Amigos do Fingidor

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A poesia é necessária?

 

Jaguaribe, o Rio Poeta

Luciano Maia

Para Sânzio Azevedo 

 

Este rio inventou muitas palavras

recortadas nos remansos intumescidos de enxurrada,

metáforas sonoras do tempo das lavras,

escritas na vastidão de pautas imemoriais,

guardadas na lembrança antiga dos meninos de várzea.

 

O Jaguaribe me ditou poemas

chegados da infância de suas águas,

enlaçados aos sonhos camponeses

e aos retiros misteriosos

dos córregos sonâmbulos

que lhe entregam a dádiva

da tímida invernada sertaneja.

 

Este rio, poeta matuto do meu vale,

me ensinou uma canção interminável,

vinda dos primordiais sinais da fonte pequena

até as enluaradas vigílias da sua mansa barra.

 

Para não me esquecer dos seus poemas,

releio os passos lentos de suas águas,

revisitando os areais tão vastos

de sua ilha fecunda.

Ó Parapuã, pátria dos cataventos!

 

Versos do rio! Cânticos fluviais,

rapsódias das luas campesinas,

ó terra interior,

promessas nas ramagens,

silêncio visitado de suspiros,

versos de amor, distância e inquietude!

 

Rio Jaguaribe, poeta matuto do meu Vale.