Amigos do Fingidor

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre cavalos e poesia

Ezra Pound (1885-1972), por Liberati.



Pisanello pintou cavalos de tal maneira que a gente se recorda da pintura e o Duque de Milão o enviou a Bolonha para comprar cavalos.

Escapa à minha compreensão o motivo pelo qual uma espécie semelhante de “faro equestre” não possa ser aplicada ao estudo da literatura.

Bastava a Pisanello olhar para os cavalos.

Se alguém quiser saber alguma coisa sobre poesia, deverá fazer uma das duas coisas ou ambas. Isto é, olhar para ela ou escutá-la. E, quem sabe, até mesmo pensar sobre ela.

E se precisar de conselhos, deve dirigir-se a alguém que entenda alguma coisa a respeito dela. 

(Ezra Pound  in Abc da Literatura; tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Curso de Arte Poética

Jorge Tufic

Espécies ou composições poéticas



                   Conhecer, reconhecer, reestudar ou simplesmente recorrer ao que antes denominou-se de normas – pois esse conhecimento ainda não foi de todo ultrapassado –, tem sido uma vantagem a mais para os que se dedicam à poesia. Como já é consabido, Ezra Pound esclarece que a literatura tem sido criada pelas seguintes classes de pessoas: 1. Os inventores: homens que descobriram um novo processo ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de um processo. 2. Os mestres: homens que combinaram um certo número de tais processos e que os usaram tão bem ou melhor que os inventores. 3. Os diluidores: homens que vieram depois das duas primeiras classes e não foram capazes de realizar tão bem o seu trabalho. Assim, conclui-se que o razoável conhecimento das normas pode não levar a nada; mas o total desconhecimento delas, pode levar a um desastre. Isto porque todos, ou quase todos aqueles “processos” de que nos fala o Poeta, dependeram ou serviram de normas para algum outro processo. No ABC da literatura, portanto, as exclusões podem, também, vedar caminhos. 

                   Por conseguinte, o desfile de “palavrões” alusivos às inúmeras espécies de composição poética, desde as mais antigas às mais novas e novíssimas, nos dará, certamente, uma impressão mais estável e mais completa acerca do fazer em poesia, permitindo-nos uma leitura das várias fases da História, durante as quais a Arte Poética fez valer o primado da sensibilidade estética sobre todas as formas e sistemas de poder temporal. A teoria fundamenta as audácias da prática, é nisto que reside, primordialmente, um dos motores que impulsionam a linguagem dos símbolos. 

                   Entre o mais e o menos, fica precisamente em 136 o número de espécies ou composições poéticas, ou sejam: o ABECEDÁRIO, o ACRÓSTICO, a ALBA, o ALVORADA, a BALADA, a BARCAROLA, o BEIRA-MAR, o BESTIALÓGICO, os CALIGRAMAS, a CANÇÃO REDONDA, as CANÇÕES DE GESTA, a CAÇONETA, a CANTATA, as CANTIGAS, a CANTILENA, o CANTO, o CANTO REAL, a CANTORIA, o CENTÃO, a LOA, o LUGAR-COMUM, o MADRIGAL, o MARTELO, a  MESTRIA, o MOIRÃO, o MOTETO, a  MUAXAHA, a NÊNIA, a ODE, o OITEIRO, o OVILEJO, a PALINÓDIA, o PANTUM, a PARÁBOLA, o PARALELISMO, a  PARLENDA, o PARTIMEN, o PASTICHO, a PASTORELA, a PELEJA, o POEMA (tem esse título qualquer composição literária com valor poético), o POEMA-COISA, o POEMA FIGURATIVO, o POEMA PIADA, o POEMA TÍTULO, a CIRCUNSTÂNCIA, a COPLA, a COROA DE SONETOS, o CRONOGRAMA, a DANÇA, o DEBATE, a DÉCIMA, o DESAFIO, o DESCORDO, a DESPEDIDA, o DÍSTICO, o DITIRAMBO, a ÉCLOGA, a ELEGIA, a EMBOLADA, o ENDECHO, o ENGAJADO, as ENSALADAS, o EPICÉDIO, o EPIGRAMA, o EPINÍCIO, o EPITALÂMIO, a EPOPÉIA, o ESONDIG, a ESPARSA, a ESPINELA, a FÁBULA, a FATRASIA, o GABINETE, a GAITA GALEGA, o GALOPE, o GAZAL, o GENETÍLICO, as GESTAS, a GLOSA, a GNÔMICA, os GOLIARDOS, o HAICAI, O HINO, o IDEOGRAMA, o IDÍLIO, o ISOSTRÓFICO, a JANEIRA, o JOCA MONACHORUM, os JOGOS FLORAIS, o JOGUETE D’ARTEIRO, o LAI, o LAMENTO, o LEIXA PREN, as LETRILHAS, o LIED, o PRANTO, a PRECE, o QUADRÃO, a RETRONCHA, o ROMANCE, O RONDEL, o RUBAI, a SÁTIRA, a SEXTINA, a SILVA, o SONETO, a TANCA, o TENÇÃO, a TERÇA RIMA, o TESTAMENTO, a TOADA, o VERS, o VILANCETE, a VILANELA, o VIRELAI, a XÁCARA, o ZÉJEL, e a “tiara de sonetos”, de Max Carpenthier.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os signos da modernidade na Suíte para os habitantes da noite
Zemaria Pinto*
Capa de Suíte para os habitantes da noite, de
Anibal Beça (13/09/1946-25/08/2009)

Não, senhores, a Poesia não está em crise: a Poesia é crise. Por consubstanciar-se na própria aventura da linguagem, a Poesia é uma constante de questionamento, busca e mutação, renovando-se a partir de si mesma e do contágio com as outras artes e com o cotidiano. Entretanto, se analisarmos sua história desde os antigos até o Romantismo, veremos uma distância muito grande entre o comportamento e a consciência desse comportamento. Os poetas que alicerçaram a Poesia enquanto arte valeram-se de recursos técnicos que permitem sua sobrevida através dos séculos. Mas é o poeta moderno que equaciona esse problema em limites palpáveis: de Baudelaire aos Campos, de Laforgue a Bandeira, o poeta moderno tem pensado sua poesia com o estofo da intemporalidade e da universalidade. Muda a forma, mudam-se as escolas, mas ela mantém-se fiel à sua tradição histórica, num trabalho de resgate permanente do estabelecido, com o qual se engendrará o novo.

E eis que se instala o paradoxo: o novo criado a partir da tradição, e não como resultante de um conflito entre esta e aquele. É aqui, então, que se instaura a crise. João Alexandre Barbosa, no ensaio As ilusões da modernidade, afirma que, para o poeta moderno, “a tradição que interessa é aquela que, traduzida, implica no desbravamento de novas possibilidades de utilização da linguagem da Poesia”. O poeta fundará, portanto, sua modernidade no caráter atemporal e universal de seu trabalho, e numa terceira ilusão: a da ubiquidade, ou seja, ser de todas as épocas e de todos os lugares, rompendo a linearidade tempo/espaço, ou melhor, fragmentando-a a partir da leitura dos intertextos que compõem o poema.

O poeta moderno é, pois, um criador de enigmas. A distância entre o leitor e o poeta pode ser medida pela tensão que este consegue ao ignorar os signos da linguagem estabelecida, que resultariam num discurso lógico, multiplicando significados, multifacetando a leitura. Aqui, faz-se útil o exercício da crítica, mais que em qualquer outra atividade artística. Um romance pode prender seu leitor pela boa trama. Um quadro pode encantar pela carga emocional que transmite. Uma sinfonia ou uma simples canção serão agradáveis ao ouvido, prescindindo de um socorro crítico. Mas a crítica do poema arquiteta uma ponte entre o poeta e o leitor, fornecendo a este algumas possibilidades de leituras, independentes do impacto causado pela musicalidade e pelas imagens que o poema transmite numa leitura acrítica. T. S. Eliot, no ensaio As fronteiras da crítica, afirma que “o crítico é um crítico (de poesia) se o seu objetivo primordial, ao escrever crítica, for o de ajudar seus leitores a compreender e a sentir prazer”. A ele cabe, portanto, desvendar o que Pound classificou como “a dança do intelecto entre as palavras”, ou a essência mesma da Poesia.

Essas reflexões vêm-me, um tanto desencontradas, a propósito da leitura de Suíte para os habitantes da noite, de Anibal Beça, vencedor do 6° Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira, categoria Poesia, em 1994. Anibal é o poeta moderno por excelência, a partir do momento em que elege a linguagem como o referencial de seu fazer poético. Já fora assim em Filhos da Várzea, também em Itinerário Poético, livros anteriores. Esta Suíte traz um poeta mais amadurecido, não apenas pelo inevitável passar do tempo, o que em alguns escritores traduz-se por repetição ou enfado, mas por guardar no cerne da sua elaboração poética uma força renovada, que transforma a linguagem, de objeto, em sujeito do poema.

O crítico situado nesta insípida pós-modernidade, que não se submete às saturações impostas por modismos acadêmicos, com suas vertentes que transitam da antropologia à psicologia, passando por “gias” e “ismos” inimagináveis, tem dificuldade de enquadrar o analisado em escolas, o que facilitaria sobremaneira o esclarecimento didático. Como não vivemos no centro de nenhuma revolução estética, e o estilo de nossa época só será definido daqui a algumas décadas, vou arriscar nestes comentários, apenas para efeito de melhor entendimento, classificar o poeta Anibal Beça em uma escola ou estilo consagrado. É um risco consciente, mas é uma tentativa de casar uma crítica que se pretende atual com a tradição literária que embasa a própria criação do autor.

Temos na Suíte as mais diversas formas poéticas: da ode ao soneto, da balada ao auto, resgatados da tradição, até ousadias formais historicamente recentes, como o poema concreto e o poema-práxis, além do poema livre das amarras rítmicas, cuja musicalidade se constrói a partir da interação entre autor e leitor. Ao lado da elaboração formal múltipla e inquieta, nota-se a preocupação com o enriquecimento da linguagem, a partir do uso de palavras exiladas do coloquial, bem como a criação de inúmeros neologismos. Leitor de Dante, Camões e Pessoa, fato evidenciado no texto, Anibal sabe que o poeta é o guardião da língua. Outra característica facilmente observável na Suíte é a dicotomia em que ela se alicerça: noite-dia, loucura-razão, sem que se estabeleça uma predominância de valor, antes, procurando o equilíbrio. Esse embate constante se trava também, sem que o poeta tome partido, na tensão entre fé mística e erotismo, urbano e bucólico, paixão e humor, apolíneo e dionisíaco, onde os contrários não se negam: se completam, se complementam como parte de uma estética una. Por fim, a definição de Dámaso Alonso, acerca da poética de Góngora – “intensa no pormenor, densa no conjunto” –, enquadra-se à perfeição na poesia de Anibal Beça. Despido dos vícios que distinguem o Barroco, o poeta toma para si o que há de positivo naquela escola, reinventando a tradição e inserindo-se em seu tempo, num movimento circular de intemporalidade,

Uma outra evidência do caráter intencionalmente neobarroco da Suíte para os habitantes da noite é o empréstimo que ela faz à música para intitular seus “movimentos”. Enquanto forma musical, a suíte foi estabelecida no século XVII, reunindo os ritmos de dança então em voga (sarabanda, giga, alemanda, entre outros), caracterizando-se como uma sucessão de peças de caráter contrastante, porém escritas numa mesma tonalidade. Tendo o barroco Johann Sebastian Bach, na primeira metade do século XVIII, como seu mais notável criador, a suíte, com o passar do tempo, perdeu sua característica dançante, passando a designar trechos sinfônicos representativos de óperas, balés ou música incidental para teatro. É, pois, com o sentido original que Anibal Beça designa a Suíte.

A tradição lírica brasileira não guarda muita afinidade com os poemas de longo fôlego, tanto que classifica Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, como poema épico, querendo livrar-se, talvez, do estigma de não termos um “poema nacional”. A nossa lírica dá preferência à poesia confessional, à Bandeira, ou questionadora do mundo, das invenções de Drummond, mas (quase) sempre de maneira fragmentada, sem um fio condutor. Anibal não fugiu à regra, negando-a: a Suíte é composta de poemas que podem ser lidos, e entendidos, independentes entre si, porém há uma guia, a mão do poeta-condutor, que atravessa todo o poema, desde o “Prólogo” – e assim me assino esse uno e esse outro Majnun – até a “Balada como/vida”, com sua coda em pianíssimo, figurando o transitório da vida, até então cantada em outros tons – altos e bons.

Tendo como ponto de partida a tradição persa, através da desventura do poeta Majnun, que enlouqueceu por amor a Laila, despojando-se de suas riquezas para viver no deserto, a Suíte traça um movimento sinuoso até um provável presente amazônico e aqui se universaliza:

Um rio negro lava minha aldeia
leva meu silêncio

Os elementos do poema, entretanto, são refratários a qualquer análise de cunho sociológico. Não espere o leitor encontrar em Anibal Beça, e em especial nesta Suíte, uma atitude linear e franca: somos conduzidos por labirintos habitados por animais tão domésticos, como o gato, o galo, ou mesmo “éguas mouras”, para, num repente, confrontarmo-nos com “um tigre de basalto” ou com

Os lobos sempre esses lobos
assaltantes da memória
recorrências de mim mesmo
ou de um outro que me habita

Mas o poeta que nos conduz (Majnun? Anibal?) não esquece das “musas reclusas musas” ou da “mulher de um sonho distante”, a própria Noite-Laila, o inconsciente, a desrazão, a fúria criadora do Louco-Majnun, que, enquanto poeta, representa o limite da palavra, palavra que se multiplica em lua (luaura, lualcoólica, lualém, luasente, luamante) ou noite (noitensa, noitelúrica, noitestelar, noitemporal, noiterminal). “Onde a Poesia?”, o poeta se pergunta: num auto-novena, no verbo em desconstrução, na contramão do silêncio, ou na solidão do Poema?

A trajetória que a Suíte percorre, do extremo Oriente às barrancas do Amazonas, enveredando por esse tempo milenar e atual, é uma clarividência de seu caráter de obra permanente, não fosse pelo rigor estético de sua elaboração a partir de sutis intertextos, que o leitor descobrirá ao sabor da leitura-viagem (via linguagem), e que funcionam como fachos a alumiar a caminhada na noite escura do poemenigma.

*Posfácio do livro Suíte Para Os Habitantes da Noite, de Anibal Beça, editado pela Paz e Terra, em 1995 – vencedor do 6º Prêmio Nestlé de Literatura brasileira.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Produção de texto poético (uma introdução) – VI

Zemaria Pinto


27 – Expressa inicialmente por meio do canto, a poesia lírica, escrita para ser lida, mas, eventualmente, também cantada, tem como características mais imediatamente reconhecíveis as seguintes:

  • Expressão de um eu lírico, espécie de narrador do poema, que não pode jamais confundir-se com o eu biográfico do autor.
  • Uso do verso, que é, originalmente, uma unidade melódica, com padrão métrico e acentos rítmicos.
  • Ainda que o autor utilize o “verso livre”, este deve ter, se não efeitos melódicos e sonoros, pelo menos, unidade de sentido com o resto do poema.
  • Não à toa, Manuel Bandeira dizia que o verso livre era mais difícil de elaborar que o verso convencional.
  • Linguagem marcadamente condensada, onde o máximo de expressão deve ser obtido como o mínimo de recursos.
  • Daí alguns teóricos confundirem o poema lírico com “poema de pequena extensão”, o que, como tudo no universo, já o sabemos, é relativo.
  • Imagens inusitadas, fora do contexto ordinário da fala cotidiana.
  • Esse procedimento empresta à linguagem um caráter plurissignificativo, pois cada leitor poderá interpretar aquelas imagens de acordo com sua capacidade individual de apreensão do texto.
  • Repetição de fonemas, desvio das normas gramaticais, alogicidade, antidiscursividade e valorização do espaço como componente textual.
28 – Podemos simplificar reproduzindo a idéia de Ezra Pound de que o poema tem três raízes possíveis: a fanopéia, a melopéia e a logopéia. A fanopéia é a representação das imagens no poema. A logopéia reflete a musicalidade do poema. E a logopéia é “a dança do intelecto entre as palavras.”

29 – Num diagrama que representasse a decomposição possível de um poema, poderíamos ter a visão abaixo, onde o poema se decompõe em linguagem e idéias e a linguagem, em imagens e musicalidade.
Diagrama da decomposição do poema, a partir da concepção de Ezra Pound.
Continuamos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Produção de texto poético (uma introdução) – IV

Zemaria Pinto


Ezra Pound (1885-1972), para quem “grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”.


15 – Um problema fundamental é identificar o texto literário, o texto-obra, plurissignificante. Podemos começar com seu inverso, o texto-objeto, que deve procure o entendimento do leitor. Isso não quer dizer que o texto-obra não busque ser entendido, mas ele se estrutura de forma diferente, por meio de símbolos.

16 – Uma aluna questionou-me certa feita, argumentando que o Cristo buscava ser entendido utilizando a linguagem cifrada das palavras. Disse-lhe, e repito aqui agora, que a linguagem dos vates-profetas é a mesma linguagem dos vates-poetas, talvez por isso eles se eternizam nos corações e mentes da humana gente.

17 – Para Ezra Pound, “grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”.

18 – Jakobson nos diz que o texto literário tem um componente que o define como tal, a literariedade, que é “um desvio de linguagem”, isto, é um desvio das normas e procedimentos usuais.

19 – Chklovski cria o conceito de estranhamento: se o leitor se depara com construções sintático-semânticas que fogem do padrão compreendido por todos, deve prestar bastante atenção nelas, pois poderá estar diante de uma obra de arte.

20 – Claro que esses conceitos ditos assim, de forma ligeira, não acrescentam muita coisa à cabeça já repleta de informações do leitor. Então, vamos nos desviar um tantinho da teoria literária e pensar nessa entidade chamada leitor. Eu disse desviar? Não nos desviamos, porque o leitor é parte integrante da leitura (lembram disso? leitor + texto).

21 – Vamos pensar no tipo de leitor que temos (ou podemos ter).

Continuamos.