Amigos do Fingidor

sábado, 31 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Lauren K. Cannon.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto

1 – Finalmente o Brasil ganhou da Alemanha. Não em algum indicador econômico ou social. Apenas, no medíocre e descartável futebol.

2 – Marielle continua morta. E seus assassinos continuam impunes – e anônimos.

3 – Meirelles é candidato de si mesmo. Mas não terá nem o próprio voto, já prometido a Temer.

4 – Aliás, o desemprego, que vinha caindo em ritmo de toada, voltou a subir de forma metaleira: só em fevereiro, foram mais 550 mil pessoas desempregadas. Sem contar os venezuelanos. Efeito do carnaval? Ou da incompetência do Meirelles?

5 – “Voxê é uma pexoa horrrr-rrrí-velll” – e as senhoras (com o o fechado: ô) e os senhores do Supremo, cada vez mais abjetos.

6 – Como diria a Mãe Velha – quem com porcos anda, chafurda com eles.

7 – O mecanismo é ruim porque tem um roteiro primário e interpretações caricaturais – além daquele insuportável narrador, marca registrada do Padilha, que o utiliza para suprir a deficiência de sua narrativa visual.

8 – O delegado vivido por Selton Mello é tão inverossímil quanto o capitão Nascimento. A diferença é que o Wagner Moura dominou o capitão, enquanto Mello se deixou dominar pelo delegado, sussurrando quando deveria gritar, berrando quando deveria apenas falar alto. Histrionice involuntária é incompetência da direção.

9 – Afinal, como diria Hitchcock – ator é gado.

10 – Boicotar a netflix por causa de uma série de bosta é o mesmo que boicotar a coca-cloaca porque é um ícone do imperialismo.

11 – Eu não tomo coca-cloaca porque não gosto daquilo. Me dá ânsias de vômito. Sin embargo, coloquem no “google imagens” a consulta “che coca-cola” ou “fidel coca-cola”. Eles adoravam coca-cloaca. Mas a revolução cubana foi muito mais que essa relação entre os comandantes e a porra da cloaca.

12 – Prenderam os amigos do Temer. Como dizia minha avó – um homem sem amigos é um monturo. Com amigos, comparsas ou meros baba-ovos de ocasião, o Temer já nasceu monturo.

13 – Ovo de páscoa? Nem os meus.



3D ou DDD - erotic performance



A trágica compreensão colonial do pajé



João Bosco Botelho


Desde os primeiros tempos do processo colonial, o pajé despertou especial vigilância do colonizador, sempre inserida numa trágica e deliberada compreensão.
Existem várias palavras que estruturam significados semelhantes desse personagem especial: pagi, pay, payni, paié, paé, piaecé, piaché, pantché podem ser entendidas messe contexto complexo. Parecem estar etimologicamente atadas à expressão pa-yé, aquele que diz o fim ou profeta. Stradelli reconheceu o pajé como sinônimo de paié: “É o médico, o conselheiro da tribo, o padre, o feiticeiro, o depositário autorizado da ciência tradicional. Pajé não é um qualquer. Só os fortes do coração, os que sabem superar as provas de iniciação, que têm o fôlego necessário para ser pajé”.
A trágica e agressiva compreensão social do pajé pode ser compreendida a partir da descrição feita por Gabriel Soares de Souza, que esteve no Brasi no final do século 16: “Entre esse gentil tupinambá, há grandes feiticeiros, que têm este nome entre eles, por lhe meterem em cabeça mil mentiras... A estes feiticeiros chamam os tupinambás pajés”.
Não existem registros precisos, nas fontes primárias do século 16, de como os pajés eram formados. É possível que a ascensão do iniciante se desse de vários modos. Entretanto, pelos relatos dos cronistas, os pajés precisavam mostrar competência no desempenho das múltiplas funções: êxito no tratamento das doenças, previsões do tempo e das colheitas, antever acontecimentos importantes relacionados com as guerras.
O pajé começava a acumular respeito no seio da comunidade a partir do momento em que se concretizava uma previsão esperada, como revelou Yvez d’Evreux: “A revelação do feiticeiro dependia de algum acidente ou caso fortuito: como, por exemplo, se anunciando as chuvas, estas caiam imediatamente depois. Se, ainda, tendo soprado algum doente, por ventura, recuperava a saúde, isto constituía um meio de ser logo respeitado e tido como feiticeiro de muita experiência”.
Algumas vezes a iniciação se efetivava através de ritual específico, como no presenciado por Hans Staden, durante o qual os tupinambás elevavam algumas mulheres na dignidade dos pajés: “Primeiramente, vão os selvagens a uma choça, tomam uma após outra todas as mulheres da habitação e incensam-nas. Depois deve cada uma gritar, saltar e correr em roda até ficar tão exausta que cai ao solo como morta. Então diz o feiticeiro: Vede. Agora está morta. Logo a porei viva de novo. Quando voltar a si está apta a predizer coisas futuras...”
O colonizador percebeu precocemente a relevância do pajé nas sociedades e estruturou rapidamente a certeza da absoluta necessidade de destruí-lo. Este fato é da maior relevância porque amparou parte importante do processo de substituição dos valores socioculturais dos índios pelos do colonizador.
Existem registros relevantes demostrando ações coordenadas atuando para enfraquecer o pajé. Um dos mais significativos é do capuchinho Claude d’Abbeville, no livro “História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas”, publicado em Paris, em 1914: “Perdeu muita importância o ofício do pajé depois que chegamos ao país, tanto mais quanto em nossa companhia havia um jovem que sabia fazer peloticas com as mãos e muitas prestidigitações... Logo que os maranhenses viram as peloticas daquele rapaz, puseram-se a admirá-lo e chamá-lo de pajé-açu. Mostrou-lhes então o senhor de Rasilly que tudo se devia a certa habilidade, comparando-o com os pajés, demonstrou que estes não passaram de pelotiqueiros e embusteiros. Resultou disso muitos abandonarem as suas crenças e finalmente até crianças zombavam dos pajés”.
Outro comentário de grande importância é do jesuíta José de Anchieta, ainda mais agressivo: “Já não ousas agora servir de teus artifícios, perversos feiticeiros, entre povos que seguem a doutrina de Cristo: já não podes com mãos mentirosas esfregar membros doentes, nem, com lábios imundos, chupar as partes do corpo que os frios terríveis enregelam, nem as vísceras que ardem de febre, nem as lentas podagras, nem os braços inchados... Se te prender algum dia a mão dos guardas, gemerás em vingadora fogueira ou pagará em sujo cárcere o merecido castigo”.
Parece claro que na comunicação cristã empregada na conquista e ocupação dos novos territórios, a substituição do poder do pajé estava na primeira linha do ataque.
Este fato, por si só, é suficiente para comprovar a importância social do pajé nas sociedades indígenas, motivando o conquistador para destruí-lo, como essencial para assentar a nova ordem cristã.



quarta-feira, 28 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Gerald Brom.

terça-feira, 27 de março de 2018

O silêncio de José



Pedro Lucas Lindoso


No dia 19 de março celebra-se São José. Há muitos devotos aqui no Amazonas. O santuário a ele dedicado é grande e muito frequentado. Provavelmente, essa devoção seja herança cultural dos milhares de cearenses que vieram para cá, enriquecendo-nos com sua cultura, crenças e tradições.
A figura bíblica de José é intrigante. Pessoalmente, eu já meditei muito sobre este mistério. José, noivo de Maria, é informado por um anjo do Senhor que sua futura esposa irá conceber uma criança que será o nosso Salvador. Diferente de Maria, que tem “falas” bíblicas, como: “Eis a serva do Senhor”, José obedece às instruções divinas num silencio totalmente obsequioso. Penso que todos nós homens, cristãos ou não, podemos ficar intrigados com a atitude de José.
Uma jovem amazonense, moradora da Zona Leste da cidade, também chamada Maria, apaixonou-se pelo rapaz errado. E dele engravidou. Essa manauara, Maria do século 21, que não é nenhuma santa, deu um passo errado, com o rapaz mais errado ainda. O moço foi assassinado pela violência inerente às disputas pelo tráfico de drogas na cidade.
A jovem Maria, apavorada, relatou o fato a sua mãe, que quase desmaiou. E disse à filha:
– Teu pai vai te matar. Vai te expulsar de casa!
Mãe e filha não tiveram alternativa a não ser relatar tudo àquele homem. Trabalhador e pai de família, também chamado José. Ambas apavoradas com a sua reação. Certamente ficaria violento ao saber que a filha de dezesseis anos estava grávida de um bandido.
O homem ouviu tudo. Uma lágrima rolou em seu rosto. Não disse absolutamente nada. Abraçou a mulher e a filha. Ambas espantadas com a reação do pai e marido. O homem continuou em silêncio.  Um silêncio tão obsequioso quanto o de São José. Mas diferente. Ali havia perdão.
O silêncio de São José e do José manauara só pode ser explicado no amor. Imenso amor a Deus e à vida.

segunda-feira, 26 de março de 2018

domingo, 25 de março de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXI


Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

sábado, 24 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Chris Achilleos.

sexta-feira, 23 de março de 2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

Serpente: o símbolo da medicina 2/2



João Bosco Botelho


De acordo com a mitologia grega, a medicina começou com Apolo, filho de Zeus com Leto. Apolo é reconhecido na literatura com dezenas de qualificações, além de deus curador. Foi também identificado como Aplous, aquele que fala a verdade. O poder dele era transmitido à água dos banhos que purificava a alma e por isto era considerado o deus que lavava e libertava o mal.
De modo geral, o herói grego estava associado à arte de curar. Grande número de deuses e personagens da mitologia grega tinham, entre os seus atributos, o dom de curar doenças e feridas de guerra.
Um dos filhos de Apolo, Asclépio, foi educado pelo centauro Quirão para ser médico. O centauro, metade homem e metade cavalo, possuía o completo conhecimento da música, magia, adivinhação, astronomia e da medicina, além de ter a maior habilidade entre todos, a ponto de manejar com igual beleza o bisturi e a lira.
Para os gregos, predominou a ideia de que Asclépio deificava a medicina na mitologia. Por esta razão, era celebrado em grandes festas públicas, próximas ao dia 18 de outubro do nosso calendário, data em que, até hoje, no Ocidente, se comemora o dia do médico.
Asclépio conquistou uma fama inimaginável. Muito mais cirurgião, ele criou as tiras, as ligaduras e as tentas para drenar as feridas. Chegou a ressuscitar os mortos e por essa razão foi fulminado por Zeus com os raios dos Ciclopes. Zeus matou Asclépio porque temia que a ordem natural das coisas fosse subvertida pelas curas e pela ressurreição dos mortos.
Asclépio deixou duas filhas, Hígia e Panaceia. A primeira representava a medicina preventiva e a higiene, e a segunda se notabilizou por curar os doentes com os segredos das plantas medicinais. Além delas, seus dois filhos, Machaon e Podalírio, foram médicos guerreiros, que se destacaram na guerra de Tróia e são citados nominalmente por Homero (Ilíada, 830).
Muitos afrescos retratando Asclépio produzidos no século 4 a.C., contêm uma serpente enrolada num bastão. É possível estabelecer duas imagens simbólicos que uniram a serpente à medicina. A primeira está ligada ao fato dela poder viver acima e abaixo da terra, mediando dois mundos diferentes, em estreito vínculo com a localização subterrânea do outro mundo. A segunda, mais importante, está associada ao renascimento por meio da renovação periódica da pele.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Anthony Giacomino.

terça-feira, 20 de março de 2018

O maior cunhado do mundo



Pedro Lucas Lindoso


O político brasileiro Leonel Brizola foi governador do Rio Grande do Sul. Após o exílio, retornou à vida pública como governador do Rio de Janeiro. Brizola era cunhado do presidente João Goulart, deposto pelos militares em 31 de março de 1964. Apesar de correligionário e cunhado do ex-presidente, Brizola teria afirmado que: “cunhado não é parente”.
Meu amigo Dr. Chaguinhas acha que Brizola estava certíssimo. Após a morte de sua sogra, o irmão mais novo de sua esposa aboletou-se em sua casa. O rapaz é nem-nem. Nem trabalha nem estuda. Segundo Chaguinhas, o moço é sem noção. “Metido, enxerido e apresentado”, como diz o caboclo amazonense. Chaguinhas também acha que cunhado não é parente e já solicitou que o rapaz se mude de sua casa o mais breve possível.
Já um ilustre magistrado conhecido de Chaguinhas, muito zeloso e ético, deu-se por impedido num processo judicial entre duas empresas de energia. Motivo: verificou que o nome de um dos seus cunhados constava do substabelecimento de procuração de uma das partes, entre dezenas de outros advogados.
Afinal, Brizola tinha ou não razão?  Cunhado é ou não parente?
Vejo com alegria que minha filha e minha nora se tratam carinhosamente de “cunha”, diminutivo moderno de “cunhada”.
Também tenho uma cunhada que muito admiro e de quem sou fã. Maria José Silveira, esposa de meu irmão mais velho, Felipe Lindoso. Zezé, como a tratamos carinhosamente, é uma escritora fenomenal. Tem vários romances publicados, entre eles “A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas”, com o qual recebeu o Prêmio Revelação da APCA, 2002. O romance mostra a história de uma linhagem de mulheres ao longo dos 500 anos da história do Brasil. A minha cunhada querida agora é sucesso nos Estados Unidos com a publicação de “Her Mother's Mother's Mother and Her Daughters”. Podem adquirir pela Amazon.
E quando o assunto é cunhados e americanos, lembrei-me de inusitada pergunta de um diplomata americano em Brasília. O que seria “concunhado”?
Com razoável conhecimento de Inglês, fiquei impactado. Não consegui uma tradução literal. E em dúvida. Seria o marido da irmã de sua mulher ou o irmão de seu cunhado, marido de sua irmã? Em Inglês não existe a palavra concunhado.
Se para Brizola e Chaguinhas cunhado não é parente, a fortiori, concunhados!
Para os católicos, as freiras são esposas de Jesus. Tenho uma irmã de sangue que é religiosa salesiana. Sem querer cometer heresia: eu e meus irmãos temos o maior cunhado do mundo!

segunda-feira, 19 de março de 2018

A favor de Marielle Franco: reflexões sobre a canalhice



Zemaria Pinto


As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.
(Umberto Eco – entrevista – 2015)

E as notas dissonantes se integraram
ao som dos imbecis
(Caetano Veloso – Saudosismo – 1968)

Eu sou a favor do aborto. Da descriminalização da maconha. Do reconhecimento dos gêneros (falar em ideologia, no caso, é ignorar o que é ideologia). E sou ateu – só não completo com um “graças a deus”, porque é piada velha. E mais que ateu, sou anticristão – qualquer que seja a vertente do cristianismo: do papa Francisco ao padre João, do mala Malafaia ao pregador Raimundo.

Espero que não me matem por tão pouco.

No mais, o lixo que circula na Internet é usado para caluniar os que pensam de forma dissonante. Repito aqui o velho Marx: a única função do filósofo é duvidar. Marx, que jamais foi marxista, apenas repetia o que Sócrates – via Platão – já afirmara há mais de dois mil anos. Mas como não sou filósofo, me valho do poeta Torquato: vai, bicho, desafinar o coro dos contentes!

Marielle Franco era uma nota dissonante no coro dos contentes. Por isso foi assassinada, covardemente. Tira essa última palavra, porque todo assassinato é covarde. Os sujeitos que escreveram a Bíblia acertaram em cheio ao alegorizar o assassinato de Abel pelo covarde Caim. E olha que eles eram judeus – como poderiam ser negros, homossexuais, maconheiros; mulheres, talvez.

Os que acham que a defesa dos Direitos Humanos é coisa de vagabundo e defendem a pena de morte – ou a simples execução para quem pensa diferente, seja pelos esquadrões da morte, pelas milícias militares e paramilitares ou pela intervenção institucionalizada; os que pensam assim, esquecem que os Direitos, numa sociedade democrática, são de todos – e não apenas dos que pensam como eles, que formam o coro dos contentes imbecis, que não questionam nada e, principalmente, não se questionam.

Um último toque: um artista, e aqui incluo os escritores, não precisa ser de esquerda para ser artista. Esse é um mito estúpido, que precisa ser combatido. Estão aí o ariano Wagner; o catolicão Elliot; os fascistas Pound e Borges; o nazista Heidegger; o machoman John Wayne; o topetudo Elvis; o patropi Benjor; o reaçamor Nelson Rodrigues. Declaro de público que os amo, a despeito da ideologia. Mas um artista não pode ser canalha. Não pode injuriar, caluniar, difamar, mentir.

Ei, no parágrafo anterior, onde se lê artista, leia a sua profissão. Substitua os exemplos, por exemplos dessa profissão.

Entendeu?


Marielle, por Amarildo - com poema de Eduardo Alves da Costa.



domingo, 18 de março de 2018

Manaus, amor e memória CCCLX


Teatro Amazonas.

sábado, 17 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Lauren K. Cannon.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Serpente: o símbolo da medicina 1/2



João Bosco Botelho


A elaboração do universo religioso do curador primordial foi processada no âmago do conhecimento empírico da natureza circundante, e pela transformação imposta a ela pelo homem, para obter o alimento e o abrigo.
A primitiva relação com outros animais, que gerou a figura mítica do “senhor do animal”, foi sincretizada com outros símbolos, nascidos pela posse da terra cultivada, dando como fruto o mito da “mãe terra”. A utilização empírica do vegetal, indispensável para a sobrevivência, se processou em complexa compreensão mítica da realidade, marcada pelas explicações para dar sentido à vida, onde a busca da saúde e do conforto são fundamentais.
Ao sentir a pequenez frente à impossibilidade de vencer o destino mortal, o homem estabeleceu alianças com as divindades mais fortes, como a cirurgia de fimose feita pelos judeus no sétimo dia após o nascimento, marcando na própria carne a prova da obediência (Ge 17, 9 14).
É possível situar a elaboração dos mitos cosmogônicos na organização do pensamento do tipo tese-antítese-síntese, onde a vida representa o ser em oposição à morte, onde o animal e o vegetal tornados sagrados passaram a ter os papeis principais.
Nas sociedades antigas que se desenvolveram e prosperaram há 4.000 anos, ao longo dos vales dos rios Tigre, Eufrates, Nilo e Ganges, o sincretismo entre o “senhor do animal” e a “mãe terra” estava claramente presente no cotidiano do curador.
Foi da Grécia, há 2.500 anos, que chegou material historiográfico suficiente para traçar, com alguma segurança, um perfil da medicina ligada aos mitos cosmogônicos, onde o sagrado e o profano estão unidos num só corpo, em permanente luta pelo predomínio.
A passagem da oralidade à escrita não se fez sem resistência. Platão (Fedro, 274) resgatou a lenda do deus egípcio Thot, protetor dos escribas, inventor dos números e dos cálculos para criticar a substituição da lembrança oral, já em curso, naquele tempo na Grécia.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fantasy Art - Galeria


Renso Castañeda.

terça-feira, 13 de março de 2018

Ocoberto e outras merendas



Pedro Lucas Lindoso


Andrea é paulista. Mudou-se de mala e cuia para Manaus. Disse estar contente com a cidade. Como veio em época de muita chuva e clima mais ameno, foi logo perguntando:
– O calor que dizem fazer por aqui é lenda urbana?
Foi-lhe dito que aguardasse o mês de julho, quando se inicia a vazante e chove menos. O calor é senegalês!
Andrea está gostando da cidade, mas talvez não fique para sempre. E por isso se recusa a comer jaraqui. Dizem que “quem come jaraqui não sai mais daqui”. Bobagens. Isso é superstição tola. É apenas uma rima. E jaraqui frito tem seu valor!
Nunca havia comido uma “bôla”. Teve a ousadia de chamar uma regionalíssima bola de sardinha de torta salgada. Quanta heresia! Bola é bola. Com ou sem circunflexo.
Provou uma coxinha de galinha e achou diferente. Explicaram que aqui em Manaus tem coxinha de trigo e coxinha de macaxeira. Além dos conhecidos “coxinhas e mortadelas”, mas o assunto é merenda e não política.
Indicaram o Lanche do Careca Lindo, na Praça 14 onde é possível escolher os dois tipos de coxinha, a local, de macaxeira, e a do sudeste, de farinha de trigo. Os salgados são famosos e o suco uma delícia.
Gostou de pupunha. Disse que lembrava levemente o gosto de pinhão. Outra heresia! Mas não gostou de tucumã. Uma lástima. Não sabe o valor de um Xcaboquinho.
Um colega de trabalho levou-a ao Mercado Adolpho Lisboa, o nosso mercadão. Pensou em comer um mingau. Mas desistiu. O que seria um bom lanche? Perguntou ao colega.
Em Manaus o povo gosta de merendar. Aqui cachorro quente é kikão e o molho pode ser de repolho.
O tacacá é uma opção barata e muitos estudantes tomam antes de enfrentar as aulas noturnas. É ótimo para curar ressaca. Um dos melhores da cidade é feito por japoneses. Fica no conjunto Eldorado. Andrea ainda não provou tacacá. Não sabe o que está perdendo.
O que será que a gente pode merendar? Perguntou novamente.
O amigo provocou-a, rindo: Conhece ocoberto? Andrea, espantada pergunta: O que é ocoberto?
Ovo coberto. Ovo cozido, coberto com massa de farinha de rosca. Salgado muito vendido nas feiras e no centro da cidade.
Andrea ainda tem muito que aprender para se tornar uma verdadeira manauara.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Lançamento: A poesia japonesa no Amazonas


Endereço: rua Belo Horizonte, 1391, Adrianópolis.