Amigos do Fingidor

domingo, 31 de julho de 2016

Manaus, amor e memória CCLXXV


Moacir Andrade (1927-2016) discursa no Caldeira.
Entre os presentes, Frank Lima (camisa amarela e óculos escuros), Aluísio Sampaio (todo pink),
Luiz Cabral (de paletó), Manoel Borges (atrás de Cabral, com a mão no queixo).

Colaboração: Mauri Mrq (foto) e Robério Braga (identificação).

sábado, 30 de julho de 2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Portugal para principiantes 10


O rio Douro serpenteia entre Vila Nova de Gaia e a cidade do Porto. 

Constraste: em primeiro plano, o painel fotovoltaico de captação de energia solar; 
separados pelo Douro, a arquitetura imemorial do Porto.

Vistos do teleférico de Vila Nova de Gaia: à direita, a ponte de D. Luiz I; à frente, vista parcial da Ribeira, no Porto.

Detalhe do Porto, visto do teleférico.

Rua perpendicular de Vila Nova de Gaia, com suas lojinhas de artigos para turistas.

A ponte de D. Luiz I e  no alto, à direita  o Mosteiro da Serra do Pillar, em Vila Nova do Gaia.

Mais da cidade, vista do chão da Vila.

Em Vila Nova do Gaia você não se perde: em qualquer direção, haverá sempre uma cave de vinho do Porto.

No deserto de telhados, os oásis das caves. 

Degustação de vinho do Porto, na Taylors: tawny, ruby e branco.

O teleférico que, numa viagem de pouco mais de 500 metros, leva da Serra do Pillar 
ao centro histórico de Vila Nova de Gaia – e vice-versa.

Gaia, o Douro, o Porto.

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Médicos no Egito dos faraós



João Bosco Botelho

No Egito antigo, os médicos constituíam um grupo de especialistas reconhecidos com destaque social, hierarquizados, pagos pelo faraó, inseridos nas estruturas do poder político e trabalhavam sob rigoroso controle administrativo: sounou, o médico generalista, o último da escala hierárquica, essa palavra também significa: doente, homem que trata quem tem dor e se interessa por quem sofre. É representada pelo hieróglifo unindo a flecha, o pote e um homem sentado; mer sounou, chefe dos médicos; our sounou, grande médico; senedj sounou, inspetor dos médicos.
Junto a essa hierarquização, de certo modo, semelhante aos dias atuais, estão claramente descritos: per âa sounou, o médico da corte; sounou grergetl, o médico das colônias; hérishef Néknet, o médico das minas e dos templos.
As doenças eram reconhecidas como castigo de um ou mais deuses. Entre os mais temidos se destacava Sekhmet, com cabeça de leão, sanguinário, causador de doenças e epidemias.
O acesso à formação de médicos, nos templos mais importantes, era exclusivo aos ricos e poderosos. É esclarecedora a carta de Uzahor-Resinet, médico-chefe do Egito ao rei persa Dario I:
Sua Majestade, o rei Dario I, senhor de todos os países e do Egito, encontrava-se em Elam, ocasião em que me ordenou que fosse a Saís, no Egito. Tinha ordens para restabelecer as casas de vida que estavam em decadência. Fiz conforme me ordenara Sua Majestade... enchi as casas de estudantes nascidos das famílias nobres, não havia filhos de pobres em seu meio. Coloquei à sua frente homens sábios... Sua Majestade me ordenou que providenciasse para eles tudo que houvesse de melhor, para que estivessem em condições de aprender e de trabalhar. Provi tudo o que era necessário, inclusive todos os instrumentos, de acordo com os registros de tempos idos. Sua Majestade assim procedeu por reconhecer o proveito que se tirava desta arte, conservando a vida a todos os aflitos... e por isso fez reconstruir seus templos e restaurar suas receitas.
A profissão médica era administrada pela administração do faraó que impunha severas punições à má prática.
Como o deus Sakhmet era o mais importante no panteão relacionado às curas, os sacerdotes desses templos eram os mais requisitados pelos ricos e poderosos.
De modo bastante claro existia forte inter-relação entre as medicinas praticadas pelos médicos e as dos sacerdotes: wabu, atuavam sob a proteção de um ou mais deuses; sunu, curadores que não estavam vinculados aos templos e deuses; benzedores, sem instrução médica oficial, agiam munidos de amuletos, rezas e encantamentos.
É possível que a presença dos médicos especialistas, descrita por Heródoto, tenha sido resposta social às doenças mais comuns: oftalmologistas ou sounou-irty; abdome ou sounou-khe; ânus ou nerou pehout ou nerihou phout.
Como não há registro de sistema monetário antes do Novo Império, é possível que a remuneração dos médicos fosse feita por meio de alimentos como indica o papiro achado junto à necrópole de Ramsés II: dois khars (unidade de medida) de grãos aos dois escribas, três khars ao comerciante e um khar ao médico.
A intricada relação entre os médicos e sacerdotes está clara na certeza de que muitas escolas de medicina estavam situadas no templos mais importantes como os de: Memphis, Abydos, El Amarna, Coptos, Esna, Edfou e Saïs. O diretor da escola médica de Saïs e o líder sacerdotal da deusa Neith, a principal divindade dessa cidade usavam a mesma titulação.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Moacir Andrade (17.03.1927 – 27.07.2016)


No melhor da forma: um naïf expressionista e anárquico, com total domínio do movimento e das cores.
O Curupira.

Aos 80 anos, ainda em plena atividade.

Para saber mais do artista plástico e poeta Moacir Andrade, veja:
. Moacir Andrade no Palavra do Fingidor
. Moacir Andrade nO Fingidor 


Fantasy Art - Galeria


Artista desconhecido.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Nem sob tortura



Pedro Lucas Lindoso

Era um sábado propício a ir à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Tia Idalina convalescia de mais uma cirurgia plástica. A quinta ou sexta, talvez. Fui visitá-la. Idalina fazia as unhas e arrumava o cabelo. Duas de suas sobrinhas estavam de visita e aproveitavam para também fazer as unhas. Gentileza de tia Idalina.
– Isso aqui vira um salão aos sábados. Disse ela. Essas meninas queridas vêm sempre me visitar. Nunca fico sozinha.
Tia Idalina é sábia. E magnânima. Também, pudera! Recebe seis contracheques, de fontes diversas. Professora aposentada do estado, Idalina foi ainda bibliotecária de uma autarquia federal.  Seu falecido marido era professor de uma universidade pública e engenheiro de uma estatal. E tem ainda a do Exército. Seu pai era general reformado e serviu na Itália. Cinco fontes generosas e ainda a “merreca do INSS”, a completar os maravilhosos rendimentos mensais de Idalina.
Frequenta todas as reuniões de associações de aposentados e sindicatos de onde é pensionista ou aposentada. Leva sempre uma pastinha com todos os documentos. Vez por outra recebe uma bolada extra. São indenizações trabalhistas. Há sempre parcelas de remuneração pagas a menor, planos econômicos, verbas não pagas corretamente a aposentados.
– Esse pessoal dos sindicatos e seus advogados são geniais, diz ela.
Assim tia Idalina ou faz plástica ou uma grande viagem ao exterior, sempre que ganha uma grana extra da Justiça.
Argumentei que a opção pela plástica era por causa da alta do dólar. Mas ela disse que não e me contou, desolada, porque resolveu fazer a sexta plástica. Estava no carro com Antonieta, sua “best friend”, quando um motorista irritado com o trânsito gritou:
– Suas velhas vadias.
No que ela me confessou:
– Juro que não me ofendi com o palavrão, “vadia”. Mas me chamar de velha?... Um absurdo! 
Concordei com titia. Uma falta de respeito e de educação. Idalina não confessa a sua verdadeira idade. Nem sob tortura.

domingo, 24 de julho de 2016

Manaus, amor e memória CCLXXIV


Pórtico das ruínas do Parque Amazonense, lembrando que, em priscas eras,
ali fora um hipódromo.

(Para o Hiram Lopes, que me lembrou o fato)


sábado, 23 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Portugal para principiantes 9


Construída no século XVIII, a Torre dos Clérigos, com cerca de 75 metros
metros de altura e 240 degraus, é um dos ícones do Porto. 
Depois do fiasco junto à torre de Belém, nem me passou pela cabeça 
a aventura de subi-la.  

Livraria Lello, quer dizer, a fila para comprar ingressos para entrar.
A livraria, outro ícone do Porto, é um monumento como outro qualquer,
só que, infelizmente, muito exíguo, onde turistas mal-educados, 
especialmente chineses convertidos ao capitalismo selvagem, 
tiram selfies como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte. 
Numa palavra: brochante! 

Lateral da Igreja das Carmelitas, na área central do Porto.

Altar da Igreja das Carmelitas.
Provocação que o viajante brasileiro ouve dezenas de vezes:
“Este ouro, vós não ignorais, veio de nossas colônias, especialmente, do vosso país.
Mas é claro que a corrupção atual é incomparavelmente maior que o nosso saque...”

Vista da Cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia, tendo ao fundo, sobre o 
rio Douro, a ponte de D. Luís I, a unir as duas cidades.

Localizado na rua de Santa Catarina, um verdadeiro shopping center, de luxo, a céu aberto, só se 
entra no Majestic Café depois de uma fila de dois a três quartos de hora.
Para tomar um cafezinho?
Se você não se importa de abdicar da aura mítica em torno do tal Café, 
não faltam concorrentes às moscas por perto.

Ainda na Santa Catarina, mas separada da algazarra comercial, a Capela das Almas.

Ruela típica do Porto. Típica ruela de Portugal.

“Nossas roupas comuns dependuradas...” 
Ribeira, a zona boêmia do Porto, e o Muro dos Bacalhoeiros.
(Zona, no sentido de área, por favor.) 

A Ribeira, no centro histórico do Porto, é Patrimônio da Humanidade.

Parte da Ribeira, vista do Douro.

A ponte de D. Luís I, vista do Douro.

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Deusas e deuses curadores no Egito antigo



João Bosco Botelho

É possível que as complexas relações abstratas que envolveram deuses e deusas curadoras nas curas de doenças e infortúnios estivessem presentes antes da linguagem escrita.
Após o sedentarismo, as primeiras linguagens-culturas, como a do Egito antigo, ampliaram essas ideias mantendo vivo ao longo de três mil anos o panteão de deusas e deuses curadores. Os nomes das divindades variaram nos períodos dinásticos, todavia as concepções teóricas da vida e da morte, da saúde e da doença, giravam em torno das teogonias e teofanias, provavelmente, oriundas de ideias e crenças religiosas dos tempos ágrafos.
As máscaras mortuárias, como a de Tutancâmon, de beleza artesanal incomparável, com o objetivo de conservar a fisionomia após a morte, relacionada com a crença no renascimento, reproduziu prática corrente em muitas culturas, em especial, na história do povo egípcio.
Os deuses e deusas eram, essencialmente, curadores e protetores contra o mal. Como intermediários do poder divino, os sacerdotes representavam o panteão e a eles cabia a arte de curar e adivinhar. Por essa razão, eram reverenciados e temidos.
Entre os principais deuses e deusas, destacaram-se:
– Thoth, um dos mais antigos do panteão, curou Horus da picada do escorpião e as feridas causadas pela luta entre Horus e Set;
– Imnhotep, filho de Ptah, representado por incontáveis estatuetas de bronze, achadas nas escavações arqueológicas de vários períodos políticos do Egito antigo;
– Isis, a curadora de Ra, possuía o poder de ressuscitar os mortos;
– Sechmet, a protetora das doenças das mulheres;
– Zoser, rei da terceira dinastia, utilizava nas correspondências a designação Sa ou aquele que cura, e, nas inscrições do templo, o título de médico divino.
Além dos deuses e deusas, os egípcios acreditavam que objetos tornados sagrados, tinham o poder de influenciar a vida e a morte, a doença e a saúde:
– Sol alado: símbolo da cosmogênese, situava-se no umbral dos pórticos dos templos, câmaras e palácios alertando a todos sobre o extraordinário significado da luz solar;
– Kepher ou Akhpner ou escaravelho sagrado: símbolo máximo dos ritos de iniciação, traduzindo a regeneração e paternidade do mundo e dos homens, a renovação da vida e a vida após a morte. Por essas razões, usado como amuletos. Até hoje, em pequenas regiões do sul do Egito e Sudão oriental, o inseto é secado ao sol, triturado, misturado com água e bebido pelas mulheres como tônico infalível para gerar uma grande família;
– Uaret: a serpente naja simbolizando o conhecimento e proteção, adornava o alto da coroa faraônica;
As práticas médicas atadas aos deuses e deusas curadores desfrutavam de lugar especial na sociedade egípcia antiga. Dessa forma, não é possível estabelecer, para todos os períodos, um único entendimento, contudo, a partir das fontes médicas, notadamente, nas da XVIII dinastia, isto é, entre 1.400 e 1.800 anos a. C., dominou a ideia de o homem (ser vivente) ser compreendido dividido em três partes: corpo, espírito (representado na forma de pássaro, associado à possibilidade de se descolar após a morte para visitar a múmia) e Ka (parte imutável, com personalidade própria que reside no homem, presença permanente durante a vida e após a morte).
Assim, sob essa relação, onde a vida e a morte estavam em ordenamento próximo, como etapas sucessivas, a Medicina era entendida como responsável pelos corpos saudáveis, empurrando temporariamente a morte inevitável.



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Fantasy Art - Galeria


Masmorra do Dragão.
Clyde Caldwell.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Chegadas – Welcome to Manaus!


Pedro Lucas Lindoso

As coisas geralmente demoram a chegar a Manaus. As coisas boas e as coisas ruins. Uma carta simples que leva dois dias para chegar, no sudeste, aqui leva cinco. As revistas semanais costumam também demorar. Nos anos sessenta a juventude esperava ansiosamente pela chegada dos discos dos Beatles.
Em fevereiro, pelo carnaval, chega a famosa boneca Kamélia. A chegada da Kamélia é um evento. Lembro-me da chegada da Kamélia no antigo Aeroporto de Ponta Pelada. Aliás, chegadas ao Ponta Pelada eram inesquecíveis. O avião pousava por volta de meio-dia. Quando as portas se abriam, o nosso conhecido mormaço, reforçado por um “bafo” quente de vento, nos dava as boas vindas a nossa querida Manaus.
Como sabemos, só se chega à cidade de avião ou de navio. Exceto quem vem da Venezuela ou Boa Vista. Há muitos anos fizeram uma estrada, com destino a Itacoatiara. Os topógrafos erraram o caminho na mata. A estrada voltou em direção à Manaus. A única cidade do mundo que tinha uma estrada assim: Manaus-Manaus.
Tia Idalina nos conta que quando menina não havia a chegada do Papai Noel. Mas jamais se esqueceu da chegada do elefante. Idalina relata que ninguém jamais havia visto um elefante na cidade. Um circo, vindo de Belém por navio, trazia aquele que seria o primeiro elefante a pisar em nossas plagas. A chegada do bicho foi de “fechar o comércio”. Dizem que o elefante teria recebido a chave da cidade do próprio prefeito. E subiu em cortejo pela Eduardo Ribeiro. Não havia muitos carros, mas os bondes pararam. Uma festa inesquecível.
E agora temos outra chegada importante. A chegada da tocha olímpica. A tocha percorreu Manaus em um percurso de 39 quilômetros. Alterou o trânsito e a circulação do transporte coletivo. Houve restrição de estacionamento de veículos em todas as ruas e avenidas do roteiro. Moradores e condutores estacionaram seus carros em ruas próximas, perpendiculares e paralelas. Assim como a chegada do elefante, a chegada da tocha foi uma festa memorável. Se a tocha causou esse reboliço todo, imagine-se um elefante!
Como Manaus tem um grande porto fluvial e aeroporto internacional estamos sempre à espera de novas chegadas. Todos benvindos: reis, presidentes, turistas, bonecas, elefantes, tochas!
Welcome to Manaus!


domingo, 17 de julho de 2016

sábado, 16 de julho de 2016

Sábato Magaldi (09/05/1927 – 14/07/2016)


Mais de mil e duzentas páginas, justificando o título. 


Magaldi, professor e crítico, no traço de Tema.

Hector Babenco (07/02/1946 – 13/07/2016)


Hector Babenco, cineasta.

Fantasy Art - Galeria


Razorback.
Dorian Cleavenger.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Portugal para principiantes 8


A Sé Catedral da Cidade do Porto, cuja construção original remonta ao século XII.  

O nome original da cidade de arquitetura peculiar era Portus Cale, de onde, reza a lenda, 
surgiu o condado Portocalense e o nome de Portugal. 
Os linguistas explicam o fenômeno. 
Ao fundo, a monumental Torre dos Clérigos.

Separadas pelo rio Douro, a Cidade do Porto une-se a Vila Nova de Gaia pela ponte de D. Luiz I (a sombra à esquerda). 
A simpática Vila é a verdadeira terra do Vinho do Porto, pois é lá que se situam as caves, 
proibidas por lei de se instalarem na cidade do Porto, desde o famigerado Marquês de Pombal, 
que deixou cá na Amazônia sua marca. 
As quintas estendem-se às margens do rio Douro, por centenas de quilômetros.
Enfim, todos trabalham e o Porto leva a fama pelo delicioso (e diferente, por isso, único) vinho. 

Outro aspecto da arquitetura do Porto.

Escultura? Instalação? 
Embelezando uma calçada no centro do Porto.

Mais da arquitetura ímpar do Porto.

Espetacular conjunto de azulejos no átrio da Estação Ferroviária de São Bento. 
No detalhe, cenas da história de Portugal.

Em São Bento, cenas da vida banal.

Ainda em São Bento, representação da religiosidade portuguesa.

Acredite! Um autêntico McDonald's, com tudo o que ele tem de pior, adaptado ao cenário milenar do Porto.

Na Praça da Liberdade, no centro do Porto, D. Pedro IV, I do Brasil, 
trava batalha cotidiana contra os pombos, desde 1886.

Igreja dos Clérigos, construída na primeira metade do século XVIII,
forma com a Torre dos Clérigos (que o fotógrafo escondeu para fazer suspense)
um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Porto.

Fotos e texto: Zemaria Pinto.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Os papiros médicos



João Bosco Botelho

As fontes históricas das práticas médicas no Egito antigo são compostas por documentos de diferentes naturezas, reveladores de como os egípcios, pelos menos os ricos e próximos do poder político, em determinados períodos, se relacionavam com a saúde e a doença, a vida e a morte.
Os papiros contendo registros médicos estão entre os mais importantes:
– Papiro Ebers: o nome corresponde ao primeiro comprador, George Ebers, que o adquiriu, em 1872, de um desconhecido egípcio. Os registros são possivelmente fruto de muitos autores, em torno de 1550 a.C., durante o reinado de Amenophis I. Alguns especialistas acreditam que é a cópia de outro papiro mais antigo, um conjunto de textos contendo 875 receitas, nem sempre inter-relacionados, com 20 metros de cumprimento, em perfeito estado de conservação, que se encontra na universidade de Leipzig, na Alemanha. É de incomensurável valor histórico, por conter importantes diagnósticos e prescrições específicas para as doenças do coração, como o quadro clínico do infarto do miocárdio: “Se examinares um homem que sofre do estômago, que se queixa de dores no braço e no peito, mais precisamente na parte lateral... Diz-se então que se trata da doença wid... Deves dizer: é a morte que se aproxima dele”. As outras receitas orientam sobre função intestinal, digestão, dores reumáticas, paralisia dos membros, estados gripais, doenças pulmonares, olhos, ouvido, estômago e fígado, obstruções intestinais, mordeduras de animais, queimaduras, cuidados com a pele e o cabelo, dentes e a língua.
– Papiro Smith: encontrado numa tumba em Tebes e comprado por Edwin Smith, em 1862, um jovem egiptólogo americano. Apesar de ter sido escrito, em torno de 1540 a 1600 a.C., na XVIII dinastia, do mesmo modo que o anterior parece ser compilação de documentos mais antigos, do Antigo Império. Trata-se de muito bem ordenado conjunto de informações de anatomia e doenças cirúrgicas, dedicada ao diagnóstico, tratamento e prognóstico dos traumatismos, que incluem os traumas faciais, pescoço, clavícula, úmero, esterno, tórax, costelas, ombro, coluna lombar.
Esse papiro contém trinta e cinco tratamentos com incrível atualidade, como o da fratura bilateral da clavícula: “Se você estiver examinando um homem com fratura hsb em ambas as clavículas, encontrando ambas as clavículas, uma mais curta e em posição que difere em relação à segunda, então você tem que dizer: trata-se de uma fratura em ambas as clavículas, uma enfermidade de que eu cuido. Você deve deitá-lo então de costas, dobrando algum objeto para colocá-lo entre suas omoplatas. Depois deverá afastar as omoplatas para que as duas clavículas se estiquem, de modo que aquela fratura hsb retorne ao lugar certo”
– Papiro Berlin: escrito em 1540 a.C., na XVIII dinastia, contém prescrições em forma de encantamentos para proteger as mães e seus filhos;
– Papiro Londres: descreve ritos mágicos para curar as doenças dos olhos e das mulheres;
         – Papiro Kahoun: é o mais antigo dos papiros. Escrito em torno de 2.000 a. C., abrangendo as doenças ginecológicas e obstétricas;
         – Papiro Cheaster Beatty: data da XIX dinastia, em torno de 1.300 a.C., descreve as doenças e os tratamentos das doenças do ânus.
O conjunto dos papiros médicos do Egito antigo demonstra o quanto a medicina estava presente e buscando solução para as doenças mais comuns. Realmente, é impressionante a precisão dos diagnósticos e existência de médicos que construíam saberes também como instrumento do aprendizado.


quarta-feira, 13 de julho de 2016