Pedro
Lucas Lindoso
O 12 de outubro é um
dos feriados mais significativos para o povo brasileiro. É quando a nação, com
o coração aberto, abraça o sagrado e o humano. O amor de mãe, a inocência do
brincar e o aprendizado que nasce em sala de aula, com os professores.
Para os católicos, os
diversos Círios que se espalham pela Amazônia se encontram na mesma fé, na
mesma gratidão. É a devoção na Mãe de Deus, que veio das águas do Rio Paraíba
do Sul, onde a imagem de terracota, unindo seus pedaços, abençoou os
brasileiros e ensinou que o que se parte também pode se tornar dom. E se funde
no amor á mesma Virgem de Nazaré, em Belém do Pará.
A devoção à Maria,
mãe do Salvador, atravessa séculos e segue gerando esperança. Nos espaços de fé
de matriz africana, também se festejam as águas doces e a alegria das crianças,
como quem reconhece no sagrado a continuidade da vida, do cuidado e do recomeço.
Para os brasileiros, as comemorações de outubro não precisam se fechar em
dogmas. Podem e devem ser abrigo comum, ponte entre diferenças, encontro entre
pessoas.
E, neste mês,
homenageiam-se também os professores. Homens e mulheres devotados, que ensinam
com paciência, corrigem com amor e fazem da escola um lugar onde o futuro
começa. A Senhora Aparecida, a mesma Virgem de Nazaré, e a alegria das crianças
nos lembram que todos buscamos proteção e afeto, caminhos para crescer com
dignidade.
Além de tudo, é Primavera
ao Sul do Equador. A estação em que a
vida desaprende o silêncio e volta a colorir o mundo. O céu fica mais aberto, o
ar parece mais leve e até o coração, devagar, encontra razão para recomeçar. É
quando flores ensinam sem palavras que tudo o que morre em aparência pode
renascer em beleza. E a esperança, qual brisa mansa, passa por dentro de cada
manhã. No fundo, a fé, em sua essência, é a arte de cuidar uns dos outros. Em
especial, cuidar das crianças. Garantir que aprendam, que brinquem, que sejam
ouvidas, que cheguem longe.
Que os festejos de
outubro renovem em cada família a coragem de amar, a humildade de respeitar e a
vontade de construir um Brasil mais fraterno.
E assim, entre águas,
cantos, passos e orações, seguimos celebrando. Não apenas feriados, mas um
gesto antigo e vivo. O gesto de proteger
e celebrar a vida.