma imagem que pudesse gerar uma matéria e ser noticia, quando, de repente, na minha frente, vi cachorros feitos marinheiros, tomando conta de barcos ancorados às margens do Rio Negro, na Manaus Moderna – aquela avenida que começa bem em frente ao mercado Adolpho Lisboa e adentra o Igarapé de Educandos. Os cachorros pareciam estar cumprindo obrigações. Sempre atentos, andavam de um lado para o outro na proa de seus barcos, parecia que suas atitudes eram de extrema preocupação com seus afezeres. Achei aquilo interessante: “Cachorros Marinheiros”. Nunca tinha visto uma cena assim tão perfeita, e por um momento pensei que, sem querer, tinha entrado no mundo de “cachorro gente”, e eu era do mundo de “gente cachorro”. O que me salvou dessa viagem surreal foi a câmera fotográfica que segurava em uma das mãos, me fazendo voltar ao normal, lembrando que o cachorro, além de ser considerado, desde os tempos mais remotos, o melhor amigo do homem, prova também que é bom marinheiro.
Um parecia que inspecionava se o barco do seu dono estava bem amarrado, olhando firmemente para a corda, que enlaçava um toco e prendia a embarcação, enquanto os outros descansavam, após o serviço prestado, mas sempre rosnando a qualquer atitude suspeita. Nenhum desconhecido podia se aproximar da área do seu domínio. Isso sem ter carteira assinada e plano de saúde, tudo só pela amizade, carinho, comida e respeito de seus donos, que é o mais importante.
Em outras instâncias, a vida de cachorro não é de cachorro, pois uns até gozam de um “lar doce lar”, num espaço especial da casa; em cima de almofadas; de tapetes de luxo, comidas de primeira e até salão de beleza; muita mordomia. “Eita”, cachorrada de sorte! Esses são cachorros gente.
Outros, nem tanto assim, ficam numa casinha de nada, nos fundos de um quintal, as vezes, até amarrados, comendo o que sobra da casa, ou o pão que o diabo amassou. Esses vivem, literalmente, a vida de cachorro. Outros, nunca tiveram donos, ou foram abandonados à própria sorte; pirentos, cheios de sarnas, carrapatos, vivendo, por aí, vagando pelos umbrais da vida à procura de carinho e amizade, correndo atrás de carros, latindo nas noites, se algo diferente lhes parece, e, quando a fome aperta, vão procurar comida em terrenos baldios, nos lixões, onde for fonte para matar sua fome. É uma vida de cão.  
Parece absurdo e vergonhoso, mas, às vezes, os comparo com a maioria do povo brasileiro, que não tem dono, nem casa, mas pertence a currais eleitorais de onde elege seus representantes pelo voto da irracionalidade de sua fome e vivem à margem da sociedade: abandonados, despejados, dormindo nas calçadas, procurando comida no lixo, pedindo esmolas nas ruas, sem ter, pelo menos, uma casinha no fundo de um quintal para descansar. É vida de “gente cachorro”.  

No caso dos cachorros marinheiros, um espaçozinho na popa ou na proa de um barco, já lhes é o bastante: dormem embalados pelas ondas.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Parente, estamos num beco sem saída



David Almeida


Em que lugar vamos parar, “parentada” com esse ritual de violência generalizada? Todo dia ao ler um jornal, ligar uma televisão, rádio, ou ter contato com qualquer meio de comunicação, a violência está estampada de todas as formas em todos os segmentos da sociedade, fomentada pela miséria, espelhada e espalhada pela má distribuição de renda, causando a famigerada desigualdade social, distanciando cada vez mais o cidadão de sua cidadania, e a perda total da sua identidade.
Os políticos, nossos representantes “legais” – quase sem exceção –, continuam com o mesmo discurso: que vai tudo bem; o novo projeto de segurança está dando certo; mais escolas foram construídas; hospitais funcionando a todo vapor; o interior está mais assistido do que antes, é papo para convencer, emocionar o mais duro coração de pedra. Mas, na realidade continua tudo como era antes. As coisas vão se acumulando, só mudando de embalagem, para enganar os “eleitrouxas”, que tem as bênçãos do “Deus” do candidato “Fulano de Tal”. Estamos acuados, Parente!   
O que temos que fazer é acordar, olhar em nossa volta para ter a consciência do que somos e representamos pra eles, porque nós os elegemos como nossos fiéis representantes. Não precisamos estar cercados por tudo o quanto é amargo e negro da vida, neste Planeta ainda Azul. Porque ainda há esperança de mudarmos tudo a partir de nós mesmos, para não sermos enganados mais.
Só eles têm o direito de viver bem neste País, são os acumuladores de riquezas, que inescrupulosamente, subtraem dos cofres públicos. Tendo em seu “Deus” a fortaleza maior, estão imunes a qualquer atropelo e constroem os seus Paraísos aqui mesmo, Parente!
O impressionante é que, quanto mais suas fortunas crescem, mais seu “Deus” os protegem, e, o povo, mais empobrecido se agiganta na sua fé; se agarra, se amarra, seguindo, se alongando nas procissões, nas caminhadas sob orações, trôpego, entorpecido, à espera de um milagre, por menor que seja, para amenizar seu sofrimento. Estamos encurralados, Parente!
– Parente, eu sei, estamos num beco sem saída.
– Estamos sim, Parente, e só existe uma saída: pra cima.
– Mas, Parente, como vamos sair por cima, se não temos asas?
– Aí é que está, Parente... Quem sabe com muita reza, num acontece um milagrezinho e a gente cria asas? Afinal de contas, dizem que Deus é brasileiro...
– É mesmo, Parente... Olha, formiga que é formiga, que nem sabe rezar, cria asas, imagine a gente.
– Mas, Parente, a gente de asas vai ficar que nem duas borboletas, num é? A nossa situação é difícil; se correr, o bicho pega, e se ficar, o bicho come. Acho melhor esperar o bicho, e esquecer esse negócio de asas, né?
– É, vamos torcer, Parente, quem sabe aquele balão que trouxe uma vez o boi Garantido pra dentro da arena num aparece e tira a gente dessa enrascada. Eu sou Garantido, e tu?
– Sou Caprichoso, Parente, mas eu acho que nessa condição vou virar a casaca.

Portanto, “parentada”, vamos virar a casaca, a mesa, a urna, o que for preciso: sem medo, porque a força está nas nossas mãos. Só assim poderemos vislumbrar um futuro melhor para o beco sem saída.        


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A dona dos botos


David Almeida



Como alguém pode ser dono da Natureza?  Faço essa pergunta por que, em Novo Airão, existe uma pessoa que detém esse direito, acredite! A Senhora Marilda, “A Dona dos Botos”. Aquela que alimenta botos vermelhos de seu flutuante, que fica em frente à cidade de Novo Airão, e já apareceu no mundo inteiro, através de reportagens, das maiores emissoras de comunicação desse Planeta ainda Azul, ficando muito famosa, até, com o status de: “A Pop Star dos Botos”.

Novo Airão está às margens do Rio Negro, e essas águas são povoadas por essa espécie de mamífero, e não é só no flutuante da Senhora Marilda, “A Dona dos Botos”, que eles aparecem para interagir com pessoas, e, claro, filar alguma comida (peixes). Basta fazer um movimento n’água que logo eles surgem, e deixam as pessoas maravilhadas, se tornando esse contato muito especial, pelo carinho e respeito das pessoas com a natureza. É um exemplo fantástico de interação do homem com o meio ambiente.

Essa espécie, de golfinho de água doce, existe em toda a região amazônica, e mais frequentemente povoam o Rio Negro, que banha a cidade de Novo Airão, eles são habitantes daquele local, são filhos da natureza, e se acostumaram com encontros com os humanos, mas a Senhora Marilda, “A Dona dos Botos”, não permite que eles apareçam em outro local interagindo com as pessoas, a não ser, no seu flutuante, onde, pra vê-los, alimentá-los ou até tocá-los tem que pagar uma quantia em dinheiro. Se em outro local alguém for pego com os botos, ela denuncia ao IBAMA, que logo manda um fiscal para proibir ou multar o “transgressor” dos direitos da Senhora Marilda, “A Dona dos Botos”.

Bom, se formos olhar, pelo lado de que, os botos são selvagens, e podem a qualquer momento, ferir as pessoas resultando numa consequência mais trágica, digo que: em qualquer estância o perigo existe, estamos exposto ao perigo em qualquer lugar, o fundamental é não fomentar o perigo, e há uma relação de paz, amor, alegria e felicidade entre humanos e os botos, por outro lado, não é a Senhora Marilda, “A Dona dos Botos, a salvadora da Pátria, muito pelo contrário, ouvi muitas reclamações de turistas que foram maltratados por ela em seu flutuante, inclusive, vinte que vieram do Rio de Janeiro para ver os botos de perto e não viram, porque não gostaram do tratamento recebido.

Alguns donos de pousadas que ficam perto da beira do rio, estão indignados com essa atitude, porque às vezes, seus clientes querem tomar banho no porto das pousadas que tem píer; tomar umas cervejas, tocar violão, ouvir musicas, comer, curtir o cenário natural, mas, sempre à tarde, logo aparecem os botos, e, com eles aparece, também, o problema que todo mundo sabe: a Senhora Marilda, “A Dona dos Botos” está de olho no seu patrimônio.

Dizem que agora em 2014, em Novo Airão vai sair a licitação dos botos, só aqueles que ganharem vão ter a permissão de usar os botos, portanto podem calçar as botas, digo: as nadadeiras.

Boto sendo alimentado por um nativo.
Foto: David Almeida.

  





terça-feira, 19 de novembro de 2013

O dia dos mortos bem vividos



David Almeida

 

Num sistema extremamente capitalista, injusto – causador de desconforto para a maioria da população – oportunamente, tudo vira produto, e enche os bolsos daqueles que têm o capital nas mãos. Portanto, o dia dos mortos fomentou um mercado bem vivo, para os “vivos”. Produtos de todas as espécies foram vendidos nos cemitérios. Os camelôs e não camelôs se aproveitaram do momento para faturar um pouco mais, e complementar a sua renda, na corrida pela sobrevivência. É “O Dia dos Mortos bem Vividos”.

As velas, que por muitos séculos eram consideradas de luxo na Europa, nesse dia são encontradas de todo o preço e em qualquer quantidade. Essa fonte luz é, na realidade, a luz para todos, pois está a todo alcance: pobres, ricos e remediados, nesse momento, tornam-se iguais e rezam por sobre os túmulos de seus entes queridos, na claridade dessa efêmera chama – vale ressaltar, que a diferença existe somente na ostentação dos túmulos.

Depois vem as flores, que perfumam ou não, e dão um colorido todo especial a esse dia: coroa de flores, grinaldas, flores de papel, flores de plástico, flores natural... Elas simbolizam o amor, o carinho e a saudade dos vivos pelos seus mortos, é um gesto fraterno de gratidão, que, emocionalmente, extravasa do coração. É um dia – para alguns – aliviarem o peso da alma.

A fé, de certa forma, vira produto também, ninguém escapa de uma cantada dos evangélicos, eles são muitos, e oferecem aos visitantes copos com água, santinhos, querendo a todo custo, que você aceite Cristo no coração, mesmo que já tenha aceitado, e, em contrapartida, lhes oferecem o paraíso, e, consequentemente, a salvação. A caça às almas penadas é implacável, não da para fugir.

A religião Católica, também, não fica por baixo e protagoniza uma missa em frente ao Cemitério São João Batista, ministrada pelo bispo da capital Amazonense. Os católicos se emocionam, choram, rezam e cantam hinos de louvor aos céus, por seus mortos... “segura na mão de Deus, segura na mão de Deus”.

Tudo tem para vender nesse dia, e não é exagero: na questão gastronômica, o primeiro do cardápio é o mais que famoso “churrasquinho de gato”, depois vem bodó assado, jaraqui e pacu frito, bife do “olhão”, refrigerante etc.  Bijuteria, imagens de santo, rosário, CD pirata e muito mais...De vez em quando, você até escuta o subindo pelas paredes do Príncipe do Brega, Nunes Filho. E pra finalizar, se os fieis quiserem – depois de terem se emocionado com seus parentes que estão do outro lado do mundo – podem cair na realidade, e ainda levar, também, uma pizza pra casa, porque religião e pizza é uma coligação partidária perfeita. Na sequencia, como estamos no final do ano, só pra lembrar de acontecimentos na capital federal, um “panetonezinho” vai bem, também, “né mermo”?   

E nessa romaria toda, o dia dos mortos é bem-vindo para os muitos dias dos “vivos.” É o dia dos mortos bem vividos.
 
Entorno do cemitério de São João Batista, no último dia 2 de novembro.
Foto: David Almeida.
 
 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

344 anos: a velha e a nova Manaus


 

David Almeida


Muita gente teve a oportunidade de conhecer um pouco da velha Manaus, aquela que ainda hoje sonhamos, e por alguns momentos – talvez, por uma fresta do tempo, acendendo e apagando – nossos olhos vagueiam como um pirilampo, brilhando na escuridão e clareando o pensamento, viajando na lembrança de um tempo que ficou pra trás.

A velha e saudosa Manaus, das calçadas livres e casas com varanda; dos igarapés com águas cristalinas; das ruas calmas, tranquilas, onde a senhora Belle Époque desfilava suas riquezas, construindo suas mansões, seus casarões, suas pontes, onde o bondinho calmamente trafegava levando os desejos e os anseios de um lugar para o outro, sobre os trilhos que o progresso um dia ia apagar, como se fossem feitos de giz, riscados nas pedras de paralelepípedos que calçavam seu chão.

Ora, como não lembrar dessa velha Manaus? Quem viveu esse tempo sabe o quanto perdemos de qualidade de vida, simplesmente, por falta de respeito, de responsabilidade com a vida das pessoas, e principalmente por falta de amor com esse pedaço de chão. Como não cuidar de quem te dá guarida? Como não cuidar de quem abre os braços para que te aconchegues? Quando viras as costas para quem te deu a mão, é porque o egoísmo é mais forte dentro de ti do que a solidariedade humana. E assim viraram as costas para ti, minha velha Manaus, para que a nova Manaus surgisse em meio a bancas e barracas, lonas e papelões. Que papelão!

A nova Manaus tem um brilho falso de bijuteria barata, vendida sobre as calçadas que traduzem esse tempo. As casas sem varandas estão agora, umas sobre as outras, como túmulos, construídas sobre o concreto, onde era outrora um igarapé, e eles eram muitos, que, como artérias, pulsavam levando as águas por dentro da nossa cidade para refrescá-la, e, os que ainda existem estão agonizando sob o odor fétido de uma lamina d’água, escurecida pela poluição. As ruas viraram feiras a céu aberto, onde vozes, gritos, correria, sufocam a vida, e, logo a seguir, em cada esquina a violência tece o seu tapete, onde a senhora Zona Franca desfila suas riquezas, construindo e distribuindo miséria, com os seus casarões cheios de delinquências, com seus ônibus articulados, trafegando lotados de gente, feito sardinha em lata, levando ilusões e incertezas de chegar a algum lugar, enquanto o seu paraíso é construído em outro canto.
Ora, como não lembrar, nesse dia, dessa nova Manaus? Sabemos o quanto a amamos, e sofremos por vê-la assim. A queremos mais saudável, mais útil à vida, queremos mais respeito e responsabilidade, dos que podem fazer dela o melhor pra se viver. É preciso mudar os comportamentos, urgentemente, sim! É preciso resgatar as avenidas, ruas, calçadas, praças, que foram tomadas por uma desorganização generalizada, para que a população tenha direito de caminhar livre nos espaços a ela destinados.

É preciso conscientizar que a nossa cidade é cercada por uma natureza maravilhosa e bela, mas expulsaram a natureza de dentro dela.

A Velha e a Nova Manaus, existem: uma, na lembrança e a outra no real, mas são uma só, vamos cuidar dessa Cabocla Morena que se banha, se vê e se refresca todos os dias, nas águas de um Negro Rio, e que temos o prazer de morar nela, de ter nascido nela, e viver por ela, e de cantar nesse dia tão especial, os parabéns pelos seu 344 anos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vergonha, CPIs e “CPoadas”


 
David Almeida

 

Assistindo, diariamente, a tudo o que está acontecendo nessa pátria mãe gentil, me senti envolto numa moldura paradoxal, de um quadro, onde se mostra um País, que dizem ser abençoado por Deus e bonito por natureza, mergulhado num cenário de escuridão e de vergonha. Cansado dos desmandos do poder publico, o povo protagoniza uma busca à claridade dos seus caminhos.

Vocês devem lembrar que vergonha foi uma palavra muito usada na votação do novo código florestal brasileiro. Tudo porque a Presidenta Dilma mandou um recado por um deputado, aliado ao governo, dizendo, que “o que se estava votando, no momento, naquela casa, era uma vergonha”. Minha gente, eu nunca pensei que uma palavra dessa fosse causar um tsunami no sangue que corre nas veias dos nossos nobres políticos.   

A palavra, vergonha no dicionário quer dizer: desonra humilhante, opróbrio, sentimento penoso de desonra, entre outras coisas mais.

“Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo!” Que bom, se realmente a VERGONHA, na teoria e prática, tomasse conta das caras-de-pau, que proliferam, a cada dia, no cenário político brasileiro – não são todos, claro - e das nobres casas, que representam o povo, por “esses brasis” afora.

É a hora e a vez da palavra VERGONHA! Como já teve a vez, e a hora, também, de outras palavras, saindo e soando bonito, das bocas dos nossos políticos, aos ouvidos da nossa nação. Mas tudo continua com outra palavra famosa: CPI. E o nosso povo, sempre, em uma vergonhosa “CPoada”.    

Mas, vejam, não basta, teoricamente, ter vergonha na cara, porque, na pratica, um dia, o sem-vergonha vai ter que tirar a máscara e mostrar a cara. A vergonha está numa fração de segundos entre o passado e o presente, portanto, liga dois tempos, que podem fazer a diferença num futuro bem próximo.

A vergonha é muito importante para quem é digno, honesto, cumpridor dos seus deveres, por que sempre está trazendo o cidadão à reflexão. Quero dizer, que não é o caso de muitos dos moradores das referidas nobres casas, que não ficam nem vermelhos de vergonha, por suas atitudes. Esses são os sem-vergonhas!      

Sem-vergonha é um adjetivo composto que usamos quando queremos chamar alguém de indigno, canalha, devasso... Muita gente não gosta de ser chamado de sem-vergonha, principalmente, alguns políticos que ficam logo vermelhos, furiosos, exaltados, com os brios e as honras feridas, como se muitos deles, que fazem parte dessas nobres casas, não tivessem praticados atos vergonhosos, refletindo vergonhosamente, de uma forma arrasadora, nas vidas dos cidadãos, que fazem e sustentam este país verde e amarelo. Aliás, vergonhosamente, muito mais amarelo que verde: amarelo avivado pela fome; pela miséria; pela pobreza e pelas injustiças.  

Ao contrário, o verde está enfraquecido, desbotado, vergonhosamente, pelas atitudes de quem não tem, no mínimo sequer, compromisso e respeito com a vida do cidadão. Mas, das nobres casas ressoam os discursos dos tribunos recheados de boas vontades, promessas, contudo, quando são pegos com as malas, cuecas, calças, meias, almas até o tucupi de “dimdim”, não acontece nada, eles ganham uma tal de CPI, e o povo uma tal de “CPoada” e tudo acaba sempre num paraíso de pizzas e panetones.

E só para terminar, quero lembrar aos nossos cidadãos leitores, que quando se vota em pessoas que não tem o mínimo de compromisso com a realidade do povo, é também, uma VERGONHA!
                                     

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A história da Mônica tupiniquim



David Almeida

 

O nosso país é recheado de casos de corrupção, um mais cabeludo que o outro: vergonhoso, ridículo, e, me lembrando de alguns desses casos, deparei-me com o do Renan Calheiros, que foi arrasador, foi o único que o fez renunciar do seu trono, esse que ele ocupa agora, do qual, apesar das criticas, não quer sair nem que a vaca tussa: ô carinha sem vergonha, descarado! Vamos torcer que apareça outra Mônica em sua vida, para se mostrar pelada na Playboy, e sabe porquê? Depois que a Mônica se despiu, o Calheiros pegou o seu banquinho e de mansinho saiu.

“Já tive mulheres de todas as cores, de todas as idades e muitos amores”... Mas com certeza, ele (Martinho da Vila), não teve uma Mônica em sua vida.

Ahhh, a Mônica, não! Porque Mônica, decerto, não dá casamento, nem inspiração para ninguém! E o Clinton, quando era presidente dos “States”, sabe disso.  

A história da humanidade é recheada de casos sobre mulheres que traíram homens. Veja bem, não vai aqui um endosso ao machismo enraizado na nossa sociedade desde os tempos primordiais. 

É evidente que os tempos são outros, e essa cultura machista está perdendo terreno, devido a vários movimentos de conscientização, criados mundo afora por pessoas que não pensam mais dessa maneira, porque homens e mulheres são iguais. Tem sujeito até querendo ser mulher. Não Mônica, claro! E como devemos respeitar a individualidade de cada um, é de bom tom deixar o “cabra” seguir em frente.

Só para ilustrar: Dalila traiu Sansão revelando o segredo de sua força, o que levou o mesmo a ser derrotado pelos seus inimigos.  

Em vários momentos da nossa história existem relatos que colam a palavra traição às mulheres. Injustiça ou não, em épocas dessas ocorrências, foi o que ficou registrado e seguido até os nossos dias. Infelizmente! E até hoje – não todos – o homem anda com a mulher sob a sombra da traição. Muita gente acha que é o contrário. Será, parente?

Em nossos tempos – e vai ficar para história – mais uma mulher, deu o tom da traição! Século XXI: a traição das Mônicas; do Clinton e do Calheiros, que abalaram os meios políticos, nacionais e internacionais; econômicos, financeiros, e, quem sabe, até o aquecimento global. A do Clinton foi a primeira, desse bloco, né? Já passou. Deu no que deu. Todo mundo sabe, que até o “Dólar” do Clinton caiu na “bolsa”.

Mônica Veloso! Essa é a do Calheiros, fabricação nacional: A Mônica tupiniquim. Causou o maior rebuliço na vida da nossa “incorruptível República”. Segundo denúncias, ela e sua filha recebiam mesadas pagas com propina de lobista. Foi só a ponta do iceberg num mar de lama gelado, onde Renan chafurdava, e boiando, “inocentemente”, dizia: “daqui não saio daqui ninguém me tira...” Saiu! 

E pra salgar mais ainda a Santa Ceia de Renan, a Mônica apareceu peladinha na revista Playboy. I N T E I R I N H A! Batendo recordes e recordes de vendas, nas bancas de revistas deste país tupiniquim. Todo mundo queria ver o “Partido” que era de Calheiros. “E quem não tiver nem um desejo que atire a primeira pedra”! Inclusive, atazanou a cabeça, dos nobres senadores da terceira idade, que, assanhadinhos, folheavam a revista, com olhos gulosos, de um passado já muito distante.

E o telhado de Renan, que era de vidro, se quebrou, o amor que ele tinha na propina se lascou. Essa história já passou, claro, mas se alguém, quiser um flashback, apresente uma Monica para o Renan, o povo vai adorarrrrrr!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

As acontecências da malfadada Ponta Negra



David Almeida

 

“Em rio que tem piranha jacaré nada de costas”. “Em praia que tem jacaré, ninguém mergulha ou frequenta”. Não rimou, mas essa é a realidade vivenciada pela nossa mais famosa área de lazer: a malfadada praia da Ponta Negra.

Cartão postal da Cidade, ultimamente, a Ponta ficou mais Negra ainda, depois das tragédias de que foi palco, muitos personagens terminaram por ali. A praia continua vazia e vai continuar por muito tempo, enquanto os jacarés povoarem as águas do rio Negro e as cabeças dos banhistas. Os donos das barracas estão insatisfeitos, suas vendas caíram quase 100% por causa da estória dos jacarés, eles chegam ao ponto de dizer que alguém inventou tudo isso pra preservar a Praia, porque nunca viram nada.

Ninguém se arrisca em dar um mergulho e boiar de cara com um jacaré açu. Essa espécie de anfíbio pode chegar até a cinco metros de tamanho, e, como um liquidificador pré-histórico, tem um giro mortal rasgando, estraçalhando a sua presa. Ele não mastiga, mas morde, gira e engole. Alguém se habilita em dar um mergulhozinho nessa praia?

Tanto dinheiro público gasto em sua reforma, a ver navios, digo: a ver jacarés famintos, moribundos e solitários, querendo se aquecer na areia, ao sol da sua solidão. Mas, me pergunta o jornalista Mário Dantas: – a solidão não é fria? Eu respondo: – depende em qual estação ela aparece, como praia está ligada a sol, a gente pensa logo no verão, e os jacarés, “tadinhos dos bichinhos”, têm sangue frio, só aparecem para aquecerem-se ao sol, sem intenção nenhuma, então, nesse caso, a solidão da malfadada Ponta Negra é quente. Como quentes são as noticias sobre ela.

“Ponta Negra cinza quase azul”, diz a letra da musica do meu amigo compositor, poeta e artista plástico Arnaldo Garcez. Ah, meu amigo Arnaldo, na atual conjuntura em que esse espaço se encontra, entre buracos dissimulados, jacarés, e, ao preço de um real para as necessidades fisiológicas de seus frequentadores em seu banheiro, a sua Ponta Negra cinza quase azul, está mais cinza do que nunca.

O que eu não entendo é como um espaço feito com dinheiro público, para o público, pode cobrar para ir ao banheiro? Está escrito na porta do banheiro da malfadada Ponta Negra com catraca, borboleta e tudo, a seguinte frase: “banheiro terceirizado, um real”. Aí, o sujeito, que precisa ir ao lugar várias vezes, por estar com problemas intestinais, vai ter que levar no bolso muita grana, ou então vai fazer suas necessidades nas águas do Rio Negro, o que é pior. E se a onda pega? Já pensou se começarem a terceirizar os banheiros das instituições públicas? Com certeza, as ruas, os postes, as esquinas, qualquer espaço que servir para tirar a água do joelho vai pagar o pato, e a nossa querida Manaus vai ter seu cheiro característico. Ó, eu acho que o povo já paga muita coisa, ganhando pouca coisa.

E, ainda mais agora, com esses jacarés azarando a vida dos que buscam a tranquilidade, lazer, a renovação das energias, naquela praia, para começar a semana com todo o gás.

O que diria, se estivesse vivo, o Professor Gilberto Mestrinho, sobre esses jacarés?

Gente, precisamos de um super-herói, para “desterceirizar” todos os banheiros públicos, tirar os jacarés das praias, acabar com a malfadada Ponta Negra, e trazer de volta a Ponta Negra cinza quase azul. Talvez, quem sabe... nas próximas eleições surja esse super-herói, advindo de um desses programas de televisão, que ajudam pobre a ficar mais pobre ainda, “né”?