Amigos do Fingidor

domingo, 18 de abril de 2010

Entrevista com Zemaria Pinto

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Quais as suas outras atividades, além de escrever?

R= Trabalho, há 35 anos, na PRODAM, empresa estadual de Tecnologia da Informação. Aliás, por formação, sou economista e analista de sistemas. Nessa empresa, ocupei vários cargos, inclusive o de diretor técnico. Hoje sou consultor. Além disso, por 11 anos, de 1989 a 2000, dei aulas de literatura na UFAM, pois também sou especialista em Literatura Brasileira. Atualmente, além da PRODAM, divido meu tempo com o mestrado em Estudos Literários, na própria UFAM, pois pretendo dedicar-me integralmente à literatura.

Como surgiu seu interesse literário?

R= Ainda criança lia muito, sem nenhum método. E escrevia, também. Mas só depois de adulto, ali pelos 30 anos, comecei a sistematizar leituras e também a escritura. Mas posso dizer, sem medo de estar sendo pernóstico, que a literatura despertou em mim junto com minha consciência de ser.

Quantos e quais os seus livros publicados, dentro e fora do país?

R= São 8 livros publicados: Corpoenigma (haicais – 1994), Fragmentos de silêncio (poesia – 1996), Música para surdos (poesia – 2001), Nós, Medéia (teatro – 2003), Dabacuri (haicais – 2004), Texto nu (teoria literária – 2008). Além destes, dois de Análise literária das obras do vestibular (2000 e 2001), em parceria com o professor Marcos Frederico Krüger.

Participei de mais de uma dezena de antologias, com destaque para Haïku sans Frontière: Une Anthologie Mondiale, publicada no Canadá, em 1998.

Um livro de que muito me orgulho, não é de minha autoria, apenas organizei e fiz o estudo introdutório: A Uiara & outros poemas, de 2007, de Octavio Sarmento, um poeta falecido em 1926, sem nenhum livro publicado. A Uiara passou a ser um marco da literatura amazonense, com 80 anos de atraso.

Além destes, tenho uma meia dúzia de inéditos. Este ano, eu espero publicar pelo menos uns três...

Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura?

R= Acredito na força da transpiração se sobrepondo à inspiração. É claro que sossego ambiental e paz de espírito ajudam, mas o principal mesmo é aquele dobermann no calcanhar, como alguém já metaforizou o compromisso profissional.

Quais os escritores que você admira?

R= Qualquer lista é subjetiva, depende muito do momento. Neste agora, eu diria que os primeiros espantos do adolescente leitor persistem ainda depois dos 50: Dante, Drummond, João Cabral e Augusto dos Anjos, na poesia; Graciliano Ramos, Borges, Kafka e Clarice Lispector, na prosa. Mas é uma lista incompleta: adulto, descobri a prosa de Machado e de Guimarães Rosa, a poesia de Camões, de Pessoa, de Borges e de Cruz e Sousa, o teatro de Nelson Rodrigues... E tem os meus “parentes” também: Bacellar, Tufic, Thiago... As admirações são tantas que eu ocuparia todo o espaço da entrevista só com elas...

Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores?

R= É preciso entender o nexo do presente com a tradição. Conhecer o passado literário – sem pretender imitá-lo – é fundamental. Tanto quanto conhecer as tendências contemporâneas, tendo a humildade de não procurar inventar nada. Se o sujeito tiver talento, ele brotará dessa conjunção. Em síntese: leiam, leiam, leiam, leiam.

 
Publicada originalmente no blog 1ª ANTOLOGIA POÉTICA MOMENTO LÍTERO CULTURAL, mantido pelo escritor Selmo Vasconcellos.