Amigos do Fingidor

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A poesia é necessária?



Toada dos touros
Diego Mendes Sousa


Ao galope da fêmea
sob os espinhos da roseira

– Os touros em pecaminosa tourada

Subterrânea é a convergência
das águas em remanso

Pelas estâncias do Amor
os sexos se refazem
contemplativos

ao caminho do imaginário
no horário de tempo algum



quarta-feira, 29 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Amphitrite, Goddess Of The Sea.
Andrius Kovelinas.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Idalina e o “novo normal”



Pedro Lucas Lindoso


Recebo WhatsApp de tia Idalina: “Queridíssimo, estarei comemorando meus 70 anos em festa virtual, por vídeo conferência, no próximo sábado, as 20:00 horas, no horário aqui do Rio de Janeiro.”
Há anos que ela comemora seus 70 anos. Idalina foi a Roma pela primeira vez durante o Concílio do Vaticano II. No papado de João XXIII. O papa do “aggiornamento”, como ela mesma me explicou. Portanto, tia Idalina não tem menos que 80 anos de idade.  Mas não se contesta idade de senhoras distintas. Ponto e basta.
Disse-me ainda que está empolgadíssima com seu novo laptop. Abandou o velho computador. O seu novo dispositivo é leve e já tem câmera e microfone embutido. Outro investimento de Idalina, em face do isolamento, foi também comprar um celular de última geração. E explica:
– Fui forçada a entrar na era dos aplicativos. Inclusive o do meu banco. Agora posso ver saldo, fazer transferências, pagamentos, tudo pelo meu celular. Há gente bem mais nova do que eu que não aprendeu as maravilhas de usar aplicativo de banco. E ficam nas filas de caixa eletrônico a tempo de ser contaminadas pelo corona.
Parece que a pandemia mudou consideravelmente os hábitos de tia Idalina. Ela cumpriu a quarentena total até semana passada. Mas resolveu voltar às aulas de pilates. E argumenta:
– Saio devidamente paramentada, com máscaras e luvas. Ao retornar, tomo banho e troco de roupa. Estou feliz e contente com o retorno ao pilates.
A outra novidade é que Idalina está fazendo “lives” com dicas de culinária. Começou com amigas da praia, sobrinhas e parentes, tanto do Rio como daqui de Manaus. A cada semana seus “telespectadores” como ela diz, aumentam. Está animadíssima com as “lives”.
Nessa semana ensinou a fazer torta de banana frita. Segundo ela, a nova geração não sabe mais fazer torta de banana pacovan. Pediu pelo amor de Deus não fazer creme com leite condensado, creme de leite e maizena. Modernidade que estraga a nossa tradicional torta de banana. Eis a receita da titia:
Ingredientes: 6 bananas compridas ou pacovan bem maduras; 1/2 xícara (chá) de manteiga; 1 colher (sopa cheia) de canela em pó; 2 colheres (sopa) de açúcar. Para fazer o suspiro: 3 claras e 2 colheres (sopa) de açúcar; 1 colher (chá) de casca de limão raspada. E só!
Corte as bananas em tiras finas. Doure as bananas na manteiga. Ainda quente, passe a banana na mistura de açúcar e canela, pelos dois lados. Coloque-as numa travessa, cobrindo-as com o suspiro. Leve ao forno por 15 minutos ou até dourar o suspiro. Sirva gelada. Simples assim. Nada de cremes, por favor.
O “novo normal” de Idalina está bombando com novos dispositivos, aplicativos e “lives’.


domingo, 26 de julho de 2020

Manaus, amor e memória CDLXXIII


Cervejaria Miranda Correa.
Em contraste involuntário, a favela flutuante, sem água...

sábado, 25 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Jeannie's Kitten.
Boris Vallejo & Julie Bell.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Sérgio Ricardo (18/6/1932 – 23/7/2020)


Cantor, compositor, escritor e cineasta,
Sérgio Ricardo jamais compactuou com a mediocridade. 


A poesia é necessária?



Céu de asas
Dilson Lages Monteiro


Como a manhã sem pressa
no alto da colina
nasce a palavra na retina
onde crescem a lavoura
e o voo do céu.

Nasce sem pressa a manhã
no leito lento do rio
onde reses ruminam
a mina do sol.

Nasce sem pressa a manhã
nos palácios de palha
onde o corpo repousa
o silêncio do cio.

Como a manhã sem pressa
no coração da imagem
crescem a lavoura
e o voo do céu.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Green Gele.
Mbwidiffu Malgwi.


terça-feira, 21 de julho de 2020

Uma “live” do bem




Pedro Lucas Lindoso


No último dia 13 de julho, o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente completou 30 anos de vigência. É uma lei moderna. Visa garantir direitos das crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e como prioridade a nível constitucional.
A pedofilia, o abuso e maus tratos em meninas e adolescentes é um crime hediondo. Infelizmente é recorrente na nossa sociedade. Em todas as classes sociais. Os abusadores são professores, padrastos, líderes religiosos, tios e até avós das meninas vitimadas.
Venho de uma família de sete filhos. Três homens e quatro mulheres. Aprendi com meu pai que devemos amar, cuidar e principalmente respeitar as mulheres. Poderia quebrar todas as vidraças da vizinhança ou tirar as piores notas da escola. Tudo poderia ser perdoado. Menos desrespeitar ou machucar as minhas irmãs.  Ouvi muitas vezes o famoso chavão, de que não se bate em mulher nem com uma flor.
Uma das minhas irmãs, Liliana Maria, possivelmente por ter sido criada com todo carinho e respeito, é fundadora e administra a Casa Mamãe Margarida. Uma instituição de freiras salesianas de acolhimento e abrigo às meninas em situação de risco social, como definido no Estatuto da Criança e Adolescente.
Os relatos de sofrimento e dor que se ouve dessas meninas é de cortar o coração. Uma delas chegou por lá grávida do próprio pai. O abusador estava na penitenciária, não só por ter abusado da filha, mas por ter assassinado a esposa que o flagrou abusando a própria filha. Esta é só uma das centenas de histórias e dramas que se conhece por lá.
Essa semana, a instituição foi homenageada pela youtuber Maísa. A jovem produziu uma “live” em prol da instituição. Maísa se tornou uma das pessoas mais populares da internet graças a sua forte presença em todas as plataformas digitais. Maísa já entrevistou muitas celebridades. Recentemente entrevistou a Ir. Liliana. As doações foram generosas e Maísa se tornou embaixadora da Casa Mamãe Margarida.
Nessa pandemia, ficou muito comum os famosos fazerem “lives”.
Pronuncia-se “laives”. No Inglês há o verbo “to live” que significa viver, morar e se pronuncia “live” com som de i. Mas as “lives” vem da expressão “on live”, ou seja, ao vivo, quando o “i” tem som de “ai”.
A pandemia trouxe algumas coisas boas. Uma delas foi a profusão de “lives” feitas para minorar o sofrimento de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade, como as margaridinhas.
Parabéns Embaixadora Maísa por essa “live” do bem!



domingo, 19 de julho de 2020

Manaus, amor e memória CDLXXII


Catedral e entorno,
com Teatro Amazonas e igreja de S. Sebastião ao fundo.

sábado, 18 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Igor Kamenev.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

A poesia é necessária?



Poema do rio Negro, 1
Rogel Samuel


Em 1729 morrem no rio urubu
vinte e oito mil índios
assassinados
Mas eu estou fraco para esta luta
e preparo a fala afiada.
A cozinheira corta o peixe a faca
como o selo que pincela, amara.
Três homens remam montados nas águas.
Oh estou fraco para a luta
preparada selva absoluta.
No caminho vendem os armadores as ilhas
cai a chuva sobre as lajes da tarde
que estou fraco para a luta
preparo o corte a morte
preparo o rio, urubu, orgulho das águas
imprópria para o passeio público
não o passado branco amigo
gesto sobretudo de suas partes
que ali viram morrer 300 malocas
no rio urubu rio negro da morte
o que passa entre o mato aziago
É belo? É limpo? adejam papagaios
entre mil insetos de teia de ouro fino
o rio não esquece
o rio nunca esquece
nunca lava
a hecatombe a fila a corrida



quarta-feira, 15 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Mermaid.
Laura Sava.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Te mando um link



Pedro Lucas Lindoso


Em tempos da pandemia muita coisa mudou. Até a Língua Portuguesa viu-se enriquecida com novas palavras. Temos agora o verbo quarentenar, assim como o adjetivo quarentenado. O vocábulo confinamento passou a significar também ficar isolado em casa. Não é mais somente usado para trabalhadores de plataformas de petróleo, que ficam confinados no mar.
O teletrabalho é outra palavra nova e incorporada ao nosso dia a dia. E obrigou trabalhadores a uma adaptação rápida. Escolher um local apropriado em casa para se instalar. Providenciar um computador mais moderno. Contratar uma internet mais potente e eficaz.  Adquirir uma cadeira de trabalho confortável e com razoáveis padrões de ergonomia. Nós, manauaras, não podemos dispensar o uso do ar-condicionado. Isso implica em aumento de despesas com energia elétrica, coisa cara na cidade de Manaus.
Possivelmente esses gastos serão objeto de negociação trabalhista. E serão levantados pelos sindicatos para composição de adicionais em acordos coletivos de trabalho.
Novos tempos. Novos padrões de etiqueta e comportamento a serem aprendidos e observados. Reuniões de trabalho, encontros de clubes de serviços, atividades religiosas, sessões de julgamento em tribunais, audiências e até festas de família estão sendo feitas por vídeo conferências.
É preciso, como já dito, observar padrões comportamentais. Se você não está falando, mantenha o microfone no mudo. Se há várias pessoas no evento e você está na situação de ouvinte, é interessante manter a sua câmera de vídeo também desligada.
Cuidado quando levantar-se, caso não esteja vestido adequadamente. Bocejos, espirros, tosses e outras manifestações fisiológicas podem ser ouvidas, registradas, gravadas e viralizadas, para constrangimento do participante da videocom.
Todo cuidado é pouco. As coisas mudaram e algumas vão ficar, mesmo depois da pandemia. Antigamente se marcava um encontro de negócios num restaurante, no escritório de um dos participantes ou mesmo na residência de alguém.
Hoje não se marca mais um local para tal tipo de encontro. Define-se um dia e horário. E alguém, responsável por conduzir a reunião, manda um link, ou código de sessão. Expressões como te ligo depois, até mais tarde, ou nos vemos no escritório, foram substituídas por:
– Te mando um link!

domingo, 12 de julho de 2020

Manaus, amor e memória CDLXXI


Eduardo Ribeiro, com Relógio Municipal ao fundo.

sábado, 11 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


Yuehui Tang.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

A poesia é necessária?



Súplica a Iara
Marta Cortezão


Iara, leva-me contigo!
Não sou feliz aqui.
Encanta-me com teu canto
pois sei que lá não há pranto...
Não, não sou daqui.

Leva- me contigo, Iara!
Cansei deste mundo raso.
Prefiro teu mundo de águas,
rio profundo, sem as mágoas
que desafinam, amiúde, meu trovar.

Escuta, Mãe-d’água, meu lamento
e manda a resposta pelo vento
onde me possa alcançar teu canto.
Vem, não te demores a chegar
porque posso enlouquecer, definhar.

Sei de tuas oníricas artimanhas,
sereia da tribo guerreira Amazonas!
Só a ti narrarei as patranhas
que esta vida de cá me faz contar!
Iara, cuida, não te entretenhas!

O sol já se põe, aproveita a hora
que corre no remanso da boca do rio
e enche meus olhos de pororoca.
Não tardes, Iara, tenho vazios
carentes de tua suave e rouca voz...

Espero-te, doce Iara, loucamente!
Necessito beber de tua fonte,
lançar-me num salto demente,
tocar-te e beijar-te meiga fronte
no afã de fugir deste mundo doente.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Fantasy Art - Galeria


James Zar.

terça-feira, 7 de julho de 2020

O espirro, um grande constrangimento



Pedro Lucas Lindoso


Estava num encontro social nas vésperas da decretação do isolamento em face da pandemia. Já se tinha notícia da existência de um terrível vírus. Havia médicos no evento.
De repente, espirrei! Por precaução, geralmente porto um lenço. Foi a minha sorte. Então me justifiquei:
– Não se trata de vírus. Sempre que exagero um pouco nas refeições, e a bacalhoada estava uma delícia, eu eventualmente espirro. Não sei o porquê. Um dos convivas, um jovem médico, me explicou:
– Você comeu mais do que devia. O estômago cheio forçou o diafragma e então você espirrou. Os mecanismos do espirro têm como resposta a contração do tórax e abdome. Está desculpado.
Outro médico presente complementou a explicação:
– O espirro é uma reação involuntária de nosso organismo à presença de partículas ou micróbios que causam irritação. Quando se trata de poeira ou contração do diafragma, tudo bem. Mas quando se trata de presença de vírus e bactérias?
Sou de uma família em que há muitos advogados, administradores e psicólogos. Mas há poucos médicos. Jamais pensei que os mecanismos do espirro pudessem ser assunto de uma reunião social.
Em época de coronavírus o espirro se tornou algo extremamente condenável. Acho até que mais constrangedor que um pum!
Como é um mecanismo de defesa de nosso organismo, o espirro consiste na expulsão brusca e rápida de ar e gotículas pelo nariz e boca. Daí a importância de se utilizar máscaras durante essa terrível pandemia.
Perguntei a um amigo médico, como se pode evitar o espirro. Explicou-me que, caso a gente se sinta constrangido em espirrar, pode-se apertar o nariz e impedir o espirro. Mas me disse para ter cuidado. Não é indicado evitar o espirro. Pasmem! Um simples espirro tem a velocidade de 160 km/h. E então a pressão provocada quando se aperta o nariz para evitá-lo pode ser perigosa.  Perguntei-lhe, como assim?
– Pode ocorrer a ruptura dos tímpanos!
Fiquei preocupado. Li recentemente que o famoso “saúde”, dito quando alguém espirra, vem da antiga crença de que o espirro era sinônimo de mau presságio, relacionado a doenças graves.
Em época de pandemia por vírus, espirrar virou um grande constrangimento.
Atchim! Cuidado!

segunda-feira, 6 de julho de 2020