Amigos do Fingidor

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

A poesia é necessária?

 

Chuva

Celestino Neto

 

O Sol canta todas as manhãs

no meu quintal

os pássaros o anunciam

as plantas o procuram

as crianças lambuzam-se

com seus raios

 

Da minha varanda

ouço seu clamor diário

na escuridão de mim


terça-feira, 12 de outubro de 2021

What’s up WhatsApp?


 Pedro Lucas Lindoso


De repente, numa segunda-feira típica e preguiçosa, embora ainda em pandemia, o mundo se pergunta: “What’s up?”. Expressão em Inglês que significa “E aí?” ou “O que houve?” O nome para o aplicativo “WhatsApp”, é, com certeza, uma brincadeira linguística entre a expressão “What's up?” e a palavra “app” que significa aplicativo.

Falantes de espanhol se perguntavam: “Que se pasa?” e franceses, por seu turno: “Qu’est-ce qu’il y a?” ou “qu'est-ce qui se passe?”

O fato era que WhatsApp, Facebook e Instagram sofreram uma interrupção geral. O porta-voz dos aplicativos usou o Twitter para explicar:

– Sabemos que muita gente está com problemas para acessar nossos aplicativos e produtos. Desculpem, algo está errado. Estamos trabalhando nisso e vamos solucionar o problema o mais rápido possível.

 Simples assim? Mas o mundo inteiro continuava a perguntar: what’s up? E aí? As consequências dos aplicativos fora do ar causaram forte queda nas ações em bolsas de valores. Mr. Zuckerberg amargou abalo sísmico em sua fortuna.

Quem trabalha na área do Direito junto aos tribunais país afora está acostumado a ter problemas para acessar os sistemas, em especial o famoso Pje. Nós, manauaras, estamos acostumados com as inconsistências da internet oferecida pelas operadoras que nos servem. Infelizmente, nós amazônidas, não desfrutamos da mesma qualidade e do mesmo serviço que as operadoras oferecem aos sudestinos e sulistas.

A interrupção do WhatsApp causou prejuízo não só aos seus acionistas. Os pequenos empresários e a população em geral amargaram muitos danos. Alguns irreparáveis. Houve abalos até nas relações familiares e entre amigos. A comunicação por WhatsApp tornou-se muito utilizada em várias situações e por vários públicos de interesse.

A verdade é que esses aplicativos, em especial o Facebook, estão sob a pressão de governos, ONGs e da sociedade organizada. Todos preocupam-se em evitar desinformação, ódio, fake news e conteúdo impróprio para crianças.

A sociedade pressiona por leis e pela aprovação de novas regras que sejam eficazes para as proteções online. Tudo isso é muito válido. Mas para Tia Idalina foi uma segunda-feira atípica. Ela mandou um Twitter dizendo que “ficar sem zap zap foi um horror. De última.”

 

domingo, 10 de outubro de 2021

Manaus, amor e memória DXXXVI


Praça Oswaldo Cruz, anos 1950.

 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

A poesia é necessária?

 

Exercício n° 5

Lua Passos

 

Pássaros que trazem o verão

O canto ilumina o dia

Voar sem qualquer razão

E nem descansar podia

 

Varanda que abriga sonhos

O bico é cor de marfim

A tela que mostra a vida

A vida que sai de mim

 

Completo, porém recluso

E nem protetor eu uso

A chama que vem de mim

Abriga o começo e o fim.



terça-feira, 5 de outubro de 2021

Um autógrafo, por favor

Pedro Lucas Lindoso

 

Houve uma época em que as pessoas famosas, as celebridades e/ou mesmo as admiradas por alguns poucos, eram solicitadas a dar autógrafos. Em hall de hotéis, aeroportos, saídas de shows ou qualquer lugar público havia alguém muito conhecido dando autógrafo a algum fã. Hoje a moda é pedir uma “self”. Ou ser fotografado pelo celular.

Não sou, obviamente, uma celebridade. A primeira vez que me pediram um autógrafo foi após uma apresentação de “slides” sobre o Brasil. Era estudante de intercâmbio em Ohio, nos Estados Unidos. Fui convidado a falar sobre o Brasil numa Junior High School (escola de ensino fundamental).

Nos anos setenta não havia celular, Internet nem datashow. Eu tinha uma pequena coleção de “slides” sobre o Brasil. Fotos do Rio, Brasília, São Paulo e, claro, de Manaus, do nosso teatro e do encontro das águas.  Eram a base de minhas “conferências” sobre o Brasil. Um lugar exótico e desconhecido dos americanos do Meio Oeste, onde morei na longínqua década de 1970.

Após falar sobre o Brasil, mostrar meus slides e tocar umas músicas brasileiras num gravador de fita cassete, eu fui aplaudido. E no final, vieram me pedir autógrafos. Me senti importante pela primeira vez na vida. 

A segunda vez em que fui solicitado a dar um autógrafo foi por uma sobrinha. À época, com seis anos de idade. Ela estava aprendendo e compreendendo as relações familiares. Descobriu que eu não era um “tio” qualquer. Eu era tio porque era irmão de seu pai. Um tio em sentido estrito, um tio de verdade, um tio “completo”, como ela mesma me definiu. E, claro, peguei um cartão de visitas e dei um autógrafo a ela.

Nos lançamentos de meus livros, além da dedicatória, sou solicitado a tirar fotos com as pessoas que me prestigiam. Apesar de não ser celebridade, sou admirado e querido por alguns. Mas só me pedem fotos, nunca autógrafos.

Foi então que semana passada aconteceu o terceiro autógrafo inesquecível. Uma senhorinha de 92 anos, Dona Terezinha, quis me conhecer. Era minha leitora. Havia lido meus livros, inclusive meu romance Oremos pela Guerra. Após cumprimentá-la, agradecer pelo seu carinho e despedir-me, ela então me surpreendeu:

– Um autógrafo, por favor.

Dona Terezinha tem um caderno capa dura com vários autógrafos. Há do Roberto Carlos, Pelé, Elis Regina. Muitos artistas. Vários ex-presidentes e governadores. E agora eu! Quanta honra!

  

domingo, 3 de outubro de 2021

Sebastião Tapajós (16/04/1943 – 02/10/2021)

 

Sebastião Tapajós, por Biratan.

Manaus, amor e memória DXXXV


Catedral e praça Oswaldo Cruz.

 

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

A poesia é necessária?

        Rosa de sombra

 

Pollyanna Furtado

 

No vermelho da sombra,

esconde-se uma rosa azul.

Rosa precária e triste,

sem pétalas nem odor.

 

Aquela mancha fria,

dissolvida ao pé da porta,

de talos inacabados

e é sombra, coisa morta.

 

Eu vi uma rosa rude

se fechar na boca da noite.

Sem ressoar de sinos.

Rosa venosa de Vênus,

venenosa.

 

Matéria lendária de sonho,

um vulto apenas na manhã.

Nem um pássaro quis beijá-la.

A rosa se desfez.

 

 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Ocitocina

Pedro Lucas Lindoso

 

Dar sem nada pedir em troca. Um dos maiores ensinamentos de Jesus foi: “amai-vos uns aos outros”. Mas no dia a dia nossos atos de amor são geralmente direcionados a pessoas que de certa maneira irão retribuí-los.

Antes de ir para o aeroporto, ao retornar a Manaus, resolvi comprar um lanche frio em supermercado de Brasília. Os preços de qualquer coisa dentro dos terminais de aeroporto são escandalosamente caros.

De posse de um sanduíche natural e suco entrei na fila do caixa rápido. Na minha frente, um casal pagava por café, açúcar, arroz, um frango e um pacote de carne moída. De repente, o jovem senhor, abre a carteira e com tristeza diz para a caixa: “Não vou levar o frango e nem a carne”.

Eu então o interrompi e me ofereci para pagar pela proteína. O rapaz então disse que aceitava o empréstimo. Perguntou onde poderia me devolver o dinheiro. Eu respondi que não morava em Brasília. Que não se preocupasse. Aprendi no Movimento Escoteiro a fazer uma BA (boa ação) por dia. A jovem senhora que o acompanhava me interrompe e diz:

– É para alimentar nossos filhos. Nós trabalhamos. Eu e ele. É que as coisas estão caras mesmo.  Muito obrigado.

O casal se retirou agradecido. Ao pagar pelo meu sanduíche vi a moça do caixa, emocionada, com lágrimas nos olhos. Disse-me que estava triste e com dor de cabeça. Aquele meu gesto havia produzido nela uma sensação de bem-estar. Era como se tivesse tomado um remédio.

Eu também senti uma sensação boa com meu gesto. Da porta do mercado o casal sorriu para mim. A jovem senhora fez um gesto de coração com os dedos da mão. Imaginei que eles também sentiram a mesma sensação de prazer relatada pela moça do caixa.

A minha BA (boa ação) havia produzido uma sensação fisiológica de prazer não só para mim, mas para mais três pessoas.

No avião, ofereci meu livro “Crônicas da pandemia” ao senhor que estava ao meu lado. Ele disse ser médico endocrinologista. Gostava muito de ler. Meu gesto o havia proporcionado uma carga extra de ocitocina. Perguntei-lhe o que era aquilo. Então ele me explicou:

Ocitocina é um neurotransmissor natural produzido pelo hipotálamo. Promove confiança, empatia, estabilização emocional e bem-estar. É bastante relaxante também. Alguns dizem que é o hormônio do amor, da caridade.

Fiquei muito feliz. Havia proporcionado doses extras de ocitocina àquelas pessoas. Precisamos todos de muita ocitocina.

  

domingo, 26 de setembro de 2021

Manaus, amor e memória DXXXIV

 

Pavilhão Universal, instalado na lateral da Matriz. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Literatura e Paisagem na Amazônia


Expositores: Zemaria Pinto e Neiza Teixeira;
Mediadora: Beth Cardoso.

 
Clique sobre a figura, para acesso ao Youtube.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A poesia é necessária?

         Pequena elegia para o meu pai

Inácio Oliveira

 

Meu pai trabalhou muito,

dançou muito,

amou muito,

sofreu muito e foi muito feliz.

 

Depois ele foi se cansando,

hoje ele me olha mas não me vê.

Já não me abraça,

perdeu a força,

perdeu a graça,

perdeu o tato,

ficou preso no porta-retrato.

 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

“Mitezza”: serenidade, moderação, mansidão

Pedro Lucas Lindoso

 

O grande filósofo italiano Norberto Bobbio trouxe para a filosofia contemporânea o conceito de “mitezza”. O vocábulo italiano é traduzido como serenidade, moderação, mansidão.

Por seu turno o francês Sartre, pai do Existencialismo, nos ensina que somos livres, condenados a ser livres. E temos que fazer escolhas. Isso às vezes é angustiante. O Brasil vive um momento de extremismos. A Nação está polarizada. Escolher é parte da nossa existência. Não temos opção de não escolher. Não fazer nada. Não escolher é uma escolha.

Minha escolha pessoal é pela “mitezza” de Bobbio.  Verifico que a sociedade se tornou violenta. A polarização política retroalimenta essa violência, criando inimizades, opressão, medo, desconfiança. O que nos resta a não ser a esperança? Esperança de que o bem vai vencer.

E repito, me agarro no conceito de “mitezza”, compreendido como mansidão: “Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a terra”.

Essa proposta de “mitezza”, de mansidão, não deve e não pode ser confundida com submissão nem tampouco com humildade. Nós, cidadãos brasileiros, devemos deixar a força, o confronto, os acordos para a seara da política e seus agentes. Nós, enquanto povo, enquanto sociedade em comunidade, devemos exercer a “mitezza”, reconhecendo no outro a beleza e a necessidade de bem se relacionar.

No “Louvor à Mitezza”, Norberto Bobbio ensina que, para responder à violência, nós traímos a “mitezza”, desconsideramos a nossa própria mansidão. São as escolhas angustiantes que temos que fazer, como nos lembra Sartre.

Bobbio explica que a “Mitezza”, ou seja, a mansidão, na verdade, não é uma virtude recíproca: “O manso não pede, não exige qualquer reciprocidade: a mansidão é uma disposição para com outros que não precisam ser pagos para se revelar em todo o seu escopo.”

O Brasil parece estar numa encruzilhada. As cartas estão dadas. Devemos ter responsabilidade para deixar e oferecer às novas gerações um país melhor, mais desenvolvido, mais igual e próspero. E penso que para isso é necessária a “mitezza”, a mansidão. Abominando a agressão. Temos que construir uma sociedade onde ninguém seja covarde. Que possamos ouvir a voz dos que não têm voz. Precisamos fazer renascer a justiça e a verdade. Mas com “mitezza”, sem pisar ou vilipendiar ninguém.

 

domingo, 19 de setembro de 2021

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Octaviano Mello e seu tempo

 
Clique sobre a imagem, para obter acesso ao vídeo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Manhã cultural: história, cultura e sociedade

 




A poesia é necessária?

          Não sou caboco à toa!

Rojefferson Moraes

 

Não sou caboco à toa!

Sou curumim desvairado

Mendigo de roda de pinga

Comedor de farinha puba

Não sou “caboco” à toa!

Sou o que, sob sol escaldante,

Sentado nas escadas desbotadas,

Corta um limão

E toma um caldo quente

De jaraqui amargo!