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| Hu Ming. |
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Sabedoria de avó
Pedro Lucas Lindoso
Há um conhecido texto de Rachel de Queiroz em que ela diz que
“netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para
isso, de repente lhe caem do céu”.
Nesse mesmo texto, a inesquecível escritora diz ter certeza
de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as agruras trazidas
pela velhice. E continua, sabiamente, afirmando que os netos são amores novos,
profundos e felizes.
Confesso que sou o que se chama de avô babão. Talvez até mais
do que isso. Reconheço que posso passar ridículo quando falo de minha netinha
Maria Luísa. Inclusive quando faço postagens dela nas redes sociais. Ela tem um
explícito excesso de fofurice.
Minha mulher, vovó Vera, não fica atrás. Somos avós paternos.
Os avós maternos são tão corujas quanto. De fato, quando Maria Luísa abre os
olhinhos, nos reconhece e diz sorrindo: vovô!
O nosso coração explode de felicidade, como diz a música famosa.
Até as pequenas desobediências e birras se transformam em
alegrias quando se envolvem avós e netos. Especialmente como o que passo a
relatar. A interferência e sabedoria da avó são postas a prova.
Maria Luísa estava passando a tarde de domingo em nossa casa
na companhia dos pais. Apesar de não morar conosco, ela tem sua caixa de
brinquedos, berço, cadeirinha, banheirinha e tudo mais que tem direito para ser
bem recebida com alegria e propriedade.
Após brincar no parquinho e já chegando a hora de ir para sua
casa, Maria Luísa foi convidada a tomar um rápido banho. Vovó aqueceu água,
aprontou a banheirinha, pegou o shampoo e sabonete, toalhinha e etc. Como já
dito, ela tem tudo isso à disposição em nossa casa.
Mas a garotinha não queria saber de banho. Corre para um
lado, corre para o outro. Se esconde aqui, corre para lá. Nesse momento a mãe
se prepara para intervir com a autoridade necessária. É preciso educar e impor
limites.
Eis que entra a sábia interferência da vovó. E, sem maiores
entraves, convida a garotinha a dar banho na sua boneca Joaninha.
Pronto, a netinha obedece, sobe na banheirinha. Toma seu
banho junto com a bonequinha. Ficou lindinha e cheirosa. Tomou a sua sopinha e
foi para casa.
A fantástica sabedoria de avó!
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
domingo, 25 de fevereiro de 2018
sábado, 24 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Satanismo medieval e as práticas médicas populares 2/2
João Bosco Botelho
Outro grupo que sofreu pesadamente a perseguição imposta pela
Igreja, na Contrarreforma, sob a ética perversa da intolerante perseguição aos
contrários, emergindo das universidades mantidas pelo poder eclesiástico, foram
os cirurgiões-barbeiros, também pelo grande número e maior prestígio político.
Com os cirurgiões, a argumentação básica da intolerância esteve assentava no
fato de eles trabalharem com o sangue, praticando a sangria, cauterizando as
feridas, lancetando os abscessos, imobilizando os ossos quebrados e amputando
os membros gangrenados.
A resistência por parte dos médicos formados nas
universidades acabou gerando, como resposta, reorganização dos
cirurgiões-barbeiros. Como já foi explicado, nas linhas acima, sob a liderança
inicial de Jean Pitard (1238-1315), também para se protegerem dessa
intolerância, se agruparam numa confraria, sob a proteção de São Cosme e São
Damião, e passaram a adotar atitudes e roupas para diferenciá-los dos
barbeiros.
A Confraria de São Cosme e São Damião, que reuniu centenas de
cirurgiões-barbeiros, conseguiu, em 1436, a admissão deles como alunos da
Faculdade de Medicina de Paris.
Os doentes, cada vez mais numerosos, em consequência do
avanço das enfermidades infecciosas, inclusive o da peste negra, na primeira
metade do século 15, eram internados em lugares conhecidos como “Xenodochium
pauperum, debilium et infirmorum” (Hospital dos pobres, dos fracos e dos
enfermos), administrados pelos membros de várias irmandades. A Ordem dos
Hospitalários de São João, dos Antoninos e do Espírito Santo foram as que mais
se destacaram e acabaram ampliando a ação dessas instituições. Dessa forma, a
anterior ética médica hipocrática, incorporou a ética cristã da caridade.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Jorge Tufic – poeta e gentleman
Pedro Lucas Lindoso
Quando os amigos se vão, levam com eles parte da gente, de
nossa história de vida. Mas ficam na nossa memória afetiva os bons momentos que
vivenciamos. Inesquecíveis, portanto, as lembranças dos compartilhamentos de
alegrias, afetos e até mesmo tristezas.
Jorge Tufic faleceu em 14 de fevereiro. Neste ano, uma triste
quarta-feira de cinzas. Dia em que europeus e americanos comemoram São
Valentim. É uma data na qual se celebra a união amorosa entre casais e
namorados. Também é o dia de demonstrar afeição entre amigos. E como Jorge era
afetuoso com seus amigos! Um gentleman!
Há palavras de difícil tradução. Saudade é uma delas. É tão
plena de significados, que só nós brasileiros sabemos o que é saudade. E
estamos todos com aquela imensa saudade do Jorge Tufic. Tão grande quanto a
abrangência lexical de seu significado.
Outra difícil de
traduzir é “gentleman”. Mas todo mundo sabe o que é. Os falantes do Inglês,
claro, e nós também. Jorge foi um “gentleman”, na verdadeira e total acepção da
palavra.
Como já disse, quando alguém se vai ficam os bons momentos.
Vou relatar alguns que tive com o Jorge.
Há uns seis anos ou mais, numa memorável sexta-feira de chá
do Armando, Jorge estava em Manaus e lá compareceu. A conversa era sobre o Hino
do Amazonas. Nosso estado carecia de um hino e José Lindoso, quando governou o
Amazonas, democraticamente, mandou fazer um concurso público para a escolha do
hino. Jorge Tufic foi o vencedor. Ele me disse, sem pedir segredo, que meu pai,
José Lindoso, chamou-lhe na Governadoria para uma conversa amigável.
José Lindoso deu os parabéns pelo primeiro lugar e
consequente escolha da letra do hino. Disse-me Jorge que o governador, meio sem
jeito, perguntou-lhe se importava-se em analisar algumas pequenas sugestões ao
seu trabalho. Jorge, na sua humildade, permitiu e o hino ficou com alguns
versos modificados pelo governador.
Eu disse a ele, que mesmo respeitando a memória de meu pai,
já falecido na ocasião, considerei aquilo abuso de autoridade! Jorge discordou.
“Ele não impôs nada”. Disse-me ele. “Apenas sugeriu e ficou bem melhor! Foram
só detalhes”. Jorge era mesmo um gentleman. E humilde. Eu mesmo, no lugar dele,
não permitiria que mexessem no meu trabalho. Ora, ora!
Estava em Fortaleza a passeio. Era época de carnaval. Fui visitá-lo.
Jorge sempre muito afetuoso com os amigos. Deu-me livros de presentes.
Levou-nos para passear de carro. Lembro-me que paramos num empório com grande
sortimento de bebidas finas. “É aqui que me abasteço”, disse-me ele. Grande chazista! Vai se encontrar com Armando
de Menezes e brindar a grande amizade e companheirismo que sempre mantiveram.
Nosso último encontro foi triste. Faz menos de dois meses.
Estava novamente em Fortaleza. Em férias. Fui à missa de sétimo dia de sua
esposa, Isabel. Ele estava muito abatido e triste. Dei-lhe três abraços e lhe
disse.
Um por mim. Outro pelo Zemaria Pinto e o terceiro pelo Almir
Diniz, que mandaram que te abraçasse carinhosamente.
No nosso hino, letra de Tufic, há dois versos que considero
fenomenais:
“Aos que sonham, teu canto de lenda,
Aos que lutam, mais vida e riqueza”
Jorge, vamos continuar sonhando e lutando por mais vida e
riqueza. Lembranças para o Armando de Menezes. Com certeza tem chá lá no céu!
domingo, 18 de fevereiro de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Soneto ao fingidor
Jorge Tufic
Revejo a praça, o bar, o
teatro, a igreja.
A tarde deixa o dia ali
na esquina.
Logo chega o Simão, e a
noite ensina
que antes do papo venha
uma cerveja.
Agora o bar do Armando é
uma oficina.
Em cada peito um fingidor
lateja...
Zemaria sussurra, alguém
troveja,
mas tudo é festa, brinde,
serpentina.
Que seria de nós ou da
Poesia,
se além da “crise” bar
virasse banco,
praça, estacionamento, o
que seria
das estrelas, do nimbo e
do luar,
se de repente um verso –
azul ou branco –
já não tivesse mais onde pousar?
Para ler outros poemas de Jorge Tufic ou a ele dedicados, clique aqui.
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A poesia é necessária?,
Jorge Tufic,
Simão Pessoa,
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Satanismo medieval e as práticas médicas populares 1/2
João Bosco Botelho
É possível identificar mudanças significativas nas práticas
médicas, incorporadas junto ao aparecimento das primeiras universidades, a
partir da segunda metade do século 14. Simultaneamente, se iniciou luta feroz
dos médicos, formados nas universidades, para conquistar a credibilidade junto
à população desassistida e superar a presença dos curadores de todos os
matizes, inclusive a dos cirurgiões-barbeiros, nas abadias e conventos.
Nesse sentido, uma poderosa rede de calúnias, ligada às
interpretações oportunistas da Bíblia, fomentou o descrédito dos benzedores,
parteiras e cirurgiões-barbeiros, que passaram a ser identificados como diabos
e bruxos e adivinhos malignos.
A parteira, tão antiga quanto útil durante muitos milhares de
anos, era, com certeza, a mais importante representante desses curadores
populares, simbolizando, por essa razão, o papel de inimigo mais importante da
universidade cristã.
É possível que tenha ocorrido relação política entre a
perseguição implacável aos agentes da Medicina-empírica, especialmente as
parteiras e benzedeiras, e a bula Summis
Desiderantes Affectibus contra o satanismo, editada pelo Papa Inocêncio
VIII em 1484.
Em consequência, muitas parteiras e outros agentes da medicina
empírica foram levados a julgamento nos tribunais da Inquisição e merecerem um
capítulo inteiro – “De como parteiras-bruxas cometem os mais horrendos crimes,
matando ou dedicando crianças ao diabo da maneira mais amaldiçoada” – , no
terrível “Malleus Maleficarum” (“O Martelo da Bruxaria”), escrito pelos priores
do Convento de Colônia, (Alemanha), Kramer e Sprenger.
Esse terrível livro, editado pela primeira vez, em 1486,
conduziu um dos mais tenebrosos períodos de uma ética, ligada ao poder
eclesiástico, com o objetivo de assassinar milhares de resistentes à inflexível
autoridade eclesiástica.
Em relação às parteiras, identificadas como bruxas no livro
“O Martelo da Bruxaria”, o raciocínio dos priores Kramer e Sprenger era muito
simples e eficiente porque colocava a questão do pecado original no centro do
conflito com o diabo, como o indutor do mal: “Ora, qual o motivo desse crime
infame? Presume-se que as bruxas sejam compelidas a cometê-lo a comando do
espírito do mal, às vezes contra sua vontade. Pois o demônio sabe que, por
causa do sofrimento da perda – poena damni –, ou do pecado original, essas
crianças são privadas de entrar no reino dos céus”.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Jorge Tufic (13/08/1930 – 14/02/2018)
III
O poeta vai pela rua.
Ninguém está vendo o poeta
porque o poeta é transparente.
O poeta atravessa a ponte
o poeta desfolha a rosa
o poeta contempla o mar.
Ninguém está vendo o poeta.
Mas duvido que ninguém sinta
a sua presença abstrata.
(Jorge Tufic)
| Luta corporal: o poeta trabalhando. |
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| Jorge Tufic, por Áureo Mello. |
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| No Pina, em dezembro de 2010, sentido horário: José Maciel, Luiz Bacellar, Mauri Mrq, Jorge Tufic e Zemaria Pinto. |
Jorge Tufic colaborou, e muito, com este blog: veja aqui.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Relações virtuais
Pedro Lucas Lindoso
As relações humanas se apresentam de formas diversas. Há
relações de parentesco, relações de amizade, relações sexuais, relações de
família, relações de trabalho – e por aí vai.
Mas hoje em dia nos chama a atenção o relacionamento virtual.
Não só o relacionamento via as chamadas “redes sociais”. Mas também há
relacionamentos virtuais outrora inimagináveis. Há pessoas se relacionando até
sexualmente por meios virtuais. Sem mencionar relacionamentos bancários e os de
comércio em geral. Há os familiares e entre amigos e conhecidos. O mundo
virtual veio para mudar comportamentos, hábitos e relações trabalhistas.
Meu amigo Chaguinhas é consultor de uma empresa no Distrito
Industrial. Há um grupo de colaboradores que trabalha em casa. Colegas de
trabalho que só se conhecem virtualmente. E pasmem! São recomendados para não
se relacionar socialmente. Evitar trocas de e-mails não corporativos. Não devem
usar redes sociais entre si.
Os serviços a esses colaboradores são demandados por um
“software” que a empresa chama de SOSERV.
Pelo SOSERV os gerentes solicitam demandas administrativas,
tais como tabelas, pagamentos, fichas funcionais diversas e outras rotinas
administrativas. Não há nenhum contato dos gerentes e dos empregados graduados
com esses colaboradores. Consequentemente, diminui a possibilidade de
conflitos, fofocas e qualquer tipo de assédio, moral ou sexual.
Há outro grupo que dá suporte de informática aos demais
empregados. Atendem por um “call center” interno. São daqui de Manaus, mas
atendem às filiais da empresa que ficam em cinco outras cidades do Brasil. Só
podem interagir com o usuário dizendo o nome e perguntando qual o problema do
micro. Não podem informar nem que falam de Manaus.
Os contatos virtuais, exceto os contatos de relações virtuais
trabalhistas, aplacam uma necessidade natural das pessoas em conhecer outras.
Muitos navegam na net para estudar, brincar, para fazer
descobertas, ou mesmo iniciar uma amizade sem compromisso. Mas, segundo o
Chaguinhas, o pessoal do SOSERV e do “call center” só pode fazer isso nas horas
de folga. Se não, perdem o emprego!
Segundo uma moça que trabalha assim, nas horas de folga só
quer viver relacionamentos reais. Disse estar cansada das telas, do celular, da
TV, do computador. Até da tela do cinema está exaurida. E fala:
– Na minha folga, só
quero coisas reais, nada em tela! Nada virtual!
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
O carnaval é o ópio do povo!
Carnavalis
opium populi!!!
João Sebastião – poeta nefelibata,
filósofo de boteco, profeta do caos – confundindo, após terminar o estoque de
cerveja das redondezas, duas coisas muito antigas: Marx e Latim...
domingo, 11 de fevereiro de 2018
sábado, 10 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Paisagens Mortas 10/10
As formas vão ficando
para trás,
impressas nas retinas
fatigadas:
as paisagens mortas estão
vivas
– partes da paisagem que
pensamos viva.
Texto e fotos: Zemaria
Pinto.
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