Amigos do Fingidor

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Luiz Bacellar além da poesia 2/2


Zemaria Pinto

Frustrada a intenção inicial de passar ao largo da literatura, tento redirecionar a conversa para assunto mais ameno, mas sem desviar o rumo. Sei que Bacellar é um leitor compulsivo. “Leio para manter a mente ocupada. É mais que mero lazer; tem efeito terapêutico.” Literatura policial é a preferência, embora aprecie a literatura culta e ensaios sobre assuntos diversos. Nero Wolfe, criação de Rex Stout, é seu detetive favorito – cultor de orquídeas e gourmet requintado, “Wolfe é um crítico da sociedade burguesa capitalista de Nova Iorque.” Maigret, de George Simenon, e Rippley, de Patricia Highsmith, “autores extraordinários como estilistas e de uma erudição extraordinária”, compartilham a preferência do poeta de Sol de feira. No Brasil, aprecia o detetive Espinosa, criação de Luiz Alfredo Garcia-Roza, um refinado e inverossímil intelectual a serviço da polícia civil do Rio de Janeiro. 

Bacellar, em 2007, no seu aniversário de 79 anos.
Foto: Zemaria Pinto.
Da alta literatura, cita como seu preferido o francês Flaubert, “toda a obra, com destaque para Salambô e Bouvard e Pécuchet”. Na sequência, os também franceses Marcel Proust, de Em busca do tempo perdido, e Victor Hugo, de Os trabalhadores do mar, além de “alguma coisa” de Zola. Entre os russos, destaca Tchekhov e Gorki – “romances, contos, dramaturgia”. Em língua inglesa, Henry James e Norman Mailer, além de uma “descoberta” recente: Truman Capote, especialmente por Música para camaleões e Bonequinha de luxo. No Brasil, “Guimarães Rosa e Clarice Lispector são os maiores”. 

Formado em Antropologia pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e Sociais – CBPES, fundado por Anísio Teixeira, onde foi aluno de Darcy Ribeiro, Bacellar tem uma outra faceta pouco conhecida do público: sua carteira na Ordem dos Músicos do Amazonas tem o número 03. Copista e especialista em transposição (“passagem de um tom ao outro ou de um instrumento a outro”, como ele mesmo explica), foi professor de História da Música, no Conservatório da Universidade Federal do Amazonas. Particularmente, o poeta do Quatuor aprecia a música negra norte-americana, mas sua paixão é mesmo a música erudita, de Bach a Schönberg. 

Celibatário, Bacellar tem um explícito carinho por crianças. Cinéfilo, hoje prefere os filmes destinados àquele público, além de comédias e aventuras: “nada de sofrer!”, ele diz. Lembra-se do primeiro filme a que assistiu, na companhia de seu pai, “em 36 ou 37”, no Cine Manaus, dos padres salesianos do Dom Bosco: Ben-Hur, de 1926, com Ramon Novarro, no papel que, mais de 30 anos depois, consagraria Charlton Heston. Foi o cinema que lhe provocou o seu primeiro alumbramento: Hedy Lamarr, atriz austríaca, correndo nua pelo campo, aos 19 anos, no filme Êxtase, de 1932. Bacellar lembra que Lamarr, de extraordinária beleza, era também inventora, tendo patenteado uma tecnologia chamada Spread Spectrum, usada durante a Segunda Guerra para despistar os radares nazistas. O fundamento dessa invenção foi aperfeiçoado e hoje é a base para a telefonia celular.  

Momento de descontração, em 2007, no legendário El Perikiton.
Foto: Zemaria Pinto.
Para encerrar, depois de falar de tantas preferências, pergunto-lhe do que não gosta. Ele abre um meio-sorriso maroto que termina numa sonora gargalhada: “eu não gosto de dar entrevistas, porque, invariavelmente, deturpam tudo o que eu disse!”    

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A morte e a morte de Luiz Bacellar


(notas ligeiras sobre os primeiros 174 dias de morte do poeta)
 
Zemaria Pinto

 
No dia 19 de março de 2012, pouco mais de 13h00, uma idiota, estacionando, atropelou Luiz Bacellar, que esperava, no meio-fio, o momento de atravessar a Ferreira Pena. Sua perna direita partiu-se em quatro pedaços. Ali começava a morte de Luiz Bacellar.

Levado ao SAMEL, um serviço particular, o escritor foi atendido com presteza, sendo preparado para a operação de colocação de pinos e placas, que ligariam de volta os ossos de sua perna, o que só aconteceria cerca de um mês depois.

Após a recuperação, no dia 02 de maio, Bacellar foi para a Fundação Dr. Thomas, um órgão mantido pelo município de Manaus, onde ficou na enfermaria.

A opção pela Fundação era simples: Bacellar morava em um apartamento, onde teria que subir vários lances de escada. E, além disso, precisaria de cuidados 24 horas por dia. Como ele optara – há muito tempo – por viver sozinho, foi levado, sob protestos, ao Dr. Thomas.

Em julho, quando, apesar de muito debilitado, já estava até caminhando, com o auxílio de um andador, uma série de exames médicos colocou-o sob a suspeita de tuberculose. Foi, então, levado ao Hospital de Doenças Tropicais, onde o diagnóstico mudou radicalmente: câncer no pulmão, com metástase para outros órgãos.

Mais alguns dias de volta à Fundação e Bacellar foi levado ao CECON – especializado em oncologia, onde ficou por mais de um mês, tendo retornado ao Dr. Thomas na segunda metade de agosto.

No dia 06 de setembro, sentindo muitas dores e apresentando um quadro de convulsão, Bacellar foi levado de volta ao CECON, de onde saiu no dia 09 de setembro, para ser velado em uma funerária particular. Deixara de respirar pouco depois das13h00, exatamente 174 dias depois do início da agonia. No dia 10, com a presença de uma pequena multidão de amigos, foi sepultado no mesmo jazigo onde fora sepultada sua mãe, no cemitério São João Batista.

Este é o histórico da agonia, que se prolonga, agora, mesmo com o poeta vivo apenas em nossa lembrança e eternizado em seus poemas. Agonia motivada pela irresponsabilidade e inconsequência de uns poucos.

Alguns jornais impressos e alguns blogs, no dia 10 de setembro, atribuíram a um secretário de estado uma declaração que o faz – ao secretário – parecer mentiroso e lambanceiro. Para preservar a honra e a dignidade do tal secretário, vou relatar a verdade, tal como ela de fato aconteceu – e que pode ser checada com gente da estatura moral de Ronaldo Bonfim, Tenório Telles, Jane Cony e Elson Farias, entre tantos outros.

O secretário teria dito que “o governo do Amazonas tomou todas as medidas necessárias para tentar reverter o quadro de saúde de Bacellar.” Disse também que “o governo informou à família que custeará todas as despesas do sepultamento, assim como acompanhou todo o tratamento médico dele.”

Os fatos.

Desde o dia 19 de março até o dia 10 de setembro – do acidente até o enterro – nenhuma secretaria ou qualquer órgão público gastou um centavo de real com a saúde de Luiz Bacellar.

1 – O serviço médico e a estada no SAMEL foram cortesia da direção daquela instituição;

2 – Os pinos e placas usados na perna avariada foram pagos com recursos do próprio Luiz Bacellar (não vou dizer o valor para não envergonhar os pretensos benfeitores);

3 – O Dr. Thomas, o Tropical e o CECON são instituições públicas, que jamais cobraram por qualquer serviço prestado a Bacellar;

4 – Para ter cuidadores 24 horas por dia, Bacellar pagava do seu próprio bolso os serviços desses profissionais, além de contar com um time de voluntárias – o que valeu para as temporadas no Tropical e no CECON;

5 – O serviço da funerária foi pago com recursos de uma das irmãs do Bacellar, que fez questão de respeitar sua vontade, declarada em um documento datado de 25 de agosto, que se resume ao seguinte (copio o documento, por isso a primeira pessoa): 

A – Não quero ser velado em nenhum espaço público; por conseguinte, desejo ser velado em um local particular, sem pompa nem circunstância; 

B – A propósito, desejo que minha urna seja a mais simples possível; 

C – Dispenso antecipadamente quaisquer manifestações públicas de apreço, que desejo reservadas apenas a meus amigos sinceros.  

Portanto, nenhuma instituição e nenhuma pessoa física, além da irmã citada, desembolsou qualquer quantia, mínima que fosse, para o tratamento de Luiz Bacellar, custeado com as escassas economias do escritor.  

Mente e prevarica quem disser o contrário.  

Agora, abutres, deixem que o poeta descanse em paz.   

PS: sobre as últimas palavras de Bacellar terem sido que “queria se encontrar com Jesus”, trata-se de uma falácia evangélica: o velho Dom Luiz jamais diria tal sandice. Nem pra fazer piada.  
 
Bacellar no seu aniversário de 83 anos, no ano passado, entre jovens fãs.
Foto: Zemaria Pinto.
 
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Luiz Bacellar (04/09/1928 – 09/09/2012)


Manaus, amor e memória LXXIV

Catedral em construção, vista da Sete de Setembro.
Nenhum camelô...

sábado, 8 de setembro de 2012

Fantasy Art - Galeria

Luis Royo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Luiz Bacellar além da poesia 1/2


Zemaria Pinto

(o poeta de Frauta de barro fala de suas criações gastronômicas e suas preferências políticas, musicais, cinematográficas e até literárias)

 

Um sábado típico de janeiro em Manaus: se não choveu com certeza choverá. De qualquer forma, o mormaço permanente convida a uma cerveja a quatro graus, servida com colarinho alto. A pilsen da serra de Petrópolis, mesmo industrializada, mantém charme e sabor, embora o meu parceiro prefira a lager da garrafinha verde. A ova de jaraqui, com muito alho e cheiro verde, misturada ao arroz branco, vai aos poucos preparando o paladar para o repasto principal: jaraqui frito ao ponto, como só o “seu” Pedro, do El perikiton, no alto de São Jorge, sabe fazer. A pimenta, preparada com esmero de artesão, exala para além dos limites da nossa mesa, despertando a curiosidade de um casal próximo, na verdade, a única mesa ocupada além da nossa.   

Luiz Bacellar completou 84 anos no último 04 de setembro.
Foto: Zemaria Pinto (2006).
A conversa gira em torno do que poderia ser uma entrevista original com um poeta que não gosta de ser chamado de poeta. “Vamos falar da vida”, convida meu interlocutor, o escritor Luiz Franco de Sá Bacellar, que completará oitenta anos no mês de setembro. Nada mais óbvio. Aquela rotina fraterna do almoço aos sábados, regado a cerveja ou a vinho, com ovas de jaraqui ou bolinhos de piracuí, só pode mesmo ter como tema a vida.  

Bacellar e sua pescada aberta.
Foto: Zemaria Pinto (2008).
Peço então a Bacellar que fale sobre um de seus assuntos favoritos: gastronomia. Afinal, ele é um criador de pratos, como a famosa “pescada aberta à Luiz Bacellar”, que já fez a fama de mais de um restaurante de Manaus. Mas não é só: a “salada minimalista” – mistura inusitada de agrião com tucumã –, a “caldeirada à Luiz Bacellar” e a “moqueca de ovas de matrinxã” são iguarias regionais, feitas com elementos caros à cozinha cabocla, inventadas por um raffiné. Brincando, ele diz que, mais que pela sua poesia, vai ser lembrado mesmo pelos pratos que inventou.  

O poeta de Satori, que por duas temporadas esteve na Europa e lê, fala e escreve em italiano, espanhol, inglês e francês, além de ler em alemão (“um pouco”, ele declina com modéstia), é um grande contador de histórias – a começar pelas de sua própria ascendência, que, pelo lado de sua mãe, tem alguns nomes ilustres, como o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, e o cacique Araribóia. A família deu a D. Pedro II um ministro dos Estrangeiros, o senador pelo Maranhão Felipe Franco de Sá, que foi também ministro da Guerra por um pequeno intervalo. Aliás, as famílias Franco de Sá e Bacellar estão fortemente enraizadas no Maranhão.  

Nesse ponto, chamo-o a um assunto que sei delicado: sua posição política. A resposta quase atropela a pergunta: “sou antiesquerdista e republicano!” A ascendência ilustre e um interesse obsessivo pela história do Brasil no período monárquico, aliados a uma postura naturalmente aristocrática, deram-lhe a fama de monarquista. Ele lembra que esse pretenso monarquismo, colado nele como um estigma, foi uma piada de Farias de Carvalho, seu contemporâneo no Clube da Madrugada, conhecido pelo humor corrosivo. 

E já que tocamos no assunto escritores, pergunto-lhe “quem um dia você quis ser?”. Pensei que ia receber uma resposta atravessada, mas, em vez disso, percebo um momento de rara comoção. Cita inicialmente três portugueses: Fernando Pessoa, Eugênio de Castro e Cesário Verde; mas revela-se “vidrado e até hoje encantado” com Vicente de Carvalho. E confessa: sempre que visita a irmã Inês Maria, em Santos, vai até o monumento dedicado ao poeta – e chora.  

Observo que não vejo aproximação estética mais forte com os poetas citados. Ele então discorre sobre João Cabral, Rilke e Prévert. Sobre Cabral não se escusa a uma crítica contundente: “Pedra do sono, O engenheiro e Psicologia da composição são livros soberbos; o resto é mera repetição da mesma fórmula”. Procuro tirar mais informações, provoco-o, mas ele se mantém reticente. Diz admirar Drummond, Afonso Félix de Sousa, de quem foi amigo, Paulo Mendes Campos e Joaquim Cardozo. Tento a última cartada provocativa – e o Concretismo? A resposta, em latim, é quase ríspida, não viesse acompanhada de um muxoxo irônico: “carmen figurativum!”, referindo-se aos milenares poemas em formas de figuras, que seriam “o verdadeiro Concretismo”, para concluir: “o Concretismo não existe, nunca existiu, é uma falácia, uma ilusão.”
 
Obs: entrevista produzida em 2008, para o número 2 da revista Amazônia Viva.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Fantasy Art - Galeria

Frank Frazetta.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Curso de Arte Poética

Jorge Tufic



                   SEXTINA - É um poema de FORMA FIXA cuja invenção se atribui ao provençal Arnaut Daniel e que consta de seis ESTROFES de seis VERSOS cada, além de um REMATE de três; as RIMAS pretendem fazer-se pela simples repetição das mesmas palavras no fim dos VERSOS de todas as ESTROFES, e, para terminar, nos HEMISTÍQUIOS do REMATE: também deve repetir-se no primeiro VERSO de cada ESTROFE a terminação do último da anterior, como na “Sextina a uma amigo”, de Diogo Bernardes (ibidem):


Se pretendeis, senhor, do louro verde
o prêmio alcançar da mão de Febo,
no fresco Pindo celebrado monte,
não deixeis de seguir pelo caminho
que começaste, com louvor das Musas,
que tudo vence um valeroso peito. 

Em ócio vil um grande e forte peito
passar não deixa a sua idade verde:
querem trabalho e tempo as altas Musas,
não se descobre sempre a luz de Febo,
pouco a pouco se mostra o bom caminho
por entre as brenhas do cerrado monte. 

Ora no fundo rio, ora no monte,
mil vezes acontece dar de peito
o que cuida que vai por bom caminho,
direito chão pisando a relva verde;
mas logo a quem (na volta) mostra Febo
seguro passo, com favor das Musas. 

Não que entendam de vós, as brandas Musas,
que tudo vos parece áspero monte
por onde vos obriga a subir Febo:
não entre tal receio em vosso peito,
que em secos troncos acha-se erva verde,
sombras e fontes no pior caminho. 

Ponde os olhos no fim deste caminho:
vereis no cabo dele estar as Musas,
junto da clara fonte em prado verde,
na mais alegre parte do seu monte,
soltando doces versos do seu peito
ao som da lira do suave Febo. 

Segui, senhor, segui o brando Febo,
pois sempre vos guiou por bom caminho,
inspirando de novo em vosso peito
segredos altos que convém às Musas
para vos dar capela no seu monte,
da sua (que foi Ninfa) planta verde. 

Ora seco, ora verde, o seu caminho
nos mostra Febo, sempre firme peito
para das Musas cultivar o monte.

domingo, 2 de setembro de 2012

Manaus, amor e memória LXXIII

Cervejaria Miranda Correa.
Paisagem cheia de bossa: o rio, o barquinho, a fábrica de cerveja...

sábado, 1 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A invenção do Expressionismo em Augusto dos Anjos 12/12


Zemaria Pinto
 
 
O Nirvana antes do fim

 

“O meu Nirvana”, um dos últimos poemas de Augusto dos Anjos[1], é o coroamento de toda uma obra, não só como poesia, mas também do ponto de vista da expressão filosófica – o poeta autografa o seu trabalho para a posteridade: 

No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero,
Encontrei, afinal, o meu Nirvana! 

Nessa manumissão schopenhaueriana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Ideia Soberana! 

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato – ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias –  

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Ideias!
(p. 310) 

 Encontram-se neste poema os dois sustentáculos filosóficos da poesia de Augusto dos Anjos: o budismo e o schopenhauerismo. Sentindo a iminência da morte – “no alheamento da obscura forma humana, / de que, pensando, me desencarcero” – o poeta encontra a liberdade na filosofia, adquirindo a consciência de que a Ideia é a “forma eterna”, imanente à Arte (SCHOPENHAUER, 2005, p. 246). A Arte sobrevive ao homem, à sua dor crônica, ao seu sofrimento sem fim, ao seu tormento incurável. Extintos os combustíveis que alimentam a Vontade de vida – a ganância, a luxúria, a raiva e a ilusão – sobrevêm, para Schopenhauer, o Nada, para o budismo, a libertação. O Nirvana de Augusto dos Anjos tem outro significado: a perenidade de sua poesia.
 

REFERÊNCIAS
 

ANJOS, Augusto dos. Obra completa. Organização, fixação do texto e notas: Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

BARBOSA, Francisco de Assis. Notas biográficas. In: ANJOS, Augusto dos. Eu. 30. ed. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1965. p. 293-324.

BAUDELAIRE, Charles. Pequenos poemas em prosa (O spleen de Paris). Tradução: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. In: Poesia e prosa. Organização: Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995b. p. 273-342.

BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo. 3. ed. Tradução: José Martins Barbosa e Hemerson Alves Baptista. São Paulo: Brasiliense, 1994.

CAVALCANTI, Cláudia. Em busca do êxtase. In: Poesia expressionista alemã: uma antologia. Organização e tradução: Claudia Cavalcanti. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. p. 17-33.

FARIA, José Escobar. A poesia científica de Augusto dos Anjos. In: ANJOS, Augusto dos. Obra completa. Organização, fixação do texto e notas: Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 141-149.

FLEISCHER, Marion. O Expressionismo e a dissolução de valores tradicionais. In: O Expressionismo. Organização: J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2002. p. 65-81.

FREYRE, Gilberto. Nota sobre Augusto dos Anjos. In: ANJOS, Augusto. Obra completa. Organização, fixação do texto e notas: Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 76-81.

FRIEDRICH, Hugo. Estrutura da lírica moderna. 2. ed. Tradução: Marise M. Curioni. São Paulo: Duas Cidades, 1991.

HYDE, G. M. A poesia da cidade. In: BRADBURY, Malcolm; McFARLANE, James (Org.). Modernismo: guia geral 1890-1930. Tradução: Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 275-284.

MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo. Poesia e vida de Augusto dos Anjos. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1978.

MATTOS, Cláudia Valladão de. Histórico do Expressionismo. In: O Expressionismo. Organização: J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2002. p. 41-63.

MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. 12. ed. São Paulo: Cultrix, 2004.

PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia. 15. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1990.

PORTELA, Eduardo. Uma poética da confluência. In: MELO FILHO, Murilo (Org.). Augusto dos Anjos: a saga de um poeta. João Pessoa: Governo do Estado da Paraíba, 1994. p. 65-66.

REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977.

ROSENFELD, Anatol. Texto/Contexto I. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2006.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. 1º tomo. Tradução: Jair Barboza. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

SHEPPARD, Richard. A poesia expressionista alemã. In: BRADBURY, Malcolm; McFARLANE, James (Org.). Modernismo: guia geral 1890-1930. Tradução: Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.  p. 313-320.

SMITH, Huston; NOVAK, Philip. Budismo: uma introdução concisa. Tradução: Claudio Blanck. 3. ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2008.

SOARES, Órris. Elogio de Augusto dos Anjos. In: ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 3. ed. Rio de Janeiro: Castilho, 1928. p. VII-XXXVI.

SPENCER, Elbio. Augusto dos Anjos num estudo incolor. In: ANJOS, Augusto dos. Obra completa. Organização, fixação do texto e notas: Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 180-185.

 



[1] Publicado na Gazeta de Leopoldina, no dia 14 de novembro de 1914, dois dias após a morte do autor.
 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As pontes sempre nos levam a algum lugar


David Almeida

 

Muitas pessoas questionaram, e ainda questionam a construção da Ponte Rio Negro. Se ela é uma das mais caras pontes do mundo, em devidas proporções, não sei, o certo é que foi inaugurada. E muita gente passa por ela diariamente, na contramão do seu antigo tempo. O verbo “esperar” não é mais conjugado nessa travessia.      
Foto: David Almeida.
Impoluta, reta, altiva, majestosa, delicada, ostentando os milhões que foram gastos em sua construção, ela atravessa o Rio Negro como mais um colosso amazônico e causa uma visão extraordinária. Há quem diga que é uma ponte, que sai do nada e leva a lugar nenhum. Não acredito! As pontes sempre nos levam a algum lugar. Nenhuma ponte sai do nada para o nada, mesmo que ela seja um sonho. Se existiu uma ponte que saiu do nada caiu por falta de sustentação.

As pontes são necessárias para a vida, são estratégias para se chegar a um determinado ponto, e, mais importante ainda: para se chegar a um ideal. E quando o homem precisa voar eis que surge a ponte aérea riscando o céu desse planeta ainda azul. As pontes evitam curvas, passam por sobre os lagos, rios, mares, montanhas e pelas pedras dos caminhos; facilitam as nossas idas e vindas. O nosso pensamento, é uma ponte, que ninguém vê, só nós sentimos: invisível; maravilhosa, complicada e perigosa, que às vezes, quando precisamos, nos leva além da vida real, e quando o pensamento é bem construído, nos trás de volta.

As pontes são vias necessárias até para o complicado, e perfeito, sistema do corpo humano, quando o fluxo de sangue é interrompido na veia, a ponte de safena é o caminho para vida.  Dizem os espíritas que existe o “Cordão Prateado”, uma espécie de ponte que liga o espírito à matéria, e quanto há uma ruptura dessa ligação, aí a vida é interrompida e segue outro rumo, até então desconhecido por nós, simples mortais.  

A ponte sobre o Rio Negro não liga Manaus ao Brasil, mas liga às comunidades que estão na outra margem, e isso é importante, fundamental para o desenvolvimento sócio, político e econômico da nossa região. É uma ponte que melhorou, sim, a vida de muita gente. O ir e vir está mais fácil, o transporte de produtos para um lado e para o outro encontrou facilidades, principalmente os alimentos perecíveis que precisam de rapidez na entrega.

Se a ponte vale o quanto custou ou o quanto pesa é uma questão matemática, agora a importância dela para todos, de lá e de cá, é imensurável.

Vamos orar, torcer para que a palavra seja cumprida. O chefe maior desse Estado, disse: “Enquanto eu for governador, não será cobrado pedágio!” Pelo menos dessa vez o povo não precisa pagar nada, porque já pagou tudo. “Né?” Rezemos ao senhor...   

 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

'Poesia solta na rua' volta nesta quinta



A programação do Poesia solta na rua desta quinta, 30/08:

Recital poético: Aldisio Filgueiras, Cláudio Fonseca, Rayder Coelho e Michele Pacheco; Participação especial: Amanda Figueiredo, homenageando Anibal Beça

Musical: Zeca Torres (o Torrinho) e Cileno

Sobre os poetas:

Aldisio Filgueiras: a poesia de Aldisio se caracteriza pela crueza, quase brutalidade, com que ele escancara a face da sua musa preferida: a cidade de Manaus;

Cláudio Fonseca: com um só livro publicado, Vitral, a poesia de Cláudio Fonseca tem um tom clássico e uma elegância sóbria, inconfundível;
Rayder Coelho e Michele Pacheco: membros do CLAM, onde participaram da antologia A Quinta Estação, são duas das grandes promessas da nova geração de poetas amazonenses.  


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fantasy Art - Galeria

Donato Giancola.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Curso de Arte Poética

Jorge Tufic
 
 
CANTO REAL - Composição poética de FORMA FIXA, certamente oriunda da BALADA, o chant royal francês consta de cinco ESTROFES  e um ENVIO (às vezes apresentado como OFERTA), tendo cada estrofe normalmente onze VERSOS, cinco ou seis o ENVIO; as ESTROFES são UNÍSSONAS, isto é, rimam todas segundo o mesmo esquema, parcialmente repetido no ENVIO, feito de acordo com a parte final delas. Tanto nas ESTROFES como no ENVIO, o último VERSO é sempre o mesmo, a exemplo do que sucede na BALADA (“PEQUENO DICIONÁRIO DE ARTE POÉTICA”, Geir Campos, idem). Só que não pudemos aproveitar, neste lance, o “Canto Real do poeta””, do “Livro Bom”, de Goulart de Andrade, transformado, porém, numa paródia idealizada por um grupo de “alunos”, sob o título “Balada Perdida”:
 

Na sarjeta de um velho povoado,
há um pobre lavrador fitando o céu:
mais parece um rochedo desabado,
ao mundo opondo o triste fardo seu!

Tenta erguer-se, não pode; é fantasia
pensar que alguém lhe ajude, e desafia
ao próprio Deus, com nojo e desamor...
Dá-lhe ódio, inclusive, o fraudador
da Previdência-mãe da Sinecura,
porém, desiludido, lavra a dor,
antes que baixe logo à cova escura.

Imagina, contudo, deslumbrado,
ser feliz de repente, ter chapéu
novo, roupa nova, e assim, casado
ao sonho azul de simples tabaréu,
vibrar, de passarinho, à luz do dia,
sentir o gozo, inflar-se de alegria,
lutar pela justiça e em seu louvor,
tornar-se da miséria um vingador,
indo além dos limites da loucura...
Porém, dorme de vez o Campeador,
antes que baixe logo à cova escura!

etc. etc. etc.

OFERTA

Pobre, que tanto gastas teu ardor
nesse delírio desesperador,
pega em vez disso em armas; e na dura
competição, redime a tua dor,
antes que baixe logo à cova escura!