Sem saída
Tarso de Melo
o verso acaba no muro,
a vida
e o que dela fizemos
: figuras desta rua,
fria metáfora de asfalto
e tijolos, de concreto
e retorno
não tem o que faz
delas, como os carros gostam,
vias; retém,
tem memória,
barra, volve, encerra
(martela, prensa, martela
o som toma as formas
que forja)
nosso céu azul e cinza
começa e termina aqui
neste não
que o edifício leva
às costas