Amigos do Fingidor

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A poesia é necessária?

 

O mago

Alexei Bueno
(26/4/1963 – 26/6/2026)

 

Eu amo os bosques e as ruínas e os conventos

E toda parte onde o mistério nos destrua,

Pois nada vale ir decifrar com gestos lentos

A mão sem causa que fez tudo e a tudo estua.

 

Era impossível que algo houvesse, e tais tormentos

Vêm de ainda assim este algo haver, enquanto a lua

Que por verdade não nascera assopra os ventos

Aos nossos olhos também falsos desta rua.

 

Oh! alamedas, catedrais, sombras pendentes,

Por ser sem fruto ainda buscar nos entregamos

De uma só vez a este mistério que encarnamos,

 

Numa volúpia de esquecer, da noite ausentes,

Como o mendigo que sem forças para a sorte

Se entrega inteiro à sua garrafa e à sua morte!